CAPÍTULO 7
Eu me levanto meio grogue na sexta-feira de manhã. Pelo monte de toalhas molhadas no chão do banheiro concluo que Mike já saiu para sua reuniã me arrumo com cuidado, em oposição de vestir a primeira coisa que encontro. É uma espécie de armadura psicológica contra as farpas de Edward Cullen.
Vou para delegacia de polícia, parando no meio do caminho para tomar um suco de frutas em vez do café da manhã. É uma patética tentativa da minha parte de me sentir melhor. Depois de dois dias à mercê da língua viperina do sargento-detetive Cullen, minha auto-estima está baixa. O efeito emocional de tomar um suco de fruta em vez do café da manhã faz com que me sinta decididamente uma supermodelo.
Estaciono o carro no lugar de sempre da delegacia, consigo sair do Tristão sem dificuldade e respiro o ar puro da manhã. O sol brilha no alto de algumas janelas do prédio e o ar tem um aroma adocicado e fresco.
-- Bom-dia! – digo para o sargento-Dave-ranzinza-da-recepção.
Pelo menos agora ele olha para mim e, com um meneio da cabeça, me faz passar pelas portas de segurança. Enfio a cabeça pela porta do departamento de RP e dou um bom-dia alegre para Rose. Chegando ao escritório dos detetives, vou me encaminhando para minha mesa. A sala está meio vazia, pois alguns oficiais estão escalados para o turno da noite. Emmett já chegou e me cumprimenta.
-- Bom-dia! Como vai? Você não está com uma cara boa. Não é por causa dos problemas que tivemos nos últimos dias, é? Andou sonhando com o sargento- detetive Cullen?
Dou um sorriso forçado, me debruço na mesa dele e digo baixinho:
-- Não, é muito pior do que isso. Sonhei que estava sendo arrastada por cavalos selvagens numa floresta, enquanto um jamaicano tocava gaita e o sargento- detetive Cullen me dava um pito daqueles.
Ele ri e diz:
-- É uma imagem vívida. Deve ter ficado quente. Você estava de biquíni, por acaso? Quer dizer, no sonho?
Ajeito o corpo.
– Não, é claro que não. Estava com roupa de freira, lembro muito bem.
-- Entendo. Nada pode ser completo.
Sorrio para mim mesma e sigo até a minha mesa. Emmett me lembra um labrador brincalhão e tem a capacidade de me animar. Edward Cullen está sentado à minha frente, falando ao telefone, e me faz um cumprimento com a cabeça quando me sento. Pensar que vou ter de lidar com ele o dia inteiro acaba com todo o bom humor que Emmett conseguiu suscitar em mim. Eu me ajeito na cadeira. Terei de ficar distante, porém de forma civil. Terei de manter a pose. Penso nas atividades do dia. Realmente espero que haja alguma coisa interessante para eu escrever, alguma coisa que me deixe envolvida, pois o que acontecer hoje será escrito na primeira edição de O Verdadeiro Diário de Dick Tracy e terei de entregar o trabalho no fim da tarde. Talvez uma ronda policial dramática ou, pelo menos, uma perseguição em alta velocidade. Penso em deixar de lado o roubo de medicamentos do hospital do meu primeiro dia. Olho para o homem à minha frente, para o Jack fictício; ele desligou o telefone e está mexendo em uns papéis, e me pergunto o que está planejando para hoje. Uma prisão seria um bom começo para o dia.
--O senhor vai prender alguém hoje, sargento-detetive Cullen? Alguém? – pergunto educadamente. Ele olho para mim.
– Não sei. Vou checar meu diário. Posso prender você, se você quiser. – E se levanta. – Vamos, houve um assalto na área de Clifton.
-- Ótimo. – digo, dando um pulo da cadeira.
-- Srta. Swan, detesto ter de explicar isso, mas assaltos não são uma coisa boa. Não são mesmo.
Tento assumir um ar sério, de simpatia e preocupação.
-- Não, não, é claro que não. – murmuro, pegando a minha bolsa e seguindo-o pela sala, resistindo à vontade de correr como uma gazela. Oba! Um assalto. Nunca fiquei tão contente com a taxa de criminalidade de Bristol. Não era uma perseguição de carro em alta velocidade, mas era bastante bom. Minha cabeça já está a mil por hora quando nos dirigimos para o estacionamento. Espero que haja uma série de assaltos. Se houver, vou dar um nome a eles! Um nome bem atraente. Espero que ele me deixe publicar detalhes interessantes. Tenho uma idéia, acelero o passo para alcançar o sargento.
-- Por favor, sargento-detetive Cullen!
-- O quê? – ele grita por trás do ombro.
-- O senhor... diz alguma coisa quando prende alguém?
Ele pára de repente. Um pouco de repente até demais. Dou um encontrão nele como se fosse um personagem de história em quadrinhos.
-- Oi! Desculpe! O senhor parou de repente.
Ele se vira para mim e me olha dentro dos olhos.
-- Você perguntou se digo alguma coisa? Eu leio os direitos deles, é claro.
-- Não, o senhor diz alguma coisa pessoal para eles? Alguma coisa? – perguntou ansiosa.
-- Que tipo de coisa? Um conselho?
-- É, ou alguma outra coisa.
-- Aonde exatamente você está querendo chegar?
-- Eu estava pensando que seria bom se o senhor falasse... uma frase emblemática. Não o senhor, exatamente, mas o personagem do meu diário...
-- Falasse o quê? – isso é dito em voz baixa, em um ligeiro tom de ameaça. Até mesmo eu posso ver que ele não ficou muito encantado com a idéia.
-- O senhor sabe, uma frase emblemática. Uma citação. – Ele olha par mim com ar duro, as junto coragem para continuar, apesar da voz fraquinha. – Que tal: "Vá em frente, punk, eu tenho bastante tempo"?
-- Você é absolutamente incrível – diz ele, continuando a andar.
-- A idéia é essa! Alguma coisa no gênero. Mas eu estava pensando em uma coisa mais ameaçadora... – digo bem alto para ele poder me ouvir. Chego ao estacionamento um pouco depois dele, arfando. Avisto-o em um canto falando de cara amarrada com um policial fardado. Ele se vira para mim quando eu me aproximo.
-- Você tem carro?
-- Tenho, por quê?
-- Nós não temos nenhum carro disponível, foram todos atender um problema na cidade. Podemos usar o seu?
-- Bom... – digo, hesitante. Não que eu me importe de ir no meu carro, mas é que o Tristão não é dos carros mais confiáveis do mundo e eu não tenho cuidado muito da sua limpeza. Nenhuma garota gostaria que encontrassem restos de biscoitos dentro do seu carro.
-- É do seu interesse chegarmos lá. Ou usamos o seu carro, ou esperamos que um dos carros da polícia volta, e não sei quando...
Isso é o bastante, preciso chegar ao local do assalto. Tristão vai se comportar bem, é a rua que realmente me preocupa.
-- Não há problema! – digo logo, mostrando onde Tristão está estacionado. Tento entrar nele da forma mais elegante possível. Não é uma proeza fácil. Entro com o traseiro primeiro, mas tenho dificuldades de enfiar as pernas para dentro. A perna direita fica enroscada em volta da esquerda, depois fica presa debaixo do pára-lama do carro e recusa-se a entrar no veículo. -- Só um minuto! – eu grito, tentando desesperadamente puxar a perna para dentro.
-- O que você disse? – pergunta ele, contornando o carro e chegando ao meu lado.
-- Eu disse que estarei pronta me um minuto.
Desejo ardentemente que ele volte para o lado do carona, onde vai se sentar. O que eu menos preciso agora é de platéia.
-- O que você está fazendo? – ele pergunta sem entender nada.
-- Estou tentando entrar no carro. —respondo de forma insolente, ainda lutando com a minha perna.
-- É mesmo? – ele pergunta incrédulo. Cerro os dentes e consigo dizer algumas palavras.
-- Sargento-detetive Cullen, se o senhor... – Mas no meio da frase tento mais uma vez puxar a perna e de repente, PUMBA, o joelho bate com toda força na minha testa.
-- Meu Deus! – ele exclama, agachando-se ao meu lado. – Você está bem? – pergunta, com um sorriso no canto dos lábios. Esfrego a testa e fico pensando como conseguir fazer com que uma parte do meu corpo batesse na outra.
-- Estou ótima!
-- Você bateu com o joelho na testa! – Ele dá uma ênfase especial à palavra joelho, e continua com o seu sorriso sarcástico.
-- Eu sei, não é tão fácil assim entrar neste carro, detetive. Por que o senhor não tenta?-- Ele passa para o outro lado e simplesmente pula para dentro com a destreza de um ginasta olímpico. - Sorte de iniciantes. – eu digo. Calma, Bella, calma. Isso é comportar-se com elegância? Ou pelo menos com naturalidade? Faz-se uma pausa enquanto colocamos o cinto de segurança. Tenho vontade de esfregar de novo a minha testa, mas não quero chamar a atenção dele de novo.
-- Agora vejo porque volta e meia você vai à Emergência.-- Não me digno a responder. -- Como você está agora? – ele pergunta, sem tentar esconder o riso.
-- Estou ótima, obrigada. – consigo responder cuspindo as palavras. Tenho fé em Deus que a pancada não vá deixar marca, para Edward Cullen não se referir outra vez ao incidente. Pego no volante com força, pedindo que Tristão não me faça uma falseta, engato a primeira e saímos. Em seguida dou uma olhada em volta para ver em que condição está o carro.
-- Meu Deus! – digo, olhando para os pés desaparecidos de Edward Cullen debaixo de pilhas de lixo. Latas de refrigerante diet, sacos amassados de biscoitos e papéis de bala são visíveis por todo o lado. – Desculpe, eu não tive tempo de limpar o carro. – digo, inclinando-me para tirar um pouco do lixo dos pés dele.
-- CUIDADO!-- Olho depressa, vejo que estou subindo no meio-fio e me desvio dele. -- Tudo bem. Sinceramente – ele diz tenso, sentando-se empertigado no banco. – É melhor você prestar mais atenção na direção.
Eu me concentro na direção nos minutos seguintes e respiro fundo. Sabia que as horas que passara assistindo as aulas de meditação na tevê, no meu sofá confortável, me seriam úteis. Respiro, expiro, respiro.. expiro, respiro... expiro. Estão vendo? É fácil. Não é preciso muita coisa para aprender a fazer isso. Com o tempo recobro o controle e pergunto:
-- Aonde vamos? – Ele meda um enderço perto da ponte pênsil de Clifton. Quando vou passando com dificuldade pela estrada de mão única, Edward Cullen olha em volta do carro.
-- O freio dessa geringonça funciona?
Fico visivelmente furiosa. Parecemos dois cavaleiros medievais lutando, e infelizmente ele acabou de peceber um buraco na minha armadura. Caio direitinho na rede.
-- Tristão não é uma geringonça.
-- Tristão? – ele repete entre um tom grave e o debochado, levantando a sobrancelha. Droga, Nunca falo para estranhos que o meu carro tem um nome. Parece uma bobagem.
-- Ele se chamava assim quando o comprei. – digo confusa.
-- Você comprou isso?
-- Ele é um carro raro e muito valioso!– Tudo bem, só metade disso é verdade. Ele não é tão valioso assim.
-- Eles só são valiosos quando funcionam, srta. Swan – diz Edward Cullen, mostrando o cartão de reboque que seu sempre deixo em cima do painel em caso de necessidade. Que se dane a habilidade dele de detectar coisas. Mudo rapidamente de assunto.
– Então, por que o senhor recebeu essa chamada? Ao que eu saiba os detetives não costumam investigar assaltos simples, não é?
-- O policial que está lá acha que o assaltante é um especialista. Então resolveu me chamar. – Ele tira o bloco de anotação do bolso da jaqueta e lê o que escreveu. Depois de um instante de silêncio tento saber de alguns detalhes.
-- O que a sua futura espora acha do seu trabalho?
-- Isso não é da sua conta. – ele responde, sem olhar para mim.
-- E a sua família? Eles se preocupam com o senhor?
-- Não é da sua conta também vire aqui. – Ele aponta par o lugar onde devemos parar e eu piso no freio.
-- O senhor vai ficar sempre nesse trabalho ativo?
Edward Cullen olha para mim.
– Bem... – diz hesitante. Pego o meu bloco de notas. – O Chefe me disse uma coisa interessante outro dia.
– Seguro a caneta. Ótimo! Uma citação!
– Quer que eu escreva para você? – ele pergunta. Ele tira o bloco da minha mão, escreve uma frase e sai do carro, jogando o bloco no banco. A frase diz: "CURIOSIDADE MATOU A REPÓRTER POLICIAL." Respiro fundo. Vai ser mais difícil do que eu pensava. Minutos depois subimos por um caminho para chegar ao endereço indicado.
É uma casa impressionante em estilo georgiano, e não me surpreendo de ter sido assaltada. Se eu fosse um ladrão essa seria minha primeira porta de entrada. O caminho é coberto de cascalho e o gramado é muito bem cuidado. Nenhuma ponta de grama fora do lugar. Temos de subir uns degraus para chegar à porta azul-marinho, e ao lado de cada degrau há um fícus bem aparado e que chama a minha atenção. Edward Cullen toca a campainha. Depois de um instante de espera a porta é aberta por um mordomo. O sargento-detetive Cullen e eu damos um passo atrás, surpresos. Eu não sabia que ainda havia mordomos.
-- Siiiiiiiiiiim?
Edward Cullen mostra o distintivo.
– Eu sou o sargento-detetive Cullen essa é Bella Swan. Ela está aqui apenas como observadora. – Mais uma vez ele faz questão de dizer isso. Seguimos o mordomo pela casa, e quando Edward Cullen passa a minha frente percebo uma coisa colorida presa nos seus fundilhos. Olho mais de perto e a minha suspeita se confirma. É o papel de bala sabor morango, e acho que provavelmente sei como foi parar lá. Estremeço. Será que devo deixar os outros verem? Ou falo como se fosse a coisa mais natural do mundo: "Detetive, o senhor está com um papel de bala preso na calça..." Ou tento tira o papel? Uma decisão bem fácil de tomar. É melhor deixar como está. Somos levados a uma sala de visita grande, como móveis estofados em chintz e com um piano de cauda. As janelas altas, bem típicas das casas de Bristol da época da Regência, são cobertas por fartas cortinas. Um policial já está sentado lá, com um bloco de notas em uma mão e uma xícara na outra. Quando entramos ele se levanta. Outro homem, sentado em frente, também se levanta.
-- Bom-dia, senhor.
-- Bom-dia, Marcus. – Edward Cullen vira-se para o estranho e estende a mão. --Bom-dia, senhor. Eu sou o sargento-detetive Cullen e esta é Bella Swan. Ela está aqui apenas como observadora.
Não acredito! Quantas vezes ele vai dizer a mesma coisa? A mensagem foi claramente recebida.
-- Sebastin Forquar-White. Como vai o senhor? – diz o estranho, com a voz mais bonita que já ouvi. De onde essas pessoas tiram esse sotaque? Como é que pode? Ele está vestido com um terno de tweed. Sua barriga ligeiramente protuberante força os botões do colete e a papada cai por cima da gravata. Seu ostentoso bigode tem as pontas viradas. Edward Cullen aperta a mão dele, e Sebastina vira-se e aperta a minha também.
-- Como vai o senhor? – pergunto com gentileza. Edward Cullen me olha com raiva.
-- Realmente, a coisa toda foi desesperadora. Desesperadora mesmo. Alguns objetos roubados pertenciam à família há séculos. Sentem-se. Vocês gostariam de tomar chá? – Com a papada balançando, Sebastin Forquar-sei-lá-o-que- mais olha para sargento-detetive e para mim.
- Sim, por favor.
-- Eu adoraria um chá! – respondo com entusiasmo. Edward Cullen me olha com ar ameaçador. Sebastin Forquar-sei-lá-o-que-mais sai da sala e grita:
-- Anton! Mais chá!
Anton é provavelmente o mordomo. Edward Cullen chega perto de Marcus e os dois começam a conversar baixinho. Mudo de lugar, pego o bloco de notas e preparo os ouvidos para ouvir a conversa. Ouço várias palavras, como "tempo", "entrada" e "entrevista", mas não consigo formar nenhuma frase. Eles finalmente se separam e eu me afasto a toda pressa.
-- O que há de interessante nesse assalto? – pergunto. O sagento-detetive Cullen me olha irritado.
– É um assalto muito... – Eu espero com a respiração presa a caneta na mão, porque esse vai ser o episódio de abertura do meu diário e quero que realmente seja bom. --... organizado.
Organizado? Organizado? Do jeito que ele fala parece uma apresentação do Coro Masculino de Bristol. Eles têm de ser organizados mesmo, afinal de contas, são criminosos profissionais. Isso não dá IBOPE. Imagine uma matéria com o título "ELES ERAM ORGANIZADOS!" O que quer dizer um título desses? Que eles se lembraram de trazer as ferramentas? Tento não parecer desapontada quando olho um policial para o outro.
-- O que vocês querem dizer com organizados? – Mas Edward Cullen e já está fazendo suas anotações e me ignora. Marcus, provavelmente sentindo-se um pouco constrangido com a atitude de seu parceiro, entra em cena.
-- O senhor me dá licença? – ele pergunta, olhando para o sargento-detetive Cullen, que dá seu consentimento com um meneio de cabeça e volta a escrever no bloco de notas. Marcus vira-se para mim. --A verdade é que eu nunca vi uma coisa assim. O ladrão sabia exatamente como desligar o sistema de alarme. E era um alarme sofisticado! E sabia o lugar certo para entrar na casa. O interior da casa estava quase intacto; era como se ele soubesse precisamente o que queria levar e onde procurar. E levou apenas as coisas melhores; deixou o vídeo, a aparelhagem de som e concentrou-se nos objetos preciosos.
-- E o que era? – pergunto,na ponta da cadeira
-- Antiguidades.
-- Antiguidades?
Marcus faz que sim, enfaticamente.
– Antiguidades.
-- Antiguidades? –pergunto novamente.
-- Pelo amor de Deus! – explode Edward Cullen, levantando os olhos do bloco de notas. – Vocês vão continuar a repetir a mesma coisa? – Olho com raiva para ele e me viro para Marcus, erguendo as sobrancelhas de forma encorajadora, sem intenção de dar uma palavra. Marcus, felizmente, responde.
-- Objetos de porcelana, pratas, relógios e outras coisinhas mais. Tudo extremamente valioso, segundo o sr. Forquar-White.
-- Então o ladrão sabia de todas essas antiguidades? – pergunto intrigada.
-- Não é preciso ser um gênio para chegar a essa conclusão. – diz Edward Cullen, num tom desagradável. Fico em cócegas para perguntar quais são as implicações disso, mas sou interrompida pela chegada de Sebastina Forquar-White na sala, seguido pelo mordomo Anton carregando a bandeja com as xícaras de chá.
-- Desculpe ter demorado tanto, mas tive um conversa pelo telefone com o pessoal da companhia de seguro. – Forquar-White senta-se no sofá em frente. Edward Cullen, depois de agradecer a Anton pela xícara de chá, vira-se para ele.
-- Quando o senhor notou que estava faltando alguma coisa?
-- Anton foi à sala de jantar hoje de manhã tirar a poeira das peças antigas que ficam guardadas lá e imediatamente me informou que faltavam algumas então toquei o alarme.
-- Quando viu pela última vez os objetos desaparecidos? – perguntou o sargento-detetive Cullen olhando para Anton.
-- Ontem, senhor.
-- Você foi acordado à noite por algum barulho?
Ambos sacudiram a cabeça negativamente.
-- O sistema de alarme é sempre ativado quando vocês vão para a cama?
-- Sempre. – disse Sebastian F-W.
-- O senhor viu alguém suspeito pela casa?
-- Não.
-- Vou mandar para cá um policial para interrogar os vizinhos, se o senhor não se importar. – O sr. Forquar-White faz um sinal com a cabeça mostrando que concorda. – Podemos ver onde fica a entrada que foi usada?
-- Certamente, certamente. – ele responde. Colocamos a xícara de chá na bandeja e nos levantamos para segui-lo. O sargento-detetive Cullen vai na frente e Marcus e eu ficamos para trás. Marcus bate no ombro de Edward Cullen.
-- Senhor?
-- O quê, Marcus?
-- O senhor está com uma coisa presa na... calça.
O sargento-detetive Cullen passa a mão pelos fundilhos da calça, tira o papel de bala e o coloca no bolso. Fico prestando atenção aos móveis do corredor.
-- Obrigado, Marcus. – Seu rosto está impassível e os olhos fixam em mim. Atravessamos uma enorme cozinha, e Sebastian Forquar-White abre uma porta localizada no fundo, dando para uma espécie de despensa.
-- Eles entraram por aqui. – diz, apontando para uma janelinha no canto. -- O trinco foi forçado. Bem típico, pois a companhia de seguro me disse na semana passada para consertar a janela. É sempre assim, não é?
-- É – disse Edward Cullen, pensativo. – É sim. – Olha para a janela um instante e pergunta: -- Alguma coisa foi mexida aqui enquanto vocês no aguardavam?
-- Não, não, nada.
-Ótimo. Marcus, entre em contato por rádio com o pessoal da perícia e peça para mandarem alguém para cá e também um policial par interrogar os vizinhos.
Marcus sai para cumprir a ordem recebida.
-- Essa janela não é pequena demais para dar passagem para alguém?
-- Bom, talvez uma pessoa pequena consiga passar, srta. Swan. – disse o sargento-detetiva Cullen num tom acre, sem tirar os olhos do bloco de notas. Voltamos para cozinha e saímos por outra porta para chegar ao jardim. O Sr. Forquar-White mostra o alarme que foi colocado em um balde de água. Voltamos para a sala de visita e esperamos a equipe da perícia chegar. Edward Cullen faz mais umas perguntas. Quando a equipe da perícia chegar, vai se encontrar com eles, mas antes vira-se para mim e diz:
-- Não toque em nada. E não atrapalhe.
-- Sim, senhor. – respondo, ficando em posição de sentido fazendo uma continência debochada. Um gesto de criança insolente, mas ele me deu corda com se eu fosse um relógio de brinquedo. Os três peritos se vestem com macacões especiais no corredor e Edward Cullen faz um resumo rápido do assalto. Eu me levanto, nas esperança de conseguir conversar com algum deles, mas sou impedida de ir à sala de jantar (para não contaminar a cena do crime). Essa chance só se dá na hora do almoço, quando eles terminam o trabalho e aparecem com grande alarido. Imediatamente ponho de lado o sanduíche que Anton preparou e vou falar com o perito que chega mais perto de mim. É um homem de cinqüenta e muito anos, com cabelo grosso e grisalho e olhos luminosos. Depois de apresentações formais ( o nome dele é Aro), pergunto se eles descobriram alguma coisa.
-- Desculpe, querida. Não posso dizer nada, só o detetive encarregado do caso. -
- Sim ou não? – eu insisto. Ele me dá um sorriso.
– Sim, mas você vai ter de perguntar a ele.
Olho em volta e vejo Edward Cullen falando com algum funcionário a alguma distância.
-- Sargento-detetive Cullen? – eu chamo, e ele olha para mim.
-- O quê?
-- Aro pode me falar do material coletado na perícia? -- Ele hesita um instante, provavelmente por medo do Chefe não gostar da sua recusa e por sua própria má vontade de me dizer qualquer coisa.
-- Pode, mas se você publicar alguma coisa referente a isso, vai se dar mal.
Eu me viro para Aro, exultante. Aro começa.
-- Bom, encontramos umas fibras que podem ser provenientes de várias coisas: roupas, banco de carro, qualquer tipo de tecido: mas não conseguimos distinguir uma coisa em especial. Encontramos também um fio de cabelo que será submetido ao teste de DNA. Infelizmente o resultado levará muito tempo para voltar do laboratório, mas poderemos inserir as informações de DNA no computador e se o culpado for fichado na polícia o computador mostrará o nome dele. Caso contrário, poderemos fazer o teste de DNA em um suspeito e associa-lo ao assalto. Encontramos também uma substância em volta do armário onde os objetos foram guardados, mas não sei do que se trata. Talvez estivesse nas luvas que o ladrão estava usando, pois essa mesma substância foi encontrada no trinco da janela no ponto de entrada.
-- Como vocês encontram todas essas coisa?
-- Passamos uma espécie de luz fluorescente pela cena do crime, e várias fibras, fluidos e substâncias aparecem. Essa substância específica é peculiar porque fica muito restrita a certos lugares.
-- Como assim?
-- Bem, não está em nenhum outro ponto da cena do crime. Só no trinco da janela, na maçaneta da porta que dá para sala de jantar e no próprio armário. Então o ladrão sabia exatamente onde devia ir, assim como o que devia levar. Os outros objetos do armário não foram tocados.
-- E vocês não sabem que substância é essa?
Aro suspira.
– Eu nunca vi isso antes.
Eu o observo enquanto ele tira o macacão desajeitadamente.
-- Então você é a repórter, não é?
-- Isso mesmo.
-- Como está se arrumando? – ele pergunta, fazendo um gesto de cabeça para Edward Cullen, que está conversando com outro perito a poucos metros de distância. Faço uma careta e Aro dá uma risada. Os outros peritos viram-se e olham para nós. Aro chega perto e diz no meu ouvido -- As coisas vão melhora, dê tempo ao tempo.
-- Nós só temos seis semanas, Aro, não uma eternidade.
Depois que me despeço de Aro e levo meu prato vazio para Anton na cozinha, vou procurar Edward Cullen. Encontro-o na sala de visita, terminando uma conversa importantíssima pelo celular sobre os padrinhos de casamento. Fico imaginando como deve ser a noiva dele e que tipo de relacionamento eles têm.
-- Você está pronta para ir? – ele pergunta, ao terminar o telefonema. Faço que sim com a cabeça e vamos nos despedir, ele de Sebastian e eu de Anton.
-- Então – digo distraidamente quando nos afastamos da casa -- O senhor acha que vai pegar o ladrão?
O sargento-detetive Cullen me olha irritado.
-- Isso não é um programa de televisão. Os casos não são solucionados de uma hora para outra. Sei que você gostaria que tudo estivesse resolvida em poucas semanas para poder apresentar aos leitores do seu diário um final feliz, mas infelizmente a força policial não trabalha assim. – diz, com um suspiro.
De volta à delegacia, deposito Tristão em uma vaga e entramos juntos no prédio.
-- Edward! Bella! – Nós nos viramos e vemos Emmett.
-- Como foi o dia? --- ele pergunta, olhando de um para o outro.
-- Ótimo! – dissemos em uníssono. Tenho para mim que essa é a resposta padrão dos detetives, pois as respostas verdadeiras podem ser mais complicadas do que ótimo.
-- Quer vir tomar um drink conosco depois do trabalho, Holly -- Dou uma olhada discreta para o sargento-detetive Cullen. Acho melhor não.
-- Acho que não. Tenho de mandar o material para o jornal.
-- É claro! O diário infame! Pode crer que estamos ansiosos para ler esse diário. Especialmente nosso amigo Eddie. Não é verdade, Eddie?-- Ao ouvir o nome " Eddie" ele assume um ar que já me é muito familiar. Emmett dá uma risada e pergunta: -- Quando vai sair? Na segunda-feira?
Faço que sim com a cabeça e sorrio quando ele se despede.
-- Até lá, Bella! Um bom final de semana para você! Até mais tarde, Edward! – ele grita por cima do ombro.
Trabalho no diário o resto da tarde enquanto Edward Cullen retorna seus telefonemas e faz os relatórios, que parecem ser abundantes. Formato as folhas e amoldo o diário, criando o que espero ser um bom primeiro capítulo de um ponto de vista factual. Eu gostaria de dar vida ao personagem Jack para que o leitores pudessem realmente conhecê-lo melhor nas próximas semanas (se eles gostarão de Jack ou não é outro problema). Edward Cullen não está me dando muito material para trabalhar, mas faço o melhor que posso; trabalho com partes interessantes dos procedimentos policiais e me concentro nos crimes reais. Quando termino, anexo o material todo a um e-mail para Jake e envio a mensagem com um suspiro de alívio. Tenho todo um fim de semana à minha frente, que será definitivamente uma zona sem policiais.
