Capítulo 07
O Baile
Noite do baile de final de ano
Snape esperava por Florence no salão comunal, junto com outros vários rapazes que também esperavam por seus pares.
Ele vestia roupas pretas, uma espécie de fraque, só a camisa de baixo era branca.
– Mulheres! Por que demoram tanto para se arrumar? – vários garotos reclamavam.
A porta do dormitório feminino se abriu e saíram duas meninas de lá. Nada de Florence. Snape estava mais do que impaciente, andava de um lado para outro em frente à lareira. Novamente, a porta abriu. Uma outra garota saiu.
Ele bufou.
Resolveu se sentar no sofá, de costas para a escada dos dormitórios.
Dez minutos depois, Snape estava sozinho no salão comunal.
Mas logo ele sentiu um calor na orelha esquerda.
– Demorei, Sev? – sussurrou ela.
Ele se levantou, aproximando-se dela. Seus corpos e rostos próximos.
– Você está... linda. – murmurou ele.
– Você também. – ela repousou as mãos em seu peito.
Muito próximos.
Ele estava perdido nos olhos dela, tão verdes. Ele desceu os olhos para os lábios pintados de rosa dela.
Florence viu nos olhos dele que ele queria a mesma coisa que ela. Portanto, ela inclinou o rosto pra cima e seus lábios se encostaram nos dele, levemente.
Snape sentiu uma onda elétrica irradiar de seus lábios, invadir seu corpo.
Foi rápido, displicente, quase inocente.
Os lábios dela, sedosos, macios e rosados roçando levemente sobre os lábios finos dele.
Florence ia se afastar, mas ele a impediu, sugando seu lábio inferior. Florence levou a mão ao rosto dele, entreabrindo a boca ao sentir a língua dele roçar seus lábios.
Mas foram interrompidos.
– Me desculpe! – um segundanista entrava no salão comunal, apavorado.
– Já estávamos de saída. – Florence sorriu para o menino, antes que Snape o azarasse.
O casal passou pelo menino de braços dados.
Mas não sem antes Snape olhar feio para ele.
O Grande Salão estava magnificamente decorado.
– Lindo! – ela suspirou.
– Não fazem festas assim em Durmstrang?
– Não. Nós até temos festas no final do ano, mas nosso telhado não é mágico. Nem nossos banquetes são tão magníficos quanto os daqui. E... – ela olhou nos olhos dele. – ...as companhias lá não são tão agradáveis. – Florence sorriu tentando fazer ele estupidificar-se. Mas não funcionou.
– Você não me afeta mais tanto. – ele sorriu de canto.
– Não? – estranhou ela.
– Não. É só eu me concentrar, premeditar que você vai sorrir, aí eu consigo desviar.
Eles sentaram numa mesa ainda totalmente desocupada. Snape olhava pra ela, como se quisesse dizer algo.
– O que há, Sev? – ela falou baixo.
– Eu... estava pensando onde a senhorita estava hoje pela manhã?
– Ahm, e eu lhe devo explicações, Sr. Snape? – ela lhe sorriu, marota.
– Sim. – ele a olhou interrogativamente, uma sobrancelha erguida.
Ela aumentou seu sorriso, Snape paralisou.
– Desculpe... – pediu ela.
Mas ele logo "acordou".
– Então, onde esteve? – perguntou ele.
– Em Hogsmead, na minha casa.
– Tem uma casa em Hogsmead, mas estudava em Durmstrang? – estranhou ele.
– É. Fui buscar este vestido e as coisas pro baile. Também fui pedir à Tiffany para arrumar minhas coisas, pois vamos viajar nas férias.
– Tiffany?
– Minha elfa.
– Vai viajar para onde? – quis saber ele.
– Para a casa da minha madrinha. – ela sorriu.
Snape, que olhava os professores que chegavam, virou-se rapidamente para ela.
– Você vai ir pra minha casa? – um sorriso se formando nos lábios.
– Você, por obra do acaso, mora lá. – ela brincou. – Veja, Severus, Frank e Alice chegaram. Vamos convidá-los a sentar conosco?
– Pode ser.
Snape se levantou e foi até o casal. Logo os três vieram em direção à mesa que Florence estava e os quatro iniciaram uma conversa sobre as expectativas de cada um nos N.O.M.s.
James e Lupin, que acompanhava Lily, passaram por sua mesa.
– Sozinho, Potter? – provocou Snape.
Lily olhou feio para James e então para Snape.
Florence cutucou Snape para que ficasse quieto e se levantou para se apresentar à Lily.
– Sou Florence Delacour.
– Prazer, eu sou Lily Evans.
Lupin pegou a mão de Florence e levou aos lábios.
– Sou Remus Lupin.
– Enchantè, Monsieur Lupin. – brincou ela, com sotaque francês. – Não querem sentar conosco?
Remus olhou para Lily que assentiu.
– Aparentemente só cabem 3 casais nesta mesa, Potter. – comentou Snape.
James deu as costas, enfurecido.
Dumbledore levantou da sua cadeira, silenciando a todos.
– Chegamos a mais um final de ano. E eu não vou fazê-los esperar mais um minuto sequer para festejarem o fim das provas. Que entre agora, a banda convidada da noite, As Esquisitonas!
E um palco magicamente apareceu e uma música alta começou. O povo todo se aglomerou na pista, em frente ao palco.
Florence e Snape ficaram sozinhos na mesa. E ela o puxou para que fossem para a pista. Ao levantarem, Snape a puxou de encontro a ele, tomando-lhe os lábios, num beijo suave, quase casto. Florence provocou ele, mordendo seu lábio inferior, olhando em nos olhos negros. Não conseguia se controlar, cada vez que ficava muito perto do corpo dele o seu próprio incendiava.
– Vamos dançar? – murmurou ela.
E eles foram para a pista. Uma música mais lenta começando a tocar. Snape abraçou-a pela cintura com uma mão, a outra segurando a mão direita dela.
Florence gostava muito de dançar e, embora não conhecesse a música d'As Esquisitonas, estava realmente gostando do som e da companhia. Snape dançava muito bem. E estar assim, nos braços dele, as peles se tocando, era irresistível e delicioso. Um arrepio correndo em sua espinha quando Snape desceu as mãos por suas costas.
– Que tal se nós pararmos um pouco, Sev. – ela falou em seu ouvido, murmurando, arrepiada. – Estou morrendo de sede.
– Por mim, tudo bem. Não aguento mais esses sapatos sociais. – ele a pegou pela mão, indo para fora da pista.
Sentaram novamente na mesa.
– Vou pegar uma bebida para nós. – disse ele, beijando-a nos lábios, antes de ir à mesa de bebidas.
– O que você vê nele? – perguntou James, jogando-se sobre a cadeira ao lado dela.
– Se veio me provocar, está assinando seu atestado de burrice. – advertiu Florence.
– Não. Estou falando sério. – ele a olhou, sério demais; a camisa social amassada, para fora da calça, a gravata desfeita.
– Mesmo? – perguntou Florence.
– Sim. – ele estava realmente falando sério. – O que você fez pro Snape se apaixonar por você?
– Eu não sei te dizer. Acho que quando coloquei os olhos nele eu soube que...
– Soube que se apaixonara. – ele respirou fundo, parecia desolado. – Eu sei como é isso.
– Mas o que há com você? – Florence o olhou, entre espantada e curiosa.
– Hogwarts inteira sabe, não vai fazer mal você saber também... – ele suspirou, triste. – Eu sou apaixonado pela Evans, desde a primeira vez que a vi.
– Lily? Mas ela, pelo que eu vi e já ouvi, não te suporta.
– Eu sei. Mas, eu queria te perguntar... como você fez isso?
– Isso o quê, criatura? – exclamou Florence, tentando não rir.
– Snape sempre foi fechadão, caladão, na dele, rude com quem tentasse se aproximar. Só costumava andar, e isso nem sempre, com uns caras boca-braba da Sonserina. Eu quero saber o que você fez pra que ele se apaixonasse por você, quero ajuda para conquistar a Evans. – James bebeu mais um gole da garrafa de firewhisky que tinha na mão.
– Eu não fiz nada. Apenas, aconteceu.
Ele estava atirado sobre a mesa, quase chorando.
– Quanto você bebeu, James? – perguntou ela.
– Um pouco.
– Por que não a convidou para vir com você ao baile? – perguntou Florence.
– Eu tentei, mas ela... ela me rechaçou. Aí, eu pedi para Remus convidá-la...
– Para que nenhum outro a convidasse. – ela sorriu. – Muito sonserino da sua parte.
Ele a olhou, e por cima do ombro dela pode ver Snape vindo, com um vinco entre os olhos.
– Bem, seu namorado vem aí. Eu, – ele fungou. – vou indo.
E James saiu, abalado, sentando noutra mesa, observando Lily conversar com Remus.
– O que ele queria? – perguntou Snape, bravo, sentando.
– Ele... queria saber o que foi que eu fiz para que a criatura mais fechada e carrancuda da escola se apaixonasse por mim em dois dias. – murmurou ela, sorrindo.
– Por que? – um sorriso enviesado.
Florence olhou pra ele.
– Você não negou... quer dizer que você está apaixonado por mim.
Ela se aproximou mais dele, seus rostos muito próximos.
– Obviamente. – murmurou ele, roçando os lábios sobre os dela, capturando o inferior, mordiscando. Ela suspirou sobre seus lábios. Ele passou ao pescoço dela.
– Vamos para um lugar mais reservado? – ele sussurrou em seu ouvido.
Florence se arrepiou, mal conseguindo responder, apenas concordando com a cabeça. Ele se levantou, oferecendo o braço a ela, que aceitou.
Snape levou Florence até a Torre de Astronomia.
– Aqui é lindo, Sev... – murmurou Florence, encantada.
– Você não chegou a ter aulas de astronomia, mas é aqui a sala.
– Tem aulas aqui durante a noite?
– Sim.
Ela estava encostada na amurada, admirando o céu, uma brisa gelada cortava o ar.
Snape se aproximou por trás dela, envolvendo sua cintura, o rosto em sua nuca.
Florence se arrepiou, deitando o corpo em seus braços.
– Flor... – ele chamou, em seu ouvido.
– Flor?
– Se você pode me chamar de Sev, eu também posso te dar um apelido ridículo.
Ela se virou de frente pra ele, sorrindo.
– Você é tão linda... – ele sussurrou. – Você aceita?
– O quê?
– Ser... minha namorada? – ele falou, meio tímido.
– Posso pensar? – ela brincou.
– Eu entendo... – ele se afastou dela. – Você não quer se envolver com alguém como eu.
– Alguém como você? Como assim, você tem 4 braços, 4 orelhas e duas bocas, por acaso?
– Pobre e mestiço. – rosnou ele.
– Cala a boca, Severus. Foi uma brincadeira... eu não preciso de tempo para descobrir o que eu soube desde o primeiro dia em que te vi.
Ela se aproximou dele, encurralando-o contra a parede, beijando-o nos lábios, mordendo, provocando.
Snape enlaçou sua cintura, ela levou uma mão ao seu rosto, a outra mantendo em seu peito.
Ela não dissera se aceitava ou não seu pedido, mas era o sinal que ele precisava para tornar o beijo verdadeiro. Ele roçou a língua nos lábios macios e ela aceitou. Suas línguas dançavam, brigavam, lançavam choques por seus corpos. Estavam ofegantes, Snape desceu os lábios pela pescoço dela, a sensação dos beijos dele sobre sua pele era como fogo, e enquanto a língua percorria seu pescoço ficava muito difícil pensar em qualquer outra coisa que não fosse Severus Snape.
Resistir?
Impossível.
O vento frio que cortava a torre, não mais era sentido pelo casal. Florence deixou-se levar pelas emoções que ele despertava em seu corpo e mente. Mas um choque que nada tinha a ver com os calores que Snape lhe causava ou com o vento frio, passou por seu corpo.E ela o empurrou na parede, o olhando, incrédula. Snape a olhou, sem entender.
– O que houve? – ele arfava, como ela.
– Eu não acredito... – ela passou as mãos em seu rosto. – Isso existe... de verdade.
– O que existe, Flor?
Ela baixou os olhos, sorrindo, deitou a cabeça no peito dele, ouvindo seu coração.
"Bate exatamente como o meu... como minha mãe disse que seria."
– Você não acreditaria se eu contasse. – ela murmurou.
– Tente.
– Minha mãe e meu pai, eles eram abençoados pelo que se conhece por Encantamento.
– O Encantamento, que une duas pessoas de tal forma que...
– Sim. E minha mãe me disse que eu tinha muitas chances de ser, também, abençoada. Eu nunca acreditei muito nisso, de duas pessoas se amarem de tal forma que suas mentes se unam, que ficar longe um do outro se torna impossível... eu não acreditava, até agora. – ela o olhou.
– Até agora? Você está dizendo que acha que... nós?
– Sim... – ela sussurrou. – Seu coração bate no mesmo ritmo que o meu. Sente... – ela pôs a mão de Snape sobre seu peito.
– Então...?
– Então... se isso realmente for verdade, explica por quê eu e você não nos desgrudamos desde que nos vimos. – explicou Florence.
– Significa que você, linda, inteligente, – ele a apertou mais contra seu corpo, sussurrando em seu ouvido. – ... gostosa... é toda minha, sem chance de escolha?
– Exatamente. – riu ela.
Snape sorriu, malignamente.
– Não faça mais isso. – ela sussurrou sobre seus lábios.
– O quê?
– Sorrir assim... você fica muito sexy. – sussurrou ela.
Snape tomou os lábios dela, possessivo.
– Você fica tão deliciosa assim, ofegando em meus braços; seus olhos brilham, sua pele fica mais quente...
– Eu sou meio veela, você já deve ter percebido...
– Não só eu. Mais da metade da escola ficou paralisada na primeira vez que te viu. – ele falou, emburrando.
– Ciúmes?
– Sim. E, com ou sem Encantamento, você ainda não respondeu à minha pergunta.
– Você não me perguntou nada, não me lembro... – ela perguntou, ingenuamente, brincando com os botões da camisa dele.
– Aceita ser minha? – perguntou ele.
– Sua o quê?
– Minha, minha namorada.
Florence se arrepiou, perdida no olhar intenso dele.
– Mas você me conhece há apenas dois dias... – murmurou ela.
– Mas, como você mesma disse, você pertence a mim.
– Hmm, adorei esse "pertence"...
– Eu tenho tendência a ser possessivo, Srta. Delacour.
– Eu serei o que você quiser que eu seja. Faça o que quiser comigo, Sr. Snape. – sussurrou ela.
– Nunca diga isso a um sonserino...
Snape a empurrou contra a parede e capturou sua boca em um beijo avassalador, as mãos dela foram à cintura dela, puxando-a contra seu corpo, como se pretendesse uma fusão dos dois à parede da torre. Ela brigava com os botões da camisa dele, já tendo jogado a gravata ao chão. Ele desceu uma mão pelas costas dela, sentindo-a tremer contra seus corpo, desceu ao colo dela, voltando ao pescoço e riu suavemente quando ela arqueou o corpo de encontro ao seu.
– Sev... acho melhor nós pararmos. – ela sussurrou, a respiração descompassada.
– Também acho... – ele apoiou a cabeça em seu pescoço, aspirando o perfume maravilhoso que se desprendia dela. – Você tem um perfume que está me enlouquecendo.
– Só você sente ele...da mesma forma que pra mim, – ela deitou a cabeça em seu pescoço, cheirando, mordiscando-o. – você tem um cheiro que...
Ele se sentiu arrepiar, a pressão em suas calças se tornando insuportável.
– Realmente, é melhor irmos. – ele disse rouco.
Ao chegarem no salão comunal da sonserina, vários casais estavam nos sofás e cadeiras.
Florence lhe deu um selinho e se virou para seguir para o dormitório feminino.
Snape ficou a olhando se afastar e um calor subiu por seu corpo. Ele foi até ela, a puxando, colando-a na parede, tomando seus lábios num beijo possessivo.
Suas línguas dançavam em um ritmo quente, entrelaçando-se em perfeita sincronia. As mãos dela percorriam o peito dele, uma perna erguendo-se ao lado dele. Ele pousou uma das mãos em sua coxa, puxando-a mais para si, ficando entre as pernas dela.
Florence gemeu deliciosamente em seus lábios.
Snape desceu ao seu pescoço, a mão apertando e movendo-se em sua coxa.
– Sev... por favor, pare.
Ele parou, ela desceu a perna.
– Parece que cada vez fica mais difícil te soltar... – murmurou ele.
– Eu sei. E só vai piorar.
– Melhorar, você quer dizer? – ele a olhou malicioso.
– Boa noite, Sev. – e ela foi em direção às escadas.
– E meu beijo?
– Não me arrisco a chegar perto de você novamente. – riu ela. – Que horas vamos amanhã de manhã?
– Após o café. Quem acordar primeiro...
– ... espera o outro. Boa noite.
– Boa noite, Flor.
Florence tomara uma ducha.
O calor do corpo de Snape ainda no seu próprio. Ainda podia sentir a pressão dele contra ela na parede.
Adormeceu, arrepiada.
Snape demorou a dormir.
O perfume dela impregnara-se em seu corpo, mesmo depois do banho.
"Deliciosa, linda, inteligente... e minha."
Adormeceu com um sorriso nos lábios.
"Minha."
Nota da autora: REVIEWS?
