Capítulo 7 - O VERDADEIRO ALVO

Dee retornou poucos minutos depois e não encontrou os Winchester - "O que eles estão fazendo agora?" - Pensou Dee preocupada, começou a procurá-los e se sentiu aliviada ao vê-los na cozinha.

- O que você quis dizer com essa história toda? - Dean perguntou antes de morder um sanduíche.

- Tudo foi criado para que haja equilíbrio, a mesma substância que cura também pode matar, depende de como ela é usada e por quem é utilizada - disse Dee, aproximando-se de Sam e olhando fixamente nos olhos dele. - Todas as criaturas são boas e ruins ao mesmo tempo, cada um escolhe qual a qualidade deve prevalecer.

- Às vezes não há escolha - Sam disse, observando a reação de Dee.

- SEMPRE há escolha. Todo ser, humano ou não, tem livre arbítrio. Eu não disse que se você optar por ser bom, o seu lado ruim desaparecerá completamente. Uma pequena dose do mal deverá ser preservada para garantir o equilíbrio e assegurar a sobrevivência. O segredo é não perder o controle, porque é muito fácil se render ao mal ... seu pai acreditava que eu poderia ser o que quisesse ser e não o que todos pensavam que eu era - disse Dee.

- Então, por que você não usa o poder que tem, porque simplesmente não o controla? - Sam disse, desafiando-a.

- Sam, Sam Sam ... – A voz de Dee saiu de seus lábios como um sussurro. - O poder de decidir o destino de tudo o que existe é um vício como qualquer outro ... - Dee fechou os olhos e respirou profundamente. - Tudo se torna fácil e você não consegue mais viver sem o seu vício, não importa o que outros façam ou digam, nada mais importa, mas quando você vê o mal que causou, a sua alma fica dilacerada e descobre que nada valeu a pena. Tudo se torna uma justificativa para suas ações e você começa a percorrer um caminho muito perigoso, geralmente sem retorno - Dee esperava que repetindo o mesmo conselho quantas vezes pudesse, fizesse Sam abrir os olhos e se convencesse de qual seria o melhor caminho.

Dean prestava atenção a cada palavra, ficou pensativo.

- Esta é a forma que encontrei para me controlar, eu não uso meus poderes e me cerco de pessoas que sei que irão ajudar a me controlar - disse Dee, sorrindo e pegando um dos sanduíches de Dean.

- Como você sabia o que havia na lagoa? - Sam perguntou, mudando de assunto.

- Quando você me disse que viu Pamela na lagoa, um monte de coisas passou a fazer sentido. Você não vê? Tudo foi feito por dinheiro, ela planejou as mortes. Primeiro Dee, depois o pai, pense, quem restou para herdar todo o dinheiro? Apenas Pamela. Mas tudo deu errado quando Dee não morreu.

- Por que ela matou a mãe? Ela não era um obstáculo para ela herdar o dinheiro - disse Sam.

- Porque o negócio não é tão fácil assim. Quem está ajudando Pam, está tirando proveito de sua ganância, deve ter aumentado o preço para matar Dee. Eu me sinto muito mal por Pam - Dee lamentou.

- Você se sente mal por Pamela? - Sam estava surpreso - Ela matou os pais por dinheiro!

- Você não sabe com o que ela está lidando. Sairá muito mais caro do que ela pensa - Dee respondeu, parecia realmente triste pelo destino de Pamela.

- E o que estamos fazendo aqui parados? - Disse Dean levantando-se.

- Ela não pode matar Dee, porque ela já está morta - Sam concluiu, sacudindo os ombros.

- A menos que ... - Dee deu um tapa em sua própria testa. - Eu devo ter ficado idiota ...

Dee correu para a sala e pegou firmemente o sapo com as mãos, ela colocou os dedos dentro da boca do animal e retirou um outro papel de dentro dela , ela leu o papel e imediatamente o queimou.

- Aquela estúpida ... Katherine foi apenas um presente, a oferenda, NÓS somos o alvo.

Dean e Sam entreolharam-se surpresos.

- Rápido! Precisaremos de água benta - Dee disse. Ela correu para o quarto dela para buscar tudo o que precisava para anular aquela feitiço. Fez um inventário dos objetos que seriam necessários para realizar seu contra-feitiço. Dee retornou para a sala carregando um lenço com vários objetos e símbolos, colocou as cinzas do papel que havia retirado do sapo no centro do lenço e juntou fios de seu próprio cabelo e dos irmãos Winchester, amarrou o lenço e o levantou com a mão direita.

- Segurem o lenço!

Sam e Dean obedeceram sem questionar. Dee começou a dizer palavras indecifráveis e uma fumaça preta começou a sair de dentro do lenço.

- Soltem o lenço, agora! - Dee gritou, jogando o lenço no chão, onde ele se queimou até restarem somente cinzas.

Dee pegou a jarra com água benta preparada por Dean e despejou a água em cima das cinzas que evaporaram, transformando-se em uma fumaça branca; em seguida, Dee entregou a jarra para Sam e Dean e ordenou que bebessem a água benta, guardando o restante da água em uma garrafa vazia.

- Fizemos magia negra? - Dean perguntou. Ele nunca havia gostado de bruxas e agora estava praticando magia negra como elas.

- Existem inúmeros rituais, nós fizemos o que alguns chamam de macumba para desfazer o que foi feito para nós - Dee sabia o que estava dizendo, em sua vida tinha usado rituais tanto para destruir quanto para ajudar as pessoas.

- Precisamos encontrar Pamela rapidamente, eu coloquei nosso cabelo no feitiço para fazer Pamela pensar que conseguiu nos matar, mas eles irão perceber logo o meu truque e não acho que irão desistir de nos matar. Alguma idéia? - Dee perguntou.

- Seus carros têm GPS, podemos localizar o carro que Pamela está dirigindo - sugeriu Sam.

- Faça isso. A tecnologia é realmente maravilhosa. No meu tempo eu teria que cortar o pescoço de alguém para encontrá-la - Dee riu ao ver a reação dos Winchester.

Foi muito fácil para Sam obter a localização do carro usado por Pamela, afinal, havia sido treinado para convencer qualquer pessoa.

- Consegui! - Sam entrou na sala, mas não encontrou ninguém, saiu pela porta que estava aberta e encontrou Dean e Dee preparando-se para a batalha. Dean colocava símbolos de proteção em seu carro orientado por Dee.

- Estamos prontos! - Disse Dee, carregando uma sacola com vários objetos, ervas e uma garrafa de água benta.

- Você não vai! - disse Sam.

- Ah sim, eu vou! - Dee respondeu calmamente.

- Não, você não vai e ponto final - Sam disse com firmeza.

- O quê? Você está louco? Ela pode nos ajudar, nós não sabemos quem vamos enfrentar - Dean estava perplexo.

- Você esqueceu que ela não pode usar os poderes? E se ela usar e sair do controle, como daremos conta de todos eles? Você não pensou nisso, não é? - Sam argumentou.

- É ... - Dean concordou, mas não muito seguro, afinal ela poderia ajudá-los.

- Sem mim vocês não têm nenhuma chance de saírem vivos de lá e ... - Dee não conseguiu terminar a frase, porque uma dor aguda a fez cair de joelhos, seu corpo ficou paralisado e uma fumaça preta começou a sair de sua boca. - Estou com um problema dos grandes! Estão conseguindo me tirar do corpo de Dee - Dee gritou, segurando firmemente sua boca com as duas mãos, ela falou palavras desconhecidas e fez a fumaça negra retornar para o corpo de Dee.

- Isso vai doer! - Dee disse, pegando a garrafa com a água benta.

- Não! - Sam tentou impedir Dee.

Dean e Sam sabiam o que a água benta faria com ela.

- Eu não gosto disso nem um pouco, pensei que não precisaria fazer isso, mas... - murmurou Dee, balançando a cabeça negativamente, mesmo assim, Dee tomou um grande gole da água benta.

Dee gritou de dor, mas continuou a bebê-la, uma espessa fumaça branca desprendeu do corpo dela.

- Rápido! Precisamos encontrar Pam, se eu deixar este corpo não poderei voltar para ele novamente - implorou Dee com a voz fraca, estava preocupada, afinal, sem o corpo de Dee não haveria dinheiro para construir a fortaleza e ela sabia que a água benta estava protegendo Dean e Sam do terrível feitiço, mas a proteção não iria durar para sempre. Ela precisava ajudá-los a enfrentar inimigos poderosos.

Os Winchester colocaram Dee no banco de trás do carro e partiram imediatamente. O tempo era precioso, Dee estava muito fraca e eles sabiam que as próximas vítimas seriam eles mesmos.