Cap. 07

Piandao pulou no meio do mar de pessoas, com a espada em punhos e a ponta para baixo. A espada perfurou o crânio de mais um soldado antes do espadachim cair por terra e entre todos os soldados que estavam ali. A multidão era tanta que uma pessoa não conseguia dar um único pequeno passo para o lado ou para o outro sem trombar no amigo do lado.

Quando o mestre estava no chão, um grupo de soldados que estavam cercando o senhor caiu em cima. Eles tentavam agarrar e se jogavam sobre o espadachim. Mas, foi tolice. Como um furacão, os seis soldados foram jogados para traz, espalhando grossas gotas de sangue, enquanto a espada girava no ar. Como dominó, os soldados que estavam imediatamente atrás acabaram tombando e quase a multidão inteira caiu.

- Veja, já estou na vantagem novamente! – comentou o mestre, enquanto os vários soldados em volta tentava se levantar da queda. Respirou firme e então Piandao começou com o seu ataque!

A pequena figura ia se infiltrando no meio dos vários homens de vermelho. Apesar de quase não haver espaço entre os soldados, Piandao ia cortando os corpos. Membros e ondas de sangue ia sendo jogados e espalhando pelo o ar, enquanto ele caminhava por entre a multidão na direção de uma saída. Gritos de dor e berros da morte atordoava as pessoas que ali estavam.

- Recuem um pouco, de espaço para atacarmos! – gritou uma jovem soldada de bandana preta e de olhos cor caramelo.

Com a ordem, os soldados recuaram e deram um pouco de espaço para Piandao, cerca de quatro passos de distância.

Ele estava com o rosto completamente encharcado de sangue provocado pelas mortes por ele cometidas. Não era mais preta a sua roupa: nela tinha várias manchas avermelhadas. Ele estava com um dos pés apoiado sobre o tronco de um soldado estragado pela lâmina, com a arma ao lado do corpo, brilhando devido aos raios de sol que batia nela. Mesmo o sangue e os pedaços de carne humano que estava na arma era capaz de evitar o seu brilho. Ele tinha a respiração rápido devida o grande esforço físico. Sentia um pouco de dor nas articulações de suas mãos, nas juntas do joelho. O músculo do braço direito já ardia devido ao esforço físico.

Ele percebeu a situação. Assim, ficou ereto e começou a controlar a respiração novamente, vagarosamente respirando profundamente e exalando. Comentava a si mesmo, com os olhos fechados e sentindo o ar enchendo os pulmões:

- Não sou mais tão jovem como eu era antes. Tenho que parar de fazer essas manobras muito acrobáticas, ou eu terei sério problema de reumatismo na minha velhice!

Percebendo que o seu corpo voltava lentamente ao estado calmo, esfriando sua pele, secando o suor das axilas e diminuindo a dor dos músculos, ele abriu os olhos rapidamente, dobrando as sobrancelhas e enrugando a pele da testa. Neste momento, ele gritou para os soldados que estavam na sua frente:

- Parem de me atacar. Não vê que já estou muito velho para ficar tirando a vida dos outros?

Os soldados que estavam mais próximos ficaram assustados com as palavras. Arregalaram os olhos, puseram o corpo dobrado para trás de forma defensiva e abriram a boca. Neste instante de perplexidade, o mestre correu na direção destes soldados. As próximas vítimas estavam na frente do chafariz!

Mais ataques de espada voou na pele dos soldados. Mais gritos de morte ecoou pelo ar. A água do chafariz estava transparente, até o momento que um pedaço de carne várias gotas de sangue o manchou. Uma grande mancha vermelha começou a se estender pela água, deixando á completamente impossível de se ver o seu fundo.

Na frente do chafariz a cena parecia a de um desastre. Dezenas de corpos mutilados estavam no chão, empilhados, deixando o chão vermelho e escorregadio. Piandao olhou em volta e pensou consigo:

- O terreno está escorregadio. Seria bem melhor se eu saísse daqui. Posso perder a vantagem permanecendo no local.

Assim, sem pensar, correu para fora da área de combate. Ele pulou outra mureta que segura um outro jardim. O jardim era um campo com flores que boiava num pequeno lago. Tinha uma grama muito macia e rala, alem do chão bem plano e longo. Borboletas voavam colorindo o local de amarelo e vermelho. Rapidamente o mestre correu por este terreno.

Até o atual momento, havia apenas 50 soldados vivos. Muitos estavam com olhos fervendo.

- Nós iremos fazer você pagar pela a morte de nossos companheiros – gritou a mesma jovem. Os outros soldados gritaram em coro, levantando o braço para o céu.

Eles então foram na direção do espadachim a toda a velocidade. Rostos ardiam em raiva e babavam este sentimento pela boca. O rosto de Piandao permanecia calmo e tranqüilo.

O espadachim parou na frente do pequeno lago. Ele ficou de costas para o local, deixando o sol e as pesadas nuvens de chuva nas suas costas. O brilho da água ofuscava a vista de quem vinha de frente. Apesar disso, era bela a imagem das montanhas ao fundo e das flores sobre a água calma e tranqüila do lago.

Os soldados começavam a se aproximar do homem, a mais ou menos sete passos de distância, quanto o mestre partiu para cima do soldado caolho. Ele golpeou o coitado, que fora acertado no queixo. A ponta da espada voou na têmpora de outro soldado que se aproximava ao seu flanco esquerdo.

Outros três partiam para o combate. Jatos de fogos foram disparados, porem, devido à luz do lago, os soldados ficaram cegos por alguns segundos. Recuperados, viram o fogo disparado queimar a grama verde do jardim, mas não encontraram o homem ali.

- Onde ele est... – tentou falar o jovem de grandes dentes, antes de ter seu cérebro arrancado fora de sua cabeça com a lâmina da arma.

Sem tempo de reação, os outros três arregalaram os olhos e viram a rápida aproximação do mestre, antes de terem o corpo retalhado pela arma.

Um grupo ainda maior entrou no jardim. Desta vez era composta por vinte soldados. Eles pararam na borda do jardim e colocaram os braços e as mãos na frente do corpo, como se eles tentassem proteger os olhos da iluminação que os incomodava. O céu ainda estava cheio de nuvens escuras de chuva, mas o sol ainda brilhava firme no céu. Um soldado comentou com uma das mãos na frente do rosto, fazendo sombra em seus olhos, e com o rosto virado para os seus colegas:

- Vamos disparar as chamas ao mesmo tempo. No três... um, dois, três!

Uma enorme coluna de fogo fora disparado, provocando um forte som de fogo. Porem, por entre o ataque, no meio da luz alaranjada do fogo disparado, um vulto preto rodava por entre elas. O vulto se aproximou com mais rapidez. De repente, o vulto não era mais um vulto... era um homem com a espada na mão que golpeava secamente o seu inimigo.

A batalha continuou sangrenta. Dores e sangue continuaram. Porem quanto apenas dez soldados haviam sobrevivido da tragédia, eles pararam. Os dez soldados se olharam, com olhar inquieto e rosto quase branco de medo. Eles olharam para a saída do jardim e então se olharam novamente. Sem pensar, as vítimas deram as costas aos inimigos e puseram a começar a fugir dali. Porem, não houve tempo. A ponta da espada ia aparecendo no peito dos soldados, espirrando sangue nos soldados ao lado. Um por um caiu sem vida!

Após o ataque, Piandao parou novamente. Sua respiração tinha voltado a ser rápida e carregada. Agora o cansaço está muito forte no corpo. A dor das juntas do punho direito e do joelho voltaram. Ele colocou a ponta da espada no chão e se apoiou na espada como se ela fosse um cajado. Ele aproveitou para espiar por toda a sua volta.

Como anteriormente, havia corpos, carne e sangue profanando a beleza do jardim. Novamente, onde havia um objeto, nele havia algum sinal de sangue. Neste momento, o mestre pode perceber que uma das soldadas atingidas estava se mexendo. Ela tentava se levantar, apesar do osso do joelho estar a vista. Ele caminhou até ali e parou de pé sobre a jovem. A sua sombra ficou sobre o rosto dela, permitindo-a olhar para Piandao.

A ponta da espada estava apontada para o seu pescoço. Ela arregalou os olhos e começou a urinar, deixando o tecido em cor mais escura devido ao líquido, sentindo que a morte se aproximava. Porem, o que ouviu, com a voz tranqüila e carregada de compaixão foi:

- Acalma-se garota. Irei deixá-la viva. Não sou um sádico e cruel homem. Sou um homem que tenta viver honrado e corretamente. Poderá ir embora sem risco de morte.

Então ele retirou a ponta da espada, que brilhava com o reflexo da luz do sol, que ainda não havia sido escondido pela nuvem negra de chuva, e guardou a espada na bainha. Ele comentou em voz alta, sentindo o sangue fervilhar em raiva pela primeira vez à muito tempo na sua vida, enquanto o rosto de Shaon fixava na sua mente:

- Não será a senhorita a última vítima da minha espada. Não, você não merece esta honra. Outra pessoa deve ter a sua vida retirada por ela. Eu sou contra vingança, mas acho que irei abrir uma exceção!