Título: bond
Autora: Lady Bogard
Casal: AoixKai, MxU (aderindo à Revolução dos Ships)
Classificação: NC-17
Orientação: yaoi
Sinopse: "Os pecados dos pais são pagos pelos filhos". Ele suportaria tudo para proteger a mãe; mas, de repente, seu destino parecia um fardo tão pesado...
Gênero: fantasia, angust, romance
Beta: Eri-Chan
Disclamer: the GazettE pertence à PS Company. Eu escrevo sobre eles apenas para me divertir e distrair outras pessoas. Sem fins lucrativos.
Observação: Universo Alternativo, fic presente de aniversário para Litha chan (gomen pelo atraso! XD).


bond
Lady Bogard

Parte VII

A promessa das lágrimas - Meio

Naquela noite ela deixara de ser Nana Long. Era apenas Tomoe, uma jovem de quinze anos, grávida, que fugira de casa porque o pai exigia que cometesse um aborto...

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Apesar do adianto da hora a estação de metrô estava bem movimentada. Eram muitas pessoas indo e vindo, correndo para não perder o último horário antes da estação fechar.

Discretamente, Tomoe ajeitou a roupa e, apertando seus poucos pertences nos braços trêmulos, caminhou em direção à saída. Na mente, pensamentos confusos e preocupados. Combinara um encontro com sua amiga Yutaka Junko naquela estação. A outra garota também era descendente de um dos Clãs que governavam os bastidores do Japão, o Clã do Galo.

Era em território Galo que Tomoe estava agora. Entre inimigos. Mas não tão perigosos quanto os próprios Dragões poderiam lhe ser na situação.

Mal se aproximou da saída e viu através das grandes portas de vidro um homem de kimono preto parado como se esperasse alguém. Imediatamente o reconheceu: era um dos protetores que sempre a seguiam.

- Yada! - murmurou. Como podiam tê-la encontrado tão rápido? Não havia nem sinal de Junko-chan... O que faria? Se tivesse como entrar em contato com a amiga...

Viu que um grupo de pessoas se dirigia para fora da estação e teve uma inspiração. Corajosamente se enfiou entre os desconhecidos e tentou usá-los como camuflagem. Não olhou para os lados. Mal saiu e o vento da noite fez sua pele gelar. Lá fora estava realmente frio.

Evitando olhar pros lados, continuou caminhado no meio das pessoas. Seu coração estava acelerado e a boca seca. Nunca sentira tanto medo. Se fosse pega antes de encontrar com Junko-chan não teria outra chance!

Parecia que conseguiria escapar. Havia uma curva logo à frente, e se Tomoe pudesse alcançá-la correria para longe tão rápido quanto suas pernas e seu desespero permitissem.

Porém quis o Destino que um segundo protetor do Clã do Dragão estivesse parado justamente naquela esquina. O homem de negro sorriu ao reconhecê-la. Angustiada, Nana Long virou-se, tentando voltar sobre os próprios passos. Talvez tivesse sorte e conseguisse retornar para a segurança do metrô.

O primeiro dos protetores deixara seu posto e vinha se aproximando. Desesperada, Tomoe entendeu que caíra em uma armadilha. Ficou óbvio que fora vista desde o começo, e seus perseguidores pareciam estar brincando de gato e rato.

Pensou ainda em atravessar a rua correndo. Mal olhou para aquela direção e viu o terceiro protetor, parado ao longo da avenida, observando quietamente. Todas as suas saídas estavam bloqueadas. Não tinha como escapar.

As pernas bambearam e Tomoe teve que encostar-se a parede fria. Perdera a presença de espírito, apenas assistindo os homens de seu Clã se aproximando sem pressa, com a certeza de que a garota não tinha pra onde correr.

- Tomoe-sama, venha conosco. - pediu o primeiro dos protetores, que parecia o mais velho e de maneiras mais formais. Tomoe notou a kodachi escondida numa das dobras do quimono. Compreendeu que eles a levariam para casa de qualquer maneira...

- Ie! - exclamou. Não podia voltar pra mansão Shiroyama. Se isso acontecesse, seria o fim!

- Seu pai exige que retorne. Ele diz que pode corrigir seu erro.

A garota engoliu em seco. Deixou a pequena bagagem cair ao chão enquanto as mãos cobriram a barriga. Sabia o que seu pai queria dizer com "corrigir o erro". Ele exigira que fizesse um aborto.

- Yada! - as mãos tremeram. Se fosse pra morrer preferia que fosse naquela noite, vítima daqueles protetores. E não na mesa de uma clínica, enquanto arrancavam-lhe o filho do ventre - Onegai...

- Não tem escolha Tomoe-sama.

A caçula Shiroyama mordeu os lábios. Realmente era o fim. Mas lutaria. Não pereceria sem lutar! No entanto, pra sua surpresa, os deuses pareceram sorrir-lhe outra vez. Uma voz simpática e animada chegou até eles:

- Gomen, gomen Tomoe-chan! Eu me atrasei!

Os protetores do Clã do Dragão também se surpreenderam com a aparição inesperada. Nana Long ficou tão feliz que quase chorou. Os olhos agradecidos fixaram-se na garota recém-chegada, sozinha, baixa pra idade, de cabelos curtos, íris escuras e adorável sorriso de covinhas. O quimono claro ostentava o brasão de seu Clã. Imediatamente os inimigos reconheceram a garota como uma das donas do território que invadiam.

- Junko-chan! - foi tudo que pôde dizer, tamanho era seu alívio.

Ignorando os protetores, Junko avançou e parou muito perto da amiga, olhando curiosa para sua barriga.

- Tem um bebê aí... - apontou - Sua apressada! - desviou os olhos para a face da amiga e sorriu - Omedetou!

- A-arigatou.

- Oe! - um dos protetores exclamou, aborrecido com a cena. Reconhecera o brasão do galo, mas a garota chegara sozinha e parecia mais inofensiva que Tomoe - Afaste-se! Nana Long sama vem conosco.

- Ie. - Junko respondeu subitamente séria - Não seria o mais apropriado. Gostaria de receber Tomoe-chan em minha casa por alguns dias.

- Tsc. - desdenhou. Sua mão moveu-se em direção a kodachi que mantinha oculta no quimono. Não chegou nem mesmo a tocá-la. Algo nas sombras se agitou e um sai afiadíssimo voou em direção ao homem, atravessando-lhe o pulso e decepando-lhe a mão. Foi tão rápido que não houve defesa.

Em choque, caiu de joelhos no chão sangrando. Os outros dois protetores arregalaram os olhos, surpreendidos.

- Gomen nasai. - Junko falou, ainda extremamente séria - Estão cercados por ninjas, Protetores do Dragão. Vão embora e preservem suas vidas. Avisem a Shiroyama-sama, Shin Long sama, que sua filha será hospede em minha casa.

Sabendo-se em desvantagem, afinal eram meros protetores e jamais venceriam ninjas guerreiros das sombras, os dois ajudaram o companheiro ferido e fugiram em direção contrária.

Tomoe respirou fundo:

- Arigatou, Sora Ji.

A moreninha abaixou-se e pegou a pequena bagagem de Tomoe. Apertou alguns segundos nas mãos pequeninas, antes de devolver a real dona:

- Não me agradeça, Nana Long. Sei que faria o mesmo por mim.

Shiroyama colocou uma das mãos sobre a de sua amiga:

- Com toda certeza do mundo.

- Gomen nasai. Quase não cheguei a tempo...

- O quase não importa. - ainda não podia acreditar que conseguira escapar das garras do Dragão. Escapara por pouco. Mas Junko ficou novamente séria. Os olhos fitaram a longa rua, por onde os protetores haviam fugido.

- Ainda não acabou, Tomoe-chan. Na verdade começa agora...

- Papai vai revidar.

- Temos que nos preparar...

Junko voltou a olhar a fugitiva. Na mente uma única certeza: não permitiria que ninguém fizesse mal a única amiga que possuía.

oOo

Tomoe tentava não deixar a angústia se apossar de seu coração. Estava sentada numa das salas da casa de Junko, esperando que a amiga terminasse de conversar com o pai, patriarca da família Yutaka. E aquela conversa estava demorando...

Ela ainda mantinha a pequena mala sobre o colo, apertando-a nervosamente. Conseguira escapar dos protetores graças à intervenção de Sora Ji, mas isso não significava que tudo estava acabado. Seu próprio pai era uma grande parte do problema, o que não significava que o pai de Junko seria fácil...

O Clã do Galo tinha reputação de ser o mais discreto e sutil dentre todos. Governava seu território com mãos de ferro, mas sem nunca se envolver diretamente em conflitos que não lhe diziam respeito.

Durante gerações, sempre que podia, o Galo se mantinha a parte dos acontecimentos, cuidando apenas para não perder prestígio e poder. Fora assim até Sora Ji resolver ser diferente.

A garota agia contra os padrões do Clã desde que Junko podia se lembrar. Haviam cursado os últimos anos do fundamental e o primeiro ano do ensino médio juntas, na mesma sala. Afinal, independente de sobrenome, os Clãs queriam a melhor educação para seus filhos. E atualmente isso significava um afamado colégio em território do Clã do Cão.

A maioria dos herdeiros cursava tal colégio e foi inevitável que Tomoe e Junko, da mesma idade, se conhecessem. Foi impossível evitar que ambas se aproximassem e se tornassem amigas, apesar de ser contra o código de ética.

E ali estavam as conseqüências. Graças a isso, Tomoe tinha alguém com quem contar, que não fazia parte do Clã do Dragão. E o mesmo servia para Junko.

Nana Long resistiu bravamente a vontade de levantar-se e começar a andar de um lado para o outro. Paciência não era exatamente o seu forte, apesar de saber manter a aparência refinada sempre que em presença dos familiares.

Isso a fez pensar no pai e no irmão mais velho. Ambos estavam bem irritados com ela. Do pai, esperava as piores reações abertamente. De seu irmão... Do primogênito Shiroyama podia esperar qualquer ação traiçoeira e baixa. Não contra si, claro. Ambos se amavam bastante para se ferir assim. Mas Jun Long jamais perdoaria o pai daquela criança.

O que lhe dava mais uma preocupação. Assim que tivesse uma posição de Yutaka-sama precisaria tentar entrar em contato com o homem que amava e alertá-lo para a eminência do perigo, antes que fosse tarde demais.

Céus!

Havia tanta coisa a se fazer. Tanto em que se pensar.

Ia suspirar quando a porta a frente se abriu e Junko saiu do escritório do pai. Parecia muito, muito cansada. E trazia um brilho estranho nos olhos escuros.

- Junko-chan...? - Tomoe começou insegura - Daijobu?

A baixinha caminhou até a poltrona ocidental e sentou-se ao lado da amiga:

- Hn. Papai é uma mula teimosa, mas aceitou asilar você.

- Oh! - Tomoe ficou tão aliviada que sua face finalmente se descontraiu de toda a tensão demonstrada, expondo novamente a beleza juvenil que lhe era peculiar - Simples assim?

- Ie. - Sora Ji cruzou as mãos sobre o colo - Ele exigiu duas coisas em troca.

- Duas coisas?

- Hai. Ele vai reunir o Conselho dos Doze Clãs. Papai se recusa a interferir tanto nisso. Ele disse que você e Shiroyama-sama devem resolver-se diante dos outros Clãs, agora que Galo se envolveu.

- Oh. - a fugitiva ficou incerta se aquilo era uma coisa boa ou ruim. Antes que dissesse mais alguma coisa, Junko continuou:

- Ele já ordenou que um mensageiro entrasse em contato com os outros Clãs e avisasse imediatamente Shiroyama-sama. Papai não quer responsabilidade nenhuma pelo que acontecer a você e ao seu bebê.

- Isso me dá tempo. Posso tentar fugir e...

- Tomoe-chan, ao invés de continuar fugindo e obrigar sua criança a viver na ilegalidade, tente comover o Conselho dos Doze Clãs.

- Masaka. Acho que isso é difícil, Sora Ji.

- Ie. As coisas estão mudando. Você tem seu irmão mais velho. Jun Long sama pode continuar a descendência do Dragão. Se o Conselho decidir, nem seu pai poderá ir contra. E você será livre.

- Tenho medo... - revelou baixinho. Enfrentar os representantes mais poderosos de todos os clãs era aterrador. Se desse errado...

- Nana Long...

O tom de voz estranho de Junko chamou a atenção de Tomoe. Foi então que a fugitiva se lembrou de um detalhe:

- Disse que seu pai exigiu duas coisas... Qual é a segunda, Junko-chan?

A baixinha desviou os olhos e mordeu os lábios antes de responder:

- Papai disse que devo assumir as responsabilidades de meus atos e arcar com as conseqüências do que fiz.

- Oh... isso...?

- Hn. - ainda evitava encarar a amiga - Gomen nasai, Tomoe-chan. Foi tudo o que pude fazer. Meu pai quer lavar as mãos do problema, e pra isso não hesitaria em me culpar por interferir.

A mais alta recostou-se no sofá e analisou suas opções. Se evitasse enfrentar o Conselho depois de tudo aquilo, Junko ficaria numa situação ainda pior: Yutaka-sama interferira e reuniria os Doze Clãs por um pedido da própria filha. Se Tomoe abandonasse a amiga, Sora Ji levaria toda a culpa por se meter em problemas alheios ao clã do Galo. A situação da baixinha já não era das boas.

- Aa. Wakkata. - Tomoe não podia fugir mais. Teria que enfrentar o que viesse pela frente. Nunca se perdoaria se deixasse sua única amiga com mais problemas apenas por ajudá-la. - Quais as chances?

Junko finalmente encarou a amiga. Os olhos ainda eram tristes, porque a história seguia para um desfecho inesperado, mas a garota tentava sorrir:

- Tomoe-chan. Vamos nessa até o fim. Eu juro, pela minha vida e por tudo que amo, que tentarei convencer o Conselho a impedir que seu pai consiga o aborto. Confie em mim, eu serei sua advogada.

A Shiroyama concordou com a cabeça. E, pela primeira vez desde que saíra de casa fugida, sentiu verdadeiramente que aquela aventura podia ter um final feliz.

Continua...

Antes de mais nada: FELIZ NATAL! Mega atrasado, mas eu tava viajando! Que Papai Noel tenha passado na casa de todos e deixado muita paz, saúde e prosperidade. Isso é o fundamental, do resto a gente corre atrás! E PROSPERO ANO NOOOOOVO!

Primeiro chapie postado em 2009. Uaaaaaa...

Voltando a fic...

Depois de milhões de anos: a atualização. Cumprindo uma parte do acordo com a Aria! Será que ela se lembra?

Agora, indo digitar a terceira e última parte das lembranças da mãe do Aoi!

Até!