Torne-me Mau

Capítulo 7

Relaxou suas costas à cadeira, seu olhar caiu no elmo aos seus braços, distraído. Alguns servos passeavam pelo local, mas não se importava. Estava entediado, seus olhos passaram pelo Templo, procurando algo que pudesse fazer, pensou em voltar para Gêmeos, também queria a companhia de Kanon ali, como no dia anterior quando ele evitou que Aiolos se aproximasse.

Começou a ouvir passos pesados, reconheceu que fosse um de seus Cavaleiros trajando a devida armadura. Naquele tédio, ouviria o barulho metálico das vestimentas a muitos metros de distância. Então ergueu seu olhar, que caiu nos cabelos loiros que adentravam seu recinto. –Ao que devo a sua visita?

-Bom dia. Apenas vim para avisar que minha missão se inicia nesta tarde, e já estarei indo para o aeroporto com o Cavaleiro de Ouro de Câncer. – O rosto dele se ergueu, em certa arrogância.

-Pois bem, Afrodite, estou avisado, boa sorte. – Passava as unhas no metal de seu elmo, apoiou o cotovelo no braço do trono e a lateral do rosto na mão. Deu um suspiro. Mas algo lhe veio à cabeça. Viu o pisciano dar-lhe as costas. –Espere, Peixes.

Os passos tornaram a cessar, ele se virou novamente, de frente ao superior. Umedeceu os lábios, lançando um olhar cínico a Saga. –Sim, vossa excelência? – Aguardou por sua resposta, após vê-lo dispensar os empregados.

-Temos assuntos inacabados.

-O assunto da festa em Leão?

-Esperto. – Respondeu o geminiano, irônico.

-O que quer ouvir de mim?

-O que andou espalhando?

-Está acreditando que eu andei espalhando o seu passado?

-Não acho que alguns companheiros nossos têm bolas de cristal, entende?

-Eu sinto muito se prejudiquei você. – Deu um sorriso imperceptível de maldade.

-O que aconteceu ou não comigo nesses dias não interessa. Só quero a resposta. Por quê?

-No dia anterior à festa, eu passei à tarde com o... Um Cavaleiro de Prata, conversávamos sobre aquela época. E ambos revelamos algumas coisas um ao outro. Como um encontro social comum, Saga.

-Grande Mestre, sim? – Afrodite ignorou aquela ordem. –Já pensou que irei descobrir quem é e que ele pagará pela fofoca?

-Então deva exterminar noventa e nove por cento dos residentes do Santuário, fofoca é o que mais rola aqui.

-E exterminar você? – Os lábios do geminiano delinearam um sorriso malicioso. –Acho que é justo. –Graças à sua fofoca inocente, me prejudicou com Kanon e Aiolos. E isso falo, só do meu lado. Máscara, Shura e Aiolia nem estou contando.

-Vá em frente, Cavaleiro de Gêmeos. Elimine-me aqui e agora. – Ergueu ainda mais seu rosto em arrogância. –E deixe provado que realmente existiu algo entre nós, e que você se importou com isso. – Cerrou os olhos, e também sorriu com malícia. –Só quero relembrá-lo que do Máscara, cuido eu.

-Estou surpreso que ele ainda queira viajar com você.

-Dispensava a sua companhia.

-Eu não perderia meu tempo, gosto de pessoas verdadeiramente bonitas. – A mão livre do pisciano se fechou em raiva pela resposta. –Dispensado. Mas só lhe alertarei. Outra fofoca seja com o Misty, Ágora, Perseu, ou quem for, eu vou foder você, e não me refiro a sexo.

-Que pena. – Provocou, dando-lhe as costas e saindo do templo calmamente.

-Cínico. – Murmurou, enraivecido.

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-Agora você é só meu. Aqueles dois bestas foram embora. – O tom possessivo do sagitariano e a cara feia fizeram Shura rir enquanto apertava o abraço dele, por trás.

-No momento, é a melhor coisa para eles. Estão precisando. – O namorado resmungou algo, e o moreno riu novamente. –E que tal você e eu sairmos para jantar? Hoje serei bonzinho, se Aiolia quiser vir... – Shura fez certa expressão de ciúme e foi a vez de Aiolos cair no riso.

-Idéia maravilhosa. Amei isso, amor, falarei com ele. – Em continuação a resposta, lhe roubou um beijo carinhoso e Shura retribuiu. –Noite perfeita que teremos... – Em seguida, sorriu e o namorado o acompanhou no sorriso.

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-Promete não beber? – A mão bem delineada acariciou o antebraço do namorado, até seu ombro. A outra mão passou em suas costas desnudas, e seus dedos acariciaram algumas cicatrizes provenientes de lutas passadas do italiano. –Eu não via a hora dessa viagem acontecer.

-Não me importo no que eu preciso fazer, só sei que eu queria estar aqui com você. E longe dele. – Uma das mãos de Máscara, tocou na do namorado, em seu ombro. As mãos contrastavam em formas e delicadeza.

-Avisei Saga que partiríamos hoje... – O moreno permaneceu em silêncio. –Amor, não existe nada. – A dúvida que ainda percebia nele lhe fez suspirar de tristeza. Em seguida, viu o canceriano virar o rosto para si. Observou aqueles movimentos, depois foi o corpo dele. Notava que no olhar dele havia ternura, e então corou ao ver o rosto dele se aproximar. Então, a mão dele que pousou na sua foi até a nuca, entre os cabelos loiros do pisciano.

Os lábios se encontraram em um beijo forte, urgente. E Afrodite notou que era apaixonado, e logo, Câncer lhe cobria com o corpo.

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Encostado no batente da porta, observava o loiro se trocar. Em seus lábios, um sorriso delineado de forma delicada. Os braços estavam cruzados, e o olhava distraído. Voltou a si quando o olhar dele encontrou-se com o seu, e viu o rosto dele se tornar rubro.

-O que foi? – Perguntou timidamente.

-Ahn... Nada, só estava vendo você se trocar... Está... Tão animado.

-Amo sair com o Aiolos e o Shura, Aldebaran. Fico de olho nas patas do Capricórnio. Hum. – Olhava-se no espelho, notava-se corado, mas não entendia muito bem por que. Aproveitava e arrumava os fios dos seus cabelos, bagunçando-os displicente, mas deixando-lhe charmoso e em resposta as suas palavras, o amigo ria. –Que tal estou? – Virou-se de frente para o taurino abrindo um pouco os braços, para mostrar-se completamente.

-Está... Lindo, Aiolia. – Sorriu com carinho e ambos trocaram um longo olhar, para depois ambos corarem.

-Caramba, vou me atrasar. – Saiu de onde estava e se aproximou do mais velho, tocando em seu braço. –Depois nos falamos. Vai ficar por aqui?

-Não, não, vou para Touro. Divirta-se, qualquer coisa estarei lá. – Sorriu tocando em sua mão, e percebeu o loiro tornar à sutil timidez da situação inesperada.

-Está bem. Até... Depois. – No sorriso de Aiolia houve certa sensualidade, e o outro, ao notar, sorriu ao canto dos lábios com certa malícia quando ele se afastou.

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-Crianças. Tsc. – Riu. Depois mexeu nas fitas de sua sandália envolta de sua perna e quando satisfeito, penteou os cabelos com os dedos de uma das mãos. –Sinceramente achei muito fogo para pouca lenha.

-Você e suas metáforas. – O ariano gargalhou divertido ao ouvir o comentário do libriano. Apoiava-se em um pilar, encostou sua cabeça a ele, fechando os olhos.

-Mas é sério! – Ria também. –O passado aqui no Santuário ainda é bastante evidente, Shion. Mas esse é o erro. A maioria deles se deixa levar no que aconteceu, ao invés de se preocupar com o que acontecerá, mediante as atitudes de hoje.

-Temna fumava é?

-Você fica quieto porque gostava quando a gente fazia isso, ok? – Olhou para o ariano, questionando-o com a expressão, e o riso, permanecia.

-Eu não sei de nada, Dohko. Não me inclua nas suas fantasias!

-Vem cá, senta aqui. – A mão tocava em um lugar no degrau ao seu lado. Shion sentou e sentiu um leve empurrão do companheiro.

-Que foi?

-Amava vê-lo como Grande Mestre, mas prefiro você aqui, sabia?

-Saga é muito criança para comandar esse lugar. Sinto-me inseguro.

-Poço de modéstia você, Shion. – Riu.

-Mas... – Tornou a rir. –É. Saga faz coisas que quando era eu, não tinha cabimento de acontecer.

-Ei! – Tocou na coxa dele e apertou. –Relaxa. E esses tempos são outros. Saga sabe sim lidar com esse lugar. Apenas... Tem muito a aprender.

-Saudade dos nossos amigos... – O ariano divagou ao olhar para o horizonte.

-Nem fala... Mas sou feliz por ter você aqui comigo, sabia? – Virou o rosto para olhá-lo, sorrindo.

-Hum, é, sou satisfeito por ter você aqui... Serve. – Riu maldoso e levou outro suave empurrão.

-Eu todo romântico e você acabando comigo. Partiu meu coração. – Shion não lhe olhava por conta da brincadeira, mas Dohko permaneceu fitando-o. Pouco depois os dois trocaram um olhar. –Shion, porque não namora comigo? Vamos ver se eu realmente só sirvo.

-Como? – Áries corou suavemente. –Dohko, você é muito especial para mim, sabe disso. Foi apenas uma brincadeira... E não namoro você, porque é muito chato. – Seu riso retornou.

-Me partiu o coração duas vezes, hein? Na terceira está fora da base.

-Engraçadinho. – Cessando a graça das suas palavras, Shion tocou por sobre a mão dele. A observava com nostalgia. -Demorou, não é?

-Eu esperaria por você mais duzentos anos, Shion. – O olhou sério, convicto e apaixonado. Pegou na mão dele e beijou sua palma.

-Estou lisonjeado, namorado. – Sorriu pelo carinho e pelo anúncio.

-Então você precisa se comportar, e não banque o Grande Mestre comigo, não caio mais nessa. – Respondeu, desviando o olhar, com um sorriso aberto no rosto.

-E qual é a graça então?

-Está irritadinho é?

-Você não me respondeu. E eu perguntei primeiro.

-Nossa, meu namorado é uma criança! Que fofo! – Dohko riu divertido mesmo levando um beliscão do ariano.

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O loiro se ajeitava em cima da almofada macia em que sentava ao chão, cruzando suas pernas debaixo da mesa baixa. Era servido de chá verde pelo virginiano. Observava a expressão dúbia dele e deu um suspiro.

-Obrigado. Ele só foi jantar com o irmão. Depois do que passaram...

-Aiolos gosta de ficar de frescura e drama para o Aiolia ficar sempre colado nele.

-Cadê a meditação de agora pouco, Shaka? – Deu um meio sorriso.

-Perdão, Mu. Eu não deveria estar me comportando dessa forma na sua frente. – Após servir a ambos com o chá, sentou-se também, ajeitando o prato com alguns biscoitos caseiros.

-Somos amigos, você sabe que pode se alterar na minha frente.

-Sabe, você é o único que me aguenta quando eu...

-Se altera? Conheço o seu ciúme. – Riu, depois colocou a xícara entre as mãos, para poder prosseguir com o gole inicial.

-Hum.

-A proposta era essa noite relaxarmos, Shaka... – Lhe lançou um olhar de carinho e sorriu após tomar o chá.

-Você tem razão. E não perguntei, como está Touro? – Virgem ajeitou o manto em seu ombro.

-Ele... Está bem. Não gosto de ver você assim, Shaka.

-Ficarei bem. – O virginiano viu Mu se levantar de seu lugar, e sentar ao seu lado. –Sim? – Em seguida, as mãos dele tocaram em seu rosto, segurando-o. No instante seguinte, os lábios dos loiros se encontraram.

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Seus dedos mexiam habilmente no teclado do celular. Digitava uma mensagem para Aiolos, perguntando-lhe como havia passado o dia. O ruivo a poucos passos de si sentia-se incomodado com a displicência do namorado. –Milo, você não pode largar um minuto esse aparelho? Por acaso está conversando com o irmão do Aiolia? – O loiro parou por alguns instantes e olhou o namorado. Suas pernas balançavam penduradas no braço do sofá. Chegou a ver nos braços de Camus alguns livros que ele guardava.

-Hum, sim é com ele. – Aquário não respondeu. –Queria saber como ele estava.

-Coincidentemente a casa dele é aqui do lado, porque não vai até lá?

-Preguiça. – Tornou sua atenção ao celular e o moreno revirou os olhos indo guardar os livros. E o escorpiano, satisfeito com o que escreveu e enviou, se levantou do sofá e foi atrás do companheiro que se encontrava em seu próprio quarto. Silenciosamente se aproximou por trás e o abraçou. Camus se assustou um pouco, distraído, mas curiosamente enciumado. –Agora larga esses livros. – Manhoso, o loiro se aninhou nas costas dele, fechando os olhos e não se importava do outro permanecer a movimentação ao guardar os objetos na estante. Não o soltou.

-Lembrou de mim? – Foi um murmúrio do ruivo, que não desejava ser ouvido. Mas foi e o grego riu.

-Hum... – O apertou ainda mais no abraço. – Meu francês com ciuminho.

-Não.

-Sim, e a criança sou eu, não seja birrento.

-Não estou, Milo! – Seu semblante estava fechado.

-Vou jogar você na cama, sabia?

-Estou ocupado. – Milo então o soltou do abraço, Camus acreditou que ele havia se chateado com as suas palavras, porém sentiu ele agarrar seu pulso e o virar para si. O livro em sua mão caiu no chão, permaneceu em silêncio, olhando fixamente nos olhos do namorado.

Milo pressionou seu corpo contra o dele e contra a estante, uma das mãos do francês apoiava-se na prateleira em que se encostava, para não perder o equilíbrio. Viu o companheiro apoiar-se também da mesma forma, com ambas as mãos. O rosto dele estava próximo demais, sentia a respiração quente encontrar-se com sua boca. Corou e suspirou um tanto quanto perdido, para Milo não perder mais tempo e lhe beijar e ao corresponder, suas mãos envolveram o pescoço do grego.

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Mordiscava a região abaixo do umbigo dele. Seu corpo permaneceu por cima das pernas dele, uma das mãos arranhava o tórax do companheiro que gemia alto. As mãos dele puxavam com força o lençol, o prazer exorbitante ainda, mesmo após o ato ter acabado a poucos minutos. Gemeu, em frustração ao sentir o namorado parar com os arranhões e as mordidas. Deveria estar com o corpo visivelmente marcado; alguns lugares em que foi mordido e arranhado ardiam, mas em seus lábios, um sorriso perdido surgiu ao ver o rosto do gêmeo acima do seu. –Oi... – Disse, rindo sensual com ele em seguida. Ambos suados e cansados.

-Oi, delícia. – Saga beijou suavemente os lábios do irmão de forma demorada. Viu o olhar dele percorrer novamente seu rosto, aproveitou para passar uma das mãos no próprio rosto, tentando despertar do transe sexual ali, então, os corpos se afastaram momentaneamente, para ambos se deitarem relaxados ao colchão.

-Perfeito. – Kanon se virou para o lado em que o gêmeo estava. Sua mão percorreu o peito dele úmido, de forma carinhosa, seus lábios encontraram-se com o ombro dele, e Saga sorriu com carinho, pousando sua mão sobre os dedos dele.

-Como te amo. – Sussurrou, virando seu corpo também de encontro ao dele, trouxe o braço de Kanon para sua cintura, o seu envolveu-o pelo ombro. A perna do gêmeo também lhe envolveu com a sua, e o viu fechar os olhos.

-Eu também e muito, Sa. – O mais velho o beijo em sua ponta do nariz.

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Notas da autora:

Sete capítulos depois sem enredo... Finalmente acabou. Mas gostei de escrever, não tinha um clímax propriamente dito, quase narrado os dias após a entrega de presentes, dias comuns, praticamente, os Dourados com os probleminhas e soluções deles mesmos, algo particular. E sim, eu senti necessidade de escrever sobre os 14 no final, principalmente porque prometi na descrição da história que todos estariam presentes, inclusive Shion, e já que Kanon seria óbvio. Hum. E bom, mais um pouco de como os vejo como casal.

Os Gêmeos seriam por último... Os melhores, saca?