Eu tinha prometido à Just que escreveria esta cena (que ela quis cortar meu pescoço fora por eu não ter escrito na fic anterior) como presente de Natal e enviá-la para o chall de PWP dela... Pois é, estamos no final de março e quase que eu perco o prazo final do chall também. ¬¬ Em resumo, I suck at promises... =/
Mas se vale o ditado, "antes tarde do que nunca", então aqui está, love, mesmo estando mais perto de "presente de aniversário adiantado" do que "presente de Natal atrasado"! XD
Hope you, all, like it! *.*
.x.
Passados quase quinze dias de seu acidente e em contínuo estado de recuperação, Regulus estranhou ao ver Sirius entrar no quarto com uma bacia metálica cheia d'água e apetrechos para barbear. Passando a mão no rosto, ele sentiu a pele bastante áspera. Nunca deixara a barba crescer e, pela primeira vez em algum tempo, Regulus preocupou-se com a própria aparência. Mas ele tranqüilizou-se ao olhar novamente para o irmão, pois a expressão de Sirius não demonstrava nenhum tipo de desgosto ou nada do gênero. Na verdade, um sorriso divertido preenchia seus lábios maravilhosos.
Um sorriso muito parecido com os que Regulus via nos lábios do irmão em todas as melhores memórias que tinha dele. Um sorriso atrevido e maroto, que fazia seu rosto perfeito iluminar-se com alegria e um toque de malícia, fazendo o coração de Regulus falhar uma batida ao reconhecer aquele brilho especial em seus olhos negros.
_ O que é que você vai fazer com isso? – o caçula perguntou, olhando inquisitivo para a bacia posta no seu colo.
_ O que parece? – Sirius retrucou, sarcástico. Ele já tinha se decidido e nada mudaria sua decisão.
_ Eu posso perfeitamente ir caminhando até banheiro e eu mesmo fazer a minha barba... – reclamou, quando viu que ele preparava a espuma.
_ E onde ficaria a minha diversão? - ele perguntou, seus olhos se estreitando ao sentar-se do lado esquerdo da cama.
_ Ouvi dizer que o Mostro do Lago Ness voltou a aparecer, por que é que você não vai caçá-lo? – Regulus retrucou.
_ Primeiro, eu nunca gostei de frutos do mar, você sabe disso... – ele alfinetou, já espalhando a espuma no rosto do irmão, apesar dos protestos deste. – E nem de animais aquáticos em geral – ele acrescentou, prevendo que o irmão argumentaria haver uma grande diferença entre "lago" e "mar". – E, segundo, já está na hora de você voltar para casa e Walburga não vai permitir que você entre em Grimmauld Place se não tiver totalmente apresentável, como um Black deve ser... – ele concluiu, seu tom de voz perdendo o divertimento.
_ Ah, claro. E tudo o que queremos é evitar que eu seja o próximo ponto chamuscado na tapeçaria... – ele retrucou, sarcástico. Sirius revirou os olhos em resposta. Desde quando era demais querer deixar seu irmão caçula "apresentável"?
_ Ah, por favor, não seja chato, Regulus! Eu não faço a minha barba há quase dois anos... – ele pediu, alheio ao medo que começava a dominar o irmão. Seus olhos expressavam intensamente o valor que ele dava para pequenas ações humanas como aquela, fazendo Regulus suspirar, resignado.
_ Eu não sou seu animal de estimação! – ele ainda tentou protestar, mas já se rendia ao toque suave dos dedos de Sirius em seu rosto, e o medo da separação derretendo-se frente ao entusiasmo de Sirius.
Regulus não queria se render tão facilmente, queria lutar para ficar naquele quarto, enquanto aquilo significasse ficar perto de Sirius por mais tempo. Queria ficar ali, precisava continuar naquele quarto, porque estava mais do que claro que Sirius não voltaria para a Grimmauld Place com ele. E nada poderia ser pior do que Grimmauld Place sem Sirius lá.
_ Eu nunca disse que era... – ele respondeu, aproximando seu rosto do de Regulus para checar se todo o maxilar já estava coberto por espuma e suprimindo a vontade de retrucar algo como "Você está mais para uma boneca de pano do que para um animal de estimação", só para irritá-lo ainda mais.
Mas não era isso que Regulus verdadeiramente representava para ele e não iria provocá-lo dessa maneira apenas pelo simples prazer de irritá-lo. Uma brincadeira daquele tipo era sádica demais até mesmo para um vampiro.
Regulus não queria admitir, mas, por mais patética que aquela cena pudesse parecer, ele começou a gostar. Aquela proximidade descuidada o surpreendeu. O rosto de Sirius tão perto do seu que ele era capaz de sentir seu hálito frio e o cheiro de café que a pele do irmão exalava. Ele usou todas as forças para controlar o impulso de aproximar seu rosto os poucos centímetros o impediam de beijá-lo.
Regulus olhou para o teto, tentando desviar a atenção enquanto Sirius, que usava todo seu pouco autocontrole para aparentar estar alheio a tais sentimentos, começou a passar a lâmina fria pelo rosto do irmão, fazendo Regulus perder completamente a linha de raciocínio e considerando absurdo como uma ação simples como aquela poderia despertar nele sensações tão intensas.
Ambos lutavam contra seus desejos mais íntimos. Regulus queria tocá-lo, sentir novamente a textura rígida e fria da pele de Sirius em contato com a sua, enquanto Sirius respirava com dificuldade, resistindo ao cheiro do sangue de Regulus que invadia suas narinas mesmo contra sua vontade.
A superfície lisa e gelada da lâmina deslizou pela lateral do rosto de Regulus e por toda a linha de seu maxilar. Com uma hesitação mínima que os sentidos humanos de Regulus nunca perceberiam, o dedo frio de Sirius encostou-se em seu queixo, levantando-o para que ele pudesse raspar os pêlos mais próximos da garganta. Em seguida, Sirius prendeu ainda mais a respiração e forçou-se a se debruçar novamente sobre Regulus, tentando alcançar com a lâmina o lado direito do rosto do irmão.
Mais uma vez aquela proximidade, aquele hálito fresco, aquele aroma de café deixaram os pensamentos de Regulus sem rumo, enquanto a grossa veia cheia de sangue pulsando tentadoramente na garganta de Regulus deixava os instintos de Sirius em alerta máximo. Era ainda mais difícil quando eles estavam assim tão próximos.
Não agüentando a tensão e percebendo que também Regulus reagia estranhamente àquela proximidade, Sirius afastou seu corpo o máximo que pôde. A lâmina em sua mão tremeu e, quando ele a aproximou do rosto do outro novamente, devido à falta de controle, fez um pequeno corte na divisão entre o maxilar e a garganta, pouco abaixo da orelha direita.
O corte ardeu levemente, por causa do sabão da espuma, e Regulus reagiu involuntariamente com um pulo. A bacia de água que estava no seu colo virou, derramando todo o seu conteúdo sobre ele.
_ Ótimo... – murmurou, irritado, não com o corte, mas com água quente e cheia de espuma derramada.
_ Desculpe-me... – Sirius murmurou, apressado. Antes que Regulus se desse conta de que Sirius tinha se mexido, ele já estava de volta com um pano, uma bolota de algodão e um anti-séptico. Tudo o que ele não precisava naquele momento era o sangue de Regulus mais evidente e tentador.
_ Está tudo bem... – Regulus o tranqüilizou, passando a mão pelo corte. Um pequeno filete de sangue escorreu dos seus dedos. Ambos fitaram, por um longo e tenso momento, o risco vermelho entre os dedos de Regulus. Os olhos de Sirius faiscaram por mais um segundo e depois se desviaram para o algodão e o anti-séptico em suas próprias mãos.
_ Não se preocupe. Não foi fundo... – Sirius parecia falar mais para si mesmo do que para o irmão, sua voz claramente entrecortada pela falta de respiração. Ele precisava urgentemente dar um jeito naquele corte. Nem evitar respirar estava ajudando, o aroma do sangue entrava por sua boca quando ele a abria para falar. – Desculpe... – pediu, e mais saborosa lufada de ar entrou por seus lábios.
_ Não tem problema, Six. Eu já sobrevivi a cortes piores... – ele riu, nervoso, mas concordou com um aceno de cabeça.
_ Mesmo assim. Sangrar na frente de um vampiro não é a coisa mais certa a se fazer... – ele ponderou, forçando a descontrair o ambiente, sem sucesso, enquanto terminava de limpar a espuma do rosto de Regulus com o pano.
_ É mesmo? - ele perguntou, curioso com as reações do irmão.
Tudo em Sirius era novo e instigante para Regulus, mas a idéia de ser, de qualquer maneira possível, tentador para o irmão era irresistível demais para que ele pudesse ignorar aquele comentário. Existia em Regulus uma vontade insana de que Sirius o desejasse tanto quanto ele próprio desejava o irmão. Ainda que para finalidades diferentes, ele não se importava. Só o que queria era que os sentimentos fossem intensos e mútuos.
Decidido a provocar, Regulus levantou os dedos ainda manchados de sangue na altura dos olhos de Sirius, observando cada reação do irmão mais velho. Instantaneamente os olhos de Sirius ganharam um tom entre o vermelho e o roxo, quando veias riscaram a parte antes branca em volta das íris negras.
_ Será que é bom? – Regulus perguntou, ainda esfregando os dedos uns nos outros, espalhando o líquido rubro sobre eles. E, mesmo sem consciência disso, fazendo o aroma se acentuar ainda mais à frente de Sirius.
_ Regulus, por favor... – A voz de Sirius saiu sufocada, quase desesperada, seus olhos cobiçosos fixos nos dedos do irmão.
Antes que Sirius pudesse desviar o olhar, Regulus levou um dos dedos sujos de sangue à própria boca, tocando-o cautelosamente com a língua. Em seguida, ele fechou os lábios sobre o dedo, sugando o líquido ali existente. Saboreando o gosto estranho do próprio sangue, ele retirou o dedo agora limpo da boca, levantou o outro ainda manchado e, sem dizer uma única palavra, ofereceu-o ao irmão.
Era mais do que o vampiro podia suportar. Não apenas o cheiro do sangue que ainda infestava e ardia em suas narinas e boca, isso ele facilmente poderia remediar. Bastava sair correndo dali em uma velocidade extraordinária e ele estaria longe daquele aroma tentador antes que Regulus pudesse piscar os olhos. Não, não era só a tentação do sangue que o mantinha ali.
Como Regulus fizeram questão de demonstrar, eles precisavam um do outro e isso era algo indiscutível. Regulus ofereceria tudo o que pudesse para manter Sirius ali, para poder tocá-lo, para poder amá-lo. Sirius nunca resistira aos pedidos do irmão, não seria agora que teria forças o suficiente para lutar contra aquilo. A grande diferença é que o que Regulus queria daria prazer a ambos, enquanto o que Sirius queria faria ambos sofrer.
Sirius hesitou por longos e dolorosos segundos, seu rosto fechado, sem respirar e com os lábios contraídos, lutando contra as vontades instintivas que tentavam dominar sua consciência. Cansado de esperar, Regulus completou a aproximação de seu dedo até os lábios selados do irmão, manchando-os com uma impressão digital feita de sangue.
O vampiro não se permitiu abrir a boca, sabendo que o aroma e o gosto que assolariam sua língua seriam demais para que ele suportasse. Mas, ao mesmo tempo em que lutava para resistir, ele sabia que não conseguiria mais sair dali. Sabia que não havia mais esperança para ambos, que seria o fim.
Só o que ainda era incerto o tempo que resistiria antes de finalmente matar a pessoa que mais amara em sua vida. Parecendo uma escultura de mármore – rígido, tenso e estático –, Sirius tentou recuperar o controle de si e do futuro que se desenrolava à sua frente. A gota d'água para sua resistência veio quando Regulus levou novamente o dedo ainda manchado de sangue aos próprios lábios, deixando neles a mesma impressão digital vermelha que Sirius tinha em seus lábios.
Agora o problema não era mais só o sabor do sangue de Regulus, isso ele suportara bem até aquele momento. Nem apenas o sabor dos lábios de Regulus, ele sempre soubera que um dia não teria mais direito de beijá-los. A tentadora mistura de ambos tornara-se mais do que Sirius poderia suportar.
Regulus abriu os próprios lábios para lamber resto de sangue ainda existente em seu dedo, mas Sirius o interrompeu. A aproximação foi rápida e intensa, mas cuidadosa. Seus lábios frios e rígidos colaram-se aos quentes e macios do irmão com um pouco mais de força e urgência do que o vampiro gostaria. Ele sabia que um simples movimento mal-calculado poderia facilmente matar o irmão enquanto ele o beijava.
Regulus reagiu surpreso à rapidez da aproximação, involuntariamente arregalando os olhos e abrindo levemente os lábios. Era exatamente aquela a reação que ele queria de Sirius. Era que ele desejava, ansiava e precisava, mas ele teve que admitir que não era propriamente a reação que eleesperava. Não depois de tanta hesitação e relutância que Sirius vinha demonstrando desde que se tornara um vampiro.
Eles se olharam nos olhos por um longo segundo. Rubi contra prata. Os olhos vermelhos e sedentos do vampiro demonstravam uma ânsia que não era apenas de sangue. E Regulus entendia porque era a mesma vontade louca e proibida que brilhava em suas íris cinza. Determinado a não perder mais tempo, principalmente porque os segundos deveriam parecer longas horas para Sirius, Regulus voltou a se aproximar do irmão, recomeçando o que ele próprio havia interrompido.
Várias sensações e sentimentos explodiram quando os lábios de ambos se reencontraram. Em Regulus, a satisfação de finalmente ter conseguido o que queria, o alívio de ter conseguido um meio para que Sirius ficasse e, principalmente, para que ele o tocasse. O gosto de seu próprio sangue acentuou-se em sua língua quando ele lambeu a mancha vermelha nos lábios gelados e duros do vampiro.
O frio vindo da pele de Sirius gelou os lábios de Regulus, fazendo uma sensação de formigamento se espalhar pela sua boca. Ele sabia que o irmão não precisava respirar, mas mesmo assim sentia o hálito frio saindo pela boca do irmão e batendo gélido em seu rosto, penetrando sua boca e amortecendo sua língua.
Sirius, por sua vez, lutava para não se deixar dominar pelo aroma inebriante do sangue de Regulus que entrava por sua boca. Quando sua língua finalmente tocou a mancha vermelha nos lábios do irmão, o sabor louca e tentadoramente adocicado espalhou-se por suas papilas gustativas.
Nada poderia ter preparado Sirius para a força daquela sensação. Embora ele tivesse sido veementemente avisado que resistir ao sangue para sempre seria mil vezes mais fácil do que prová-lo uma única vez e depois tentar não matar sua vítima, ainda sim ele não poderia supor aquela ânsia um milhãode vezes maior e mais apelativa.
Todos os seus sentidos se aguçaram, e ele era capaz de perceber cada mínima veia de Regulus pulsando violentamente contra sua pele pálida. Ele não saberia dizer se era o sabor do sangue humano ou então do sangue de Regulus, que era também o seu próprio sangue, que o fazia se sentir assim, mas o que ele sabia era que ele queria mais. Ele precisava de muito mais.
Mesmo em sua antiga forma humana, tudo em Sirius sempre fora a maior tentação de Regulus, tudo o que ele mais desejava e ânsia, o maior de seus pecados. Contudo, agora era Regulus que representava tudo isso, a tentação, o desejo e o pecado, para Sirius. E nada poderia dar mais felicidade ao caçula.
Finalmente ambos estavam equilibrados em seus graus de dependência. Naquele exato momento, com os lábios manchados colados um no do outro, com as línguas se tocando e espalhando o sabor do sangue, Regulus ansiava pelo frio da pele de Sirius tão intensamente quanto Sirius queria o calor do sangue de Regulus.
O beijo se aprofundou e se intensificou, tornando impossível que ambos se satisfizessem apenas com ele. Sem medo ou qualquer sombra de arrependimento, Regulus atirou os braços ao redor do pescoço do irmão, puxando-o mais para perto de si, sentindo o frio de sua pele não mais apenas em sua boca, mas também em suas mãos e braços que percorriam o pescoço, nuca e cabelos do irmão.
Era o frio mais maravilhoso que ele já sentira. Um frio que despertava nele um calor sem precedentes, fazendo seu sangue pulsar rapidamente em suas veias enquanto seu coração batia freneticamente. Era um frio que eriçava todos os pêlos do seu corpo, fazendo arrepios descerem pela sua espinha. Arrepios leves e deliciosos que ele não poderia atribuir unicamente ao frio...
Quando os lábios de ambos estavam novamente limpos e sem mancha alguma do sangue, os instintos de Sirius rugiram por mais. Não havia outra hipótese, não existia outra opção nem alternativa que não fosse conseguir provar mais e mais do sangue de Regulus. E se ele poderia fazer isso de uma maneira que acrescentasse prazer aos dois, então por que não fazê-lo?
Com todo o cuidado e delicadeza que seus novos reflexos permitiam, Sirius separou seus lábios dos do irmão e, antes que Regulus pudesse pensar em reclamar ou esboçar qualquer reação, ele começou a trilhar uma linha difusa de pequenos beijos pelo maxilar e pescoço do irmão.
Regulus nem sequer teve tempo de pensar em reagir quando os lábios gelados de Sirius começaram a acariciar sua pele quente. Mais arrepios percorreram a espinha de Regulus, fazendo-o estremecer e, dessa vez, eles eram totalmente desconectados do frio que os lábios e o hálito de Sirius emanavam.
A cada beijo, a cada toque de seus lábios na pele macia do irmão, o vampiro sentia a intensidade das veias de Regulus pulsando sob ela, apreciando o aroma tentador que a pele dele emanava, antecipando o sabor delicioso que o sangue fluído e abundante teria. Ao aproximar sua trilha de beijos do pequeno corte que dera início a tudo isso, Sirius respirou fundo, inalando o cheiro do sangue fresco que ainda escorria minimamente dali.
Por mais que seus instintos de irmão mais velho e super-protetor gritassem contra aquilo, Sirius deixou que aquele cheiro dominasse seus pensamentos e o convencesse de que se era isso que Regulus queria e era isso que ele próprio queria, então era a coisa certa a fazer.
Aproximou sua boca ainda mais do corte e, sem hesitar por um único segundo, passou a língua por ele, lambendo as poucas gotas de sangue que ainda ameaçavam escorrer pelo pescoço de Regulus. O sabor que preencheu sua boca quando o líquido vermelho entrou em contato com sua língua foi ainda mais arrebatador que o anterior.
O sabor do sangue nos lábios de Regulus, tão imensamente tentador pelo local em que se encontrava, voltou a dominar a consciência de Sirius. O sabor era doce e intenso, espalhava-se por toda a extensão de sua língua, preenchendo seus pensamentos e fazendo sua garganta formigar. Ele queria e precisava de mais, muito mais.
Mas ele ainda teria que esperar para ter mais. Se Regulus se oferecia a ele assim, inteiramente e de livre e espontânea vontade, ele merecia ter o que tanto desejava, merecia ter aquilo pelo que ele estava mais do que disposto a morrer. Sirius devia isso ao irmão, e também a ele próprio.
Afastando-se um pouco do corte, Sirius continuou descendo seus beijos pelo pescoço do irmão até chegar à clavícula. Sirius puxou a gola da camisa para o lado na intenção de continuar os beijos pelo ombro e peito de Regulus, mas acabou rasgando a camisa.
_ Ops... – ele disse, um sorriso maroto surgindo em seus lábios enquanto seus olhos vermelhos fixavam as íris prateadas do irmão.
_ Eu não gostava dessa camisa mesmo... – Regulus respondeu, prontamente, odiando aquele pedaço de tecido idiota que impedira Sirius de continuar a beijá-lo.
O sorriso de Sirius alargou-se ainda mais. Sem um mínimo de esforço, ele passou o dedo pela fenda recém-aberta da camisa, aumentando-a da gola até a barra. Quando a pele fria e rígida do dedo de Sirius percorreu a pele de seu tronco e abdômen em direção à sua cintura, todo o pouco auto-controle que ainda restava em Regulus foi para o espaço.
Com muito mais dificuldade do que o irmão, Regulus também conseguiu tirar a camisa de Sirius. Ambos se olharam por um longo momento, apreciando o corpo um do outro. Regulus perdeu ainda quase um minuto contemplando aquele corpo do qual ele pensara conhecer cada músculo muito melhor que os seus próprios estava ainda mais mudado que o rosto e os olhos do irmão.
A musculatura anteriormente firme e levemente definida, agora aparentava uma completa rigidez marmórea, possibilitando a Regulus visualizar a posição extensão de cada músculo e tendão. No segundo seguinte, Regulus lançou novamente os braços ao redor do irmão, puxou-o sobre seu corpo e colou sua pele fervente contra a superfície marmórea do corpo de Sirius.
Regulus mandou todos os pensamentos para o Inferno quando sentiu a pele de seu peito e abdômen se contrair devido ao frio súbito que assolou todo o seu corpo quando Sirius deitou-se sobre ele, obviamente segurando muito de seu próprio peso para que Regulus não fosse esmagado. Apoiando-se em um dos cotovelos, Sirius retomou a trilha de beijos, espalhando-a agora pelo peito e abdômen do irmão.
Os mamilos de Regulus endureceram quando Sirius aproximou-se deles, o frio de seus lábios e hálito eriçando também a leve penugem de seu peito. Um gemido rouco escapou da boca de Regulus quando o irmão passou a língua demoradamente por cada um deles, tornando-os extremamente sensíveis ao mínimo toque.
Depois de beijar cuidadosamente a cada centímetro da pele do peito e abdômen de Regulus, Sirius resolveu que agora era hora de ele tomar a iniciativa de seguir em frente. Subindo seu rosto para beijar novamente os lábios do irmão, ele encaminhou suas mãos ágeis para o cós do pijama de Regulus, livrando-se da peça em menos de um segundo.
A rapidez dos movimentos de Sirius despertou novamente a atenção de Regulus, até então amortecida pelas sensações inebriantes que o toque da pela fria de Sirius vinha causando nele. Ele estava ciente de que agora não havia mais volta, de Sirius não seria cruel a ponto de ir até ali se não tivesse intenção de continuar, sabia que agora seu destino estava selado e que ele pagaria um preço alto para ter o que tanto desejava.
Sem um segundo pensamento sobre o que aconteceria depois, preocupando-se só em ter tempo suficiente para desfrutar satisfatoriamente do agora, Regulus tentou afastar o corpo de Sirius o bastante para que suas mãos alcançassem o zíper de sua calça. Bufou, frustrado, quando obviamente não conseguiu fazer o vampiro mover-se um único centímetro.
_ Você sabe que isto não é justo, não sabe? – ele falou, separando seus lábios dos do irmão e indicando sua completa nudez em comparação com o irmão apenas sem camisa.
Sirius riu da impaciência dele, tirando ele próprio sua calça, juntamente com a roupa de baixo, num movimento rápido demais para os olhos de Regulus acompanharem. Um segundo depois, já inteiramente nu, Sirius esticou os braços, tocando o peito desnudo do irmão com as pontas dos dedos da mão direita, enquanto depositava a mão esquerda carinhosamente sobre o joelho dele.
Com seus sentidos tão aguçados, mesmo um contato tão leve e limitado possibilitava a Sirius sentir o calor que emanava do corpo de Regulus. Buscando apreciar melhor aquele calor, ele levou sua própria mão à altura do peito, colocou-a sobre a mão de Regulus, fazendo com que não só a ponta dos dedos, mas toda a palma se encostasse em seu peito.
Regulus estremeceu mais uma vez com o frio que vinha de Sirius e subia com uma sensação de formigamento, partindo da palma e espalhando-se por todo o corpo. Cada novo arrepio, mais intenso e prazeroso que o anterior, fazia com que ele desejasse que sua pele nunca se acostumasse com aquilo.
Foi simplesmente impossível para Regulus não pensar no fato de que, se toques tão simples provocavam sensações tão deliciosas, toques mais ousados com certeza elevariam exponencialmente o prazer. Querendo mais, precisando de mais, Regulus atirou-se contra Sirius, puxando-o contra si novamente e reiniciando a beijá-lo fervorosamente.
Sem deixar que suas bocas se afastassem por muito tempo, Sirius posicionou-se entre as pernas de Regulus, deixando que seus joelhos se acomodassem no colchão. Aquela não era exatamente a posição preferida de nenhum dos dois, mas era a que melhor ajudaria Sirius a manter o controle de si mesmo.
Numa troca de olhares mudos, como que pedindo permissão para continuar, Sirius olhou profundamente dentro dos olhos cinzentos de Regulus por um longo momento. Ele sabia que teria que manter o contato visual a todo custo, permitindo que as mudanças expressas no rosto de Regulus guiassem seus movimentos. Era a única chance que ele tinha de não se deixar levar pela própria força descomunal e matar Regulus antes mesmo de mordê-lo.
Entendendo as intenções de Sirius, Regulus acomodou-se melhor sobre o travesseiro, apoiando as costas no colchão e flexionando os joelhos nas laterais do corpo do irmão. Expressando sua completa rendição ao que quer que Sirius pudesse lhe fazer, ele fechou os olhos e sorriu. Não importava mais. Ele conseguiria o que tanto desejava, aquilo de que que tanto precisava. Nada mais tinha importância a não ser relaxar e aproveitar ao máximo possível tudo o que estava para vir.
_ Eu preciso que você olhe para mim, Reg... – Sirius murmurou, sua voz fraca e demonstrando um pouco de receio, enquanto colocava as mãos por baixo dos joelhos flexionados do irmão para trazê-lo mais para perto. – preciso que seus olhos me digam quando parar...
_ Eu não vou querer que você pare... – Regulus retrucou, convicto. Ele preferiria morrer com Sirius a ter que parar depois de terem começado.
_ Eu não quero machucar você mais do que já vou... – Sirius explicou, seus olhos tentando memorizar cada centímetro do rosto do irmão. Ele queria se lembrar do sorriso, dos olhos fechados de felicidade. – Por favor, não me deixe carregar o peso da sua morte na minha consciência... Toda a eternidade é muito tempo!
Ao notar a angústia na voz de Sirius, Regulus abriu os olhos. Sirius não poderia desistir agora. Ele não sobreviveria a tamanha frustração. Tinha que ser forte, para que Sirius não resolvesse 'salvá-lo' e, com isso, acabasse por matá-lo de desapontamento.
_ Por favor... – Regulus pediu, seus olhos completando mudamente tudo o que seus lábios não pronunciaram. O desejo que sentia, a necessidade que tinha de entregar-se mais uma vez, tudo isso brilhando nas íris prateadas.
Era mais do que o bom senso de Sirius poderia suportar. O cheiro do sangue ainda preenchia o quarto, o gosto recém provado ainda queimava sua garganta e agora Regulus oferecia-lhe seu corpo inteiramente. Quem em sã consciência se entregaria assim, tão completamente? E, ainda mais, quem em são consciência rejeitaria uma oferta tão tentadoramente maravilhosa?
Sirius finalmente se convenceu. Endireitou o tronco e, aproximando seu quadril do vão entre as pernas de Regulus, ele deixou que seus corpos se encaixassem tão perfeitamente como sempre acontecia. Quando Sirius começou a entrar, lenta e cuidadosamente, em Regulus, o caçula reprimiu um grito em sua garganta.
A rigidez de Sirius era algo sem precedentes e, somado ao frio de sua pele, causavam uma dor inicial muito maior do que ele poderia esperar. Mas ele sabia que Sirius o observava e que qualquer mínima demonstração da dor que sentia o faria parar, o faria se afastar. E a essa dor, Regulus sabia que não sobreviveria.
O frio que queimara seu interior ao entrar, logo começou levemente a anestesiá-lo. Era uma sensação tão estranha e prazerosa que ele não sabia exatamente como classificar. Regulus sentia cada centímetro de Sirius entrando vagarosamente dentro de si, numa mistura cada vez mais enlouquecedora de dor e prazer.
Uma sensação de formigamento espalhou-se por suas pernas ao mesmo tempo em que um arrepio gélido e profundo subia por suas costas quando Sirius parou de se mover, já completamente dentro do irmão. Seus olhos, púrpura e famintos, fitavam-no intensamente, procurando qualquer sinal de que tinha sido demais e que ele deveria parar enquanto ainda conseguia controlar-se.
Para Sirius, tudo aquilo também era novidade. Seus novos sentidos elevaram exponencialmente as sensações daquele momento. Sentia o calor de Regulus envolvendo-o centímetro por centímetro, espalhando-se por sua pele fria. Cada um dos seus sentidos, cada mínima parte de seu corpo gritava de desejo, tanto pelo prazer absurdo que começava a preencher o corpo e a consciência de ambos, quanto pelo sangue que corria veloz pelas veias pulsantes de Regulus.
Seus olhos estavam presos no rosto do irmão e ver Regulus tentar disfarçar a dor que sentia era quase uma tortura para ele. Afastando minimamente seu quadril, Sirius começou a deslizar para fora de Regulus, mas o caçula o interrompeu, segurando-o pelos pulsos e posicionando as mãos do irmão na própria cintura.
Regulus deslizou suas próprias mãos pelos braços de Sirius até alcançar seus cotovelos. Com um pequeno impulso do tronco, ele içou o próprio corpo para cima do colo de Sirius, impedindo que o irmão saísse completasse de si. Soltando o seu peso inteiramente no quadril e deslizando lentamente para baixo, Regulus tornou a envolver Sirius por completo.
Um suspiro sôfrego e dolorido escapou dos lábios de Regulus quando seu quadril encontrou a base do de Sirius. O frio que dominava seu corpo ao mesmo tempo em que queimava também amortecia e ele precisaria de mais um tempo para se acostumar aquilo. Levantou a cabeça, tentando disfarçar a umidade que teimava em preencher seus olhos.
Tentando distrair um pouco a dor claramente estampada no rosto de Regulus, Sirius buscou os lábios do irmão e o beijou intensamente. Suas mãos começaram a percorrer lentamente as costas de Regulus, apertando-o levemente contra si e aumentando ao máximo o contato entre os dois corpos.
O frio de Sirius invadia o corpo de Regulus por todas as direções, as mãos dele nas suas costas, os peitos colados, os quadris encaixados, as bocas se beijando... Como tanto frio poderia provocar tanto calor nenhum dos dois entendia. E nem estavam interessados em saber. Em pouco tempo os traços de dor do rosto de Regulus sumiram, dando lugar à ânsia por mais.
Sirius estava com os joelhos dobrados e apoiados no colchão, seu quadril sentado sobre os próprios calcanhares, os braços envolvendo as costas do irmão para segurá-lo junto a si. Regulus, por sua vez, encontrava-se para inteiramente sentado no colo de Sirius, seu rosto centímetros acima do de Sirius, suas pernas afastadas nas laterais do corpo do irmão, seus pés sem apoio no colchão.
Na época em que Sirius ainda era humano, aquele posição teria se tornado levemente desconfortável em pouco tempo, já que ele teria que sustentar todo o peso do irmão sobre seus joelhos dobrados. Mas a falta de desconforto com a imobilidade era uma característica vampírica sobre a qual, até então, Sirius não tinha uma opinião formada. Agora, achava simplesmente ótimo poder permanecer indefinidamente na mesma posição. Ficaria assim para sempre, se pudesse...
Regulus abraçou o pescoço de Sirius com força, forçando-se a subir seu quadril um pouco. Mais um suspiro quente escapou de seus lábios, perdendo-se nos cabelos de Sirius a sua frente. Tornou a soltar seu peso, deslizando novamente para baixo. Sirius ergueu a cabeça para que seus rostos se aproximassem e os lábios se encontrassem mais uma vez.
Percebendo que, apesar do frio constante, a dor diminuíra consideravelmente, Regulus voltou a subir e a descer, com mais rapidez e entusiasmo. Uma das mãos de Sirius saiu das costas de Regulus, indo diretamente para sua cintura, ajudando-o a estabelecer um ritmo lento e preciso de subidas e descidas que começavam a pôr à prova o controle que o vampiro tão bravamente estava exercitando.
Gemidos cada vez mais altos e intensos, vindos de ambos, começaram a preencher o ar. Regulus deixou a cabeça pender para trás quando Sirius o apertou mais contra si. Aumentando o ritmo, Sirius impulsionava-se com cada vez mais força e velocidade para dentro de Regulus, ao mesmo tempo em que o membro do irmão era friccionado pelo contato dos dois corpos tão próximos.
Assim como o frio, o prazer também invadia Regulus por todos os ângulos. Os arrepios nas costas continuavam, cada centímetro de Sirius dentro dele provoca explosões de prazer seqüenciais, seu próprio membro sendo constantemente estimulado pela pressão entre os corpos. Gemidos altos, entrecortados por suspiros sôfregos saiam pelos lábios dele.
Sirius aumentava gradativamente a velocidade e a força de seus movimentos, penetrando Regulus cada vez mais rápido e mais fundo. O prazer percorria todo corpo de Regulus e ele sabia o que estava por vir. E ele não queria que acabasse. E ele sabia que só havia uma maneira de que aquilo pudesse durar para sempre.
_ Sirius... – ele gemeu, pendendo a cabeça para o lado, dando a Sirius inteiro acesso a seu pescoço, enquanto seus braços se estreitavam ao redor do pescoço do irmão, impulsionando seu próprio corpo na seqüência agora desritmada de movimentos desesperados.
_ Regulus... – o vampiro suspirou, angustiado, puxando a cintura do irmão para mais perto de si, sem nunca interromper o ritmo. Ele sabia que era insanidade tomar uma decisão como aquela num momento em que seu cérebro estava tão longe do funcionalmento racional. – Eu não...
_ Por favor, Sirius... – Regulus o interrompeu, sua voz sem uma gota de incerteza ou hesitação.
Sirius olhou por um instante o rosto determinado do irmão, a centímetros do seu. Os olhos de Regulos ainda estavam fechados, os lábios entreabertos pela respiração entrecortada, enquanto o corpo dele se movimentava desritmadamente sobre o seu. Não era lógico, não era racional, ele sabia. Mas, pensando bem, quando é que tinha sido?
_ Te amo... – Sirius sussurou no ouvido de Regulus, ao aproximar seus lábios ainda incertos do pescoço do irmão.
O caçula sentiu os lábios frios do irmão acariciando sua pele arrepiada, a língua dele passando pelo corte ainda não cicatrizado enquanto os braços de Sirius traziam o corpo de Regulus para mais e mais perto, intensificando os movimentos de ambos.
_ Me ame para sempre então... – Regulus gemeu, enbrenhando seus dedos ainda mais nos cabelos negros do irmão e puxando o rosto de Sirius em direção ao seu pescoço, enquanto seu corpo todo tremia e se retesava em resposta ao ápice de prazer que ele havia atingido.
Com as sensações do orgasmo ainda atordoando seus sentidos, em meio aos altos níveis de prazer e a satisfação que percorriam seu corpo intorpecido, Regulus sentiu a dor lacinante das presas de Sirius se cravando em seu pescoço.
O sangue jorrou da ferida instantaneamente, enchendo a boca de Sirius num fluxo incontrolável. Mesmo já tendo provado do sangue que havia escorrido do corte pouco tempo antes, o sabor de sangue não só fresco, mas também em abundância quase levou Sirius à loucura.
Vindo diretamente das artérias para a boca de Sirius e, por isso, quase sem contato nenhum com o oxigênio do ambiente, a consistência do sangue era muito diferente do sangue oxidado que ele provara anteriormente. Era como provar de um alimento envelhecido que, embora conservasse algumas características nutricionais e até mesmo um leve resquício do sabor, não podia ser comparado com o paladar do alimento fresco e feito na hora.
Deliciando-se com cada gota de sangue que sugava do pescoço do irmão, Sirius sentiu o calor das veias de Regulus descer pela sua garganta, aquecendo-o internamente. Ele sentiu o aperto das mãos de Regulus em seus cabelos enfraquecer lentamente, até que os braços dele penderam molemente nas laterais do corpo.
A cada gole que Sirius tomava, o corpo de Regulus enfraquecia ainda mais. Ele sabia que estava matando o irmão, que com certeza o mataria se não parasse imediatamente, mas o sabor do sangue morno inundando sua boca e envolvendo sua língua parecia ser mais forte que sua força de vontade.
Com o calor de seu sangue sendo sugado por Sirius, o corpo de Regulus esfriou consideravelmente e seu rosto empalideceu, dando-lhe um aspecto doentio e enfraquecido. Sabendo que era culpa sua e que só cabia a ele próprio dar um fim no sofrimento de Regulus, Sirius observava desesperado as rápidas transformações que se passavam com o irmão.
Ele fora avisado de que era isso que acontecia, que não havia volta, que seria impossível parar. Mas ele não resistira a tentação, e agora Regulus morreria em seus braços, vítima de sua ânsia por sangue. Por seu próprio sangue que corria nas veias do irmão caçula e naquele momento inundava sua boca sedenta por mais e mais sangue...
_Si...ri...us... – o sussuro que escapou dos lábios abertos num sorriso debilitado foi tão fraco e fragmentado que, sem a audição ampliada característica dos vampiros, Sirius nunca teria ouvido.
Era um último adeus, dito com amor e não com raiva. Com compreensão e não repreendimento. Era mais do que Sirius merecia e tudo o que ele ardentemente desejava: que Regulus o perdoasse e soubesse que fora o amor que sentia por ele que tinha compelido Sirius a se entregar nessa loucura sem fim de sangue e luxúria.
Mesmo sem conseguir afastar seus lábios da garganta do irmão, ainda sugando freneticamente o sangue que escorria cada vez mais fraco do ferimento feito por suas presas, Sirius notou que parecia muito mais difícil e desesperador parar de impulsionar-se para dentro de Regulus, parar de puxar o irmão em sua direção, para de tê-lo daquela maneira alucinantemente maravilhosa.
Ao se dar conta de que cada gota de sangue que saía do corpo de Regulus afastava ainda mais as chances de poder continuar a amá-lo daquela forma, e usando toda a força de vontade que Sirius nem sabia existir dentro de si, ele abandonou o ferimento no pescoço do irmão, ao mesmo tempo em que puxava o corpo maleável de Regulus para si mais uma vez, atingindo o ápice de seu prazer.
Regulus estava quase inconsciente, mas o sorriso fraco ainda preenchia seus lábios pálidos enquanto o sangue ainda escorria pelo seu pescoço. Sirius o deitou o mais confortavelmente que pôde na cama e, sem demora, levou o próprio pulso aos lábios, causando ali um pequeno ferimento.
O sangue de Sirius demorou alguns segundos para aparecer pelo ferimento e, quando finalmente algumas gotas começaram a sair, densas e grossas, ele se apressou em aproximar o pulso ensangüentado dos lábios frios de Regulus, forçando o líquido a escorrer para dentro da boca do irmão.
Ele ouvira o vampiro que o transformara falar que o sangue vampiro era capaz de operar "milagres" – ele próprio sendo uma prova disso – e, mais do que nunca, desejou, ou melhor, rezou para que houvesse tempo o suficiente para o veneno presente em seu sangue pudesse agir.
Sirius nunca presenciara uma transformação que não tivesse sido a sua própria, e a lembrança da dor excruciante que preenchia toda a sua memória não o ajudava a decifrar as reações de Regulus para entender o que estava acontecendo naquele exato momento. Não havia mais esperanças para a vida humana de Regulus; ela estaria acabada em minutos, de uma maneira ou de outra.
Mas a idéia que antes Sirius mais repudiava agora era sua a única escolha, sua única esperança. E, quando Regulus se contorceu na cama, convulcionando em espasmos de dor e agonia, Sirius soube que, passados os momentos traumáticos da transformação, eles estariam juntos para sempre.
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N/A:Blah. Não sei se isso ficou mesmo uma PWP legítima... Talvez tenha plot de mais e pornografia de menos... ¬¬ mas tudo bem, o que importa é o que ela significa para mim. Um grande avanço já que é a minha primeira NC slash! *.*
Agradecimentos mil a Just, que criou este chall tão lindo e tentador e que me pediu para escrever esta cena de presente de Natal para ela mas que eu só consegui terminar agora, 3 meses depois.... Pra você, amore! Espero que goste! E também a Giuli, minha beta toddynho que, apesar dos protestos da mãe dela, não me abandona nunca nos meus projetos mais doidos e, como sempre, arrumou todos os acentos faltando, as letras erradas e as palavras e vírgulas fora de lugar, além da indispensável ajuda em cortar os excessos e trechos indigestos demais... ¬¬ Tks, Sweetie, you rock my world! \o/
