Agradeço a amiga Ana Ackles, Aninha acabei achando que tinha publicado esse capítulo... desculpem pessoas, é mal de loira! (rsrsrsrs)

Dia 7

Sam correu até a porta, olhando para Bobby. O homem mais velho estava andando na mesma direção só que mais devagar, mancando. A perna direta dele estava sangrando por causa de uma mordida.

"Rápido Sam." Ele gritou. "Eu estou logo atrás de você. Maldito idiota..."

Sam assentiu, correndo pela porta até a varanda. Alguma coisa pontuda e peluda voou por ele para a direita no quintal de Bobby. Ele não viu Dean. Sam correu atrás da coisa peluda. Maldição. Fazia seis dias que Dean tinha sido encolhido. E Sam tinha conseguido perdê-lo duas vezes durante aquele tempo. Ele pensou nas conseqüências disso quando seu irmão tivesse voltado ao normal e parou.

Sam passou por diversas carcaças de carro. Ouvindo. O único som que ele ouviu foi o do silêncio.

"Dean." Ele gritou. "DEAN"

Então ele ouviu um barulho – um sussurro suave e doloroso. "Sammy..." E então mais alto. "SAM." Sam se concentrou naquela voz, correndo por uma torre de Toyotas.

Dean estava encostado na porta de uma velha picape Chevy, com os punhos levantados. A perna dele estava sangrando e ele o olho que tinha começado a sarar, estava machucado de novo. As roupas dele estavam rasgadas e vermelhas, e Sam pensou que se eles conseguissem passar por isso, ele levaria o irmão para tomar uma vacina antitetânica.

Uma expressão de raiva passou pelo rosto de Dean, seus olhos passavam pelos alvos invisíveis para Sam. Dean com dez anos parecendo ameaçador? Que inferno! Um chiado chamou a atenção de Sam para o chão. A pequena mascote do irmão estava ao lado de Dean, com as costas arqueadas e mostrando os dentes, parecendo raivoso, perigoso e protetor.

"Sam está vindo…" Dean disse para o 'nada'. "É melhor você se afastar. Você não vai conseguir derrubá-lo duas vezes, seu bastardo".

Sam não teve tempo para formular um plano. O perigo era eminente. Mas se ele não podia vê-los, eles tão pouco podiam ver Sam. Ele correu para o espaço vazio que o irmão encarava com olhos assustados, medindo a distância com os olhos.

Quatro metros, Sam levantou a faca. Três metros. Seu irmão bateu na picape, segurando o ombro. Dois metros. Dean olhou para cima, terror escrito em seu rosto. Sangue pingava dos seus dedos. Um metro. O caçador apareceu a sua frente. Ele estava sorrindo, deixando a lâmina com sangue brilhar contra a luz do dia. Dois cachorros estavam ao lado dele, um tinha desaparecido. A voz suave, e ameaçadora do caçador ecoava pelos carros velhos. Sam não sabia se estava ouvindo isso na sua cabeça ou não. "Tão novo e suculento… Dean." Aquela coisa murmurou, descendo a arma de forma devagar, ameaçando Dean, mas Sem cortá-lo. "Um brinquedinho para meus bichinhos e para mim..."

Sam encarou. Ele enfiaria sua faca nesse filhodaputa de rápida e profundamente.

"Hey." Sam disse. O demônio se virou. Ele parecia contrariado. Ele deu uma ordem para seus cães, olhos fixos em Sam. Os cachorros se aproximaram de Dean.

Sam se aproximou do monstro. A coisa se preparou para atacar. Sam sabia que não podia vencer pela força, pelo menos não em uma luta mão a mão. Ele era inteligente. Ele não cometia o mesmo erro duas vezes. No último momento ele se moveu para a direita.

Sam não viu o terceiro cachorro, mas conforme ele se mexeu para desviar do caçador, ele sentiu o fedor que emanava do bicho. Mas de repente o cachorro foi puxado para longe. O caçador viu o cão e o wacabee se atracarem uma mistura de garras, espinhos, dentes e rosnados. Sam usou a distração para atacar. Ele enfiou a faca no demônio, adrenalina e poder passando dele para o metal.

A faca acertou o coração da coisa e o caçador se dissolveu – explodindo em pedaços que queimaram até virar cinza e enxofre. Os cachorros também desapareceram. E naquele momento tudo acabou. O wacabee estava deitado de barriga para cima, próximo a picape. Sam ficou em pé, atordoado.

"Ela está se fingindo de morta, Sam?" Dean perguntou, a voz dele soava jovem e fraca, fazendo com que Sam voltasse à realidade. Ele franziu o cenho. Dean desviou o olhar, como se ele já soubesse a resposta.

Sam pegou o irmão, colocando seus braços por baixo dos joelhos e envolvendo os ombros dele, tentando proteger a perna e o ombro machucado, ele colocou a cabeça de Dean apoiada no seu ombro. Seu irmão reclamou um pouco, mas estava apagado quando Sam encontrou Bobby perto dos Toyotas.

"Acabou?" Bobby parecia pálido. Uma camisa velha estava amarrada em volta da perna ensangüentada.

"Yeah."

"Ele está bem?" O homem mais velho apontou para a criança ensangüentada nos braços de Sam.

Sam respirou fundo. "Ele vai ficar. Aquela coisa ainda estava 'brincando' com ele quando eu os encontrei. Isso," Sam apontou para os machucados, "são mais dolorosos do que perigosos... nas Fugly não se deu tão bem."

Bobby franziu o cenho. "Eu vou cuidar dela. Leve ele para dentro." Ele foi mancando até a picape.

Sam queria pará-lo, ver como estava a perna de Bobby. Mas ao invés disso ele assentiu. Bobby podia ser qualquer coisa, menos um tolo. Se ele dizia que estava bem o suficiente para cuidar das coisas, é porque ele estava bem.

Uma vez dentro da casa, ele deitou o irmão no sofá. Sam gentilmente deu tapinhas no rosto de Dean.

"Hey, você está acordado?"

Dean piscou, os olhos marejados e turvos. "Yeah..." Dean olhou para a cama que ele tinha feito mais para Fugly e depois se voltou para Sam. "Fugly, ela era uma boa... uma boa o que quer que ela fosse."

"Yeah, Dean, eu preciso ver seu ombro, e depois a perna. Isso vai doer." Sam tirou o tecido da camisa da pele machucada. O corte era mais profundo do que ele tinha pensado. Ele pegou a mão do irmão e colocou sobre o machucado. "Mantenha a pressão. Eu vou precisar dar pontos."

Sam se ajoelhou para examinar a perna. A mordida não estava tão ruim e ele decidiu colocar uma bandagem nela antes de tratar do ombro. Ele pegou o kit de primeiro socorros e deu dois Tylenol para Dean. "Engula isso."

"Cara," seu irmão bufou, soando um pouco sem fôlego. "Me dê codaína. Ou whiskey ou algo assim."

Sam suspirou. "Eu sinto muito, Dean, mas você não é grande o bastante." Ele esperou Dean engolir as pílulas e fez o curativo na perna dele.

"Sam."

Sam olhou para ele. "Yeah."

"Eu te odeio, cara."

Sam afastou o cabelo do irmão da testa dele. "Eu sei." Ele parecia quente, mas sem febre. "Eu preciso dar os pontos." Dean colocou o braço bom sobre os olhos, e encostou no sofá.

As bochechas dele estavam úmidas e pálidas.

Bobby entrou na sala quando Sam estava esterilizando a agulha. Ele olhou para eles mancou até o sofá, sentando ao lado de Dean.

"Você deu alguma coisa pra ele." Bobby perguntou segurando a mão de Dean. O rosto do irmão tinha uma expressão confusa. Sam apontou para o Tylenol e limpou a garganta.

"Talvez você precise segurá-lo, Bobby."

Bobby colocou um braço gentilmente sobre o peito de Dean. "Apenas agüente firme, filho. Logo vai acabar."

Sam já havia costurado o irmão diversas vezes. Normalmente Dean xingava, gemia e fazia comentários maldosos sobre as técnicas de costura de Sam. Dessa vez, porém, ele estava gemendo e chorando até que quando Sam estava na metade dos pontos Dean ficou parado e desmaiou.

"Ainda bem." Disse Bobby, acariciando a mão de Dean. "Termine antes que ele volte a acordar."

"Hey Bobby," Sam disse em voz baixa, "É bom ou é ruim quando o seu agouro de morte morre?"

Bobby não respondeu, apenas o olhou com o cenho franzido. Tanto faz. Era uma pergunta tola. Sam terminou de dar os pontos o mais rápido possível. Dean ficou apagado quase o dia todo. Ele apenas acordou quando Sam trocou os curativos e o forçou a tomar Tylenol novamente. Por volta das dez da manhã do dia seguinte ele acordou lúcido. E com fome. Bobby sorriu quando ele pediu alguma coisa pra comer, Bobby foi a te a cozinha fazer ovos, bacon e panquecas. Dean parecia em êxtase.

"Comida de verdade, Sammy." Ele se moveu no sofá, se encolhendo um pouco quando mexeu o ombro. "Excelente."

"Yeah." Sam o ajudou a sentar e sentou-se ao lado dele. Ele não lembrava a última vez que tinha comido. "Você precisa de mais Tylenol?"

Dean fungou. "Que tipo de irmão você é? Me dá o maldito Tylenol, quando o que eu preciso é de uma bebida." Dean parou, e olhou para Sam. "Então, quanto tempo falta, Sam?"

"Quê?" Sam pegou duas pílulas do frasco.

"Até eu voltar ao normal. Você tem olhado pro relógio a cada cinco minutos desde que a maldição aconteceu." Dean tomou as pílulas.

"Oh." Ele tinha esquecido. Sam olhou para o relógio. "Oito horas, mais ou menos."

"Eu acho que você está feliz, huh?"

Sam deu de ombros. "Cara, você é um pé no saco de qualquer jeito." Ele parou, colocando um suporte sob a perna machucada de Dean. "Quando você estiver melhor nós precisamos conversar sobre tudo o que aconteceu."

Dean gemeu. "Eu não quero falar sobre nada disso, Sam." Ele se mexeu se sentindo inconfortável, e olhou ao redor.

"Okay." Disse Sam, mas sem intenção.

"Bom." Dean voltou a tentar se virar, mas fez uma careta de dor quando moveu o ombro. Ele olhou para Sam com suspeita. "É sério, Sam."

"Okay, Dean." Sam disse, ainda sem intenção de cumprir a promessa. Ele colocou um braço ao redor do ombro do irmão. "Eu queria ter feito dessa semana mais divertida pra você. Sabe, sem demônios e machucados terríveis." A voz de Sam era suave, mas não conseguiu disfarçar a preocupação. Ele soava culpado. Inferno, ele se sentia culpado.

"Bem, você me levou ao Walmart. Foi divertido." Dean sorriu pra ele. "Não se preocupe. Tirando isso, essa semana foi bem divertida, Sam."

"Sem contar o Walmart, essa foi uma boa semana? Roupas baratas é o ponto fraco da semana? Vai entender?" Sam juntou as sobrancelhas em sinal de confusão. "Dean você foi seqüestrado por demônios no primeiro dia…"

"Yeah. Mas você acabou com eles. Isso foi ótimo..."Dean sorriu e olhou para longe como se ele estivesse mergulhado em lembranças.

"Okay." Sam nunca podia deixar algo de lado quando ele não entendia. "Então nós ficamos naqueles motéis horríveis..."

"Sammy, está tudo bem. Nós fomos nadar. Nós jogamos cartas. E pegamos a Fugly." Dean pareceu ficar um pouco triste. "E então nós viemos ficar com Bobby."

"E durante todo esse tempo você foi torturado pelos sussurros demoníacos." Sam suspirou. Ele sabia que devia deixar a história acabar aqui, mas ele não conseguia parar. "E Fugly foi um ponto alto?"

Dean deu de ombros. "Ela era uma boa garota. E Fugly morreu salvando nossa pele, então eu não posso ficar triste com isso".

"Dean, você apanhou pra caramba durante toda a semana... e o caçador tentou te matar."

"E você acabou com ele. Como eu disse. Incrível. Sam, você tem que ter perspective. Eu estou bem. Você está bem. Nós ficamos juntos durante toda a semana. Bobby está fazendo um café da manhã enorme pra nós. Como eu disse, uma ótima semana."

Sam o encarou com descrença. Seu irmão realmente acreditava nisso.

"Tudo bem." Sam desistiu. "Eu fico feliz de você achar que essa semana foi ótima. Mas se isso acontecer de novo... Eu não sei, Dean, eu acho que te levaria para Disney ou algo assim."

Dean o olhou horrorizado.

"Tanto faz, cara." Disse Sam. "Você sabe que iria adorar isso."

FIM

N/T: Desculpem a demora...