Disclaimer: Tia Stephe = dona de tudo. Eu = uma maluca sem criatividade pra lançar livros. :)


Depois de explicar uma longa-curta história para Rosalie sobre Edward rumamos nossos pés ao restaurante onde minha irmã tinha marcado. Alice estava sentada em uma mesa grande com duas cadeiras ocupadas apenas com suas 'compras de casamento'. Ainda era o horário do almoço e a pequena parecia ter passado a manhã por umas oitenta lojas.

- Alice, esse é Edward meu colega de trabalho. Edward essa é minha irmã Alice.

- Olá, Edward. – Alice sorriu estendendo a mão para Edward que lhe retribuiu com um sorriso 'sei-coisas-que-você-não-sabe'. Dei uma cotovelada em sua costela de leve e o espertinho riu cúmplice antes de sentarmos a mesa.

Após fazermos nossos pedidos e alguns bocejos de Edward – quais ele tentava reprimir e me agoniavam de maneira absurda – Alice comentou dos preparativos e parecia bem adiantada com os detalhes do casamento. Rosalie estava responsável pela decoração do local e trouxe milhares de pastas e mais pastas com cores, enfeites. Iria mesmo ser um evento grande e eu tinha que ser sincera falando que tudo ficaria muito bonito.

- Deviam colocar esse arranjo – Edward opinou pela primeira vez deixando o prato e apontando para o arranjo de flores – mais perto da entrada. Como a capela é branca o contraste com o lilás vai ficar bonito. Vai fazer uma melhor fotografia.

Eu parei para analisar o que ele estava falando e concordei com a cabeça. Quando levantamos o olhar, Rosalie e Alice pareciam ter congelado em pedra. Contive a vontade de cutucá-las para ver se não caíam no chão e quebravam, e estalei os dedos na frente de seus rostos despertando-as.

- É simplesmente perfeito! Eu queria tanto esse arranjo e quase desisti. Você simplesmente chegou e... uau! – Alice exclamou extasiada.

- E eu que sou a decoradora estou a dois dias tentando arranjar um lugar que ele fique bem. – sua voz meiga cintilava emoção.

- Minha mãe é fotógrafa. – ele explicou dando os ombros enquanto limpava a boca com o guardanapo de pano. – Tenho um pouco de noção de casamentos e festas formais.

- Você passaria um bom tempo com Jasper. Ele é paisagista e adora fotografia. Ia adorar te conhecer. – Alice se empolgou – Aliás, ele estava em algum museu por aqui e já deve estar chegando, se você quiser esperar...

- Ele quase não dormiu ontem, Ali. – expliquei e olhei para Edward que me fitava agradecido – Vou dar uma ajuda pra ele no trabalho dizendo que não vai voltar porque não ta se sentindo bem.

- É, só não deixe a Jessica saber, porque ela pode aparecer com o...

- Vidro de remédio. – completei rindo com ele. – Queria ver a situação contrária...

- Comigo com voz de pato... – ele completou aumentando as risadas – Daí quero ver se você ia me carregar pra casa.

- Claro que sim. Ia te colocar um apelido...

- Pedir comida chinesa, assistir futebol na televisão...

- E no final te dar um tapa na testa antes de sair.

Conforme completávamos as frases um do outro com acontecimentos em comum, nossas gargalhadas aumentavam. Os olhos cansados de Edward marcavam as dobrinhas franzidas e divertidas. Minha barriga contraía tanto que chegava a doer. Quando nos recuperamos recapturando o ar para os pulmões que pediam arrego, Rosalie e Alice novamente tinham as expressões do personagem 'pânico' nas faces.

- O que? – perguntei desconfiada.

- Eles não se tocam. – Alice comentou com Rosalie como se fôssemos experimentos de laboratório que não escutavam.

- Não têm a menor idéia. – Rosalie concordou com o que quer que seja. – Vai se dar trabalho?

- Nem um pouco. Assim é muito mais divertido.

- Concordo.

Franzi a testa tentando entender o que as duas compartilhavam que eu não entendia. Olhei para a janela atrás de nós tentando achar com algum fio de esperança de que não éramos nós a sermos observados. Mas não encontrei nada além de neblina densa. Edward me olhou sugestivo, mas eu dei os ombros sem entendimento.

- Então, alguém vai querer café? – a garçonete questionou recolhendo os pratos já vazios.

- Expresso, por favor. – Edward e eu dissemos em uníssono e rimos. Quando se tratava de café, já estávamos acostumados.

- Inacreditável. – Alice sussurrou para Rosalie que nos observava admirada.

Cinqüenta minutos após experimentar o vestido, voltei ao escritório. Quatro horas mais depois, eu entrava no quarto de hotel onde eles estavam hospedados com dor de cabeça por causa do resto da reunião. Tendo que anotar tudo em dobro, para mim e para Edward, acabei o dia com um zumbido no ouvido. Mais uma hora depois e já colocava o pijama que tinham me destinado enquanto Rosalie, Alice e Jasper pegavam filmes para passarmos a noite. Era como uma festa de despedida de solteiro, onde Jasper era feito de criado. As primeiras rodadas de margueritas foram feitas e servidas em copos enfeitados e – não sei como – com um figurino de garçom. Fazia tempo que eu não me divertia como na faculdade e essa noite eu apenas ria de tudo que via. Não sei se pelo teor de álcool, ou pela situação em si.

Quando achamos que era o bastante, obrigamos Jasper a ficar em seu quarto vendo os filmes que tínhamos alugado. Como um bom amigo, futuro marido e irmão, ele foi sem reclamar. Assim que ele fechou a porta do quarto, Alice nos explicou que ela fizera um acordo para a lua de mel se ele obedecesse tudo, o qual eu dispensei detalhes.

- Aww, eu senti falta dessa bagunça! – Rosalie exclamou mais engrolada que eu e nos apertou em um abraço estranho.

- Eu também!! – Alice gritou animada. – Me sinto tão... adulta, sabe? Eu vou casar! Oh, meu Deus, eu vou casar! Casar! CASAR!!

Minha irmã entrou em parafusos dando gritos e pulinhos contagiando Rosalie que lhe deu as mãos e começou a pular como uma garotinha de treze anos. Não segurei a risada e cai com o corpo para trás, deitando no chão e rindo para o teto. Eu me sentia leve... leve feito uma pluma. Suspirei ouvindo os passos das meninas ao meu lado e vendo o rabo de cavalo loiro de Rosie balançar.

- EU VOU ME CASAR!! – quando percebi a voz estar longe, porém não tão baixa, vi Alice debruçada na varanda friorenta gritando para os quatro ventos e Rosalie se jogou de costas no sofá com os pés para cima rindo.

- Alguém está ouvindo esse zumbido? – Rosie perguntou levantando.

- Oh, eu não estou ouvindo zumbidos dessa vez! – exclamei aliviada.

- Não, eu também estou ouvindo. – Alice confessou tropeçando pelo caminho de volta. – E como assim dessa vez?

- Longa história. – abanei a mão dispensando o discurso.

- Bella, é seu celular aqui em cima da mesa. – suspirei cansada e Rosie pousou o celular no meu estômago.

- Muito bêbada para atender... – estiquei o celular de volta.

- Vamos ver quem é... – Rosalie tentou ler a tela. – Edward Buddy! Oh, Edward!

Levantei rápido – não uma boa idéia - e senti minha cabeça rodar.

- Devolve aqui. – Rosalie sorriu maligna e negou com a cabeça. – Rosie! Por favor! Por favor!

- Nossa, que desespero pra falar com o buddy. – Alice incitou pegando mais um drink. Revirei os olhos, me dando conta de que não era outra boa idéia, e estiquei o braço de novo.

- Então coloca no viva voz! Yey! Viva voz! Viva! – Rosalie gritou animada.

- Oi, Edward. – coloquei o celular no meio da nossa rodinha no chão e senti a atenção em cima de nós.

- Hey, buddy!

- Awww, buddy! – as duas exclamaram e eu as olhei sem entender.

- Oh, temos companhia? O que vocês estão fazendo?. – ele riu baixinho.

- Bebendo! – Rosalie gritou rindo.

- Eu vou casar! – dessa vez o grito foi de Alice.

- E você? – eu quis saber.

- Dormi a tarde inteira, daí estava sem sono e resolvi te encher o saco. – eu ri sendo acompanhada. – E saber como foi a reunião, mas acho que você não tem condições de contar agora, tem?

- Nope! – neguei estalando o "p" e ri.

- Tudo bem. Nos falamos depois do 'Thanksgiving' então, ok?

- Ok, buddy. Te mando uma mensagem.

Demos boa noite e desligamos. Foi quando a realidade voltou e eu me toquei que as duas ainda 'nos' observavam atentas e abraçadas.

- Ok. O que houve?! – perguntei fazendo gestos que não pertenciam a minha pessoa. O tal do álcool tinha mesmo me afetado.

- Vocês deviam casar. – Alice sugeriu com olhar apaixonado.

- Não, Alie! – Rosalie exclamou. – Não era pra você falar. Era pra eles se descobrirem sozinhos...

- Ai, droga! – ela se deu um tapa na testa. – Acho que sou uma bêbada linguaruda. Droga.

- Do que vocês estão falando?! – exigi brava.

- Vocês tem sintonia. Se completam e são tão lindinhos juntos. Super combinam. Casa com ele, amiga. Eu sei que vai dar certo e você está sem ninguém há tanto tempo! – Rosalie expeliu sem respirar.

- Com quem? Edward?!

- Sim!! – as duas gritaram.

- Não falem merda! – revirei os olhos, ajudando o senhor álcool a rodar uma ciranda na minha cabeça.

- Ele vai ser convidado para meu casamento de qualquer jeito. – Alice deu os ombros.

- Nós somos só amigos! Pelo amor de Deus!

- Ok, não vamos mais interferir no destino, certo, Rosie? – Alice perguntou para Rosalie que assentiu animada.

Bocejei alto me dando conta do quanto estava cansada. Nunca tinha passado pela minha cabeça alguma ligação com Edward, e quando elas falaram me pareceu absurdo. Eu não estava em condições de pensar. E de qualquer forma eu não poderia cometer o mesmo erro de me apaixonar por um melhor amigo. Uma vez é um erro, duas vezes é burrice. Ele era um cara legal e a gente se entendia, mas não passava daquilo, nunca flertávamos um com o outro. A ciranda na minha cabeça me confundia até que eu levantei a bandeira branca e me rendi a uma noite de sono profundo.

.

.

.

.

.

.

(...)

.

- Isabella, pegou sua torta, querida?

Minha mãe perguntou pela centésima vez enquanto eu arrumava minhas coisas. Ação de Graças sempre fora do mesmo jeito. Tortas demais sobrando, assim como alguns quilos a mais em breve, - esses dirigidos estritamente para as coxas. Cada filha ganhava uma torta de maçã – nunca me perguntei o motivo - e nesse não foi diferente, porém como tivemos mais convidados que o normal, então imagine agora a quantidade de massa preparadas e maçãs espalhadas pela cozinha. Me senti a Branca de Neve em meio a tentações, Eva no mundo pecaminoso e Bella com dedos tortos e cheios de marquinhas e pequenos cortes de tanto descascar as malditas.

De um jeito animado trocamos muitos – demais, além do suficiente e necessário – detalhes sobre casamento. A data já estava decidida e agradeci por ser depois da data que o projeto higiênico acabava. Agora que Rosalie e eu estávamos voltando para casa, tentando catar todas as malas que trouxemos, mamãe só se importava em se livrar das tortas. Tinham várias delas empilhadas em cada canto da casa. Comecei a imaginar dona Renée no dia seguinte dando tortas na floricultura como brinde. Ou simplesmente transformasse a floricultura em uma loja de tortas. Ou até mesmo misturar os dois negócios e plantar árvores de maçã e em uma adega anexa fazer o comércio de tortas. Me perguntava se meu cérebro tinha limite de exageros e imaginação também.

Já de volta a Chicago, o frio colossal bateu em nossos ossos e nem as tortas no aqueciam mais. Assim que re-liguei o celular, antes de entrar no táxi, uma mensagem piscou na tela. Eu nunca recebia mensagem. Para não dizer nunca, já tinha recebido da operadora dizendo que eu tinha ganhado cem torpedos de graça, mas como eu nunca usava só os acumulei até a data de validade.

- Patinha,
Feliz Ação de Graças, patinha! Não me mandou sms como tinha dito, mas eu sou um buddy legal.
- Buddy.

Ai, droga! É, eu tinha esquecido. O sentimento de culpa começou a brigar com uns pedaços da torta de maçã por um espaço no meu estômago. Não fui justa com ele. Que tipo de amiga eu era que nem ao menos liguei pra desejar Feliz Ação de Graças? Braba comigo mesma, coloquei a mala na traseira do táxi perto da de Rosalie e sentei ao seu lado no banco de trás ainda com o celular na mão.

- Sabe do que eu senti falta hoje? – Rosie perguntou ao meu lado.

- Não. Do que?

- De um namorado. – e suspirou. – Eu vi meu irmão e Alice tão bonitinhos juntos.

- Você não estava saindo com o Demetri? – questionei confusa. Da ultima vez que eu tinha checado, Demetri era o "doce italiano de olhos penetrantes". Entre outras coisas mais, que eu preferi não saber.

- Sim. Mas eu não estou apaixonada por ele. Eu quero ficar apaixonada. Demetri é um cara legal, mas eu não sinto borboletinhas com ele. Eu quero sentir borboletinhas.

Ri de sua faceta de criança magoada e ela suspirou ainda mais alto.

- Além do que eu já estou com meus vinte e cinco anos e já já estou com trinta, então logo mais estarei infértil e seca. – sua convicção no que disse era inalterável. – Menos com rugas, porque Rosalie Hale não terá rugas.

- Sim, mas nem sempre se apaixonar é bom. – tentei consolá-la e ela me olhou curiosa.

- Você já esteve apaixonada?

Abri a boca e minha língua só faltou pular de dentro da minha boca para querer contar alguma história, mas meu cérebro foi mais sagaz para analisar a situação. Eu nunca tinha sentido borboletinhas com o Jasper. Eu fiquei deslumbrada com sua boa vontade e só hoje pude enxergar. De repente me senti realmente privada de sentimentos. Já não chorava, agora eu também não tenho capacidade de amar? Qual seria a próxima privação? Sorrir?

- Não.

- É, nem eu.

O silêncio nos fez companhia pelo resto do caminho. Depois de já ter colocado as tortas na geladeira e de um bom banho quente, decidi ligar para Edward. Rosalie estava já mergulhada em pastas de cores e fazendo ligações para adiantar as decorações para o casamento, por isso não a atrapalhei.

- Patinha! – Edward exclamou do outro lado animado e me fazendo sentir ainda mais culpada.

- Desculpa não ter ligado ou mandado mensagem, buddy. Acabei sendo forçada a opinar em vestidos, sapatos, véus, grinaldas... e fazer algumas milhares de tortas.

- Tudo bem, patinha. – fiquei mais aliviada e sorri. – Não! Não!! – ele exclamou desesperado de repente. Meu coração acelerou. – Não está nada bem e eu estou muito bravo.

- Você não parece brabo. – constatei por sua voz tranqüila.

- Sou um bom ator. – ele riu dessa vez. Não, ele só estava fingindo. Certo, eu entraria em seu jogo.

- Então o que eu posso fazer para compensar, buddy?

- Pode vir pra cá e nós faremos alguma coisa. Anota aí meu endereço. – peguei o papel e anotei rapidamente.

- Que coisa nós faremos? – eu quis saber.

- Não interessa. Só vem. Ta, beijo e tchau.

Olhei pro telefone que anunciava a chamada encerrada e ri pelo entusiasmo que tinha ficado de repente. Não me dei trabalho de me arrumar muito, apenas coloquei meu casaco mais quente por cima do jeans com a blusa do musical "O Quebra-Nozes" na frente – o que me renderiam comentários, eu apostava nisso, apesar de só ter me tocado quando girei a chave na ignição – e peguei a torta de maçã no intuito de me livrar da sobremesa.


Whoa! Sim, próximo capítulo pode surpreender vocês! :D:D