Disclaimer: Inuyasha é propriedade de Rumiko-sensei. Faço este fic sem fins lucrativos, apenas por diversão.

Behind Your Eyes

Capítulo Sete: Distância

Revisado por Palas Lis - te amo, querida! -

Rin acordou animada naquela manhã de segunda. Não poderia ser para menos. Odiava ter que andar em shopping centers, mas até que não podia fazer tão mal quanto pensava. Não resistiu e depois de desligar o alarme do relógio digital na mesinha ao lado da cama, pegou o papel uma vez mais, passando os dedos ágeis sobre os pontinhos que tinham ali. Queria confirmar, ter certeza de que tudo não tinha passado de um sonho, bom, tinha passado.

Sorriu consigo mesma e levantou-se, cumprimentando Senshi animadamente. Ele também estava acordado, não era de se impressionar. Agora, era só chamar Kagome, preparar o café da manhã e continuar o dia como qualquer outro, indo da biblioteca pública até o colégio onde trabalhava.

Lavou o rosto rapidamente e cuidou da higiene pessoal, mas não foi direto para o banho. Saiu do quarto cantarolando uma música qualquer em murmúrios. Senshi estava bem atrás dela. Rin alcançou a cozinha e antes de qualquer coisa, colocou a comida de seu cão de estimação. Senshi latiu em agradecimento depois que ela deixou a ração dele e sua dona logo se voltou para a pia. Ela colocou água no fogo e começou a lavar alguns pratos que ainda estavam na pia.

Qualquer um que a visse daquele jeito àquela hora da manhã, certamente diria que ela era qualquer coisa, menos cega. Era de impressionar o modo como ela conhecia cada centímetro quadrado dentro de sua casa. Os pratos sempre eram colocados do mesmo modo na pia, assim ela sempre sabia o que buscar primeiro para lavar. Era como todos costumavam dizer: não se muda sequer um alfinete de lugar em casa de deficiente visual.

Ela ainda conseguiu terminar de preparar o chá e voltar a lavar os pratos, ainda cantarolando alguma coisa incompreensível quando Kagome alcançou a cozinha.

– Hmm… posso saber por que está tão feliz? Cantarolando a essa hora da madrugada? – Kagome perguntou, bocejando demoradamente e se sentando numa das cadeiras da mesa, com as pernas para cima do assento.

– E o que aconteceu que acordou antes que eu tivesse chance de chamá-la? Formigas na cama? – Rin perguntou, mudando de assunto e terminando de lavar os poucos pratos que tinham sido deixados na noite passada.

– Não mude de assunto, Rin-chan! – Kagome disse, num tom desconfiado. – Você não acorda desse jeito depois de um dia no shopping.

– Que é isso, onee-chan. Não é assim tão ruim passar um dia inteiro no shopping comprando roupas que eu ao menos posso ver a cor. – Rin disse, terminando de preparar o chá que colocara no fogo anteriormente e colocando-o sobre a mesa.

– Eu sabia! O que tem de errado com você, Rin-chan?! Você está doente? – Kagome perguntou, fazendo alarde.

– Não seja exagerada, Kagome. – Rin sorriu com a atitude dela, sabia por que ela estava agindo daquele jeito e não ia contar nada do que queria saber.

A irmã mais nova colocou a xícara na mesa e deixou a garrafa para que Kagome se servisse.

– Exagerada?! Você nunca diz que não é ruim passar um dia no shopping. E quando eu digo nunca, eu quero dizer nunca mesmo. – Kagome insistiu. – Devia ter acordado reclamando com as pernas doendo e os braços cansados de tantas sacolas que precisou carregar ontem.

– É melhor você tomar o seu café da manhã. – Rin disse, afastando-se da mesa e pegando o pano de prato que estava pendurado no encosto de uma das cadeiras, jogando-o por cima da louça molhada. – Eu vou tomar um banho. Sabe, ainda não estou exatamente acordada.

– Rin-chan! Volte aqui, conte-me o que aconteceu que eu não vi! – Kagome ainda seguiu-a até a saída da cozinha. – Por acaso recebeu alguém aqui em casa ontem quando eu fui à casa de Inuyasha?

– K-chan, deixe de paranóias. – Rin disse, desaparecendo no corredor. – E vai se atrasar!

– Droga! – Kagome praguejou, voltando para a cozinha e tomando um pouco de chá. Queimou a boca, esquecendo-se que o chá tinha acabado de sair do fogo. – Itai! Droga, droga, droga! Ah, Rin-chan, mais cedo ou mais tarde eu vou descobrir porque ficou desse jeito. Se vou…

Rin teve vontade de gargalhar ao chegar ao seu quarto. Era tão divertido deixar Kagome desconfiada das coisas, principalmente quando ela não tinha a mínima idéia do que acontecera. Claro, ela nem ia desconfiar de alguma coisa que estava naquele pedaço de papel avulso que ela encontrara dentro das sacolas por acaso com caracteres que ela não conseguia ler. Particularmente, ainda bem que Kagome não conseguia ler, assim ficava ainda mais divertido. Não era o tipo de carta que seus amigos pegavam e liam para espalhar para todo mundo que quisesse saber. E, bom, aquilo podia ser contado como vantagem, afinal.

Ela seguiu direto para o banho, ainda a cantarolar coisas incompreensíveis. Provavelmente nada iria lhe tirar a alegria pelo menos pelo resto da semana. Agora, bastava saber se o encontraria novamente até o final da semana para ficar alegre o resto do mês. Apenas aquela parte era um problema. Ela não tinha como encontrá-lo, ele sim. Suspirou, não ia deixar que aquela possibilidade de não encontrá-lo a abalasse.

Àquela altura, não eram somente Kagome e Rin que estavam acordadas. Não tão longe da casa delas, Sesshoumaru estava de pé e tomando seu café da manhã. Estava com o jornal daquele dia sobre a mesa, mas não estava realmente interessado em qualquer notícia que tivesse ali. Estava pensativo e seu olhar estava perdido no nada enquanto levava a xícara fumegante aos lábios. Ainda naquela manhã conseguia se impressionar com o que tinha acontecido na tarde anterior.

A probabilidade de ter encontrado com Rin no meio daquela enorme cidade e ainda por cima em um shopping devia ser de um para um milhão. E outra incrível possibilidade era de ter levado aquela carta justamente naquele dia. Provavelmente aquele era um sinal de que devia acreditar mais em seus instintos, ou que simplesmente deveria colocar sempre aquelas cartas no bolso antes de sair de casa mesmo que fosse para o andar de baixo do seu prédio.

Não conseguiu evitar sorrir de lado com o pensamento idiota que estava tendo. Contudo, no momento, devia se preocupar mais com o seu trabalho. Precisava terminar de se arrumar para chegar à empresa pelo menos antes das nove. Apenas uma coisa lhe incomodou quando terminou o café e colocou a xícara sobre a pia, andando pelo pequeno corredor até o seu quarto.

Será que aquela era mesmo a coisa certa a se fazer? Mandar aquelas cartas como um meio alternativo de se comunicar… naquele momento estava achando-se a pessoa mais deplorável do mundo. Seria tão mais fácil simplesmente falar com ela e contar tudo. É, talvez fosse, caso não se tratasse de Taisho Sesshoumaru. Era orgulhoso demais para pronunciar palavras de desculpas, e pretendia não fazê-lo por enquanto.

Ignorou os pensamentos e apressou o passo. Precisava de um banho para esfriar a cabeça e as idéias. Principalmente com o que estava por vir.

Quando Sesshoumaru saiu de casa faltavam poucos minutos para as nove horas. Mas não estava realmente preocupado com aquilo, não precisava chegar dentro do horário e realmente não estava interessado em ser pontual naquela manhã de segunda. Dirigiu calmamente pelas movimentadas avenidas de Tokyo e ainda impressionou-se quando percebeu que chegara à empresa antes das nove e meia.

Ajeitou a gravata que estava por dentro do colete e colocou o terno, pegando a mala no banco do carona para sair do carro e ativar o alarme e as travas automáticas. Como era seu hábito, cruzou todo o saguão sendo cumprimentado por vários empregados e não respondendo a praticamente nenhum. Apenas entrou no elevador e sequer precisou explicar ao empregado que queria chegar à cobertura. Era até engraçado quando algumas pessoas que esperavam pelo elevador em outros andares mudassem de idéia quando as portas se abriam ou que várias delas subitamente parassem de conversar ao entrar e ficar ao lado dele.

Não se preocupava com o fato, não gostava de muito barulho e também não estava interessado em saber o que os empregados pensavam de ruim dele. Mas seria até bom se continuasse daquele jeito até o último andar, o que não chegou a acontecer quando Miroku entrou no elevador. Ele era um sócio da empresa e provavelmente assumiria o cargo de vice-presidente com a saída de Inuyasha.

– Sesshoumaru-sama! – ele cumprimentou, animado. – Que surpresa vê-lo por aqui…

– Surpresa? – Sesshoumaru indagou simplesmente. Não deveria ser surpresa que ele aparecesse para trabalhar como todos os outros dias da semana.

– Er… digo, tão… depois do horário. – Miroku consertou o que começara a dizer. Ele carregava umas pastas sobre o braço esquerdo.

Sesshoumaru não respondeu o comentário dele, apenas voltou a sua atenção para as interessantes portas automáticas do elevador.

– E então, está preparado para a viagem? As passagens estão prontas, o vôo está programado para sair às 13h. – Miroku disse, conferindo o seu relógio de pulso.

Sesshoumaru hesitou por um momento antes de sair do elevador quando as portas se abriram no último andar. Saiu apenas por estar seguindo Miroku. O que exatamente era aquilo de viajar? Não estava informado daquele pequeno detalhe.

– O que quer dizer com viagem? – Sesshoumaru perguntou, arqueando uma das sobrancelhas de um modo que apenas ele sabia fazer.

– Er… a viagem de negócios aos Estados Unidos. – Miroku parou, olhando para o chefe, com uma expressão sem graça.

– Viagem… de negócios? – Sesshoumaru voltou a perguntar e nem tinha reparado que eles tinham parado de andar no meio do corredor.

– Hei, Sesshoumaru-sama. Por que está me olhando com essa cara de quem está preste a matar alguém? – Miroku sorriu sem graça.

– Talvez porque eu esteja. – Sesshoumaru respondeu, ainda encarando o outro de maneira ameaçadora. Como é que havia uma viagem de negócios agendada para ele se nem ele sabia sobre aquilo?

– Er… – Miroku teria tentado fugir do raio da vista de Sesshoumaru, mas a voz de Inuyasha se fez presente rapidamente.

– Miroku, você pegou os contratos que eu pedi? – Inuyasha perguntou, parando praticamente entre os dois.

– Estão aqui. – Miroku disse, estendendo as pastas que estavam sob seu braço esquerdo.

– Ótimo. – Inuyasha disse, pegando as pastas e olhando-as rapidamente, sorrindo de uma maneira vitoriosa. – Agora eu vou poder acabar com aquele contrato maldito.

Ele fechou as pastas e estava preste a sair, quando pareceu notar a presença nada incomum de seu irmão mais velho.

– Ah, Sesshoumaru. – virou-se para ele. – Achei que não fosse aparecer hoje, está meia hora atrasado. Não achei que sabia o que era se atrasar.

– Inuyasha… – Sesshoumaru estava pronto para murmurar todas as ameaças possíveis ao irmão, se ele pelo menos tivesse escutado o seu nome ser pronunciado.

– O contrato dos Estados Unidos está na sua sala, mandei a secretária deixar lá. Acho que vai precisar dele na sua viagem. – Inuyasha disse, com um sorriso sarcástico no rosto. – Agora, se me dão licença, eu realmente estou com vontade de acabar com aqueles coreanos no tribunal.

Inuyasha passou rapidamente pelos dois, mas ainda virou-se para eles novamente, com um sorriso debochado que Sesshoumaru tinha certeza que era mais para ele do que para Miroku.

– E boa viagem, irmãozinho. – e virou-se mais uma vez, desaparecendo no corredor.

– Bom, eu acho que eu vou indo agora para a minha sala, eu tenho que… – antes que Miroku pudesse se afastar de Sesshoumaru, ele estava sendo arrastado pela gravata até onde Inuyasha tinha ido. – H-hei! Sesshoumaru…! Vo-você está m-me enforcando!

– Ótimo. Espero que alcancemos Inuyasha antes de um homicídio acontecer aqui. – Sesshoumaru disse, simplesmente.

Era incrível como aquele ser inútil que se dizia seu meio-irmão conseguia lhe tirar a pouca alegria com que acordara àquela manhã. Só Inuyasha para inventar uma maldita viagem de negócios e colocá-lo no meio dela!

Quando alcançaram a sala dele, a porta estava fechada, mas isso não foi exatamente um problema para Sesshoumaru. Ele soltou a gravata de Miroku e abriu a porta sem cerimônias, chamando a atenção de Inuyasha que nem tinha chegado a sentar em sua cadeira. Miroku se encarregou de fechar a porta para afastar os olhares curiosos de todos que os tinham seguido pelo corredor.

– Eh? – Inuyasha virou a atenção para os novos convidados, deixando as pastas que pegara com Miroku sobre seu gabinete. – O que aconteceu?

– Que história é essa de viagem de negócios? – Sesshoumaru perguntou sem rodeios, enfatizando bem as últimas palavras.

– A viagem que estava marcada desde a semana passada. – Inuyasha disse, como se aquilo fosse uma coisa muito óbvia. – Você tinha confirmado, não diga que esqueceu.

– Confirmado? Eu? – Sesshoumaru questionou, num tom perfeitamente sarcástico.

– É, você mesmo. – Inuyasha repetiu, parecendo tão complicado quanto Sesshoumaru. – Miroku até avisou…

Ele subitamente parou de falar e os dois irmãos posaram os olhos sobre o terceiro homem que estava na sala. Miroku engoliu em seco.

– Er… Sesshoumaru-sama não tinha confirmado? – Miroku sorria sem graça, estava suando frio.

– A única coisa que vai ser confirmada agora é o seu funeral. – Sesshoumaru reclamou, estreitando os olhos perigosamente. – E sua demissão também.

– Calma, Sesshoumaru-sama… – Miroku tentou amenizar as coisas, mas suspirou aliviado quando Inuyasha o interrompeu.

– Bom, pois agora temos um belo problema aqui. – Inuyasha disse, chamando a atenção dos outros dois. – O contrato com a Coréia vai ser cancelado, eles nos colocaram na justiça e isso não vai ser muito bom para a empresa mesmo que ganhemos o caso. Pra estabilizar, precisamos fechar o contrato com os Estados Unidos o quanto antes, e no momento só você pode ir até lá. A não ser que queira tomar o meu lugar no tribunal.

– Como espera que eu feche um contrato que nem sei do que se trata? – Sesshoumaru implicou, encarando o irmão fixamente.

– Quantas horas demoram uma viagem para os Estados Unidos? – Inuyasha perguntou, dando de ombros.

Sesshoumaru não evitou arquear ambas as sobrancelhas de uma vez. Pelo visto, não havia outra saída. Inuyasha estava cuidando do caso com a Coréia e ele não poderia trocar de lugar, não era advogado e não entendia daquele assunto nem de longe. Suspirou discretamente. Miroku parecia estar mais aliviado com o silêncio dos irmãos. Se Sesshoumaru fosse pelo menos parecido com Inuyasha aquilo devia ser um sinal de que ele consentia com a idéia. Quando pensou que estava livre e que poderia fugir dos dois, Sesshoumaru voltou a falar.

– Ele sabe do que se trata? – Sesshoumaru indicou Miroku às suas costas com um breve aceno de mão.

– Eu? – Miroku não estava gostando daquela idéia.

– Foi ele que negociou com as empresas de lá. – Inuyasha estava sorrindo com satisfação de novo. Era impressão de Miroku ou aqueles irmãos tinham prazer em tentar acabar com a vida das pessoas?

– Ótimo. – Sesshoumaru levantou o braço, olhando a hora no relógio de pulso. – Arrumem uma passagem pra ele.

Sesshoumaru virou-se para sair da sala. Só lhe faltava aquilo para acabar com seu dia e o resto da semana também.

– M-mas… mas eu… – Miroku tentou argumentar com o chefe, mas percebeu como eles tinham habilidade natural de cortar qualquer coisa que ele tentasse falar.

– Você tem exatamente… – ele olhou novamente o relógio de pulso. – Vinte minutos para me trazer tudo sobre esse contrato.

– H-hai. – Miroku concordou a contragosto. Não teria saída mesmo.

– Se me arrumar mais uma dessas, irmãozinho, vai perder seu posto de advogado antes mesmo de consegui-lo. – Sesshoumaru estreitou os olhos para o irmão, antes de abrir a porta do escritório para sair.

– Feh! – Inuyasha cruzou os braços, sentando-se em sua cadeira. A culpa realmente não tinha sido dele, pelo menos não daquela vez.

– Ah… só mais uma coisa. – Sesshoumaru voltou antes de fechar a porta. – Meu carro não cabe no meu bolso ou na minha bagagem. É bom que tenha algum carro para me buscar quando eu voltar dessa viagem.

Ele saiu e fechou a porta antes de começar a ouvir os resmungos de Inuyasha.

– Feh! Quem ele acha que é pra ficar agindo assim?! – Inuyasha reclamou, esticando as pernas folgadamente sobre o gabinete.

– Er… o presidente da empresa? – Miroku propôs. – Será que não seria melhor deixá-lo lá onde quer que ele estivesse até vir pro Japão?

– Teria sido uma idéia aceitável. – Inuyasha disse, balançando a cabeça para os lados levemente. – Se eu não fosse sair da presidência.

– É melhor eu ir arrumar o que ele pediu antes que perca o emprego também. – Miroku disse, saindo da sala.

Sesshoumaru estava na sua sala e sentado diante daquele contrato que Inuyasha mencionara momentos antes. Tinha até tirando o paletó e deixado-o sobre o encosto de sua cadeira. Rodou a cadeira até ficar de frente para as enormes janelas de vidro que estavam fechadas, observando a cidade. Aquela maldita viagem de última hora não estava em seus planos. Daquele modo, não conseguiria ver Rin por um bom tempo, não conseguiria saber a resposta dela sobre a carta…

Aquilo realmente não podia estar acontecendo justo com ele. Por que ele, Taisho Sesshoumaru, estava preocupado se veria ou não uma garota qualquer que conhecera poucos dias atrás? Antes mesmo de chegar direito à cidade. Talvez, simplesmente porque ela não pudesse vê-lo como os outros… talvez porque ela pudesse ver o quão horrível ele podia ser e ainda provar isso a ele. Estar ao lado dela fazia-o sentir-se estranhamente incomodado e ao mesmo tempo, relaxado. Suspirou, afrouxando o nó da gravata. Realmente não estava raciocinando bem. Estava no Japão para dirigir as empresas de sua família e não para ficar se preocupando em encontrar uma garota qualquer. Podia fazer isso em qualquer lugar do mundo sem muitos problemas.

Teve vontade de bater a cabeça na parede com aquele pensamento idiota e infantil. Que tipo de pessoa achava que era para pensar daquele jeito? Rin não teria a melhor das opiniões sobre aquilo também. Passou a mão do rosto, percebendo que quanto tempo quer que passasse nos Estados Unidos, seria difícil parar de pensar nela.

Virou a cadeira rapidamente quando ouviu um leve bater na porta. Mandou que a pessoa entrasse.

Miroku entrou hesitante. Carregando duas pastas sobre os braços. Andou até o gabinete de Sesshoumaru e colocou as pastas lá em cima, diante do chefe.

– Aí estão as informações do contrato. – Miroku disse, querendo ir embora daquela sala.

– Certo, pode sair agora. – Sesshoumaru disse, recolhendo as pastas e abrindo a primeira, começando a passar os olhos pelas pequenas letras impressas. – E não esqueça que o vôo é de 13h.

– H-hai, Sesshoumaru-sama. – Miroku respondeu, saindo o mais rápido possível da sala. Queria realmente não ter encontrado com ele naquele elevador e também não queria ter comentado sobre a viagem. Aquilo teria sido tão melhor.

Aquele era o problema com a família Taisho. Se eles iam se dar mal em alguma coisa, precisavam levar alguém junto. Claro que tivera experiências anteriores com Inuyasha, mas sabia muito bem que seria pior com Sesshoumaru.

Agora, ele precisava salvar o contrato com os Estados Unidos antes que o primogênito da família fizesse alguma coisa idiota. Entrou no escritório, irritado, ainda precisava avisar a Sango sobre a viagem, e não sabia quanto tempo ia demorar até voltar.

Sesshoumaru não se demorou nem mais dois minutos na empresa depois de ter o contrato em mãos e saiu, precisava ir para casa para arrumar toda a bagagem e ler aquele contrato no tempo livre que tinha. Ele só saiu do apartamento mais uma vez quando o relógio marcava por volta de 12h20min. Havia lido boa parte dos documentos e o resto poderia ler na longa viagem até os Estados Unidos.

Àquela altura, Rin estava se dirigindo para a escola perto de sua casa, depois de ter passado pela biblioteca pública e ter reencontrado algumas crianças que não via há algum tempo, até mesmo a jovem Kanna que conhecera há pouco.

Ela andou animadamente pela calçada na rua da escola. Senshi a guiava como sempre, e esbarrava em poucas pessoas. Mas ainda estava feliz, muito feliz com aquela carta que recebera e não tinha como não demonstrar aquilo. Em pouco mais de dez minutos, alcançou a escola e entrou, cumprimentando o porteiro e seguindo direto para a biblioteca, escutando o barulho das crianças ao redor que estavam chegando à escola, acompanhadas de seus pais.

Quando chegou à biblioteca e colocou sua bolsa sobre a mesa, soltando a coleira de Senshi para que ele pudesse descansar, ouviu a conhecida voz de Ayame soando bem ao seu lado.

– Konnichiwa, Rin-chan. – ela cumprimentou a mulher, sentando-se numa cadeira bem à sua frente.

– Konnichiwa, Ayame. – Rin respondeu, puxando alguns livros da bolsa. – Tudo bem com você?

– Tudo sim, as aulas hoje de manhã foram tranqüilas, como sempre. – Ayame respondeu, apoiando o queixo numa das mãos. – Mas teve um aluno novo. Coitado, tem só dez anos e já teve um acidente em que acabou perdendo a visão. Ele estava tão mal hoje.

– Que pena. – Rin lamentou, parando de tirar os livros da bolsa. – Mas logo ele vai se sentir melhor com os amigos dele.

– Espero que sim. – Ayame disse, sorrindo. – E você… acho que nem preciso perguntar se está bem, não é?

– Por que diz isso? – Rin sorriu involuntariamente.

– Quer mesmo que eu responda? – Ayame disse, divertida. – Sua cara já diz tudo.

– É, acho que devia conseguir vê-la pra evitar essas coisas. – Rin sorriu mais largamente. – Bom, eu fui ao shopping ontem com a minha irmã.

– Espera… – o tom de Ayame tinha mudado drasticamente para um de espanto. – Você não está feliz por ter ido ao shopping, não é? Você odeia o shopping.

– Em parte. – Rin respondeu, dando de ombros, e mesmo que não pudesse enxergar, tinha certeza que Ayame tinha arregalado os olhos.

– Okay… encontrou o seu futuro marido lá? Só pode ser isso. – Ayame chutou a proposta, com o mesmo tom espantado, mas logo ficou confusa ao perceber que Rin tinha corado com aquela afirmação. – Rin-chan… o que está acontecendo? Vamos, conte.

– Você é mais esperta que a Kagome. – Rin disse, mexendo na bolsa novamente e puxando um papel de lá. – Aqui.

Ela estendeu o mesmo bilhete que recebera no dia anterior para Ayame. A outra, simplesmente abriu e passou os dedos pelos pontos rapidamente, tentando descobrir logo o motivo da felicidade de Rin. Não demorou a sorrir largamente quando viu aquilo.

– Kawaii!!! Rin-chan tem um admirador secreto!!! – ela disse, animada, num tom tão alto que Rin precisou se levantar para segurar a mulher.

– Ayame, não seja exagerada, mulher! – Rin reclamou, mantendo o tom de voz baixo.

– Rin-chan, quando é que encontrou um namorado e não me contou, hein? – Ayame perguntou, fingindo indignação.

– Que namorado o quê! Eu não tenho namorado nenhum! – Rin respondeu, corando. – Foi só uma pessoa que encontrei por acaso.

– E que acaso… – Ayame disse, acalmando-se e voltando a apoiar o queixo na mão. – Mas essa "pessoa" nunca falou com você?

– Não. – Rin disse, um pouco desanimada. – Achava que ele não podia falar. Mas agora fiquei curiosa porque ele não quer falar comigo.

– Bom, isso é bem estranho. Ele sabe que você não pode vê-lo e ainda assim se recusa a falar. – Ayame comentou. – Será que ele é tímido?

– Quem sabe… – Rin respondeu, pensativa, quando o barulho do sinal para o começo das aulas invadiu seus ouvidos.

– Opa, estou atrasada, preciso ir para a sala. – Ayame disse, se levantando. – Depois conversamos mais sobre isso.

– Certo. Boa aula. – Rin disse, pegando o pedaço de papel novamente e colocando dentro da bolsa, onde estava desde o começo.

Quando Ayame saiu da biblioteca, tudo voltou ao seu silêncio habitual enquanto as crianças não estavam ali. Ela ficou parada por um momento. Agora, o silêncio lembrava aquela pessoa que lhe dera o bilhete, mas ficava com raiva quando lembrava também do irmão de Inuyasha, ele também não falava muito e acabava pensando nele vez ou outra.

Ela levantou-se com pressa e pegou os livros que estavam em cima da mesa, andou ao longo da biblioteca, sem precisar de guia, apenas contando os passos e encontrando as prateleiras que queria para reorganizar os livros.

O resto da tarde foi simplesmente normal, os alunos iam e vinham da biblioteca e sempre queriam fazer rodinhas para que ela contasse histórias e ela não reclamava daquilo. Mas a esperança de encontrar de novo aquele homem que lhe entregara a carta ainda estava bem viva dentro de si, e esperava que não fosse demorar demais. Com aquele pensamento ainda na cabeça, ela ouviu o sinal da última aula tocar, e então, podia arrumar suas coisas para ir embora.

Depois de fechar a mochila e colocar nas costas, parou ao lado do balcão da biblioteca, chamando por Senshi.

– Senshi, está na hora de ir pra casa. – disse, ao vento.

Ouviu o latido do cachorro quando ele se aproximou e se abaixou para pegar a coleira.

– Bom menino… vamos andando. Talvez eu o encontre no caminho. – falou, acariciando a cabeça do animal de estimação.

– Uhu… estarei torcendo por isso.

Rin se virou ao escutar a voz de Ayame. Estava tão entretida com os próprios pensamentos que não prestara a mínima atenção aos passos da mulher ao entrar na biblioteca.

– E então, quando o encontrar, pode me contar mais detalhes. – Ayame completou, aproximando-se de Rin e acariciando Senshi também.

– Fala como se esperasse alguma grande coisa. – Rin comentou, puxando Senshi pela coleira. – Eu tenho que ir. Ainda tenho o jantar pra preparar e a casa pra arrumar e toda a coisa de sempre, você sabe.

– É, eu sei. – Ayame concordou. – Até amanhã, amiga.

– Até.

Rin saiu pelo caminho conhecido e ouviu vozes conhecidas de colegas de trabalho se despedindo à medida que ela passava pelo pátio da escola. Despediu-se, por último, do porteiro e continuou pela calçada, deixando que Senshi a guiasse de volta para casa, não muito longe dali.

A jovem deixou que um suspiro desanimado escapasse dos lábios quando parou de frente para a porta da casa, tirando as chaves da bolsa para poder entrar. Ninguém tinha lhe abordado no caminho até lá, nem alguém conhecido que lhe desse um "oi", tampouco uma pessoa que não fala e que costuma salvá-la em situações um tanto quanto inusitadas.

Balançou um pouco a cabeça, tirando aqueles pensamentos dela. Não podia continuar pensando daquele jeito pelo resto da semana, imaginando em que esquina iria encontrá-lo. Se por uma acaso, voltasse a encontrá-lo, poderia comentar sobre a carta, mas não precisava ficar esperando por aquilo.

Como em qualquer outro dia normal, tomou um banho, trocou de roupa e começou a preparar o jantar, sabendo que em breve Kagome chegaria. Sentou-se no sofá da sala, com um livro em mãos, passando os dedos pelas páginas demoradamente. Estava completamente entediada e aquele silêncio dentro da casa não estava ajudando na sua concentração. Era bem melhor quando Kagome chegava acompanhada de Sango e ficavam pelo menos a noite inteira conversando sobre qualquer besteira.

Precisou apenas pensar na irmã e logo ouviu os latidos de Senshi e os passos barulhentos da mulher.

– Rin-chan! Eu cheguei!!! – ela gritou ainda da porta de entrada.

– Seus sapatos de salto não deixam esse detalhe passar despercebido, onee-chan. – Rin comentou, ainda fingindo ler o livro. – Como foi no trabalho?

– Foi bem tranqüilo. – Kagome alcançou a sala, jogando a bolsa numa mesa qualquer e sentando-se na poltrona ao lado do sofá onde Rin estava sentada. Começou a descalçar os sapatos. – Só alguns pacientes antigos para terminarem umas sessões de fisioterapia. Aliás, deu tempo até de sair com o Inuyasha depois do trabalho.

– Hum… mais algum encontro de negócios com o irmão irritante dele? – Rin perguntou, fazendo uma careta desagradável ao lembrar-se de Sesshoumaru.

– Eu sabia que estava de rolo com Sesshoumaru-sama, o que anda escondendo de mim, Rin-chan? – Kagome perguntou e só pela voz dela, Rin conseguia notar que havia algum sorriso satisfeito na mulher.

– Eu juro que você e Ayame só pensam besteira. – Rin balançou a cabeça de maneira pesarosa, continuando a passar os dedos pelas folhas, apenas fingindo que estava lendo, pois se perdera só de ouvir o barulho dos sapatos de Kagome.

– Aya? O que ela disse? Ela sabe de alguma coisa? – Kagome perguntou, interessada no assunto.

– Não tem nada pra saber, Kagome, deixe de imaginar coisas! – Rin respondeu, suspirando demoradamente.

– De qualquer jeito… – Kagome respirou, como se quisesse juntar ar suficiente para contar tudo de uma vez. – Não foi nenhum encontro de negócios. Sesshoumaru-sama viajou a trabalho hoje. Vai ficar fora por uns tempos, parece que tem algum tipo de contrato ou sei lá o que com os Estados Unidos e ele teve que ir pra lá.

– Já vai tarde. – a mais nova comentou, tentando mostrar desinteresse.

– Sei, sei… – Kagome concordou, descrente. – Mas ele arrastou Miroku-kun junto. Sango-chan estava reclamando hoje. Passou o dia inteiro reclamando por Sesshoumaru-sama tê-lo levado. Foi engraçado.

– Não acharia tão engraçado se ele tivesse arrastado Inuyasha, não é? – Rin fechou o livro finalmente e sorriu.

– Isso não vem ao caso. – Kagome disse, levantando-se da poltrona. – Eu vou tomar um banho, estou precisando disso. E o jantar?

– Já está preparado. – Rin disse, levantando-se do sofá também. – Estava esperando você chegar pra fazer um chá, você quer?

– Quero suco. – Kagome disse, antes de desaparecer no corredor.

– Hai, hai. – a mais nova respondeu ao vento, seguindo para a cozinha com Senshi no seu encalço.

Elas jantaram com calma, conversando sobre vários assuntos, voltando simplesmente à sua rotina semanal. Kagome ainda comentava algumas coisas da clínica e casos que precisava cuidar, Rin apenas ouvia e comentava poucas coisas sobre o trabalho. Não havia muita novidade dentro da biblioteca de um colégio, mesmo que fosse um colégio para crianças deficientes visuais.

O resto da semana, continuou monótono demais para Rin. Não havia acidentes, não havia pessoas que passavam por ela sem falar, e que ainda assim arrumavam um jeito de chamar-lhe a atenção. Era quinta-feira e mais uma vez chegava em casa sem contratempos. E como queria ter um exato tipo de contratempo. Era como se ele tivesse sumido depois daquela carta.

Como qualquer outro dia, tomou o seu banho e preparou o jantar, esperando a chegada de Kagome. Ainda ligou a televisão e ficou ouvindo o noticiário enquanto a mais velha não chegava do trabalho. Demorou um pouco mais que o habitual para que ouvisse o barulho dos sapados de Kagome ao chegar em casa.

– Ah… finalmente! – dessa vez, a mais velha se jogou deitada no sofá de três lugares da sala, nem se importando em ver se Rin estava sentada lá ou não, mas por sorte, a outra estava sentada numa das poltronas. – Que inferno…

– O que foi? Foi tão cansativo assim? – Rin perguntou, diminuindo o volume da televisão.

– Muito. – Kagome respondeu, revirando-se preguiçosamente no sofá. – Eu descobri que não quero ter filhos por um longo, longo tempo.

– Ahn?

– Hoje eu tive que cuidar de uma garotinha que vai começar as sessões de fisioterapia. – Kagome disse, afundando a cabeça nas almofadas. – Ela não fez nada do que pedi, não sei lidar com crianças.

– Você cuidando de uma garota? Mas você não cuida de crianças. – Rin comentou, confusa.

– É, eu também achei que não. – Kagome respondeu. – Mas a pediatra de lá pediu licença-maternidade alguns dias atrás e a substituta dela ainda não chegou, então, sobrou pra mim.

– Não deve ser tão difícil assim. – Rin disse, interessada na situação da irmã. – Não é difícil lidar com crianças.

– Você que diz. Você convive com elas praticamente vinte e quatro horas por dia. Eu não. – a mais velha reclamou. – E ela precisa começar as sessões, ou pode ser complicado para ela recuperar todos os movimentos depois.

– Ela é só uma criança, não é bom uma criança perder os movimentos.

– Eu sei, mas por que não diz isso a ela? – Kagome retrucou. – Não sei lidar com crianças com medo. Ela sofreu um acidente de carro e está se recuperando agora.

– Seja paciente, onee-chan. – Rin sorriu. – Vai ver que não é tão difícil assim lidar com elas.

– Hei… – Kagome sentou-se de súbito no sofá, encarando a irmã mais nova. – Você poderia ir lá amanhã, não é? Pode falar com ela e convencê-la a fazer os exercícios.

– Isso não é uma boa idéia, eu não sou fisioterapeuta. – Rin balançou as mãos em negação.

– Vamos lá, Rin-chan. Você se dá bem com crianças, aposto que Kanna-chan ia adorar conhecê-la. – Kagome insistiu, esperançosa.

– Você disse Kanna? – Rin perguntou, pensando na possibilidade de talvez saber de quem se tratava. Uma garota tinha ido até a biblioteca para ler com ela uma vez, e o nome dela era Kanna também, não era?

– Isso mesmo. – Kagome confirmou. – E então, o que acha?

– Acho que posso tentar alguma coisa. – Rin concordou, dando de ombros. Não ia fazer o trabalho da irmã, mas pelo menos podia conversar com a garota, e se fosse a mesma Kanna, seria um passo a frente para que a jovem confiasse nela.

– Que bom! Arigatou, Rin-chan! – Kagome agradeceu, feliz, abraçando a irmã com força.

– Hai, hai… agora vá tomar banho pra podermos jantar. – Rin disse, sorrindo.

– Okay!

Kagome saiu da sala como uma criança que tinha acabado de ganhar um novo presente. Quando voltou, foi apenas meia hora depois e Rin ainda reclamou que o jantar estava completamente frio naquele momento.

Àquela altura, do outro lado do mundo, provavelmente quatorze horas mais cedo, Sesshoumaru estava acordado, sentado numa cadeira de ferro pintada de branco, na varanda de um dos mais famosos hotéis de Nova York, olhando o horizonte, o brilho fraco do sol que ainda estava nascendo. Vestia apenas uma calça de moletom e uma camisa regata. O laptop estava aberto sobre a mesa redonda que fazia par com a cadeira em que estava e mais uma, no momento, vazia.

Não estava fazendo mais nada interessante. Tinham fechado o contrato com os EUA e iam embora naquele mesmo dia, pelo que calculava, estaria no Japão na manhã de sexta-feira. Odiava aqueles fusos-horários complicados.

Tinha falado com Inuyasha no dia anterior, pelo visto, as coisas com a tal empresa coreana também tinham melhorado, Inuyasha tinha ganhado o caso na justiça e eles estavam limpos mais uma vez.

Entretanto, naquele momento, olhando o sol se erguer no céu norte-americano, só desejava estar em casa, acordando para mais um dia de trabalho em sua empresa, pensando na possibilidade de reencontrar com a irmã mais nova de sua cunhada.

Mesmo o mais frio e distante dos outros, possível, tinha até mesmo desistido de tirar a mulher da cabeça. Ela conseguira chamar a sua atenção em tão pouco tempo… e agora até mesmo dominava sua mente. Durante toda aquela semana nos EUA estava completamente curioso para saber o que ela pensara sobre a carta, se pelo menos tinha achado ou jogado fora, ou se estava ansiosa para responder.

Virou o rosto assustado quando ouviu a batida leve na porta. Suspirou cansado e se levantou, seguindo até o outro lado da sala, depois da varanda. Abriu a porta e deixou que uma mulher entrasse, trazendo seu café-da-manhã. Ela deixou a comida sobre a mesinha da varanda a mando dele e saiu logo em seguida, fechando a porta mais uma vez.

Quando Sesshoumaru sequer pensou em voltar para a varanda para sentar e tomar seu café-da-manhã, mais alguém bateu à porta. Voltou todo o caminho, achando que provavelmente a serviçal tinha esquecido alguma coisa e abriu a porta, se arrependendo amargamente em seguida.

– Ohayo, Sesshoumaru-sama! – Miroku cumprimentou-o de maneira animada.

Sesshoumaru apenas o encarou por dois segundos e então, bateu a porta na cara dele, voltando para a varanda. Mas claro que sabia que aquilo não ia deter o colega de trabalho.

– Está de mau-humor tão cedo, Sesshoumaru-sama! – Miroku abriu a porta e entrou mesmo sem ser convidado, acompanhando o mais velho até a varanda. – Devia estar feliz, nós conseguimos finalmente fechar o contrato e vamos poder voltar para casa!

– Eu não o convidei. – Sesshoumaru disse amargamente, sentando-se na mesma cadeira que estava e observando o outro ocupar a cadeira diante da sua.

– Hum… esse café-da-manhã parece bom. – Miroku começou a mexer na comida que tinha sido deixada para Sesshoumaru. – Não fique desse jeito, faz mal à saúde, sabia? Você está precisando de mulheres.

– Miroku… saia. – Sesshoumaru tentou conter a paciência, contando mentalmente até cem e massageando as têmporas.

– Ah, por favor, Sesshoumaru! É a única pessoa provavelmente nesse país inteiro que fala minha língua. – Miroku disse, pouco preocupado em tranqüilizar Sesshoumaru e mais interessado em comer toda a comida que estava na mesa.

Sesshoumaru desistiu de argumentar com o moreno. Apenas voltou a atenção para o laptop, olhando algumas notícias em sites da internet. Por mais extravagantes ou interessantes que as notícias parecessem ser, não conseguia prestar atenção. Precisava voltar logo para o Japão, o mais rápido possível.

– Sabe, falei com o Inuyasha sobre o contrato coreano. – Miroku disse, depois de encher a boca com metade do que vira na mesa. – Ele disse que conseguiu acabar com isso sem complicações, então, vamos só lucrar com o contrato que fechamos aqui.

– Eu sei. – Sesshoumaru disse, não desviando os olhos do laptop. – Falei com ele ontem.

– Ah… – Miroku ficou calado por uns minutos, como se aquilo fosse alguma coisa que não acontecia com muita freqüência. E não era. – Não sabia que falava muito com ele.

Sesshoumaru não precisou comentar muita coisa, apenas cansou do que tinha no laptop e fechou-o, servindo-se da única coisa que Miroku não tinha tocado: o chá.

– Nosso vôo sai às 10, é melhor não se atrasar. – Sesshoumaru disse, levantando-se e passando pela enorme sala para chegar ao quarto.

– Eu tenho certeza que não faria questão de me pagar outra passagem se eu perdesse o vôo. – Miroku comentou mais para si mesmo do que para Sesshoumaru, que estava a uma distância segura de qualquer comentário.

O moreno ficou apenas fitando o resto da comida depois de acompanhar os passos de Sesshoumaru para longe da varanda. Encostou-se na cadeira folgadamente quando ouviu a porta do quarto dele ser fechada. Tinha que admitir que estava impressionado com o que o líder da família Taisho conseguia fazer em tão pouco tempo.

Lembrava perfeitamente que tinha se esquecido de avisar sobre a viagem e o contrato a Sesshoumaru, e que este não sabia de nada do que se tratava há menos de uma semana atrás. Mas precisou apenas entregar os papéis a ele antes da viagem e deixá-lo concentrado durante o vôo inteiro e se espantou com o que ele conseguira. Quando colocaram os pés nos EUA, provavelmente o primogênito da família já sabia mais sobre o contrato do que Miroku.

Tinham sido várias horas de vôo e de leitura, mas ainda assim parecia incrível. Não queria admitir, mas provavelmente não existia pessoa mais indicada para substituir Inuyasha na presidência das empresas. Claro que nunca se atreveria a comentar isso com ele, não ia passar nem perto de elogiar Sesshoumaru, ele se achava bom o suficiente sozinho, não precisava de ajuda para isso. Estava imaginando pelo que ele tinha passado longe do Japão para que o pai o achasse bom o suficiente para presidir as empresas quando ele morresse.

Todavia, desistiu de pensar em qualquer coisa sobre Sesshoumaru quando provou os bolinhos de queijo que estavam na bandeja. Estavam deliciosos, comeu todos antes de sair do quarto para ir até o seu quarto, no final do corredor. Precisava se preparar para pegar o avião dentro de poucas horas.

Quando eles alcançaram o aeroporto, estava perto de dez horas. Passaram por toda a inspeção e finalmente puderam embarcar. Sesshoumaru ainda teve que suportar o falatório de Miroku por todo o caminho até o aeroporto e ainda nas primeiras horas de vôo até que ele caísse no sono. Precisou resistir à vontade de matá-lo, sabendo que se cometesse um homicídio fora do Japão, ia ser mais complicado com a parte judiciária. E se o moreno não tivesse dormido no meio da viagem, ele com certeza o mataria quando chegassem em solo Japonês.

Tinha falado com Inuyasha mais uma vez antes de embarcarem, informando a hora da chegada deles, por volta das 11h na sexta. Desse modo, ele poderia providenciar algum transporte para pegá-los no aeroporto e levá-los imediatamente para casa. Era a única coisa que queria, chegar em seu apartamento no Japão e descansar o resto do fim de semana.

Ele só não esperava que exatamente seu meio-irmão fosse recepcioná-los na chegada ao Japão. Podia jurar que ele mandaria qualquer pessoa daquela empresa, mas ele mesmo sair de lá para buscá-lo junto com Miroku, isso era um fato interessante a se discutir.

Irmãozinho… não sabia que estava com tanta saudade. – Sesshoumaru cumprimentou o Taisho mais novo, sarcástico.

– Feh! – Inuyasha resmungou infantilmente, cruzando os braços diante do corpo. – Só estou aqui porque estava no caminho, foi conveniente, ou deixaria ir para casa de táxi.

– Inuyasha, há quanto tempo! – Miroku cumprimentou o amigo, animado. Depois de ter passado toda a viagem dormindo, não era de se impressionar que tivesse recuperado a energia. – Cara, foi demais nos EUA, você devia ter ido. Acho que podíamos planejar as férias da empresa para ir para lá, o que acha?

– Pensamos nisso depois. – Inuyasha disse, balançando a mão rapidamente. – Temos que ir. Marquei de pegar Kagome para almoçarmos.

– Ótimo, estava morrendo de fome. – Miroku disse, animado.

– Eu disse Kagome e não Miroku. – Inuyasha retificou. – E a Sango está esperando você na clínica, é bom que não tenha feito nada do que possa se arrepender lá nos EUA, ela não está com um temperamento muito bom.

– Eu?! Eu não fiz nada! – Miroku disse, fingindo-se de indignado.

– Vamos logo com isso, eu preciso ir para casa. – Sesshoumaru passou pelos dois e seguiu para fora do aeroporto, para o estacionamento.

– Não achei que fosse conseguir sobreviver uma semana perto do Sesshoumaru. – Inuyasha comentou com Miroku, andando lado a lado com ele, seguindo Sesshoumaru.

– Eu também não. – Miroku concordou, suspirando aliviado. – Finalmente vou me livrar dele.

Os três seguiram para fora do aeroporto, apenas Sesshoumaru continuava em seu habitual silêncio. Não gostava daquela idéia de terem que ir buscar Kagome para só então poder ir para casa, não queria parar em nenhum lugar, precisava dormir depois daquela viagem cansativa. Mas não tinha escolha, pelo visto, a não ser que preferisse esperar mais uns dez minutos até pegar um táxi para levá-lo direto para casa.

Aquela idéia sumiu de sua cabeça quando entrou no carro de Inuyasha e percebeu que eles estavam na estrada. Estava com dor de cabeça pela falta de sono, confuso com a mudança de horário e irritado por ouvir a voz de Inuyasha e de Miroku no mesmo lugar por mais de dez minutos. Perguntava-se repetidamente onde ficava aquela tal clínica em que Kagome trabalhava que estava demorando tanto para chegar.

Fechou os olhos por uns segundos, massageando as têmporas. Não soube dizer ao certo se tinha caído no sono por algum tempo ou se o carro tinha andado mais rápido, pois em questão de segundos, Inuyasha tinha estacionado, anunciando que tinham chegado.

Sesshoumaru ainda cogitou a possibilidade de ficar dentro do carro, no silêncio, esperando os outros voltarem, mas desistiu daquilo ao perceber que o sol estava forte demais e poderia derreter ali dentro. Saiu do carro e fechou a porta com força, chamando a atenção de Inuyasha e Miroku, que estavam perto da entrada da clínica. Ele não precisou explicar nem comentar nada, era visível até mesmo para um cego que não estava muito satisfeito com a situação.

Entrou na clínica e sentiu o ar gelado bater em sua pele, contrastando fortemente com a temperatura alta do seu corpo por conta do sol lá fora. Ouviu Inuyasha cumprimentar uma das atendentes e Miroku também, tinha desaparecido num dos corredores, provavelmente indo atrás de Sango. Entretanto, o Taisho mais novo seguiu por um caminho diferente e Sesshoumaru seguiu-o.

Eles pararam de frente para uma enorme parede de vidro, que mostrava uma sala onde havia quatro pessoas no momento. Três mulheres adultas e uma criança. Apenas naquele momento Sesshoumaru pareceu despertar de seu estado de raiva por ainda não estar em casa. Do outro lado do vidro, ele via Kagome que estava ajoelhada ao lado de uma garota com seus dez anos de idade, uma mulher que estava a uma certa distância delas e que parecia muito com a jovem de cabelos esbranquiçados e, por fim, a mulher que precisava admitir ter tomado conta de seus pensamentos durante toda aquela semana, estava sentada no chão, com a garotinha mais nova no colo.

Ela estava sorrindo… fazia tempo que não via aquele sorriso, não era?

Estava tão entretido com a visão de Rin conversando com a garotinha que não percebeu quando Inuyasha abriu a porta lentamente e chamou a atenção das mulheres que estavam lá dentro. Kagome falou alguma coisa rapidamente com a irmã e com a garota e se levantou, indo cumprimentar o namorado.

– Você chegou cedo, Inu! – Kagome disse, depois de beijá-lo, saindo da sala e deixando a porta aberta.

– Eu tive que buscar aqueles dois idiotas no aeroporto. – Inuyasha respondeu ríspido, indicando Sesshoumaru rapidamente.

– Ah… bem-vindo de volta, Sesshoumaru-sama. – Kagome cumprimentou-o.

Apenas naquele momento ele deu o trabalho de desviar os olhos de Rin por um segundo e acenar rapidamente com a cabeça para Kagome. Voltou os olhos para Rin que conversava animadamente com a garotinha.

Kagome sorriu discretamente diante da reação de Sesshoumaru e voltou-se para Inuyasha, abraçando-o pela cintura.

– Bom, já que está aqui, vamos falar com a Sango, podemos ir almoçar e depois eu volto. Quero que deixe Rin na escola dela ainda. Ela não tem como ir sozinha até lá. – Kagome pediu.

– Certo. – Inuyasha concordou.

– Então vamos lá falar com ela. Rin está conversando com a Kanna para distraí-la. Ela fez um ótimo trabalho, sabe? Se não fosse ela, não teria conseguido fazer nem a primeira sessão com a garota. – Kagome comentou, fazendo questão que sua voz se pronunciasse alto o suficiente para que Sesshoumaru ouvisse cada detalhe.

Inuyasha concordou com a cabeça e Kagome se virou para Sesshoumaru antes de começarem a andar.

– Nós já voltamos, Sesshoumaru-sama. Logo vai poder ir pra casa descansar. – Kagome disse, animada.

– Hai. – ele respondeu, por pura educação.

Quando Kagome e Inuyasha tinham desaparecido no corredor, ele deixou-se levar até a porta da sala que a mulher tinha deixado aberta. Parou encostado à batente desta. A mulher mais velha e parecida com a garotinha estava conversando no celular no canto mais distante da sala. Rin ainda falava alguma coisa com Kanna e só ao alcançar a porta foi que Sesshoumaru pôde ouvir o que ela dizia.

– Viu? Não foi tão ruim assim. – Rin comentou. – Agora, você vai me prometer que vai seguir tudo o que K-chan disser pra poder ficar curada logo, logo.

– Mas… tia Rin não vem mais pra cá? – Kanna perguntou, virando a cabeça para encarar a mulher. – Você podia vir e contar histórias enquanto eu tenho que ficar mexendo a perna.

– Não, querida, eu não posso vir aqui todos os dias. – Rin sorriu com o que ela tinha proposto. – Mas a médica é a K-chan, então, você tem que fazer os exercícios direitinho como ela mandar.

– Mas… eu prefiro com Rin-chan. – Kanna abaixou a cabeça.

– Pense desse jeito. – Rin passou a mão pelos cabelos da garota, fazendo-a erguer a cabeça de novo. – Hoje não doeu, doeu?

– Iie…

– Então, não vai doer mais se você continuar fazendo isso. – Rin continuou a argumentar. – E se você seguir tudo o que a K-chan disser, vai poder andar logo, logo, e então, pode ir na biblioteca pra lermos as historinhas juntas, o que acha?

– Posso mesmo? – Kanna perguntou, incerta.

– É claro que pode. – Rin concordou. – Vou ficar feliz de tê-la lá, mas precisa estar completamente recuperada!

– Hai! – Kanna respondeu, agora, mais animada.

– Promete que vai se esforçar? – Rin perguntou, levantando o dedo mindinho.

– Prometo! – Kanna concordou, entrelaçando o próprio dedo mindinho com o de Rin.

– É uma promessa. Não pode esquecer! – Rin disse.

– Não vou esquecer! – Kanna respondeu mais uma vez.

– Querida, está na hora de irmos. Sua sessão acabou, o papai já está vindo nos buscar. – a mulher que tinha acabado de falar no celular se aproximou, abaixando-se ao lado de Rin e Kanna.

– Ah… não posso ficar um pouco mais com a tia Rin? – Kanna pediu, virando-se para a mãe.

– Querida, Rin-chan precisa ir embora também, vai vê-la outro dia, certo? – a mulher disse, de maneira compreensiva.

– Hai, hai. – a menina respondeu, conformada.

– Muito obrigada pelo que fez, Rin. – a mulher agradeceu, tomando Kanna entre os braços e se levantando, assim como Rin.

– Não tem problema. – Rin respondeu, sorridente. – Fiquei feliz em ajudar. Até outro dia, Kanna.

– Até! – Kanna despediu-se.

– Bom, eu vou deixá-la agora. Acho que seu namorado quer falar com você a sós. – a mulher disse, fazendo os olhos sem vida de Rin se arregalarem um pouco. – Ja ne.

– Eh?

Rin não teve chance de perguntar nada, apenas ouviu os passos da mulher para fora da sala.

– Espere… senhora Matsuri!

Tentou seguir a mulher para fora da sala, mas não sabia ao certo onde estava e não conhecia aquela sala da clínica, na verdade, não conhecia nada da clínica, então era melhor achar uma parede antes de tentar se mover.

– Vai acabar caindo se continuar andando desenfreada desse jeito.

Rin ouviu aquela conhecida voz invadir-lhe os ouvidos e imediatamente sua expressão mudou em uma insatisfeita.

– O que quer aqui? Anda me perseguindo agora? – ela perguntou, irritada, parando no lugar onde estava, virada para o lugar de onde ouvira a voz de Sesshoumaru.

– Foi apenas acaso. – Sesshoumaru respondeu, aproximando-se dela. – Precisa de ajuda para achar a saída?

– Não preciso de nada que venha de você. – Rin respondeu, ríspida, percebendo tanto pela voz quanto pelas passadas, que ele estava se aproximando. – Vou esperar Kagome.

– Kagome saiu com Inuyasha, estão esperando no carro. – Sesshoumaru improvisou. – Ou aceita, ou fica tentando achar uma parede para se guiar.

– Eu fico tentando, obrigada. – Rin se virou, andando lentamente para tentar alcançar uma das paredes.

Sesshoumaru não conseguiu evitar que um sorriso satisfeito surgisse em seu rosto… precisava admitir que também estava sentindo falta daquele lado teimoso dela… do lado que conhecia um Sesshoumaru.

– Não seja tão teimosa. – Sesshoumaru segurou o braço dela, mesmo que a contragosto e guiou-a para fora da sala. Não ouviu reclamações por parte da jovem e seguiu o caminho.

– Achei que fosse ficar mais tempo nos EUA. – Rin falou quase que automaticamente, quando estavam saindo da sala.

Sesshoumaru virou os olhos para ela por uns segundos, nem sabia que ela estava informada de sua viagem. Provavelmente tinha descoberto por Kagome.

– Estava preocupada que eu demorasse? – ele perguntou, presunçoso.

– Não, achei que finalmente tinha me livrado de você. – Rin consertou, bufando irritada.

– Também estou satisfeito por revê-la. – Sesshoumaru completou e daquela vez, foi Rin que ficou sem palavras.

Ela não sabia como responder de maneira não-educada, e também não queria ser educada, principalmente porque não esperaria jamais ouvir aquilo do homem irritante que vivia implicando com sua deficiência.

– Chegamos. – foi a última palavra que ela escutou de Sesshoumaru naquela semana, quando sentiu o calor do exterior da clínica tocar em sua pele.

Como o esperado, Kagome e Inuyasha estavam lá fora tal como Sango e Miroku, mas esses dois estavam entrando em outro carro para saírem do local. Kagome começou a falar alguma coisa com Rin e eles embarcaram no carro.

Sesshoumaru desligou-se completamente da conversa das duas mulheres que estavam sentadas no banco de trás e de Inuyasha. Fitava a paisagem além do vidro do carro e às vezes se deixava levar pela imagem de Rin refletida no retrovisor do carro.

Continuou perdido em seus pensamentos o resto do caminho. Tinha que admitir para si mesmo, uma semana inteira pensando na mulher, reencontrá-la daquele jeito, com um sorriso no rosto, completamente despreocupada de sua condição e ainda conseguindo implicar com ele a cada três palavras pronunciadas…

Será que depois de tanto tempo estava… apaixonado?

Final do Capítulo Sete

Voltei! E dessa vez eu não demorei! XD

Tentei atualizar todos os fics pendentes hoje, mas não deu certo, sobraram dois. Enfim... espero que se distraiam com esses daqui.

Finalmente, Sesshy está admitindo que está gostando de verdade da nossa Rin-chan... e principalmente da teimosia dela! XD Acho que daqui em diante, vai ser um pouco mais fácil, mas ainda tenho que focar algumas coisas na Kag com o Inu, enfins, a gente se vira. XD

Agradecimentos especiais as pessoinhas que deixaram reviews, obrigada Lis Winchester, Ankhy, Cassia-chan, Raissinha e Sah Rebelde. Adorei todos os comentários!

E bom... acho que por enquanto é só. Vou tentar não demorar com o próximo capítulo.

Kissus a todos e até a próxima!

Ja ne!