N/A:
Sim, eu enrolei de propósito. UAHAUAHUAA
Explico: eu tento equilibrar o interior do Sasuke (e a relação com a Suren, que acho que agora que começa a mostrar sua real essencialidade na trama) com as relações dele com o Naruto, a Tsunade, e enfim. Fico morrendo de medo de estar enrolando demais, mas ninguém reclamou ainda, então vamo que vamo assim mesmo. UAHAUHAUAHAU Espero que gostem e, acreditem, eu não pretendo demorar muito para postar o próximo capítulo. hoho.
O que 'ta em itálico é flashback, btw. Não quer dar espaço. c.c
Era esquecimento?
Parou de contatar a Equipe Taka. Ganhara outra aliada. Em fase de preparação, mas ainda sim.
Continuou com a vida.
Simples.
Óbvio não foi exatamente por sua vontade. Apenas... Ficou ocupado com outras coisas.
De vez em quando, aquilo ainda coçava. Aquela velha e conhecida necessidade. Vingança... Velha amiga. Companheira. Leal. Tentadora. Porém, ingrata. Era uma vadiazinha que envolvia as pessoas, sussurrava promessas em seus ouvidos durante a noite. Durante os sonhos. Durante a manhã e a tarde também. E quando conseguia, finalmente, arrebatá-los para seus propósitos, os deixava completamente sem nada.
Não desistira daquelas promessas. Vingar-se-ia da vingança ao cumprir seu objetivo. Não agora. Não estava desistindo. Adiava... Um pouco mais. Que mal fazia? Só mais um tempinho... Ainda precisava disso. Precisava acertar algumas pontas.
— Otousan...
Ela não tinha permissão para chamá-lo de outra coisa.
Sasuke abriu os olhos para a escuridão de seu quarto, ainda processando a vozinha infantil vindo da porta. Em seguida, suspirou e se apoiou nos cotovelos, olhando na direção de Suren. Ela esfregava os olhos, o lábio inferior proferido num biquinho.
— Sonhos malvados.
Suspirou outra vez.
— E pretende vir até meu quarto no meio da noite cada vez que algo assim acontecer? Acha que vou estar sempre aqui? — respondeu ele, ríspido como sempre.
Suren baixou a cabeça. Estava habituada a esse tipo de tratamento vindo do pai.
— Gomenasai. — a voz dela era muito baixa. Deu as costas. Sasuke podia ouvir não só seus passos leves no piso de madeira como também seus soluços. Mais um suspiro.
Suren completava agora quatro anos de idade. A principio, as pessoas costumavam querer se intrometer na forma como ele a criava. Eventualmente, Sasuke conseguiu deixar bem claro: não era da conta deles. De ninguém. Até que pararam de tentar "ajudar"... Quiseram tanto que ele criasse essa menina! Pois aí estava.
Isso acabou fazendo com que Suren se tornasse alguém totalmente diferente na presença do pai. Gostava muito de ir para a casa dos Uzumaki pois lá sentia o gosto da liberdade... Era muito apegada a eles. Chamava Hinata de "kaachan" e Shaoran de "niisan". Mas nada comparado ao amor que a criança desenvolvera por Naruto, e Sasuke sabia bem que esse era um pai que ele jamais seria.
Não gostava muito disso, ou de toda essa convivência. Tinha certeza que Naruto desviaria sua filha. Driblava isso como podia, mas não era lá muito fácil. Não sem levantar suspeitas. Pelo menos, Suren parecia apreciar estar na companhia do pai a maior parte do tempo: sempre tentando atrair sua atenção.
Tsunade, nas eventuais visitas que fazia à Konoha, também se mostrava bastante apegada à menina. Quanto a ela, não havia muito que Sasuke pudesse fazer: aquela mulher de fato dava medo. E já não gostava muito dele, então...
Suren estava bastante adiantada: não poderia ser diferente para um Uchiha. Graduou-se na Academia aos sete anos assim, dominou o Sharingan aos oito. Não foi para Chunin direto. Não. Os planos eram outros.
E acho que se pode imaginar o quanto isso parecia uma brincadeira de mau gosto aos olhos de seu pai, pois nesse aspecto, inegável que a menina tenha crescido exatamente igual à Itachi. Isso e os olhos. O resto era tudo de Sasuke... Inclusive o gênio. Não havia nada de Sakura.
Nada.
Suren estava para passar um tempo treinando com Tsunade (acredite ou não, ideia da própria Godaime). Sasuke decidiu deixá-la ir. Seria útil... Até porque, ele próprio pretendia treiná-la e moldá-la a seus próprios propósitos depois que atingisse seus quatorze anos. Esse seria o momento perfeito.
Até deu à filha um presente.
Um falcão. Totalmente selvagem – não que alguém soubesse dessa parte. Ela tinha nove anos aí.
— Falcões são criaturas magníficas, Suren. Ágeis, precisos, mortais. Silenciosos. Os ninjas do céu. — disse Sasuke — Quero que você o treine. Sozinha. Quero que ele obedeça a você, e somente você.
O falcão não gostava de Suren e esse sentimento, devo acrescentar, era recíproco. Na verdade, o bicho lhe causava arrepios. Olhos, bico... Tudo. No entanto, ela se encontrava tão ansiosa para ter aprovação do pai, que fez tudo o que podia. Mesmo com as bicadas e toda a rejeição... Ficava com o pássaro sempre. Conversava com ele e até mesmo cantava. Fazia de tudo. E, eventualmente, ganhou a confiança do animal.
Agora o falcão já comia em sua mão. Inicialmente, machucava seriamente a palma. Mas foram se entendendo pouco a pouco... Se conhecendo. Até que Suren tinha o total afeto do falcão. Ele pousava no ombro dela, agarrava mechas de seu cabelo negro com o bico gentilmente voava livre: mas sempre (sempre) voltava para sua dona.
Quando ela teve certeza que o animal estava completamente domado, mostrou os resultados a Sasuke. Esperava que ele ficasse orgulhoso.
— Eu disse para torná-lo obediente. — e jogou o corpo inanimado do animal no chão com agressividade. Ele próprio quebrara o pescoço — Ao invés disso, você o ensinou a amar você. Arruinou essa bela ave.
Sorte que costumava beber de vez em quando. Do contrário, sua cabeça estaria explodindo a essa altura... Com a luz da manhã que pareceu queimar seus olhos, então! Bloqueou a mesma com uma das mãos, reclamando baixo. E se levantou para fechar as cortinas.
Aproveitou para se espreguiçar. Foi até o banheiro, jogou uma água fria no rosto. Olhou-se no espelho. Ainda tinha treino hoje... E, claro, Suren. Suren! Saiu do banheiro e foi direto para o quarto. Ela não estava no berço. Mas o que...
Voltou correndo para o quarto. Precisava procurar por algumas roupas e ir atrás de sua filha. Como podia ser um pai tão relapso? Sim, às vezes se sentia envergonhado. Raras.
No entanto, quando alcançou a cama e olhou para a mesma, viu algo muito estranho ali.
Desde quando...?
Não havia passado a noite sozinho.
Naruto. Deitado de costas, coberto só da cintura para baixo. Num sono profundo.
Sasuke prendeu a respiração.
Estavam os dois, lado a lado, parados no portão de Konoha. Observavam Suren, Tsunade e Shizune caminharem cada vez mais para longe. Sasuke observou a animação de sua filha com uma expressão vazia. Ela andava de mãos dadas com a Godaime... Tinha medo no que aquilo poderia virar. Mas impedir não parecia uma opção... Por vários motivos.
Naruto, com os braços cruzados e um grande sorriso no rosto, suspirou.
— Sakura-chan estaria orgulhosa. — é claro. Ele não poderia falar algo menos clichê e sentimentalóide. Sasuke revirou os olhos.
— Yay. — doses de ironia diariamente injetadas na veia. Recebeu um olhar estranho do Hokage; só não soube dizer se o mesmo carregava divertimento ou censura. Não fez questão de descobrir: acendeu um cigarro no lugar disso. Um hábito recém-adquirido.
— Suren me contou sobre o falcão.
— Contou? — não quis demonstrar, mas ficou um pouco irritado com isso — Algo que conversaremos na volta. É sempre bom saber que temos um pouco de privacidade em nossas próprias casas e —
— Olha, Sasuke, — Naruto, como sempre, o interrompeu no meio da frase — eu espero que você saiba o que está fazendo com essa menina e não esteja fazendo dela uma versão sua de saias.
— Suren não usa sai —
— Você é inacreditável! — exclamou Naruto, jogando os braços para o ar em exasperação — Vamos, estamos indo para a sua casa beber um pouco. Depois dessa, estou precisando.
— Naruto! — cutucava-lhe as costelas — Naruto... Naruto, acorde!
— Hmm-mmm... Mais um pouco, Hinata... Já estou indo...
— Baka! — um tabefe na nuca deveria bastar — Acorde!
Depois dessa, Naruto sentou totalmente espantado na cama. Olhou em volta, os cabelos loiros apontando para todos os lados num belo emaranhado. Havia um pouco de baba seca escorrendo na lateral de sua boca, e os olhos azuis estavam um tanto inchados...
— Sasuke? Mas o que...
— Eu que pergunto! O que você está fazendo nu da cintura para cima (eu espero que apenas isso) na minha cama?
— Hm... Acho que não consegui voltar para casa na noite passada... — evidente que ainda estava extremamente sonolento.
As lembranças o atingiram como um trem em movimento e Sasuke teve a leve impressão de ter o sangue fugindo de seu rosto. Entreabriu os lábios.
— Naruto... O que, exatamente, nós fizemos?
Ele demorou a responder. Mas, quando respondeu, foi extremamente convincente.
— Nós bebemos. Você disse que eu não sabia o que fazia quando estava bêbado. E...
— E...? — podia ouvir seu coração palpitando forte.
— Você deitou na rocha mesmo. Caiu no sono. E eu o carreguei de volta para casa.
Enquanto abria a porta, a memória da memória martelou em sua mente.
Ele e Naruto. Sozinhos.
Não havia sido a última vez que tivera sonhos daquele tipo... Também não seria a primeira ou a segunda ou a terceira que bebiam juntos. Estava mais pra milésima.
Mas nunca sozinhos. Não depois daquela vez.
Suren não estaria em casa.
Sozinhos... A palavra ecoava.
— Vou pegar o saquê. — e se fugisse pela janela até Naruto ir embora. Mas como explicar isso?
Droga.
