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Nota da beta: Bem, como posso dizer... Erm... Eu morri nesse capítulo! Sugiro que liguem os ventiladores, peguem seus abanadores e só depois comecem a ler este capítulo! ;D

CAPÍTULO VII

Rin o estava esperando na calçada quando ele saiu. De pé, sob a luz de um poste elétrico, mantinha uma mão sobre o qua­dril, a cabeça ligeiramente inclinada e um ar de riso nos lábios.

A imagem fez Sesshoumaru pensar naquelas fotos em preto-e-branco, tiradas por fótógrafos profis­sionais para serem incluídas em revistas de moda. "Sexy em preto-e-branco", foram as palavras que lhe vieram à mente.

Ele foi se aproximando devagar, notando mais detalhes conforme a distância entre eles ia se tor­nando menor. Os sedosos cabelos castanhos emol­duravam o rosto delicado de um modo discreto e sensual ao mesmo tempo. O vestido preto, curto, moldava cada curva do corpo perfeito, fazendo-o engolir em seco, ao ter uma visão mais aproxi­mada. Nenhuma jóia para distrair seu olhar. Sa­patos com salto alto e transparente delineando pernas completamente esguias. Deus, ela queria mesmo matá-lo.

As únicas cores intensas no visual de Rin eram a de seus olhos chocolates e a de seus lábios pintados de rubro. Lábios que, segundo ele logo notou, en­contravam-se ligeiramente curvados, com um ar de satisfação feminina.

Estava a três passos dela quando um delicioso perfume lhe invadiu as narinas, deixando-o exci­tado e expectante ao mesmo tempo.

- Olá, vizinho - disse ela, em um tom sensual.

Sesshoumaru inclinou a cabeça, arqueando uma sobrancelha.

- Mudança de planos... vizinha?

- Espero que não.

Rin se aproximou mais, deslizando as mãos deliberadamente sobre os braços, os ombros e o pescoço dele. Então moldou o corpo ao dele, antes de sorrir e dizer:

- Os planos eram para nós dois, seu bobo.

Imaginou se fora o esclarecimento ou o insulto velado que o levou a estreitar o olhar, com um ar especulativo.

- É mesmo?

- Sesshoumaru - disse ela, aproximando-se até dei­xar seus lábios a centímetros dos dele. Mantendo os olhos fixos nos dele, umedeceu os lábios deva­gar.

- Eu não lhe disse que você seria o primeiro a saber?

- Sim. - Com a mão que se encontrava livre, Sesshoumaru segurou-a pela nuca, mantendo aqueles lábios convidativos a centímetros dos dele.

- Con­segue andar rápido com esses saltos?

Rin riu, ligeiramente ofegante.

- Não muito. Mas temos a noite inteira, não temos?

- Talvez seja necessário um pouco mais do que isso. - Sesshoumaru se afastou, oferecendo a mão a ela.

- Onde conseguiu essa arma letal? O vestido - acrescentou, quando Rin lhe lançou um olhar confuso.

- Oh, isso. - Dessa vez, o sorriso dela foi re­pleto de lisonja.

- Eu o comprei hoje, pensando em você. E quando o vesti esta noite, estava pen­sando em como seria acompanhar cada um de seus movimentos quando você o tirasse de mim.

- Deve ter andado praticando algum método de sedução - concluiu ele.

- Está se mostrando boa demais nisso.

- Posso parar, se estiver se sentindo incomodado...

- Nem pense nisso - Sesshoumaru a interrompeu.

Parecia incrível que uma simples noite de pri­mavera em Tóquio pudesse se transformar em um tórrida noite de verão nos trópicos.

- Sinto muito por não haver sido mais espe­cífica ao escrever o bilhete. Eu estava com a cabeça cheia de idéias. - Virou-se, satisfeita pela altura de seus saltos deixá-la com os olhos na altura dos lábios dele.

- E todas elas rela­cionadas a você.

- Fiquei aborrecido e saí. - Sesshoumaru não se sentiu tão mal em admitir aquilo quanto imaginou que se sentiria.

- Sinto muito, mas considero isso lisonjeador. Quando bati à sua porta e ninguém respondeu, tive essencialmente a mesma reação. Passei muito tempo me preparando para você. Portanto, tam­bém pode se sentir lisonjeado.

- De fato, deve ter levado algum tempo para se arrumar desse jeito - observou ele.

- Não apenas isso - salientou Rin, com um sorriso. - Também preparei o jantar.

Até aquele momento, havia conseguido manter seu coração batendo em um ritmo normal. Con­tudo, sentiu que ele acelerou ao chegarem à en­trada do prédio.

- É mesmo? - Sesshoumaru se surpreendeu.

Rin notou que ele não pareceu apenas lison­jeado e excitado com tudo aquilo, mas essencial­mente tocado.

- E dos mais saborosos, se me permite dizer - acrescentou ela, seguindo na frente. - Com um vinho leve para acompanhar e uma taça de champanhe para a sobremesa.

Ao chegar ao elevador, apertou o botão do ter­ceiro andar e encostou-se em uma das paredes.

- Pensei em tomarmos o champanhe com a sobremesa na cama - sugeriu, provocante.

Sesshoumaru se manteve a um passo dela, sabendo que se a tocasse os dois acabariam demorando tempo demais no elevador.

- Há algo mais que eu precise saber a respeito de seus planos?

- Oh, não creio que seja necessário eu lhe ex­plicar todos os detalhes.

Dizendo isso, ela saiu do elevador e lançou um de seus sorrisos sedutores por sobre o ombro, enquanto se encaminhava até a porta de seu apartamento.

Se conseguisse entrar ali sem explodir de desejo, pensou Sesshoumaru, talvez fosse capaz de mostrar a ela que também tinha planos.

- E a chave? - perguntou a ela.

- Hum...

Mantendo os olhos fixos nos dele, Rin insinuou o dedo indicador para dentro do decote até tocar o metal da chave, deliciando-se ao ver o olhar de Sesshoumaru se enevoar de desejo. Então tirou o dedo do decote e o deslizou sensualmente pela base do pescoço.

- Puxa, acho que não estou conseguindo en­contrá-la. Não quer procurá-la para mim?

Sesshoumaru chegou à conclusão de que havia aca­bado de se transformar em um experimento cien­tífico: era possível se permanecer totalmente lú­cido e consciente mesmo sem nenhum vestígio de sangue na cabeça.

Insinuou o dedo ao longo da convidativa curva do decote de Rin e foi penetrando-o devagar, até encontrar a renda da lingerie. Notou quando ela estremeceu, tornando-se ligeiramente ofegan­te. Então insinuou o dedo mais para dentro, tatean­do a pele macia até roçar o mamilo de Rin, que se tornou túrgido sob seu toque. Os olhos castanhos se tornaram enevoados e ela os fechou devagar.

- Acho que foi você quem andou praticando - murmurou ela, fazendo-o sorrir.

- Estou apenas fazendo o que me pediu.

- E melhor do que eu esperava - ela confessou. - Não se detenha por minha causa.

Sesshoumaru não pretendia mesmo parar. Pelo me­nos pelas horas seguintes.

- Parece que a encontrei - anunciou ele, ta­teando a chave.

- Sim. - Rin deixou escapar um longo sus­piro. - Eu sabia que você conseguiria.

Retirando a chave do seu esconderijo, segurou-a no ar.

- Convide-me para entrar, Rin.

- Entre.

Sesshoumaru abriu a porta e puxou-a delicadamente para dentro, antes de voltar a girar a chave na fechadura, isolando-os do resto do mundo.

- Vamos jantar? - perguntou Rin, quando ele pousou as mãos em sua cintura.

- Isso pode esperar.

Quando passaram pelo telefone, ele o tirou do gancho.

- Quer vinho?

- Depois - foi a resposta. - Bem depois... Quando chegaram à base da escada, Rin he­sitou. Sesshoumaru sorriu com charme e disse:

- Continue subindo.

Com as pernas trêmulas, ela começou a subir devagar.

- Peça-me para tocá-la.

Rin sentiu um arrepio ao ouvir a voz avelu­dada de Sesshoumaru tão próxima a seu ouvido.

- Toque-me.

Suspirou quando as mãos dele deslizaram sobre seus quadris. Ao chegarem ao alto da escada, Sesshoumaru a virou de frente para ele. Fitando-a nos olhos, falou:

- Peça-me para prová-la.

- Prove-me.

E gemeu quando Sesshoumaru deslizou a ponta da língua pela base de seu decote. No momento em que alcançaram a porta do quarto, ele lhe mor­discou o lóbulo da orelha e a delicada curva de seu pescoço, deixando-a sedenta por um beijo.

- Beije-me, Sesshoumaru.

- Vou beijar - respondeu ele, roçando o canto dos lábios dela com a ponta da língua.

- Assim que eu acender a luz.

- Não, eu espalhei velas perfumadas pela casa. - Dizendo isso, ela pegou uma caixa de fósforos, mas desistiu de usá-la.

- Não vou conseguir - confessou.

- Estou tremendo muito. Não é ridículo?

Sesshoumaru pegou a caixa de fósforos.

- Quero que fique trêmula - afirmou ele.

- Fique aqui - pediu, indo acender as velas.

Em pouco tempo, o ambiente do quarto se tor­nou agradavelmente iluminado, com um suave perfume se espalhando no ar. Deixando os fósforos de lado, Sesshoumaru voltou para junto dela.

- Agora... - Puxou-a para si.

- Peça-me para possuí-la.

Rin não desviou os olhos dos dele.

- Me possua.

Os lábios de Sesshoumaru capturaram os dela, em um beijo intenso e exigente. Rin se rendeu a ele sem receio, unindo a chama de seu desejo à do desejo de Sesshoumaru. Fora por isso que ansiara. Por aqueles gestos incontidos e aquela exigência silenciosa. Aquela tormenta de sentidos, verda­deira guerra de emoções e desejos.

- Eu te quero, Sesshoumaru - confessou, com voz rouca, beijando-o com voracidade.

- Quero tê-lo em minha cama.

Sobressaltou-se quando ele a levantou nos bra­ços de repente. Por um instante, viu o reflexo de ambos no espelho do quarto. Uma visão perfeita. Excitante.

- Temos a noite inteira - Sesshoumaru lhe sussur­rou ao ouvido.

- Agora fique olhando...

Dizendo isso, ele a deitou na cama e ocultou o rosto junto ao pescoço dela, antes de ir descendo devagar, mordiscando-a e sugando-a sensualmen­te por cima do vestido.

Rin gemia a cada gesto, trêmula de antecipa­ção. Ficou observando as mãos de Sesshoumaru desli­zarem para cima até alcançarem seus seios. Então eles os segurou com ar de possessividade, por cima da seda. Em seguida, começou uma doce tortura, acariciando-lhe os mamilos por sobre o tecido, fa­zendo-a arquear o corpo e desejar que ele a li­vrasse de uma vez daquele empecilho.

Quando pensou que já houvesse sido suficiente­mente torturada, gemeu alto quando Sesshoumaru tocou seu centro de prazer por cima da seda, deslizando a mão sensualmente para cima e para baixo.

Foi quando ele voltou a beijá-la, insinuando a língua entre seus lábios. Ela o havia deixado louco no clube e, pelo visto, ele pretendia revidar aquilo até o último instante.

- Diga que quer mais.

Rin estava lânguida, movendo o corpo rendido à sensualidade.

- Sesshoumaru, por favor...

Ele continuou movendo a mão para cima e para baixo, sentindo o excitante calor da intimidade de Rin sob o tecido deslizante.

- Diga que quer mais.

- Oh, Deus... - Rin inclinou a cabeça para trás, com um gemido ofegante.

- Eu quero mais.

- Eu também.

Esforçando-se para conter a urgência que ameaçava dominá-lo, Sesshoumaru virou-a de lado e puxoo zíper do vestido para baixo. Quando livrou Rin da peça, jogando-a de lado, não conteve um gemido de prazer.

"Sexy em preto-e-branco", as palavras lhe vieram à mente mais uma vez.

Naquele momento, Rin notou que o brilho do desejo nos olhos dele se tornou quase selvagem. E, para sua surpresa, deu-se conta de que era exatamente isso que ela queria. Queria que Sesshoumaru a possuísse de um modo incontido, como que mal conseguindo conter a ânsia do desejo.

Levada por um ímpeto de sensualidade, guioas mãos dele até seus seios.

- Comprei esta lingerie hoje – sussurrou mantendo as mãos sobre as dele.

- Para que voca tirasse de mim esta noite.

Então entrelaçou os dedos nos dele, quando Sesshoumaru deslizou a mão sobre a renda macia.

Sobressaltou-se quando, com um gesto súbito ele abriu o fecho, localizado na frente da peça. Os seios eretos finalmente se libertaram, preenchendo a visão de Sesshoumaru com a imagem de algo que precisava ser tocado, saboreado.

Capturando um dos mamilos entre os lábios, lambeu-o e mordiscou-o até que o bico se tornasse túrgido e úmido, feito uma fruta recém-provada. Ofegante, Rin gemia de puro prazer, pergun­tando-se se conseguiria sobreviver a tanto prazer. Quando pensou que fosse explodir, sentiu seu ou­tro mamilo ser submetido à mesma tortura deli­ciosa que levou seu corpo a se arquear e a ondular sobre os lençóis.

Com um sorriso de satisfação se insinuando nos lábios, Sesshoumaru deslizou a mão para dentro da ou­tra peça de lingerie. E, em questão de segundos, levou Rin a emitir um gemido sensual e prolon­gado, rendida a seu primeiro ápice de prazer. En­tão livrou-a daquela última peça, ao notar que ela queria mais.

Um perfume sensual lhe invadiu as narinas, enquanto Rin levava as mãos à sua roupa, tam­bém ansiosa para despi-lo. Quando Sesshoumaru se li­vrou da camisa, adorou sentir os dedos femininos afundando em suas costas, enquanto ela o puxava mais para junto de si. Com as mãos e a boca tão impacientes e ávidas quanto as dele, não demorou muito para que ela também o ajudasse a tirar as peças restantes.

No momento em que ambos finalmente se uni­ram em um abraço íntimo, durante o qual Sesshoumaru a possuiu por completo, a explosão final de prazer não tardou a chegar. Passo a passo, movimento a movimento, o ritmo que envolvia os corpos nus foi se tornando cada vez mais intenso, até Rin arquear o corpo em um espasmo mais prolongado.

Seduzido pelo prazer de vê-la sentir prazer, Sesshoumaru observou o lindo rosto absorver a chama do desejo para expulsá-la novamente na forma de um longo e prazeroso gemido sensual. Então, fi­nalmente ele sentiu-se livre para se entregar. Quando veio, seu próprio clímax o arrebatou com a força que move uma tempestade que chega em meio a um vento e uma chuva intensos, para de­pois ceder lugar à calmaria, à tranqüilidade.

Os dois permaneceram deitados naquele abraço íntimo por um longo tempo.

- Ainda estamos respirando? - Rin foi a pri­meira a quebrar o silêncio.

Deitando-se ao lado dela, Sesshoumaru pousou a mão em seu pescoço, examinando-lhe a pulsação.

- Seu coração ainda está batendo.

- Ótimo. E o seu?

- Também parece estar.

- Tudo bem - falou ela. - Então talvez seja mais seguro ficarmos aqui pelos próximos cinco ou dez anos. Somente então acho que terei forças para me mexer.

Sesshoumaru levantou a cabeça. Mesmo mantendo os olhos fechados, Rin sabia que estava sendo observada por ele, mas não se importou com isso. Com um sorriso, disse:

- Eu consegui provocá-lo, Sesshoumaru Taisho. E foi incrivelmente bom vê-lo responder à altura da provocação.

- Era o mínimo que eu poderia fazer.

- Nunca alguém me fez sentir assim antes. - Rin abriu os olhos.

- Ninguém me tocou dessa maneira antes.

Assim que terminou de falar, Rin percebeu que havia cometido um erro, pela maneira como Sesshoumaru se retraiu. Eles poderiam até haver compartilhado algo maravilhoso, mas, para ele, aquilo não poderia ser confundido com nada além de atração física.

- Tem mãos maravilhosas - disse Rin, notando a tensão no semblante dele e tentando recuperar a atmosfera de antes.

- Definitivamente milagrosas - insinuou, com um sorriso.

- Você também tem detalhes bem interessantes.

Sesshoumaru deitou de costas, aborrecido consigo mesmo por estar querendo manter certa distância enquanto Rin o olhava com tanta ternura no olhar. Mas não podia permitir que as coisas se confundissem entre eles. Se isso acontecesse, teriam de romper para sempre. Seu lado sonhador e romântico havia desaparecido havia muito tempo.

Rin notou que Sesshoumaru continuava muito tenso. Queria abraçá-lo e aninhar seu corpo junto ao dele, mas achou melhor se conter. "Mantenha as coisas simples", disse a si mesma. "Ou ele irá embora por aquela porta e nunca mais voltará."

Sentando-se na cama, passou a mão pelos cabelos desalinhados.

- Acho que aquele vinho cairia bem agora, não?

- Sim. – Sesshoumaru deslizou a mão pelas costas dela. Tinha de fazer aquilo e manter o contato com ela de alguma maneira.

- Mencionou algo sobre jantar antes?

- Tenho um jantar maravilhoso esperando por você - respondeu Rin, com um sorriso. - Inclinando-se, beijou-o nos lábios.

- Está tudo pron­to, exceto o crepe de marisco, que eu vou preparar diante de seu olhar espantado.

- Vai cozinhar?

- Hum-hum.

Sesshoumaru ficou olhando ela se levantar e ir até o guarda-roupa.

- Para que isso?

- Isto? Chama-se robe - respondeu Rin, com um sorriso, vestindo a peça. - Geralmente é usa­do para encobrir a nudez.

Ele também se levantou e se aproximou dela.

- Tire isso - mandou, abrindo o cinto do robe.

Rin sentiu um arrepio pelo corpo.

- Pensei que quisesse jantar.

- E quero. Mas também quero vê-la cozinhar...

- Então... Oh. - Rin riu novamente, voltando a fechar o robe.

- Não vou cozinhar crepes nua. Essa sua fantasia é perigosa demais para o meu gosto.

Sesshoumaru olhou para os lados.

- Na verdade, eu estava pensando se você não teria algo mais... - Ele olhou para a cama, onde as peças de lingerie haviam sido deixadas.

- Mais parecido com aquilo.

Surpresa, depois intrigada, Rin arqueou as sobrancelhas.

- Uma mulher inteligente nunca tem apenas um único conjunto sedutor de lingerie - admitiu ela.

- Tenho outro conjunto como esse, só que vermelho.

Um sorriso charmoso se insinuou nos lábios dele.

- Então por que não o veste? Estou com fome.

Preparar crepes vestida com uma lingerie sensual tinha lá seus riscos, mas também era compensador.

Rin logo teve a chance de descobrir como era ser acariciada junto à porta da despensa: incrível. E "nocauteada" sobre o tapete da sala. Inacreditável.

Oh, e fazer amor sob o jato quente e intenso da água do chuveiro foi uma experiência que ela logo se mostrou ávida por repetir.

Sesshoumaru passou a noite acariciando-a, nunca pa­recendo completamente satisfeito mesmo tendo Rin bem ali, a seu lado. E a atitude dela em relação a ele também não era muito diferente dis­so. Os dois estavam tão sintonizados que, por ve­zes, chegavam a dizer uma mesma palavra ao mesmo tempo. Então, logo caíam na risada, com­partilhando uma atmosfera de cumplicidade.

As velas perfumadas já haviam se apagado em meio a pequenas poças de parafina e a única luz presente no quarto era a da lua, entrando sua­vemente pela janela e pairando sobre parte da cama onde Rin finalmente adormeceu, exausta.

Quando acordou, estava sozinha. Sabia que não deveria haver se importado com o fato de Sesshoumaru não ter dormido com ela. Afinal, não era mesmo para ser assim entre eles. Sabia disso, aceitava isso. Nada de palavras de carinho ou de atitudes que pudessem unir suas almas mais intimamente.

A intimidade entre eles se limitava ao nível físico e as questões ligadas ao coração eram pro­blema dela, somente dela.

Como Sesshoumaru poderia saber que ela nunca se entregara tão completamente a nenhum outro ho­mem? Por que deveria esperar que ele percebesse que a intensa atração entre eles, pelo menos de sua parte, era sinal de amor?

Pensando nisso, massageou os olhos cansados por alguns segundos e saiu da cama.

Havia entrado no relacionamento com os olhos abertos, concluiu, enquanto arrumava o quarto. Conhecia as limitações do contexto e as de Sesshoumaru. Os dois poderiam permanecer juntos e des­frutar a companhia um do outro, desde que certos limites não fossem cruzados.

Então, que assim fosse. Não iria ficar se preo­cupando e suspirando por causa disso. Tinha o controle de suas próprias emoções, era responsável por suas ações, e não iria ficar chorando pelos cantos só porque estava apaixonada por um homem fasci­nante sem ser completamente correspondida.

- Droga! - Jogou os sapatos dentro do guar­da-roupa. - Droga! Droga!

Deitando-se sobre a cama, pegou o telefone, le­vada por um impulso. Precisava falar com alguém, desabafar de alguma maneira. E quando se tra­tava de uma questão vital, como essa, só havia uma pessoa a quem ela poderia recorrer.

- Mamãe? Oh, mamãe, estou apaixonada - disse e explodiu em lágrimas.

Os dedos de Sesshoumaru se movimentavam com agi­lidade sobre o teclado. Tivera menos de três horas de sono, mas sentia-se renovado e com a mente clara. Seu primeiro roteiro mais importante havia sido como que arrancado de seu ser, palavra por palavra, em um processo quase doloroso. Mas des­sa vez estava sendo diferente. As palavras fluíam com a mesma facilidade de um bom vinho saindo de uma garrafa para um cálice fino, pronto para ser saboreado e elogiado.

A peça estava cheia de vida. E pela primeira vez em muito tempo, também era assim que ele estava se sentindo.

Estava conseguindo ver tudo com perfeição: os cenários, o posicionamento dos atores no palco e o modo de eles interpretarem seu texto. Estava criando um mundo em três atos.

Havia energia em tudo aquilo, dentro de cada um daqueles personagens que se formavam nas páginas de seu roteiro e que já criavam vida no palco, dentro de sua mente. Conhecia cada um deles e a maneira como seus corações iriam se entregar e se desiludir.

O tênue fio de esperança que permeava suas vidas ainda não havia sido planejado, mas se en­contrava lá, em algum recanto da mente de Sesshoumaru, e pronto para ser expressado.

Escreveu até sentir-se zonzo. Então olhou para a sala, meio desorientado. Estava escuro, exceto pela pouca luz oferecida pela luminária sobre a mesa e pela tela do computador. Não tinha idéia de que horas eram e nem mesmo da data, para dizer a verdade.

Seu pescoço e ombros estavam doloridos, seu estômago vazio e seu café havia sido esquecido na xícara sobre a mesa.

Ficando de pé, massageou a nuca e foi até a janela, onde afastou as cortinas. Somente então notou que havia uma tempestade se preparando para castigar a cidade. Os flashes de alguns re­lâmpagos anunciavam que ela não tardaria a che­gar, fazendo os pedestres acelerarem os passos, devido ao receio de serem apanhados pela chuva.

Um camelô na esquina não perdera tempo em anunciar seus guarda-chuvas, objeto do qual todo mundo em Tóquio só parecia se lembrar no último instante em que precisava dele.

Imaginou se Rin também estaria olhando a cidade através da janela e vendo aquela mesma cena. Então começou a devanear, vendo em sua mente a imagem de Rin interpretando um fato simples, como uma chuva na cidade, sob um as­pecto todo engraçado e gozador.

Provavelmente ela criaria "O Homem do Guar­da-Chuva", concluiu ele, com um sorriso se insinuan­do nos lábios. Criaria toda uma biografia para ele, vestiria o sujeito de preto, daria-lhe um nome es­quisito e criaria uma série de histórias com ele. En­tão ele passaria a fazer parte do mundo de Rin.

Sem dúvida, ela tinha o dom de trazer as pessoas para seu mundo. Ele próprio estava fazendo parte dele no momento. Não conseguira deixar de passar por aquela porta colorida que dava acesso à vida de Rin e entrar naquele universo confusões, ale­grias e muita energia. Rin parecia não compreen­der que Sesshoumaru não pertencia àquele mundo.

Quando se encontrava dentro dele, cercado pela energia contagiante de Rin, era como se pudesse ficar ali para sempre. A vitalidade de Rin fazia tudo parecer simples e extraordinário ao mesmo tempo.

Como uma tempestade sobre a cidade, pensou ele. Mas tempestades passavam.

Ele quase se deixara levar naquela manhã. Quase se rendera ao desejo de continuar naquela cama quente, junto àquele corpo perfeito que se aninhara ao seu durante o sono.

Rin era tão carinhosa, tão receptiva... O que lhe invadiu a alma enquanto ele a olhava sob a luz suave da lua entrando pela janela, fora um tipo diferente de desejo. Um desejo que ameaçava ficar e, perigosamente, estabelecer território. Por isso, fora mais seguro para ambos ele sair e dei­xá-la dormindo sozinha.

Fechou as cortinas com um gesto decidido e des­ceu para o andar de baixo. Preparou café fresco, procurou algo para comer e pensou em tirar um cochilo. No entanto, as lembranças da noite que passara ao lado de Rin não lhe saíam da mente e ele sabia que os efeitos disso não o deixariam descansar por algum tempo.

O que ela estaria fazendo naquele momento? Não iria bater à porta do apartamento dela e in­terromper seu trabalho só porque o dele estava terminado. Só porque a visão daquela chuva o fizera se sentir inquieto e sozinho. Só porque ele a queria.

Gostava de ficar sozinho, lembrou a si mesmo, enquanto atravessava a sala. Necessitava da so­lidão para realizar seu trabalho.

Ainda assim, o desejo de se sentar ao lado de Rin para observar aquela chuva continuou a tor­turá-lo. Sentiu o corpo esquentar ao se imaginar fazendo amor com ela com o barulho da chuva batendo contra a janela do quarto. Perfeito.

Ele a queria, admitiu, e com intensidade demais para seu próprio conforto. Quando uma mulher entrava tanto assim na vida de um homem, mu­dava-o inevitavelmente, deixando-o vulnerável a cometer erros e a expor partes de si que seria melhor serem mantidas na obscuridade.

Mas Rin não era Kagura. E ele não era ne­nhum idiota que acreditava que toda mulher fosse mentirosa e manipuladora. Se conhecia alguém sem nenhum potencial para a crueldade e o fin­gimento, esse alguém era Rin Mizuki. Mas isso não mudava o fator principal.

A distância entre querer ter por perto e amar era muito curta. Quando um homem passava por isso e sofria uma grande decepção, aprendia a manter o equilíbrio entre ambas as coisas, para seu próprio bem. Não queria aquela sensação de desespero e de vulnerabilidade que andava de mãos dadas com a verdadeira intimidade.

Mas já se acreditava incapaz de sentir tais coisas, o que significava que não havia com que se preo­cupar. Tomando um gole de café, olhou para a porta como se pudesse enxergar através dela. Rin não estava pedindo nada além de paixão, companhei­rismo e prazer. Exatamente como ele. Estava ciente de que o envolvimento entre eles era temporário. De que ele iria embora dentro de algumas semanas e que suas vidas retomariam a rotina de antes, se­guindo por caminhos diferentes. Ela com sua mul­tidão de amigos, ele com sua segura solidão.

Colocou a xícara sobre a pia com mais ímpeto do que o necessário, e foi somente então que se deu conta de que a idéia não o agradara.

Poderiam continuar se vendo de vez em quando, disse a si mesmo, andando de um lado para outro. Sua casa, em Chiba, era um refúgio seguro, longe de toda aquela loucura da cidade. Não fora justamente por isso que a escolhera?

Já passara tempo demais na cidade, e não havia motivo para continuar ali além do necessário. Além disso, havia também a possibilidade de Rin acabar encontrando outra pessoa, concluiu, en­fiando as mãos nos bolsos. Afinal, por que uma mulher maravilhosa como ela iria ficar esperando suas visitas esporádicas?

Mas isso não o incomodava, pensou ele, sentindo as têmporas latejarem. Quem estava pedindo a ela que o esperasse? Claro que Rin tinha a li­berdade de se envolver com o primeiro idiota que a procurasse, provavelmente por indicação de al­guma amiga ou vizinha abelhuda.

Ah, mas isso não, concluiu. Não mesmo.

Sem hesitar, foi até a porta do apartamento dela com a intenção de deixar algumas coisas bem claras. E a abriu bem a tempo de ver Rin caindo nos braços de um homem alto e atlético.

- Continua sendo a garota mais bonita de Tóquio - disse ele, fitando-a com um olhar cari­nhoso. - Agora me dê um beijo.

Rin se mostrou mais do que disposta a obe­decer, segundo Sesshoumaru pôde notar de onde estava.


Hummm, finalmente chegamos ao ápice! Hehehe!!!

Quero agradecer a todos que estão acompanhando a fic!

Espero que vocês tenham gostado!!!

Nota da beta: A nossa autora está padecendo de um mal conhecido por todas nós mulheres: Cólicas, por isso ela não respondeu neste capítulo a cada review em espécifico! E eu sei que sou muito louca 8D E não quero me aventurar de novo respondendo as reviews! Vou acabar espantando vocês!!!! 8D Só um recado: Euzinha aqui moro pertíssimo da casa dela! Menos de dois minutos!!!

Beijos nossos à todas vocês!