Capítulo 5 ---- Decisão

Roxas e Anti ficaram dias sem se ver. Roxas se enfiou em algum buraco na cidade, onde ninguém o encontraria. Anti voltou a viver normalmente, estudando ou tentando estudar. Não era tão normal, na verdade...Não tinha seu irmão, e todos na cidade passaram a odiá-lo por ter feito amizade com o inimigo...Mas Anti sentia como se eles jamais tivessem sido amigos...

Um dia, porém, algo aconteceu.

"E então, ela disse..." Olette dizia. Os únicos que falavam com ele agora era seu grupo.

"ANTI." Fujin disse, do nada.

"Hã? O que foi, Fuu?" Perguntou Anti.

"PEGUE." Ela disse, dando um pedaço rasgado de papel para ele.

"Mas o que é isso...?"

No papel, haviam garranchos que não pareciam letras de jeito nenhum. Ele leu com muita dificuldade.

"Eu sei que não quer mais me ver, mas se quiser falar comigo, me encontre ás 9 da noite na parte leste da cidade."

...Aquilo era do... Roxas...

"Fuu, como conseguiu isso?"

"ROXAS." Ela respondeu, sem olhar para Anti.

"Eu sei, eu quero saber do papel!"

"VISITA."

"Hã? Pérai, Roxas + Visita é igual á..." Anti parou um pouco para pensar na conta matemática idiota que fez. "O Roxas foi na sua casa!?"

"SIM."

"Mas... O que será que ele quer...?"

"ANTI?"

"Que foi?"

"...feliz."

"H-Hã!? E-Eu odeio ele, não estou feliz--- !"

"...mentira..." Ela disse, sorrindo.

"Fuu... O que eu devo fazer...?"

"...CORAÇÃO."

"...Sim...Obrigado..." Anti também sorriu.

Fujin encarou o resto da sala, que olhava para eles com desprezo.

Eles imediatamente olharam para o outro lado, com medo que Fujin os atacasse.

A aula acabou e Anti estava indo pra casa. Mas Fujin o parou.

"MERLIN." Ela disse.

"Não quero ir lá hoje, Fuu." Ele respondeu.

"Desde que o Roxas apareceu, você nunca mais foi lá." Disse Olette.

"Mas eu...Não estou a fim..." Disse Anti, coçando a nuca.
"Mas você vai!" Disse Wakka, arrastando o colega.

"Fora que você não ganha nada ficando em casa, só pedradas na janela." Disse Yuffie.

Merlin ficou falando sobre magia, como sempre, mas Anti nem prestou atenção. Só estava lá porque os amigos o obrigaram.

Todos começaram a ir embora, inclusive Anti.

"Espere, Anti." Disse Merlin, segurando o garoto pelo ombro.

"Que foi?" Ele perguntou.

"O Roxas te chamou, não foi?"

"Como sabe disso?"

"Ontem ele me fez uma visita. Depois de me xingar até cansar, ele contou que queria acertar as coisas com você."

"Então são essas as intenções dele? Acertar as coisas?"

"Sim... Mas Anti...Ele também disse que queria acabar com tudo hoje."

"ACABAR? Como assim!?"

"Ele quer acabar com tudo. Essa separação está sendo um incômodo para os dois... Ele disse que queria decidir hoje, se vocês ficavam juntos, ou se separavam pra sempre."

"Separar!? Mas está ótimo do jeito que--"

"Pra você. Não pra ele. Ele é um vampiro, mas mesmo assim tem sentimentos."

"Uh...Tá, sinto muito... Mas diz, qual é a idéia?"

"Roxas me pediu para fazer duas poções. E você deve beber uma delas." Merlin pegou dois frascos. Um deles tinha líquido roxo, o outro era azulado.

"E pra que servem elas?"

"Anti, quero que preste muita atenção. Roxas está morrendo de fome e se recusa a morder outra pessoa. A única solução seria te morder. Agora me escute. Se você beber a poção azul, assim que Roxas tocar seu sangue, ele morrerá como se tivesse sido exposto ao sol. Se beber o roxo, você morrerá, mas Roxas voltará a ser humano ao amanhecer."

"Quer dizer que um de nós tem que morrer?!" Anti gritou, assustado.

"Foi a solução que ele deu. Ele não agüenta mais do jeito que está...E duvido muito que você esteja gostando. Não é? Você não ouve a voz de Roxas toda noite antes de dormir? Não se pergunta aonde ele estaria?"

Anti olhou para baixo. "Eu não quero que nos separemos... Mas eu vou ser mais rejeitado se ficar com ele..."

"Anti, a escola é sua." Entregou a ele os frascos. "Agora vá. Não pode demorar muito ou não vai conseguir encontrar Roxas a tempo."

"Sim..."

Anti voltou para casa e ficou encarando os frascos. Azul? Roxo? O que fazer?

Ele ficou lá por muito tempo. Não sabia quanto tempo tinha passado. Ficou horas e horas lá, pensando. Não conseguia decidir. Não podia decidir.

Ele não queria morrer...Nem matar Roxas... Mas não podiam ficar juntos, e ficarem separados mas próximos era muito doloroso...

Quando percebeu, já eram nove horas. Ele se desesperou. O leste extremo da cidade ficava um tanto longe. Ele chegaria lá a tempo?

Ele vestiu a mesma roupa que estava no jantar que teve com Roxas. Ela estava rasgada, mas era assim que ele gostava. O cheiro de Roxas ainda estava naquela roupa, e por algum motivo não saiu nem depois de ter sido lavada mais de três vezes.

Anti saiu correndo assim que pode. Ele não podia se atrasar... Já tinha pisado muito na bola com Roxas, e não queria causar mais problemas...

Ele corria e corria, mas nunca chegava no fim da cidade. Achou que nunca conseguiria. Ele caiu várias vezes, rasgando ainda mais suas roupas, mas não se importava. Queria chegar... Dessa vez ele faria algo certo...

Ele despencou no chão quando chegou. Estava cansado... Suas pernas estavam bambas, ele estava tonto...

Um vulto se aproximou dele. Ficou pronto para fugir, mas reconheceu-o pela voz.

"Achei que você tinha esquecido..."

"R-Roxas!" Anti disse. "Você me assustou!"

"...Venha comigo..."

Roxas se dirigiu a uma das paredes rochosas que fechava a cidade. Anti o seguiu. O vampiro encontrou uma fenda, por onde ele e seu acompanhante entraram.

Eles andaram por um tempo, até chegarem a uma área aberta, do outro lado da montanha. Era muito bonito. Eles podiam ver a lua bem em frente.

"Quando eu fui embora, precisava de um lugar pra ficar. Enquanto fugia das pessoas que tentavam me matar, achei esse lugar." Contou Roxas, olhando para o céu. "Durante o dia, eu ficava naquele túnel pelo qual acabamos de passar. E quando anoitece...Eu venho pra cá."

"Roxas... Você me desculpa?" Perguntou Anti, de cabeça baixa.

"...Claro..." Roxas deu um sorrisinho.

"Obrigado..."

"Então...O Merlin te contou, não é?"

"...Roxas...Por que tem que ser assim?"

"Você sabe muito bem. Não dá pra vivermos em paz desse jeito. Enquanto estivermos vivos e separados, vamos ficar perturbados até um de nós morrer."

"Deve...Deve haver outra maneira..."

"...Anti...Qual foi a sua escolha...?"

"Ainda não decidi. Não consigo, é impossível, eu não posso escolher entre um e o outro!"

"Anti, eu estou contando com você."

"Você NÃO PODE! Eu não vou conseguir!"

"Eu sei que você pode fazer isso."

"ROXAS! Cala a boca e me escuta! Eu não posso te matar!"

"Você quer que eu acabe com você agora!? Não esqueça que estou de barriga vazia!"

"Sabe de uma coisa!? Eu vou é te matar! Eu vou ser muito melhor sem você!"

"Vai nessa! Quem sabe alguma pessoa ALGUM DIA goste de você!"

"Como é!?"
"É isso mesmo!"

"Pois é, acho que eu sou demais pra você não é, senhor vampiro?"

"Quer saber? Que se dane!"

"Ótimo!"

"Ótimo!"

"Ótimo!"

"...Eu vou te levar pra casa..."

"Eu posso ir sozinho!"

"Não, não pode. Você caiu assim que chegou aqui, como acha que vai voltar?"

"Eu disse que posso ir sozinho!" Anti tentou correr para a fenda, mas caiu. Suas pernas estavam muito cansadas.

"É disso que eu estou falando."

Após hesitar, Anti permitiu que Roxas o carregasse em suas costas até sua casa.

Apesar de fraco, Roxas continuava muito veloz. Anti ainda se massacrava por ter que escolher o rumo que essa história teria que tomar...

Roxas o deixou na porta de casa. Ele estava muito cansado...Cansado da vida...

"Roxas... Esse é mesmo o fim?" Anti murmurou, quando desceu das costas de Roxas. Ele o segurou, para que não fosse embora cedo demais.

"Só se você quiser."

Anti se espantou. Após alguns momentos, soltou Roxas.

"Quando você volta pro seu jantar?"

"Só me espere...que eu venho..."

Roxas sorriu, e foi embora, desaparecendo entre as casas. Anti entrou e arrumou toda a casa. Dependendo de sua decisão, não teria outra chance de fazê-lo...

Voltou para casa e encarou os frascos. Azul. Roxo. Azul. Roxo. Qual deles...

Anti não tinha condições de escolher, simplesmente não podia...