Capítulo 7
A PRÓXIMA VÍTIMA

Dino estava deitado sob a sombra da copa de uma árvore, enquanto Zezinho molhava os pés no córrego que passava pelos jardins da escola e estranhava o fato de sua namorada Parvati se recusar terminantemente em descalçar os sapatos. Já Rony trocava umas idéias com Ana Luisa, a vadia, uma vez que Hermione ainda não voltara de sua missão de resgate.

Parvati se afastou de Zezinho, cansada de inventar pretextos absurdos para não tirar o sapato ("estou com medo de ser atacada por uma libélula africana gigante comedora de calçados, e ficar sem meu par de botas de couro predileto"). A menina se aproximou do rapaz sob a copa da árvore e disse, ajoelhando-se ao seu lado:

– Dino, dá uma ajudinha aqui pra sua nova melhor amiga!

Dino olhou para Parvati com uma expressão meio cabreira no rosto e perguntou:

– E quem disse que você é minha nova melhor amiga?

Parvati sentou-se delicadamente e cruzou as pernas de um jeito faceiro, enquanto respondia com um sorriso maroto:

– Bem, desde que fomos divididos em dois blocos e a Mary Sue, a Bellatrix e a Lilá ficaram no outro bloco de personagens, só restei eu! A não ser que você considere a Hermione sua amigona!

– Nem sei quem é pior! – Dino pensou, espreguiçando-se todo. – Enquanto você decide aí por mim se você é minha nova melhor amiga, ou só mais ou menos amiga, ou inimiga mortal, ou prima de quarto grau, eu vou dar uma esticada nas pernas por aí.

Dino distanciou-se da moça e rumou para o banheiro para "tirar uma água do joelho". Cantarolava uma musiquinha e ia adentrando no banheiro masculino quando ouviu uma risadinha curta e gemidinhos vindos do banheiro feminino.

– Ei! O que é isso? – pensou, colando o ouvido na porta do banheiro.

Voltou a escutar as risadas femininas.

– Será que duas sapatas estão se pegando lá dentro?

Dino entrou sorrateiramente dentro do banheiro. Pé ante pé, ele se aproximou da cabine de onde saíam os barulhinhos e colou o ouvido à parede. Tentou espiar pela fresta da porta, mas não viu nada. Os gemidos ficavam cada vez mais altos e frenéticos.

– As garotas estão precisando de uma mãozinha? – perguntou Dino, que já não se agüentava mais, e escancarara a porta da cabine do banheiro.

Para sua surpresa, não havia ninguém lá dentro, mas um gravador ligado em cima de uma bomba relógio cujo cronômetro marcava 00:05.

5!

Dino não estava entendendo muito bem o que se passava, mas sabia que tinha de sair dali em questão de segundos.

4!

Estava difícil de pensar sob toda aquela pressão; uma gota de suor escorreu pelo rosto do menino.

3!

Dino podia sentir as engrenagens do cérebro virando. Alguma coisa lhe ocorrera!

2!

Isso! Era uma ideia vindo! O cérebro finalmente respondera! Em câmera lenta para aumentar a tensão do espectador, Dino começou a abrir a boca!

1!

– DROGA!

Rony, Parvati e Zezinho se levantaram num pulo ao ouvir a imensa explosão. Correram pelo pátio até chegar em frente aos escombros do banheiro. Um gigantesco cogumelo de fogo se erguia nos céus, envolto por uma grossa nuvem de fumaça e fuligem.

– Meu Deus! – gritou Parvati. – Jogaram uma bomba no colégio!

– Deixa de ser burra, Parvati! – censurou Zezinho. – Agora a moda é jogar avião!

– Oh, Deus! – a morena ajoelhou-se no gramado; os olhos encharcados de lágrimas. – O Dino estava no banheiro!

Todos ficaram atônitos por alguns instantes, se entreolhando. Rony tomou a dianteira e começou a gritar por Dino, sem resposta. Zezinho colocou a mão sobre o ombro de Parvati e balançou a cabeça com pesar, indicando que aquilo era inútil.

– Ele se foi! – falou o jovem.

Ana Luisa, a vadia, se aproximou de Rony:

– Será que foi a Al Qaeda?

– Sei lá! Isso tem mais cara de Hezbollah! – falou Rony.

– Se me perguntassem, eu diria que é coisa daquele grupo separatista basco, o ETA! – disse Zezinho, ignorando totalmente o comentário idiota de Pitty.

Todo o alvoroço revoltou Parvati:

– Querem fazer o favor de parar de especular sobre quem explodiu esse diabo de banheiro¿ Eu estou inconsolável aqui, no meu luto!

Um belo rapaz moreno, alto, forte e de lindos olhos azuis se aproximou e segurou a mão de Parvati:

– Sinto muito! Não queria ferir seus sentimentos! Ainda mais você que é uma moça tão linda!

– Bobagem! – gritou Parvati se atirando nos braços do lindão, para o constrangimento de Zezinho. – Não que eu não te ame, querido, mas a fila anda! Tenho certeza de que o Dino não gostaria que a gente ficasse remoendo o passado! E depois, tudo não passou de um acidente, não é mesmo?

– Eu creio que não, minha jovem! – interrompeu um baixinho que segurava uma lupa e limpava um monóculo na barra da camisa.

Todos os presentes – Rony, Ana Luisa, a vadia, Zezinho, Parvati e o moreno lindão – se aproximaram do baixinho, que logo tratou de se apresentar.

– Meu nome é Porróido Popopóido, sou detetive particular e fui contratado pela diretora para investigar o atentado à escola!

– Já? O atentando aconteceu não faz nem dez minutos! Essa diretora é super eficiente! – comentou Rony.

– É, – acrescentou Parvati, – essa diretora é mesmo supereficiente, ao contrário do caduco do Dumbledore, que esperava a Boca do Inferno abrir no meio do colégio para levantar a bunda da cadeira e começar a suspeitar de que algo poderia estar errado!

O Detetive Popopóido encaminhou a intrépida trupe ao refeitório do colégio (palco dos grandes acontecimentos da fic), para iniciar um minucioso interrogatório sobre onde estavam, o que faziam, quais álibis tinham e quais motivos teriam para matar o infeliz do Dino e para destruir o banheiro do colégio.

– Bem, odiava a decoração do banheiro! – lembrou-se Parvati. – Mas não creio que isso despertasse em mim o impulso destrutivo a ponto de explodi-lo!

– Qual o propósito de todo esse interrogatório? – quis saber Zezinho, antes de responder qualquer pergunta.

– Ah, nada de importante! – respondeu Porróido Popopóido. – É só pra fazer hora até a noite!

Todos ficaram olhando para o infeliz com uma cara de quem não estava entendendo absolutamente nada.

– É simples! – explicou. – Toda história de detetive se passa à noite!

– Aaaaaaaahhhhh! – todos lançaram aquele já familiar olhar de "finalmente foram dadas respostas a todos os questionamentos do planeta".

– É meio-dia! Vai ser um saco ficar esperando até de noite! Não tem um jeito de fazer esse tempo andar mais rápido?

Claro que tem! É só dar um pulinho até o outro núcleo da fic! Quando a gente voltar já é noite!

Harry se apoiava sobre o leme de um navio antigo. Draco, trajando roupas de primeiro-imediato, se aproximou e disse:

– Capitão Barba-Harry! Fantástica manobra! O barco da marinha ficou para trás! Não há a menor chance de ele nos alcançar agora!

Draco se aproximou e sussurrou no ouvido dele:

– Essa parada de vidas passadas é muito irada! Eu sempre quis ser pirata!

– Eu também! – sorriu o moreno. – Espero que na próxima sejamos astronautas!

– Ou bombeiros!

– SEREIAS A ESTIBORDO! – anunciou o imediato no topo do mastro principal.

– Estibordo é direita ou esquerda? – perguntou Draco.

– Será que tem algum sereio com elas? – perguntou Harry, ao mesmo tempo; os olhos brilhando.

Draco levantou as sobrancelhas, ao que Harry emendou:

– É só curiosidade! Eu nunca vi um sereio! Só isso! Não tem nada a ver com eles serem lindos e andarem pelos mares sarados e seminus!

– Esse negócio do Rony ter desgayzado deve ter sido um martírio pra você, não é mesmo? – perguntou Draco, cruzando os braços.

– Bem, – Harry meneou a cabeça, – são coisas da vida! Eu estava pensando... Nós estamos nos dando tão bem agora... Eu e você, eu digo! Sem todas aquelas brigas bobas... E eu até andei reparando... Você é até bem gatinho... E nós estamos aqui só nós dois... Nós podíamos...

– SEREIAS A ESTIBORDO! – gritou Draco, interrompendo-o e se pirulitando às pressas do convés. Enquanto se afastava falou para si mesmo. – Que papo mais doido, rapaz!

– Oi, Harry! Oi, Draco! – gritavam as sereias Mary Sue, Bellatrix e Lilá. Elas também acenavam entusiasticamente. Os rapazes acenaram de volta.

– Haha! – Draco riu-se. – O que será que está acontecendo com o outro núcleo da fic hein?

CORTA! Quer saber como está do outro lado da fic? Então vamos lá!

Finalmente caíra a noite. Após longas horas a fio de interrogatório e acusações entre os presentes de quem teria cometido o atentado, era chegado o momento de se começar o momento suspense da fic. O detetive Porróido Popopóido tomou a palavra.

– Bem... Acho que devo começar alertando que, como regra oficial das fics de suspense, o assassino está entre nós!

– Ah! Então é esse cara novo aí! – falou Zezinho apontando pro bonitão do lado de Parvati. – Ele é mó personagem nada a ver, inventado pra levar a culpa!

Nesse momento as luzes caíram! Tudo ficou um breu e o mulherio gritou histericamente no topo de seus pulmões. Quando a luz voltou, o rapaz estava tombado para frente com uma faca de açougueiro enterrada nas costas e os olhos esbugalhados.

– UAAAAAAAAHHHHHHH! – gritou Parvati. – Esse cara era lindo! Por que o mataram, seus autores sádicos? Mal pude aproveitar! Ninguém merece!

Rony saltou de seu lugar por cima da mesa, agarrou Parvati e lascou um beijão de língua na menina.

– Acalme-se, mulher! – falou ele.

Ela balançou a cabeça ainda um pouco sem reação do beijo que ganhou. Ele a girou de volta e a sentou em seu lugar.

– Pode continuar, Detetive Porróido! Se não era esse cara, quem é?

– Sei lá! Também achava que era ele!

Todos os presentes se entreolharam surpresos. Ana Luisa, a vadia, levantou a mão indicando que queria falar. O Detetive passou-lhe a palavra. Ela se levantou, balançando seus peitões, e mandou a real:

– Não quero dar uma de Hermione e ser a chata da parada, mas "também achava que era ele?"... Que espécie de detetive você é? Você tem de SABER quem é o assassino, não simplesmente ACHAR!

– Sabe quem eu acho que foi? – Zezinho também levantou a mão pedindo a palavra. – Eu acho que foi esse moço parado de trás do Detetive Popopóido com uma motosserra!

Só então que perceberam que havia um homem com uma máscara esdrúxula segurando uma gigantesca serra elétrica ao lado do ilustre investigador.

– Oh, puxa! – Parvati chocou-se com o fato de o personagem mais aleatório de todos ter percebido o assassino antes do resto!

– Não contava com essa! – exclamou o Detetive, segundos antes da luz cair.

No breu, a motosserra ia a mil por hora, mas os gritos agudos do mulherio eram ainda mais altos.

Quando a luz voltou, tinha uma poça monstruosa de sangue no chão, meio Porróido dum lado, meio Popopóido do outro. E nem sinal do serial killer.

– O que devemos fazer? – indagou Parvati.

– Vamos nos separar! – respondeu Rony.

– Ficou maluco? Para matarem a gente mais fácil? – chocou-se Zezinho.

– Essa é a regra das fics de suspense – explicou Parvati.

– Tô com medo, gente! – desabafou Ana Luisa, a vadia. – Nesse tipo de enredo, só a virgenzinha sobrevive! As vadias sempre morrem!

– Gente! Por favor! Vamos nos concentrar! – Zezinho chamou para si a liderança do grupo. – Daqui a pouco o assassino volta e pega todo mundo aqui com uma metralhadora giratória! Eu sugiro o seguinte: alguém fica pra trás no sacrifício para deter o matador enquanto geral vaza do jeito que der para os dormitórios, onde a gente monta uma barricada na porta pra ele não entrar!

– BOA! – Parvati gostou do plano. – Mas quem vai ficar pra trás?

O assassino arrombou a porta com um violento chutão e sacou sua Sig Sauer 5000, com a qual disparou duas saraivadas de tiros para o ar. Só então percebeu que o salão do refeitório estava vazio, exceto de uma figurante infeliz que estava amarrada e amordaçada numa das cadeiras com um adesivo colado na testa escrito "MATE-ME!".

O mauzão arrancou o adesivo da cara dela e a mordaça. No mesmo instante, Pitty começou a gritar histericamente:

– UAAAAAAAAHHHHHHHH! Socorro! Ele vai me matar!

– Não vou, não! – falou o assassino. – Não tem por que fazer isso. Você é apenas uma figurante... Eu posso até te perdoar, se você me contar onde estão os outros!

– UAAAAAAAAHHHHHHHH! Ele tem um trabuco! Socorro!

– Ficou surda? Já disse que não vou te matar!

– !

– Pára com isso!

– !

– PÁRA DE GRITAR!

– !

– Ah, então morre, sua idiota!

Irritado, o assassino enfiou uma banana dinamite na boca da figurante e acendeu.

Zezinho estava tentando se esconder num dos jardins da escola quando ouviu um estalo.

– Quem está aí? Acha que pode me matar? Eu é que vou te matar! – o garoto arrancou a camisa e enrolou uma faixa em torno das mãos. – Eu luto Tae Kwon Do! E faço Kick Boxing! Quero ver você vir aqui me enfrentar!

Nesse momento, surgiu o assassino pilotando um trator-escavadeira:

– Quero ver você usar seu Kick Boxing, agora!

– Mas que tipo de serial killer persegue suas vítimas com um trator-escavadeira? – perguntou Zezinho, desesperado.

– O que já vem preparado para fazer uma vala para jogar os corpos! – explicou o maníaco mascarado.

Parvati recuava nervosamente, quase indo ao teto de susto a cada ruído que ouvia. Trancou-se no quarto, passou a chave, enfiou uma tranca, passou um ferrolho, colocou uma cadeira sob a maçaneta, impedindo-a de girar, e ajuntou atrás da porta um sofá, um fogão e uma geladeira, formando uma barricada para impedir o arrombamento e jogou um pano por cima pra disfarçar o atentado à decoração que cometera colocando todos aqueles móveis juntos.

Ouviu um barulho e percebeu que não estava sozinha no cômodo. Para seu alívio não era o maníaco, mas Rony, que escrevia uma mensagem num pergaminho.

– RONY! – gritou ela. – O que está fazendo aqui?

– Estou escrevendo uma carta para a Gina! Inicialmente era pra alertá-la do perigo pra ela continuar escondida no Japão!

Parvati fez uma cara de "Nossa! Ela realmente cavou aquele buraco até chegar ao Japão?", enquanto Rony continuava a falar:

– Mas tive uma idéia melhor! Vou pedir a ela pra enviar o Jaspion ao nosso resgate! Pichi! Chega aqui, Pichi! Quero que você envie uma carta pra mim!

Surgiu um velhinho de cabeça branca, empurrando uma bicicleta.

– Quem é você? Cadê minha coruja? Preciso que envie uma carta pra mim! – falou Rony.

– Eu sou o Jaiminho, o carteiro do Chaves! Aqui não tem essa de coruja, não!

– Ah tá... – Rony estendeu o pergaminho para o Jaiminho. – É pra entregar no Japão, viu?

– No Japão? – chocou-se o carteiro. – Não dá pra ser mais perto? É que eu quero evitar a fadiga!

– NÃO! E vai logo! – Parvati arrancou o papel da mão do ruivo e entregou para o velho carteiro.

Ele empurrou sua bicicleta até a janela, de onde se lançou, batendo os braços como se fosse uma coruja prestes a voar. Caiu como uma jaca podre no chão, emitindo um som surdo e seco e um longo gemido.

– Aaaaaaaaaaaaaiiiiiii!

Parvati admirou hipnotizada o velhote se levantar, reclamar que a sua bicicleta sofreu perda total, montar num hipogrifo que por ali figurava e alçar vôo rumo a sua destinatária no Japão. Então, virou-se para Rony e falou:

– Um pouquinho acima do peso!

– É! Tá fortinho ele! – concordou Rony. – Mas é da idade!

Enquanto isso, Ana Luisa, a vadia, subia as escadas do Dormitório Feminino aterrorizada, enquanto o assassino se aproximava!

– Eu vou te matar! – falou ele com aquela voz sinistra, típica de assassinos de filme de terror!

A menina entrou correndo dentro do banheiro, arrancou as roupas , entrou no box, girou a torneira, deixando a água cair sobre o corpo.

O assassino abriu a porta do banheiro, perguntando-se que tipo de maluco corre pro chuveiro quando está sendo perseguido por um maníaco homicida. Levantou a faca à altura do rosto, preparando-se para golpear. Arrancou a cortina com um violento puxão. Lá estava Ana Luísa, a vadia, dançando como quem tá se divertindo horrores na night, vestindo uma camiseta branca.

– Tá bom, eu desisto! – Até o matador estava chocado com toda aquela nudez gratuita. – Quer fazer o favor de me explicar essa performance toda? Eu até entendo a parada do chuveiro! É tipo Psicose e tal... Mas ninguém toma banho desse jeito, remelexendo que nem uma minhoca!

– É que, quando eu tomo banho, eu me sinto uma Gata Molhada! – explicou Ana Luisa, a vadia, apontando pra sua blusa, na qual se podia ler claramente Wet T-Shirt Contest. – O meu sonho era me tornar dançarina de palco do Gugu! Aí houve toda aquela farsa do PCC e eu resolvi me transformar em modelo-atriz-manequim ou em namorada de pagodeiro, ou de jogador de futebol, ou de cantor sertanejo.

– Que interessante! Posso te matar agora?

– Claro!

E ele a degolou num golpe só.

Rony colocava o corpo de Hermione por cima do ombro, enquanto Parvati arrastava Lilá pelos braços rumo à porta. A Márcia narrava o "seqüestro dos corpos hipnotizados por Dra. Phalange pelos seus companheiros da Al Qaeda".

– Márcia! Quer parar com isso e ajudar a gente aqui? Daqui a pouco chega o maníaco e aí quero só ver!

Nesse mesmo momento o misterioso assassino surgiu na porta segurando sua Change Bazooka.

– Vou matar todos vocês!

– Vejam só telespectadores! – gritou a Márcia. – Um assassino em série! Que interessante, não?

Márcia puxou uma cadeira, sentou o matador nela e mandou a câmera dar um zoom em sua máscara.

– Agora, diga-nos! – Márcia tomou as rédeas da situação. – Compartilhe o seu problema com o Brasil! Você está aqui para dizer: BASTA! EU CHACINEI TODOS OS MEUS COLEGAS, MAS TENHO DIREITO DE SER FELIZ!

– ÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊ! – Rony e Parvati bateram palmas como as velhinhas da platéia da Márcia normalmente fazem!

– Por que você matou geral, Sr. Assassino? É porque você é um safado sem estudo ou porque sofria abusos sucessivos dessa cambada de idiotas que não gostavam de você?

– Na verdade, Márcia... É para vingar meu pai!

– OOOOOOOOOOOOOHHHHHHHHHH! – Chocaram-se Rony e Parvati.

– Muda o letreiro no vídeo de "Entrevista ao vivo com assassino em série. Morra de inveja Wagner Montes!" para "Menino comete homicídio múltiplo para honrar o pai! Wagner Montes arranca as calças pela cabeça!" – Márcia disse para o ponto eletrônico. Depois se virou para o serial killer e continuou com a entrevista. – E quem é o seu pai?

– É Severo Snape!

– OOOOOOOOOOOOOHHHHHHHHHH! – Chocaram-se Rony e Parvati.

– Peraê! – interrompeu Márcia. – Mas o Snape não era virgem?

– É verdade! – Concordaram Rony e Parvati.

– Muda aí o letreiro para "Menino pensava vingar o pai, mas agora só com DNA! Wagner Montes explode de tanta raiva!" – falou a Márcia para o ponto eletrônico. Depois, virou-se para a câmera e mandou. – Temos um novo convidado que quer dar um recado ao nosso matador. SELACANTO! ENTRE, POR FAVOR!

Pousou, emitindo um ruidoso rugido, a monstruosa criatura escamosa e verde que aterrorizou Mary Sue em Hogwarts até ser convertido num agente da caridade e do amor fraterno, idílico e fofolete. No seu ombro estava Gina, acenando para Rony.

– Não achei o Jaspion! – disse ela candidamente. – Mas trouxe o Selacanto no lugar.

– E você acha que o Selacanto pode enfrentá-lo? Pode derrotar esse assassino sem escrúpulos?

O Selacanto cuspiu uma imensa baforada de fogo que simplesmente carbonizou o assassino e o cameraman.

– Oh, meu Deus! – Márcia levantou num salto. Remexeu na câmera e viu que a aparelhagem não foi danificada. – Graças a Deus! Pensei que ia perder o final marcante em que o Selacanto salva a pátria!

O Selacanto deixou escorrer uma lágrima de seus olhos, que mais parecia uma mini-cachoeira tal era seu tamanho. Ao atingir o solo respingou em todos os adormecidos, forçando-os a despertar.

– Yeeey! – Parvati bateu palminhas. – Todos estão de volta!

– Hermione! – Rony abraçou a namorada com força e a bolinou.

– Que fantástico! – Márcia puxou Gina pra frente das câmeras. – Explique aos telespectadores como você sabia que as lágrimas do Selacanto eram capazes de curar seus amigos do transe hipnótico em que se encontravam!

Gina ficou olhando pra Márcia com uma cara de dúvida, como se não entendesse absolutamente nada do que ela dizia.

– Vamos, querida! – insistiu a apresentadora, empurrando o microfone na direção do rosto da ruiva. – Diga alguma coisa!

Gina continuou olhando com uma expressão incrivelmente idiota na cara. A loura empurrou o microfone mais pra perto da jovem. Ela abriu a boca, e Márcia fez uma cara de "finalmente essa mulher vai falar alguma coisa". Gina, no entanto, mordeu o microfone.

– Solta isso, maluca! – Márcia arrancou o objeto da boca da menina.

– Ué? Não é de comer? – perguntou Gina, notoriamente confusa.

– Claro que não, sua besta! – Márcia acertou a cabeça de Gina com o microfone. – Isso aqui custa caro, sabia? Se quebrasse, você ia se ver comigo! – e golpeou a cabeça da jovem mais duas vezes.

Hermione livrou-se dos amassos esbaforidos de Rony e surgiu diante das câmeras, puxando o microfone de Márcia para si.

– Gostaria de explicar o porque de as lágrimas do Selacanto nos terem resgatado do sono profundo! É por causa da sua grande propriedade mágica, oriunda do processo de formação dentro da glândula subcutânea superposta ao palato duro do Selacanto, que produz enzimas plurissimbióticas retrocontraceptivas do tipo...

Whatever! – Márcia tomou o microfone de volta. – É o fim o programa de hoje! Eu sou Márcia Goldschmidt, e esta é a Hora da Verdade! Até a próxima, fãs!

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