Numb - Linkin Park [watch?v=kXYiU_JCYtU]

Tudo que eu quero fazer

É ser mais como eu

E ser menos como você

Você não consegue ver que está me sufocando?

Segurando tão forte, com medo de perder o controle

Porque tudo o que você pensou que eu poderia ser

Desmoronou bem na sua frente

Preso na ressaca, simplesmente preso na ressaca

Cada passo que eu dou é outro erro para você

Capítulo 7 - Ódio e Sangue

- Não - Sakura disse entorpecida, enquanto recuava um passo e depois outro.

Para seu horror a mãe assentiu, quase resignada.

Um misto de emoções a percorreu , arrastando-se por sobre sua pele. Dor, raiva, culpa, nojo, vergonha... Ela sequer merecia estar no mesmo lugar onde estava esse garoto. Era filha de um assassino. Pior que isso era a filha do assassino da mãe dele. Em pensar que ele havia sido tão bom com ela... Como poderia saber?

- Temos que arrumar as coisas - disse Sakura com a voz estrangulada.

- Vocês não precisam ir embora - discordou Sasuke impassível - meu pai seria a última pessoa a entregá-las para o seu marido, senhora Haruno. Vocês estão tão seguras quanto possível aqui.

Sakura encarou a mãe, que parecia estar considerando aquilo.

"Absurdo!" - pensou em pânico. "Impossível. Como poderia encará-lo depois disso?"

Balançou a cabeça quando o olhar se encontrou com o da mãe.

- Temos que ir embora. Vou arrumar minhas coisas. Estou pronta em 15 minutos.

- Sakura... - A Sra. Haruno hesitou - O... Sasuke-san tem razão. Talvez aqui seja um dos únicos lugares realmente seguros para nós duas.

- Você não pode estar falando sério! - Sakura a encarou incrédula, horrorizada pela ideia da mãe não perceber a situação em que se encontravam. Eram a mulher e a filha do assassino desse garoto à frente delas.

A mãe pôs as mãos sobre os ombros dela, compreensiva.

- Você já está matriculada na escola, eu já tenho um emprego e como Sasuke disse, seu pai seria a última pessoa a nos entregar para Hiro. Podemos fazer dar certo dessa vez querida. Temos que ser firmes. Fortes...

Sakura se desvencilhou desesperada.

- Estou cansada de ser forte! Sou forte desde que me lembro. Forte o bastante por nós duas! Sempre obedeço você! Sempre sigo você para toda parte!

- Sakura! - repreendeu chocada e magoada.

- Eu nunca reclamei. Procurei nunca mais fazer amizades, ser discreta, me esconder! O único cara de quem um dia eu gostei me deu o fora quando soube de papai - Sakura apertou os lábios após a declaração escapar, mas não tinha mais volta.

- Eu... Você nunca...

- Não, eu nunca contei. Tínhamos o bastante sem isso, eu não tinha tempo pra sofrer, nenhuma de nós teve. Eu sei que você fazia - ainda faz - o possível por nós, nunca me deixou sozinha. Eu fui forte, como você, apesar de odiar tudo isso. É a única vez que pedi para irmos. A única vez que eu realmente quero desaparecer e você resolve ficar e agir como se estivesse tudo bem?

A Sra. Haruno fechou os olhos, desolada.

- Eu sinto muito, querida. Por tudo. Não pude dar a vida que quis a você, mas aqui nós teremos uma oportunidade de vivermos uma vida normal novamente. De sermos felizes ou o mais perto disso que pudermos. Não podemos simplesmente dar as costas a isso. Temos que tentar - antes que Sakura pudesse falar ela continuou - eu sei que não vai ser fácil - os olhos focaram em Sasuke antes de voltarem para Sakura. - Especialmente pra você. Mas nós vamos ficar... Sinto muito, mas vamos ficar.

Sakura comprimiu os lábios enquanto sentia a garganta apertar e os olhos umedecerem e subiu para o quarto ignorando o chamado da mãe.

Não era justo! Sempre tinha feito tudo do jeito dela. Nunca tinha ido as festas ou saído depois das sete ou chegado após esse horário. Não tinha tido amigos ou vida social e tinha compreendido os motivos por trás de cada restrição. Tinha aceitado. A única vez que queria fugir, sua mãe resolvia bancar a valente! Seria irônico se não fosse desesperador. Como em "Instrumentos Mortais" quando Jace disse que era como se Deus cuspisse em sua cara. Embora, para desgosto de sua mãe, ela não acreditasse em Deus.

Em todos os lugares, de todos os países e cidades porque tinham ido parar logo ali? Por que tinha que começar a se apaixonar pelo filho da mulher que seu pai assassinara por dinheiro? Ele a odiaria para sempre! Nem sequer poderia culpá-lo, afinal, toda vez que a visse se lembraria que ela era filha do assassino da mãe dele. Ela se odiaria no lugar dele. Por Kami, Ela já se odiava!

Como pode ter a desfaçatez de fingir estar tudo bem perto dele? Como podia voltar a se sentar ao lado dele nas aulas de matemática?

Talvez pudesse ignorá-lo. "Mas isso não me faz uma pessoa pior?" - perguntou-se e ouviu uma batida na porta.

Como não queria ver a mãe naquele instante, escalou até o telhado como havia feito algumas vezes, nas noites anteriores.

Um minuto inteiro se passou antes de avistar Sasuke escalando para se juntar a ela.

Sentando-se silenciosamente ao seu lado olhou para a rua, vendo as casas brancas desbotadas à sua frente, com seus gramados aparados e jardins bem-cuidados.

- Vista boa - ressaltou ele, cortando o silêncio.

Ela mantinha os olhos apertados e a vista focada a sua frente. Seus lábios pareciam dormentes quando as palavras saíram em um sussurro.

- Como soube que eu estava aqui?

Mesmo enquanto olhava para frente ela o sentiu sorrir através da ligação estranha e indesejada que havia se formado entre eles.

- Não havia muitos lugares onde você poderia ter ido, não é? Tinha marcas da sola do seu tênis no batente da janela e as cortinas estavam puxadas para o lado, meio tortas, o que provavelmente quer dizer que você estava com pressa pra subir sem ser vista.

- O que pelo visto não adiantou muita coisa - resmungou enquanto praguejava internamente pela falta de cuidado.

- Sou filho de um policial, você sabe - ele brincou, mas só conseguiu fazer com que ela se sentisse pior.

- Por que você não vai embora de uma vez? - perguntou secamente - Já conseguiu o que queria, não é? Agora que já fez sua boa ação do dia e conseguiu o seu lugar no céu pode dar o fora. Não tem ninguém aqui esperando outra coisa.

Sasuke pegou a mão dela, ignorando suas tentativas para se afastar, e apertou levemente.

- Eu não vou fugir, Sakura. Não sei quem foi o cara que magoou tanto você, mas eu não sou ele. Não quero e nem vou deixar você. Não é uma opção, eu já te disse que eu...

Ela balançou a cabeça, beirando o pânico.

- Você está louco? Será que não vê que isso está errado? O meu pai matou a sua mãe - disse com a voz falha - Eu... Eu não posso... Nós não podemos fingir que nada aconteceu. Fingir que está tudo bem e ir em frente com essa história. É... Doentio!

Os olhos dele esfriaram e se tornaram frios.

- Você não tem culpa disso. Eu não posso perdoar seu pai pelo que ele fez... A mim, a minha família. Meu irmão foi embora depois que minha mãe morreu. Foi morar nos Estados Unidos porque não conseguia aguentar viver aqui - desabafou. - Ele é advogado... Eu amava minha mãe e sinto falta do meu irmão. Eu não posso perdoar seu pai, nunca, mas você não tem nada a ver com ele. Você não é nada igual a ele.

- E como pode saber? Nós temos o mesmo sangue. Pelo amor de Deus, sou filha dele! O que nos garante que o que há de ruim nele não está em mim também?

- Pára com isso! - explodiu - Não seja ridícula. Você condenaria filhos de pessoas loucas a serem loucas também, apenas por compartilharem o mesmo sangue?

- Você não entende - murmurou com os olhos rasos de lágrimas e se odiou por ser tão fraca a ponto de chorar na frente dele.

- Sim, eu entendo. Você tem aquela tendência maluca que algumas pessoas tem, de ficar se culpando pelos erros dos outros. Mas deixa eu te contar algumas novidades: A primeira é que cada um sabe de si mesmo. Uma pessoa com uma infância difícil que entra no mundo do crime é altamente compreensível. Mas totalmente inaceitável. Se cada pessoa que tem experiências ruins na vida se tornasse criminoso não haveria mais ninguém honesto no mundo e, teríamos nos matado há muito tempo. A segunda é que o fato de você se preocupar com isso já mostra que você é, obviamente, diferente dele. A terceira é que você, gostando ou não, vai ter que aprender a se acostumar a me ter por perto. Não me importo quem são seus pais. Você continua sendo a garota que mais me fez rir em uma semana, talvez desde que minha mãe morreu, e eu nunca havia me sentido tão bem e tão certo ao lado de ninguém antes. "Tudo bem," - pensou ele - "a última parte foi sem querer". Então eu tenho um conselho pra você: supere isso.

Ela estava fazendo algo com ele e não tinha certeza se gostava, mas era verdade. E agora ela começaria a gritar com ele e dizer queria vê-lo aqui e nem em nenhum lugar da vida dela e…

Seus pensamentos estacaram quando, em choque, percebeu que ela havia se inclinado para a frente, soluçando debruçada sobre o próprio corpo, tentando esconder o rosto entre as mãos.

Sentiu uma onda de pavor e culpa. Não sabia o que fazer, nunca havia sido sua intenção fazê-la chorar. Não tinha a mínima ideia do que fazer.

Sem jeito, passou os braços em volta dela, puxando-a para ele, esperando que aquilo a confortasse.

Ela enterrou o rosto em eu peito, ainda tentando se acalmar o bastante para parar de chorar.

Pouco a pouco os soluços e tremores foram diminuindo.

- Obrigada - disse baixinho, se afastando, embaraçada pela cena e proximidade entre eles - Eu não mereço isso.

Ele rolou os olhos e a puxou pela mão para voltarem para o quarto.

- Não seja irritante.

Ela riu, voltando a pose de sempre.

- Cala a boca, Uchiha.

Ele deu um meio sorriso, sentindo-se mais aliviado. Com aquela Sakura ele sabia como lidar.

Bem... Mais ou menos.