Mais um capítulo com Maria & Howard... No próximo teremos Pepperony. Espero que gostem!

Capítulo 06: Fuga Desesperada

1957:

(Dia 2):

Sem que percebesse, Howard dormiu por quase o dia anterior inteiro. Naquela manhã, acordou assustado ao ouvir o barulho da porta de metal sendo aberta. Sobressaltado, esqueceu de seus ferimentos, por apenas alguns segundos até a dor intensa o derrubar. Ele olhou em volta desesperado, procurando por Maria, até vê-la deitada, exausta após uma noite mal dormida cuidando dele, só então ele se acalmou.

O homem que entrou, deixou a bandeja de comida do dia e saiu sem dizer uma palavra. Maria se levantou devagar, sentindo seus músculos reclamarem devido à posição pouco cômoda em que cochilou, e pegou a bandeja do chão, a levando para perto de Howard.

Ele podia ver que não estava nada bem. A palidez se intensificara e ele estava muito fraco. Assim como no dia anterior, a refeição do dia foi sopa, pão e água, pelo menos dessa vez eles haviam deixado uma pequena garrafa de água em vez de apenas um copo.

Ela pegou metade do pão para si e deixou o resto para Howard, comeu rápido para poder ajudá-lo a se alimentar, pois a dor nas costelas no estavam deixando erguer direito o braço, e nem tinha muito força sobrando.

- Tome! Engula devagar, tudo bem? Não tenha pressa, sei que está fraco, não desperdice suas forças com bobagens. – disse ela baixinho, o servindo colherada por colherada a sopa.

- Não precisa fazer isso Maria, eu... – disse ele devagar.

- Fique quieto e coma Howard, não adianta ser orgulhoso agora. Prometo que não contarei a ninguém, está bem? – disse ela sorrindo, continuando a servi-lo a sopa.

- Você deveria tentar comer um pouco também, não vai agüentar muito desse jeito. Posso ver que está cansada e...

- Eu estou bem Howard, mas prometo tentar engolir um pouco dessa sopa depois que você terminar, ok? Se sentirá melhor assim? – perguntou ela, ainda com um tímido sorriso no rosto. Somente aquele sorriso já fazia Howard se sentir bem, aquecido, sem que ele soubesse o porquê.

- Um pouco, sim. Estaria melhor se estivéssemos longe daqui.

- Eu espero que eles não tentem levá-lo hoje também, no estado em que está, não sei o que poderia acontecer...

- Se tiverem que levar alguém, eu prefiro que seja eu. Não quero que você passe por tudo aquilo, não mesmo. Maria?

- Sim?

- Me prometa que, se eles voltarem hoje, você deixará que me levem e não tentará impedir.

- Mas, você está ferido demais, não vai suportar...

-Sei disso, apenas prometa. Você não tem nada a ver com isso, não posso permitir que se machuque por minha culpa. Tudo bem? Você promete?

- Eu prometo. – respondeu ela, hesitante. – Mas Howard, se você for, certamente morrerá, e uma vez sozinha aqui, eu estarei em apuros de qualquer maneira.

- Acredite, eu sei. Mas ainda há algo que posso fazer quanto a isso...

- Do que está falando?

- Tem uma coisa que ainda não te contei ainda... Eu... Sei que eu disse que eles me perseguiram por causa de algo que vi, e foi mesmo assim, em parte...

- Como assim, em parte? O que está escondendo?

- Enquanto fugíamos, eles não sabiam quem eu era só sabiam que eu os havia visto fazendo o que não deveriam. Depois de me interrogaram ontem, tive que ceder e contar quem eu realmente era... Por isso, acho que eles tentaram me manter vivo por mais algum tempo, provavelmente tentarão lucrar as minhas custas. É frustrante, mas posso usar isso para protegê-la. – disse ele com dificuldade.

- Afinal, quem é você Howard? Como poderá me proteger usando sua identidade? – perguntou Maria, confusa com o que estava ouvindo.

- Eu sou Howard Stark, Maria, das Indústrias Stark. Sou um cientista e também um empresário. Mais importante ainda, tenho o que eles mais querem: dinheiro.

- Sark?... Eu não entendo... Está dizendo que é aquele Stark que lutou na guerra junto do Capitão América, o herói nacional?

- O primeiro e único. Lamento não ter dito antes, mas...

- Não se preocupe, imagino que tenha guardado isso para usar quando fosse conveniente.

- Você está certa Maria. Tenho quase certeza que não voltarão a me torturar por enquanto, e se quiserem meu dinheiro, não poderão tocar em você... – disse ele um pouco exaltado.

Assim que terminou de ajudar Howard a comer, Maria se alimentou um pouco com o que sobrou da sopa com muita dificuldade. Ela usou um pouco da água que restou depois de beberem para limpar um pouco da sujeira na ferida da perna dele. Howard enfrentou a ardência que sentia enquanto ela limpava a ferida, engolido os gemidos que tentavam escapar de sua boca.

Ao terminar, Maria guardou o resto da água para mais tarde, mesmo já estando novamente com sede. Ela tentava pensar em uma maneira de tirá-los dali, porém, com Howard incapacitado como estava seria quase impossível. O que eles fariam?

Sentado no canto da cela, observando Maria olhar para a porta, atenta a qualquer movimentação, Howard também se esforçava para descobrir como sairiam daquele buraco em que estavam presos. Como impediria que os criminosos lá fora a machucassem quando tivessem conseguido o que queriam dele? Infelizmente ele ainda não tinha a resposta.


(Dia 3):

As buscas de Peggy e seus colegas não estavam chegando a lugar algum. Nervosa, ela começou a se concentrar em descobrir de quem era o outro veículo do qual lhe haviam falado. Continuou fazendo perguntas nas vizinhanças da fábrica, até enfim achar outra pista.

Um jovem morador que vivia com os pais lhe contou que tinha certeza absoluta que um dos carros que tinha saído de dentro do terreno da fábrica pertencia aos membros de uma gangue local, muito temido naquela parte da cidade. Ele explicou que a tal gangue vinha usando o terreno da fábrica para os seus negócios e que ninguém possuía permissão de se aproximar, quem o fizesse aparecia morto em poucos dias.

Peggy reuniu seus colegas e começaram a investigar mais atentamente o terreno, procurando por sinais do que a gangue poderia estar fazendo e no que Howard poderia ter se envolvido ao ir até lá. Por horas eles vasculharam tudo, e perto da horário do almoço, juntaram as informações que conseguiram.

- Parece que esses caras da gangue lidam com extorsão, assassinato e venda ilegal de armas. E usam esse terreno para se esconderem e se organizarem. – disse Morita.

- Mas como? Durante o dia a fábrica funciona normalmente, como conseguiriam permanecer despercebidos num lugar assim? Não tem como... – disse Peggy

- Acho que sei como, enquanto vasculhava eu achei algo interessante... Ao que parece há um tipo de passagem para um bunker nos fundos do terreno, atrás da fábrica. – disse Dugan

- Um bunker? Por que não soubemos disso antes? – perguntou Morita.

- Segundo o gerente da fábrica, o bunker foi construído pelo antigo dono do terreno, um pouco antes da guerra. Ele manteve segredo, sendo ele próprio acostumado com construções, não precisou de muita ajuda. São poucos os que sabem do bunker hoje em dia, segundo ele. – explicou Dugan

- Certo! Não podemos perder tempo. Vamos nos organizar para invadir o bunker, temos que tomar cuidado, pois podem estar mantendo Howard como refém. Peguem suas coisas e preparem as armas, invadiremos esta noite mesmo. – disse Peggy.


Na cela, Maria voltou a dar uma olhada no ferimento de Howard, ficando assustada com o estado em que estava ficando.

- Temos que sair daqui logo... – disse ela para si mesma, baixinho.

Deitado no chão, Howard permaneceu de olhos fechados, mesmo já estando acordado. Suas forças estavam quase no fim e ele não tinha nenhuma idéia de como tirar Maria daquela confusão. Seu coração se acelerou ao sentir a mão macia dela em sua perna, perto do ferimento. Ela estava preocupada com ele, do mesmo modo que ele estava preocupado com a segurança dela, mais do que com a própria, o que era surpreendente para ele.

Ele não gostou quando o toque da mão de Maria desapareceu, abriu os olhos e a viu se deitar ao seu lado. Não sabiam que horas eram não tinha como saber se já anoitecera ou não, para ambos, a divisão dos dias eram apenas suposições feitas levando em consideração o próprio sono. Entre um sono e outro, se passava um dia, era assim que contavam.

- Maria pode me fazer um favor?

- Claro! O que é? – disse ela, deitada de frente para ele, mas um pouco afastada.

- Estou com frio, pode ficar mais perto? Não farei nada, prometo. – pediu ele, com um pequeno sorriso no rosto ao vê-la enrubescer.

-Ah... Tudo bem. – respondeu ela, sem muita certeza. E se aproximou o máximo que sua timidez permitiu naquela situação.

Quando ela finalmente adormeceu, Howard se arrastou com dificuldade para um pouco mais perto, apesar da dor, até estar perto o bastante para sentir a respiração dela em seu rosto. Ele encostou sua testa na dela e também dormiu.

Horas depois, Maria acordou com um gemido perto de seu ouvido. Quando abriu seus olhos, sentia seu coração saltar no peito ao ver Howard abraçado a ela. Ele devia estar sentindo muito frio... – pensou ela enquanto tirava com cuidado o braço dele de sua cintura. Ela se levantou em silencio e foi até a porta, tentar mais uma vez enxergar algo por detrás da pequena janelinha com grades.

- Maria?

- Estou aqui, não se preocupe. Só estava tentando ver algo lá fora. Sem sucesso. – explicou ela, voltando para perto de Howard.

- Pode me ajudar a sentar? – perguntou ele, e assim ela o fez.

Quando enfim estava sentado, da maneira mais confortável que foi possível, um silêncio incomodo invadiu a cela, possibilitando que ambos escutassem os passos no corredor. Alguém estava chegando. Poderia ser apenas para trazer comida, ou para levar um deles?

Só que desta vez, Maria não ficaria parada. Apesar de um pouco fraca devido a pouca alimentação dos últimos dias, ela ainda se sentia forte o bastante para lutar, mesmo não sabendo exatamente o que faria.

- o que está fazendo? – perguntou Howard num sussurro, ao vê-la tirar a presilha suja pelos dias na cela, em seu cabelo desgrenhado e correr para ficar atrás da porta quando ela fosse aberta, não recebendo nenhuma resposta.

A presilha tinha a ponta arredondada, não sendo a arma ideal, mas era a única que ela dispunha naquele momento. Ela esperou, com o coração tão acelerado que pensou que poderia enfartar a qualquer segundo, e quando viu a porta sendo aberta se preparou para atacar a qualquer sinal do corpo do homem.

Assim que o homem entrou e se abaixou para deixar a bandeja de comida, não notando a falta da moça ao lado do outro prisioneiro, ela o surpreendeu pulando em cima dele e enfiando com toda sua força o cabo da presilha na garganta do homem. O homem caiu pesadamente no chão devido não apenas ao peso da jovem em cima dele, mas principalmente por causa do impulso que o empurrou sem que ele esperasse.

Com o homem desmaiado na cela e a porta aberta, Maria correu até Howard e o ajudou a se levantar. Usando seu corpo como apoio para ele, ela o levou até a porta, tendo o cuidado de verificar o corredor antes de saírem.

- Ficou maluca, eles vão matá-la. – sussurrou Howard no ouvido dela.

- Eles me matariam cedo ou tarde de qualquer forma. E temos que sair daqui, sua perna está muito ruim e vai ficar cada vez pior. – sussurrou ela em resposta.

- Maria... Você não vai conseguir fugir me carregando desse jeito. Deixe-me aqui, não se preocupe comigo, não vão me matar agora...

- Como você pode ter certeza disso? E mesmo que não o mate, esse ferimento certamente vai. Agora fique quieto, temos que ir rápido. Mas para onde?

Enquanto isso, no terreno da fábrica, Peggy e os outros aguardam anoitecer para poderem invadir o bunker, ansiosos para trazer logo de volta seu velho amigo.

O casal continuou seguindo pelo corredor, arriscando o caminho, uma vez que não sabia bem para onde estava indo. Só podiam contar com a sorte. Ao passarem pela porta da sala onde Howard fora torturado, outro corredor se estendia de leste a oeste da posição em que estavam, não tendo saída no lado esquerdo eles fizeram a curva no lado direito e seguiram reto. Quando chegaram à curva seguinte, Maria ouviu vozes por perto e parou de andar. Ela verificou o próximo corredor e sentiu seu sangue gelar ao ver dois homens vindo em sua direção. No meio do caminho, em vez de seguirem reto, os dois homens viraram para um corredor ao sul e Maria pôde suspirar de alívio.

Eles atravessaram metade do corredor, onde tiveram de fazer uma escolha. Ou pegavam o mesmo caminho que os dois homens arriscando encontrá-los mais à frente, ou continuariam seguindo reto por aquele mesmo corredor até a próxima curva logo adiante. Preferindo não se arriscar ainda mais, Maria continuou guiando Howard pelo corredor em que estavam, virando para o sul na última curva. Eles foram o mais rápido que puderam até encontrarem o fim da linha. Havia apenas duas portas e o corredor não tinha saída, se alguém aparecesse estariam perdidos.

- Qual porta Howard? O que você acha?

- Não sei Maria, vamos por essa aqui mesmo. – respondeu ele apontando para porta bem ao lado deles.

Felizmente a porta não estava trancada e o casal se viu diante de uma escada, uma longa escada para cima.

- Ah... Acho que estamos no caminho certo Howard. Vamos. Aguente só mais um pouco. – disse Maria, já sentindo o efeito do cansaço sobre si.

Eles subiram num ritmo torturantemente lento, temendo serem vistos a qualquer segundo. Fosse ou não destino, eles conseguiram alcançar o final da escada, mas a sorte havia acabado. A saída estava trancada.

- O que faremos agora? Desculpe-me Howard... – disse Maria, ajudando Howard a se sentar no último degrau da escada pela qual tinha acabado de subir.

- Não é culpa sua Maria, se não fosse por você eu já estaria perdido há muito tempo. Acredite. Você cuidou de mim, mesmo mal me conhecendo e não tenho como lhe agradecer. Tudo que eu queria agora é que houvesse uma maneira de você escapar. – disse ele com muita dificuldade, estava cada vez mais difícil respirar depois de tanto esforço.

Ela se sentou ao lado dele, que estava apoiado na parede para descansar, e deitou sua cabeça em seu ombro com cuidado, evitando colocar muito peso sobre ele. Howard então pegou a mão dela e a segurou entra as suas, mesmo com a dor que atravessava sem piedade o seu corpo ele apreciou o calor que sentia irradiar da pele dela, tão perto da sua.

Eles não sabiam por quanto tempo ficaram ali, parados e encolhidos juntos naquele degrau. O tempo parecia não estar passando, eles estavam perdidos naquela sensação calorosa que encontraram no toque um do outro. Ele ainda mantinha a mão dela entre as suas e estava com os lábios no topo da cabeça dela, a beijando com carinho, quando a poucos metros atrás deles a porta de saída foi arrombada, despertando o casal de seus devaneios no susto.

Peggy e Dugan entraram na frente, se surpreendendo ao encontrarem o amigo tão rápido, ainda mais acompanhado de uma moça. O restante da equipe seguiu bunker adentro, enquanto Peggy e Dugan levaram o casal para fora, para a ambulância parada na rua da fábrica.


Todos os membros da gangue que se encontravam no esconderijo foram capturados, incluindo o 'chefe'. Não demorou a que os poucos que haviam escapado da captura, por não estarem no bunker, fossem encontrados, com a ajuda de alguns membros mais dispostos a colaborar.

Depois de vários dias preso na cama do hospital, Howard se sentiu profundamente aliviado ao poder voltar para casa. Nunca ficou tão feliz ao ver Jarvis o aguardando.

Maria ficou apenas um dia no hospital, mas voltou regularmente para visitar Howard. Quando soube que receberia alta, ele a convidou para ir à mansão, onde ele comemoraria a sobrevivência de ambos com os amigos no mesmo dia em que deixasse o hospital.

A partir de então, a proximidade entre os dois só foi aumentando, deixando os amigos de Howard, e até mesmo Jarvis, curiosos quanto aos verdadeiros sentimentos de Howard para com a jovem, pois estava claro que ela já estava muito afeiçoada a ele.