07. O treinamento começa.
Vozes tagarelavam a minha espreita. Eu pude ver todos conversando em volta da cama em que eu estava. Agora nos encontrávamos em uma espécie de quarto muito grande e decorado à moda dos castelos antigos.
Eu levantei aos poucos, muito dolorido, quando fui cumprimentado pela Guild.
– Uau! A múmia está de volta – Rotto disse zoando minhas ataduras que iam quase dos pés a cabeça.
– COUMOU VOUMCÊO ESTAUOM, WILL-COLMÉIA GLUNP? – Lucas me perguntou com a boca cheia tentando engolir algo que eu imaginei ser comida.
– É. Estou bem por fora... – eu disse tentando sorrir – Por que você não está tão machucado como os outros, Rotto?
Antes que Rotto pudesse responder Diego disse algo rindo:
– Ele fugiu mais que lutou.
– Vejo que as pessoas nunca mudam, certo? – disse rindo.
– Eu sou um Ninja. Devo agir nas sombras. Se o inimigo me ver tudo estará acabado para mim – Rotto disse em sua defesa.
– Sim. Você é um Ninja e agiu certo. Mas será que você é tão Ninja para ver todos os seus amigos lutando até a morte e continuar fugindo? Pense bem na próxima, pois nós sairmos com vida desta vez pode ter sido apenas uma exceção – eu disse alertando Rotto do pior.
– Vamos lá. Isso é passado, temos que fazer algo para nos descontrair até que nossos ferimentos estejam curados. Será que eles vendem Sorvete de Casquinha por aqui? – disse Richarde tentando abafar a discussão.
– É. Deixem o Will descansar e vão fazer outra coisa – Orfeu disse sentado na cama ao lado totalmente enfaixado.
Todos saíram da sala deixando-me sozinho.
– Eu posso mesmo continuar sendo tão respeitado por eles quando a única coisa que eu sei fazer é perder? – pensei encarando o teto com pesar – Da próxima vez, todos podemos morrer – eu disse caindo da cama em seguida.
Realmente furioso com minha derrota comecei a socar o chão do quarto até que minhas mãos estivessem totalmente machucadas.
"Esses caras são muito fortes. Imagina quanto poder o Loki deve ter? Um de seus subalternos me espancou até à beira da morte em alguns minutos. Até agora, eu não havia pensado no fato de estarmos tentando lutar contra verdadeiros deuses", pensei arfando sem fé alguma.
– Eu estou com medo? – perguntei a mim mesmo soltando uma gargalhada – Sim, eu estou com muito medo, e pela primeira vez em minha vida – pensei respondendo minha própria pergunta.
Levantei-me totalmente dolorido quando peguei o copo para beber água pude ver meu reflexo usando a mesma máscara de antes. Aquilo me encarava passando uma sensação de pesar pior do que eu já estava sentindo, até que pude ouvi-lo falando comigo.
– Antes eu até gostava do fato de dividir o mesmo ser junto a você. Um cara tão orgulhoso que nunca pensa recuar. Mas agora estou com nojo disso. Você está com medo e este sentimento nunca sentido antes, por mim, O grande Raijin, está me consumindo – disse meu reflexo tirando a máscara e mostrando que por trás dela não estava meu rosto, e sim a face do demônio que eu tinha enfrentado recentemente.
Quando ouvi aquelas palavras o meu antigo eu começou a queimar. Eu estava vibrante de emoção por causa das palavras de Raijin.
– Eu não estava com medo. Apenas estava incerto! Obrigado, Ass of Thunder. Você acabou de me ajudar – disse soltando o copo e correndo em direção a porta.
Quando a abri, Urahara estava do lado de fora encostado ao lado de uma das grandes colunas que sustentavam o Grande Castelo Valhala.
– Aonde você pensa que vai tão ferido assim? – Urahara me perguntou sorrindo entrecabelos.
– Aonde mais eu poderia ir após perder de tal maneira? – respondi a ele com uma pergunta.
– Eu imaginei que você tentaria isto e preparei um lugar especial – disse o homem que usava um chapéu ridiculamente verde com listrinhas brancas e carregava uma bengala inútil que não servia para nada, pois ele não era manco.
– Onde está minha arma? – perguntei mais empolgado que antes.
– Já está lá. E também tenho uma armadura nova para você. Desta vez vou dar-lhe uma especial, própria para o treinamento que você procura – Urahara respondeu com todo o plano preparado.
Quando nós estávamos passando pela parte lateral do grande castelo pude ver que o castelo flutuava sobre uma grande cidade que estava localizada sobre uma ilha flutuante.
– Eu sabia que você tentaria algo. Eu também irei – a voz de Orfeu saia das sombras do castelo.
– É. Não podemos nos dar o luxo de descansar quando somos tão fracos para sermos todos derrotados por um único inimigo – eu respondi fechando minhas mãos em punhos e mordendo meus lábios.
– Deixe os outros descansarem. Eles só vão evoluir quando resolverem fazer as coisas por eles mesmos – pedi aos dois que estavam comigo.
– Concordo. Enquanto eles estiverem fazendo as coisas como "Maria vai com as outras" tudo será em vão – Orfeu disse comentando o que eu havia dito.
– Por aqui, rapazes – Urahara abriu uma escotilha no chão.
Quando coloquei minha cabeça no buraco pude ver um lugar enorme que parecia não ter fim.
– Mas como pode ter um lugar tão grande assim dentro de um castelo? Se compararmos este castelo com este lugar: o castelo é um grão de areia em uma grande tempestade no deserto – eu disse incrivelmente entusiasmado.
– Sim. Este lugar é apenas uma de minhas criações, mas eu tive a ajuda de uma velha amiga para construir isso há alguns milhares de anos – Urahara respondeu dizendo milhares de anos com uma naturalidade incrível.
– É perfeito, podemos treinar aqui e não quebraremos nada – Orfeu presumiu.
– Sim, este lugar conserva sua energia e não há desgaste físico lá dentro. Vocês podem treinar por dias e dias seguidos, apenas bebendo água e não ficaram cansados – disse Urahara rindo empolgado com mais uma de suas criações.
– UAU! – eu e Orfeu gritamos quase juntos.
– Por que nós não tínhamos um lugar destes nas épocas em que sonhávamos nos tornar jogadores profissionais, heim? – eu disse rindo.
– Verdade. Não teria sido necessário treinar nas areias daquele lago até altas horas no escuro e ainda levaríamos vantagem sobre os outros por não ficarmos cansados – Orfeu disse comentando o que eu havia dito.
– É, mas agora que você disse "Levar vantagem". Eu pensei bem, qual seria a graça em pegar atalhos? – perguntei desvirtuando minha antiga ideia.
– Não seria nada divertido e não poderíamos nos gabar no fim de tudo, porque nós teríamos trapaceado – Orfeu disse começando a descer as grandes escadas feitas de cordas.
– É, não devemos lamentar o passado, temos que viver o presente para mudar o futuro – eu disse indo logo em seguida.
– Antes que vocês comecem a treinar, eu devo contar a vocês o que era aquilo em que o Willian se transformou – Urahara disse pedindo nossa atenção.
Quando acabamos de descer nos sentamos nas rochas que formavam o local, então Urahara começou a falar.
– Como vocês já sabem, aquele aparelho matou-os fundido suas almas com seus corpos. Mas para que isso fosse possível eu tive que usar uma fonte de energia incalculável para alimentar o Hougyoku, que é o artefato que está dentro daquele aparelho e que fez possível a fusão. O Hougyoku é usado por Lorde Odin para remodelar almas e devolvê-las ao mundo de vocês desde o começo dos tempos, assim quando necessário. As fontes de energia que eu usei foram os seis Djinn que habitavam os Planos Elementais mais poderosos. No passado, os seus antepassados lutaram usando eles, os Djinn, como Summons que os obedeciam não importando qual fossem as ordens dadas – Urahara disse dando uma pausa para observar nossa reação de espanto.
– Vamos, continue – eu pedi.
– É, isso está ficando interessante – Orfeu disse coçando o queixo.
– No passado, os Grandes Heróis não precisavam morrer para chegar aqui, pois os portais entre os três mundos: Soul Society, Ningenkai e Tártaro ficavam sempre abertos. Mas como o Tártaro precisou ser selado, todos os outros portais também foram selados, assim, somente nós do Valhala poderíamos andar livremente entre os três mundos, por isso eu fiz o que fiz com vocês, porque foi a única forma que eu encontrei de trazê-los a este mundo – disse Urahara.
– Mas e os Djinn, e porque o Will usava uma máscara? – Orfeu perguntou inquieto.
– Eu já entendi, Raijin me disse que nasceu da fusão do meu corpo e com minha alma. O ser dele se tornou um só junto ao meu quando ocorreu a fusão, estou certo, Urahara? – disse tentando saber a verdade.
– Sim. Eu já esperava que isso acontecesse, mas eu não sabia que a fusão seria tão perfeita dando a ele o total controle de seu corpo – Urahara disse suspirando.
– Acho que só é possível o controle perfeito quando perdemos a consciência por completo – falei tentando saber mais.
– Sim, você acertou de novo. Se vocês perderem a consciência por completo chegando à beira da morte, os Djinn que estão ligados as suas almas vão assumir o controle de seus corpos, e se isso acontecer vocês podem nunca mais reassumir o controle – Urahara disse mostrando-se muito preocupado – Eu não deveria ter feito isso, deveria ter estudado mais e encontrado outra forma de trazê-los.
– Mas como esses tais Djinn obedeciam cegamente aos nossos antepassados? – eu perguntei com um leve sorriso no rosto.
– Seus antepassados invadiram os planos elementais em que eles estavam e os dominaram derrotando-os – Urahara disse.
Eu apenas sorri. Orfeu olhou para mim com uma expressão quase que demoníaca na face.
– Você teve o mesmo plano que eu, certo? – perguntei rindo.
– Acho que sim – Orfeu respondeu gargalhando logo em seguida.
– Vocês... Vocês... Não estão pensando em... – Urahara tentou conter nossa ideia.
– Sim! Nós iremos lutar contra eles e dominá-los da mesma forma que nossos antepassados – falei vendo o sorriso de Orfeu se abrindo e a cara de espanto de Urahara.
– Isso não é possível! Nem mesmo eu posso vencê-los – Urahara disse tentando nos conter novamente.
– Sim, mas nos não sabemos lutar da mesma forma que vocês aqui lutam, talvez, se você nos ensinasse nós poderíamos ficar mais fortes – Orfeu disse dando-nos um novo plano.
– Concordo. O que é Shikai? E porque Joe e Raijin usando meu corpo podiam andavam sobre o ar? – eu perguntei inquieto.
– Okey, Lord Odin me disse para confiar nas decisões que vocês tomassem. Eu vou ensiná-los como lutar da mesma maneira que nós aqui lutamos e depois pensaremos sobre vocês dominarem seus Djinn – Urahara respondeu mostrando-nos o mesmo sorriso sombrio entrecabelos de sempre.
Urahara ficou de pé fazendo com que novas armaduras se formassem sobre nossos corpos.
– Mas você disse que elas seriam diferentes desta vez. Não vejo mudança alguma, são as mesmas de antes – eu disse sem entender.
– Tem certeza? – Urahara sorria se abanando com um leque – Tentem se mover – sugeriu.
Quando eu tentei dar um passo não pude sequer levantar meu pé do chão, com Orfeu não foi diferente, ele parecia estar tão colado no chão quanto eu.
– Mas que diabos é isso? – perguntei reclamando.
– Eu não consigo me mover e quanto mais força eu coloco mais pesado eu fico – Orfeu se queixou.
– Justamente. Essas armaduras são feitas para transformar o esforço de seus corpos em pura gravidade, assim deixando seus corpos imaginavelmente pesados. É perfeita para o treinamento de vocês – Urahara nos explicou se empolgando mais uma vez com outras de suas engenhocas – O primeiro passo do treinamento de vocês será subir aquela montanha usando estas armaduras. Vocês podem subir da maneira que quiserem desde que cheguem ao topo – Enfim, ele começou o nosso treinamento apontando para um enorme rochedo.
