Saga percebeu imediatamente o que se passava na mente de Celeste. Sabia que se continuasse a beijá-la, e com gentileza, encorajá-la, ela se renderia.

Depositando beijos suaves no pescoço de Celeste, ele a ergueu nos braços e a carregou para dentro da sua casa. E Saga continuava a beijá-la com ardor. Com o coração aos saltos, a mente atordoada, ela finalmente conseguiu descolar os lábios dos dele e fechou os olhos.

'Não...devemos..'-murmurou ofegante.

'Abra os olhos.'-Saga ordenou com gentileza, com os lábios muito próximos dos seus.-'Olhe para mim, Celeste e diga que não quer isso.'

Relutante, Celeste obedeceu.

'Eu...quero você.'-disse com a voz firme.

Ele a colocou no chão e a encostou em um pilar, e sem desviar o olhar, Saga abriu os botões da camisa, expondo boa parte do peito largo. Seus beijos foram tornando-se mais e mais ardentes, enquanto seus lábios percorreram um caminho torturante, descendo pelo pescoço, passando pelo colo.

Antes que se desse conta do que estava acontecendo, Saga puxou as alças de seu vestido e desnudou seus seios, segurando ambos com as mãos. Em seguida, tomou-lhe um dos seus mamilos entre os lábios, enlouquecendo-a de prazer.

'Vamos para...meu quarto...'-ele disse ofegante.

'Está...longe.'

'Eu sei..'-e a conduziu até o aposento, entre um beijo e uma carícia.

Celeste estava tão excitada que mal se deu conta de que, enquanto a beijava e a acariciava, Saga também a despia. Quando deu por si, estava nua nos braços dele, embora ele permanecesse completamente vestido.

Ele a deitou na cama e se afastou, tirando com movimentos lentos as próprias roupas. Celeste observou-o, fascinada pela visão do corpo bonito, o corpo mais perfeito que ela já vira. Havia um esplendor maligno em torno dele que era irresistível. Celeste manteve os olhos fixos nele, à medida que ele se aproximava, não resistia à sua vitalidade, sua beleza, sua sensualidade animal.

Quando ele se aproximou da cama, segurou-a pelos ombros e beijou-a com ardor. Celeste o acariciava, beijava e tocava todos os lugares que podia alcançar, depois deslizou sua mão até a sua virilidade e passou a acariciá-lo com intimidade, provocando em Saga uma reação ardente, arrancando-lhe um gemido, abafado pelos lábios dela.

Apenas tocá-lo já era uma delícia. Inebriada de paixão, Celeste sentiu cada centímetro daquelas formas másculas e soube que nunca, jamais enjoaria dele.

Quando descolou os lábios dela que o beijava, ele ajoelhou-se na cama, mantendo-a deitada. Segurando-a por detrás dos joelhos, puxou-a mais para si e afastando-lhe as pernas, colocando-se entre elas. Celeste cruzou as pernas em volta da cintura dele e esperou.

Ele se inclinou, apoiou o peso do corpo em uma das mãos, plantando no colchão e começou a penetrá-la. Por longos minutos, houve apenas as respirações ofegantes, os sons dos dois corpos unidos. Celeste deslizou as mãos pelos ombros dele, pelas costas, pelas nádegas rijas, encantada pela textura daquela pele, com aquele aroma. Enquanto a possuía, ele repetia seu nome incontáveis vezes.

Com delicadeza, Celeste mordeu-lhe o lóbulo da orelha e suspirou quando sentiu-o estremecer. Saga se afastou alguns milímetros e beijou-a mais uma vez. Colocou as mãos entre as coxas dela, afastou-as o mais que pôde e passou a massagear o centro de feminilidade com o polegar, enquanto continuava a penetrá-la mais e mais.

Atingiram o clímax juntos, e Celeste teve vontade de gritar, mas a boca de Saga, que se apossara da sua, dominando-a, permitiu apenas que o único som fosse o de um gemido abafado.

'Ah..'-Saga murmurou um gemido, descolando os lábios dos dela.-'Meu doce anjo...'

Ao sentir que ela começava a se afastar, apertou-a contra si.

'Não, Celeste...fique onde está, mais um pouco.'-beijou-lhe a face, o queixo e o pescoço.-'Fique onde está, anjo.'

No Templo de Atena.

Saori estava observando do alto de seu templo o Santuário, e ao longe podia vislumbrar as luzes da cidade de Atenas. Ficou imaginando em como as pessoas podiam continuar suas vidas, sem sequer imaginar o perigo que corriam.

O Cosmo familiar e amigável de Seiya se aproximando a fizeram sorrir e virou-se para ele.

'Devia descansar Saori.'-Seiya disse ficando ao seu lado, observando a mesma paisagem.-'Está com uma expressão cansada.'

'Você também, Seiya. Ainda mais com seus ferimentos.'

'Estou bem.'-ele sorriu sem graça, depois ficou sério.-'Não se preocupe Saori, tudo dará certo.'

'Só que agora, Seiya. Não é a minha vida que está em jogo, mas a de duas mulheres e das crianças que elas carregam...E de todos desse mundo.'-ela abaixou o olhar.-'Nessas horas, me sinto tão inútil e...'

Seiya com a expressão séria envolve Saori em seus braços.

'Não se preocupe. Até porque todos daremos o máximo e além para protegê-las.'-falou beijando rapidamente os lábios da deusa.-'Vá descansar, Saori.'

Ela apenas o abraçou. Sentia-se protegida com ele por perto. Ficaram assim abraçados.

Na Casa de Capricórnio.

Shura não escondia seu desconforto por estar dividindo a segurança da Décima Casa com um total desconhecido, isso feriu seu orgulho de Cavaleiro, parecia que era incapaz de cuidar de sua própria casa sozinho. Apesar de Atena depositar nos Templários certa confiança, eles não pertenciam ao Santuário e não sabia se podia realmente confiar neles.

'O que o incomoda Cavaleiro?'-perguntou Kayo, observando a paisagem noturna da porta do templo.-'Se tem algo contra mim, fale logo.'

'Hunf!'-resmungou.-'Apenas não me sinto à vontade com vocês aqui no Santuário.'

'Não mede as palavras, hein?'-Kayo fechou os olhos e sorriu.-'Nem eu confio tanto assim em vocês. Se não fosse a intervenção de Sorento e Celeste...seus amigos estariam mortos!'

'Como é?'

'Não me pareceram tão fortes assim.'-Kayo o encarou.

Parecia que uma discussão começaria ali, que talvez resultasse em algo mais sério, se...

'Aí! Quem está afim de jogar Pôquer?'-gritou Lévy aparecendo de repente entre eles, com um largo sorriso, acompanhado por Milo, Kamus e Mattheo.

'Ahhh!'-Kayo e Shura assustaram-se.

'Truco?'-o Templário perguntou de novo, ainda sorrindo e exibindo um baralho.-'Strip-pôquer?...Não. Esse é melhor quando umas gatinhas, de preferência universitárias jogando junto!'

'Isso! Vou chamar umas mocinhas que eu conheço. Tem uma que...'-Milo começou a falar animadamente.

'Conheço uma jovem loira que se sonhasse com isso, viria a nado da ilha de Milo só para te acertar!'-falou Kamus.

'Não se atreveria!'-Milo ficou nervoso, ainda mais diante do olhar maldoso de Kamus.-'Estava brincando!'

'Jogar?'-Shura olhou para o rapaz ruivo e para os amigos atrás dele.-'Encontrou sua alma gêmea, Milo?'

'Ah, qualé?'-replicou Lévy.-'Ninguém está com sono...temos que montar guarda mesmo...um poquerzinho não mata ninguém...aceitamos só apostas em Euro! O dólar não está muito bem cotado.'

'Cê não vai falar nada para a Dione, vai?'-Milo ainda sondava Kamus.-'Se falar conto seus podres para Desirée.'

'Tudo isso é medo da sua garota?'-Shura perguntou divertido.-'Ela te domina hein?'

'Ela não me domina!'-defendeu-se o escorpião.-'Olha quem fala...quem ficou quietinho três semanas inteiras em casa quando a namorada foi visitar os parentes no Brasil?'

De repente, ouviram o barulho discreto de um celular tocando e todos olharam para o Milo.

'Seu bolso está tocando.'-disse Kayo apontando com o dedo.

'Desde quando tem um celular?'-Kamus perguntou arqueando a sobrancelha.

'Desde que a Dione deu um para ele.'-respondeu Shura.

'Ah, calem a boca!'-resmungou Milo, atendendo o celular.-'Dio? Amor há quanto tempo e...não está tudo bem. Não, não precisa ficar preocupada! Ora, só porque a deusa Atena chamou a mim e seu irmão com urgência ao Santuário não quer dizer que a Terra está ameaçada e o mundo pode acabar, né? Hã? É brincadeira...hehehehe.'-ele ouviu os amigos imitando o som de um chicote, lançou um olhar assassino para Kamus.-'Dione...a Desirée tá aí? Tenho que contar umas coisas do Kamus para ela e...AAAHHHH!'-ele se calou quando Kamus deu uma gravata nela.

'A Celeste deve estar maluca por confiar nesses caras.'-Kayo murmurou para Lévy.

'Desencana, cara!'-Lévy dá um tapinha amigável no ombro dele.-'Eles são legais! Ei, Shura...onde vamos jogar? '-e se afasta.

'Não devia ficar assim, Kayo.'-Mattheo disse ao se aproximar dele.-'É natural escondermos nossos medos usando o bom humor.'

Kayo solta um longo suspiro quando viu Lévy praticamente arrastar a todos para uma mesa nos fundos da Casa de Capricórnio.

'Onde está Celeste?'-Kayo perguntou por fim a Mattheo.

A lua iluminava o quarto quando Saga acordou de um leve cochilo. A seu lado, Celeste continuava profundamente adormecida, os cabelos espalhados pelo travesseiro, o lençol cobrindo-lhe parcialmente o corpo, o rosto belo e sereno.

Dormindo daquele jeito, nua sob o emaranhado de lençóis, parecia doce e inocente e não uma guerreira feroz. E deliciosamente desejável ao mesmo tempo. Ele sentiu o fogo do desejo percorrendo-o de imediato em resposta. Começou a afagar o braço dela demoradamente, deslizando a ponta dos dedos pela pele macia, afagando-lhe a palma da mão.

Celeste murmurou algo em seu sono e afastou a mão.

Interessado por aquele novo jogo, Saga inclinou-se para mordiscar-lhe de leve o lóbulo da orelha. Seus esforços produziram outro murmúrio de irritação, enquanto ela afundava mais a cabeça no travesseiro.

'Celeste?'-sussurrou ele.

'Hum?'

'Celeste?'

Ela abriu os olhos devagar, levando um momento para desanuviar a visão enquanto despertava.

'Saga?'

Ele abriu um largo sorriso, apoiando a cabeça com a mão.

'Estava esperando outra pessoa?'

Celeste piscou, respirou fundo e mudou de posição no travesseiro para observá-lo melhor, e deu um sorriso sonolento, satisfeito.

'Já está amanhecendo?'-ela perguntou, com um brilho diferente no olhar, levando os dedos numa carícia em seu peito.

'Não.'-ele afastou uma mecha ruiva da fronte e, então, afagou-lhe a curva do ombro.-'Você cochilou apenas meia hora.'

'Ótimo.'-Celeste abaixou mais a sua mão, detendo-se em seu abdômen musculoso.

Ele conteve a respiração e, num instante, decidiu que, por nada do mundo sairia daquela cama.

Aquele homem, que parecia indomável, inclinou a cabeça e beijou os lábios dela com muito carinho, enquanto começava a acariciar-lhe o corpo nu.

Então, ele a virou de bruços e segurou seus quadris. Saga posicionou-se e penetrou-a por trás, conduzindo-a, controlando-a, possuindo-a.

Os amantes ficaram deitados, de frente um para o outro, na imensa e macia cama. Mais de duas horas se passaram desde que Celeste chegara ali. A maior parte desse tempo fora passada na cama, enquanto faziam amor, insaciáveis, como se jamais pudessem ter o bastante um do outro.

Agora, o lençol cobria apenas uma pequena parte de seus corpos e debaixo dele, suas pernas continuavam entrelaçadas. Banhados pela luz do luar que adentrava a janela, lânguidos pelos momentos de paixão que haviam partilhado, permaneceram imóveis, calados, fitando-se nos olhos, cada um tentando adivinhar o que o outro sentia.

'Celeste...gostaria de perguntar-lhe algo.'-Saga foi o primeiro a falar, enquanto acariciava sua coxa.

'Diga.'

'Disse que...houve alguém nesse Santuário antes...'

'Está com ciúmes?'-ela sorriu e ele parou a carícia, deitando-se de costas e fitando o teto.-'Não deveria...Ele morreu há anos atrás. Foi assassinado.'

'Assassinado?'

'Dohko recusou a me dizer quem foi o responsável. Dizia que Atena cuidaria disso.'-ela sentou na cama, usando o lençol para cobrir-lhe os seios.-'Mas vou descobrir quem foi o miserável e fazê-lo pagar por tê-lo matado. Shion não merecia ser morto a traição! Shion foi uma pessoa especial para mim...ele apareceu em um momento em que havia perdido toda a minha fé, sozinha...e estava desesperada.'

A menção do nome do antigo mestre do Santuário fez Saga estremecer. Quando Ares o dominava, foi ele o responsável pela morte de Shion...Ares e não ele!

Mas o brilho de raiva nos olhos de Celeste denunciava que ela o odiaria com todas as forças se descobrisse isso...e ele não queria isso!

Saga sentou-se a seu lado e a beijou de surpresa, ardorosamente.

'O que foi?'-ela perguntou depois que se afastaram.

'Nada.'-ele respondeu fitando-a.-'Quero que confie em mim. Que acredite em mim.!

'Eu confio e acredito.'-ela sorriu.-'Vou até a cidade. Buscar minhas roupas.'

'Irei com você.'-ele decidiu.

Quando tivesse a oportunidade, conversariam sobre o que houve com Shion, ele a faria entender que não foi o verdadeiro responsável. Ela o perdoaria.

Hades.

'Chegamos!'-anunciou Caronte, apontando para um templo logo adiante.- 'Bem vindos ao Hades!'

'Ainda bem! Achei que nunca chegaríamos.'-replicou Ariel carrancudo.

'Viajam de graça e ainda reclamam.'-resmungou mas mudou de assunto ao reparar no olhar que Ariel lhe lançou, protegendo o nariz com ambas as mãos e voltando para o seu barco.-'Aquele é a Morada do Juízo. Se quiserem ir até a minha senhora, devem passar pelo Senhor Lune primeiro. Aqui me despeço...espero nunca mais vê-los novamente!'

Os anjos observaram Caronte e seu barco sumirem na densa neblina. E depois, decidiram subir as enormes escadarias em direção a Morada do Juízo.

'Reparou Ariel?

'O quê?'

'Esse silêncio...é muito estranho!'

'Tem razão. Mas não vamos nos preocupar com isso. Não temos tanto tempo assim.'-eles param diante dos grandes portais.-'É aqui!'

Facilmente, ele abre as pesadas portas, fazendo um terrível barulho, e deparam-se com um grande Salão. Logo apareceu um homenzinho careca, e feio, com uma armadura negra e uma foice, que corria desesperadamente até eles.

'Estão loucos!'-falava sussurrando.-'Querem ser destruídos sem antes de serem julgados? Aqui, na presença do Senhor Lune, devem manter total silêncio!Ainda mais porque meu mestre está repousando...devem permanecer quietos enquanto ele não aparece!Eu sou Markino, servo do poderoso Senhor Lune.'

'Ah, é?'-Ariel levantou a sobrancelha, impaciente.-'Ele está dormindo...a Terra ameaçada e ele dormindo!'

'Ariel..não queremos problemas.'-pediu Rahel.-'Temos que chegar até a imperatriz Perséfone logo e...'

'E COMO VAMOS CHEGAR ATÉ ELA, SE O RESPONSÁVEL POR ESSE LUGAR ESTA TIRANDO UMA SONECA?'-gritou.

'Estamos mortos!'-Markino gemeu, se encolhendo.-'Ele vai me matar...de novo..'

Ouviram passos se aproximando e um homem ricamente trajado, cabelos longos e prateados, olhos violetas inquiridores adentrou no Salão, carregando um livro debaixo do braço. Era Lune.

'Hunf!'-resmungou sentando-se numa mesa, os anjos se sentiram em um tribunal pela maneira que eles eram observados.-'Saibam que nesse lugar, o silêncio é sagrado! Não irei tolerar mais atos desagradáveis como esse! Todos os mortos que aqui chegam devem ser julgados por seus crimes! Digam seus nomes para que possa encontrar nos meus registros todos os seus pecados cometidos em vida.'

'Se não reparou..'-Ariel começou a falar.-'Não estamos mortos...e nem somos humanos! Somos anjos guardiões e desejamos ser levados até a sua senhora...precisamos de sua ajuda!'

'Impossível!'-Lune ergueu-se.-'Eu Lune de Balron, da Estrela Maléfica Celeste Sábia, não posso permitir que passem assim...Lorde Hades deu instruções precisas que em caso de se ausentar, tanto o seu reino como a sua imperatriz devem ser protegidos contra qualquer invasor!'

No meio do Rio Aqueronte.

'Gente infame.'-resmungava Caronte.-'espero nunca mais ver aqueles desagradáveis que me acertaram...tomara que Lune os faça em pedaços e ...hein? Que é aquilo?'

Caronte sentiu a presença de quatro poderosos cosmos, que se aproximavam a alta velocidade!

'Invasores!'-ele grita.-'Quem ousa?'

Os Cosmos se aproximavam ameaçadoramente dele.

'Saibam que eu, Caronte de Aqueronte a Estrel...'

Caronte foi silenciado para sempre, por um feixe de energia, que ao atingi-lo, parte seu corpo em dois, seus restos mortais caem no rio, desaparecendo em suas águas amaldiçoadas. Os possuidores dos Cosmos gargalham, continuando seu trajeto.

Na Morada Do Juízo.

Rahel não sabia o que fazer, queria enfrentar Lune e ajudar Ariel preso pelo chicote dele e começar uma batalha que poderia atrair todos os espectros e reduzir as chances de realizar sua missão, mas temia que qualquer ação sua provocasse sua morte.

'Está preso em meu Chicote de Fogo, 'anjo'.'-Lune sorriu confiante.-'O que pretende fazer?'

'Essa criancice está me enchendo.'-resmungou o anjo, que expande seu Cosmo, libertando-se do chicote, diante dos olhares surpresos de todos.-'Não somos invasores, nem nos interessa fazer mal a sua rainha...precisamos dela para trazer de volta um espírito aqui encarcerado!'

'Tolo! Não permitirei que...Que Cosmos são esses que se aproximam? São terríveis!'

'Essa não.'-gemeu Rahel.-'São eles!'

Ariel volta o olhar para o Rio Aqueronte e percebe que os Cosmos seguem outro caminho.

'O que há naquela direção?'-Ariel pergunta a Lune.

'O que está havendo?'-inquiriu o espectro.

'DIGA DE UMA VEZ!'-gritou o anjo, impaciente.

'O Palácio de sua Majestade Hades.'-respondeu Markino.-'E além dele, o Muro das Lamentações e os Campos Elíseos.'

'Onde sua rainha está?'-Rahel pergunta a Markino.

'Nos Campos Elíseos.'-respondeu.

'Leviatha não quer que Lúcifer retorne...mandou assassinarem a única neste lugar com poder para trazê-lo de volta!'-concluiu Ariel.

'Por Hades!'-Lune fica pálido.-'Esses invasores estão se dirigindo até a minha rainha?'

'E então? Vai nos ajudar a chegar até a sua rainha antes deles ou não?'-falou Ariel visivelmente nervoso.

No Santuário.

'Bati de novo!'-anunciou Lévy mostrando as cartas, com um grande sorriso.-'Eu sou o bom!'

'Diablos! Como ele consegue ter tanta sorte no pôquer?'-resmungou Shura jogando as cartas na mesa. Gesto esse repetido pelos demais jogadores.

'Que é isso, gente...eu sou o melhor!'-disse sorrindo, pegando o dinheiro das apostas.

'Conhecem o ditado. Sorte no jogo, azar no amor!'-Mattheo comentou com um sorriso.-'O tapa que aquela garota te deu..ainda dói?'

'Tapa de amor não dói, padreco!'-replicou.-'É que a minha Tchutchuquinha ainda não descobriu que os fomos feitos um para o outro!'

'Tchuchuquinha?'-Shura surpreendeu-se.-'Não quero estar na sua pele quando você chamar a Shina de 'Tchutchuquinha'!'

'Vocês não entendem nada da linguagem do amor!'-ele ergue as mãos, Kamus nota algo em sua manga.-'Somos almas gêmeas.'

'O que é isso?'-Kamus pega no braço de Lévy e puxa a manga. Várias cartas caem no chão.

Os Templários e os Cavaleiros olham para as cartas espalhadas e depois para Lévy, com caras de péssimos amigos.

'P-puxa! Como isso foi parar aí?'-Lévy disse com inocência.-'Pessoal? Por que estão me olhando desse jeito? AAAAHHHHH...'

Shura, Milo e Kayo caem em cima de Lévy, para lhe darem uma surra. Mattheo começa a embaralhar as cartas e pergunta a Kamus.

'Conhece Tranca?'

De repente, todos no Santuário param o que estão fazendo. Eles sentem uma presença maligna sobre a cidade de Atenas. Os seis correm para fora da Casa de Capricórnio, os demais cavaleiros e guerreiros também lançam olhares preocupados para a cidade.

Do alto de seu templo, tendo o cavaleiro de Pégasus ao seu lado, Atena estremece.

'É ela!'-Atena diz.-'Mas seu Cosmo está mais poderoso do que nunca!'

'Senhora Atena.'-Dohko se aproxima acompanhado por Joan e Kanon.-'Ela saiu de seu esconderijo. Por que?'

'Não sei.'

'Alguém viu Celeste?'-pergunta Joan de repente.

'Meu irmão também não está na Casa de Gêmeos.'

Celeste e Saga saem da capela usada por ela como morada. Ela usava agora uma calça jeans e uma blusa branca, Saga havia deixado a armadura no Santuário e vestia-se de maneira esportiva.

Eles sentem um poderoso e sombrio cosmo se aproximando. Com gestos rápidos Celeste se coloca em guarda e solta uma imprecação ao se lembrar que havia esquecido sua lança no Santuário. Saga permanece com o semblante inalterado, tentando determinar o poder do inimigo.

'Celeste.'-uma voz melodiosa mas fria atrai a atenção deles para a rua deserta.-'Não vai me dar um abraço? Afinal, já faz anos que não nos vemos.'

Uma bela mulher de cabelo negros e olhos vermelhos se aproxima, acompanhada por Olivier e um outro caído, calvo e cujo rosto e olhar lembravam o de uma serpente. Saga fica boquiaberto ao notar a incrível semelhança entre ela e Celeste, apesar da cor dos cabelos e olhos serem diferentes.

'Quem?'-indagou surpreso.

'Leviatha.'-respondeu tensa.

'Ora, pensei que ficaria feliz em me ver, irmã.'-Leviatha falava sorrindo.

'Não somos irmãs!'

'Irmã?'

Saga teve a nítida impressão de que os olhos de Leviatha se assemelhavam ao de uma serpente venenosa que acabara de encurralar um indefeso roedor. De repente, como e adivinhasse tais pensamentos, Leviatha desviou o olhar da irmã e fixou em Saga.

'Ah, o Cavaleiro com duas almas.'

'Quieta, Leviatha.'-ordenou Celeste.-'O que quer? Terminar o que começamos séculos atrás?'

Leviatha ergue a mão e toca em seu coração, como e alisasse algo escondido pela roupa. Sua expressão serena torna-se sombria. Depois acrescenta:

'No momento oportuno. Schare, Olivier.'

'Sim.'-responderam ao mesmo tempo.

'Cuidem dela. Quero privacidade para conversar com o Cavaleiro.'

Os Caídos que a seguem avança sobre Celeste, que coloca seus braços sobre seu corpo para amparar os golpes de ambos. E é arrastada por vários quarteirões.

'Celeste.'-Saga grita por ela, fazendo menção de ajudá-la.

'Pare, Cavaleiro.'-Leviatha ordenou, e aproximando.-'Não é bem com você que quero conversar.'

Saga sente que seu corpo fica imobilizado, não consegue se mexer nem mesmo quando ela se aproxima e sussurra em seu ouvido:

'E sim com a sua outra metade...escondida bem fundo em sua alma.'-ela sorri e chama.-'Ares, está aí?'

Celeste precisava ajudar Saga. Se sua alma fosse tocada por Leviatha, poderia significar a sua danação eterna.

'Droga!'-praguejou , se desviando dos ataques.-'Chega de brincar!

Os olhos dourados de Celeste começaram a brilhar. Seu corpo emitiam uma forte luz prateada, aumentando seu Cosmo. Avançou contra Schare, tencionando abrir passagem entre eles. Golpeou-o de forma tão rápida com vários socos e chutes que o desnorteou. Olivier permanecia parado, observando ao longe o desenrolar dos fatos.

Aproveitando-se disso, correu em direção a Saga o mais rápido que pode.

Avistou Leviatha, envolvendo-o em seu Cosmo negro e maligno, ele parecia enfeitiçado por ela.

'Leviatha!'-Celeste gritou.

Leviatha não se mexe e Celeste é atingida com tudo por um poderoso Cosmo. Era Saga quem a atacou. Ele mantinha um olhar vazio. Depois se contorce como se sentisse uma grande dor.

'Ares está saindo.'-ela disse com confiança.-'Seu provável aliado, querida Celeste, tornar-se-á seu algoz.'

Saga se ergue, sua expressão está mudada. Os olhos antes azuis adquiriram uma tonalidade vermelha assustadora e a sua face mais parecia ser um reflexo distorcido do Cavaleiro que foi. Leviatha se aproxima, apoiando-se em seu ombro e toca o rosto dele com os dedos como uma carícia:

'Ares?'-ela chama.

'Sim, Leviatha?'-até a voz havia se alterado. Mais fria e cruel.

'Darei a vingança que tanto almeja à você...em troca apenas me ajude a realizar um sonho. Começando por eliminar uma pedra em meu caminho há milênios.'-ela se afasta de Ares.-'A maldita não pode morrer...ainda, mas...'-ela sorri maldosamente.-'Faça-a sofrer muito!'

'Tudo bem.'

Ares avança contra Celeste, que se desvia do primeiro ataque. Leviatha assiste a tudo com um largo sorriso. Ele tenta golpeá-la outra vez, mas a jovem se defende e dá uma joelhada no estômago dele. E ele sorri, como se o golpe não fosse nada.

Celeste dá uns passos para trás e encara o Cavaleiro. Não quer usar seu poder e nem seus golpes, teme matá-lo no processo. Infelizmente o brilho cruel que toma conta de seus olhos lhe diz que ele não terá os mesmos escrúpulos em relação a ela. Ela sentiu uma forte onda de energia vindo e é jogada contra uma parede. Ares a segura com um dos braços, pressionando seu pescoço, contra a mesma e dá uma gargalhada maldosa, concentrando seu Cosmo em sua mão livre.

'Antes de terminar isso queria lhe dizer duas coisas.'-ele começa a falar.- 'Obrigado pelos momentos de prazer, você será inesquecível!'-dizendo isso dá um beijo nela e depois se afasta.-'E...é mesmo! Sabe quem matou seu querido Shion? Fui eu!'

'N-não...'

'Sim.'-Ele sorri e ergue a mão, seu cosmo maligno formando uma esfera de pura energia pronta para ser disparada.-'Adeus.'

Continua...

Nota: As personagens Maíse (A namorada brasileira do Shura), Dione e Desirée, são criações minhas e estão, respectivamente nas fics: Perfume de Jasmim, Surpresas do coração e Uma Garota Especial. Leiam, vocês vão gostar!