Capítulo 7 – Ganhar, perder

Play, play the game tonight

Can you tell me if it's wrong or right

Is it worth of time, is worth the price

Do you see yourself in the White spotlight

Then play the game tonight...

(Kansas: Play the Game Tonight – Vinyl Confessions, 1982)

Ano 783, Monte Paozu

A tarde ia caindo, e, depois de explicar a Tchai o que era ki, ensiná-la alguns golpes básicos e começar a efetivamente ensiná-la a se concentrar para conseguir acessar o próprio ki, Goten estava positivamente surpreso.

Ela tinha facilidade para se concentrar. Parecia algo que simplesmente nascera com ela. Lembrava-se de seu irmão ensinando Videl a fazer esferas de ki, muito tempo atrás, e da dificuldade que a menina tivera para e entender o que era o ki e como usá-lo, graças à falta de concentração. Toda essa lição demorara pouco com Tchai. Parecia que ela estava ansiosa para aprender aquilo, como se fosse algo que estivesse pronta para aprender há muito tempo.

Ela prestara atenção minuciosamente na explicação dele, ouvindo cada palavra com interesse, então, fechara os olhos. Goten ficou observando o rosto dela. O fato de ter um terceiro olho acabava chamando mais atenção que os traços delicados do seu rosto. Tchai era uma garota bonita, na verdade, e ele finalmente percebeu isso.

"Para com isso, Goten" ele pensou "você está carente, não confunda as coisas".

Ela tinha as mãos juntas à frente do corpo, e, seguindo a orientação dele, começou a afastá-las lentamente, extremamente concentrada. Uma pequena esfera de energia apareceu quase imediatamente, fazendo Goten espantar-se. Não sabia se era por causa de sua natureza diferente, mas ela havia conseguido acessar seu ki com grande facilidade.

E o mais interessante, para Goten, era que, a partir do momento em que ela se conscientizara sobre seu ki, o verdadeiro aspecto dele brilhou e ele pôde ver aquilo que percebera sob camadas e camadas de falta de confiança da menina em si mesma: um grande potencial de concentração e a capacidade de aumentar sua força que ela não sabia que tinha. Era como se o ki dela houvesse se transformado em outro. E Goten sabia que essa mudança seria irreversível.

- Abra os olhos, Tchai – ele disse, num tom neutro e professoral. Quando ela se deparou com a esfera de energia, abriu a boca espantada e disse:

- Eu fiz isso? – a bola de energia desapareceu com um "pof!" e ela disse:

- Como isso é possível?

- Não é possível para todo mundo, é preciso ter certa sensibilidade para acessar o próprio ki – Goten disse, sorrindo – e não imaginava que você conseguisse de primeira.

- O que você consegue fazer, Goten? Quer dizer, você também consegue fazer essas coisas de ki?

Ele gargalhou e disse:

- "Essas coisas de ki" são só uma parte do meu treinamento, mas eu já sei muitos golpes com ou sem energia, porque tive os melhores professores. Meu pai e minha mãe.

- Os dois lutam?

- Minha mãe lutava, ela me ensinou o básico desde que eu tinha três anos... depois meu irmão me ensinou a usar o ki, e quando meu pai voltou...

- Voltou de onde?

Ele a encarou e pensou se ela estava preparada para saber tudo sobre a sua vida.

- Bem... Meu pai esteve morto por uns anos.

- Morto, tipo, sumido... abandonou vocês?

- Não, morto tipo morto mesmo, no outro mundo. Duas vezes na verdade, uma quando eu não era nascido e outra desde um pouco antes de eu nascer até eu ter sete anos.

- Como alguém pode morrer e voltar à vida? Isso não parece lógico.

- Tem mais umas coisas que você não sabe... Pode parecer louco, estranho e surreal, mas a minha vida tem muitas coisas incomuns. Se eu contar você não vai achar que eu sou um mitomaníaco inventando coisas?

- Goten, eu tenho um terceiro olho na minha testa. Estou preparada para coisas loucas estranhas e surreais, porque acho que eu mesmo sou uma.

Ele sorriu e pensou por onde começar:

- Bem, primeiro: tem umas esferas que podem realizar desejos, quase qualquer desejo mesmo... a primeira vez que meu pai voltou foi com elas... é uma longa história, qualquer hora te conto.

- Você fala do seu pai de um jeito... ele deve ser muito legal.

Goten sorriu.

- Ele é. Ele e o pai do Trunks são os caras mais fortes do universo, praticamente. Aliás, há dois anos eles ajudaram nosso universo a vencer um torneio entre todos os univeros que existem... nossa, é muita coisa pra explicar, nem sei por onde começo...

Ele relatou brevemente a história do seu pai, que a força dele vinha do fato dele ser de uma raça extraterrestre quase extinta, falou sobre os sayajins, disse que o planeta fora destruído mas haviam sobrado alguns, dos quais seu pai e Vegeta eram praticamente os últimos remanescentes, falou sobre a quase invasão sayajin, explicando que havia sido anos antes dele nascer, que seu pai estivera em outros lugares no universo e terminou dizendo:

- Isso significa que eu, meu irmão e Trunks somos todos meio-sayajins também, mas nascidos na Terra. Todos nós somos muito fortes, mas logicamente meu pai e o senhor Vegeta, pai do Trunks, estão à nossa frente, porque eles conseguem elevar sua força muito além do que eu e Trunks conseguimos, por exemplo.

- Elevar a força?

Ele coçou a cabeça. Se ela ia ser sua aluna, deveria mostrar a ela o que poderia fazer.

- Não se assuste, ok? – ele disse e se transformou em super sayajin. A menina deu um pequeno salto, observando-o espantada. – essa transformação aumenta muito o meu poder... mas eu não devo ficar assim muito tempo, cansa muito – ele disse e voltou ao normal.

- Você assim fica mais forte? Eu senti uma coisa... como se uma coisa enorme tivesse aparecido do nada.

Goten riu.

- Você sentiu o aumento do meu ki. Se você começar a treinar, vai ficar cada vez mais sensível ao ki.

- Caramba... e você consegue ficar mais forte do que nesse negócio super aí?

- Bem, eu conseguia quando eu e Trunks, bem, a gente conseguia se fundir e virávamos um outro cara...

- Se fundiam? Como assim?

- Ocupávamos o mesmo corpo e nossas mentes trabalhavam juntas. É o que se chama de fusão – ele riu, mas, de repente, seu rosto pareceu anuviar-se – não acho que vá acontecer de novo, porém...

- Por quê?

- Porque eu briguei com ele e não quero saber dele tão cedo.

- Brigou? Por isso que não treinamos com ele?

- Sim...

- Mas... por quê?

Ele ficou olhando para a garota, hesitante. Como agora ela era a única amiga que ele tinha, decidiu contar:

- Você via que a gente andava com a Mai, né?

- Sim – ela disse, se esforçando para não fazer cara de nojo à simples menção do nome da garota que só a tratara mal.

- Há muito tempo eu e Tunks gostamos dela... E os dois estão juntos e estavam escondendo isso de mim. E, bem, eu me conformaria em perder a única garota que eu gostei na vida para o meu melhor amigo se eles não tivessem escondido de mim que estavam juntos. É uma traição dupla.

O coração de Tchai afundou no peito, mas ela conseguiu disfarçar a decepção. Claro que ele gostava da garota linda de cabelos sedosos. Além de mais bonita, ela não tinha três olhos. De repente, não queria mais treinar.

- Goten... eu sinto muito. – foi a única coisa que ela conseguiu dizer – mas está ficando tarde. Eu preciso ir pra casa.

- Eu te levo – ele levantou-se, sorrindo novamente, como se não tivesse contado tudo aquilo para ela – mas tem um problema que eu não levei em conta... eu preciso me concentrar em algum ki pra te teletransportar... Eu não posso me teletransportar direto para sua casa.

- Ai, Goten, a gente está longe demais, tipo uns mil kilômetros!

- Nem voando íamos chegar antes de anoitecer...

- Voando?

- Ah, sim, depois eu vou te ensinar isso também. Como voar.

- GOTEN! Dá um jeito, eu preciso ir pra casa. Minha mãe vai me matar!

- Ah, já sei. Lembrei de uma coisa.

- O quê?

- Meu irmão mora na sua rua. Vou me teletransportar pra casa dele... – ele estendeu a mão e ela logo segurou. Olhou para o rosto dele, concentrado e, repentinamente percebeu: ela conseguia sentir o ki de Goten! Mas achou melhor guardar a informação para si mesma enquanto ele dizia: – segure firme a minha mão...

Num segundo, estavam na sala de um apartamento médio. Tchai olhou em volta. Havia um jovem de pé na varanda, que ela imaginou que só podia ser o irmão dele e ele conversava com um sujeito... verde? Ela precisou disfarçar o susto e constrangimento que sentiu, mas Goten não pareceu nem um pouco preocupado com isso.

- Oi irmão – ele disse, coçando a cabeça – foi uma emergência.

- Já não basta nosso pai se teletransportando para todo lado e agora tem você também – riu Gohan – que espécie de emergência?

- Tio Goten! – uma garotinha de aparentes quatro anos veio correndo de dentro de um quarto lateral e praticamente se jogou em Goten, que a segurou no colo e disse:

– Oi Panzuca! Já conseguiu montar o quebra-cabeça de dinossauro?

- Não sem você, tio – ela disse, fazendo uma careta e enxergando Tchai – quem é ela?

Goten pareceu se tocar que não a havia apresentado e disse:

- Ah, essa é a Tchai, ela é minha amiga e nós estamos treinando juntos. Esses são meu irmão Gohan, a Pan e...

- Juntos? – Gohan interrompeu, olhando para Tchai e finalmente percebendo que ela tinha três olhos – Eu não sabia que Tenshin Han tinha uma filha...

- Quem? – perguntou Tchai.

- Ela não é filha dele não – apressou-se Goten – ela é uma amiga do colégio e mora aqui perto. Cadê a Videl?

- A Videl está aqui – uma moça de olhos azuis e cabelos pretos veio de onde viera a garota e disse – prazer, Tchai. E esse aqui que ninguém te apresentou é o senhor Piccolo.

Tchai encarou o homem verde que não dissera nenhuma palavra, apenas a observava com um ar intrigado. Ele a cumprimentou então, imediatamente antes de Goten dizer:

- Agora precisamos ir! Parece que a mãe dela é uma fera. – Goten se dirigiu à porta, depois de colocar Pan no chão.

- E é mesmo. – Tchai riu – tchauzinho.

- Como é mesmo o nome da sua mãe? – perguntou Piccolo, surpreendendo Tchai.

- Lucy – respondeu a menina, intrigada.

Piccolo não disse nada, apenas observou enquanto Goten levava a menina, aparentemente com pressa. Quando os dois saíram, ele se virou para Gohan.

- Além do óbvio fato dela certamente ser filha de Tenshin Han, aparentemente nem ele e muito menos ela sabem disso.

O rapaz coçou a cabeça e disse:

- Quem será essa tal de Lucy?

- Tenshin Han é o amigo do seu pai que é igual a mim? – perguntou Tchai para Goten, conforme atravessavam a rua.

- Sim, É. Mas você não parece com ele, meu irmão viajou nessa. O Tenshin é careca e tem os olhos pretos, nada a ver contigo.

Ela riu. Quando chegaram à porta do prédio, ele perguntou:

- Quer que eu suba? Posso me explicar com a sua mãe.

- Não, não precisa! – ela disse. Tudo que não precisava era um interrogatório.

Goten deu um sorriso antes de levar os dois dedos à testa e desaparecer. Ela suspirou. Ia ter que conviver com o fato de que ele gostava de outra.

Quando entrou em casa, para variar, seus pais discutiam. Ela passou rápido para o quarto, ignorando os dois, como sempre fazia quando eles brigavam. Trancou-se, como sempre fazia, irritada. Como de hábito, colocou os fones de ouvido e ligou uma música bem alta. Mas em vez de olhar o teto sem pensar em nada, ela se dirigiu à sua escrivaninha, tinha que fazer aquilo enquanto o rosto dele estava fresco em sua mente: desenhou com traços simples o sorriso lindo de Goten. Pensou que ele disse que também desenhava. Era uma coisa que tinham em comum.

Suspirou e então, decidiu que era hora de praticar o que aprendera com ele naquele dia: sentou-se na cama em posição de lótus e se concentrou.

Quanto antes aprendesse aquela coisa de ki, melhor.

Enquanto isso, na Corporação Cápsula, Trunks e Mai ouviam um sermão de Vegeta, que, depois de muita desconfiança, baixara seu ki para vigiá-los e flagrara finalmente os dois aos beijos no quarto dele.

- Essa casa tem regras, mocinhos. E elas incluem comunicar aos pais qualquer relacionamento...

- Pai, a gente só estava se beijando...

- Quando quiser que você se manifeste, eu o convido a falar Trunks...

Bulma apareceu à porta e disse:

- Deixa os garotos.

- Por acaso você quer ser avó antes do tempo? – ele perguntou e Bulma disse:

- Usem camisinha, crianças. Vegeta, tenho coisas mais importantes para falar com você.

Ele bufou, mas seguiu-a ao laboratório onde ela disse, mostrando uma série de planilhas:

- Meus espiões detectaram uma movimentação suspeita nas contas da Red Ribbon, como eu tinha avisado que estava acontecendo.

Ele a encarou, de má vontade e disse:

- Tá, eles estão gastando dinheiro... e?

- E, da última vez que isso aconteceu nessa escala eles estavam construindo os androides do Dr. Gero.

- Acho que vamos ter que avisar Kakarotto...

- Sim. Deixe logo de frescura e mande uma mensagem para ele, ao contrário de você, ele costuma responder mensagens de texto...

Ele grunhiu, mau humorado. Nada deixava a mulher mais irritante do que estar certa.

Ano 758, um ano após o fim do 23º torneio de artes marciais

O sol descia lentamente, avermelhando as paisagens melancólicas das montanhas do norte. Tenhsin e Chaos treinavam, depois de ter cuidado da plantação, numa campina gramada que, sob o sol outonal, tingia-se de um tom suave de ocre. O vento ondulava suavemente o mato baixo e ao longe, ouvia-se o murmúrio de uma queda d'água. Lunch vinha subindo a colina com uma cesta com um lanche para eles. Ela estava com os cabelos pretos, e tinha uma expressão serena e feliz.

Sentaram-se quando ela estendeu uma toalha e começou a tirar a comida da cesta. Os três viviam, na medida do possível, bem, há um ano. Tenshin sentia-se finalmente em paz, mas a convivência com os dois aspectos da personalidade dela não era fácil porque uma personalidade tinha muito ciúme da outra. E competiam pela sua atenção.

Comeram tranquilamente, embora os sanduíches não fossem deliciosos. Mas apesar dos dotes culinários limitados de Lunch, ela se esforçava bastante para agradar os dois. No entanto, todos admitiam que quando Tenshin cozinhava o resultado era bem melhor. Já Chaos era muito eficiente usando seus poderes telecinéticos para arrumar a casa e, principalmente, cuidar da plantação. Quando terminaram, ele fez alguns gestos no ar e tudo que estava espalhado voltou para a cesta, fazendo Lunch rir. Ele pegou a cesta e ficou olhando para os dois, até que Tenshin disse:

- Pode ir, Chaos, nós vamos depois.

O garoto pegou a cesta com as duas mãos e saiu voando, na direção da casa deles. Tenshin a puxou para si e deitaram os dois no capim dourado, sentindo a brisa suave e refrescante, enquanto ele acariciava suavemente o corpo dela. Beijaram-se longamente e, quando pararam para tomar fôlego ele disse, olhando para o rosto dela:

- Eu amo você.

- Eu também o amo – ela sorriu. – mas... é só a mim que você ama?

Ele suspirou. Sempre o mesmo problema. Com a voz cansada, disse:

- Amo você. Amo cada aspecto de você. – ele começou a beijar-lhe os ombros, murmurando: - amo cada curva, cada olhar, cada palavra que você diz...

- Mas ama a outra também...

Ele parou de beijá-la. Às vezes isso estragava tudo. Ela pareceu arrependida, e decidiu mudar de assunto:

- Por que Chaos nunca irá crescer? – o menino a intrigava. Ao contrário da outra, que vivia querendo mandá-lo embora, ela gostava dele.

Tenshin suspirou e disse:

- Quando eu o conheci, eu era menor que ele... nós dois estávamos no mesmo orfanato. Eu cresci e ele continuou o mesmo. Não sei quantos anos ele tem, mas sei que ele é mortal, embora não cresça e nem envelheça. Anos depois, buscamos a aldeia dele e eu descobri por que ele é assim...

- Os pais dele moravam naquela aldeia e desejavam um filho, mas não conseguiam. Tentaram de tudo para que a mulher engravidasse, mas não acontecia... então, o marido invocou um Mógui, porque acreditava que um espírito do outro mundo poderia ajudá-lo.

- Espírito do outro mundo?

- Sim... Você sabe que os Deuses estão acima de nós, pertencem ao éter, assim como os demônios estão abaixo de nós, no submundo. Mas há os Móguis e os Jingshén, espíritos que podem caminhar sobre a Terra, representando os interesses dos Deuses ou, no caso dos Móguis, dos demônios.

- O Mógui que o homem convocou era inteligente, tinha uma ótima conversa. E disse ao homem que poderia resolver o problema dele. Ele disse que queria uma criança, que a mulher chorava vendo bonecas, desejando ser mãe.

- Fizeram um acordo com o Mógui e logo ela engravidou... mas quando Chaos nasceu, eles puderam ver que não era uma criança comum, e, com o passar dos anos, como se ele não crescesse, o homem tornou a invocar o Mógui, que disse:

- Não era uma criança que queriam, terão uma criança para sempre...

- E o que aconteceu com os pais dele?

- A mãe se matou, ao ver que não havia solução para o acordo... e o pai morreu de tanto beber. Ficou o pequeno Chaos, e nos conhecemos quando eu era pequeno. Eu fui o último que sobrou da minha aldeia após um massacre, e, como éramos ambos diferentes das demais crianças, nós nos tornamos muito amigos... e somos como irmãos até hoje. Eu tenho um compromisso com ele.

Ela sorriu. Tornaram a beijar-se longamente e logo ele puxava as roupas dela, com urgência, desejando-a demais, desejando amá-la ali mesmo naquela campina, sobre aquela grama. Então, ela estava nua, e ele beijava-lhe o corpo, fazendo-a gemer. Quando ele começou a descer os beijos, brincando com a língua na sua pele nua, a grama roçou no rosto dela e a fez espirrar.

Ela sentou-se e o encarou, de novo com aquele olhar onde faíscas verdes cintilavam e disse:

- Você ia fazer amor com ela?

- Eu ia fazer amor com você. Porque eu já te disse que você é ela e ela é você.

Ela riu e disse, já tomando posse do corpo dele e enroscando os braços em volta de seu pescoço:

- Hoje você é meu. Dessa vez, ela perdeu.

Ano 766, num deserto escaldante, na sombra de uma antiga pirâmide.

Finalmente, ela teria a última esfera do dragão. Sentia-se triunfante ao ver o radar piscando pela última vez. Os cabelos louros estavam escondidos sob um chapéu de safári, e ela usava uma pá para tentar achar a parede falsa que levava ao interior da pirâmide. Logo, uma placa de calcário fino cedeu e ela entrou, por uma pequena abertura.

O interior da pirâmide era abafado, sombrio. Ela acendeu uma lanterna e seguiu, sempre buscando a fonte do sinal. Mas estava ficando cada vez mais sufocante e difícil seguir em frente. Cada placa de calcário que ela achava e quebrava, levava a mais uma câmara. Mas quando ela quebrou a última, uma nuvem de poeira secular levantou-se, espalhando esporos no ar.

E ela tinha alergia a esporos.

Seus dedos fechavam-se sobre a última esfera e ela sorriu, sentindo o triunfo de ter as sete esferas por um único instante, porque nesse exato momento, espirrou e seus cabelos ficaram negros.

Quando percebeu o que tinha na mão, ela apertou a esfera com força, e indo na direção onde a câmara era mais clara, buscou a saída.

Dessa vez ela havia vencido.

Notas:

Tchai acabou de ter seu coração partido por Goten, mas vocês devem ter percebido que há esperança para ela, afinal ele não é indiferente aos seus encantos – sim, ela os tem.

A Red Ribbon está aprontando alguma e, se vocês ficaram atentos, o marido da Lunch parece que tem algum papel nessa história.

Por que Lunch trocou o homem que amava – e aparentemente jamais deixou de amar – por um casamento tão ruim?

Móguis e Jingshén são figuras do folclore Chinês. Em algumas partes da China, acredita-se que sejam espíritos de antepassados mortos que decidem servir aos deuses ou aos demônios e em outras, criaturas espirituais com a mesma função. E essa explicação é importante.

Parece que a Lunch loura morreu na praia. Será?