Gente, que saudade! Bom, eu não consegui uma boa colocação nos concursos que estudei (embora tenha sido aprovada) Pelo menos um eu sei que não, só resta saber o outro. Mas de qualquer jeito , vou intensificar meus estudos.

Só que não quero mais ficar sem escrever. Eu adoro isso! E é algo que vou continuar fazendo. Só vou me organizar melhor. Por isso, podem ficar tranquilas, vou voltar a postar essa tradução pelo menos uma vez por mês. E depois que, finalmente, eu assumir um cargo público vou postar com mais frequência. OK? No final, alguns esclarecimentos. E sem mais demoras, fiquem com o novo capítulo. Boa leitura!

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Itachi o olhava com uma sutil expressão de gravidade. Obito estava bastante tenso em sua cadeira.

- O que você sabe sobre a quantia faltante do trimestre anterior?

Obito engoliu em seco. Deu um sorriso nervoso.

- O que ... o que eu preciso saber exatamente .. Itachi-sama?

-A conta e a retirada anterior – respondeu o moreno estoicamente, embora sua voz estivesse num tom paciente, tal como se emprega a uma criança com dificuldades de aprendizagem – Houve uma perda de mais cinco mil reais e você sabia – não mostrava qualquer indignação contra Obito, mas sua modulação de voz era ligeiramente mais forte do que o habitual – ... e queria saber se você poderia me explicar por que não aparecia no banco de dados.

Uma gota de suor escorreu na testa de Obito, perto do aro dos óculos. Seus dedos nervosamente percorriam o arame de seu bloco de contabilidade.

-Mas ... nunca houve uma perda – disse dando de ombros – Se tivesse acontecido, eu teria sido informado, Itachi-sama.

Uchiha Obito era um ano mais velho que Shisui e três meses mais novo que Itachi, e ao contrário do primeiro, Obito pertencia ao ramo principal da família Uchiha. Ele se especializou em contabilidade administrativa, graduando-se um ano depois de Itachi, porque suspendeu dois semestres por se envolver em problemas como estagiário em um escritório de advocacia cuja reputação era clandestina. O problema não era a origem duvidosa do lugar, mas os "curiosos" clientes com que Obito estava trabalhando secretamente.

E o cara não era exatamente um gênio tal como Itachi. Era esquecido e, por vezes, bastante distraído, ou pelo menos era o que aparentava. Após o incidente em sua primeira experiência profissional, conseguiu a proteção e assistência do próprio Madara, e foi este quem o recomendou para se iniciar como chefe de contabilidade da Uchiha Ad Worx; dada a insistência de Madara, Fugaku concordou quase forçado .

A desconfiança de Fugaku em relação Obito já não parecia tão infundada, ou pelo menos não parecia, deduziu Itachi.

- Aqui está a quantia faltante – Itachi lhe deu a pasta que desde semana passada rodava de seu escritório para os arquivos de Shisui e vice-versa – Essa folha foi impressa na última segunda-feira e esta hoje pela manhã – deixou a folha que o primo lhe mostrara há menos de uma hora

- Pode ser erro de servidor – falou Obito mais relaxado ao ler a cifra da folha recente – Isso já aconteceu comigo várias vezes.

É claro que Itachi não iria engolir semelhante desculpa.

As coisas caem sob seu próprio peso, mas isso não significava que o Uchiha deixaria que fugissem ao seu controle. Estar acorrentado às responsabilidades da liderança na empresa, dava-lhe a vantagem de poder assumir o comando com mão firme.

-Humpf... Então antes de fechar o balanço do trimestre no prazo programado, deixarei que Shisui supervisione o banco de dados.

-Ok, Itachi-sama – Obito concordou e assentiu com a cabeça de forma bem exagerada

Itachi não disse mais nada. Levantou-se da cadeira e caminhou pensativo com as duas mãos nos bolsos de suas calças de volta para seu escritório.

Obito o observou sair, entrar no elevador e desaparecer de vista. Soltou um suspiro de alívio e, na primeira gaveta de sua escrivaninha, pegou seu celular.

Digitou uma mensagem de texto que enviou para um dos seus números de acesso direto. Em seguida, voltou a guardar o aparelho.

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Sakura voltou a ficar em pé quase uma hora depois de Sasuke ter ido, ou melhor, depois de sua tão "carinhosa despedida".

Havia sido uma estratégia completamente diferente do que ela tinha planejado. Pensou nos possíveis argumentos, razões e perguntas, até tinha ensaiado mentalmente durante o café da manhã o que falaria. Contudo, ele veio com as flores e uma fingida expressão de arrependimento.

E todo o ensaio da rosada tinha ido direto para o inferno, e não podia negar que até mesmo quis lhe gritar como nunca antes o fizera. No entanto, o ímpeto ia embora enquanto a sequência repetitiva de desculpas dele esteve presente.

A moça sentiu uma tristeza profunda que qualquer um teria interpretado mais como autopiedade do que qualquer outra coisa. Eles não discutiram, ela apenas fechou a porta, não queria saber mais e acabou se sentindo mais miserável do que tinha sido antes de ele chegar.

Quase meia hora depois de ter ficado agachada aos prantos e encolhida contra a porta, sentiu-se um pouco melhor. Um pouco, todavia, era melhor que nada.

Cinco e meia da tarde. Viu por acaso a hora no relógio apenas porque se dirigiu à cozinha para pegar um copo de água. O dia inteiro passou em casa e sentia-se sem ânimo algum para ir a qualquer lugar em particular.

Abriu o armário e pegou o copo, enchendo o conteúdo com um chá que fizera. Queria mais do que apenas água pura, poderia saborear a bebida e acalmar os nervos.

Sentou-se na poltrona disposta a assistir TV por um tempo para se distrair. Antes de ligar o aparelho, sua atenção recaiu sobre o reflexo na tela preta. Notou que o cabelo estava bem desgrenhado e que havia olheiras abaixo das pálpebras, prova irrefutável da má noite que tinha passado.

Deus, estou horrível, pensou com desânimo. Se Ino me visse assim, teria material suficiente para falar até o dia da formatura.

Não deu muita importância. Ligou a TV e tomou um gole de chá, tentando pensar em qualquer outra coisa, menos no que tinha acontecido.

Que há de mal no que aconteceu?, seu "eu interior" irrompeu de novo da mesma forma que na noite anterior. Você tinha que dizer a ele tudo o que queria e não disse ... mas fechar a porta na cara dele, saiu melhor do que a encomenda. Já era hora! Aleluia!

Movia o dedo indicador em um dos botões do controle remoto, avançando sobre os canais e não se detia em nenhum.

Sasuke... maldito Uchiha Sasuke ... droga! Que diabos ia fazer agora?

A idéia vinha e ia. Já havia se decidido, mesmo sem perceber. Talvez um tempo separados não faria mal, podia até ser proveitoso. Às vezes a distância era a melhor coisa para um relacionamento desgastado para dar um tempo aos dois para pensar sobre as coisas e refletir sobre os sentimentos. Ambos sentiriam a falta, ficariam ansiosos para se reunirem e a reconciliação seria imediata.

Reconciliação? Qual o quê? Não acredito que vá resolver, aquela voz continuava. Não é por isso ... e enfie isso na sua cabeça de uma vez por todas!

Tinha toda a razão e Sakura estava começando a se assustar coma linha do pensamento.

Itachi.

Ela o tinha considerado um amigo, apenas isso depois que se conheceram. Nunca lhe deu ideia para pensar outra coisa, pelo menos não que ela se desse conta.

Conversavam sempre de forma amigável. Ela gostava de sua companhia e em várias ocasiões afirmou que se sentia muito mais confortável com ele do que com Sasuke.

E agora?

E agora as coisas tinham mudado de um modo que não queria imaginar. Provavelmente não era a única que estivesse pensando no que aconteceu na noite passada. O que ele estaria pensado? Por que aquele beijo?

Por que agora se importava com o que ele estava pensando?

Simplesmente não conseguia explicar quando tinha começado a pensar em Itachi daquela maneira. Naqueles cabelos compridos e lisos, no modo informal e despretensioso como se expressava em gestos e comentários, em seu olhar solitário e melancólico. Tudo.

E se fosse apenas uma mera paixão a causa de seu desencantamento com Sasuke?

E se não? Aquele beijo fora muito intenso, muito quente e envolvente. O toque sutil de seus lábios no início e, depois o aprofundamento caloroso e a maneira cuidadosa das mãos dele em volta da sua cintura. Sentira-se tão confortável!

Não podia se apaixonar por ele, não devia. Era o irmão mais velho de Sasuke. E cinco anos mais velho que ela. Era um homem, e Sakura apenas uma simples estudante do ensino médio. As leis da lógica e da moral condenavam um possível relacionamento imediatamente.

De repente, com uma típica ironia que às vezes era difícil de aceitar, veio-lhe à mente um estalo: "Me apaixonei pelo irmão do meu namorado"

Algo completamente digno daqueles estúpidos reality shows que sua mãe costumava assistir. Que horror!

Mas e daí? Não era o fim do mundo. Havia coisas mais importantes, como ela mesma. Não havia nada de errado, afinal de contas.

Ela bebeu mais chá. Quase milagrosamente, havia restaurado seu ânimo.

Não, não era o chá.

Já estava melhor, inclusive, até sorria.

Tinha tomado uma decisão, apesar de não ser totalmente consciente.

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A porta de entrada do imaculado edifício Uchiha Ad Worx foi aberta. Era um acontecimento sem precedentes, já que por aquela porta entravam e saíam pessoas de diferentes tipos o tempo todo.

Todavia, algo muito particular se destacava na graciosa silhueta que cruzara o umbral, com uma marcha rítmica e lenta. O estalido dos saltos de seus sapatos ricocheteava pelo local com a precisão de um relógio suíço.

Dois funcionários que digitavam em seus respectivos cubículos num total silêncio paralisaram o ruído dos teclados. O silvo de uma copiadora parou no meio de um "bip". Um porta-lápis caiu aos pés de alguém que apenas gemeu um abafado "Meu Deus" e não pelo objeto que lhe acertara, mas sim por aquela figura que se dirigia a passos firmes à recepção.

Foi alvo de olhares assombrados de vários cavalheiros no primeiro andar. O silêncio encheu o lugar no momento em que a silhueta feminina vestida num conjunto cor de pêssego se apresentou diante da recepcionista de plantão. A voz era suave, apesar de só ter perguntado sobre a localização do escritório do chefe.

Seus olhos de um tom azul-violeta misterioso se detiveram sem interesse sobre o ambiente. Assentiu com a cabeça e um sorriso educado para a funcionária e partiu com o mesmo ritmo para o elevador.

O segundo andar estava um pouco vazio de pessoas, mas mesmo assim os olhares curiosos dos funcionários se equiparavam aos da área inferior.

O escritório de gestão administrativa estava a apenas meio metro do elevador. Fechado.

Junto a esse, estava o de estatística com a porta aberta. Ela se aproximou e olhou sem cerimônia para dentro, encontrando um moço de cabelo preto analisando e grampeando faturas e arquivando pastas, muito ocupado em perceber sua presença.

Shisui tinha acabado de terminar o compêndio da metade das declarações de imposto de renda quando pegou outro maço de faturas supostamente sujeitas a revisão e mais meia dúzia de grampos. O grampeador caiu no chão, ele o levantou sem sair do lugar apenas inclinando o tronco pra baixo. Colocou o objeto de volta na mesa, pronto para erguer o corpo quando se deparou com uma deslumbrante visão de um par de pernas bem torneadas.

Oh, meu Deus!

Duas delicadas pernas femininas, envoltas em meias de clara e sutil coloração marrom. Com uma audácia típica dele, subiu o olhar estudando cada detalhe do corpo feminino até chegar ao belo rosto de uma mulher. Ela estava vestida num elegante conjunto cor de pêssego composto por saia e blazer. Shisui estimou que pelas "generosas proporções" da mulher, ela não devia ter mais do que trinta. No máximo vinte e sete, talvez. Suas feições eram muito suaves, delimitadas no tom de pele quase marfim e um tom peculiar azul em seus cabelos, muito comparável ao brilho de seus olhos.

Ela não pareceu se aborrecer com aquela contemplação excessiva.

Devo ter morrido de um ataque cardíaco e eu estou no céu, pensou. Quase o disse em voz alta, entretanto, não teria se importado em pronunciar a declaração para a pessoa à sua frente.

- Sim? – foi tudo o que conseguiu dizer. Não estava necessariamente nervoso, porém, tinha que admitir que em toda sua vida, nunca tinha visto curvas tão acentuadas, e menos ainda perto dele.

- Bom dia – sussurrou ela – Estou à procura de Uchiha Itachi.

Seus olhos repousaram em Shisui e ela mostrou um sorriso educado e confiante. Tinha os lábios discretamente delineados que se assemelhavam a um semi- arco perfeito em seu rosto.

Shisui se precipitou sobre a mesa, apoiando as duas mãos e inclinando-se nos cotovelos. Seu rosto esboçava um sorriso descarado.

- Eu sou Uchiha Itachi – afirmou com confiança

O único sinal de resposta da mulher foi um breve arquear de uma sobrancelha.

- Claro – aproximou seu corpo um pouco mais. Então Shisui pôde ver com mais nitidez a suavidade da pele dela que parecia estar colada à roupa. Perguntou-se se havia alguma roupa sob o blazer – Preciso ver o Sr. Uchiha. Ele está aqui?

A pergunta soou num tom tão sedutor que o moço simplesmente balançou a cabeça. Ele moveu sua cadeira um pouco e apertou o botão do interfone. Houve alguns segundos de interferência, e depois ouviu a voz de seu primo do outro lado da linha.

- Itachi-sama – Shisui desviou o olhar quase que diretamente para o aparelho – Um par de per... – tossiu um pouco se corrigindo – Uma senhorita deseja lhe falar.

Ouviu uma resposta curta e apagada numa simples indagação: "Quem?"

Shisui olhou em direção à mulher. Ela entendeu a muda pergunta.

- Konan – disse ela, pura e simplesmente.

-Konan ...

- Só Konan – finalizou a mulher

Depois de alguns segundos de espera, Shisui permitiu que ela entrasse.

- Segunda porta à esquerda – indicou.

Ela se aproximou dele um pouco mais.

- Obrigada - suspirou lentamente, quase arrastando a última sílaba.

Foi embora, deixando a porta como estava. Shisui ficou um bom tempo olhando depois que ela passou. Tirou um maço quase vazio de cigarros do bolso da camisa. Pegou um cigarro e levou-o à boca. Inalou e exalou profundamente o sabor.

Isso sim seria digno de um recorde.

E acendeu o cigarro.

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Em frente a ele, sentada em uma das cadeiras para os convidados, estava a mulher chamada Konan. Inspecionava meticulosamente cada um dos traços de Itachi.

Hum ... parece mais jovem do que me disseram, pensou a mulher.

Não era a única que pensava assim. Qualquer um poderia concluir que o chefe de uma empresa tão antiga quanto a Uchiha Ad Worx devia ter mais de trinta anos, e não um rapaz de vinte e poucos.

Uma mente maleável ainda, meditava ainda a misteriosa figura.

-Venho da parte de uma agência privada – disse – Trabalhamos com empréstimos, liquidações fiscais, finanças ...

-Humpf – Itachi ouvia calmamente enquanto a contemplava do outro lado da mesa.

A primeira idéia que veio à sua mente sobre a mulher era de que representava um desses lugares burocráticos que se dedicam a negociar as pendências de qualquer empresa que apareça no mercado. Ou poderia simplesmente ser uma empresa clandestina em busca de um pouco de proteção. E que melhor aliado do que uma grande e sólida multinacional com anos de mercado?

Seja qual fosse a causa, havia algo no ar displicente de Konan que não agradava ao moreno.

- Precisa de um serviço específico por parte nós? - Itachi decidiu não dar voltas em torno do tema. Em assuntos sérios, o rodeio de palavras não era uma opção digna, e não tinha sido em vão gastar seu último verão com seu pai nas aborrecidas reuniões sindicais, ao invés de se divertir como faria qualquer moço de sua idade.

- Bem, eu acho que a questão vai em outra direção – falou Konan modestamente ao cruzar as pernas. Seu olhos mantinham contato visual com Itachi – Depois do último trimestre, creio que uma pequena ajuda não lhes faria mal.

Um fragmento do quebra-cabeça não se encaixava. Como ela sabia do faltante das últimas pendências? Isso se referia aos últimos três meses, uma temporada de queda subsequente das ações da empresa, que contraiu uma pequena dívida e cujo montante para pagar estava faltando e que seu pai, Shisui e ele mesmo culparam Obito. Aqueles erros eram meramente típico de todos os que trabalhavam ali. Ninguém sabia, nem mesmo a imprensa tinha metido os narizes, nem sequer mencionado no artigo que anunciava a saída de Madara.

- Entendo – ele comentou sem sequer pestanejar – E o que faz você pensar que poderíamos solicitar um empréstimo à sua empresa?

Ora, o rapaz é inteligente, até demais, notou Konan no tom seco do comentário de Itachi. Levantou-se com cautela da cadeira e caminhou até ele.

- É apenas uma organização sem fins lucrativos – murmurou ela – Uma das muitas ...

Itachi percebeu que Konan tirava algo do bolso lateral de seu blazer. Um cartão de visita, fundo preto e letras minúsculas douradas, anunciando apenas um número de telefone celular. Não havia nomes ou endereços, e muito menos um email ou uma página web. Uma nuvem difusa, grafitada no canto esquerdo superior era a única decoração.

Uma nuvem vermelha.

- Estou com um pouco de pressa, mas considere a proposta – Konan lhe entregou o cartão. Ainda mostrava um sorriso falso e educado. Havia algo em seus olhos que incomodava Itachi – Todos nós precisamos de ajuda pelo menos uma vez na vida ... pense nisso, Sr. Uchiha.

Ele se ofereceu para acompanhá-la automaticamente até a porta e Konan consentiu. Não houve outros comentários. Viu-a , da janela de seu escritório, entrar em um misterioso sedã preto. Os vidros escurecidos do veículo impediam qualquer vislumbre interior detalhado.

Itachi não se importou. Voltou a se sentar na cadeira, com o cartão ainda em suas mãos e centenas de ideias na mente.

Passava a vista desinteressadamente sobre o cartão. O fundo preto acentuado e as letras douradas mantinham sues olhos presos no número que queria ignorar. Havia algo familiar no desenho, a nuvem vermelha. Onde ele ouviu isso antes?

Não deu mais importância. Colocou o cartão no bolso e não pensou mais naquilo no decorrer do dia. Sua mente tinha questões mais fundamentais para meditar, mais do que a visita da estranha mulher. Ele notara que a tal Konan não era nada feia. Sua figura notável e feições eram marcantes, do tipo que ninguém costuma ver todos os dias, e menos naquele local de "burocratas".

Linda, porém, a consciência e atenção de Itachi se desviaram para outro tipo de pessoa, bastou recordar a palavra "beleza". Haruno Sakura era a única coisa que ocupava sua mente desde a noite passada e mesmo antes da visita de Konan.

Ele descansou o queixo sobre a mão direita, olhando para um pedaço de papel peculiar que havia sido cuidadosamente dobrado e agora estava em sua mesa, com destaque sobre cinco relatórios que Shisui tinha trazido para serem assinados.

Sabe, todo mundo tem pelo menos uma fotografia da pessoa que ama, e em vez disso, você se contenta com a etiqueta da caixa de bombons que Sakura te deu. Isso não é um pouco patético?, disse para si mesmo, imitando o tom irônico de Shisui.

Sim, alguns dos maus hábitos dos amigos é sempre contagiante e se espalham como gripe.

Estava pensando nos comentários de seu primo. Talvez ele estivesse certo, talvez fosse algo "bruto" em proceder daquela forma. Roubar um beijo e achar que seria lógico. Ledo engano.

Um grande, grande erro, de acordo com a repreensão de Shisui.

Embora o que sentiu como resposta não indicasse que ele tinha feito alguma coisa para se punir. Sakura poderia ter parado, empurrado, ou pior, dado um tapa clássico, mas não. Correspondeu ao beijo, isso ele sentiu, afinal, não estava tão distraído como para não notar os movimentos sinuosos dos lábios dela e nem do calor do seu corpo enquanto ele deslizava as mãos sobre a cintura delicada da jovem.

Ela não estava com raiva. Estava assustada e confusa, mais do que ele ficara nos últimos meses.

Esse foi o ponto decisivo que descobriu na noite anterior ao chegar em casa.

A tarde voou. Shisui passou as últimas horas arquivando, fotocopiando e reclamando. Só teve tempo de murmurar alguns comentários sobre o par de pernas mais sexy que tinha visto em sua vida (boa maneira de se referir à desconhecida Konan) e nada mais.

O moreno abriu a porta da residência Uchiha e encontrou sua mãe na cozinha. Seu pai havia partido em uma viagem desde sexta-feira e era um milagre que não tivesse voltado mais cedo, citando o seu novo repertório de doenças causadas por stress.

- Boa noite, Itachi-chan – sua mãe o cumprimentou indo para a mesa com uma bandeja de chá para o jantar. - Como foi seu dia?

-Humpf – foi sua única resposta.

Para ele, era um alívio chegar em casa e encontrar um ambiente calmo. Quando seu pai estava, sempre o incomodava com muitas perguntas e comentários sobre a empresa que o enfastiava. Quantoà sua mãe, limitava-se apenas em perguntar se estava tudo bem, sem tecer qualquer comentário. Notava também que, curiosamente, ela ainda o chamava de "Itachi-chan", apesar de seus vinte anos e poucos anos e seus um metro e oitenta e cinco de altura.

Nunca incomodou a Itachi nem mesmo com seus comentários ocasionais de que devia ter uma namorada e sair. Era um argumento clássico e tinha se acostumado.

Ele deixou sua bolsa na sala e se dirigiu-se para as escadas, pronto para trocar de roupa.

-Itachi - Mikoto o chamou antes que ele colocasse o pé no primeiro degrau – Não vá fazer muito barulho, Sasuke tem uma dor de cabeça.

- Já chegou assim tão cedo? Estranho. – indagou ele.

O semblante de sua mãe mostrava sinais de preocupação.

-Parece que teve um péssimo dia - concluiu encolhendo os ombros – Apenas não incomode ele.

Não vou incomodá-lo. Apenas vou marchar bem forte pra cima e pra baixo do meu quarto até o quarto dele. E talvez ligue o rádio no último volume com um CD de rock bem pesado, pensou maliciosamente.

- Humpf – assentiu Itachi

A idéia de fazer um "ruído suave" durante a ressaca de seu irmão, não parecia má idéia para Itachi, mas não o fez. Ele olhou para os lados, enquanto sua mãe voltava para a cozinha e vislumbrou um par de rosas um pouco desbotadas, junto com três gardênias e cravos, que estavam no vaso.

Você devia ter dado um buquê de flores ou algo assim. A voz de Shisui soava repressiva em sua mente.

Eram apenas oito horas e ainda tinha um pouco de luz nas ruas.

Parecia uma idéia louca e arriscada, mas não tanto como da noite passada.

E se lhe falasse mais uma vez? Na guerra e no amor vale tudo, não é?

-Ah, Itachi-chan, seu pai ligou há algum tempo perguntando se já recuperaram a quantia faltante – Mikoto voltou à sala, esperando ver seu filho mais velho .- Itachi?

Ela olhou para o corredor no andar de cima, escadas e sala de estar. A porta estava aberta e o vaso, que estava na mesa ao lado da porta, completamente vazio.

Itachi tinha ido embora quem sabe aonde e levara o rejeitado par de rosas que Sasuke tinha trazido assim como todas as outras flores que sua mãe tinha comprado no fim de semana.

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- Pelo menos poderia ter ido até a loja ou dado um passeio – declarou Hanako severamente para a sua filha única.

A atitude parecia uma tentativa de reprimenda, mas que Sakura não acreditou por completo. Era raro que sua mãe lhe desse uma bronca.

- Um pouco de tempo pra gente mesmo é bom – contestou a rosada

-Tá, mas não me parece muito bom que você o desperdice em casa – Hanako lhe disse quase solenemente. O sorriso que se formou em seu rosto desfez a falsa expressão de severidade – Enfim, Sasuke te chamou hoje pra sair?

Sakura se levantou da mesa, levando os pratos vazios para a pia.

- Sim – mentiu e desviou o olhar para não encarar sua mãe – Vai ajudar em algumas coisas dos negócios da família. Talvez a gente se encontre amanhã.

Deveria ter dito a verdade, como Deus manda, porém, naquele momento não queria uma exposição de sermões muito longa e tediosa de sua mãe. Talvez depois lhe dissesse algo como "dar um tempo" entre os dois, mas isso seria em outro dia, a menos que mudasse de idéia.

Sakura ficou aliviada em ouvir o eco da televisão na sala. A novela das oito tinha captado a atenção de sua mãe e, com isso, as indagações sobre seu futuro e de Sasuke tinham sido esquecidas.

Ela abriu a torneira da água, pronta para começar a lavar os pratos. Imediatamente, fechou a torneira ao ouvir o som de leves batidas na porta.

-Eu atendo – falou Sakura .

Sua mãe mal notou. E não disse nada.

Sakura foi até a porta. Tinha a vaga impressão de que poderia ser Naruto ou Ino. A probabilidade de ser Sasuke estava longe de sua mente. Segurou a maçaneta com uma mão enquanto que com a outra afastou uma mecha de cabelo ao lado da orelha. Usava roupas de casa e não se importava de que um dos seus amigos a visse vestida de maneira relaxada.

Ela abriu a porta e sentiu a respiração acelerar. Seus olhos se depararam com a expressão intrínseca e serena dele.

- Itachi-kun?

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Pois é, minha gente, por hoje é só. Agora só no próximo mês (sem falta) que vamos ver o desenrolar dessa história de amor. Ah! Pra quem acompanha minha fic "Flor Selvagem", pode se alegrar: já postei o terceiro capítulo há uma semana. E minha outra fic "Uma chance para Kimimaro" também terá novo capítulo, mas só no final do mês.

Outra coisa: quem curte a série Sobrenatural, não deixem de ler minha fic "Almas Trigêmeas". É com os irmãos Winchesters e uma personagem que inventei, num delicioso triângulo amoroso. Vai ser pura aventura, romance e emoção.

Ah! E não se esqueçam dos reviews. Até a próxima!