Personagens não são meus, metades do maravilhoso RICK RIORDAN e o resto pertence a quem quer que tenha escrito sobre a mitologia grega e romana ;D


Jason já estava pronto para intervir quando Rachel solta um som irritado da garganta e se levanta, obrigando Reyna a dar um passo para trás. Ambas se encaram firmemente, deixando todos tensos.

– Você pode ser pretora aqui e por isso todos aceitam suas ordens, mas vou deixar uma coisa bem clara... – O tom de voz de Rachel diminui consideravelmente – eu não sou nem nunca vou ser romana, não tente me impor a suas vontades.

Reyna sorri friamente e cruza os braços.

– Qual o objetivo dos deuses em tem mandarem aqui? Como você mesma disse os mistérios serão resolvidos ao longo do livro, não precisamos de você.

– Foi uma experiência – Retruca a ruiva.

– Experiência de quê?

– Queriam saber se certo tipo de pessoa conviveria quase normalmente com vocês.

– Isso não faz o menor sentido.

Rachel deu de ombros.

– Na hora certa fará.

– E quanto ao fauno? – Jason perguntou de sua poltrona.

– Ele é um... – Sua garganta se fechou, odiava estar dando informações sobre o seu acampamento – guia. Foi enviado até Percy.

– Quer dizer que os faunos irão servir para alguma coisa?

– No lugar onde estão eles são muito prestativos.

As informações foram o suficiente para acalmar Reyna. A garota voltou para sua cadeira ao lado de Jason.

– Minha vez – Dakota gritou animadamente, suas mãos se estendendo em direção ao livro.

Antes que chegasse lá, Gwen , que estava a direita de Octavian, já havia puxado o livro para si.

Rachel afundou em sua poltrona enquanto Gwen lia o nome do capitulo e Dakota fazia bico.

Capítulo 4 - Minha mãe me ensina a tourear

– Sra. Jackson é toureira?

– Não, não é – Rachel diz confusa.

Arrancamos noite adentro por estradas rurais escuras. O vento golpeava o Camaro. A chuva açoitava o para-brisa. Eu não sabia como minha mãe conseguia ver alguma coisa, mas ela mantinha o pé no acelerador.

A adrenalina que sentiam no último capítulo voltou com força total. Seus instintos de semideuses alertavam que a ação estava próxima.

Toda vez que um relâmpago

Jason bufou inaudivelmente. Estava cansando de tantas referencias ao pai; só o fazia remoer o por que de nunca (nem mesmo quando obteve o maior triunfo de sua vida ao derrotar o Titã) seu pai entrar minimamente em contato com ele. Para o garoto seria o suficiente se Jupiter soltasse um misero raio ao ouvir suas preces.

produzia um clarão, eu olhava para Grover sentado ao meu lado no banco de trás e me perguntava se tinha ficado louco ou se ele estava usando algum tipo de calça felpuda.

– Que tipo de mortal é estúpido para vestir uma calça felpuda que o faça parecer uma cabra? – Dakota perguntou

– Você é idiota a esse ponto – Gwen murmurou sem tirar os olhos do livro – Só não é mortal.

Mas não, o cheiro era o mesmo que eu lembrava das excursões do jardim de infância para o zoológico infantil – lanolina, como o de lã. O cheiro de um animal molhado de estábulo.

– Faunos realmente cheiram mal na chuva, e só piora se eles ficam constantemente na rua.

– Eles não prestam para nada – Reyna cruzou os braços impaciente – Ainda não entendi porque os mantermos no acampamento.

Tudo o que pude dizer foi:

Então, você e minha mãe... se conhecem?

Os olhos de Grover moveram-se rapidamente para o espelho retrovisor, embora não houvesse carro nenhum atrás de nós.

Não exatamente – disse ele. – Quer dizer, nunca nos encontramos pessoalmente. Mas ela sabia que eu estava observando você.

– Ela sabe o que Percy é; sobre o acampamento; que Grover o observava... – Frank contava nos dedos – Deuses! Por que ela recebeu tantas informações?

Ninguem quis, ou até mesmo soube, responder a isso.

Observando, a mim?

– Só agora me dei conta de como isso parece estranho – Jason comentou.

Estava de olho em você. Cuidando que estivesse bem. Mas eu não estava fingindo ser seu amigo – acrescentou apressadamente. – Eu sou seu amigo.

– Acho que Percy só acreditou que ele estava falando a verdade pois Grover é um péssimo mentiroso.

Ahn... o que é você, exatamente?

– Um semibode – Dakota riu da própria piada sem sentido.

Isso não importa neste momento.

Não importa? Da cintura para baixo, o meu melhor amigo é um burro...

Rachel se assutou quando todos os romanos soltaram uma exclamação em uníssono.

– O que foi?

– Nunca, mais nunca mesmo – Frank levantou um dedo para enfatizar suas palavras –, chame um fauno de burro.

Grover soltou um agudo e gutural:

Bééééé!

Eu já o tinha ouvido fazer aquele som antes, mas sempre achei que era um riso nervoso.

Agora me dava conta de que era mais um berro irritado.

Bode! – exclamou.

O quê?

Eu sou um bode da cintura para baixo.

Jason franziu o cenho em confusão.

– Ele não disse que não importava?

Você acaba de dizer que isso não importa.

O loiro se encolheu quando olhares incrédulos se prostraram sobre si.

– Bem... isso foi estranho – Hazel quebrou o silencio.

Béééé! Alguns sátiros

– Eu vou morrer – Octavian agarrou o pano de suas vestes acima do coração – Ou talvez eu mate esse fauno ridículo. NÃO USE TERMOS GREGOS!

– Silencio – Reyna rosnou, vendo que muitos outros já abram a boca também – Isso é muito estranho, eu entendo. Só precisamos fazer silencio que com sorte nossas perguntas serão respondidas ao final desse capitulo.

Rachel via as pessoas mais descontroladas da sala (Octavian e alguns dos fieis amantes de Roma) puxarem o ar e então o soltarem lentamente, talvez em uma tentativa romana de se acalmar.

Não que isso a tenha deixado muito tranqüila.

poderiam pisoteá-lo por causa de tamanho insulto!

– Alguém deveria te pisotear por tamanho insulto – Rosnou Octavian, prontamente se encolhendo sob o olhar duro da pretora. Decidiu que seria melhor praguejar em voz baixa: – Gregos idiotas...

Opa. Espere. Sátiros. Você quer dizer como... os mitos do Sr. Brunner?

Aquelas velhas na banca de frutas eram um mito, Percy? A Sra. Dodds era um mito?

– Bom, até alguns minutos atrás era somente um mito para Percy – Gwen falou com seriedade.

Então você admite que havia uma Sra. Dodds!

Queixos se afrouxarem em incredulidade.

– Ele realmente vai se preocupar agora com ela ?

– É claro – Reyna e Rachel falaram juntas. Após uma troca de olhares intensa entre as duas quem continuou foi a ruiva – Isso vinha o atormentando a meses, e quando teve a oportunidade de provar que o que viveu não foi uma esquisitice da sua cabeça ele se agarrou a ela.

É claro.

Então por que...

Quanto menos você soubesse, menos monstros atrairia – disse Grover, como se aquilo fosse perfeitamente óbvio.

– Sabedoria atrai monstros? – Dakota questionou, não achando nem um pouco obvio.

Uma vez que a pergunta havia sido feita a Reyna todos se mantiveram calados; ela apenas deu ombros.

Nós pusemos a Névoa diante dos olhos humanos.

– Ah, seria tão incrível poder manipular a névoa – Uma luz travessa brilhava nos olhos de Rachel.

Tínhamos esperanças de que você achasse que a Benevolente era uma alucinação. Mas não adiantou. Você começou a perceber quem você é.

Quem eu... espere um minuto, o que você quer dizer?

O estranho rugido ergueu-se novamente em algum lugar atrás de nós, mais perto do que antes. O que quer que estivesse nos perseguindo ainda estava na nossa cola.

– Fuja para as colinas Percy – Dakota disse dramaticamente.

Rachel abafou a risada com a mão.

"Ah, mas ele vai fazer isso" Pensou ela.

Percy – disse minha mãe –, há muito a explicar e não temos tempo suficiente.

– Então faça um resumo – Sussurrou Reyna.

Precisamos pôr você em segurança.

Em segurança como? Quem está atrás de mim?

Ah, nada demais – disse Grover, obviamente ainda ofendido com o comentário sobre o burro. – Apenas o Senhor dos Mortos e alguns dos seus asseclas mais sedentos de sangue.

Hazel se encolheu sob os olhares que ganhou.

– Eu não faço a menor idéia do que meu pai quer com ele – Assegurou.

Grover!

Desculpe Sra. Jackson. Poderia dirigir mais depressa, por favor?

Tentei envolver minha mente no que estava acontecendo, mas não consegui. Sabia que aquilo não era um sonho. Eu não tinha imaginação.

– Você não tem imaginação? – Jason levantou uma sobrancelha de modo incrédulo.

Jamais poderia sonhar algo tão estranho.

– Levando em conta do quanto você é tão estranho... é você poderia sim.

Minha mãe fez uma curva fechada para a esquerda.

Algo pulsou no peito de Frank. Ele não soube dizer exatamente o que era, parecia quase como se ele estivesse animado com a ação do capitulo.

Desviamos para uma estrada mais estreita, passando com velocidade por casas de fazendas às escuras, colinas cobertas de árvores e placas que diziam "COLHA SEUS PRÓPRIOS MORANGOS" sobre cercas brancas.

– Colha seus próprios morangos? – Dakota franziu levemente o cenho – Se não fosse completamente impossível eu até poderia dizer que é um aviso do meu pai.

Aonde estamos indo? – perguntei.

Para o acampamento de verão de que falei.

Os romanos bufaram com desdém; o acampamento deles, não importa se fosse em Nova York ou San Francisco, nunca seria considerado um acampamento de verão onde as pessoas faziam bagunças, disputavam em competições bestas e tinham cantorias ao luar.

A voz de minha mãe estava tensa; por mim, ela estava tentando não parecer assustada. – O lugar para onde seu pai queria mandá-lo.

O lugar para onde você não queria que eu fosse.

Por favor, querido – implorou ela. – Isso já é bem difícil. Tente entender. Você está em perigo.

Porque umas velhas senhoras cortaram um fio de lã.

– Percy ainda não entendeu a seriedade do problema, né? – Ao perguntar, a cabeça de Hazel estava tombada e ela tinha os olhos vagos.

– Ele nunca entende.

A frase Rachel atraiu a atenção de Reyna.

– E como você sabe disso? – A pretora tinha os olhos estreitados com ferocidade.

– Já ouvi historias de como o Percy é rebelde – Em sua cabeça ela agradecia os Stolls por darem aula de como mentir sem hesitar e essas coisas.

– Não aceitamos desobediência em Nova Roma – Octavian irritou-se.

– Essa historia já aconteceu ou está para acontecer? – Jason perguntou.

Analisando a pergunta Rachel não viu nada que a impedisse de responder.

– Percy Jackson chegou a completar dezessete anos. Os acontecimentos desses livros já aconteceram.

– Como ele pode estar vivo? – Frank estava incrédulo – As Parcas cortaram a linha de sua vida.

Rachel pousou os olhos verdes nele com uma seriedade assustadora.

– As Parcas nem sempre cortam a linha de vida de uma pessoa no exato momento em que esta vai morrer. Tudo o que disse é que Percy chegou aos 17 anos; em momento algum falei que ele não morreu, somente confirmei os cinco anos de vida que ele teve depois de ver as Parcas.

– Percy está morto? – Hazel pronunciou em uma voz estrangulada.

Seu olhar triste, junto á de mais alguns romanos igualmente sentidos (Gwen, Dakota, Jason e Frank) fez Rachel desconfortável.

– Melhor continuarmos – Pediu.

Embora não tivesse vontade, Gwen forçou-se a ler:

Aquilo não eram velhas senhoras – disse Grover. – Eram as Parcas. Você sabe o que significa... o fato de elas aparecerem na sua frente? Elas só fazem isso quando você está prestes a... quando alguém está prestes a morrer.

– Oh, Grover – Balançaram a cabeça desgostosos.

Epa! Você disse "você".

– Percy não está sendo lerdo – Dakota fingiu espanto, tentando quebrar o clima tenso que havia se instalado.

Romanos não eram muito de sair de sua posse rígida, mas naquele momento não puderam evitar deixar escapar algumas risadas.

Não, eu não disse. Eu disse, "alguém".

Você quis dizer "você". Ou seja, eu.

Eu quis dizer você como quem diz "alguém". Não você, Percy, mas você, qualquer um.

– Nem um pouco confuso isso – Ironizou Jason.

Se o filho de Jupiter percebeu os olhares incrédulos sobre si ele não demonstrou. Simplesmente era incomum um soldado romano (ainda mais se esse fosse pretor) usar sarcasmo.

Meninos! – disse minha mãe.

Ela puxou o volante com força para a direita e eu tive um vislumbre de um vulto do qual ela se desviara – uma forma escura e ondulada, agora perdida na tempestade atrás de nós.

– Forma escura ondulada... Forma escura ondulada – Reyna repetia para si mesma na tentativa de se lembrar.

O que foi aquilo? – perguntei.

Estamos quase lá – disse minha mãe ignorando a pergunta. – Mais um quilômetro e meio. Por favor. Por favor. Por favor.

Eu não sabia onde era lá, porém me vi inclinando-me para a frente na expectativa, querendo que chegássemos logo.

Romanos franziram o cenho com isso. Nunca sentiram isso, mas algo martela em seus corações ansiosos, só não sabiam dizer se era bom ou ruim.

Do lado de fora, nada além de chuva e escuridão – o tipo de campos vazios que a gente vê quando vai para o extremo de Long Island. Pensei na Sra. Dodds e no momento em que ela se transformou naquela coisa com dentes pontiagudos e asas de couro. Meus membros ficaram amortecidos de choque retardado.

– Choque retardado? – Dakota se dobrou de rir.

– Ele quis dizer que foi evitado por um momento – Mesmo com a fala Jason obtinha uma pequena elevação na boca pelas palhaçadas do garoto.

Ela realmente não era humana. E pretendia me matar.

– Acho que ele estava falando de retardado no sentindo de idiota mesmo, Jason – Gwen balançou a cabeça com diversão – Deuses, o Percy é tão lerdo!

Então pensei no Sr. Brunner... e na espada que ele jogara para mim. Antes que eu pudesse perguntar a Grover sobre aquilo, os cabelos de minha nunca se arrepiaram.

Houve um clarão ofuscante, um Bum!

– Gwen! – Exclamaram em uníssono, quando a garota parou de ler em choque.

– Desculpa, desculpa – Voltou rapidamente os olhos para onde havia parado:

de fazer bater o queixo, e o carro explodiu.

Lembro-me de ter me sentido sem peso, como se estivesse sendo esmagado, frito e lavado com uma mangueira, tudo ao mesmo tempo.

– E depois fala que não tem imaginação – Resmungou Rachel.

Descolei minha testa do encosto do assento do motorista e disse:

Ai.

– Por que não estou surpresa que a primeira frase dele é essa? – No tom de voz de Reyna não tinha desdém, apenas cansaço.

Percy! – gritou minha mãe.

Estou bem...

– O que em nome de Plutão aconteceu?

Hazel esqueceu por um segundo sua preocupação com Percy para lançar um olhar frio ao homem que havia falado, que se encolheu.

Tentei sair do estupor. Eu não estava morto,o carro não explodira de verdade. Tínhamos caído em uma vala. As portas do lado do motorista estavam enfiadas na lama. O teto se abrira como uma casca de ovo e a chuva se derramava para dentro.

– O carro voou ou só derrapou?

Todos olharam de modo incrédulo para Dakota, que tinha a cabeça inclinada de lado e testa franzida.

– E isso importa? – Retrucou Gwen, quase que histericamente.

Relâmpago. Era a única explicação. Tínhamos voado pelos ares, para fora da estrada.

– Ah, foi pelos ares mesmo – Disse Dakota, ao mesmo tempo em que Jason balbuciava – Não... não pode ser isso, meu pai jamais tentaria matar um meio-sangue.

– Hã, Jason...

– Percy não fez nada para ele! Não tem por que...

Vendo que o pretor estava começando perder a postura diante de todos ali, Rachel saiu em sua ajuda:

– Gwen, volte a ler – Ao dar a ordem já havia se levantado e caminhava em direção a Jason, puxando o garoto agora quieto para fora da poltrona – Continuem a ler que já voltamos.

E assim foi arrastando ele em direção a um canto escuro, sob olhares tensos de alguns, o raivoso de Reyna e o satisfeito de Octavian.


Rachel encostou Jason na parede e esperou até ele tomar algumas respirações profundas para começar a falar.

– Jason você tem que entender certas coisas.

– Como meu pai tentando matar um garoto de 12 anos? – Olhou-a irritado.

Ela soltou um suspiro baixo.

– Acredite em mim, terá coisas muito piores que isso e não posso deixar que você perca o controle.

Somente nessa hora Jason percebeu a cena que havia dado na frente de seus colegas. Endireitando as costas, a olhou friamente:

– O que te importa se eu perco ou não o controle?

– Se você perder o controle Octavian colocará todos contra você, alegando que um líder de romano jamais deixa as emoções o dominarem, e então ele usará isso para assumir o posto – Espasmos percorreram os corpos de ambos – E se isso acontecer nunca conseguirei que minha missão seja comprida.

– Que missão?

– Preciso dos romanos como aliados.

Embora Jason não fosse tão esperto como Reyna a frase da garota á sua frente fez sentido quase que imediatamente.

– O acampamento para o qual Percy está sendo mandado não é o nosso – Exclamou repentinamente, em um sussurro chocado.

– O-o que? – Os olhos verdes o observavam de maneira espantada.

– Você disse conhecer Percy, e se ele houvesse ido para um acampamento romano não precisaria tentar ganhar nossa confiança primeiro.

Rachel franziu o cenho, olhou para o teto por alguns segundos e então de volta para ele.

– Não entendi sua lógica, mas isso não importa no momento. Preciso que aja com mais frieza se não quiser seu posto roubado por um maluco que arranca cabeça de ursinhos de pelúcia.

– Você o viu fazendo isso? – Perguntou, esquecendo por um segundo o que falavam.

– Sim, e foi muito bizarro.

Jason assentiu seriamente.

– Me controlarei, mas somente por meu posto. Ainda não tenho certeza se você ou quem quer que esteja nesse livro são confiáveis – E dizendo essas ultimas palavras lhe deu as costas, voltando para onde Gwen lia.

– ... futebol americano. – A ouviram falar.


Hazel batucou as mãos na perna de modo nervoso.

– Continue – Suplicou a garota de Apollo.

– Claro, claro – Disse desviando os olhos de seu pretor e a garota ruiva.

Ao meu lado no assento traseiro havia uma grande massa informe e imóvel.

– Estou perdido – Dakota franziu o cenho – Em que parte paramos?

Gwen passou rapidamente os olhos sob as partes já lidas e então se voltou para todos.

– Um raio atingiu o carro e os lançou para fora da estrada.

– Ah, pode continuar então.

Grover!

Ele estava caído de lado, com sangue escorrendo do canto da boca. Sacudi seu quadril peludo, pensando: Não! Mesmo que você seja metade animal de quintal, ainda é meu melhor amigo, e não quero que morra!

– Metade animal de quintal? – Frank assobiou levemente – Sorte nossa que não temos nenhum fauno aqui, pois seria um saco o ouvir falar maldições á Percy.

Então ele gemeu:

Comida – e eu soube que havia esperança.

– Faunos – Reviram os olhos exasperadamente.

Percy – disse minha mãe –, temos de... – Ela titubeou.

– O que signi...

– Fica quieto Dakota – A fala em uníssono o calou.

Olhei para trás. Num clarão de relâmpago, através do para-brisa traseiro salpicado de lama, vi um vulto andando pesadamente na nossa direção no acostamento da estrada.

Gestos nervosos eram vistos por toda sala. Mãos se apertando no tecido da poltrona, unhas sendo roídas nervosamente, pés batucando ritmicamente no chão ou corpos sendo inclinados para frente em antecipação.

Aquela visão fez minha pele formigar. Era a silhueta de um sujeito enorme, como um jogador de futebol americano.

Gwen foi parando de ler ao ver Jason e Rachel voltando, mas o pretor negou levemente com a cabeça e foi se sentar sem uma palavra em sua poltrona. Um sinal claro que a conversa dele e da ruiva não era da conta de ninguém ali.

O desagrado de Reyna era visível na careta que ela fez.

Gwen apenas deu de ombros sem parar de ler:

Parecia estar segurando uma manta por cima da cabeça. A metade superior dele era volumosa e indistinta. As mãos erguidas davam a impressão de que ele tinha chifres.

– Não é impressão não meu filho – Dakota se mantinha neutro a toda tensão na sala.

Engoli em seco.

Quem é...

Percy – disse minha mãe, extremamente séria. – saia do carro.

– É, tipo agora – Hazel sussurrou.

Ela se jogou contra a porta do lado do motorista. Estava emperrada na lama. Tentei a minha. Emperrada também. Desesperadamente, ergui os olhos para o buraco no teto.

– Tá louco? – Gwen agarrou o livro com força e o sacudiu.

– Isso não é o Percy – Comentou desnecessariamente Dakota, ganhando apenas um olhar raivoso em sua direção.

Poderia ser uma saída, mas as bordas estavam chiando e fumegando.

– Quebra o vidro do carro – Sugeriu Reyna, desistindo de olhar fixamente Jason até que ele lhe contasse o que havia conversado com a estranha.

Saia pelo lado do passageiro! – disse minha mãe. – Percy, você tem de correr. Está vendo aquela árvore grande?

O quê?

Outro clarão de relâmpago e pelo buraco fumegante no teto eu vi a árvore a que ela se referia: um enorme pinheiro, do tamanho de uma arvore de Natal da Casa Branca,

Dakota assobiou ruidosamente.

– O bicho é grande.

Rachel cravou as unhas nas palmas da mão para evitar rir. Ah, se Thalia ouvisse isso...

no topo da colina mais próxima.

Aquele é o limite da propriedade

– Limite da propriedade? – Reyna murmurou para si mesma – Eles estão falando de...

Como ela não terminou de falar e entrou no que parecia uma profunda reflexão Gwen retornou a leitura:

disse minha mãe. – Passe daquela colina verá uma grande casa de fazenda no fundo do vale. Corra e não olhe para trás. Grite por ajuda. Não pare enquanto não chegar à porta.

Mamãe, você também vem.

– Não aceitamos mortais que não sejam legados – Falou Octavian.

Jason se mexeu minimamente sob o olhar firme de Rachel.

"Não abra a boca" Diziam os olhos verdes.

O rosto dela estava pálido, os olhos tristes como quando ela olhava para o oceano.

Não! – gritei. – Você vem comigo. Ajude-me a carregar o Grover.

Comida! – gemeu Grover, um pouco mais alto.

Todos empurraram para dentro os comentários sobre a inutilidade dos faunos. Aquele momento era tenso demais para comentários desse tipo.

O homem com a manta na cabeça continuou indo em nossa direção, grunhindo e bufando. Quando ele chegou mais perto, percebi que não podia estar segurando uma manta acima da cabeça porque as mãos – enormes e carnudas – balançavam ao seu lado.

Não havia manta nenhuma. O que queria dizer que a massa volumosa e indistinta que era grande demais para ser sua cabeça... era a sua cabeça. E as pontas que pareciam chifres...

– Eram chifres – Completou Hazel.

Ele não nos quer – disse minha mãe. – Ele quer você. Além disso, não posso ultrapassar o limite da propriedade.

Mas...

Não temos tempo, Percy. Vá. Por favor.

Os romanos concordavam silenciosamente com a mãe de Percy, embora ainda não tivessem certos sobre o que aconteceria á ela se ficasse a mercê do monstro desconhecido. Afinal, não era sempre que os monstros ignoravam os mortais.

Então fiquei zangado

Os mais velhos naquele sala estranharam a atitude. Não era normal você estar em uma situação critica igual aquela e sentir algo como raiva. Pavor sim, raiva não.

zangado com a minha mãe, com Grover, o bode, com a coisa chifruda que se movia pesadamente em nossa direção, de modo lento e calculado como... como um touro.

Reyna tentou evitar que seu ofego saísse alto demais, mas não conseguiu trazer a mão rápido o suficiente a boca e o barulho atraiu atenção geral.

– Não pode ser – Balbuciou, fazendo-os sentir como se um balde de água caísse sobre suas cabeças. Se a pretora-Reyna-durona estava daquele jeito o monstro não seria nada fácil de vencer.

Incrivelmente ninguém perguntou sobre sua descoberta, focados mais em ouvir atentamente a leitura.

Passei por cima de Grover e empurrei a porta, que se abriu para chuva.

Nós vamos juntos. Venha, mãe.

Eu já disse que...

Mamãe! Eu não vou abandonar você. Ajuda aqui com Grover.

– Isso não é bom – Um senhor se remexeu em sua poltrona – Fatalis vitium.

– O que você quer dizer? – Questionou Rachel.

– Falha vital, ou se preferir, falha mortal.

Não esperei pela resposta dela. Eu me arrastei para fora do carro, puxando Grover comigo. Ele era surpreendentemente leve, mas eu não poderia tê-lo carregado para muito longe se minha mãe não tivesse ido me ajudar.

Juntos, pusemos os braços de Grover em nossos ombros e começamos a subir a colina aos tropeções, com o capim molhado na altura de cintura.

Ao olhar relance para trás, tive minha primeira visão clara do monstro.

Os que ainda não descobriram qual monstro era, (ou seja, todos) apuraram os ouvidos para a descrição seguinte.

Tinha, fácil, mais de dois metros, e os braços e pernas pareciam algo saído da capa de uma revista. Músculos – bíceps e tríceps saltados e mais um monte de outros ceps, todos estufados como bolas de beisebol embaixo de uma pele cheia de veias. Ele não usava roupas, a não ser cuecas – branquíssimas, da marca Fruit of the Loom –, o que teria sido engraçado não fosse o fato de a parte superior de seu corpo ser tão assustadora. Pelos marrons e grossos começaram na altura do umbigo e iam ficando mais espessos à medida que chegavam aos ombros.

Conforme Gwen lia todos ao redor iam arregalando os olhos até estarem a ponto de sair do rosto. Haviam chegado a uma hipótese mas era tão maluca que nem tentaram expressar seus pensamentos, com temor de serem zuados pelos outros.

Afinal, era impossível que uma criança de 12 anos tivesse enfrentado aquele monstro.

Seu pescoço era uma massa de músculos e pelos que levavam à enorme cabeça, que tinha um focinho tão comprido quanto meu braço, narinas ranhentas com um reluzente anel de bronze, olhos pretos cruéis e chifres – enormes chifres preto-e-branco com pontas que você não conseguiria fazer nem num apontador elétrico.

A voz de Gwen ia diminuindo até a sala estar no maior silencio.

Obviamente Octavian foi o primeiro a demonstrar sua descrença.

– Isso tudo é ridículo! – Olhou para todos ali e seus olhos pararam em Rachel – Não pode realmente achar que acreditaremos nisso.

– E por que não? – Perguntou genuinamente curiosa.

– Essa descrição é do Minotauro!

– Acalme-se – Ordenou Reyna, vendo que ele já havia se movido para a ponta da poltrona, preparado para se levantar a qualquer minuto – Jackson está quase na porta do acampamento, certamente alguém sairá e o ajudará.

Reconheci o monstro muito bem. Tinha sido uma das primeiras historias que o Sr. Brunner nos contara. Mas ele não podia ser real.

Pisquei os olhos para desviar a chuva.

Aquele é...

O filho de Pasífae – disse minha mãe. – Gostaria de ter sabido antes o quanto desejaram matar você.

Mas ele é o Mino...

Não pronuncie o nome – advertiu ela. – Os nomes têm poder.

Falar que todos estavam chocados seria eufismo. Certamente Sally Jackson foi muito mais bem informada sobre seu mundo do que pensavam inicialmente.

O pinheiro ainda estava longe demais – pelo menos cem metros colina acima.

Dei outra olhada para trás.

O homem-touro se curvou por cima de nosso carro, olhando pelas janelas – ou não exatamente olhando. Era mais como farejar, fuçar. Eu não sabia muito bem por que ele se dava a esse trabalho, já que estávamos a apenas quinze metros de distancia.

– A visão dele é horrível – Informou a pretora vendo os olhares confusos dirigidos a si.

Comida? – gemeu Grover.

A espalmada na cara, junto com um suspiro frustado, foi geral.

Shhh – fiz eu. – Mamãe, o que ele está fazendo? Não está nos vendo?

Sua visão e sua audição são péssimas – disse ela. – Ele se orienta pelo cheiro. Mas vai perceber onde estamos logo, logo.

Como que na deixa, o homem-touro bramiu de raiva. Ele agarrou o Camaro de Gabe pela capota rasgada,

– Não! – Dakota gritou animadamente, se inclinando com os olhos arregalados na direção do livro.

Ele e todos os outros tinham bem uma idéia do que aconteceria a seguir.

o chassis rangia e gemia. Ergueu o carro acima da cabeça e atirou-o na estrada. Aquilo se chocou contra o asfalto molhado e deslizou em meio a um chuveiro de fagulhas por cerca de quinhentos metros antes de parar. O tanque de gasolina explodiu.

Nem um arranhão, lembrei-me de Gabe dizendo.

Oops.

Os adolescentes (até mesmo Octavian) riam ruidosamente, enquanto os adultos se limitavam a sorrisos de canto.

Percy – disse minha mãe. – Quando ele nos vir, vai atacar. Espere até o ultimo segundo, depois saia do caminho. Ele não consegue mudar de direção muito bem quando já está atacando. Você entendeu?

"É uma boa estratégia"Pensou Reyna.

Como você sabe tudo isso?

– Nossa, só agora ele percebe isso? – Espanta-se Rachel.

Estou preocupada com um ataque há muito tempo. Devia ter esperado por isso. Fui egoísta, mantendo você perto de mim.

Mantendo-me perto de você? Mas...

Outro bramido de raiva e o homem-touro começou a subir pesadamente a colina.

Tinha nos farejado.

O pinheiro estava a apenas mais alguns metros, mas a colina era cada vez mais íngreme e escorregadia, e Grover ficava mais pesado.

O homem-touro se aproximava. Mas alguns segundos e estaria em cima de nós.

Minha mãe devia estar exausta, mas carregou Grover.

Vá, Percy! Vá sozinho! Lembre-se do que eu disse.

– Sacrifício são necessários – Informou Arthur, pensando que Percy se negaria a deixar a mãe.

Eu não queria me separar, mas tive a sensação de que ela estava certa – era nossa única chance. Pulei para esquerda, virei-me e vi a criatura avançando em minha direção. Os olhos pretos brilhavam de ódio. Fedia a carne podre.

Ele inclinou a cabeça e atacou, aqueles chifres afiados como navalhas apontados diretamente para o meu peito.

Todos ouviam atentamente. Aquele era o momento em que descobririam que tipo de soldado Percy Jackson seria.

O medo no meu estômago me deu vontade de disparar,

Octavian zombou silenciosamente, para ele estava obvio que aquele cara não seria um bom soldado.

mas isso não daria certo. Eu jamais poderia correr mais que aquela coisa. Então fiquei parado e, no último momento, saltei para o lado.

O homem-touro passou por mim a toda como um trem de carga, depois bramiu de frustração e se virou, mas dessa vez não contra mim, mas contra minha mãe, que estava acomodando Grover sobre a grama.

Um silencio tenso se instalou repentinamente na sala. As possibilidades de que Sally sobrevivesse eram quase inexistentes. Ela era uma mortal e não conseguiria se defender igual a um semideus; Percy era apenas uma criança para derrotar o monstro sozinho e as pessoas que viessem ajudar Percy tinham obrigação de apenas defende-lo e mais ninguém.

Tínhamos chegado ao topo da colina. Embaixo, do outro lado, pude ver um vale, bem como minha mãe dissera, e as luzes de uma casa de fazenda tremeluzindo amarelas através da chuva.

Quem tinha ficado confuso com a descrição não expressou em voz alta. Quando acabasse o capitulo eles fariam suas perguntas e a ruiva teria que responder, pois já estavam ficando cansados de estar no escuro.

Mas estava a oitocentos metros de distância. Nunca conseguiríamos chegar lá.

O homem-touro roncou, escavando o chão. Ficou olhando para minha mãe, que recuava lentamente colina abaixo, de volta para estrada, tentando afastar o monstro de Grover.

Corra, Percy! – disse ela. – Não posso passar daqui. Corra!

Mas fiquei lá parado, paralisado de medo, enquanto o monstro a atacava. Ela tentou sair de lado, como me dissera para fazer, mas o monstro tinha aprendido a lição. Jogou a mão para frente e agarrou-lhe o pescoço quando ela tentou escapar. Ele a ergueu enquanto ela lutava, chutando e dando murros no ar.

Mamãe!

– Ele vai ver isso?! – Horrorizou-se Hazel, suspeitando com tristeza do que iria acontecer.

Então, com um rugido furioso, o monstro fechou os punhos em volta do pescoço da minha mãe e ela se dissolveu diante dos meus olhos, fundindo-se em luz, uma forma dourada tremeluzente, como uma projeção holográfica. Um clarão ofuscante, e ela simplesmente... se foi.

Quando Gwen ficou em silencio ninguém se incomodou em importuna-lá; eles também precisaram de uns segundos para se recompor antes que a garota voltasse a ler com a voz tremula.

Não!

A raiva substituiu o medo. Uma nova força ardeu em meus membros – a mesma onda de energia que me veio quando a Sra. Dodds mostrou as garras.

Embora pesarosos sobre a vida perdida, os romanos ficaram satisfeitos que Percy tenha se recuperado o suficiente para se proteger.

O homem-touro foi na direção de Grover, que estava deitado na grama, indefeso. O monstro se curvou, fungando meu melhor amigo como se estivesse prestes a erguê-lo dali e fazê-lo se dissolver também.

Eu não podia permitir aquilo.

Alguns se remexeram em suas poltronas de modo desconfortável. A cada hora a falha mortal de Percy ficava mais evidente.

Tirei minha capa de chuva vermelha.

Ei! – gritei, agitando a capa e correndo para um lado do monstro. – Ei, estúpido! Monte de carne moída!

– Por que perder tempo gritando insultos bestas? Só o ataque! – Protestou Reyna, enquanto Dakota se acabava de rir, murmurando – Olé, touro.

Raaaarrrrr ! – O monstro virou-se para mim sacudindo seus punhos carnudos.

Eu tive uma ideia – uma ideia boba, porém melhor do que não pensar em nada. Encostei as costas no grande pinheiro e agitei a capa vermelha na frente do homem-touro, pensando em pular fora do caminho no ultimo momento.

Reyna analisou seu plano durante poucos segundos.

– Para sua idade até que não é ruim – Elogiou com um dar de ombros.

Mas não foi assim que aconteceu.

O homem-touro atacou depressa demais, os braços estendidos para me agarrar qualquer que fosse o lado para onde eu tentasse me esquivar.

– Por baixo das pernas! – Empolgou-se Dakota.

Quando Gwen olhou para o garoto raivosamente, em seus olhos ainda havia algumas lagrimas pela Sra. Jackson que ela prendeu para não parecer fraca.

– Pare de comentar pois você acaba com o clima da cena.

Dakota assentiu, apenas resmungando baixinho.

O tempo começou a passar mais devagar.

Minhas pernas travaram. Eu não podia pular para o lado, assim saltei direto para cima,

Os que pensaram que Percy ia passar por debaixo das pernas do monstro franziram o cenho. O Minotauro não era lá dos monstros mais baixos e Percy também não era um dos semideuses mais altos; o garoto deve ter pegado um impulso bem forte.

usando a cabeça da criatura como trampolim, girei o corpo no ar e caí sobre seu pescoço.

Um suspiro coletivo encheu a sala, até mesmo Jason assobiou impressionado.

Como eu fiz aquilo? Não tive tempo para descobrir. Um milissegundo depois a cabeça do monstro chocou-se contra a árvore e o impacto quase fez meus dentes saltarem da boca.

O homem-touro cambaleou de um lado para outro tentando se livrar de mim. Segurei com força em seus chifres para não ser arremessado. Os trovões e os relâmpagos ficavam mais fortes. A chuva caía em meus olhos. O cheiro de carne podre queimava minhas narinas.

O monstro se sacudia e corcoveava como um touro de rodeio. Poderia simplesmente ter chegado para trás e me esmagado completamente na árvore, mas eu começava a perceber que aquela coisa só tinha uma direção: para frente.

Gwen mordeu o lábio pensativamente. Então no final das contas o monstro não ele tal coisa; mas claro que ela sabia que nunca poderia, mesmo com seus anos de treinamento, vencer um monstro daquele. Tudo o que ela sabia é que estava definitivamente entrando na lista de admiradores do Percy se ele ganhasse essa luta.

Enquanto isso, Grover começou a gemer na grama.

– Péssima hora para acordar homem-bode – Desesperou-se Rachel.

Enquanto isso Octavian resmungava sobre ele não prestar para nada, só se calando quando percebeu os olhos verdes lhe olhando mortamente.

Quis gritar para ele ficar calado, mas do jeito que estava sendo jogado de um lado para o outro, se abrisse a boca deceparia minha própria língua com uma mordida.

Dakota bebericou sua bebida (?) enquanto tentava imaginar a cena em sua cabeça. Do Percy sendo sacudido e não da língua decepada.

"Talvez igual á Harry Potter com o trasgo no primeiro ano?" Perguntou-se distraidamente.

Comida! – gemeu Grover.

O homem-touro virou-se para ele, escavou o chão novamente e se preparou para atacar.

Pensei em como ele havia espremido a vida para fora de minha mãe, como a fizera desaparecer num clarão de luz, e a raiva me abasteceu como um combustível de alta potência. Agarrei um dos chifres com ambas as mãos e puxei para trás com toda a minha força. O monstro se retesou, soltou um grunhido de surpresa, e então... pléc!

O choque impossibilitou que os romanos reagissem. Quer dizer, um garoto de 12 anos não arrancava o chifre de um monstro lendário com apenas um puxão.

– Certo, vamos continuar – Ordenou Jason, o primeiro a conseguir se livrar do choque. Alguma coisa lhe dizia que isso seria pequeno comparado a outras coisas que esses livros aguardavam.

O homem-touro berrou e me atirou pelos ares. Aterrissei de costas na grama. Minha cabeça bateu contra uma pedra. Quando me sentei, minha visão estava embaçada, mas eu tinha um chifre nas mãos, um osso partido do tamanho de uma faca.

O monstro atacou.

– Use o chifre – Sugeriu Frank, franzindo o cenho logo depois.

Sem pensar, rolei para o lado e me levantei de joelhos. Quando ele passou a toda velocidade, enterrei o chifre quebrado bem na lateral de seu corpo, logo abaixo da caixa torácica peluda.

Alguns romanos olharam Frank pelo canto do olho, enquanto o garoto apenas curvava os ombros levemente.

O homem-touro urrou em agonia. Debateu-se, rasgando o peito com suas garras,

– Por que ele está se arranhando?

e depois começou a se desintegrar – não como minha mãe, em um clarão dourado, mas como areia se esfarelando, carregada pelo vento aos pedaços para longe, do mesmo modo como a Sra. Dodds se desintegrara.

O monstro se fora.

Rachel se assustou quando uma onda de aplausos se ergueu por parte dos romanos. Aquela cena de entusiasmo por uma vitoria a lembrou da energia de seus amigos na guerra; semideuses gregos se abraçando, erguendo os punhos no ar e gritando tão alto que suas vozes misturadas se transformavam num rugido de guerra de arrepiar.

A chuva tinha parado. A tempestade ainda rugia, mas somente a distância. Eu cheirava a gado e meus joelhos tremiam. Minha cabeça parecia que ia se partir ao meio. Estava fraco, assustado e tremia de tristeza. Acabara de ver minha mãe se desvanecer. Queria me deitar e chorar, mas havia Grover, precisando de minha ajuda, portando consegui erguê-lo e descer cambaleando para o vale em direção às luzes da casa. Eu estava chorando, chamando minha mãe, mas me agarrei a Grover – eu não ia deixá-lo partir.

Minha última lembrança é ter desmaiado numa varanda de madeira, olhando para um ventilador de teto que girava acima de mim, mariposas voando em volta de uma luz amarela, e as expressões austeras e familiares de um homem barbudo e uma menina bonita, com cabelos loiros encaracolados como os de uma princesa. Os dois olharam para mim e a menina disse:

É ele. Tem de ser.

Silêncio, Annabeth – disse o homem. – Ele ainda está consciente. Traga-o para dentro.

As portas do Senado se abriram com um estalo e todos se levantaram imediatamente das poltronas. Alguns já se encaminhavam para sair e os outros, ou estavam se espreguiçando, ou conversavam entre si sobre o livro.

Mas Reyna estava congelado em sua poltrona, os olhos fixos no nome que a capa do livro exibia.

"Percy Jackson e Annabeth" Pensou com horror, suas mãos se cerrando no momento de raiva que a tomou.