Capítulo 7

"Eu sou Edward Cullen." Ele disse.

Eu sorri em resposta. "Isabella Swan. Por favor, me chame de Bella".

"Bella. Concordo com o seu nome. Você realmente é bela." Ele disse quando levantou a mão para acariciar minha bochecha.

Olhei para cima em seus brilhantes e penetrantes olhos verdes e depois movi para o resto do seu rosto, examinando cada curva e linha dele. Ele tinha cabelo cor de bronze desalinhado que se destacava contra a sua pele pálida. Eu podia sentir os músculos do seu peito e braços quando ele me abraçou mais cedo. Ele era cerca de uma cabeça, ou duas, mais alto do que eu. Sua mandíbula era forte e seus lábios se curvavam em todos os lugares certos. Eu tive o desejo repentino de me inclinar e...

Não, nem sequer pense nisso. Você mal conhece esse homem. Não se torne uma daquelas prostitutas de rua que dormem com cada cara que elas conhecem. Não. Eu já estou bastante ruim como está. Olhei para longe, tentando me livrar do sentimento, mas com a mão dele ainda em um lado do meu rosto, os impulsos elétricos que irradiavam por todo o meu corpo eram quase insuportáveis.

Dei um pequeno suspiro e continuei olhando pela janela, tentando distrair minha mente da figura linda na minha frente. Comecei a pensar sobre Susan, que estaria constantemente olhando pela janela em noites claras como esta, para observar as estrelas. Ela me puxaria para perto enquanto nós sentávamos no parapeito da janela e gentilmente bagunçaria o meu cabelo.

"O futuro não está nas estrelas, mas em si mesma." Ela delicadamente sussurraria no meu ouvido enquanto eu adormecia em seu colo. Era de noites como aquela que eu mais sentia falta. As noites em que Susan me abraçaria apertado e sussurraria palavras de consolo no meu ouvido.

Eu podia sentir uma lágrima deslizando pelo lado do meu rosto.

"Bella?" Uma voz chamou, quebrando meu devaneio silencioso. Eu não respondi e fechei meus olhos, na esperança de parar a inundação de lágrimas, mas isso só piorou a situação.

Senti duas mãos em concha em ambos os lados do meu rosto enquanto elas me trouxeram para a frente novamente. Abri os olhos e olhei para cima. Eu podia ver os pequenos vislumbres brilhantes dos meus cílios molhados, refletidos pelas luzes da rua. Os olhos de Edward estavam cheios de preocupação e tristeza. Doeu-me ainda mais ver o rosto dele assim. Um anjo como ele não merece tristezas. Um anjo como ele não merece uma pessoa insignificante como eu. Eu suspirei, olhando para baixo novamente. Edward me puxou em um abraço apertado enquanto eu descansei minhas duas mãos no seu peito. Eu podia sentir seu coração batendo, cada vez mais rápido, quando deslizei minhas mãos mais para cima em volta do seu pescoço.

"Por favor, me diga." Ele murmurou contra a minha orelha. Sua voz, tão suave e carinhosa, ecoando em meus pensamentos. Acalmando minha mente de todas as minhas preocupações.

"Não se preocupe comigo." Eu respirei contra o seu peito. Oh, como eu desejaria poder ficar nesse momento para o resto da eternidade.

Eu me afastei dele enquanto endireitei o casaco que eu ainda estava usando. Eu me virei de costas para ele, tentando ignorar a minha súbita necessidade de voltar correndo para os seus braços.

"Então." Eu disse, forçando um sorriso, "O que o traz aqui? Quero dizer, eu sei que você deseja comprar este clube, mas, por quê?" Colocando tanto entusiasmo em minha voz quanto eu possivelmente poderia na esperança de que isso mudasse o assunto.

Ele me lançou um olhar preocupado no início, fazendo uma pausa de alguns segundos para ver se eu quebraria outra vez antes de finalmente me responder. "Bem, estou esperando poder abrir uma loja de música aqui, sabe? Veja, eu tenho essa intensa paixão pela música. Desde que eu era um garotinho. Agora, estou esperando abrir um lugar para ensinar outras crianças a tocar e amar a música, como eu aprendi uma vez. Meu pai concordou com as minhas intenções e me deu um certo orçamento para gastar na loja. Meus irmãos estão mais do que dispostos a ajudar também." Ele disse entusiasmado.

Eu sorri calorosamente para ele. "Mas, por que aqui? De todos os lugares em Seattle, por que este lixo?" Eu perguntei, curiosa.

Ele deu uma pequena risada. "As pessoas desta parte da cidade não são criadas pelo melhor tipo de família, Bella. E eles podem não ser os mais ricos do mundo também, mas algumas das crianças aqui são muito boas de coração. Eu só estou esperando que, abrindo minha loja aqui, eu consiga iluminar esta parte da cidade, e espero fazer a vida das pessoas neste bairro um pouco melhor".

Eu fiquei muda. Ele era tão bondoso e generoso. Ele era realmente bonito por dentro como por fora. Como eu consegui ter a sorte de topar com um homem assim na minha patética vida? Mas todas as coisas boas devem chegar a um fim em algum momento...

"Uau." Foi tudo que eu poderia dar.

Ele sorriu para mim, seus olhos aumentando a suavidade. "Você não tem idéia de como é fácil eu me abrir para você. É simplesmente tão diferente com você." Ele disse, sussurrando quando ele chegou ao final da sua frase.

"Então." Ele se virou para mim. Uh, oh. "Agora é minha vez de fazer a você as perguntas." Ele disse, sorrindo.

Eu suspirei, visto que parecia impossível escapar do inevitável. "O que você quer saber?" Eu sussurrei, olhando para os meus pés.

"Por que você trabalha aqui? Quero dizer, você não parece do tipo que trabalharia. Eu podia ver a repulsa em seus olhos quando você entrou no palco na noite passada." Eu me virei, não querendo que ele visse as lágrimas que estavam ameaçando derramar nos meus olhos. Olhei para baixo, cobrindo o rosto com o meu cabelo.

Eu podia ouvir seus passos atrás de mim. Então, duas mãos deslizaram pela minha cintura e fui puxada com força contra o seu peito.

"Por favor, me diga. Eu não vou julgá-la pelo que quer que seja que você está prestes a dizer." Ele sussurrou em meu ouvido, seu hálito doce formigando na minha bochecha. Estremeci com a súbita onda de prazer que percorreu o meu corpo.

Houve um momento de silêncio. Edward pacientemente esperou pela minha resposta, suas mãos ainda segurando minha cintura protetoramente enquanto eu respirei fundo antes de falar.

"Eu tinha cinco anos quando meus pais morreram, em Phoenix. Tivemos um acidente de carro, sabe. Meus pais estavam me levando para um passeio surpresa ao zoológico pelo meu aniversário, quando um carro no lado errado da estrada bateu contra o nosso. Eu sobrevivi por milagre, já que eu estava no banco de trás, enquanto meus pais estavam na frente. Se não fosse pelo meu constante aborrecimento e curiosidade, provavelmente eles ainda estariam bem vivos agora. Se não fosse por mim." Estremeci com a memória. Lembrando a última coisa que eu vi antes que o carro colidiu com o nosso em questão de segundos, antes de qualquer um de nós ter algum tempo para reagir.

"Bella, você não poderia possivelmente ter sab-" Virei-me e coloquei um dedo sobre os seus lábios, cortando-o no meio da frase.

"Por favor, deixe-me terminar antes de você dizer qualquer coisa. Eu não ficaria surpresa se você saísse correndo para fora daqui antes que eu termine." Eu sussurrei, mantendo firme o meu dedo nos seus lábios para impedi-lo de dizer mais alguma coisa.

"Depois, Susan, uma das amigas mais íntimas da minha mãe, me adotou. Aceitando-me como sua própria filha. Eu nunca pensei nela como uma mãe, já que eu tinha apenas um lugar no meu coração para uma mãe, embora ela não estivesse mais viva. Após três anos, ela conheceu Ryan. Ryan era muito apaixonado por ela. Mas nós nunca conversamos, nenhum de nós pretendendo estender a nossa relação. Eles se casaram e nós nos mudamos para Seattle, explicando como chegamos até aqui. Quando eu tinha 13 anos, eu não me socializava muito bem na escola. Eu sempre tive o meu rosto escondido atrás de um bom livro, ou dois, enquanto as outras meninas falavam sobre moda e fofocavam. Elas costumavam intimidar-me também, não que eu não merecesse isso. Mas, um dia, duas garotas se aproximaram de mim e me disseram que eu era a culpada pela morte dos meus pais. Antes que eu percebesse, eu tinha dado um soco nela. Eu nem sei por que fiz isso. Eu sempre aceitei que isso era culpa minha, para começar".

Parei por um instante, estudando suas características faciais. Elas estavam calmas quando ele me pediu para continuar. Eu prossegui.

"Eu fui chamada para a detenção e só fui autorizada a sair muito tarde. Esperei na escola por cerca de uma hora, e quando Susan nunca apareceu, eu tinha assumido que ela estava ou ocupada, ou tinha apenas esquecido, vendo como ela estava sempre esquecendo pequenas coisas aqui e ali. Decidi ir para casa caminhando, em vez disso. Ryan começou a desprezar-me por ficar no caminho do seu relacionamento com Susan desde que eles haviam se casado, sempre me dando um tapa, ou dois, para ver como eu era um incômodo".

"Por volta da meia-noite, recebemos um telefonema da polícia. Ryan me arrastou para o carro quando ele saiu em disparada em direção à delegacia. Eles nos disseram que Susan foi estuprada e assassinada em frente à escola. A onda de culpa que consumiu meu corpo foi indescritível. Tudo ao meu redor estava em silêncio. Eu podia ver o movimento dos lábios deles, mas nenhum som saiu. Quando eu finalmente bati fora disso, a polícia sugeriu que eu fosse ao hospital, mas eu teimosamente me recusei. Insisti para que me levassem para ver o corpo de Susan. Quando voltamos, Ryan começou a me bater, acusando que era minha culpa por Susan estar agora morta. Eu não me incomodei lutando de volta, sabendo que isso é o que eu merecia".

"Por minha causa, Ryan começou a beber para esquecer seus problemas. Ele chegaria em casa bêbado e praticamente cairia morto no chão e geralmente faltaria ao trabalho no dia seguinte. Ele foi demitido inúmeras vezes e logo estava desempregado. Ele começou a perder seu dinheiro rápido, por causa do seu problema com a bebida. Então, certa tarde, ele me pegou da escola e levou para Seattle. Ele então me levou para um bar. Eles estavam conversando secretamente e eu mal conseguia entender o que eles estavam dizendo. A próxima coisa que eu soube, eu estava sendo arrastada por um homem misterioso que eu agora conheço como Jerry. Ele explicou que Ryan tinha me vendido em troca de dinheiro. Eu não fiquei exatamente triste no começo, sabendo que eu não seria mais um fardo para Ryan. Mas agora..." Eu parei, sem saber o que dizer.

Eu olhei para Edward, sua expressão era de incredulidade. Ele apenas olhou no início, não sabendo o que dizer e deixando minhas palavras fazerem sentido. Ele olhou para baixo e murmurou, "Bella, como você pode pensar isso? Como você pode se culpar por tudo o que aconteceu com você? O que eu daria para tirar a sua dor..."

"Não, por favor. Você não tem que agir gentilmente comigo. Por favor. Eu não quero te causar tristeza. Eu já causei o suficiente." Eu sussurrei, olhando pela janela novamente. Notei que já tinha começado a chover. Eu suspirei.

"Mas então, quem é que vai curar a sua tristeza?" Ele perguntou, olhando para cima. Eu não olhei para ele. Eu continuava observando a água gotejando pela janela. Ele caminhou em minha direção e me puxou para perto do seu peito. Eu não chorei dessa vez. Eu tinha feito o suficiente por hoje. Em vez disso, eu não pude deixar de cheirar o perfume irresistível de Edward. Isto é verdadeiramente o céu...

Ele gentilmente esfregou círculos nas minhas costas, deixando um rastro de fogo onde a sua pele tocou. Um sorriso formando em meus lábios.

"Por favor, deixe-me estar lá para você." Ele disse. Quando eu não respondi, ele me puxou para mais perto e suspirou.

"Eu gostaria de poder ficar assim para sempre." Murmurei em seu peito, esperando que ele não ouvisse.

Infelizmente, ele ouviu e riu enquanto me levou para uma cadeira, sentando-se e levantando-me para o seu colo. Coloquei minha cabeça contra o seu peito enquanto suas mãos deslizavam em torno da minha cintura.

"Diga-me." Ele disse.

"Hmm?"

"Por que é que você nunca tentou ir embora? Nem sequer tentou mentir." Sua voz dura.

"Eu tentei uma vez. Vamos apenas dizer que não acabou muito bem. E mesmo se eu conseguisse, para onde eu iria? Eu não tenho dinheiro, nenhum amigo, parentes que eu conheça. Estou autorizada a sair quando eu tiver 18 anos. Jerry sabe disso, mas não acredita que eu realmente vá embora".

"Bella..." Ele sussurrou.

Eu agarrei a sua camisa, esperando que ele não fosse embora.

"Por favor, não vá." Eu implorei, olhando nos olhos dele.

Ele suspirou e puxou minha cabeça em direção ao seu peito novamente. Eu podia sentir seu peito subindo e descendo a cada respiração que ele dava. O ritmo do seu batimento cardíaco. Seu aroma inebriante que fluía através do ar...

Edward, meu anjo da guarda.


Nota da Tradutora:

Edward realmente é um 'anjo da guarda', vamos esperar que a partir de agora a vida de Bella realmente melhore um pouco...

Deixem reviews e até quinta!

Bjs,

Ju