Ice Box
Capítulo 7 - Preciosidades
Ao passaram pelas movimentadas ruas de Suna, os habitantes só puderam sentir o vento sendo controlado, em direção à torre do Kazekage, e devido à velocidade, uma leve cortina de fumaça era o único rastro dos ninjas que voltavam à vila. Em poucos minutos, Gaara, os irmãos e os ninjas da Folha já adentravam o escritório, todos prontos para preparar mais uma missão de busca.
- Vamos começar, então. - Gaara já estava devidamente sentado atrás de sua mesa e agora dirigiu-se ao grupo liderado pela irmã - Temari, relatório.
- Muito bem. - a loira deu um passo à frente para se aproximar da mesa e os olhares dos presentes estavam sobre si - Minha equipe e eu varremos toda a área próxima à fronteira, mais precisamente na floresta e ao alcançarmos o rio que demarca a fronteira, encontramos a pista que trouxemos.
- E como já era o segundo dia, resolvemos voltar para o ponto de encontro. - completou Sai ao lado da loira.
- Mas como podemos ter certeza de que isso realmente pertence à ela? - perguntou Kankurou do canto da sala.
- Tem o cheiro dela. - informou Kiba com o tom anormalmente sério - Até Akamaru reconheceu, e desse cheiro eu não me esqueceria.
- Então com essa pista já temos uma área para continuar com as buscas. - adiantou-se Ino.
- Mas se ultrapassarmos o rio, ultrapassamos a fronteira. - informou Temari.
- E então teríamos de anunciar nossa chegada e pedir auxílio aos líderes do País do Pássaro. - completou Kankurou.
- Não temos tempo para isso! - urrou um Neji ancioso, seu braço pareceu dar um discreto soco em direção ao chão.
- Por essa razão teremos de vasculhar primeiro até os limites do país do Vento. - Gaara levantou-se e virou-se para a grande janela, onde a vista de sua vila o fazia refletir melhor sobre as informações que obtivera.
- Mas e o resto? - perguntou Naruto um tanto alterado pelas limitações da busca.
- Como Kazekage, não posso simplesmente apelar para ações impensadas e acabar perdendo um aliado por não medir as consequencias e invadir um país, mesmo que com boas intenções. Mas ainda sim, não quero perder tempo. - o ruivo virou-se para encarar os companheiros - Me deem um dia para enviar uma mensagem aos lideres do País do Pássaro, e então saimos. Isso tudo pode parecer desnecessário, mas essas meras formalidades mantem firme as alianças. Espero que me entendam.
- Todos nós entedemos. - Sakura garantiu em nome de todos - Você é o Kazekage.
- Enquanto isso podemos planejar algo. - sugeriu Shino.
- Tá legal, então. - começou Naruto caminhando até a porta - Se esperamos todo esse tempo por uma pista, conseguiremos esperar mais um dia para sairmos atrás da Hinata, tô certo.
Como havia previsto anteriormente, ao acordar seu corpo ainda estava dolorido, refletindo todos os acontecimentos da noite passada. A dor em suas costas já era suportável depois do descanso e haviam algumas feridas superficiais pelos braços, que foram cobertas por seu casaco, mas uma parte estava descoberta. Apenas ao vestí-lo, Hinata lembrou-se da cena em que uma kunai passou de raspão em seu braço, rasgando a manga. Despiu-se dele e vestiu seu braço novamente pela manga e seu dedo indicador emergiu da pequena fenda. A Hyuuga bufou e levantou-se, caminhou até a cômoda e abriu uma das gavetas e pôs-se a procurar uma agulha e linha. Lembrou-se de que sempre carregava uma bolsinha com agulhas e linhas na mochila. Fechou a segunda gaveta que abrira e ao pegar sua mochila de cima de uma cadeira, a depositou sobre a cama. Depois de encontrá-la no meio de suas coisas, pôs-se a costurar.
Em uma das primeiras vezes em que a agulha encontrou o tecido, Hinata espetou o dedo e o levou imediatamente à boca. O ocorrido fez com que sua mente voltasse até uns meses atrás enquanto Sakura e ela costuravam as camisas de Naruto e Kiba, que durante uma luta foram rasgadas por armas ninjas. O grupo ainda não havia finalizado a missão, e dentro de uma das barracas, as duas costuravam, ou melhor, Hinata costurava enquanto Sakura espetava o dedo de cinco em cinco segundos.
''Flashback''
- Ai! - a Haruno soltando mais um gritinho - Deus, como uma coisa assim pode ser tão complicada? - remungou arrancando umas risadinhas da Hyuuga.
- Pode deixar que eu cuido disso, Sakura. - disse a morena enquanto voltava os olhos à sua costura.
A Haruno não teimou e agradeceu por Hinata livrá-la da tarefa, apesar da Hyuuga questionar-se como uma médica-nin, acostumada a costurar partes do corpo, não conseguia sequer passar a agulha pelo tecido sem espetar o dedo. Mas defintivamente havia uma grande diferença entre costurar pano e pele.
Quando Sakura preparava-se para deixar a barraca, o manto fora escancarado, surgindo dali um Kiba e um Naruto descamisados, e, tanto o loiro quanto o moreno, com uns curativos no peito e nos ombros feitos pela própria Sakura.
- Que susto! - exclamou a rósea com a mão espalmada sobre o peito - O que querem?
- Viemos ver se já terminaram. - explicou Kiba, terminando de adentrar a barraca e sentando-se ao lado de Hinata.
- É, vocês estavam demorando muito, tô certo!
- Idiota! - a voz alterada de Sakura fora abafada pelo ruído dolorido que seu punho fortemente fechado emitiu ao ir de impacto com a cabeça loira - Sabe quantos dedos machuquei tentando costurar a sua camisa? - ela mantinha seu punho ameaçadoramente frente ao corpo enquanto Naruto esfragava o topo da cabeça.
- Aposto que não foram tantos, ao contrário dos meus neurônios, tô certo!
- Cala a boca!
Kiba gargalhou e Hinata esticou a linha e com uma mordida precisa, a rompeu finalizando a camisa do companheiro.
- Prontinho, Kiba-kun. - ela esticou a camisa para mostrar-lhe o resultado.
- Valeu, Hinata! - agradeceu o Inuzuka com seu sorriso - Você é demais!
A morena sorriu de volta e enquanto Kiba vestia sua camisa, ela pegou a de Naruto e preparou a linha. Ouviu os latidos de Akamaru anunciarem sua entrada na barraca. O cão esbarrou fortemente em Naruto agachado na entrada, fazendo sua bandana afrouxar e escorregar pelos fios loiros.
- Ei, mais cuidado, cachorro!
- Não culpe o pobrezinho por sua fissura pela bandana. - começou Kiba com os braços esticados, chamando Akamaru para perto.
- Como se você não o conhecesse, Kiba. - dizia Sakura cruzando os braços - Naruto perde um olho, mas não a bandana. - e sorriu.
Após as palavras da médica-nin, Hinata desviou os olhos da camisa em suas mãos para o dono desta. Ele desamarrou sua bandana e pôs-se a mirá-la com um sorriso miúdo. A Hyuuga se encantou com aquela cena. As memórias do tempo em que começou a espelhar-se naquela pessoa sempre estiveram vivas em sua mente. Por mais indeciso que estava seu coração em relação à Naruto, o admirava como uma amiga admira seu amigo. O Uzumaki então esticou sua bandana e a posicionou frente á testa, onde começou a amarrá-la novamente:
- Este símbolo gravado no metal brilhante, - apertou fortemente o nó atrás da cabeça - é a jóia mais preciosa que um ninja pode ter.
''Fim do Flasback''
O sorriso nos lábios carnudos estava presente a muito. Naruto tinha razão. Todo o trabalho duro, todo o suor, vale pena depois que a recompensa é a própria satisfação. Poder respirar alividado depois do dever cumprido e descansar depois de uma missão bem sucedida. Receber o ''Bom trabalho.'' de Tsunade. Tudo isso era impagável, insubstituível. E agora tudo que lhe restava eram as boas lembraças. Sua melhor amiga era sua memória. Fora privada do maior prazer de sua vida:
Ser uma ninja.
Levou a mão até a altura do pescoço e seus dedos tocaram sua pele. O susto a fez espalmar a mão naquela região para depois envolver seu pescoço com a própria mão.
- Não... - levantou-se rapidamente da cama e correu ao espelho para mirar seu pescoço nu - Minha bandana! - virou-se novamente e passou a retirar todos os seus pertences de sua bolsa - Onde está? Onde está? Não posso perdê-la, não! - suas mãos agiam com velocidade, mas ao retirar tudo de dentro da bolsa, desesperou-se por não haver nenhum sinal de sua mais preciosa jóia.
Os corredores da torre do Kazegake estavam a todo vapor. Eram ninjas locais e os de Konoha, uns correndo apressadamente, uns apenas tomando espaço. Não havia muito o que se fazer enquanto Gaara esperava a resposta do líder do País do Pássaro. Mas mesmo assim, Suna tinha seus problemas cotidianos, coisa que de jeito nenhum poderia ficar para depois na agenda do Sabaku.
No momento, Sakura caminhava lentamente em direção ao escritório. Ao chegar, viu Temari saindo porta a fora com uma expressão desanimada. Quando avistou a amiga rosada, riscou-lhe um sorriso amarelo.
- Sente-se bem, Temari-chan?
- Não se preocupe comigo, estou bem. - tentou parecer convincente apesar de suas feições - Descansou?
- Sim, me sinto novinha em folha agora.
- Que inveja...
- Por que ainda está por aqui? Não deveria estar recuperando suas forças?
- Bem que eu queria, mas Gaara está atolado de trabalho e então resolvi ajudá-lo. - explicou enquanto indicava a porta do escritório com o dedo polegar - Incrível como dois dias fora podem acumular tanto trabalho.
- Eu imagino.
- Não, você nem imagina. - a loira suspirou pesadamente e recostou-se na parede.
Ambas silenciaram-se, como se assim Temari pudesse aliviar as tensões em seus músculos e em sua mente. Sakura estava um tanto surpresa por vê-la tão cansada. Temari sempre fora a macha entre as garotas, não deixando sua feminilidade de lado. Macha por ser a mais resistente às dificuldades, não apenas no campo de batalha, mas principalmente fora dele.
- Vá descansar, Temari-chan!
- Hã?
- Vá, eu ajudo o seu irmão. Posso não entender muito dessas coisas, mas em alguma coisa serei útil.
- Tem certeza? O Gaara não fica com um humor muito agradável quando está trabalhando da maneira que está. - alertou, mas como sua voz estava uns tons mais baixa devido ao cansaço, não surtiu um efeito ameaçador na médica-nin.
- Relaxa, ele não será rude comigo. E se for, vou saber que é apenas por causa do estresse. - sorriu encoranjando a loira a concordar.
- Bom, se é assim... vá em frente. - a Sabaku passou pela amiga rosada - Eu vou dormir. - anunciou durante um bocejo.
Sakura ainda sorria depois que viu Temari virar a curva para a ala dos quartos. Andou uns passos e ficou de frente para a porta de madeira. Respirou fundo antes de bater gentilmente.
- Entre. - autorizou a voz masculina de dentro da sala.
A garota adentrou a sala cautelosamente, mas Gaara ainda não levantara o olhar e continuava a escrever em um papel:
- Temari, já disse para ir descansar, eu dou conta de... - e ao finalmente mirar a pessoa recém chegada, pôde determinar a diferença entre o tom esverdeado dos olhos da irmã e os olhos de Sakura. - Ah... Sakura. Pensei que fosse...
- Eu disse à Temari para ir descansar e que eu te ajudaria. - explicou enquanto seu dedo polegar indicava timidamente a porta - Fiz mal? - perguntou receosa recolhendo o dedo e o levando frente à boca.
- Não. - respondeu prontamente, mas logo após fez uma longa e incômoda pausa até finalmente mirá-la - Não precisa...
- Não precisa o que?
- Não precisa ficar para meu ajudar. Posso cuidar disso sozinho.
Apesar de um certo esforço para que sua voz saísse gentil, era difícil abandonar o habitual tom gelado. Ela estava ali, prestativa e com um sorriso miúdo tentando lhe ser útil. O ruivo a viu suspirar pronfundamente e já anciava pelo ruído da porta se abrindo para depois se fechar, mas o que ouviu foi o som da cadeira sendo arrastada. Seus olhos abandonaram o papel e miraram Sakura sentada à sua frente, mirando-o com o rosto apoioado em sua mão levemente fechada num punho.
- O que está fazendo? - perguntou o Kazegake.
- Não quer minha ajuda, mas pensei que pudesse querer pelo menos companhia. - respondeu, fazendo com que Gaara piscasse em confusão.
Normalmente, quando Gaara dispensava alguém, era uma mensagem mais do que clara que a pessoa deveria se retirar. Talvez Sakura não estivesse acostumada com esses simples sinais mal humorados do ruivo, mas ele tinha certeza de que alguém - Temari, exatamente - já teria lhe informado sobre isso. Gaara recompôs suas feições sérias e voltou-se para os papéis em sua mesa, mas ainda sentia as esmeraldas fervendo de curiosidade sobre si.
A rósea brincava com uma caneta abandonada e vez ou outra, mirava o Kazegake que parecia muito concentrado no que fazia. Demorou-se um pouco assistindo a parte mais irritante no trabalho de um Kage e imaginou Naruto com o mesmo manto branco, porém com os detalhes em vermelho, e não em azul como o de Gaara. Imaginou a cabeleira loira e bagunçada ao invés da ruiva e comportada do Kazegake. Sakura não pôde imaginar as safiras radiantes do parceiro de equipe quando seus olhos encontraram os de Gaara. Não consegiuiu visualizar mais nada a não ser o par de orbes verdes muito claros, que iam de constraste com o contorno incrivelmente negro daqueles olhos misteriosos. Passou a mirar não apenas os olhos, mas também o rosto extremamente perfeito de Gaara. Como nunca havia notado tanta beleza? Oh, é claro! Estava ocupada demais mantendo a face de Sasuke em mente que não era capaz nem de notar um belo rosto nem se ele estevesse sendo esfregue em sua cara.
Não saberia dizer por quanto tempo esteve perdido naquelas esmeraldas brilhantes. Gaara perdeu-se nos olhos da Haruno, mas demorou para descobrir que ela fora capaz de lhe causar essa ''distração''. Sua mente trabalhou um tanto inconsciente, definindo as esmeraldas como um oasis em meio ao deserto.
Depreciou a si mesma por tropeçar tão estupidamente no primeiro degrau da escada e pôs-se a subir todos os degraus para depois adentrar pelo mesmo lugar onde estivera dias atrás. Seus passos eram ainda mais macios e silenciosos do que o normal, e torcia para que os tigres reconhecessem seu cheiro. Apenas mais uma curva e poderia contemplar novamente a beleza dos grandes felinos alaranjados de listras negras e olhos cor de mel. Antes de dobrar a última curva, adiantou apenas sua cabeça, procurando com os olhos perolados pela família. Os encontrou bem ali deitados, quer dizer, Rajah e sua fêmea. O filhote mordiscava e brincava com a mão forte de pele pálida, cujas as costas eram cobertas por uma parte do que lhe precia ser uma armadura até o antebraço, coberto pelas roupas impecalmente brancas de Uchiha Sasuke. Hinata mirava suas costas, com o emblema do extinto clã logo na parte de cima. Ele não parecia dar muita atenção ao filhote e nem se importar com as curtas garras das patinhas e os dentinhos afiados por um triz de ferir-lhe a mão. Na verdade, quando o pequeno vinha ''atacar'', ele simplesmente lhe apertava o focinho, então se afastava e logo depois avançava novamente, com uns grunhidos baixos que lembravam os miados de um gatinho.
- Vai ficar aí o dia todo?
Seu corpo pareceu receber um choque, como se a voz rígida e gelada fosse uma fonte de energia. Foi então que ele virou um pouco seu rosto, ficando de perfil, mas não se levantou nem se moveu um pouco mais. Não havia muito o que se fazer, então a Hyuuga deu poucos passos à frente e parou. Sasuke voltou seu rosto para a janela à frente, a uma média distância de si. Hinata ouviu um barulho baixinho de metais se colindindo e ao mirar sua esquerda, Rajah estava de pé e a mirava fixamente. A morena olhou demoradamente as correntes envoltas no pescoço do felino, presas a parede.
- Ele não irá machucá-la.
- Sei que não. - ela disse sem tirar os olhos de Rajah.
Aproximou-se devagar e ao estender seu braço, Rajah movimentou a cabeça, tentando alcançar sua mão, como se estivesse apressado. Ao tocar o pêlo macio da grande face, Hinata sentiu o focinho incentivá-la a se aproximar, e foi o que fez. O tigre esfregou a cabeça no ventre de Hinata para depois afastar-se para que sua fêmea se aproximasse e começasse a cheirar Hinata demoradamente. Seu focinho explorou o ventre, o rosto e por fim, os cabelos da morena, que soltou uma risadinha ao sentir o focinho gelado perto de sua orelha. Acariciou-a com suavidade e a viu tombar a cabeça com seu toque.
- Por que o soltou? - enfim, fizera a pergunta que a havia levado ao lugar que certamente o encontraria.
- Não esperava um interrogatório.
- Talvez um 'Obrigada'?
- Nem isso.
O silêncio não se demorou, já que a fêmea de tigre ronronou quando Hinata se afastou. Caminhou a passos lentos e cuidadosos e pôs-se à frente do Uchiha, que a mirou inexpressivo.
- Por que o soltou? - repetiu sua pergunta, e Sasuke pecebeu a firmeza em sua voz.
- Estaria morta a uma hora dessas.
- Como se te importasse. - dificilmente a voz tão doce tornava-se séria, mas a própria Hyuuga não se dera conta de como sua curiosidade estava misturando-se ao constragimento por ter sido salva, de novo.
- Não me importo.
- Então, por que ? - reconhecia que parecia um disco quebrado, mas era seu direito saber, não era ?
Sasuke afastou o filhote com um leve empurrão, mas a criaturinha pareceu não entender que a hora de brincar acabou, avançando novamente como nas outras vezes.
- Orochimaru te toruxe aqui por um motivo que, não, não faço a mínima idéia. - explicou antes mesmo que saísse alguma palavra da boca semi-aberta da Hyuuga - O que sei, é que se algo acontecer a você, certamente sua morte me prejudicará.
- Como assim? - perguntou segundos depois de ver-se completamente confusa.
- Você não precisa saber. - disse agora levantando-se.
- Tem haver comigo.
- Não procure por problemas, Hyuuga. - advertiu o Uchiha aproximando-se lenta e ameaçadoramente - Porque quando encontrá-los, poderá morrer.
Hinata não conseguiu desviar as pérolas do par de ônix. Podia ver claramente sua morte através deles e rezava para que esses olhos não fossem a última coisa que visse antes de fechar os seus permanentemente. Tentou sustentar o contato visual, mas temia que seu olhar trasparecesse sua agonia por saber que a morte a rodeava. Por fim, virou o rosto, não suportando todo aquele poder que exalava pelos olhos do Uchiha. Sentiu Sasuke respirar profundamente à sua frente, e apenas naquele momento percebeu a considerável diferença entre sua altura e a de Sasuke. Ele era alto, e Hinata não percebera que seu rosto estava à frente do peito másculo do Uchiha. Respirou fundo, contendo o rubor desobediente de suas bochechas, mas ao mesmo tempo em que inalou o ar, inalou junto um perfume amadeirado, suave. Fechou fortemente os olhos para espantar discretamente todos as sensações que lhe ocorreram. Afastou-se, dando as costas à Sasuke e mirou a manhã pela janela.
- Está com medo? - a voz masculina estava bem próxima, assim como o dono, e Hinata não havia percebido.
- Não.
A mão de Sasuke envolveu o braço da Hyuuga, a fazendo virar-se para si:
- E agora?
A garota não fora capaz de sentir os demais membros, e também não estava certa se havia corado mais uma vez. Sua única certeza, era de que Sasuke possuía algo que lhe tornava imperioso. Aqueles olhos tornavam os alvos seu império e apenas ele o controlova.
- Talvez. - conseguiu não gaguejar, mas não esperou entregar-se assim tão debilmente.
Sasuke conteu um sorriso torto. É claro que ela reagiria a isso, mas ao contrário do que pensou, a garota fugiu de seu braço. A viu parar em frente à Rajah, de costas para si. Sabia o que tinha de fazer, e ainda que de péssima vontade, resolveu que seria melhor acabar com tudo e fazer.
- Vamos treinar juntos a partir de agora.
A morena virou-se lentamente, como se esperando um ataque, ou alguém sair de um esconderijo, gargalhando da situação. Mas ninguém saiu de lugar nenhum, e seus olhos arregalados miraram um Uchiha tão inexpressivo quanto antes.
- Como é? - poderia ter formulado algo um pouco menos débil, mas ela estava desprevinida.
- Se quer sobreviver neste lugar, vai precisar de mim.
-Eu... não entendo. - ela pensava alto - Por que faria isso?
- Você não precisa saber.
A resposta ficou novamente entalada na garganta de Hinata. Estava farta de ser o fantoche. A boneca de porcelana. Os olhos estavam fortemente fechados para conter lágrimas de raiva e constrangimento. Queria poder esbravejar seus sentimentos. Toda mágoa acumulada durante anos. Tudo em cima de Sasuke. Mas não era capaz. Queria dizer-lhe que não precisava de ninguém. Que cuidaria de si mesma, como sempre deveria ter feito. Apesar de desejar sua independência com todo o coração, conquistá-la ficava cada vez mais difícil quando as pessoas à sua volta a puxavam para baixo.
- Sei que isso... te interessa. - conseguiu fazer com que sua voz suave se tornasse firme - Há algo por trás.
O silêncio de Sasuke confirmava tudo. Não que ele realmente quisesse esconder. Percebera que a Hyuuga não era burra e que estava desconfiada. Não importava o que ela pensasse sobre o repentino ultimato. E como se finalizando o assunto, o moreno deu-lhe as costas e pôs-se a caminhar em direção à porta. Hinata teve de aceitar que mais uma vez suas perguntas ficariam sem resposta.
''Flashback''
- O que quer agora, Orochimaru? - perguntou ríspido.
- Ora, Sasuke. - começou o Sannin acomodando-se em sua cadeira acolchoada - Não o faria perder seu precioso tempo se não fosse algo importante, faria? - deu uma breve risada e Sasuke revirou os olhos - Então está bem, vamos direto ao assunto. Quero lhe fazer uma pergunta.
- Faça.
- Desconfia do porquê da presença de Hyuuga Hinata neste lugar?
- É óbvio demais, o que me leva a crer que não é o que penso ser.
- Você é tão inteligente, Sasuke.
- Além do mais, não me interessa saber. - piscou uma vez e virou-se em direção à porta - Não acho que viverá por muito tempo neste lugar.
- É aí que você entra, Sasuke. - a frase não o fez cessar os passos - Se Hinata morrer, considere seu treinamento permanentemente interrompido. - mas essa última o fez cessar.
O Uchiha cogitou a idéia de o Sannin estar blefando, mas arriscar seu treinamento seria definitivamente um ato estúpido. Além do mais, que outra tarefa descabida poderia ser tão séria ao ponto daquele cretino ameaçar o precioso motivo pelo qual Sasuke o seguia há tanto tempo?
''Fim do Flashback''
- Serpente. - ralhou o moreno desaparecendo pela porta.
Eu sei, eu sei!
Devem estar todos com alguma arma ninja em mãos, prontos para me fazer levantar voo!
Mas, please, poupem minha vida!
Seguinte, pessoal, os pedidos de desculpas são extensos e sei que abusei da paciência de cada um.
Espero que tenham gostado do capítulo!
Férias curtas são um problema, mas eu não reclamo. Férias são férias!
Mais uma vez: Me desculpem pela demora!
Mandem reviews, por favor! :D
Muitíssimo obrigada por tudo, pessoal!
Beijos e queijos ;*
