Disclaimer: Beyblade não me pertence.
NOTA: O primeiro cap passou de ser chamado "início" a "AGORA I" e o quatro que costumava ser "AGORA I" agora é "AGORA II" porque é assim que parecia mais legal.
Eu já queria terminar com a parte de Rei para poder escrever o que segue. I did tried! E eu preciso planejar o que vem depois, porque sei que vai acontecer, mas não como e não me lembro de quantas mentirinhas lhes contei so far (?).
Toaneo07 Ver2.0, obrigado pela sua review.
Um abraço e beijo ao meu amado beta SilentGambler e obrigado a Nessa Hiwatari por continuar a traduzir esta fic * 3 *
ANTES DE II-III
Rei sempre se perguntou por que Drigger o escolheu.
Aceitar a decisão da besta imediatamente, porque não tinha outra forma de definir isso, não significava que ele entendesse por que a tomara. E embora muitas vezes ele tenha tentado perguntar, a única coisa que ele recebeu em resposta foi um extenso silêncio que se tornou desconfortável.
Ele não tinha pensado nisso novamente até que a besta partiu sem qualquer explicação e só conseguiu finalmente entender quando a recuperou.
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Se Rei fosse um idiota, diria que se as coisas terminassem como terminaram para Kevin - que na época era apoiado por um Lee parcialmente transformado em uma fera e que o segurava pelo pescoço com sua cauda preta materializada – havia sido pelas suas próprias mãos. Mas isso seria injusto para o pobre rapaz que, em sua ânsia de querer retornar as coisas para o que eram antes para que seus amigos pudessem ser felizes novamente, acabou sendo outra vítima da aberração que se apoderara de seu amigo.
Honestamente, não podia culpá-lo. Rei também queria o mesmo, mas ao contrário dele que tinha que amadurecer e aprender a lidar quando a vida lhe fodia, porque acontecia muitas, muitas vezes, Kevin teve que aprender de outra maneira.
Mas agora sua decisão estava em jogo se iria continuar ou não.
- Lee, solta o Kevin.
Foi como se sua vida escorresse pelos seus dedos, mas Rei cuidaria para que esta não fosse sua última lição.
- Por que, Rei? - O tom quase inocente de Lee deu-lhe arrepios, mas ele se controlou. - Kevin não poderia ser mais seguro do que comigo.
Mesmo na escuridão, Rei sentiu a cauda negra e brilhante apertar mais contra o pescoço fino de seu amigo.
- Lee... - ele avisou com dentes cerrados, as mãos em punhos, apertando com tanta força que ele podia sentir suas unhas contra a pele.
- O que vai fazer? - Seu rosto levantou e o tom malicioso foi o suficiente para saber que seu amigo havia ido de novo, deixando aquela coisa em seu lugar.
- Rei... - Kevin chamou com voz fraca.
Ele sentiu outro calafrio percorrer sua espinha, mas desta vez se espalhou pelo resto de seu corpo. O aperto no peito começava a se tornar insuportável.
- Lee, por favor, ele não tem nada a ver com isso!
Sua respiração acelerou.
- Mesmo? - A aberração não mudou seu tom de voz, mas ela moveu a cauda atraindo o menor em direção a ele, puxando-a sem hesitação através de seu cabelo, levando a cabeça para trás bruscamente. - Ele trouxe você para mim, afinal. Por que você ajudaria esse humano insignificante que não buscava nada além de seu próprio benefício?
- Seu problema é comigo, não com ele.
- Ou é que você se importa mais do que eu? - E havia raiva, semelhante à de Lee. Ele soltou a cabeça de Kevin, mas manteve o agarre no pescoço. - Você me mataria para salvá-lo?
E com ele o agarre de sua cauda o levantou para depois golpeá-lo contra o chão, seu grito de dor perfurou Rei até a alma.
- Lee!
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Não havia passado nem três dias desde sua estranha conversa com Tyson e Mariah quando, de repente, não havia apenas a ausência de Lee e Drigger: Kevin também não estava em nenhum lugar.
- Eu disse a ele para não ir tão longe - disse Gary, quem normalmente observava o mais novo do grupo, desde que deixara claro que não queria fazer nada que tivesse a ver com Rei e seus novos amigos. E como Mariah ele não estava, porque estava sempre com Rei.
E embora Tyson e Max (e, por conseguinte, Kai) dissessem que procurariam por ele enquanto procuravam por Lee, Rei decidiu que ele estava o suficientemente recuperado para pelo menos retornar Kevin a seus amigos. Não deveria ser tão difícil.
Gary e Tyson foram juntos, Max acabou seguindo Kai - porque Kai trabalha por conta própria, mesmo em equipe, e ele não estava com vontade de tolerar Tyson ou ter paciência com Gary, que embora excessivamente forte e resistente, não era tão veloz - e Mariah grudou em Rei.
O problema era que duas noites haviam se passado e não havia vestígios dele.
- Esta com Lee.
A seriedade da afirmação de Kai não fez nada além de aumentar a tensão que havia entre os demais. Todos pensaram o mesmo, mas nenhum deles queria dizer isso.
- Talvez ele tenha voltado para a aldeia? - Chief ofereceu como uma alternativa, embora ele não parecesse muito certo de sua própria teoria.
- Estão aqui há dias. Ele poderia ter feito isso antes. - Max murmurou, seu tom mais fraco do que antes, mas seu olhar em Rei.
Na verdade, todos os olhos estavam em Rei, e ele sabia disso, assim como ele sabia o porquê.
Se Kevin estava com Lee, que era o mais óbvio, dadas as circunstâncias de seu desaparecimento, e o próprio Lee ainda não havia entrado pelas portas da mansão exigindo sua cabeça, era porque esperava que fosse o próprio Rei fosse vê-lo.
Era uma armadilha e todos sabiam disso.
Assim como eles também sabiam que Rei iria de qualquer forma.
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Foi o instinto que o fez se mover, era a sua necessidade de proteger que o fez esquecer que era ele, Rei, sem Drigger, o único que corria em direção a um Lee possuído por uma aberração perigosa e demente. E ele não era idiota, sabia que havia caído mais fundo na armadilha, que o sorriso perturbado no rosto de Lee significava a sua vitória e que ele não tinha chance contra ele. Ele ira morrer.
Mas era isso ou aquilo continuando a ferir Kevin.
Com um movimento de sua cauda, Lee jogou o garoto de lado como uma boneca de pano, seu sorriso anormalmente largo, enquanto ele corria para encontrar Rei, que tinha feito a coisa mais sensata para ele: Tomar Lee pela cintura para cair em cima dele. Uma vez no chão, ele agarrou-o pela borda do colete, levantando-o para encará-lo.
- Você que a mim, não é? Aqui estou! - Ele largou com força golpeando no peito com as duas palmas – Vem me matar! Mate-me e vamos acabar com isso! Mas deixe os outros fora disso!
Por um segundo, um bastante longo, Rei viu surpresa em Lee – uma surpresa genuína - pouco antes de se deformar em uma expressão de raiva e ódio. Em um movimento rápido demais para ele, Lee o derrubou de um lado e acabou em cima dele, pegando seus pulsos para prendê-los ao chão na altura de seu rosto.
- Matar você seria muito fácil - Lee assobiou, cuspindo veneno em cada palavra. - Não, Rei. Algo muito, - e seus olhos mudaram, seu ódio substituído pelo sadismo - muito pior te aguarda...
E foi quando ele sentiu, o calor em seus pulsos, o calor intenso e horrendo em seus pulsos.
- Você sentirá em sua própria carne tudo o que eu passei quando você levou minha vida inteira com você.
O grito de Rei perfurou a noite, sufocando o horror de Kevin e a risada insana da coisa que estava se aproveitando de Lee. Tudo enquanto as chamas negras continuavam a queimar suas mãos.
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Lee não precisou dar a ela nenhum tipo de instrução, mensagem ou ameaça. Rei decidiu que, se eles terminassem o que quer que tivessem começado, a coisa mais sensata seria ir busca-lo e procurar por ele onde haviam se encontrado pela última vez. Só.
O único que não lhe disse que era idiotice havia sido Kai, e ele tinha certeza que não necessariamente porque o russo não achava que era, mas porque sabia que Rei iria de qualquer forma. Que os outros tentando fazê-lo mudar de ideia era uma desnecessária perda de tempo e saliva, e Kai não era do tipo que falava para ser ignorado.
- Se for esse o caso, então vamos com você - disse Mariah com as mãos na cintura.
- Eu não acho que são necessárias mais de cinco pessoas para manter um idiota vivo - disse Max com um grande sorriso.
Se Rei achou estranho que Kai não se opusesse por ser incluído, ele não mencionou isso. Ele gostava de saber que, mesmo sem Drigger, seus amigos estavam lá para ele.
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Quando ele sentiu o fogo de arder, a sensação de pele queimada contra o ar frio da noite só fez tudo piorar. Rei teve que morder seus lábios com toda sua força para que seus gemidos de dor não escapassem, mesmo que com toda aquela força de vontade ainda fossem audíveis. Tão forte e insuportável que ele mal podia processar que a única razão pela qual ele estava agora livre do ataque de Lee era porque Kevin, parcialmente transformado, foi para cima dele para tirá-lo.
Ele rolou no chão para olhar melhor para o garoto que, com sua fera presente em seus membros novos e semitransparentes, estava praticamente em cima do peito de Lee, cercando-o com as pernas para não cair enquanto arranhava o rosto com suas garras afiadas.
- Você não é o Lee! Deixa ele!
- Macaco idiota!
- Kevin, não!
O rabo preto de Lee voltou a cobrar vida, pegou uma das garras de Kevin, que parou seu ataque para se sentir novamente preso. Sua mão livre pegou pela garra negra de Lee, sua expressão não mais de malícia, mas de raiva.
- Estou farto.
Ele ouviu o osso estalar, Kevin gritou, e um rugido familiar fez a terra tremer.
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Assim como eles sabiam que era uma armadilha, Lee sabia que ele não iria sozinho. E foda-se.
O primeiro que se separou foi Kai - com duas aberrações porque ele não era um imbecil - que acabaram arrastando-o para um esgoto. O seguinte foi Gary, com uma aberração com asas já desenvolvidas que era muito rápida, forte e ágil que o levou de lá para enfrentá-lo em outro lugar. Um par de gêmeos que seriam atendidos por Tyson e Max, deixando Mariah e Rei seguirem em frente; só que antes de chegar com Lee, uma loira enorme com um olhar severo os interceptou e Mariah decidiu ficar porque "se você morrer aqui, a aberração vai matar Kevin".
Rei aceitou, com muitas dúvidas e sem a menor ideia de como ele poderia seguir em frente, mas ele tinha que fazê-lo porque as palavras de Mariah eram tão verdadeiras que seu medo pela vida de Kevin era muito mais forte do que suas próprias inseguranças e complexos.
Seu encontro com Lee estava em um antigo estacionamento abandonado de três andares. Porque com aberração e tudo, seu amigo não permitia que ninguém os visse; a primeira vez que terminou foi depois de exorcizar a vítima, porque ele simplesmente voltou a sentir o rastro de seu amigo. Naquela ocasião, ele havia ido sozinho e não havia terminado bem.
Agora ele também, mas pelo menos ele já sabia que seus amigos acreditavam nele. O que isso faria por sua condição, ele não sabia exatamente, mas um pouco de apoio moral nunca faria mal a ninguém.
Mas ver Lee de braços cruzados, enquanto segurava o pequeno Kevin sob o chão graças ao aperto de sua cauda negra, o fez esquecer tudo.
- Eu pensei que levasse Kevin mais em consideração ao menos. Tem três dias que chegou...
- Rei... – o mais novo levantou a cabeça, visivelmente espancado, arranhões no rosto, hematomas nas bochechas, a voz fraca...
Isso não era Lee.
Aquela coisa acabara com o amigo dele.
Com grande facilidade ele usou seu membro para levantar o menino e ficar na frente dele.
- Mas você veio por ele muito mais rápido do que para mim.
- Lee, liberte o Kevin.
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Ele não correu, correr era sinônimo de perder tempo; ele pulou. Pulou com todas as suas forças, deixando seu instinto renovado assumir o controle de seu corpo e a nova corrente de adrenalina que parecia bombear através de seu sangue sedava qualquer sensação de dor.
Lee mal teve tempo de soltar Kevin e afastar as afiadas garras brancas que Rei agora possuía em vez de suas mãos. Ele teve que usar as suas próprias para tentar impedir seu progresso. Com toda a força que ele possuía agora, Rei poderia empurrar Lee, apesar de toda a resistência que ele colocou.
- Rei! - Ele ouviu o grito entre os gemidos de Kevin.
- Sua besta voltou. - Os olhos amarelos de Lee agora brilhavam ainda mais, apesar de estar em uma situação menos favorável.
- Isso termina agora Lee - silvou Rei, sentindo seus músculos se estirando, seu sangue fervendo e notando as estrias que estavam aparecendo em sua pele. A dor das queimaduras esquecida.
Sem perder a visão de Lee, ele bradou:
- Kevin sai daqui! Vá com meus amigos!
A essa altura, pelo menos Kai já deveria ter terminado e, dadas as circunstâncias, ele não se recusaria a cuidar de Kevin.
Ele decidiu confiar que o menino finalmente o ouviria e voltou com Lee, que sorriu para ele daquele jeito maníaco que só pertencia à aberração dentro dele. Ela ainda resistia ao enorme poder que Rei concentrava em suas mãos. Percebendo isso, ele rapidamente parou de pressionar para chutar com a sola do pé o peito de Lee. Ele não teve problema em capturá-lo com as duas mãos, deixando o chinês surpreso. Mas ele se recuperou e usando a mesma perna que ele atraiu Lee para ele, que por engano e antes da surpresa do movimento liberou a perna que ele estava segurando. Rei agarrou-o pelo pescoço e pela cabeça para se firmar, aterrissar sem problemas, forçá-lo a inclinar-se e acertá-lo com o joelho nas costelas. Então ele puxou-o pelas suas roupas para virar e soltá-lo no chão.
Ele conseguiu ouvir risos em seus gemidos, mas no momento em que ele estava em cima dele, sentado em seu peito, com uma perna de cada lado, ele continuou ignorando-o. Ele deu um soco, mas Lee o deteve. Irritado, ele atirou no outro, mas foi novamente bloqueado por seu amigo.
- Ouça-me, Lee - Rei assobiou entre os dentes. - Eu não me importo se você me odeia pelo resto da sua vida, ou que você nunca me perdoe. Mas você está errado se você acha que eu vou deixar essa coisa te matar ou aos outros.
- Essa coisa eh? - o olhar de Lee o congelou. Porque não havia aparência associada a esse monstro, mas também não era a aparência de Lee. - Você realmente acha que eu não sabia o que estava fazendo?
E isso foi pior do que qualquer outro golpe que ele recebeu em toda a sua vida.
Isso não foi Lee.
Não poderia ser Lee.
Aproveitando-se de seu estado, Lee forçou Rei a um lado para acabar em cima dele novamente. Com o rabo ele agarrou um dos pulsos machucados de Rei e o encrustou no chão. Ele mal havia terminado de sentir a dor sobre o movimento repentino quando seu outro pulso já estava preso pela garra de Lee.
- Você acha que a Black Dranzer me escolheu aleatoriamente? - E a raiva estava de volta, a expressão estava distorcida e o aperto em seus pulsos ainda transformado tornava-se cada vez mais doloroso apesar de Drigger.
- Não deixe ela te vencer, Lee... - ele implorou.
- O que foi contra a minha vontade?
- Lee, essa coisa está te controlando! Você nunca machucaria Kevin...
- E isso que foi o único do qual você ouviu falar.
O calor em seus pulsos era tão intenso quanto da última vez, um grito de dor junto com Drigger. As palavras de Lee ainda ecoavam em sua mente.
- Lee aceitou todas as minhas condições! - A voz que soava como a de seu amigo, mas era daquela coisa, podia ser ouvida apesar de seus gritos. - Em troca de libertá-lo de uma vez por todas.
Ele sentiu as chamas cessarem, e se não fosse por Drigger, ele sabia que a aberração havia quebrado seus pulsos há muito tempo, como fizera com Kevin. Ele ofegou porque não podia fazer mais do que isso; ele fechou a boca, mordendo os lábios para evitar mostrar o dano real que recebera. Mas vendo o rosto de Lee a poucos centímetros dele e sorrindo com escárnio e sadismo, ele sabia que não tinha conseguido.
- Pobre Lee.
Rei rosnou, tentando se libertar, mas nada. A única coisa que ele fez foi se machucar mais e dessa vez o espasmo de dor passou por seu corpo completamente, sentindo como se uma corrente elétrica estivesse passando por seu corpo até a medula. A aberração riu.
- Lá se vai seu amiguinho e de repente o mundo já não faz mais sentido.
E para horror de Rei, ele viu como a pele de seu amigo estava começando a ficar preta como breu e das costas de Lee emergiram suas poderosas, mas maltratadas asas negras. Foi a primeira vez que viu esse tipo de transformação.
Ele começou a lutar com mais força.
- Tanta tristeza, tanta raiva, tanto ódio e tudo em silêncio, porque tinha que ser o seu substituto.
Sua respiração se tornou incontrolável. A dor, os espasmos, Lee... Era uma maré de sentimentos que mal lhe dava tempo para processar e controlar seus movimentos corporais. A aberração ainda estava tomando conta de seu amigo, seu cabelo agora estava branco. Estava perdendo Lee para sempre.
- Não...
- Droga, maldita hora você apareceu - e a voz ficou distorcida, ficou mais séria e arranhada. - Eu te dei tudo e não foi o suficiente para você - mas ainda era Lee.
- Nunca foi sobre isso... - ele conseguiu articular.
- Eu teria lutado por Drigger se isso fizesse você ficar.
- Eu teria dado a você.
Seus olhos perderam as pupilas para deixá-las completamente amarelas.
Lee foi embora.
O viu mover a cabeça e seu pescoço estalava, piscou várias vezes como se tivesse acabado de acordar e não prendendo Rei.
- E adeus Lee.
E foi a voz, aquela voz grave, áspera e venenosa que fez seu corpo ferver de raiva. Porque não, Lee não tinha ido embora, o haviam expulsado. E ele não permitiria que ninguém mais fosse levado embora.
- Oito anos sem ter esta forma...
Ele não seguiu, porque a respiração e os movimentos agitados de Rei se tornaram mais erráticos. Ele se contorceu sob o corpo de Lee mais violentamente do que antes, cerrando os dentes, algo correndo em suas veias e não era mais sangue.
- Drigger!
O rugido foi ouvido da terra para o céu, ecoando no firmamento, iluminando a noite escura.
- Não!
A aberração retornou sua visão do céu apenas para se deparar com o olhar agora felino de Rei. Um choque elétrico em sua garra esquerda fez com que a aberração retirasse sua cauda preta, e Rei puxou a camisa que estava segurando para puxá-lo para o chão com ele, cara a cara como antes.
-Isso é por Lee...
E gritou. Mas o som não veio de sua garganta, o céu foi o que retumbou fazendo a terra tremer, iluminando tudo antes de retornar com força e velocidade ao seu dono e, consequentemente, ao seu inimigo.
- Aaaaaaaaaah!
O trovão atingiu o alvo, a descarga direta que a aberração recebeu de Rei e Drigger foi o suficiente para enfraquecer seu controle de uma vez por todas.
Rei sabia o que ele tinha que fazer.
Ele jogou-o no chão, ajoelhou-se ao lado dele e começou o procedimento que sabia de cor. Com a garra esquerda, ele cobriu o rosto de Lee ...
- Ele vai morrer...- a aberração engasgou.
Rei o ignorou. Sua mão começou a voltar ao normal e as linhas de seu corpo começaram a desaparecer.
- Lee não pode viver sem mim... Argh!
Rei fechou os olhos com força, ignorando o calor por trás deles e sentindo como se toda a energia e todo o poder que ela ganhara estivessem concentrados em sua mão.
- Já é tarde demais.
O corpo de Lee convulsionou ao lado dele, enquanto Drigger continuava a fazer seu trabalho com ele.
- Não sobrará nada quando terminarem.
Rei cerrou os dentes e engoliu em seco. Drigger estava demorando demais...
- Não o abandone, Drigger, devemos tentar...
- Ele é meu.
E, num instante, Rei ergueu um pouco a cabeça da aberração só para atingi-la novamente com o chão, fazendo com que o pavimento se rachasse.
- Você tem que voltar, você me ouviu? - espetou, abrindo os olhos, aproximando-se do corpo quase inerte do amigo, mas não tirou a mão do rosto. - Não importa o que essa coisa lhe disser, não importa o que você fez. Drigger, Mariah, Gary e Kevin querem você de volta.
Quando o próximo grito veio de seus lábios, Rei nunca esteve tão feliz por ter machucado Lee.
- Eu quero você de volta, preciso de você de volta. Eu preciso do meu irmão, não me deixe sozinho com tudo isso Lee, por favor.
A primeira coisa que mudou foi o cabelo, pouco a pouco o branco nele caiu no chão, dando origem ao negro natural que ele tinha antes. A próxima coisa era sua pele, a pele negra caiu como tinta, enquanto Lee recuperou seu tom natural.
- Lute Lee, e eu vou te ajudar.
Rei quase sorriu com a sensação do poder de Drigger retornando ao seu corpo através de sua mão, correndo pelo seu braço, como sangue em suas veias. Estava funcionando. Sua besta se livrou da aberração.
As garras negras também desapareceram, caindo no chão de forma líquida antes de se acumularem com o resto e se tornarem uma espécie de massa negra, vaporosa e transparente. Então foi quando a cauda e as penas das asas começaram a cair até que estas também desaparecessem, o corpo de Lee retornou à normalidade enquanto seus movimentos involuntários cessaram, permanecendo imóveis.
O coração de Rei parou, ele tirou a mão do rosto do amigo assim que Drigger voltou completamente e o pegou em seus braços, pressionando-o contra ele com toda a sua força. Antes que ele pudesse fazer qualquer outra coisa, seu olhar caiu sobre a coisa preta no chão, a que se desprendia de Lee e agora tomava a forma de um pássaro diante de seus olhos.
As aberrações não faziam isso. As aberrações eram exorcizadas de um humano e partiam. Não havia como elas deixarem esse tipo de resíduo.
Não havia como existir fisicamente sem um humano.
Olhou para Lee alarmado, mas ele ainda estava inerte e Drigger não teria deixado um grama daquela coisa nele.
- Black Dranzer... - ele sussurrou, lembrando o nome daquele ser na frente dele.
O pássaro preto deu um resmungo gelado que gelou seu sangue antes de sair, voando em direção ao céu. Sua ameaça ecoou na noite e nas profundezas dos medos de Rei.
Eles voltariam a vê-la e, embora naquela época não soubesse a verdade de um mau presságio, sabia que Lee fora apenas o começo de algo muito pior.
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Rei poderia ter passado horas lá, com Lee em seus braços, ele não se lembrava de verdade. Ele só sabia que, se ele soltasse, poderia correr o risco de ele morrer e não o perderia novamente.
E quando milhares de pedidos e perdões saíram de seus lábios em sussurros contra a testa de Lee, ele entendeu que talvez Drigger não quisesse um líder para o clã, mas um protetor. Alguém que os amava tanto que colocar suas vidas em risco não era tão horrível quanto a ideia de perdê-los.
Ele sorriu amargamente ante a possibilidade de fracassar, mas Drigger não ficou furioso. Pelo menos não com ele.
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A única razão pela qual ele se lembrava de Mariah era porque ela tentou tirar Lee de seus braços.
"Drigger o mantém vivo...".
A implicação estava lá, não dita, mas óbvia, e o grito de Mariah parecia mais um lamento. Ele a viu pegar as mãos de seu irmão e esconder seu rosto em seu braço. E vendo as contusões e feridas em sua amiga, tão desamparada e ferida... Elas só fizeram seu coração se partir ainda mais e com cada soluço e grito dela caindo em pedaços.
Porque a coisa mais dolorosa de todas era saber que, mesmo com Drigger naquele momento, não havia sido o suficiente para salvá-lo.
- Rei, podemos salvá-lo.
As palavras de Max foram como jogar uma pedra no espelho de sua realidade. O centro de suas emoções ainda era Lee naquele momento, então ele mal tinha forças para entender as palavras de seu amigo.
Ele havia esquecido seus amigos.
-... Minha mãe pode... Eles vão fazer o que para mim ...Levar.
Quem? Quem ia levar Lee?
-... Eles trabalham com a minha mãe, vai ficar tudo bem... Como eu...
Não!
-... Desculpe Rei, mas não há outro jeito.
Ao acordar, ele saberia que foi Kai quem o acertou e o deixou inconsciente - considerando que ele era muito bom nisso - que Tyson tinha que segurar Mariah enquanto certo Eddie estava lidando com Kevin e Gary no que Max e um estranho, Emily, preparavam Lee.
E apesar de que levaria quase um ano para Rei agradecê-lo em lágrimas pelo o que ele fez, nesse momento ele odiou Max como ele nunca o fez em sua vida.
Eles levaram Lee para os Estados Unidos. Longe dele e sob a jurisdição da mãe ausente de Max.
