:: Capítulo 7 ::
:: Lágrimas da Neve ::
Quando finalmente Kamus conseguiu acalmar um pouco Yuki e, finalmente se juntar a Milo na sala, o escorpiano já tinha perdido as contas de quantas vezes tinha ido até a janela para olhar lá fora.
- Nem sinal deles, Kamus! – Milo o encarou preocupado.
- Eles a encontrarão, mon ange. – Kamus tentou o acalmar. – Talvez Yoru não tenha ido tão longe. – O aquariano falou aquilo mais para si mesmo do que para o namorado. Estava muito preocupado e dividido, não sabia se ia atrás de sua aprendiz, o que seria correto, ou se ficava olhando Yuki.
- Assim espero! – Milo o olhou rapidamente nos olhos. – Eu pensei que Yuki tivesse ouvido meus conselhos, mas pelo visto me enganei... Talvez não devêssemos ter vindo...
- Non diga isso, mon amour. As duas petites são impulsivas… Lembram-me nossas brigas e discussões... Yuki ama a irmã. – Milo o encarou desconfiado. – Oui... Ela me disse... E também mereceu ouvir tudo o que disse, só acho que...
- Kamus, não questione meus métodos... Yuki e Yoru são como água e óleo, não se misturam, mas apesar de tudo isso elas têm que entender que o amor as une, não somente o sangue. – Milo andou novamente até a janela. – Vou ajudar a procurar e, eu sei que você também quer ir atrás dela. – Kamus o encarou, aquele inseto realmente o conhecia muito bem. – Vejo isso em seus olhos.
- Oui, você me conhece muito bem para eu negar, mas sozinho non vai enfrentar esse tempo e esse lugar... Você non conhece nada aqui como eu. Pode acabar se perdendo e, em vez de uma petite enfant perdida, teremos de procurar um scorpion teimoso também! – A voz calma e levemente fria.
- Kamus... – Milo rilhou os dentes. – Sou um cavaleiro de Ouro... Posso muito bem ir à procura de Yoru e, eu não consigo confiar naqueles dois!
- 'Aqueles dois', conseguiram passar pelas doze casas derrotando muitos de nós, eu inclusive! – o ruivo o fuzilou com os olhos. – Além do mais, Hyoga também conhece muito bem a região. – Kamus começou a subir as escadas devagar. – Venha, vamos atrás de Yoru!
Milo não disse nada, apenas o seguiu até o quarto onde as caixas das armaduras se encontravam. Já de armadura, o escorpiano foi até o quarto da aprendiz e sem muitos rodeios foi falando. – Kamus e eu vamos indo atrás de Yoru também, não saia daqui.
- Mas eu...
- Yuki, é uma ordem, não me desobedeça! – Milo fechou a porta atrás de si, estava se detestando por agir daquele jeito, mas a aprendiz tinha que entender muito bem as coisas.
O cavaleiro de Aquário esperava pelo namorado no andar debaixo e, ao vê-lo o encarou decidido.
- Kamyu, tem idéia de onde Yoru pode ter ido? – Perguntou Milo colocando sobre a cabeça o pequeno elmo.
- Ela gosta de ir a dois ou três lugares... Teremos de procurar em todos eles. – Respondeu andando contra a nevasca e a cada minuto chamando pela aprendiz.
- Yoru! Apareça... – Milo tentava proteger os olhos e a boca dos flocos de neve.
- Talvez ela tenha ido para perto das geleiras, às vezes surgem cavernas geladas onde uma pessoa pode se esconder do mau tempo. – O aquariano seguia a poucos passos à frente do escorpiano e, ambos tinham de falar muito alto para se fazerem ouvir.
Ao chegarem perto das geleiras não encontraram nem sinal da pequena e a nevasca parecia piorar a cada instante.
- Kamus, onde Yoru se meteu? Se para nós está difícil andar, imagina para ela...? Ela pode...
- Milo... Mon scorpion, non complete seu raciocínio. Nós vamos a encontrar. Venha, non pare! – O aquariano prosseguiu a passos largos, por trás da máscara fria que era seu rosto, a angustia e a preocupação o assolavam. – "Petite, onde você se meteu?" – Pensou.
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Hyoga e Shun acabaram perdendo o rastro de Yoru quando a nevasca os atingiu. A visão era praticamente nula, mas o cavaleiro de Cisne conhecia aquele local e, eles prosseguiam assim mesmo.
- Shun... – Chamou Hyoga olhando para trás e parando de andar. – Tenho certeza que senti o cosmo fraco de Yoru quando passamos pelo mar congelado. – A voz alta para se fazer ouvir e, os olhos azuis translúcidos mirando o lado contrario.
Shun parou ao lado do namorado e o encarou. – Eu também senti. – Respondeu concordando. – Talvez fosse melhor voltarmos, ela não veio por aqui definitivamente, senão já teríamos a avistado.
Concordando com um aceno de cabeça, o louro passou rápido por Andrômeda e, seguiu o caminho de volta.
- Vou usar a corrente, Hyoga, talvez ela mostre onde está Yoru! – Shun começou a falar e já foi usando o poder de sua corrente, que não se moveu frustrando o cavaleiro. – Não! – Resmungou baixinho correndo a frente de Hyoga.
- Shun, calma! – Ao começar a correr atrás do namorado, Hyoga sentiu o cosmo de Yoru um pouco mais forte e, parando um pouco segurou o cavaleiro pela corrente direita que esvoaçava para trás. – Sentiu isso, Shun?
- Sim! É Yoru! – Shun o encarava preocupado.
Sem dizerem mais nada, o louro passou a frente dele correndo para os lados das geleiras. Mentalmente pedia a mãe – congelada no mar gelado – que protegesse a pequena aprendiz. – Shun... Olhe ali! – Gritou Hyoga desesperado ao ver uma sombra cair mais a frente.
Sem pensar muito, Shun lançou sua corrente circular, que repuxou assim que prendeu em alguma coisa. Segurando firme e, com a ajuda de Hyoga, começaram a suspender o corpo inerte da pequena aprendiz.
- Yoru! – Hyoga soltou a corrente e correu para pegar a pequena no colo, os olhos azuis olharam preocupados para os esmeraldinos do namorado. – Ela está respirando, mas parece que desmaiou. – Falou retirando a corrente que estava ao redor do corpo da menininha e a içando nos braços.
- Vamos voltar, Hyoga! Kamus e Milo devem estar preocupados, sem contar Yuki. – Shun falou calmamente soltando um suspiro de alívio ao tocar o rostinho meio pálido de Yoru.
- Pobre Yo. Espero que não fique com medo daqui para frente! – Hyoga a ajeitou melhor no colo e seguiu ao lado do namorado.
- Ela não vai ficar com medo de nada. Parece-me ser uma jovenzinha muito forte! – Respondeu sem parar e segurando no braço do louro, pois a nevasca parecia não querer dar uma trégua.
- Assim espero, Shunny... Assim espero! – Hyoga falou apertando a menininha mais de encontro a si. Em pensamento agradecia a mãe por tê-los ajudado na busca. Ele não queria nem pensar se os dois tivessem chegado muito tarde, Kamus sofreria demais... Assim como sofrera quando Isaac fora dado como morto.
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Yuki estava angustiada. Tentara se distrair guardando todas as roupas que havia levado para lá, mas já terminara aquela tarefa e, no entanto, ainda continuava pensando na irmã e em como havia a tratado. Milo estava com a razão, Yoru precisava aprender sozinha, mas talvez demorasse algum tempo a aprender. Andou até a janela e olhou para a nevasca que caia sem cessar.
Andou pelo quarto como um bicho enjaulado. Estava furiosa consigo mesma. Yoru era sua única irmã... Sua irmãzinha e, desde que ela conseguia se lembrar, aquela fora a pior das brigas. Lágrimas sentidas rolavam pelo rostinho angustiado. A dor que sentia no peito era terrível... Era a mesma dor que sentira ao perder a mãe. Pegando o caranguejinho de pelúcia que estava sobre a cama de Yoru, o abraçou como se fosse à irmã, mas não era a mesma coisa... O cheiro adocicado do perfuminho infantil que a lourinha mais nova usava estava impreguinado no bichinho o que fez com que o desespero aumentasse mais.
- Mamãe... Ô mamãe, eu jurei que seria forte... Eu jurei que protegeria a Yo... Porque então tinha que ser do jeito que agi? Por quê? – Yuki deixou-se cair na cama, afundou o rosto no travesseiro deixando 'Casquinha' cair ao seu lado. Os soluços agitavam o corpinho infantil. – Yoru... Minha pequena e querida irmã, por que tinha de sair de casa! Me batesse... Seria melhor do que sair e se perder nessa nevasca. Eu queria ter a mamãe aqui... Nada disso teria acontecido... Ai... Mamãe... A Yoru, olhe por ela!
Todas as promessas feitas, todas as vezes que sentira medo, em que vira espíritos maus, não havia chorado, mas por Yoru... Por sua pequena irmã estava derramando todas aquelas lágrimas. As mãos fortemente agarradas ao travesseiro e o rosto ainda enterrado no mesmo, a impedirão de ver a forma angelical que surgia vinda dos flocos de neve que caiam lá fora. Uma mão etérea, branca tocou gentilmente os cabelos da pequena – Que eram do mesmo tom dos da aparição – e os acariciou.
Yuki sentiu uma sensação gostosa de proteção e, levantando o rosto do travesseiro, olhou para trás surpreendendo-se ao ver o ser angelical lhe sorrindo. Arregalou os olhinhos, a voz presa na garganta. Novamente a mãe aparecia para ela. Estava ali, sentada ao seu lado.
- Não se preocupe, Yuki. – A voz calma e doce da mãe parecendo um bálsamo para o coraçãozinho angustiado da pequena. – Todos nós cometemos erros, minha querida filha... Todos nós em nome de sermos fortes acabamos ferindo alguém que amamos muito.
- Mas mamãe... Eu prometi ser forte, proteger a Yoru... – A voz finalmente saindo embargada.
- Shi... Não diga nada meu anjo! Preste atenção apenas. – E fez uma pausa acariciando o rostinho amado. Seishin¹ morrera muito nova, as filhas acabaram ficando sozinhas, indo para o orfanato e, apesar de não terem tido sorte com as famílias que as adotavam... – Sim, pois passaram por mais de uma – Estavam ali agora... Sãs e salvas, junto de duas pessoas que as amavam muito. – Yoru e você são muito especiais, além de serem irmãs têm um grande futuro pela frente, por isso entenda, Yuki, sua irmã vai aprender a ser forte, vai aprender a se virar sozinha, mas não com você agindo desse jeito. Para tudo tem sua hora e, a hora de Yoru aprender ainda não chegou. – Fez uma pausa para olhar a nevasca que caia lá fora. – Hoje minha pequena, quase todo o destino da terra foi selado e, não seria o momento correto das coisas acontecerem.
- Mamãe, a Yo... Não, ela não pode... Não por minha causa...
- Tenha calma, não aconteceu nada com a Yoru, mas poderá acontecer se vocês continuarem com essas brigas bobas e não entenderem que devem ser unidas. Todos os irmãos brigam, todo mundo tem seus desentendimentos, mas Yuki o amor que une sua irmã e você tem de ser maior que tudo. Não tente afastar mais a Yoru de você. – Tocou-lhe a fronte com os lábios. – Se quer que ela entenda as coisas, converse, não seja como foi hoje... Você consegue melhorar um pouco... Tente meu anjo, por você e por ela também. E não tenha vergonha de chorar, nunca. Ser forte não quer dizer que você não deve chorar.
- Eu prometo, mamãe... – Yuki prometeu a encarando e, ao perceber que a mãe estava levantando-se da cama pediu com a voz um pouco mais alta. – Por favor, mamãe... Fica um pouco mais comigo!
Olhando para a janela, Seishin suspirou e sentou-se novamente na cama. – Deite novamente, Yuki... Deite... – E ao ver a filha deitar sorriu calmamente. – Isso, agora feche os olhos, meu anjinho. – Com paciência foi fazendo-a ir se acalmando. – Agora durma meu bem, Yoru vai voltar e, você terá o desafio de acalentar o coraçãozinho que machucou... Não se preocupe, você saberá como e quando fazer.
Quando finalmente a respiração da pequena ficou calma, Seishin beijou-lhe a testa e desta vez despediu-se de sua primogênita para nunca mais voltar. – Adeus Yuki, seja forte! – A silhueta angelical foi se esvaecendo, quando passou pela janela fechada e juntou-se aos flocos de neve que caiam desapareceu completamente.
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Kamus e Milo voltavam de uma parte bloqueada pela neve quando encontraram com Hyoga e Shun. Os olhos do aquariano ficaram rasos de lágrimas e, assim como Milo correram ao encontro dos dois jovens cavaleiros.
- Yoru... O que aconteceu, Hyoga? – Perguntou Milo o encarando enraivecido.
- Calma, Milo. Não aconteceu nada... Ou melhor, aconteceu. – Hyoga serrou os dentes ao ver a cara do escorpiano.
- Podemos conversar depois? – Perguntou Shun entrando no meio dos dois cavaleiros. – Precisamos levar Yoru para casa. E ela esta respirando, apenas desmaiou e ainda não recobrou a consciência.
Kamus aproximou-se de Hyoga e pegando a pequena no colo agradeceu. – Obrigado aos dois! Agora vamos. É como Shun disse, não podemos ficar aqui no meio dessa nevasca. – Virando-se para Milo, suspirou e deixou que só o amado visse as poucas lágrimas que corriam por seu rosto.
Milo entendia aquele 'cubo de gelo' ambulante. Sabia que para ele chorar, precisava acontecer alguma coisa muito grave, como aquela tensão toda que haviam vivenciado. Ele mesmo derramava lágrimas de alívio. Yoru estava novamente com eles.
O trajeto todo, os quatro cavaleiros fizeram em silêncio e, quando finalmente avistaram as luzes da casa ao longe, acabaram por apertar os passos.
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O barulho no andar de baixo acabou por despertar a pequena Yuki, que com um pulo saiu da cama, deixou o quarto e, debruçando sobre o corrimão do andar de cima olhou para baixo. Ao avistar a irmã nos braços de Kamus, saiu correndo descendo as escadas de dois em dois degraus.
- Yoru... Como ela está, Kyu? – Perguntou parando a frente do francês, que lhe dirigiu um olhar frio e não lhe disse nada. A pequena arregalou os olhos e, quando fez menção de sair correndo atrás do aquariano, teve seu caminho barrado por Milo. – Mi-sama... – A voz morrendo na garganta apenas com o olhar do mestre.
- Fique aqui em baixo por enquanto, Yuki! – Milo ordenou com voz fria e baixa. Subiu as escadas rapidamente e entrou atrás de seu francês no quarto das pequenas, trancando a porta assim que entrou.
Yuki deixou-se cair no sofá, os olhinhos escondidos entre as palmas das mãos. Sentiu um afago nos cabelos e a voz calma de Hyoga a sua frente. – Tenha calma, Yuki! Eu sei que dói... Sei que o que está sentindo não é fácil, mas entenda... Kamus e Milo estão transtornados.
Tirando a mão do rosto, Yuki encarou Hyoga, as lágrimas escorriam por seu rostinho novamente. – Yoru é minha irmã, quero saber como ela está... – Soluçou desesperada. Escondeu o rosto nas mãozinhas novamente e deixou-se levar pelo choro.
Shun se aproximou devagar e sentou-se ao lado dela a abraçando. – Chore, Yuki... Coloque tudo para fora, em breve Kamus e Milo vão descer e você poderá ficar com Yoru, eu tenho certeza. – E beijou-lhe os cabelos sem a soltar. Olhou para Hyoga, os olhos azuis do namorado estavam marejados. Em um piscar de olhos, de repente o louro não estava mais ali na frente. Já estava subindo as escadas, indo conversar com o mestre e Milo dentro do quarto das pequenas.
Depois de algum tempo, os três cavaleiros apareceram e, voltaram para a sala onde Shun já tinha conseguido acalmar novamente Yuki.
- Yuki, - Kamus começou falando baixo e com seu corriqueiro jeito frio de ser. – Yoru quase morreu hoje. Preste atenção... – Pediu ao ver que a pequena iria falar alguma coisa. – Preste atenção, non queremos mais esse tipo de conduta aqui. Ninguém tem o direito de querer mudar a personalidade de ninguém e, hoje você aprendeu isso a duras penas. Você vai ver a Yo, ela está dormindo...
- Kyu, ela não acordou? – Yuki perguntou preocupada e, não escondendo as lágrimas teimosas que insistiam em rolar-lhe pelo rosto infantil.
- Ela acordou, mas não perguntou de você, Yuki. – Milo respondeu rispidamente.
- Calma, Milo! Combinamos com Hyoga que non iríamos ser agressivos. – Kamus o lembrou. Voltou-se para Yuki. – Você pode ir para seu quarto, ver sua irmã, poderá ficar por lá desde que não cause mais nenhum tormento para ela. Promete?
- Sim, prometo! – Yuki prometeu, com a voz um pouco mais alta apenas que um murmúrio. – Posso subir agora? – Perguntou levantando um pouco o queixo, tentando demonstrar que ainda podia ser forte como antes. Ao ver Milo balançar a cabeça positivamente, começou a subir as escadas.
- Yuki... – Chamou-lhe Milo. – Se você a magoar novamente, separamos vocês duas. Yoru fica com Kamus no quarto dele e, eu vou para o de vocês. Esteja ciente disso! – E deu-lhe as costas, não vendo assim a pequena correr escadas acima e entrar no quarto rapidamente.
Assim que ela sumiu dentro do quarto, Milo jogou-se nos braços do aquariano e deixou que o choro tomasse conta de seu ser. Ele nunca iria mudar, não se importava em chorar na frente de Shun e Hyoga, não era do estilo de Milo preocupar-se com isso.
Hyoga abraçou Shun e, em silêncio seguiram para o quarto que eles estavam. – Será que tudo vai voltar a como era antes, Hyoga? – Shun perguntou ao tirar sua armadura.
- Só o tempo poderá nos dizer! – Hyoga respondeu deixando seu corpo cair sobre a cama.
Kamus conseguiu a muito custo levar Milo para cima e o acalmar. A tarefa que tinham pela frente não era fácil, ainda mais agora que compreendiam que amavam aqueles dos pequenos cisquinhos de gente. – Tudo vai se resolver, mon ange.
- Assim espero, ruivo... Assim espero... – Milo suspirou, antes de receber um beijo apaixonado carente de afeto e de carinho.
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Yuki aproximou-se da cama da irmã devagar, pegou o bichinho de estimação dela que estava caído no chão e, tornou a colocá-lo embaixo das cobertas ao lado do braço de Yoru.
Decidida, pegou a cadeira da penteadeira e colocou ao lado da cama da irmã. Iria velar-lhe o sono. Pegou a pequena mãozinha entre as dela e, a segurou carinhosamente acariciando levemente. Lembrando das palavras da mãe, esperou pacientemente ao lado da irmã até que ela abrisse os olhinhos.
Vencida pelo cansaço, Yuki acabou dormindo sentada, com a mão da irmã entre as suas.
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Yoru estava entre o limiar do sonho e um pesadelo. Sentia seu corpo flutuar no ar como se estivesse voando em meio a nuvens brancas de neve. De repente sentia como se a força da gravidade puxasse seu corpinho para baixo com toda força, a fazendo cair. Do nada a situação se revertia e, ela via ao longe um brilho extraordinário. Alguém estava lutando em uma arena redonda ladeada por pessoas diferentes. O local era estranho escuro. A única coisa que brilhava ali era aquela pessoa com uma armadura de brilho dourado esplendido. A máscara no rosto escondia quem devia ser, os cabelos louros com mexas azuis... Não era Milo, mas a armadura... Era a de Escorpião. De repente a máscara foi lançada longe por um golpe, arregalando os olhos, a pequena Yoru reconheceu Yuki, mais velha, mas era sim sua irmã. Ela não entendia o que ela estava fazendo que não lutava, que não usava um de seus golpes.
Por mais que tentasse gritar, sua voz não saia. Yoru estava entrando em estado de pânico. Uma bola de energia, um poder que ela nunca havia visto, fora lançado na direção de sua irmã, que levantou os braços tentando proteger o rosto. O grito de dor ribombou os ouvidos da pequena lourinha, que não percebeu que o seu próprio grito misturava com o da irmã.
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Yuki acordou assustada ao sentir a pequena mão entre a sua soltar-se tão bruscamente. Olhando para o corpinho da irmã arregalou os olhos, pois Yoru se debatia demais. Lembrou-se dos pesadelos da pequena, que ela a muito tempo não os tinha e, segurou bem firme em sua mão. Falando baixinho, pediu para ela se acalmar, mas tomou um susto muito grande ao ouvir a irmãzinha gritar e abrir os olhos assustada.
- Calma, Yoru! Eu estou aqui, já passou foi apenas um pesadelo. – Yuki apressou-se em dizer.
- Yu... Yu... Eu vi você... Você... – E as lágrimas não deixaram Yoru completar sua fala.
- Não... calma... Foi um pesadelo. – E abraçou a irmã a puxando para si e sentando na cama.
Não ouviram quando a porta foi aberta e Kamus e Milo espiaram pela fresta. Kamus quis entrar, mas Milo não deixou o puxando para fora. A porta foi fechada novamente e no corredor o escorpiano pediu para que as duas ficassem sozinhas, mas não saíram de perto da porta. Era feio fazer aquilo, ouvir atrás da porta, mas ambos não conseguiam sair dali.
- Calma Yo... Por favor... Não chore! Eu estou aqui! Shi... – Yuki tentava a todo custo fazer Yo parar de chorar. E a olhando nos olhos começou a lhe falar. – Yoru, perdão... – A voz começando a ficar chorosa e as lágrimas rolando por seu rosto.
- Yu... Eu vi voc... – Parou de falar ao ver os olhos da irmã cheios de lágrimas. Tocou devagar o rosto a sua frente e olhou para os dedinhos molhados. – Yuki... Você está chorando... Por quê?
- Por que eu pensei que iria te perder... Perdão Yoru, por tudo que te disse, por tudo que eu já fiz. Prometo que vou tentar ser diferente de agora em diante e, você vai ter de me ajudar, dizendo para mim quando eu estiver fazendo tudo de novo. – E beijou o rostinho marcado pelas lágrimas.
- Yu, eu amo você... Como poderia não te perdoar... Mas eu te vi...
- Shi... Não pense mais... Foi um pesadelo, vai passar. – Yuki falou acariciando os cabelos que escapavam pela trança meio desfeita. – Venha, vou colocar em você seu pijama, prender seu cabelo direito e você vai voltar para a cama e dormir.
- Mas Yu... Eu não quero mais dormir... O pesadelo...
Yuki encarou a pequena chorosa, fungou e tirou as roupas que ela estava colocando-lhe uma camisolinha de inverno. Desfez a trança solta, penteou e fez uma nova trança nos cabelos da irmã. – O pesadelo não é nada mais que um sonho ruim... Nada vai acontecer, vamos vai... Para a cama e agora tem de dormir.
- Yu...
- Já sei... Não quer dormir sozinha. – Yuki suspirou, colocando também sua camisola de plush e, delicadamente empurrou a irmã para o canto da parede. – Vai... Me dá um cantinho. – Gracejou e deitou ao lado dela. Abriu os braços para ela e, sorrindo a abraçou assim que está deitou a cabeça em seu ombro. – Agora durma... Eu vou estar aqui! – Falou apagando a luz do abajur.
- Yu... Eu tenho medo... – Protestou Yoru com a voz chorosa.
Yuki pensou um pouco. E lembrou-se do encontro com Seishin... – Mamãe... – Murmurou fechando os olhos. – Yoru, feche os olhos. É para fechar. – Sorriu ao ouvir o risinho nervoso. – Agora imagine um campo cheio de flores.
- Pode ser rosas iguais do Afrodite? – Perguntou Yoru curiosa.
- Pode meu anjo, pode sim! – Respondeu carinhosa. – Agora preste atenção, o sonho ruim não vai mais te assustar. – E respirando fundo, abriu os olhos. Vasculhou em sua memória tentando recordar-se da música... Aquela música que a mãe cantava para elas dormirem. Abriu um pequeno sorriso, beijou a cabeça da irmã e começou a cantar...
'Não tenha medo Vou protegê-la de todo mal No seu olhar eu posso ver Pois no meu coração E no meu coração
Pare de chorar
Me dê a mão
Venha cá
Não há razão pra chorar
A força pra lutar e pra vencer
O amor nos uni para sempre
Não há razão pra chorar
Você vai sempre estar
O meu amor contigo vai seguir
Aonde quer que eu vá
Você vai sempre estar
Aqui...'
- Mamãe cantava isso, não é? – Yoru perguntou baixinho, a sonolência tomando conta dela novamente.
- Sim, Yo... Mamãe cantava isso quando tínhamos pesadelo e para nos fazer dormir. – Yuki respondeu sorrindo e agradecendo a mãe por ter aparecido para ela naquele dia. – Agora durma... Estarei aqui para você, aqui por você! – E acariciou a trança e parte das costas da irmã.
- Yu... Amo você!
- Eu sei Yo e, eu também amo muito você! Agora quietinha... Já passou da hora de dormirmos. – Yu fechou os olhos e, sorriu ao sentir um beijo estalado em seu rosto.
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Do lado de fora do quarto, Kamus puxou Milo para o quarto deles, acalmando Shun e Hyoga que estavam na porta do quarto deles esperando para saber o que tinha acontecido. Tranqüilizados o casal mais novo se recolheu. E assim que o casal mais velho entrou no primeiro quarto e, que o aquariano fechou a porta o escorpiano se jogou sobre ele.
- Eu amo aquelas duas... E amo mais você, seu francês congelado! – Milo sorriu enternecido.
- Je t'aime, mon scorpion! – Kamus sussurrou no ouvido do amado e o levou para a cama. As preocupações foram esquecidas, quando o primeiro toque mais sutil das mãos pelas áreas erógenas aconteceram. Um risinho abafado do escorpiano escapou-lhe pelos lábios e, a reclamação do francês para que não fizessem barulho se ouviu entre as quatro paredes, mas não mais que isso.
:: Continua... ::
N/B: bem demorei a betar esse cap, mas mokoninha está tão lindo - a parte a yoru com a Yuki ficou tão linda e delicada, meus parabéns!!
N/A.:
'Gostaria de dizer que a personagem Seishin¹ pertence a minha imouto Teffy, eu a surrupiei aqui para ser novamente a mamãe das Yus. Teffy espero que me perdoe, hai! E devo lembrar também, que um por favor, não aleija e nem mata. Se gostou e quer usar, peça, por favor!
'A música que a Yuki cantou para a Yoru, é do desenho animado Tarzan da Disney – Todos os direitos são reservados a eles. Eu apenas usei a letra, pois calhava bem com o que eu queria passar para todos vocês. "Sim, Theka também ama desenhos da Disney." ¬¬"
Pan, obrigado... sei que não é fácil betar, mas não esquenta... O que vale é a intenção... E eu sei que sempre posso contar contigo.
'Suspirando' Enfim, mais um capítulo no ar... E eu achando que ele seria o último. Tá... E eu consegui? Acho que gosto tanto dessas duas e dos casais que não consigo dar um End nisso tudo, mas eu juro (fazendo figa atrás das costas) que o próximo que já esta em fase de escrita será o último.
'Espero que todos gostem e, please... Façam a Dreams feliz, apertem o botãozinho ali embaixo...
bjs
