Plano em prática
Foco no que eu tinha de fazer. Era isso que eu precisava para tirar qualquer outra coisa não importante da cabeça. Era hoje que eu iria começar a procurar as coisas que eu precisaria para o feitiço. Afinal, o grande dia já era amanhã e eu estava um pouco atrasada com os preparativos.
- Sakura, aconteceu alguma coisa?
Eu posso passar no cemitério depois da aula e pegar as rosas. Afinal de contas, eu não tenho que me arriscar indo lá à noite. Ah, já sei! O sangue eu posso conseguir indo a um açougue. Lá com certeza tem bastante sangue. E o que eu faço para tirar os meus pais de casa?
- Sakura, você me ouviu? – eu nem percebi que a Ino estava ao meu lado.
- 42. – será que aquilo respondia a pergunta dela?
- O que é 42? – eu acho que não.
- A resposta ao que você me perguntou?
- Você está longe, hein. Eu perguntei se tinha acontecido alguma coisa. – na verdade, tem acontecido muita coisa ultimamente, mas você não vai saber.
- Não. – mentir era melhor que contar a verdade.
- Sei. Ei, o Sasuke está te olhando. Está rolando alguma coisa entre vocês?
- Não e nem vai rolar. Ele é um idiota. – só um idiota, não! Um grosso e estúpido também.
- E como você sabe que ele é um idiota? – porque eu conversei com ele e descobri.
- Ino, eu vou indo. Há um lugar que eu preciso visitar antes ir para casa. – era melhor acabar com aquela conversa de uma vez. Eu tinha alguns mortos para ver.
O cemitério não ficava muito longe do colégio. Quando eu cheguei lá, não foi muito difícil de encontrar as flores, elas ficavam bem no centro do lugar. O problema é que havia gente demais no cemitério (acreditem se quiser) e eu acho que eles, e o zelador também, não deixariam eu levar as sete rosas vermelhas. É, eu acho que teria que invadir o cemitério à noite. Por que a vida tinha que ser tão difícil?
Mas essa viagem não foi perda total de tempo. Na volta para casa passei por uma loja de cristais.
- Posso ajudá-la? – a vendedora atrás do balcão perguntou.
Eu nunca vi tanta coisa estranha em um só lugar. Dentro da loja queimava tanto incenso que eu parecia estar passando por uma neblina.
- Eu queria sete pedras da lua, por favor. – a mulher me olhou desconfiada. Será que havia algo de estranho em comprar pedras da lua?
- Sabe, eu quero fazer umas jóias para dar para umas amigas. Eu acho essas pedras bem bonitas! – que grande mentira, mas pareceu dar certo. A mulher foi até o balcão e depois de eu pagar, me entregou as sete pedras.
- Onde você estava? – o meu pai me perguntou preocupado e parecendo um pouco nervoso também. Pelo visto, a minha demora em chegar do colégio não passou despercebida.
- Sabe aquele hotel chique no centro da cidade? – perguntei.
- O que tem ele?
- Eu fiz uma reserva para você e a mãe. Para amanhã. – a idéia me passou pela cabeça depois que eu saí da loja de cristais. Se desse tudo certo, eu já não precisaria me preocupar mais com os meus pais em casa.
- E por que você faria isso? O que você está aprontando? – pelo visto, a minha mãe havia ouvido toda a conversa da cozinha.
- Ultimamente vocês têm parecido cansados e eu acho que em parte é culpa minha. Por isso eu reservei um quarto para vocês. Aceitem isso como um presente de aniversário de casamento adiantado. – que levou toda a minha mesada.
- Por que eu acho que há algo mais por trás disso? – não estrague tudo, pai.
- Olha, eu nunca fiz nada que pudesse preocupar vocês! Parem de pensar muito e aproveitem. Esse pode ser o único presente que eu vou dar a vocês em muito tempo, então não o deixem escapar!
- Tudo bem. Sair é uma boa idéia mesmo! – os meus pais concordaram, depois de um pouco de olhares trocados e hesitação.
Quando a noite chegou e os meus pais foram dormir, eu desci pela estrutura que sustentava a trepadeira que ficava ao lado da sacada do meu quarto. Eu vestia roupas escuras que me camuflavam no escuro e levava minha mochila com tesoura e jornais onde eu poderia enrolar as flores.
Os muros do cemitério eram muito altos. Muito mesmo. Não tinha como eu pular nem se eu fosse uma ginasta olímpica. Mas o espaço entre o portão e o chão era grande o suficiente para eu me arrastar e passar.
Chegar até o centro do terreno foi complicado. Eu pensava ver vultos em todo o lugar e avançava a passos de tartaruga. Depois de eu cortar as rosas, embrulhá-las no jornal e colocá-las com cuidado dentro da minha mochila, eu saí correndo até o portão como se um fantasma estivesse me perseguindo.
Subir o suporte das trepadeiras foi mais fácil que quando eu desci. Eu estava segura em casa e não tinha a intenção de repetir essa experiência nunca mais. Nunquinha mesmo.
Nós próximos capítulos a participação do Sasuke vai aumentar. Ah, só mais uma coisa: reviews, reviews, reviews!
