Disclaimer: Naruto não me pertence.
Capitulo 7
A menina que tinha a morte como companhia
''A dor é uma coisa muito esquisita; ficamos desamparados diante dela. É como uma janela que simplesmente se abre conforme seu próprio capricho.
O aposento fica frio, e nada podemos fazer senão tremer. Mas abre-se menos cada vez, e menos ainda. E um dia nos espantamos porque ela se foi.''
- Memórias de uma Gueixa.
Ah!, sol que escalda e lava a de neve que derrete sob as línguas de fogo que nos banha todos os dias do anos. Cabelo negro-azulado que roubou do céu sua cor quando a terra se torna fria e absorve o calor que encontra pelas ruas de concreto para queimar os dedos pálidos que ousarem tocá-lo. Os lábios rubros, cheios de sangue, e carnudos se deleitavam com as pedrinhas de gelo do picolé de limão levemente esverdeado e derretido.
Ah! se o mundo soubesse que o olhar fugitivo da menina sentada na areia, de pés descalços e maiô mostarda, eram tão curiosos como o de um poeta em busca de uma epifania. Soubessem ao menos que a loucura dela era o que a mantinha viva e sã. Que a Morte sentada junto a ela, de aparência bela e jovem era o que mantinha a menina atenta.
- Mamãe, por que viajou conosco?- Hinata perguntou suavemente.
A mulher sorriu e voltou seu olhar oco para ela. Satsu ainda exibia os vãos ocos e negros dos tiros que levara.
- Tenho um novo alvo. - Ela riu. - Espero a melhor hora para levar sua alma, querida.
- Eu não deveria te ver.
A menina deu uma boa olhada na mulher tão parecida consigo depois de afirmar.
- Sou importante para você.
- A morte me é importante? - Ela riu baixinho em escárnio.
- Ver sua mãe morta te é importante. Você treme durante as noites pensando que sua mãe vai te tomar no colo e leva-la para o carro, para longe do seu pai. Você sufoca gritos durante a madrugada por lembrar daquela mulher abortando no meio da sala da sua casa. O som oco dos tiros atingindo Hanabi te perseguem nos períodos de silêncio quando está chovendo ou nevando. - Ela pausou e riu com a voz arranhando. - Criança tola! Não vou te deixar.
- Você é só uma parte da minha mente. É uma alucinação.
- Acredite no que quiser criança. Acredite no que quiser...- ela murmurou.
Havia algo de estranho, além do fato de sua mão ser uma alucinação, entre as duas mulheres. Ainda que se tratasse de anormalidades psiquiátricas por parte da menor, ela se sentia estranhamente reconfortada ao estar acompanhada da pessoa que iniciou sua série de sofrimentos na primeira infância, era, no mínimo, incomum. Hinata suspirou de cansaço e afundou a mão na areia. Seu olhar calmo pousou no horizonte vermelho junto com o peso do olhar de sua mãe.
As onda quebravam em um ritmo constante. O sol beijava o mar em uma coleção de cores quentes. A brisa começava a soprar da terra para a água. O cheiro de sal misturado à umidade impregnava sua pele branca e sensível. O som dos pés de alguém se arrastando pela areia logo se fez presente e Neji apareceu no cenário. Ele sorriu e se sentou ao lado da prima. Beijou sua testa ainda com os lábios molhados do líquido salubre que os cercava e que à pouco ele se banhara.
- Quer que eu te compre água de coco?
- Já tomei um monte. - Ela sorriu ao se deparar com o olhar gentil que enfeitava os olhos dele no rosto de mármore. - Eu amo te ver assim... Tão relaxado e tão... É bonito o jeito que você me olha as vezes. Me faz lembrar o porque de ainda estar aqui. - Ele a envolveu em um abraço e ela se ajeitou com a cabeça em seu peito. - Ainda me lembro do dia que você chegou. Era tão mau co-comigo! - Ela corou. - Im-implicava com tudo e... E me protegia.
- E esse gaguejar? Hn?
- E-eu só me lembrei de quando... hn... Nós...
- Quando te beijei pela primeira vez?
Ela só sacudiu a cabeça rapidamente e ele riu. Deslizando os dedos pelo cabelo cor de meia-noite, ele se lembrou do dia que roubou o primeiro beijo dela. Eles estavam em casa, se não lhe falhava a memória, ela cozinhava e ele estava fazendo mais umas de suas piadinhas carregadas de humor negro sobre os alunos da escola. Calmamente ele havia esperado que ela arrumasse a mesa. Quando a menina foi sentar-se ele atacou. Lábios nos lábios. Mãos embrenhadas nos cabelos uns dos outros e a sensação, a sensação de estar fazendo algo tão... Indescritível. Ela tinha 16, ele 17. No outro dia a pediu em namoro. Hiashi Hyuuga nunca pareceu tão feliz desde então.
Agora a Hyuuga tinha 17 e seu namorado 18. Estavam juntos há tanto tempo, estavam juntos não fazia um ano. Eles eram fortes juntos como poucos casais podem ser. Neji conhecia todos os defeitos e qualidades dela e por isso a amava, ela sentir o fervor nos olhos dele e por isso se sentia viva. Ela o amava mais que amou Hanabi e seu pai juntos. Se ele fosse arrancado de si, o resto de sua humanidade morreria também.
Houve silencio.
Hinata ficou cada vez mais tensa.
Neji apenas a aninhou juntou ao corpo esperando pelo desabafo.
- Ela disse que preciso dela.
- Ela quem?
- Satsu.
- Manda um oi pra ela.
A Hyuuga fez uma careta. Ele riu.
- Falta humor aos Hyuugas. - ele comentou ainda sorrindo de canto.
Houve uma nova pausa.
- Ela está aqui?
- Sim.
- Bem, acredite ou não, ela é uma parte de você. Ela é a sua negação. Ela é o seu medo. Ela é a sua tristeza. Não passa de uma exteriorização de algo que você se proibiu de sentir. É como uma casa de boa estrutura construída em um penhasco. Sempre que você sente que a casa vai desabar e te matar, você olha para a estrutura dela. Você vê que a base, a estrutura, continua firme e forte, então se acalma. Seu medo da falsa segurança é tão grande que acabou por criar uma forma de ver quando vai entrar em panico. Medo da sua mãe não ter morrido e que, na hora que você acordar, seu pai vai te bater, Satsu vai te ignorar e Hanabi vai chorar. É isso que você sente. É isso que te faz continuar a vê-la com cada furo de bala alojada, demonstrando para os seus olhos que ela já morreu.
- As vezes não sei o que fazer.
- Apenas se acalme. Certas coisas não são tão fáceis de lidar.
Aleluia! Amém irmãos! Eu terminei esse capítulo depois de muita luta.
Enfim, espero que gostem e vou tentar não demorar tanto pra postar.
Hey anony, desculpa a demora, eu realmente não tive como postar antes T.T meus muitos médicos e muitas dores não deixaram.
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