Capítulo 7: Confissão?
Entrei atordoado para passar a noite no estábulo onde Sakura estava. Não a deixaria sozinha lá. O risco de fugir era fatal demais. Não permitiria que ela o fizesse enquanto estivesse em sua vigia.
- Ela morreu não foi? – Perguntou de cabeça baixa com uma voz falha e raivosa.
Nada respondi, apenas tirei a camisa.
- Porque não me queimou junto com ela? – indagou novamente com lágrimas de fúria nos olhos cor de mar em tufão.
- Era isso que você queria? – perguntei de costas para ela afiando meu punhal.
Ela nada disse. Irritei-me com aquele silêncio quase completo. Quase, se não fosse sua tentativa frustrada de segurar as lágrimas.
- Anda! Responda-me! Era isso que você queria? – perguntei enfurecido com a faca em seu pescoço.
Silêncio novamente; e eu a encarando. Estava nua ainda, porém com um pano sobre ela. Havia dito que a afogaria no dia seguinte assim mesmo, como fiz com a sua amiga. Mas naquele momento, assim, tão de perto, a única coisa que invadia minha mente era tirar aquele pano que a cobria. Ela percebeu a minha intenção.
- Vamos, me torture, e arranque de mim a verdade! – disse em um último suspiro de coragem.
Digo último, porque após isso, eu me recompus.
- Não preciso torturar-lhe para ter certeza do que você é. – disse sério e impenetrável.
- Então... Então... Porque não me mata de uma vez... Por que me faz sofrer tanto? – disse chorando baixando a cabeça.
Aquele choro... Para qualquer homem seria apenas um sinal de fraqueza. E digo que se aquelas lágrimas tivessem outra dona também o seria para mim, mas... Naquele momento, senti que as lágrimas eram uma espécie de maçã verde. Não era vermelha cor do fogo, da luxuria, da paixão, do coito. Era verde cor da esperança, e do desespero, e de seus olhos verde-água. Como se ela estivesse me oferecendo uma rótula de escape. Como se aquilo não fosse o pecado, e sim a salvação.
- Gostaria que eu usasse a cegonha em você? Grilhões? Coleiras de tortura, cadeira de bruxa? Ou será que prefere a dama de ferro? Não percebe o que se passa no seu destino de agora em diante? – disse calmo, mas já perdido e descontrolado.
- Como assim? – respondeu-me com uma pergunta inocente.
- Basta isso para que entenda o que se passa aqui. – não deixei de olhá-la fixamente nos olhos.
Que comentário desnecessário esse meu.
- Entender o que se passa!? Você é um homem horrível e está me torturando.
- Estou é? – Como ela podia ser tão inocente para não perceber que eu a estava poupando. Empunhei meu punhal – Isso não é tortura...
Mas seu corpo nu me convidava a fazê-la, e de modo sadista. Estava eu me tornando aliado do próprio satã, aquele que é o contratante das bruxas, com quem elas fazem rituais lascivos e obscenos. Estava eu me tornando o demônio que em parceria com as bruxas oferece a sua aura maligna através de uma dança sensual dos corpos. O coito perfeito. A noite de amor perfeita. Com todos os tipos de gemidos sensuais, todos os tipos de suor em um único. Todos os tipos de posições proibidas.
Era isso que eu era instigado. Não só pelo seu rosto cheio de belos traços, pelo seu corpo repleto de esplendidas curvas, mas pelos seus lábios molhados de lágrimas, e pelas suas mãos, pés, e corpo estarem amarrados prontos a me levarem as mais pérfidas imagens e desejos.
Repeti o que fiz uma vez e não pude terminar. Comecei a passear meu punhal pelo seu rosto, depois sobre o tecido que a cobria. O rasguei. O rasguei por completo. Colei-me ao seu corpo, e me pus a passear a faca pela sua lateral. Ela começou a fazer som de medo.
- Isto. Isto é tortura... – eu disse em seus ouvidos.
Sentia agora a pele dos seios dela encontrar a pele do meu peito. Senti que ela emitiu um gemido de prazer. Aquele pequeno sopro gelado misturado com aquele som tão excitante, aquele sopro de bruxa. Convite para a sacanagem, e eu me aproveitei disso:
- Confesse que é uma bruxa. – disse intransponível como sempre, mas continuando o que fazia.
- Não sou... – ela retrucou controlando-se.
- Confesse... Quando você o fizer, eu vou parar...
Mas que grande mentira a minha. Estava tão tomado de prazer ao sentir que ela estava se perdendo no seu próprio caminho que não seria capaz de parar. Não queria parar. Eu queria ver do que aquela bruxa era capaz. Agora que a maçã tornara-se vermelha, e que eu a ofereci, queria eu também provar dela, ao mesmo tempo em que ela o fazia.
- Vamos... – e ao dizer isso eu tirei os restos de pano que me atrapalhavam.
Tudo que existia agora era eu, ela, e as cordas. Ah, como estava me agradecendo por aquelas cordas estarem ali, fazendo com que ela não tivesse escolha, apenas a escolha de aceitar o que sentia. Mesmo que a sua resposta sempre fosse balançar a cabeça.
- Não vai confessar? – disse lambendo seu ouvido. E ela negou com a cabeça novamente – a matarei assim mesmo então... Isso já foi prova o suficiente.
Ao dizer isso, levantei-me. Não sei qual foi a força que me fez fazer isso, mas sabia que estava salvo, salvo de fazer alguma besteira.
- Então... É assim que consegue que as moças confessem não é? – perguntou ofegante.
- Está com ciúmes? – perguntei secando meu peito com o pano cortado.
- Está corrompido demais para saber o que é isso... – disse ela ainda ofegando.
- Eu sei que no fundo, você já entendeu o que se passa aqui. – disse mais uma vez sem pensar.
Que tipo de comentário foi esse? Outro comentário estúpido!?
- Você é um perturbado!
- Cale a boca e vá dormir.
Eu fui me deitar. Precisava me controlar. Fiz uma promessa a mim mesmo: a partir de amanhã, apenas esperaria a noite chegar para afogá-la. Sem mais contatos, sem mais recaídas, sem mais mordidas na maçã. Deveria parar antes que eu a comesse por completo. A maçã.
~ {Muito obrigada a todos pelas reviews. Amo todos vocês de coração!} ~
NO PRÓXIMO CAPÍTULO:
(...)
- Você é... – disse ela.
- Alguém que cuida dos próprios cavalos – respondi rápido cortando-a antes que ela pudesse falar mais alguma coisa.
- Diga o que quiser... Mas... - ela começou a chorar de novo... Que ótimo – E acho que você esconde um outro eu.
(...)
Não percam o próximo capítulo de A maçã da bruxa! Capítulo 8: Silêncio.
