Capitulo VI – Entre Trevas e Estrelas (parte 1)

O sol se pusera há muito tempo abrindo eras para o céu escuro e frio sem estrelas; assentando-se acima de duas dessemelhantes figuras que permaneciam com seus olhos vazios e enevoados fixos neles mesmos. Sem grandes expressões. Sem maiores termos ou vocábulos desperdiçados.

Tom Riddle. O Feiticeiro. Odiado, desprezado e procurado por aqueles em que a sede de reparação não se satisfazia à simples gole. E também para aqueles – cínicos – que vão a sua procura buscando ocultar vingança com uma palavra de notoriedade especial: Justiça.

Tom Riddle não se importava com nenhum destes casos. Não lhe importava seus motivos. Ele sorria a cada ser humano que lhe batesse a porta e ansioso, lhes oferecia passagem. Em todos os casos, eles o aceitava. Os únicos entretanto e não questionavam no momento difinido suas ações. Talvez o fato de realmente não saber em detalhes as etapas que fazia para concluir seu trabalho, lhes poupasse futuramente o sentimento de remorso ou da tão temida culpa. Em alguns casos, acabando surgindo repentinamente; Sem ordem de chegada, sem data de ir embora.

E então eles voltavam a procurá-lo.

E ele sorria novamente.

Os sentimentos mesquinhos alimentavam sua alma.

- Não poderá voltar atrás.

Ele a comunica, mantendo o tom de voz estéril e escarninho, como se fosse apenas uma breve notificação daquilo que teria o agrado de completar.

Permitindo-se ela ou não...

- Faça o que tem que fazer.

Tom Ridle a admira pela última vez prazenteiro. Nada mais saboroso que o ódio de um orgulho despedaçado. Sempre preferiu tê-los como pretextos preferenciais.

Cobrindo o rosto com um enorme capuz negro, se adianta e passa a correr, fazendo sua silhueta desaparecer entre as tonalidades escuras da mata densa.

Sento deixada sozinha permanentemente Virginia sentou-se em um pesado pedaço de tronco velho e ali permaneceu em silencio.

Aguardando...

Sua dor e amargura seriam por fim reparadas.

Ela não poderia estar mais satisfeita.

- Eu os destruirei. Juro que os destruirei.

Havia quase seis horas que tentava a muito ligar para o celular de Draco, mas ele permanecia fora de área todo esse tempo. Ligara para a empresa e ninguém o sabia dizer do paradeiro do loiro. Nem mesmo Allan que havia pessoalmente atendido ao telefone e falado diretamente com Harry, soube dizer o que estava acontecendo, visando que Malfoy deveria ter chegado à Itália pelo helicóptero há duas horas atrás e até aquele momento sem noticias do lugar onde a hélice combinara de pousar o vôo.

Uma hora a mais se passara e Allan lhe garantiu que iria ele mesmo averiguar o que se sucedeu e obtendo maiores informações não hesitaria em ligar e notificar a Harry de tudo.

Hermione não saiu do seu lado por nenhum só momento. Apesar de no fundo ter-se sentido melhor ao ver que Malfoy não estava presente – pois não sabia como reagiria se tivessem que ficar juntos no mesmo espaço daquele quarto de Hotel, apesar de espaçoso e confortável, pressentira que mais cedo ou mais tarde acabaria se sentido "sufocada" sob a presença do companheiro de Harry.

Porém, vendo com seus próprios olhos a preocupação e o nervosismo de seu amigo, percebia estar nascendo em si uma pequena dose dessa pequena aflição; A energia negativa exilada em Harry estava espalhando-se por ela também.

Tentando a muito custo acalmá-lo, sem saber se suas palavras passivas e consoladores estavam sendo naturalmente ouvidas.

- Se acalme, Harry! Tenho certeza de que ficará tudo bem. Logo, Malfoy ligará para você e se explicará!

- Não Mione... Você não entende!... Eu sinto... Eu sinto...

Hermione o abraçou forte e lhe deu o segundo comprimido para o forçar a setranqüilizar. Harry ainda com o telefone firme em mãos se caminha e se deita na comodidade na cama de casal. Deitou-se de lado, com o rosto quente e molhado pelas lágrimas que haviam escapado sem seu consentimento.

Seu coração apertava e se sentia impotente. Mas não queria sair com medo de que enquanto estivesse fora procurando por Draco o telefone do quarto tocaria e não haveria ninguém para atende-lo.

Mas... Fungou. Havia Hermione..

Num rompante de desespero seca com rigidez a trilha molhada de seu rosto e atravessa o quarto praticamente correndo. Atravessa o hall de entrada e se dirige para a porta, pegando rapidamente carteira e chaves e colocando-os no bolso da calça. Hermione que estava sentada na cama ao seu lado se assusta e reage como se fosse segui-lo ou impedi-lo.

Harry a parou com um gesto e disse firme.

- Fique Mione, por favor. Se alguém ligar me comunique. O numero do meu celular está na agenda da escrivaninha.

- Mas Hary... Aonde você vai?

- Vou trazê-lo de volta.

E saiu temeroso e diligente porta afora, mal se lembrando de fechá-la.

Hermione deixou seu corpo despencar cansada sobre a cama.

- Você é um completo idiota, Malfoy. Egocêntrico e orgulhoso... Mas... Por favor... Esteja bem... Por Harry, esteja bem.

Harry pegara o carro e dirigia insano pelas ruas e avenidas; Iria ao lugar em que o helicóptero que levava Draco partira e de lá tentaria obter alguma informação. Preciso fosse, pagaria a vista por um hélice emprestado e iria ele mesmo fazer o caminho que o outro se metera. Não importava. Queria combater o aperto do peito, a sensação de mal-estar, mas este só crescia e o atormentava.

Todos aqueles pensamentos... Os sentimentos camuflados e dolorosamente disfarçados... E os pesadelos. As noites de insônia compartilhadas por um loiro teimoso que não se permitiu repousar, apenas para fazer-lhe companhia durante as madrugadas; Mesmo que isso o fizesse trabalhar de mau-humor ao restante do dia.

Mas Malfoy o fazia. Por ele. Por Harry.

E se algo acontecesse com ele...

Pisou no acelerador. O campo mais perto para decolagem de helicópteros ficava a poucos quilômetros de onde seu carro se encontrava.

Faltava muito pouco. Acelerou ainda mais o automóvel. Estava nervoso, suas mãos tremiam ligeiramente firmes no volante e se esquecera por completo o senso de proteção.

Ele precisava chegar.

Mas estava muito rápido...

Passou na frente de dois... Três... Quatro...

Ao quinto carro não conseguiu... Não houve tempo...


Hermione estava realmente aflita! Ficar presa naquele quarto estava lhe fazendo mal. Agora além de Draco, Harry também havia desaparecido!

Sem esperar mais tempo, porém, vai à escrivaninha para apanhar a agenda e ligar o mais depressa possível para Harry. Na esperança que ele a avise sobre algo, mas antes que chegasse ao telefone a porta do quarto de Hotel se abre impaciente e dela surge à figura esperada.