Os órfãos de Happyshire

Capítulo 8

O policial pegou o menino menor e entregou a um dos colegas enquanto o garoto baleado era posto na ambulância.

- Qual o seu nome? – indagou ao menino que mal conseguia respirar, mas precisava saber.

- Sa... Saga...

- O que aconteceu aqui, Saga?

- Mataram todos... – murmurou o moribundo – As... crianças... meu irmão...

- Por favor, policial, ele tem que ser levado rápido! – reclamou a enfermeira com a insensibilidade daquele homem.

- Que crianças, Saga? – indagou o policial rápido.

O menino então apontou para uma casa.

- No porão...

O policial deixou que a ambulância se fechasse e seguisse para salvar a vida daquela criança. Então caminhou rápido para o local informado. Entrou na casa a procura, mas não encontrou o tal porão, então invadiu o quintal, mas propriamente uma casa de ferramentas. Sim, havia um pequeno porão, ao abri-lo o homem da lei deu de cara com vários rostinhos inocentes.

-Morangos Selvagens-

Afrodite escutava toda a história sentado na sala, enquanto tomava um café e fumava um cigarro nervoso. Estavam com ele, Ikki e Shaka e Mu e Saga. Ângelo olhava a madrugada escura pela janela de forma inexpressiva.

- Então vocês formaram o esquadrão vingança e resolveram que me enganar e quase me matar seria a forma melhor de resolver os problemas com Leone? – indagou o modelo irritado.

- O plano inicial não era envolvê-lo, Afrodite. – disse Shaka – Você entrou na história por um acaso. Nem mesmo a minha profissão de promotor seria envolvida nisso, em nosso plano inicial não havia nem Afrodite Laursen e me Shaka Phalke.

- E como entrei nessa história? – indagou – Sim, eu sei que ser o puto de Leone ajudou muito, mas...

- Essa é uma conversa para outra hora. – disse Saga – Estamos todos cansados.

- Sim, é melhor dormimos um pouco. – concordou Mu empurrando a cadeira do namorado.

Afrodite mirou os dois enquanto se afastavam.

- Ele...?

- Sim, ele ficou paraplégico para tentar nos proteger, se é isso que iria perguntar. – respondeu Shaka resignado – Ele e Kanon, seu irmão gêmeos, eram as crianças maiores, então coube a eles salvar todas as outras. Ele foi baleado quando saiu para buscar a última criança que faltava, ao menos a última com vida, o Mu.

- E ele o protegeu até o fim. – completou Ikki – Ele escondeu o Mu embaixo do próprio corpo e se fingiu de morto por uma noite inteira, até que... até que aqueles vermes foram embora...

Afrodite viu os punhos do leonino se fecharem e observou o tamanho do ódio que eles ainda guardavam.

- Hoje eles são namorados. – observou o sueco – Uma bela história de amor. E vocês dois? Como tudo começou?

- Isso não é o assunto principal agora, Afrodite. – disse Shaka – Eu só queria que entendesse que... Eu não queria envolvê-lo nisso.

- Então me deixe ir embora. – pediu o loiro. Máscara da Morte que até o momento estava calado mirando a escuridão pela janela se voltou pra ele.

- Deixá-lo ir? Pra você voltar aqui com a polícia em seguida? – indagou – Nem pensar! Não pense que porque esse loiro Barbie tem o coração mole o nosso também é!

- Escuta aqui seu carcamano idiota! – Shaka se ergueu do sofá irritadíssimo – Dobre a língua quando falar de mim!

- Ah, se não fosse por vocês dois darem tanta bandeira do caso bicha de vocês, nada disso estaria acontecendo! – explodiu o italiano.

Shaka e Ikki se entreolharam irritados.

- Por que faz tanta questão de ser desagradável? – o repreendeu Afrodite, calando não só Ângelo, como o casal – Você foi criado com eles, como irmãos. O que custa ter um pouco de respeito?

Máscara da morte se calou e os presentes na sala viram até um leve rubor em seu rosto. Ikki e Shaka se entreolharam novamente. Ninguém nunca calara aquele carcamano daquela forma. Ângelo se afastou sem nada dizer, estava realmente envergonhado, há dia tratava o sueco e os amigos como se... como se eles fossem anormais! O que Afrodite não sabia era que aquilo não passava de rejeição aos seus próprios sentimentos.

- Vamos dormir, estamos todos cansados e não vou perder meu tempo brigando com aquele idiota. – disse o promotor – Afrodite venha...

Shaka se adiantaria, mas Ikki o puxou pelo braço.

- Nem pensar! Agora que você já sabe de tudo, sueco, se mantenha bem do que é meu, certo? – advertiu o moreno – Ângelo, leve o Afrodite para o quarto dele e passa chave! Só assim pra esse maníaco ficar longe do Shaka.

- Como se eu não soubesse me defender. Por Buda! – irritou-se o indiano.

- Ah, então não estava se defendendo porque estava gostando, devo supor! – indignou-se Ikki.

- Não, eu não estava me defendendo para não chamar sua atenção, porque sabia que faria um escândalo com o péssimo domínio próprio que tem! – rosnou o advogado.

- Como gostaria que tivesse domínio próprio vendo esse tarado o tempo inteiro em cima de você! – devolveu Ikki.

Afrodite balançou a cabeça.

- Eu só fiz aquilo para ver até onde ele iria. – disse interrompendo a discussão dos dois – Eu não tinha intenção de transar com ele. Certo, no começo até que tinha, mas... Bem, mas depois aconteceram muitas coisas. – a voz do modelo se tornou baixa e magoada. Máscara da Morte sentiu um aperto no peito e preferiu voltar a olhar pela janela, sem se envolver naquela discussão.

- Desculpem-me por isso. Sei que meus métodos não foram os mais ortodoxos. – continuou Afrodite – Vou para o meu calvário, pode me levar, Máscara da Morte. – frisou o vulgo do assassino.

- Não precisa, nós o acompanhamos, estamos subindo mesmo. – disse Ikki vendo a expressão perdida do amigo.

Os três subiram as escadas. Ângelo continuou mirando a escuridão, totalmente perdido nos próprios sentimentos. Como podia estar tão profundamente... interessado (a palavra apaixonado era impensável para ele) em Afrodite? Ele nunca gostou de homens! Sim, era verdade que quase a totalidade dos seus "irmãos" gostavam, mas ele não. Ele nunca julgou aquilo muito natural. Crescera vendo Mu correndo atrás de Saga, e Ikki e Shaka se beijando a cada oportunidade. Mas ele? Não, ele nunca achou aquilo "normal", sempre gostara de garotas e sempre tivera belas garotas, então... Por quê?

Acendeu um charuto e se sentou na varanda. Estava sem sono e com raiva daquele puto e do mundo. O ciúme o corroia. Por que além de tudo, Afrodite tinha que ficar se jogando em cima de Shaka?

"Maldição!" Praguejou. Sua vontade era subir as escadas e tomá-lo nos braços e tê-lo novamente. Mas não podia, aquilo era uma heresia contra os seus valores de... de Homem!

Ergueu-se da cadeira e resolveu dormir, era o melhor, o dia seguinte seria cheio e decisivo.

-Morangos Selvagens-

Sorento deitou na cama, vendo a chuva que não dava trégua.

- Cinco quilômetros para Happyshire e nós aqui parados. Conseguiu contato com Deba e Aiolia? – indagou mirando Shura que fumava próximo a janela. O agente parecia muito concentrado em seus pensamentos.

- Shura? – insistiu estranhando aquela momentânea falta de concentração.

O moreno se voltou para ele, seus olhos negros brilhavam com a fraca luz do ambiente.

- Estava tentando juntar alguns fatos. – declarou o mais jovem – Se Leone quer matar o promotor e o modelo em Happyshire é porque não quer se vingar apenas do Afrodite. Há algo estranho nisso.

- Ele quer se vingar do promotor. Já havíamos chegado a essa conclusão. – resignou-se Sorento – Sabe, Shura, essa história me dá arrepios.

- O Deba deixará Nova York essa noite. – disse o agente terminando o cigarro e o apagando num cinzeiro, ignorando o que o comissário declarou – Devemos nos encontrar com ele, Krishna e Aiolia na próxima parada e então não pararemos até chegar a Happyshire.

Sorento suspirou pesadamente.

- Sendo sincero, eu gostaria muito de pegar esses bandidos antes de chegar naquela cidade...

- Aquele lugar também me causa arrepios, Sorento. – Shura deixou escapar um sorriso amargo – Acho que não seria agradável a ninguém visitar o local de um massacre, mas esse é nosso trabalho, não é?

- Tem razão. – conformou-se o loiro – Vamos dormir um pouco, amanhã o pesadelo recomeça.

Sorento virou-se na cama e apagou a luminária. Shura o mirou por um tempo, depois pegou um travesseiro e se deitou no chão com as mãos cruzadas atrás da cabeça, mas não conseguiu dormir.

-Morangos Selvagens-

Shaka entrou no quarto ainda ouvindo Ikki falar os diabos por causa da "encenação" de Afrodite. O loiro se deitou na cama e cobriu a cabeça com o travesseiro enquanto o moreno não parava a boca...

- Você é o culpado de toda essa confusão, se não tivesse ficado com pena daquele fresco, nada disso teria acontecido! – grunhia o moreno – Sem contar o beijo que você deu nele no estacionamento...

- Foi ele quem me beijou, Ikki... – suspirou o loiro resignado.

- Não importa! Por que diabos você tinha que ir jantar com ele? O acerto não era esse! Você está interessado nele, Shaka?

O promotor afastou o travesseiro do rosto e encarou o amante, teve vontade de rir, mas se conteve, não queria provocá-lo mais.

- Eu não acredito que esteja me perguntando isso! – disse enfadado.

- E por que a pergunta parece tão absurda? – indagou o moreno pondo as mãos no quadril.

- Eu já o traí nesses nossos...? Ah, nem me lembro mais quantos anos de namoro!

Ikki entreabriu os lábios, indignado.

- Então você não lembra?

- Não, Ikki, estamos juntos desde que descobrimos nossa sexualidade lá pelos 12 anos de idade, não tenho como contar...

- Naquela época não conta, loiro, pra mim temos 10 anos juntos!

- E por quê?

- Foi quando transamos pela primeira vez! – explodiu Ikki terrivelmente irritado com a calma de Shaka.

- Ah, verdade... – o loiro afastou definitivamente o travesseiro e se sentou na cama – Você estava com...16 anos e eu 18... Nossa, fui um pedófilo!

Shaka começou a rir divertido e isso só fazia aumentar a raiva do leonino.

- Shaka Phalke, eu não estou brincando! – disse Ikki entre dentes.

O promotor se ergueu da cama e caminhou tranquilamente até o centro do quarto onde o moreno continuava parado com as mãos no quadril. Sorriu da forma hipnotizante de sempre, o que fez o leonino franzir as sobrancelhas e umedecer os lábios. Shaka sorriu mais, satisfeito com o efeito que sabia que causava nele. Mordeu o lábio inferior para conter o riso e tirou a camisa por cima da cabeça, fazendo seus cabelos longos dançarem por seu dorso definido.

- Você só faltou me violentar na frente do Afrodite e do Mask nesses dias de fuga, e agora que estamos finalmente livres para nos amar, você quer brigar? – sua voz saiu lenta e sussurrada.

O moreno mirou o rosto do loiro, descendo o olhar por todo o corpo, passando pelo short que ele vestia até chegar aos pés nus e brancos.

- Não desvie o assunto... – resmungou Ikki se afastando, ele também era duro na queda.

Shaka olhou pra cima e suspirou, pedindo paciência aos céus.

- Então tudo bem! – disse caminhando para a cama – Eu vou dormir, você aproveita e faz companhia ao Mask que está num terrível dilema em relação ao Afrodite, igualzinho a você!

- Meu dilema não tem nada a ver com aquele puto, tem a ver com você! – irritou-se o moreno caminhando até ele – Fala a verdade, você... você se sente atraído por ele?

Shaka encarou os olhos de Ikki profundamente, mas não conseguiu se conter por muito tempo, começou a rir o que fez o mais jovem ruborizar.

- Ah, Ikki, você inseguro é tão...patético!

- Escuta, loiro...

- Não, eu não vou escutar mais nada. Pra mim chega...

Os lábios carnudos cobriram os seus num beijo urgente. A língua de Ikki tomava posse com violência da sua boca, Shaka sentiu seu corpo entrar em ebulição instantânea. O puxou mais pra si, pelos cabelos, correspondendo a carícia sôfrega, sugando a língua nervosa do moreno e fazendo-o gemer contra sua boca. Era sempre daquela forma que acabavam as discussões dos dois.

Shaka, sem muita paciência pegou o moreno nos braços e o jogou na cama, subindo nele em seguida. Aquilo foi o suficiente para acabar com o mau humor de Ikki que riu e o puxou para seus braços, voltando a beijá-lo com paixão. O loiro tirou a camisa que ele vestia e se sentou sobre seus quadris. Ikki se remexeu na cama e deslizou as mãos pelas coxas grossas do indiano, entrando pelo short leve e tocando-o na virilha de forma provocativa, brincando com os pêlos curtos e macios que a cobriam. Shaka suspirou de aflição com a carícia provocativa do amado e se inclinou para beijá-lo, isso fez Ikki, num movimento rápido, inverter as posições.

O indiano sorriu e passou a língua de forma maliciosa pelos lábios num convite mudo que Ikki não obedeceu, preferiu descer a boca para seu pescoço, lambendo e chupando a pele clara e arrancando gemidos descompassados do amante. O fato era que os dois já estavam desesperados com a distância que precisaram manter durante todo aquele tempo, imposta pelo plano de vingança e era difícil ter paciência.

Ikki desceu mais, deixando uma trilha de saliva pela pele ardente do indiano e sugando um dos mamilos rosados para depois morder, fazendo o amante gemer e se contorcer numa mistura de prazer e dor; sua outra mão estimulava um, enquanto os lábios lambiam e mordia outro. Shaka sentia sua excitação aumentar a cada passada da língua ousada do moreno; seu membro já estava totalmente ereto e necessitado de algo mais, e sabia que Ikki mal começara. O moreno distribuía beijinhos, lambidas e mordidas pelo abdômen sarado do promotor, e Shaka apenas gemia e o puxava mais pra si, querendo mais daquele moreno gostoso por quem era apaixonado.

O leonino muito devagar e sensualmente, livrou o loiro da única peça de roupa e contemplou a enorme ereção que ele já possuía. Lambeu os lábios de forma sacana e encarou os olhos escurecidos de desejo do indiano.

- Adoro ver suas pupilas dilatadas assim, Shaka... – disse e tocou levemente com a língua no pênis quente do loiro, vendo todo o seu corpo estremecer – Não de ódio, mas de desejo...

- Eu sei, eu sei... – sussurrou Shaka impaciente se remexendo na cama. Ikki, porém fez pouco caso de sua aflição e apenas lambeu a glande, deslizando a língua devagar até a base do pênis do promotor.

- Ikki! – Shaka gritou irritado com aquela tortura.

- Lembra-se que você me disse que poderia suportar mesmo que esse "projeto" durasse um ano?

Shaka arfou. Ele iria torturá-lo até não querer mais por suas palavras desdenhosas do passado.

- Ikki, não faz isso comigo... – choramingou fazendo charme, sabia que o leonino não resistia a sua carinha de anjo safado. E mais uma vez ele não resistiu, desceu os lábios devagar, abocanhando com cuidado todo aquele volume e começando a sugar lentamente, para logo começar a colocar mais força. Shaka gemia ensandecido e sussurrava o quanto adorava o amante, o quanto sua boca era maravilhosa, o que deixava Ikki ainda mais louco de tesão.

O indiano sentia-se chupado com tanto ímpeto, com tanta fome, que dali a pouco não iria mais agüentar e gozaria, encharcando a boca do amado. Seu sexo era completamente engolido e avidamente sugado. Era delicioso. Ikki não dava trégua estava louco para vê-lo se derreter inteiro e perder o seu tão aclamado auto controle.

- Ah, Ikki... ahhhhh... Assim, amor... – gemia o loiro sem parar sob a boca quente e aconchegante do moreno. O promotor já não se controlava; estremecia e se empurrava contra os lábios do amante quase o fazendo engasgar. Ikki também já sentia o pênis doer de tão rígido e chupava cada vez mais forte, massageando os testículos do loiro, o molhando com sua saliva e descendo os dedos para tocar o local secreto entre as nádegas firmas do amado.

- Ahhhhhhh... – Shaka gemeu mais alto e abriu mais as pernas dando acesso total aos dedos habilidosos do seu homem. Ikki não parava com a felação e pelos espasmos involuntários, sentia que em breve o amado gozaria, então, sem mais delongas, enfiou o indicador dentro dele, tocando-o fundo enquanto dava uma chupada forte em seu membro. Shaka soltou um grito rouco e retesou o corpo gozando na boca do amante que engoliu tudo com gosto, continuando a chupar, não lhe dando a chance de relaxar do orgasmo, o estimulando a permanecer ereto.

O indiano abriu os olhos, meio atordoado e encarou as safiras maliciosas a sua frente. Sentiu todo o seu corpo tremer com aquele olhar predador e aquela língua que continuava circundando seu falo sem trégua.

Tempos depois, Ikki se afasta e começa a se livrar da própria roupa, muito lentamente, dando um showzinho particular ao amante que o mirava com olhos de lobo. Desceu a cueca de forma sensual, expondo a ereção túrgida e se masturbando de leve com um sorriso sacana nos lábios.

Shaka se apoiou nos cotovelos para olhá-lo e o chamar com o indicador. Ikki se ajoelhou na cama enquanto o loiro aproximava o rosto do membro ereto e repetindo a tortura do amante, passa apenas a ponta da língua, provando-o. Fênix estremeceu, e menos paciente que o indiano, enroscou os dedos em seus cabelos empurrando-lhe a boca contra sua ereção. Shaka, excitado, obedeceu, começando a chupar com força, engolindo o quanto podia, afinal, o pênis do amante era enorme, mas ele suportava, já estava acostumado. Ikki gemia estonteado, o indiano fazia aquilo como ninguém, chegava a ser hipnótico a forma que ele chupava.

- Você fica lindo chupando meu pau, amor...ahhhhh... – provocou, sabia que o todo certinho promotor era avesso a palavras de baixo calão. Mas Shaka já estava tão excitado que nem ouvia mais o que o outro dizia, uma de suas mãos hora apertava as coxas torneadas de Ikki, hora seus testículos ou a base de sexo enquanto lambia e mordiscava a glande, da qual um líquido claro já saía, e com a outra mão ele massageava a própria ereção lentamente. Todavia, o moreno com muito esforço o afastou, ou gozaria ali mesmo com aquela visão. Ver Shaka tão entregue depois de tanto tempo de separação o enlouquecia...

O afastou segurando-o pelos cabelos, o loiro soltou um resmungo e o encarou. Os enormes olhos azuis escurecidos pelo desejo, a face corada, a respiração rápida, o rosto de anjo alterado pela luxúria... Deuses! Que homem lindo ele tinha na cama! Extasiava-se o moreno, o empurrando delicadamente pelos ombros, de forma que ficou ajoelhado entre as pernas do loiro.

- Você é lindo demais, meu anjo caído... – murmura e o outro umedeceu os lábios. Shaka estava com o rosto corado, os olhos semicerrados e os longos fios loiros bagunçados caindo pelos ombros e se espalhando pela cama. Seu peito subia e descia rapidamente. Sua enorme ereção despontava lindamente de seu baixo-ventre. Sua posição largada na cama era de completa entrega. Parecia um anjo devasso... Apaixonante.

Ikki não resistiu, nunca resistiria. Deitou-se entre suas pernas e guiou seu sexo túrgido para dentro do loiro que se contraiu involuntariamente, ofegando. Com um pouco de esforço, o moreno consegue penetrá-lo, sentindo Shaka gemer e seu falo sendo comprimido naquela cavidade tão apertada. Gemeu também, estava sendo dolorido também pra ele apesar de deliciosamente prazeroso sentir-se esmagar daquela forma, mal conseguia se mover...

- Ah, loiro... você... Ahhh... está ainda mais apertado e gostoso... – gemeu começando a estocar, mas seus movimentos eram mínimos.

Shaka fez uma careta de dor mordendo os lábios com força. A verdade era que nunca foi fácil, Ikki era enorme, mas depois de certo tempo sem "praticar" ficava ainda mais difícil. Gemeu mais forte quando Ikki mergulhou mais em si, sentindo-se rasgar. O moreno se inclinou e o beijou ardentemente, tirando-lhe o fôlego e a sanidade, enquanto sua mão agarrava o pênis ereto do amante, começando a masturbá-lo.

- Ahh... Ikki... Ahhh... – Shaka só gritava e gemia alto, ensandecido de desejo, a dor quase sumira tamanha era o frenesi que seu corpo experimentava. Ikki aproveitou para entrar nele por inteiro, gemendo também ao se sentir acolhido e comprimido no canal do indiano. Quase grunhiu quando começou a se movimentar lentamente, o corpo do loiro ainda impondo barreiras involuntárias aos seus movimentos.

- Ahh... Meu anjo... você é tão gostoso... – murmurou começando a se mover mais rápido, mas ainda sem conseguir ir muito forte. Shaka projetou os quadris pra frente sentindo-se enlouquecer sob a mão do amante que o masturbava lentamente, no mesmo ritmo em que o estocava. Fênix continuou devagar, vencendo a resistência do corpo do amado, ouvindo-o gemer cada vez mais descontrolado. Então, saiu dele; Shaka soltou um resmungo, mas não teve muito tempo para reclamar, Ikki o virou de bruços e se deitou sobre ele, voltando a penetrá-lo, agora com menos dificuldade, começando a dar estocadas mais vigorosas. O indiano se sentia preso sob o peso do corpo musculoso do moreno que lhe beijava o pescoço e as costas de forma descontrolada, puxando-o pelo queixo para um beijo sôfrego sem parar os movimentos frenéticos. Shaka gemia e se agarrava aos lençóis a ponto de seus dedos se crisparem. Ikki o puxou pra si de modo que ele ficasse de quatro na cama, continuando as estocadas e começando a masturbá-lo no mesmo ritmo, fazendo todo o corpo do loiro tremer em espasmos, brincando com seu falo, espalhando o líquido que já saía abundante por todo ele, tornando as investidas de seus dedos mais fáceis e deliciosas. O corpo claro do loiro já pingava de suor, assim como o do moreno e eles agradeciam a tempestade e os trovões por não estarem sendo ouvidos por toda a casa. Os nós dos dedos de Shaka já estavam brancos de tanto que ele apertava os lençóis. Ikki o puxou mais uma vez, o tirando da cama e deixando-o sentado em seu colo. Shaka rebolava, subia e descia, já desesperado, o braço segurando a nuca do moreno que beijava seu pescoço entre gemidos cada vez mais fortes e descontrolados.

Ikki segurou o loiro pela cintura e entrou inteiro nele, fazendo-o gritar alto e gozar abundantemente em sua mão, se derramando no mesmo momento dentro dele, sentindo seu sêmen escorrer pelas pernas do loiro e chegar as suas. Shaka quase desfalecido, apoiou as costas no peito do amante ofegante enquanto o moreno apoiava o queixo em seu ombro, deslizando as mãos da sua cintura até suas costas e nuca, afagando os cabelos molhados de suor.

- Quero dormir... – ronronou Shaka esfregando o rosto contra o do moreno. – Estou cansado...

- Eu também, você me cansou, loiro gostoso... – beijou a bochecha do promotor delicadamente.

Shaka deixou o colo do amante e se deitou preguiçosamente na cama, sentindo o cheiro de sexo que impregnava o quarto e também o suor e o sêmen que deixavam sua pele pegajosa... Não, definitivamente não poderia dormir daquele jeito. Ergueu-se ajeitando os cabelos longos.

- Vamos tomar um banho? – sugeriu pegando a mão do moreno, Ikki aceitou. Tomaram um banho relaxante e voltaram para o quarto que agora estava frio.

Vestiram-se com um moletom e limpinhos e cheirosos se aconchegaram no corpo um do outro. Estavam exausto depois daqueles dias de fuga e por todos os acontecimentos.

- Parou de pensar bobagem? – perguntou Shaka sonolento.

- Ele estava quase com a boca no seu pau, isso não é bobagem. – resmungou o moreno.

Shaka riu provocativo, mas já se entregando ao sono.

- Ele só queria me provocar, pensando que assim, eu confessaria nosso crime...

- Shaka... – Ikki o apertou mais pela cintura – Eu... eu sinto muito...

- Por quê?

- Eu bati em você...

- Ah, Ikki, esquece isso... Quantas vezes bati em você quando éramos pequenos?

- Nunca. – sorriu o moreno enfiando o nariz nos fios cheirosos da nuca do loiro – Acho que era o único, porque eu era uma peste!

- Não, o Mu e o Saga nunca bateram em ninguém, nem o Camus, que me lembre... – murmurou o loiro – Não precisa se desculpar, eu... eu falhei, Ikki.

- E agora?

- Não sei. Não faço à menor ideia do que fazer.

Shaka suspirou e Ikki beijou mais uma vez seus cabelos.

- Vamos dormir, amanhã resolveremos isso, certo?

O indiano apenas balançou a cabeça e logo depois caiu no sono, nos braços do amado.

-Morangos Selvagens-

Os dia amanheceu ainda chuvoso. Podia se sentir o cheiro de mato e terra molhada invadindo a grande casa. Mu estava na cozinha com Saori, preparando o café. A menina não parava de falar o tempo inteiro sobre sua vida em Nova York, seus amigos e o novo namorado.

O paciente ariano ouvia tudo sem questionar, pois sabia que qualquer coisa que dissesse seria motivo para saber mais e mais de um assunto que não tinha nenhum interesse.

- O Shun está namorando também sabia? – disse Saori.

- Sério? – indagou o irmão pondo o café na cafeteira.

- Sim, com um loiro russo! – riu Saori – Acho que isso deve ter sido efeito da terra de Happyshire e seus legumes!

- Isso o quê, Saori?

- Isso que acontece com a gente! – explicou a mocinha pegando um pedaço de bolo e comendo – 90% dos meus irmãos são gays!

Mu se obrigou a rir e preferiu ignorar a conversa sem noção da mais nova.

- Você está namorando? – indagou mudando de assunto – Então acho que já esqueceu aquela história?

- Que história? – Saori franziu a testa e Mu se virou a encarando sério.

- Aquela história, Saori.

- O Kanon? Eu esquecê-lo? – Saori riu – Nunca. Meu amor por ele é totalmente platônico e eterno. Mas qual seu medo maninho? Que eu acabe confundindo as coisas e pule no colo do Saga?

Saori riu mais ao perceber o rubor no rosto do irmão, Mu ficava com o rostinho adorável quando se irritava.

- Não tem graça. – disse e colocou o café na mesa – Você vai conosco para Suíça?

- Claro que sim, embora não devesse. Não devo cair em tentação e ficando tão perto do Kanon... – a garota piscou para o irmão. Na verdade sua paixonite pelo geminiano já havia passado há muito tempo, mas era divertido irritar Mu.

Shun entrou na cozinha minutos depois totalmente enrolado num cobertor.

- Você está parecendo um rolinho primavera, Shun! – caçoou Saori.

- Muito engraçado... – resmungou o mais jovem – Mu, meu quarto está sem calefação, está um gelo só! – reclamou – Me dá um café, por favor!

- O Milo ficou de arrumar isso pra mim! – reclamou o tibetano – Verei isso hoje ainda. – completou Mu entregando uma caneca de café para o mais jovem – Poderia ter dormido em outro quarto, essa casa tem muitos se não se lembra.

- Ah, não tem graça vir aqui e não dormir no meu quarto... – sorriu Shun – Onde está o Dohko?

- Na casa dele, ele não quis vir pra cá ontem, disse que com todos nós aqui, ficaria difícil ter um só minuto de paz. – sorriu Mu.

- Camus e Milo quando chegam?

- A qualquer momento. – quem respondeu foi Saga que chegava em sua cadeira de rodas – Bom dia!

- Bom dia, mano! – disseram Shun e Saori ao mesmo tempo.

- Bem, eu vou procurar o Ikki, ainda não falei com ele. – informou Shun.

Saori riu maliciosa.

- Do jeito que ele e o Shaka gritaram ontem à noite, acho que não acordam tão cedo...

- Saori! – repreendeu Mu corando – Isso é coisa que se diga?

- Você sabe que meu quarto é perto do quarto deles e quase não pude dormir! – reclamou a mocinha.

Shun saiu da cozinha, Mu terminou de arrumar a mesa e se sentou no colo de Saga dando-lhe um beijo demorado, depois o mirou dentro dos olhos verdes.

- Preparado? – indagou.

- Apavorado. – respondeu o grego.

O tibetano afagou-lhe o rosto bonito.

- Dará tudo certo, tenho certeza.

O mais velho assentiu com a cabeça.

-Morangos Selvagens-

Afrodite não dormiu muito bem, por isso, cedo estava de pé. A chuva tinha dado uma trégua, mas o dia permanecia nublado, tão pesado quanto sua alma. Vestiu-se com as roupas que Shaka tinha lhe emprestado na noite anterior e desceu as escadas, escutando risos que vinham de algum lugar da casa. Chegou à sala e observou a porta aberta. Talvez aquela fosse sua chance de fugir dali, fugir daquela história e de seus próprios sentimentos.

- Olá.

Uma voz amável o cumprimentou e ele se virou encontrando um homem de meia idade. Seus cabelos ruivos já eram levemente mesclados por alguns fios brancos, seu rosto era jovial ainda, mas estava abatido, contudo, havia um brilho de tanta força em seus olhos verdes que era desconcertante.

- Olá... – respondeu hesitante.

- Você deve ser namorado de um dos rapazes ou de uma das garotas, não é? – ele indagou se aproximando e estendendo a mão – Prazer, eu sou o Dohko, sou o pai deles.

Afrodite piscou confuso.

- Pai deles?

- Sim, eu os adotei depois que as famílias de todos foram mortas. – explicou chamando com um gesto para que o sueco o acompanhasse até a sala. Afrodite aceitou, se sentando em uma poltrona de frente ao mais velho.

- Eles... todos eles foram criados aqui?

- Sim. – explicou – Depois do que aconteceu, e você já deve saber do que estou falando, fiquei muito decepcionado com o mundo e os trouxe para morar nesse sítio isolado de tudo. Fiz isso para tentar preservar pelo menos um pouco do sonho que John e Shion tiveram de construir um mundo de paz e amor em Happyshire.

Afrodite engoliu em seco, era uma história muito triste.

- Então eles foram criados todos juntos como irmãos? – indagou – Penso que isso deve ter aplacado um pouco a solidão.

Dohko balançou a cabeça com um meio sorriso amargo.

- Todo o amor do mundo não substitui o amor de pai e mãe. Essas crianças nunca seriam plenamente felizes, mesmo que eu tenha tentado dar todo o amor que podia a cada um deles. O que eles viram jamais seria esquecido.

- Então o senhor concorda com a vingança? – perguntou nervoso.

- Que vingança? – Dohko pareceu confuso e Afrodite rapidamente percebeu que ele nada sabia sobre o que estava acontecendo.

- O-o... Eles querem...

- Então você está aí, belo? – Ângelo chegou à sala e lançou um olhar ameaçador para o loiro que dizia bem claramente: Calado!

Afrodite estremeceu e se calou. O jovem italiano chegou mais perto. Apesar do dia frio, ele vestia apenas uma calça jeans e uma regata branca.

- Já conheceu o Dite, pai? – indagou beijando com carinho a testa do ruivo, o que fez Afrodite entreabrir a boca. Nunca pensou que veria aquele carcamano fazer qualquer que fosse gesto de carinho.

- Sim, mas ele ainda não disse de quem é namorado. – explicou o mais velho – Do Kanon? Pelo que saiba é o único disponível.

O italiano riu e puxou Afrodite pelo braço, fazendo-o se erguer num tranco e ir parar em seus braços.

- É meu. – disse.

Dohko ficou boquiaberto por alguns segundos.

- Seu Angie? – indagou pasmado – Desde quando você gosta de homens, meu filho?

- Ah, sei lá, Dohko, eu gosto dele! – disse muito sem jeito.

- Puxa, pensei que ao menos você e o...

- Vamos deixar essa história para depois! – cortou Ângelo – Está na hora do café.

O pai deu de ombros e se ergueu.

- Prazer em conhecê-lo, Afrodite, e seja bem vindo ao Morangos selvagens. – passou por eles e foi para a cozinha.

Afrodite se libertou do braço forte de Máscara da Morte e o encarou.

- Vai mentir pra ele até quando? – indagou.

- Isso não é de sua conta. – cuspiu o italiano.

- Claro que é! Vocês me envolveram nisso!

- Não, belo! Você se envolveu nisso ao se meter com aquele canalha desprezível! – disse com desprezo – Você deve ser como ele!

Os olhos de Afrodite se umedeceram contra sua vontade com as palavras duras proferidas pelo italiano.

- Não me importa o que pense! – disse magoado – Eu só quero ir embora! Eu nada tenho com a vingança de vocês! Por que quer me machucar dessa forma?

Ângelo engoliu em seco e baixou o olhar para os próprios sapatos.

- Se eu quisesse machucá-lo, já teria feito isso. – sua voz foi um grunhido baixo.

- E o que quer de mim então, Ângelo? Diga-me por favor, porque me parece que todos seus atos são feitos para me magoar! – falou não conseguindo esconder a mágoa.

Máscara da Morte se calou e continuou olhando os próprios sapatos, agora com as mãos no quadril.

- Transar comigo fazia parte do plano também? – Afrodite perguntou limpando rapidamente uma lágrima que fugiu do seu olho.

- Não... – resmungou o canceriano taciturno.

- Então por quê? – indagou Afrodite magoado.

Ângelo ergueu os olhos encarando os dele, mas não conseguiu dizer nada. Para sua sorte, nesse momento Milo e Camus chegaram pela imensa porta dianteira, o francês praguejando de algo e o grego rindo sem parar.

- Olá. – disse Milo parando de supetão ao se dar conta de quem estava ali.

Camus mirou Afrodite e depois Ângelo surpreso.

- O que ele faz aqui? – indagou confuso – Ele... Isso...

- O plano era ir embora hoje cedo, mas... – o italiano bufou – Ele descobriu tudo...

- Como assim, descobriu tudo? – indagou Milo surpreso.

- Ikki e Shaka deram bandeira, só isso! – volveu Ângelo irritado.

O loiro grego passou as mãos nos cabelos puxando-os para trás.

- Isso é um problemão!

- Vamos achar um jeito de resolver. – volveu Camus friamente – Onde está o Dohko?

- Na cozinha. – foi Afrodite quem respondeu – Eu... eu vou para o quarto... – explicou e subiu as escadas apressado.

Camus tirou o casaco e lançou um olhar questionador para Máscara da Morte que lhe devolveu um hostil.

- O que vocês pensam que estão fazendo? – indagou o Hacker.

- Do que está falando, Aquarius? – devolveu Ângelo contrafeito.

- Isso vai contra tudo que planejamos até agora. – continuou o francês – Ângelo, agora teremos que...

Milo arregalou os olhos, gelando só em pensar naquilo.

- Não! Isso não! – disse o escorpiano – Vocês estão confundindo as coisas! Não somos marginais de verdade!

- Depois conversamos sobre isso. – volveu Camus e se dirigiu para a cozinha a procura do pai.

Milo mirou Máscara da Morte por um tempo.

- O que pretende fazer?

- Não enche, Milo! – grunhiu o italiano saindo da sala.

Continua...

Notas finais: A ideia do Camus como o Hacker Aquarius não me pertence e sim a Vagabond. Quando escrevi isso na fic tive a sensação de dejavu, mas não conseguia me recordar onde tinha visto, mas essa citação foi feita primeiramente na fic "Tribos" dessa autora, que é uma história muito interessante e vale à pena conferir.

Não deu pra detalhar mais esse capítulo ou ele se tornaria um livro, mas revelações no próximo. Espero que tenham gostado do lemon (acho que foi um dos mais pervos que já escrevi XD!).

MillaSnape, Meguari Uchiha, ShakaAmamiya, Keronekoi, vivisctn, anjodastrevas, Kitsune Youko, Iamini, Arcueid, Sica-kun, Marry-chan, Sandrini, milaangelica, Giiuliaify, K. Langley, Amathiel, djeni-cunha (Obrigada pelo carinho, respostas no próximo).

Beijos afetuosos a todos vocês.

Sion Neblina

Postado em 20/12/2010