Deslize
Voltei na casa do Charlie algumas semanas depois a pedido dele – seu carro estava estranho e ele pediu para que eu desse uma olhada. Não era nada que se pudesse considerar complicado, mesmo pra mim, que já não colocava a mão num carro desse jeito – exceto os meus – há algum tempo.
Existem algumas vantagens em ser prodígio, sabe? Antes de terminar a faculdade, eu já era contratado da General Motors e, mesmo com a crise, nunca saí de lá. Eles alegam que eu sou "premium" demais pra ser descartado e sabem bem, assim como eu sei – e assim como sabem que eu sei -, que existem outros de olho em mim, só esperando na fila.
Enfim. Arrumei o carro do Charlie. Só ele estava em casa, Sue saira com Leah e Nick para ver a aula de sapateado da Helena e mais algumas coisas. Eu estava no andar de cima, no banheiro lavando as mãos e enfiando a cabeça debaixo da torneira quando ouvi o motor de um carro potente parar na frente da casa. Eu havia ouvido o telefone tocar, mas não me atentei à conversa de Charlie – sou educado.
Mas pude ouvi-la no quintal dos fundos.
-Vovô, que saudades!
-Shi, menina. Ninguém aqui acha que eu tenho neta desse tamanho.
Ela riu afinada.
-Ninguém nem acha que você tenha netos, vô. Que não os da Sue.
-Isso é verdade. E mais um motivo.
Fez-se uma pausa curta. Eu ainda tirava graxa dos meus braços.
-Quem ta aí, vô?
-O Jake.
-Ainda?
-Aham. Não faz tanto tempo assim que você ligou. – Ela riu novamente. Risada linda.
-Estou com fome. Foi um dia de boas ações, hoje. – Disse, com um tom diferente.
-Oh, Sue fez torta de maçã, pegue lá. E vá ver o que eu fiz no seu quarto.
-Hm, vou mesmo! – Exclamou contente.
Eu estava praticamente limpo quando e ouvi subir as escadas rápido, mas silenciosa. Parou à porta do banheiro.
Não queria olhar pra ela. Minhas defesas caem quando ela está por perto, como se os cabos que me ligam à terra sofressem um abalo sísmico, teimassem em tentar se ligar à outra coisa que não seu eixo natural.
Mesmo assim, mesmo minha mente pensando em lutar, os cabos eram mais fortes e perdi toda a minha base ao ouvir sua voz perto.
-Oi Jacob. – Ela falou com a voz firme. Era um imã, olhei-a imediatamente. – Tudo bom?
Ela era linda, como podia? Usava short jeans curtíssimo, botas e uma regata larga com um top preto por baixo. Os cachos longos e ruivos desciam até quase sua cintura, uma moldura para seu rosto, e os olhos que fizeram tudo perder o sentido desde aquela noite.
Obviamente, não deixei transparecer todo esse deslumbre e apenas respondi com um aceno de cabeça. Ela sorriu provocante e mexeu no cabelo com os dedos.
-Faz tempo que eu não te vejo. – Falou, fechando a porta, se aproximando e desligando a torneira. – Só daquela vez. – Pigarreei.
-É, eu sou ocupado. Hoje é meu dia de folga.
-Eu sei, meu pai falou. Você é engenheiro...
Acenei positivamente enquanto ela se aproximava mais. Isso era mancada.
-Foi uma noite estranha aquela. Eu nunca havia me sentido daquela forma. – Falou. Olhei-a confuso.
-Daquele jeito como? – Perguntei curioso.
-Não sei explicar. – Deu de ombros. – É só que você me atrai, Jacob Black. Muito. – Ela subiu a mão pela minha barriga até meu pescoço, ficando na ponta dos pés. – E meu pai me explicou o que aconteceu. – Sussurrou se aproximando. – A impressão... Você pertence à mim, Jacob. Como o Seth pertence à Nicole. – Falou, quase em meus lábios. Mais um pouco e eu cederia. – E eu quero que você seja meu.
Fechei os olhos e não pensei em mais nada. Apenas puxei-a pra mim ao mesmo tempo que ela juntava nossos lábios. Impossível raciocinar. Ela era linda e fácil e...
Senti suas unhas cravando na minha pele. Ia deixar marcas. Coloquei-a sentada na pia e ela abriu as pernas pra me encaixar melhor, enquanto eu enroscava os dedos em seus cabelos e beijava-lhe o pescoço e mandíbula.
Era loucura. Da mais no sense que se pode fazer na vida. Ela era uma garota, não aparentava ter mais de 18. Era filha da minha melhor amiga, filha de vampiros. E me deixava completamente fora de mim. Completamente.
Suas unhas cravaram nas minhas costas novamente. Se Leah visse as marcas...
Despertei, me afastando dela. Leah. Helena. Eu não podia fazer isso, me portar como um adolescente. Eu tinha família, eu...
-Talvez estejamos indo muito rápido. – Ela falou num tom sensual, mas superior. – Podemos ir com calma, Jake.
-Não é isso, eu...
-Não se preocupe, eu estarei aqui.
Piscou e pulou da pia. Abriu a porta e, com um ultimo sorriso, saiu do banheiro. Enquanto eu enfiava a cabeça de baixo da torneira, ainda pude ouvi-la.
-Vovô! O quarto está incrível! Eu simplesmente não conseguia parar de olhar.
Fechei a torneira e passei a mão no cabelo tentando absorver o que aconteceu. Estava errado. Mais errado ainda por parecer certo.
Olhei-me no espelho.
Eu ia ficar maluco.
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Cheguei em casa e subi direto pro quarto, pra tomar um banho. Aquele cheiro de pseudo-vampira tinha que sair a qualquer custo, Leah tinha um faro absurdo.
Quando desci novamente, carregando um punhado de roupas pra lavar, inclusive as que eu usara naquela tarde – Leah servia batatas para Helena.
-Quero só ver se você vai pendurar essa roupa que está pondo pra lavar. – Lee falou enquanto eu ainda estava na lavanderia. Quando entrei de volta na cozinha, ela me olhava com um sorriso lindo. Senti-me mal, algo embrulhado no estômago. – Vem jantar, amor.
Sorri de volta. Ela era linda.
Balancei a cabeça tentando assimilar as coisas e sentei à mesa. Helena devorava suas batatas com peixe assado.
-Cuidado, pode ter algum espinho. – Adverti. Helie aquiesceu.
-Como foi com Charlie? – Lee perguntou normalmente, sem suspeita.
-Tranquilo, consegui resolver hoje mesmo.
-Que bom. – Ela sorriu novamente. Cacetada, eu tava na roça. – Você nem imagina o que aconteceu comigo hoje. – Falou com uma empolgação radiante que gelou minha espinha.
-Não mesmo. O que foi?
-Consegui um emprego. Freelance, mas tudo bem. – Seus olhos âmbar brilharam radiantes. – Numa revista em Port Angeles. Começo amanhã.
-Amanhã? – Perguntei a meio caminho de levar uma porção de batatas à boca. – Amanhã é sábado!
-Sim. Vida de freelance, né? Mas tudo bem, pode ser minha oportunidade de arranjar um bom emprego por aqui. Você pode ficar com a Helena, não?
Sorri, passando a mão na cabeça da pequena.
-Claro que posso. É só que é sábado. Parece errado trabalhar no fim de semana.
-Ah, nem vem, você. – Deu com a língua.
Eu ri, enfiando um pouco de peixe na boca e me preparando para um fim de semana com a minha filha.
-Vai dar tudo certo. – Lee falou, convicta e também colocou um pouco de batatas na boca.
N/A: *correndo das pedradas*
GALERA! COMENTA! PODE SER XINGAMENTO, EU VOU ENTENDER! MAS COMENTA!
LEMBREM-SE QUE EU AMO VOCÊS E O CAP 7 TÁ QUASE PRONTO!
XOXO;*
BL
*correndo três dias sem olhar pra trás*
N/B: Eu SEI onde você mora sua escritorazinha u___u
Eu vou te arrebentar muito Biiiiiiiiiiiy você não tá entendendo, eu to pulando aqui pelo quarto, aaaa.
Ok, parei. Você escreve bem pra caraleo, de verade, e não tem palavra melhor pra descrever isso, é.
Desculpa mesmo pela demora, mas agora eu to livre forevermente.
Beta nerd é bom né? Agradeça, to de férias já *-*
Enfim, escreve loooooooooooooooogo!!
JL
