Capítulo 6.
Professor irritante.
- Vocês vão cometer um seqüestro? – Ágatha exclamou, sentando-se mais confortavelmente na cama. Estava passando o fim das férias na casa dos Weasley, a mãe havia viajado para a França ou algo assim, assunto do Ministério.
- Não é um seqüestro. – George olhou de soslaio para a porta. – E fale baixo.
- Desculpe. – ela cruzou os braços, esperando a explicação.
- Harry está preso na casa dos tios... – Fred explicou, procurando seu casaco em meio à bagunça do quarto.
-... E Rony pediu nossa ajuda para tirar ele de lá.
- Sem o consentimento dos tios é seqüestro. – Ágatha retrucou. Os dois olharam feio para ela. – Ta, ta, já calei!
- Nada de comentar com a mamãe, pelo amor de Merlin! – Fred pediu em tom de voz baixo. Era noite, e eles temiam que Molly acordasse a qualquer momento.
- Vou fingir que estou dormindo até vocês voltarem, mas afinal de contas, como é que vão para lá? – Ágatha indagou confusa.
- O carro do papai. – eles disseram juntos.
Ágatha sabia que o veículo era enfeitiçado para voar, mas ainda assim, temia que eles fossem pegos pela senhora Weasley, ou pior, pegos por algum bruxo do Ministério. Três adolescentes voando num carro mágico para salvar Harry Potter da casa dos tios não era exatamente uma história agradável de ouvir.
- Vocês têm certeza?
- Até mais tarde Ágatha. – disseram juntos, rindo levemente.
Assim que passaram pela porta do quarto, Ágatha bufou, jogando-se na cama.
O cabelo louro estava um pouco mais comprido que antes, ficando entre o cotovelo e o ombro. O corpo estava tomando formas mais femininas, e estava ficando mais magra também.
Ela estava bem mais alta. Estava quase com 1,75 de altura. Só não passava os gêmeos, que novamente, haviam espichado.
- Ah, isso não vai dar certo cara. – murmurou, olhando pela janela. Estava escuro lá fora, mas por estar muito silencioso, ela conseguiu ouvir o motor do carro de longe. – Não vai dar certo. – engoliu em seco.
Ágatha seguiu a senhora Weasley de fininho, ficando um pouco afastada. Mas pelos gritos dela, conseguiu entender perfeitamente o que a mulher dizia.
- As camas vazias... Nenhum bilhete... O carro sumiu! Podiam ter batido... Vocês se importaram? Esperem até seu pai chegar. Nunca tivemos problemas assim como Bill, nem Charlie, nem Percy...
- O Percy perfeito... – Fred murmurou meio irritado.
- VOCÊS PODIAM SE MIRAR NO EXEMPLO DELE! – a senhora Weasley berrou de volta. Ágatha olhou feio para eles, fazendo um sinal de corte na garganta, para que não falassem mais nada.
Depois de mais alguns gritos, a senhora Weasley liberou-os para irem tomar café. Fred e George vieram ao encontro da loira, parando um de cada lado dela.
- Você falou a ela...
-... Alguma coisa?
- Não! – exclamou indignada. – Mas sua mãe não é burra. Eu fui para o quarto da Gina logo que vocês saíram. Ela acordou um tempo depois e encontrou as camas vazias. Procurou vocês por toda parte. – explicou calmamente. – Depois veio perguntar para mim. Eu disse que não tinha visto nada, mas vocês sabem que eu não sou convincente. E ai vocês chegaram, foi isso!
Fred e George entreolharam-se, mas depois deram de ombros.
- Como foi? – ela indagou, diminuindo o passo.
- Divertido.
- Os tios do Harry ficaram de cara quando fugimos. – Fred sorriu orgulhoso.
- Sem conversa agora. – Molly exclamou, lançando aos três um olhar raivoso.
Sentaram-se para comer, e a senhora Weasley começou um discurso dizendo que não culpava Harry, mas que ficara preocupada com ele e principalmente pelo fato do medo deles serem vistos.
- Mas estava nublado mamãe! – Fred argumentou.
- Calado enquanto come!
- Estavam matando ele de fome, mamãe! – George explicou.
- E você também! – exclamou indignada. Ágatha segurou o riso.
Gina desceu algum tempo depois, e voltou correndo para o quarto ao colocar os olhos em Harry. Fred e George riram pela vergonha da irmã, e Rony também.
- O que eu fiz? – Harry indagou surpreso.
- Nada. É a Gina, ela falou de você as férias todas. – Rony explicou.
- É, ela vai querer um autógrafo seu Harry. – Fred brincou risonho, mas ao ver a mãe olhá-lo feio, abaixou a cabeça, calando-se.
Ficaram todos quietos até terminaram de comer, o que aconteceu bem rápido.
- Putz, estou cansado. – Fred murmurou bocejando.
- Adoraria um belo ronco. – George sorriu.
- Não vai não. – a senhora Weasley cortou-os. – A culpa foi de vocês se ficaram acordados a noite toda. Vão desgnomizar o jardim para mim. Eles estão completamente rebeldes outra vez.
- Mas mamãe... – Fred tentou argumentar, mas ela lançou-lhe um olhar furioso, e ele calou-se.
- Você também. – virou-se para Rony. – Harry, querido, pode ir se deitar. E Ágatha, se quiser, também...
- Eu adoraria ajudar. – Ágatha exclamou animada, e Harry disse o mesmo.
- Muito bem queridos. Agora vamos ver o que Lockhart tem a dizer sobre o assunto. – a senhora Weasley puxou um livro da mesa, e George gemeu.
- Mãe, nós sabemos como desgnomizar o jardim!
Ela folheou um pouco o livro, parecendo entusiasmada. Os gêmeos bufaram, sentando-se novamente. Ágatha fitou o livro curiosa.
- Ah, ele é um assombro. – a mulher comentou. – Sabe tudo sobre pragas domésticas.
- Mamãe tem um xodó por ele. – Fred murmurou baixinho.
- Não seja ridículo Fred. – retorquiu a senhora Weasley, parecendo um pouco corada.
- Esse é o mesmo loiro metido que minha avó tem paixão. Minha irmã caçula também. – Ágatha disse em tom de voz baixo para os gêmeos, com uma cara de nojo. – Sou a única garota que não gosta dele.
- Definitivamente é. – disseram juntos. – Sorte sua.
- Quietos. Agora vão logo para lá. Se vocês acham que podem fazer melhor que Lockhart, quero só ver. – a senhora Weasley dispensou-os. Fred, George e Rony foram quase se arrastando de tanto sono, e Ágatha ria da situação dos amigos.
- Já fez isso antes? – Fred indagou para a loira. Ele estava ajoelhado perto de um grande arbusto, enfiando a mão debaixo dele, procurava o pequeno gnomo escondido.
- Acho que uma vez, quando eu era pequena. Minha tia tinha um jardim cheio deles. – ela agachou-se do lado do ruivo, esticando a mão para procurar.
- É bem fácil. – George havia pegado um. – Você tem que deixar ele bem zonzo, pra não achar o caminho de volta. – rodou o gnomo e depois soltou os calcanhares dele. A pequena criatura guinchou, e voou bem longe daquele lugar.
Ágatha tocou em algo, mas quando foi ver era a mão de Fred. Os dois entreolharam-se no mesmo instante, e soltaram-se, corando violentamente. A garota riu nervosamente, sentindo o braço se arrepiar.
- Ah, acho que vi algum ali embaixo daquele pé de peônias. – Fred exclamou, o rosto ainda corado. Ágatha assentiu, agachando-se mais. Mas não para espiar se havia algum gnomo naquele arbusto, e sim esconder o rosto.
Depois, seguiu-se uma pequena competição de arremesso de gnomos, para ver quem conseguia mandá-los mais longe. Harry deveria ter mandado um por uns quinze metros, e George fizera um quase voar longe da propriedade. Os gnomos começaram a aparecer quando souberam da desgnomização, curiosos, e nessa oportunidade, George pegou uns seis, sete de uma só vez.
- São meio bobos sabe? Já deviam ter aprendido a fugir quando vêem uma desgnomização, mas não, ficam curiosos e vêem espiar.
Logo os gnomos começaram a se afastar, temerosos e de ombros baixos.
- Vão voltar logo... Papai é mole com eles, acha que são engraçados. – Rony comentou.
Por falar nele, o senhor Weasley acabara de chegar. E depois de uma recepção calorosa e uma bronca da senhora Weasley por causa do carro, os garotos seguiram para seus quartos. Ágatha ficara no dos gêmeos, que aproveitariam para tirar um cochilo antes do almoço.
- Lockhart... – ela murmurou, folheando o livro da senhora Weasley. – Esse cara se acha o próprio Merlin.
- Prepare-se... – George disse, a voz saindo extremamente sonolenta.
-... Ele vai estar na Floreios e Borrões na quinta...
-... E mamãe não perderá isso por nada. – George completou, agora de olhos já fechados.
Ágatha assentiu. Aproveitou aquele tempo em que os amigos dormiam para ler um pouco do livro. E depois de alguns minutos, foi a próxima a cair no sono, tamanho seu tédio por causa da leitura.
- Todos os livros são do Lockhart! – Ágatha exclamou indignada, olhando a lista de livros para a quarta série.
- O novo professor de Defesa Contra a Arte das Trevas deve ser fã dele. Aposto que é uma bruxa. – Fred comentou, mas calou-se ao receber um olhar raivoso da mãe.
- Esse material não vai sair barato. – disse George, lançando um olhar aos pais. – Os livros do Lockhart são bem carinhos...
- Daremos um jeito. – a senhora Weasley disse calmamente, embora estivesse um pouco preocupada.
Mais tarde, Fred, George, Rony, Harry e Ágatha estavam subindo o morro até o pequeno prado pertencente aos Weasley. Lá, iriam jogar uma partida particular de quadribol, para treinar um pouco. Claro, ao invés de bolas, lançariam maças uns nos outros, mas ao menos seria divertido.
Haviam convidado Percy, mas este negara.
- Ele está tão mudado. O resultado das provas dele chegou um dia antes de você. – olhou de relance para Harry. – Doze N.O.M.s. Ele nem se gabou. – completou ironicamente.
- Níveis Ordinários em Magia. – explicou George para Harry. – Bill também teve doze sabe. Se não nos cuidarmos, vamos ter outro monitor-chefe na família. Não agüentaríamos tal vergonha.
- Aposto como a Ágatha adoraria conseguir doze. – Fred comentou.
- Minha irmã mais velha teve doze. – ela explicou, bufando. – E se eu não tiver ao menos dez, minha mãe faz das tripas coração.
Eles riram.
Na quinta-feira, a senhora Weasley acordou-os bem cedo. Depois de um café da manhã reforçado, vestiram-se com seus casacos e foram até a enorme lareira dos Weasley. Lá, viajariam de pó de flu até o Beco Diagonal.
Harry, que deveria ir primeiro, nunca havia viajado, e ficou bastante nervoso. Fred ofereceu-se para demonstrar.
- Harry, observe a gente primeiro. – disse, pegando um punhado de pó de flu nas mãos. Parando dentro da lareira, respirou fundo e disse claramente. – Beco Diagonal.
As chamas verdes esmeralda ficaram mais altas, cobrindo Fred todo, e depois, ele havia desaparecido. Harry pareceu assustado.
- Precisa dizer claramente querido. – a senhora Weasley explicou calmamente. George pegou um punhado e lançou-se na lareira, desaparecendo depois. – Só certifique-se que sairá na grade certa.
- Na o que certa? – enquanto isso, Ágatha pegou um punhado de pó de flu e entrou na lareira, aparecendo, logo depois, um pouco suja de fuligem, em uma lareira, já dentro do Beco Diagonal.
Desastrada como era, mal saiu do local e tropeçou no pequeno degrau à frente. Foi amparada por Fred e George, meio risonhos.
- Estava demorando. – George comentou.
- Chato.
- Temos que esperar Harry. – Fred explicou, enquanto ela batia nas vestes.
O senhor Weasley apareceu na lareira, de repente.
- Ah, olá meninos. Ágatha.
- Harry é o próximo? – ela indagou.
- Esperamos que sim. – ele assentiu meio temeroso.
Infelizmente, a próxima viagem não veio. Demorou mais algum tempo, e Percy surgiu na lareira.
- Não deveria ser o Harry? – indagou Fred confuso.
- Acho que algo deu errado.
- Pó de flu é sempre complicado da primeira vez. – George comentou.
Com o tempo, os últimos Weasley apareceram, e apreensivos, ficaram esperando Harry mais um tempo.
- Melhor sairmos para procurar. – Ágatha aconselhou. – Caso ele tenha ido à outra lareira.
- Tem razão querida. – a senhora Weasley assentiu.
Não demorou tanto, e encontraram Harry no fim da rua, vindo com Hagrid e Hermione.
- Onde foi que você saiu? – perguntou Rony.
- Na Travessa do Tranco.
- Que ótimo! – Fred e George exclamaram animados.
- Nunca nos deixaram ir lá... – Rony resmungou.
Eles seguiram então para os cofres, no banco Gringotes. Ágatha não precisou pegar do seu, já que sua mãe lhe dera muitos galeões de ouro e outros muitos sicles. Ela nunca tivera problema com dinheiro, principalmente por seu pai (mesmo não sendo o verdadeiro, Ágatha acostumara-se a chamar o padrasto de pai) ser muito rico.
Ficou um pouco triste ao ver o cofre dos Weasley tão vazio, e percebeu que Harry sentiu-se mal ao pegar o dinheiro em seu próprio cofre, este completamente abarrotado de moedas de ouro.
Já do lado de fora, ela seguiu com os gêmeos por uma dar ruas, procurando por uma loja de animais. Sua mãe havia deixado que ela finalmente comprasse uma coruja, já que sempre usara a da família.
- Lino! – Fred exclamou animado, acenando para o amigo.
- Hei pessoal! – o moreno exclamou, surgindo em meio à multidão. Cumprimentou os três. – Para onde estão indo?
- Loja de animais.
- Vamos trocar a Ágatha por outra gatinha. – Fred brincou, recebendo um olhar raivoso da amiga.
- Vou comprar um bicho. – ela sorriu. – Não, nenhum unicórnio, Fred e George são os únicos.
Lino gargalhou.
- Hei!
- Não somos chifrudos!
- Muito menos fofinhos. – Ágatha riu.
- Touché.
- Ah, ela vai jogar sujo agora George. – Fred retrucou para o irmão.
- Eu mereço vocês. – Lino comentou ainda rindo.
- Vamos até lá logo! – Ágatha pediu animadamente.
Na loja, ela procurou por todas as corujas que pode. Os gêmeos e Lino haviam ficado do lado de fora, apreciando os artigos de quadribol na loja próxima dali. Ágatha saiu bem rápido, mas não trazia uma gaiola nas mãos. Ao menos, o bicho não estava dentro da gaiola.
- Ágatha...
-... Não era uma coruja? – Fred indagou confuso.
- Isso ai é bem mais peludo e ranzinza que uma coruja. – George comentou afastando-se um pouco.
- É um gato George, não precisa ter medo. – sorriu, acariciando o bichinho que trazia nas mãos. – Anúbis.
- Anúbis?
- É. Egípcio. Adoro o Egito, vocês sabem. – ela sorriu mais ainda.
O gato em suas mãos era de tamanho mediano. Não era gordo, mas a pelagem fofa o deixava mais cheinho.
Os olhos grandes eram amarelos, e o pelo era cinza. A cara achatada o deixava engraçado.
- Agora que você tem seu gato, que tal irmos tratar de negócios em? – Fred pediu animado.
Foram até a Gambol & Japes – Jogos de Magia. Refizeram o estoque de fogos de artifício Dr. Filisbuteiro. Compraram também algumas bombas de bosta e mais artigos para as brincadeiras. Ágatha ficou na porta, acariciando o bicho de estimação novo. Havia dado algum dinheiro para que comprassem algo para ela, já que passar um ano em Hogwarts sem aprontar nada não seria tão divertido.
Uma hora depois, eles rumaram para a Floreios e Borrões, naquele dia, abarrotada de bruxas senhoras de todas as idades, além de algumas adolescentes alvoroçadas ansiosas pela aparição de Lockhart. Ágatha guardou o gato dentro da gaiola e ficou um pouco afastada da multidão, pegando os livros necessários naquele ano e guardando-os dentro do caldeirão. A loja se enchia cada vez mais, todas animadas em conhecer o famoso escrito Lockhart.
Depois de um tumulto pelos autógrafos, houve outro tumulto, desta vez, uma briga entre o senhor Weasley e Lucius Malfoy. Este começara uma discussão com o Weasley, que acabara em uma pequena luta. Molly tentava apartar e os gêmeos incitavam para que o senhor Weasley acertasse em cheio o loiro aguado.
- Percy, você primeiro. – a senhora Weasley exclamou desesperada. Faltavam apenas cinco minutos para a partida do Expresso de Hogwarts, e eles ainda tinham que arranjar um lugar no trem. – Fred, George, Ágatha, vão!
Os três passaram rapidamente pela passagem, e aceleraram seus carrinhos para chegar até o compartimento de carga.
Já dentro do trem, começaram a vasculhar por cabines vazias. Ágatha trazia nas mãos o seu gato novo, do qual não desgrudara em nenhum momento desde a compra. Finalmente, mais para o fim do trem, encontraram com Lino Jordan e Angelina Johnson sentados em uma das cabines.
- Achei que não viriam mais. – o moreno exclamou, dando espaço para eles se sentarem.
Angelina cumprimentou-os, e Ágatha franziu um pouco a testa, fazendo questão de se sentar bem próxima dos gêmeos. Angelina havia crescido bastante, mas para a sorte de Ágatha, agora ela era mais baixinha.
O cabelo negro e sedoso caía sobre os ombros em duas tranças, e uma franja cercava sua testa de lado.
- Hei Angelina. – Fred piscou para ela e a morena sorriu de volta. Ágatha, sentada ao lado dele, bufou longamente.
- Alguma novidade? – George indagou.
- Nada. – deu de ombros. – Wood ainda é o capitão do time da Grifinória, alguns jogadores saíram, mas o time continua praticamente inteiro. Ninguém sabe do novo professor de DCAT, ao menos, não até chegarmos à escola.
- Espero que esse ano seja um cara legal. O gaguinho do mal me traumatizou. – George comentou, e os cinco riram.
- Ta de brincadeira comigo! – Ágatha exclamou, mantendo o tom de voz baixo. Sentado à mesa dos professores, no lugar ocupado pelo professor de DCAT, estava ninguém menos que Gilderoy Lockhart, com suas vestes azuis espalhafatosas e o sorriso galante no rosto.
- É... Acho que o gaguinho do mal era mais interessante. – Fred murmurou irritado.
- E quero uma salva de palmas ao novo professor de Defesa Contra a Arte das Trevas, o professor Lockhart, que aceitou o cargo com o maior prazer. – todas as garotas do salão, com exceção de Ágatha, soltaram gritinhos e vivas, e alguns garotos bateram palmas animadamente. O professor ergueu-se, fazendo uma reverência exagerada e acenando sorridente.
- Idiota. – Ágatha, Fred e George disseram juntos.
Harry e Rony foram recebidos como heróis no Salão Comunal da Grifinória. Lino exclamava bem alto que a chegada no carro, a batida no salgueiro e todo aquele escândalo havia sido genial, e que seria a entrada mais comentada durante anos naquela escola.
- Por que não viemos no carro em? – Fred e George exclamaram, indignados e um tanto animados. Rony pareceu vergonhoso, e ao verem Percy, ele e Harry correram para os dormitórios, alegando cansaço.
- Foi realmente incrível aquela chegada. – Fred murmurou contrafeito.
- Devíamos fazer algo assim até nossa saída de Hogwarts. Precisamos marcar esse colégio com nossos nomes. – George disse pensativo.
- Vocês são os gêmeos mais famosos de toda Hogwarts. Só aprontam mais que o próprio Pirraça. – Ágatha exclamou indignada, sentando-se entre eles no sofá. – São os melhores batedores de quadribol, querem mais o que?
- Algo mais.
- Um je ne sais quoi. – Fred imitou o francês perfeitamente, e Ágatha gargalhou, fazendo-os rir também. – O que? Você que ficou falando coisas em francês as férias todas!
- Vocês não existem. – ela continuou rindo.
- Aula com ele, ninguém merece. – Ágatha murmurou. – Abigail! – exclamou, acenando para a amiga. Esta vinha correndo, com o livro de DCAT nas mãos e um laço branco com pintinhas rochas enfeitando os cachos longos e morenos.
- Nem nos vimos ontem. – ela murmurou abraçando Ágatha. – Puxa, você cresceu.
- Pois é. – Ágatha sorriu orgulhosa.
- Oi Fred. Oi George. – Abigail sorriu timidamente para eles.
- Fala Abi. – disseram juntos, sorrindo. Abigail corou, voltando-se para Ágatha, mas nem tiveram tempo de conversar.
- Queiram se sentar, por favor. – uma voz soou ao fundo, e todos na sala silenciaram-se. Fred e George estavam sentados nas mesas ao lado da de Ágatha e Abigail.
O professor vinha descendo as escadas, apresentando-se com aquele sorriso metido no rosto. Vestia uma enorme capa dourada, reluzente, combinando com a roupa chique dele.
- Gilderoy Lockhart. Ordem de Merlin. Ganhador do Prêmio do Sorriso Mais Atraente do Seminário dos Bruxos cinco vezes seguidas. – sorriu mais ainda, fazendo as garotas da classe suspirarem. Ágatha olhou incrédula para Abigail.
- Já vi tudo nessa aula. – Fred sussurrou para a amiga.
- Comigo, aprenderão os feitiços mais poderosos e as práticas de magia mais espetaculares para lutar contra os inimigos. – murmurou teatralmente.
- Aham. – Fred e George murmuraram juntos, encarando o professor com indignação. Lockhart sorriu, ignorando o tom irônico na voz deles.
- Queiram, por favor, abrir seus livros na página sete. – parou a frente de Ágatha e Abigail, sorrindo para as duas. Ágatha colocou em seu rosto a expressão mais tediosa que conseguiu. – Senhorita Blake certo?
- É.
- Pode começar lendo o texto sobre como eu consegui me tornar tal professor bem formado, detalhando claramente as linhas sobre minha batalha furiosa com os lobisomens e meu romance com uma bruxa poderosíssima e sem coração que caiu pelos meus encantos?
- Acho que sim. – retrucou, apoiando o queixo na mão e fixando os olhos no texto.
Fred e George riam quase o tempo todo que ela lia. O texto era tão absurdo que não poderia ser verdade. A batalha com os lobisomens era basicamente Lockhart viajando até uma floresta a fim de encontrar a matilha. Conseguiu em quinze minutos derrotar quase vinte lobisomens adultos.
- Isso é impossível. – Ágatha exclamou ao terminar de ler. Lockhart virou-se para ela. – Não se pode enfrentar um lobisomem adulto sem ajuda, quanto mais vinte!
- Senhorita Blake... – Lockhart encarou-a fixamente, sua expressão séria. – Como sabe tanto sobre lobisomens? – Ágatha congelou.
- Eu leio. – deu de ombros. Viu uma das sobrancelhas de Lockhart erguerem-se.
- Obviamente lê. – ele sorriu. – Saiba que minha batalha foi muito complicada, mas eu consegui sair apenas arranhado, graças a Merlin e minha esperteza.
- Ah claro, sem nenhuma mordida obviamente.
- Exato. – ele sorriu. As garotas da sala aplaudiram o que seria seu triunfo contra os lobisomens.
- Pelo amor de Merlin. – Ágatha bufou, voltando a ler o infame texto.
Fred e George voltaram, então, a rir. O texto continuava a ser um absurdo.
- Idiota. Metido. Safado. Arrogante. Mentiroso. – Ágatha murmurava enquanto colocava os livros que pegara da biblioteca no lugar. Abigail e Alicia estavam junto, rindo dos comentários da amiga em relação ao professor Lockhart.
- Acho que ela está apaixonada por ele. – Alicia brincou.
- Quando eu me apaixonar por ele, me tranque numa torre bem alta e mande um trasgo ficar guardando ela. – Ágatha exclamou raivosa. – Aquele idiota. Nem professor é de verdade. Enfrentar vinte lobisomens adultos, aarg!
- Abigail! – a morena virou-se assustada. Scarlett vinha correndo em sua direção, o rosto tomado por uma fúria medonha.
- Sim?
- Cadê o Wood? – Scarlett exclamou indignada. Alicia, que estava de costas para ela, começou a imitar suas expressões exageradamente, e Ágatha caiu na gargalhada. – Do que você está rindo?
- De nada. – Ágatha deu de ombros.
- Nada? – Scarlett bufou, parando à frente dela. Ágatha, por sorte, era bem mais alta, e cruzou os braços, empinando o nariz. – Espero que seja nada mesmo.
- Por que senão vai fazer o que? Reclamar com o seu namorado? – Ágatha retrucou, sorrindo ao fim.
- Pirralha. – Ágatha deixou o queixo cair, mas apenas riu. – Abigail diga ao Wood que eu estou procurando ele. E que não vamos terminar daquele jeito, entendeu?
- Claro. – Scarlett retirou-se jogando o cabelo para os lados. Abigail bufou entediada.
- Você é muito legal. – Alicia comentou.
- Como assim? – Abigail indagou confusa.
- Se fosse meu irmão, eu ajudava a terminar com ela.
- E você acha que eu vou dar o recado? – Abigail riu junto das amigas.
- É Ágatha, o caminho está livre agora... – Alicia murmurou.
- Pra que? – Ágatha gaguejou.
- Pra dançar lambada. – Alicia encarou-a tediosamente. – Você tá gamada no Wood não está?
- Q-quem disse? – Abigail e Alicia riram.
- Você acha que a gente é o que? Tonta? Por favor, Ágatha...
- Eu acho que vocês viajam muito. – Ágatha retrucou.
Abigail e Alicia entreolharam-se rolando os olhos, sem deixar de dar um sorrisinho entre si.
- Ah, vamos lá Ágatha, aposto que você adoraria ficar com o Wood. – Alicia murmurou.
- Parem de falar nisso. – Ágatha resmungou cerrando os dentes.
- Ela quer. – Alicia riu, deixando o tom de voz baixo. – Sabia disso.
- Se quiser, eu posso dar uma forçinha. – Abigail sorriu. – Sabe que eu andei reparando como ele olha pra você... Um jeitinho meio diferente das outras garotas. – piscou pra Alicia, que deixou o queixo cair.
- Mas olha que destino maravilhoso. Ele deve estar a fim da Ágatha também! – batendo palmas, saltitou um pouco. Ágatha ignorou-as, terminando de guardar outro livro. – Ah, se depender de mim, eu junto esses dois. – Alicia sussurrou para Abigail, quando Ágatha afastou-se para guardar o último livro. Abigail sorriu.
- Somos duas.
Ágatha não sabia se estava em Hogwarts ou no mundo dos unicórnios, tamanho era seu sono. Wood madrugara para o treino, e levara todos os jogadores da Grifinória consigo. Ele era, realmente, o único bem acordado naquele time. Ela estava sentada ao lado de Fred, que ainda encontrava-se um pouco acordado, mas a cabeça pendia levemente para os lados vez ou outra. George, por sua vez, estava com a cabeça tombada para frente, quase babando.
Wood demorou um bom tempo explicando as táticas de jogo, e enquanto isso, Fred e George perdiam cada vez mais a consciência. Ágatha mesma, que adorava as explicações de Wood, estava com vontade de meter um soco para ele se calar e deixa-los dormir.
Em certo momento, Fred tombou de vez, passando agora a roncar no ombro de Ágatha, que teria socado seu rosto, se não fosse o sono.
- Então... – Wood exclamou, despertando Ágatha brevemente. – Alguma dúvida?
- Eu tenho uma pergunta, Olívio. – George ergueu o rosto, seus olhos miúdos pelo sono ou pela cara de irritação que ele fazia naquele momento. – Por que não explicou tudo isso para nós ontem, enquanto estávamos acordados?
Wood não pareceu gostar. Deu um sermão sobre como poderiam ter ganhado a copa de quadribol no ano passado, mas que com esforço, a ganhariam naquele ano. Por isso treinariam mais, ficariam mais rápidos e ágeis e venceriam no fim das contas.
Quando partiram para o treino no campo, não tiveram muito tempo, até serem interrompidos por alguns irritantes visitantes.
Ágatha acabava de pousar a vassoura ao lado de Fred, quando ouviu George falando sobre os sonserinos, e apontando. Um grupo vestindo verde e prata aproximava-se do campo, e Wood pareceu mais furioso do que normalmente estava quando os treinos saíam ruins.
Ele pousou no campo, batendo o pé com firmeza enquanto marchava até o time da Sonserina. Harry, Fred, George e Ágatha o acompanharam de perto, com o resto do time da Grifinória mais atrás.
- Flint! – Wood gritou. – Eu tinha reservado o campo para o treino hoje, que invasão é essa?
- Calminha Wood. Nós temos permissão. – o capitão franzino da Sonserina esticou um pergaminho para Wood, que o aceitou relutante.
- Eu, Severus Snape, dou permissão para a prática da Sonserina no campo, para treinamento do novo apanhador. Tem um novo apanhador, quem? – Wood indagou, desinteressado.
Draco Malfoy apareceu no meio dos jogadores, um sorrisinho metido no rosto.
- Você não é o filho de Lúcio Malfoy? – Fred indagou em tom de desagrado. Ágatha ficou ao lado dos gêmeos, encarando o loiro com certo ar de irritação. A cara daquele moleque a deixava irritada.
- Eu mesmo. E sabe, não sou a única novidade no time esse ano. – Draco deixou à mostra a vassoura que trazia em mãos, assim como o resto do time da Sonserina. Todas Nimbus 2001, polidas e perfeitas. – Presente do meu pai.
Todos da Grifinória ficaram calados, sem saber o que dizer. Wood parecia um tanto quanto desesperado, mas tentava não demonstrar. Rony e Hermione desceram até o campo, para ver porque tanto tumulto. A garota parou com o amigo ao lado de Ágatha.
- Sou o novo apanhador Weasley. – Draco gabou-se para Rony. – O seu pessoalzinho parou para admirar as vassouras que meu pai deu de presente para o time.
- Pelo menos ninguém da Grifinória pagou pra jogar. – Hermione retrucou, jogando na cara de Draco. – Só entrou quem tem talento.
- Ninguém pediu sua opinião... Sujeitinha de sangue-ruim. – xingou ele de volta.
- COMO É QUE VOCÊ SE ATREVE? - Ágatha exclamou boquiaberta, partindo para cima dele, Fred e George já quase o alcançando para dar alguns socos. Flint precisou entrar na frente do loiro, bloqueando o caminho.
Rony disparou algum tipo de feitiço em Draco, mas pelo tumulto, Ágatha e os gêmeos só tiveram tempo de ver o ruivo cair no chão, vomitando lesmas. Pelo visto, o feitiço ricocheteara.
O time da Sonserina começou a rolar de rir, enquanto o da Grifinória fitava aquilo atordoado.
Harry e Hermione saíram para levar Rony, que não parava de vomitar as nojentas lesmas, até Hagrid. Wood resolveu encerrar o treino e continuar mais tarde, com Harry.
- Aquele Malfoy... – Fred começou, o cenho franzido.
- Sujeito nojento. – George completou o irmão.
- Como pode dizer aquilo para ela? Ele sim é um sangue-ruim. – Ágatha exclamou ainda indignada.
- Gente como ele nem se importa com o que está falando. – Angelina comentou. Ela estava caminhando silenciosamente próxima deles, assim como Wood e outro artilheiro do time.
- Gente como ele merecia um belo soco no nariz, isso sim. – Ágatha murmurou raivosa.
- Nos vemos mais tarde galera, vamos para os dormitórios. – Angelina avisou, acenando para eles. Fred e George sorriram animados, retribuindo o aceno. Ágatha olhou-os tediosamente.
- Até mais Ágatha. – Wood sorriu para ela, dando-lhe uma piscadela, e foi à vez da garota ficar completamente boba. Fred e George olharam-na indignados, da mesma maneira que ela fizera alguns segundos antes.
- Garotas... – disseram juntos. Ágatha encarou-os confusamente, mas dando de ombros, seguiu na companhia dos amigos até o Salão Principal.
Continua...
N/A: Ah, sentiram o clima né? Sentiram vai... AHUHAUSHUASHUSA Ágatha tem uma longa queda da Torre de Astronomia pelo Wood... Ou por outra pessoa? (A) não sei... quem sabe? SAUHHUSAHUSAUHAS
Eu demorei um pouco pra postar, mas pra ser sincera, já tenho até o capítulo 9 pronto o_o só queria ver se tinha mais comentários. But well, eu fico muito feliz tendo quem comenta aqui, e quem não comenta também, EU SEI QUE VOCÊ ESTÁ AI ANOM!
Vamos às reviews *-*
V Weasley Malfoy: Acho que pra matar sua curiosidade, love, é a terceira opção. Com os dois possivelmente HSAHUASHUSAUHUHSAHUSAHUSA' Espero que tenha gostado desse capítulo também :DD Beeijos!
Hatake KaguraLari: Mais que provável minha cara amiga... Romance entre os dois é quase certo xP HUHSAUHAUSUHASHUA Desculpa a demora em postar e.e Beeijos e até o próximo!
Luu Higurashi Potter: Pois é, eles agem como se ela fosse um bb. Mas eles se amam né, SAHUHUASHUASHUAS a Ágatha não consegue ficar muito brava com eles, também, quem consegue não? o_o Eles deviam mesmo mandar um shampoo pro Snape, com uma caixa de bombons, pra ver se amolece o coração dele HUSAHUSAUHAHUSUHASHUAS "Suéters quentinhos direto da Sra Weasley, adquira o seu também fazendo seu pedido para nossa queria e fofa autora!" AAh, eu adorei e ri disso, ASHHASHUSAHUASUH *-* Aquela cena do Olívio falando sobre o primeiro jogo de quadribol dele é realmente hilária mesmo SAHUASHUSAHUAS Então love, espero q tenha curtido o capítulo e até o próximo. Beeeijos!
Xoxo.
Nizz :P
