Capítulo 7: Tortura e visita a Hogsmeade.

Scorpius' POV

Eu olhava para o chão, e xinguei Merlin por me odiar tanto. Eu estava fortemente amarrado e sem a minha varinha. Tentei levantar a minha cabeça, mas ela latejava. Eu não conseguia mover um músculo, e minha visão estava embaçada. Não vou desmaiar, prometi a mim mesmo. Eu já tinha pedido para que Mia parasse, pior, eu tinha implorado para que a dor cessasse. Merlin, eu sou um sonserino horrível.

-Como está se sentindo, Scorpius? – disse uma voz feminina. Ergui os olhos o suficiente para ver seus peep toes azuis, com um laço na frente – Você não me parece muito confortável, hã?

Sua risada – fria e rancorosa, com um tom de maldade – ecoou pela sala escura.

-Louca – disse - Você é louca. Quem é você e por que me amarrou?

-Quem sou eu não lhe importa – disse ela gentilmente, e eu sabia que ela sorria – Mas acho melhor parar de implicar comigo. Não sou uma pessoa que queira ter como inimiga, Malfoy.

Eu ri – O que você pode fazer comigo? Pegar esse sapato e enfiar esse salto na minha cara?

Crucio. A maldição chegou aos meus ouvidos, mas eu só percebi o que tinha feito depois. Senti algumas feridas se abrirem por todo meu corpo. Quem quer que seja, tinha me rasgado com uma faca, ou algo muito afiado, e a maldição ampliava a dor das feridas.

-Sua língua é um pouco solta, não é mesmo Malfoy? – ela riu histericamente, mas a única coisa que eu conseguia pensar era como meu corpo todo doía. Eu podia ficar louco assim – ou até mesmo morrer. Esse pensamento me assustou, e eu estava me sentindo menos presente. Resolvi concentrar toda a minha atenção em me manter consciente, mas tudo que eu conseguia pensar era na garota que estava parada na minha frente.

-K, seu irmão está aqui – disse uma voz também feminina, mas essa era assustada e temerosa – Ele me disse que quer falar com você urgentemente.

-Obrigada, Mia – disse ela – Vou falar com ele. Me espere aqui, tenho contas para acertar com você.

Ouvi a porta bater e instantes depois passos apressados se aproximaram. Eu pensei que era Mia, a amiga de Rose que me enfeitiçara. Ela murmurava alguns feitiços e eu um tempo depois parecia um pouco melhor, pelo menos bom o suficiente para me manter acordado.

-Scorp – sussurrou Mia – Você tem que reunir forças para fugir. Me escute, não temos muito tempo. Estamos na Sala Precisa. Essa é a câmara de tortura dela, você precisa fugir! Vou tentar cortar as cordas – ela se afastou, e começou a cortar as cordas que me seguravam com uma faca – Mas será complicado. Elas estão muito presas, K. jogou feitiços para que fosse quase impossível cortá-las. Se ela me ver posso até morrer; Oh, Scorpius, me perdoe! Eu não devia ter feito isso, eu... Oh, por Merlin, você deve ter sofrido tanto! Eu não quero que isso acabe como foi para Larry, não com você! Eu não ia agüentar se mais alguém morresse por minha culpa...

Nesse instante, eu ouvi a porta sendo aberta. Mia já estava de pé e as cordas que me amarravam estavam mais fracas. Ouvi dois pares de pés caminharem em minha direção, até que eles pararam na frente de Mia.

-Torture-o – disse uma voz masculina autoritária, porém Mia hesitou.

-Você não pode me obrigar – disse ela, rosnando.

-Mas eu posso – disse a voz feminina, que mantia a calma – Agora, torture-o.

Mia soluçou uma vez e sussurrou um pedido de desculpas antes de lançar o feitiço. Eu senti minha pele queimar; agora, novos machucados em volta do pulso estavam sendo abertos novamente.

-Com vontade – disse a garota, mas Mia estava chorando e sua voz tremia demais para lançar o feitiço de novo. A garota suspirou em reprovação – Você é fraca, Mia. Vou lhe mostrar como se lança um feitiço em alguém.

A garota gritou Crucio e eu me preparei para uma explosão de dor, que nunca chegou. Ao invés disso, ouvi Mia gritar com o efeito da maldição.

-Você me deu muito trabalho, Mia – disse ela, lançando a maldição novamente. Mais gritos foram ouvidos – Agora vou ter que apagar a memória daquela Weasley chorona. Você praticamente me denunciou, Mia, e isso é imperdoável. Rosalie é uma garota esperta, e eu duvido muito que ela não tenha acreditado em você. Você merece toda essa tortura – e muito mais. Agora, levante-se e amaldiçoe esse garoto da forma certa. Já você, irmão, obrigue Lisa a apagar a memória da Weasley sobre o que Mia disse para ela. Se Lisa não quiser, te dou permissão para usar um feitiço.

O irmão da menina que se dava por K. saiu correndo, e ouvi Mia arfar do meu lado. Tentei erguer minha cabeça para ver o rosto da menina que mandava em Mia, mas era inútil. Eu estava fraco demais para levantar a cabeça, então continuei fitando os pés da garota.

-Agora você, Scorpius – disse K – Você vai se arrepender de tudo o que fez. Você não foi expulso graças a mim; e me negou o meu pagamento. Seus "amigos" não se deram tão bem, afinal. Mas o fato é que você não quis me dar o que lhe pedi por conta própria... Agora vou ter que tomar a força de você.

Eu senti uma parte da minha cabeça formigar, como se eu estivesse tentando achar uma memória que não me pertencia.

-Você não se lembra, é claro – continuou ela – Mas eu te salvei de sua pequena travessura. Tente me acompanhar, Scorpius: Você, Stanley e Louise. Os três estavam na sala da diretora McGonagall... Então, vocês apanharam o Chapéu Seletor e a espada da Grifinória. O que você não sabia era que eu estava lá para te ver.

"Vocês tentaram inutilmente cortar o Chapéu, chegaram a tacar fogo nele e tudo; mas não dava. Vocês pensavam grande, pegaram o chapéu e levaram para a Sala Precisa, para escondê-lo. Mas o chapéu se abriu e o alertou que vocês poderiam ser expulsos. Você hesitou, então seus amigos tomaram ele de você e o esconderam ao lado de um dispositivo estranho. Eu sabia para que servia aquele botão, mas sua tola amiguinha Louise tinha que se meter no meio. Nunca vou me esquecer da sua cara de surpresa ao ver que o botão servia para incendiar a sala. Se não fosse pela McGonagall, vocês todos teriam morrido lá. A diretora viu seus dois amigos, mas eu puxei você. Alterei sua memória para que não se lembrasse de participar, e sim para que pensasse que entrou na sala em chamas ao mesmo tempo por coincidência, e eu te salvei. Mesmo assim, negou o que lhe pedi em troca de salvá-lo: Rosalie Weasley. Tolo Malfoy, sabia que não era meu único meio de capturar a garota. Meu irmão é estúpido demais, e Rosalie é inteligente. Tomara que ele consiga apagar a memória da sua amiguinha, ou eu mesma terei de fazer isso. Acredite, você não gostaria que isso acontecesse."

K andou até Mia que gemia ao meu lado e suspirou. Ouvi a porta bater e mais passos. Supus que o irmão de K estivesse de volta, mas eu estava errado.

-Me chamou senhora? – disse uma voz esganiçada, que reconheci imediatamente como a de um elfo doméstico

-Sim – disse K – Preciso que se certifique que a memória de Rosalie será apagada sobre nosso pequeno segredo. Agora!

Ouve um estalido e o silêncio reinou. Somente o som de gotas caindo no chão era ouvido, até que K limpou a garganta e disse:

-Mia, você não pode ficar aí deitada o dia todo. Preciso que traga Lisa Simpson para mim.

Mia gemeu e se levantou lentamente. Ela se abaixou e murmurou no meu ouvido – Scorpius, essa é sua única chance. Quando eu sair, K vai provavelmente sair junto para a visita à Hogsmeade. Assim que ela sair, levante-se e fuja. Fuja, me entendeu? Rápido. Ela não vai me deixar viva por muito tempo, mas prometo que te ajudarei enquanto puder. Enquanto for seguro para ambos ajudar.

K pigarreou e Mia se levantou rapidamente. Ouvi ambas se retirando e a porta bater, então tentei me erguer. Como minhas mãos estavam amarradas, foi mais difícil ainda. Assim que me ergui, senti uma tontura incrível. Aquela maldita mulher... Quem ela acha que é para me torturar? Eu senti que ia cair. Meu estômago se agitava, e eu acabei vomitando no chão. Senti que não ia conseguir; eu ia morrer ali mesmo. Foi quando eu me lembrei dela.

Apesar de não ser muito clara minha relação com a Rose, sabia que tínhamos alguma coisa. Mais que meros amigos e menos que namorados, nem mesmo ficantes. E eu confiava nela. Apesar de ser um Malfoy e ter crescido sendo alertado que confiança pode te matar, eu confiava nela. Eu gostava da sua companhia, gostava de fazê-la rir. E agora ela estava sob risco de morte. Eu não queria isso.

Trinquei os dentes e arrastei meus pés pesadamente pelo salão. Tinha que salvar Rose, e depois tinha que procurar Mia.

"Aonde pensa que vai?"

Eu me virei e me vi na minha frente. Bem, isso parece um pouco confuso, mas lá estava eu, rodeado de garotas, e ao meu lado estava Mia, usando sapatos azuis-turquesa de salto. Ela não chorava nem nada; estava muito bem arrumada e maquiada. Seu cabelo estava impecável, caia levemente em seus ombros. Ela usava um vestido um pouco decotado demais, o que me fez sorrir.

"Ah, Scorpius" disse a Mia da minha visão "Por que está saindo? Não vê que nem adianta sair? Eu saí; e esse é o meu futuro"

A imagem começou a se distorcer. Eu vi Mia agachada no chão, chorando desesperadamente. Ao seu lado, reconheci Malcom Kirke, que estava inconsciente. Mia estava em uma espécie de cadeia, e eu ouvi uma voz ecoar pela sala. Era a voz de K, a menina que eu nem sabia o nome. Ela lançava a maldição Crucio em diversas pessoas da sala, e gritos eram ouvidos. Até que ela parou na frente de Mia, que ergueu a cabeça. Eu vi machucados horríveis, e seu lábio estava inchado. K nem hesitou: lançou um Avada Kedavra em Mia, que caiu pálida no cão, seus olhos arregalados e sem vida. A imagem se dissipou e eu voltei minha atenção para o "eu" na minha frente. Mia não estava mais ao meu lado.

"Junte-se a ela" disse eu, com um sorriso amarelo. "Ela vai criar uma nova hera. Vai completar o serviço de Você-Sabe-Quem e criar uma nova geração, somente com sangue-puros. Ainda há tempo. Se você se unir a K, ela vai te dar tudo. Garotas, dinheiro, poder... E tudo por sua conta. Você não vai mais ter que viver na sombra dos pais. Não é tudo que sempre quis?"

A oferta era tentadora. Realmente, tudo que eu sempre quis foi ter tudo a minha disposição, mas não graças ao dinheiro da minha família. Eu queria saciar a minha sede de poder, de mostrar do que sou capaz. E o "eu" da minha imaginação tinha me dito que se ajudasse K, poderia ter tudo isso. Vi que o Scorpius-não-eu beijava uma das garotas ao seu lado. Ela era morena e muito bonita. Eu pisquei e percebi que naquela multidão enorme de garota, não tinha nenhuma ruiva. Eu percebi que o dinheiro, o poder e as garotas vinham com um preço: eu não teria mais amigos.

-Vá embora – disse, olhando para o Scorpius-não-eu – Eu não preciso de você. Tudo que eu quero eu já tenho aqui em Hogwarts.

E a imagem foi levada pelo vento, literalmente. Uma rajada de vento invadiu a sala e varreu a ilusão para longe. Respirei fundo e saí da sala.

Rose's POV

Eu estava colocando meu cachecol, um pouco perturbada. A visita ao povoado não me parecia mais tão emocionante. Olhei para o relógio e vi que eram cinco horas da manhã. Estremeci ao me lembrar do meu sonho.

Flashback

-Oh, Rose! – Mia gritava.

-Acalme-se! – disse, quase chorando também – Mia, onde está Scorpius? CADÊ ELE?

-S-s-sala Precisa – disse ela, rouca.

Eu corri até o sétimo andar e uma porta começou a se revelar. Antes que eu pudesse abri-la, Lisa Simpson me virou abruptamente.

-Mas que diabos... – comecei, mas Lisa sacou sua varinha e gritou:

-Obliviate!

Então tudo ficou escuro.

Fim do flashback

Minha cabeça começou a latejar. Eu não parava de pensar o quão real foi esse sonho. Mordi o lábio inferior e decidi ir até as masmorras procurar por Scorp. Corri até o banheiro primeiro, para ver minha aparência. Não sei por que fiz isso; foi como um reflexo. Eu tinha uma toca vermelha na cabeça, que escondia parte do meu cabelo ruivo cacheado e muito bagunçado. Minhas bochechas estavam coradas por causa do frio, e minhas sardas eram pouco vistas. O cachecol verde e prata não combinava nada com o gorro, mas eu não pude evitar colocá-lo. Ele tinha o cheiro de Scorpius. Meu suéter Weasley era dourado, e tinha um pequeno "R" em vermelho na lateral esquerda. Suspirei e saí do banheiro. Assim que passei pelo buraco do quadro, vi Lily do lado de fora se agarrando com um menino. Revirei os olhos e já ia descer, quando Lily Luna me chamou.

-Depois a gente se fala, Diggory. Foi bom, se quer saber.

Diggory mordeu o lábio de Lily e se afastou, voltando para o dormitório da Corvinal. Lily Luna sorriu para mim e se aproximou.

-Lindo cachecol, hã, Rose? – zombou ela. Eu continuei séria.

-Acho que Malfoy pode estar em perigo, Lily. Me acompanhe até as masmorras.

Eu saí andando e Lily bufou e foi atrás de mim. Contei a ela eu sonho, e Lily apertou o passo. Quando finalmente chegamos às masmorras, alguns alunos da Sonserina nos olharam com nojo e outros riram ao ver que eu usava o cachecol de Scorpius. Eu e Lily encostamos-nos à parede e começamos a conversar sobre garotos enquanto esperávamos. Estávamos falando como Larry Candle é gostoso quando eu vi Scorpius sair da sala acompanhado de uma sonserina loira. Eu mordi suspirei, aliviada. Scorpius estava bem. Me aproximei com um sorriso.

-Oi, Malfoy – disse, ignorando a loira

-Weasley – ele deu um meio sorriso ao ver meu cachecol – Veio me devolver? Não precisa, sabe – ele olhou para a loira e ergueu uma sobrancelha – Ainda está aqui, Rachel? Não vê que estou conversando com Rose?

Rachel piscou algumas vezes e se retirou, indignada. Eu a observei sair, e em menos de trinta segundos ela já tinha encontrado outro homem.

-Então – disse Scorpius – O que você veio fazer nas masmorras?

-Bem – disse – Só vim conferir se estava tudo bem com você. Eu tive um sonho; um sonho muito realista. Você estava... Machucado. Vim ver se está ok

Scorpius umedeceu os lábios e desviou os olhos. Eu o olhei preocupada, mas quando ele tornou a olhar para mim ele sorria.

-Não tem nada de errado comigo, Rose. Sonhos são só sonhos, não realidade. Vá encontrar com Jake, ele deve estar te esperando.

XxxxOxxxX

-Rose! – exclamou Jake, ao me ver no Salão Principal – Que bom que está aqui! Vamos, temos que ir até Hogsmeade.

Nós tomamos o trem até Hogsmeade e dividimos um vagão com Scorpius e Rachel, a loira que ia com Scorp.

Quando o trem parou, eu e Jake fomos diretamente até a Honeyduekes. Jake comprou para nós sapos de chocolate, feijõezinhos de todos os sabores, tortinhas doces, dedos açucarados... Quando percebi, a cesta de doces estava cheia e nos divertíamos comprando.

-Olha esse – disse, rindo e apontando para um pote azul – Aqui diz "Bolas quebra-queixo". São bons?

-Opa – disse ele, rindo também – Você não vai querer esses. Um dia fui experimentar e quebrei todos os dentes. Madame Pomfrey ficou um pouco nervosa, disse que fazer dentes crescerem de novo é cansativo. Isso porque não foi ela que experimentou aquele remédio.

Eu parei em frente a um vidrinho cor-de-rosa. Seu cheiro era convidativo, e tinha algum líquido lá dentro.

-Ah, isso – disse Jake – É como doce portátil. Você carrega um vidrinho desses e pode por uma gota em qualquer coisa, que ele fica doce. Mas depende do que, tipo: um rato viraria um doce, mas ainda sim seria horrível. Já uma rosa teria um gosto delicioso.

-Vou levar – disse, colocando na cesta. Tínhamos doces suficientes para anos – Nossa, quero nem pensar nessa conta.

A conta ficou, ao todo, 43 galeões. Jake e eu nos espantamos, mas achamos que seria maior, afinal. Ele insistiu em pagar a conta, mas eu disse que pagaria pelos meus doces.

Logo depois, fomos até o Three Broomsticks, onde pedimos cerveja amanteigada e duas tortinhas de frango grandes. Quando saímos, resolvemos nos sentar na frente da casa dos gritos e comer alguns de nossos doces. Eu transformei um pouco de neve em doce, criando sorvetes pra mim e pro Jake.

-A Casa dos Gritos não me parece tão ruim – disse, pensativa – Papai já me contou ótimas histórias sobre ela.

-O que acha de entrarmos? – perguntou Jake, ansioso.

Dei um sorriso e nós pulamos a cerca. Corremos aos tropeços até a porta de entrada.

-Você primeiro – disse, nervosa.

Jake entrou e nos deparamos com uma casa muito velha. A pintura estava desgastada, e havia buracos nas paredes e no chão. Tinha alguns quadros de pessoas importantes, como Merlin e até mesmo Albus Dumbledore.

-Não me sinto confortável com esses quadros nos observando – disse, virando um Merlin sonolento – Vamos para o andar de cima.

A escada estava deplorável. Cheia de buracos e rangendo, tínhamos que tomar muito cuidado por onde pisávamos.

-Aqui até seria interessante – disse – Se não fosse velho e sujo.

Entramos em um lugar que parecia um quarto. Definitivamente tinha ma cama muito empoeirada e um guarda-roupa velho. Eu o abri, curiosa.

-Acho melhor não mexer aí – disse Jake, meio hesitante.

-Por que não? – zombei – O pior que pode acontecer é encontramos uma terra mágica onde tem um leão que fala.

Paguei minha língua. Assim que retirei um vestido branco maravilhoso lá de dentro, uma aranha gigantesca apareceu. Eu dei m grito e me escondi atrás de Jake.

- Isso definitivamente não é Nárnia! – disse, apavorada. Eu morro de medo de aranhas.

Jake riu e matou a aranha com um feitiço. Fui pegar o vestido caído no chão ao mesmo tempo que Jake, mas ele foi mais rápido.

-Obrigada – disse, sem jeito. Ele me olhou nos olhos e sorriu.

-De nada – disse ele, antes de me beijar. Ele pôs as mãos na minha cintura e me trouxe mais para perto. Eu passei meus braços em volta do pescoço de Jake e aproveitei o beijo, que de gentil foi passando para selvagem. Eu me senti pressionada contra a parede enquanto Jake mordia meu lábio inferior. Então subitamente ele se afastou, arfando, e pôs sua testa na minha. Eu tentava recuperar o ar, enquanto pensava como isso tinha sido maravilhoso. Jake me soltou e pegou seu casaco, que tinha jogado no chão do quarto. Fiz o mesmo com minhas botas. Enquanto recolhíamos algumas peças que tínhamos tirado sem perceber, eu encontrei o cachecol da Sonserina jogado na cama, junto a minha toca. Recolhi-os com um sorriso e os coloquei. Eu e Jake demos as mãos e saímos da Casa dos Gritos sem dizer nada um com o outro. Eu levava minha bolsa de contas que herdei da minha mãe carregada de doces. Sentamos-nos no mesmo vagão que antes com a mesma companhia. Mas Scorpius e Rachel se beijavam em um canto enquanto eu e Jake encarávamos o chão, ainda de mãos dadas. Não conseguíamos falar nada, mas aquele beijo já dizia tudo.

Quando o trem desceu na estação de Hogwarts e nós voltamos ao castelo, Jake me levou até o quadro da Mulher Gorda.

-Então... Tchau – disse timidamente.

Ele me deu um selinho e sorriu em resposta.

-Até amanha, Rosie. Durma bem.

Eu entrei na Sala Comunal radiante. Me sentei ao lado de Lily e contei tudo o que tinha acontecido. Ela ouvia atentamente com os olhos arregalados e um sorriso enorme no rosto.

-Ah, Rose! – disse ela, quando eu terminei – Isso é tão fofo!

Ri dela e corri até o quarto, onde tomei um banho rápido e fui dormir. Na mesma hora que deitei na cama, adormeci. Eu não tive outros pesadelos. Pelo contrário; sonhei com a cena no quarto da Casa dos Gritos inúmeras vezes.

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Scorpius' POV

Eu acordei com a cabeça doendo. Olhei para os lados e vi o dormitório vazio. Levantei xingando. Provavelmente, tinha perdido a primeira aula. Tentei me lembrar da festa de ontem, mas o Uísque de Fogo não me deixava. Percebi que deitada na minha cama tinha uma mulher loira, que identifiquei como Rachel. Suspirei ao ver minhas roupas jogadas no chão e fui pegar roupas limpas no meu malão. Assim que me vesti, conferi as horas: tinha 10 minutos para chegar a tempo na minha aula de poções com a Grifinória. Suspirei e olhei-me no espelho. Meu cabelo estava bagunçado e meu pescoço com algumas marcas roxas. Coloquei meu cachecol extra e um par de luvas vermelhas. Sorri ao me lembrar que no primeiro ano, Rose jogou essas luvas em mim e me chamou de sonserino nojento.

Flashback

-Eu te odeio, Malfoy! – disse ela, logo após jogar as luvas – Meu pai tinha razão! Você é só um sonserino metido, igualzinho aos pais!

-E você é só uma grifinória orgulhosa. Uma traidora de sangue infernal, igualzinho meu pai tinha me falado.

Rosalie de repente irrompeu em lágrimas e saiu correndo. Passei a mão no cabelo e corri atrás dela.

-Weasley! – gritei, procurando-a. Eu escutei seus soluços vindos de dentro de uma sala vazia – Weasley!

-Vá embora, Malfoy – gemeu ela – Eu não quero você aqui!

Eu me sentei ao lado dela no chão frio e esperei ela se acalmar. Assim que o choro virou um soluço, eu a chamei novamente.

-Hey, Rose – disse – Me desculpe por chamar sua mãe de sangue-ruim. É só... Uma primeira impressão. Já ouvi meus pais falarem tão mal da sua família que comecei a odiá-los no momento. Mas... Você não é nada do que meu pai disse que você era. Você é legal.

Ela deu um sorriso tímido e me deu um beijo na bochecha, me fazendo corar.

-Obrigada, Malfoy – disse ela, agora contente – Você também não é nada mal.

Eu estiquei as luvas vermelhas e douradas na sua direção, para que ela pegasse de volta, mas ela balançou a cabeça negativamente.

-Pode ficar – disse ela, sorrindo – Você parece com frio.

Fim do flashback

Resolvi deixar meu cabelo como estava para não perder a próxima aula. Saí da Sala Comunal e fui até a porta para esperar pela professora. Já tinham alguns alunos lá, inclusive Rose. Fui até ela, e percebi que ela estava conversando com o Potter.

-Oi Rose – disse, sorrindo – E aí, Al?

-Hey, Scorp – disse Albus, mas Rose só sorriu.

-Ok... – disse, olhando pra Rose – Weasley, o que você tem?

-Nada demais, Malfoy – disse ela – Só estou feliz, acordei com um humor ótimo hoje.

Eu franzi a testa e abri a boca para falar, mas a Profª Jekyll apareceu empurrando alguns alunos que estavam na sua frente. Ela abriu a sala e nós entramos. Me sentei sozinho no fundo da sala, observando Rose. Ela sentou com Al, mas ele rapidamente saiu para se sentar com Lorcan Lovegood. Eu me levantei e corri até o seu lado. Ela sorriu para mim e virou-se para prestar atenção nas aulas e fazer anotações.

-Hoje vamos fazer uma poção da Sorte. Alguém pode me falar um pouco sobre essa poção?

Rose levantou o braço, mas Profª Jekyll a ignorou totalmente. Eu ergui meu braço e ela sorriu para mim.

-Sim, Malfoy?

-Professora, acho que a Rose quer responder essa.

O sorriso dela se transformou em uma careta, e ela deu permissão para a Rose falar.

- A Felix Felicis ou sorte líquida, uma poção que traz sorte a quem bebê-la. Quando ingerida em excesso, pode causar tonteiras, irresponsabilidade e perigoso excesso de confiança. A poção é proibida em competições oficiais, eventos esportivos, como exames e eleições.

A professora crispou os lábios e concedeu cinco pontos à Grifinória. Rose murmurou um "obrigada" pra mim e abriu seu livro, procurando os ingredientes para a poção. Eu dei um meio sorriso e comecei a trabalhar na minha Felix.

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-Você consegue acreditar? – tagarelou Rose novamente – Agora eu tenho uma Felix Felicis! E eu ainda ganhei dez pontos da professora Jekyll por ter feito tudo certo! Ah, mas que dia feliz!

Eu olhava em volta, mais especificamente pelo chão, para procurar alguém que usasse sapatos de salto azuis, mas não encontrei ninguém. Desde o dia da minha tortura, eu fazia rondas pelo colégio procurando a tal K. Tinha fortes suspeitas que era Katherine, pois ela estava constantemente usando salto e tinha uma voz parecida com a de K, além da inicial ser a mesma. Eu e Rose nos separamos e fomos cada um para sua mesa para o almoço. Eu vi Rose se sentar ao lado de Lily, e elas juntaram as cabeças para cochichar. Quando o correio chegou, me assustei com minha coruja negra chegar de repente. Eu recebi um exemplar do Profeta Diário e um pacote dos meus pais. Abri a carta para ler.

Scorpius,

Soube que você anda conversando com uma Grifinória, a filha dos Weasleys. Francamente, Scorpius Malfoy! Seu pai me disse que você é amigo do Potter. Nunca imaginamos tamanha traição! Pensei em lhe enviar um berrador, mas não achei necessário. Seu pai está espumando de raiva. Proíbo-lhe de conversar com esses dois traidores de sangue! Só falta me dizer que é amigo de um sangue ruim, se eu ficar sabendo de algo assim... Como pode, meu filho!

Enfim, vamos deixar esse assunto para conversar em casa. Hoje é seu aniversário, parabéns pra você meu amor! Eu e seu pai nem acreditamos, você já está tão grande! Eu e seu pai vamos lhe enviar uma vassoura nova amanhã, vamos dar uma passada na Itália e compramos o novo modelo da Firebolt, que acabou de chegar por lá. Ela é 30x mais veloz que qualquer outra vassoura. Feliz aniversário, meu amorzinho, e tomara que crie juízo. Eu e seu pai estamos animados para vê-lo.

Com amor,

Astoria, sua mãe.

Coloquei a carta ao lado, surpreso. Tinha me esquecido do meu aniversário. E se hoje é meu aniversário, significa que amanhã é Natal. Abri a caixa e vi lá dentro um conjunto para polir vassouras e um estojo com uma pena de pavão colorida. Sorri e guardei tudo de volta, e me virei para conversar com Susie.

Rose's POV

-Vai lá falar com ele, Rose – sussurrou Lily – O cara mais gato de Hogwarts te beijou ontem! Vai procurar o cara lá na mesa da Lufa-Lufa, e aproveita e dá um "oi" pra Mary Anne.

Mordi o lábio inferior e assenti. Levantei-me e estava andando em direção à porta. Lily estava louca se achava que eu ia procurar Jake. Olhei para trás e vi que Lily sorria. Por que ela estava sorrindo? Eu me virei e trombei com alguém, que sujou minha blusa de muffin.

-Desculpe – disse – Não te vi aí...

Ergui a cabeça e vi Jake sorrindo para mim.

-Eu que peço desculpas – disse ele – Aqui, deixe-me limpar pra você.

Ele puxou a varinha e limpou meu suéter.

-Ahn, Rose – disse ele – Eu estive pensando no que aconteceu na Casa dos Gritos, e eu queria te pedir desculpas por ter te beijado.

Arqueei as sobrancelhas – Sério? Desculpas? – eu fiquei momentaneamente tomada por pânico – Por que? Você não... Gostou do beijo?

-Pelo contrário – disse ele, com um sorriso – Mas é só que... Foi como aquele beijo nosso no corredor. Foi algo momentâneo, eu não sou de beijar qualquer garota por aí... Então, me desculpe.

Eu sorri – Não quero suas desculpas, Jake. Eu gostei do que aconteceu lá; e você parou tudo antes que nós dois fizéssemos algo que iríamos nos arrepender.

-Se é assim – disse ele, animado – Que acha de ir no seu horário livre comigo passear pelos jardins?

-Claro – disse, contente. Eu tenho um encontro com Jake Light.

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N/A: Hey! Aqui está um capítulo saindo do forno!

Eu sei que muita gente pode ter ficado confusa por causa da Mia, mas o próximo capítulo é só com memórias dela, então vocês vão compreender melhor o que aconteceu ;D

Aaah, só a Mila Pink comentou? Que tristeza! Mas mesmo assim, agradeço ela por todos os comentários dela ;D

PS: Ameei escrever esse cap *-*

PS²: 9 páginas do Word esse *O* Estou evoluindo!

Beijinhos de chocolate,

Gigi Potter