CAPITULO VI
Tiago amaldiçoou e colocou a jaqueta enquanto Lílian descia da mesa, e alisava a saia com as mãos e recolhia do chão sua calcinha, vermelha como um tomate.
- Sou Tiago Potter... a porta se fechou e não podemos sair! Chamem a manutenção! - disse com autoridade.
Cinco segundos depois, quanto deixaram de ouvir os saltos no corredor, Tiago deu um bom pontapé à porta, que se abriu imediatamente. A fechadura tinha ficado destroçada e a história havia ficado mais fácil de acreditar. Lílian não cabia em sim de assombro. O que podia ter sido um dos episódios mais vergonhosos de sua vida, tinha saído às mil maravilhas.
-Você primeiro... - lhe disse deixando-a passar super feliz. – Segure alguns documentos e vai por aí.
Passo para te procurar às seis e meia para ir a Pomeroy Place, minha herança. Leva uma bolsa de fim de semana.
- Estupendo - contestou Lílian , super feliz.
- Tinha me esquecido da maldita festa - murmurou Tiago enquanto se afastava.
- Tiago...?
Ao girar-se para ver o que queria, Lílian não pôde evitar lançar-se a seu pescoço e abraçá-lo.
- Obrigada por ser como é - lhe disse.
- De nada - contestou ele, um pouco tenso. - Tenho que ir.
Lílian foi para o outro lado, dirigindo a sala em trabalhava. Ali, só, sentiu-se humilhada, tonta e assustada. Depois da paixão que tinham compartilhado, a Tiago devia ter parecilo que ela havia ido longe demai abraçando-o e dizendo-lhe o que lhe tinha dito. Por que? A tinha olhado aos olhos e tinha visto amor? Não sabia que tinha visto, mas estava claro que não lhe tinha agradado. Em lugar de entregar-se a ela, tinha-lhe dado as costas. Arrependeu-se de ter-se dormido a primeira vez com ele, de não ter esperado para conhecê-lo melhor. E tinha voltado a cometer o mesmo erro. Parecia que Tiago sempre se saía com a sua. Tocava-a e ela caía rendida a seus pés. Sentiu um nó na garganta. Tiago devia vê-la apenas como uma aventura sexual e ela o queria tanto...
Chegada a hora do almoço ela foi comprar o teste de gravidez.
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No último andar do edifico de PI, Tiago olhava o horizonte. Encontrava-se numa situação de conflito à que não estava acostumado e aquilo o punha de mau humor. A que estava jogando com
Lílian Evans? Quando tinha deixado de ver claras suas intenções com ela? Desde a manhã na qual se tinha inteirado de quem era em realidade, não tinha deixado de perguntar-se que estava fazendo envolvendo-se com ela. Fazia-o perder o controle... Tinha esquecido a crueldade com a que Lílian tinha tratado a seu irmão ou a quantidade de mentiras que lhe tinha contado sobre ele? Que lhe estava ocorrendo? Memória seletiva? Seu maravilhoso corpo era mais importante do que a honra de sua família? De princípio a fim, ter dormido com ela não era próprio de seu sentido da decência.
Também não entendia por que tinha recuperado suas jóias e seu carro. Tinha chegado o momento
de terminar o que nunca teria que ter começado...Enquanto Tiago tomava aquela decisão, Lílian estava sentada na cama com a boca aberta sem poder deixar de olhar o teste que tinha feito fazia dez minutos. Voltou a ler pela terceira vez as instruções, convicta de que tinha feito algo errado ou que aquilo estava caducando. Não era assim.
Estava grávida.
Ia ter um filho... de Tiago. Se reagia diante um abraço como se lhe tivesse pedido que se casasse com ela, como ia reagir com a chegada de um bebê? Lílian empalideceu e se pôs a tremer.
Encantavam-lhe as crianças, mas não desejava de te-los nesse momento de sua voda
Não estava casada nem tinha dinheiro. Nem sequer tinha conseguido um trabalho em condições normais e, seguramente, ao pai da criança não ia fazer-lhe nenhuma graça a notícia. Seguramente, lhe diria que era de outro ou que abortasse. A verdade é que não podia esperar nada dele. Já lhe tinha dito que às mulheres não lhes concedia o benefício da dúvida.
Assim que ali estava vivendo, numa casa horrível, tinha conhecido a um homem muito rico e tinha ficado gestante dele. A verdade em que soava fatal. Seguro que Tiago acreditaria que tinha saído com ele, que tinha ficado gestante de propósito.
Por mais que o quisesse, não estava disposta a pôr-se em desespero. Não tinha nenhuma razão de importância para dizer-se ainda. Decidiu esperar até ter ido ao médico. Assim tinha mais tempo para ver como o dizia.
Enquanto ia buscar Lílian ,Tiago estava decidido a romper sua relação, assim que para que lhe tinha proposto aquele plano? Pelo desejo, claro, como tudo o que tinha feito nas últimas três semanas. Não se podia crer no que tinha feito aquela mesma manhã no meio da jornada de trabalho. Tinha-lhe bastado vê-la para atirar para os céus todos seus princípios. Tinha-se comportado como um adolescente que apressa qualquer situação ainda que seja insustentável Aquilo o enfurecia. Ele, que estava orgulhoso de ser um homem tão disciplinado...
Isso demonstrava que um homem nunca podia baixar a guarda com uma mulher. Lílian era pura dinamite, por isso não podia deixar de tocá-la. Por isso a tinha levado para casa às poucas horas de conhecê-la.
Nunca lhe tinham agradado as aventuras. Se alguém lhe tivesse dito que ia levar a uma mulher bêbada para casa e que ia cair rendido vítima de seus encantos, teria rido as gargalhadas; mas aquilo não tinha nenhuma graça. Tinha conseguido controlar-se saindo do país duas semanas e vendo-a em lugares públicos.
Decidiu mostrar-se frio com ela para que fosse entendendo que aquilo se acabava. Por que o angustiava tanto algo que com outras não tinha lhe dado a mínima importância?
Recordou que Lílian tinha deixado a Connor sem o menor arrependimento. Por que julgava a ela por fazê-lo se ele fazia exatamente o mesmo? A pessoa à que deixava outra sempre sofria e não se podia fazer nada. Recordou os olhos dela e se deu conta de que não queria fazê-la sofrer.
Lílian não estava ainda pronta quando chegou para buscá-la.
- Sempre és assim pontual? - lhe perguntou sem poder olhá-lo nos olhos. Só podia pensar no teste de gravidez.
- Sempre - contestou olhando o relógio e decidido a comportar-se friamente. - Espero-te no carro -
adicionou excitando-se apenas em vê-la.
- Não sejas assim... - Só demoro um minuto - disse ela vendo-o apertar os dentes e perguntando-se que lhe passava.
Desesperado por concentrar-se em algo que o fizesse esquecer a excitação, pôs-se a olhar a mala de Lílian. Era desordenada, tudo o contrário a ele. Odiava as pessoas desordenados e impontuais. «Diga já. Diga-lhe que tudo terminou».
- Tiveste um mau dia, verdade? - lhe disse ela amavelmente. - Senta-te enquanto te preparo um café.
Desconcertado, Tiago abriu a boca para dizer algo.
- Eu...
- Estou certa que além de tudo, tinha um tráfico infernal.
- Lílian..,
Sentia-se como o maior canalha do mundo, mas o que mais o tinha comovido era que acabava de se dar conta de que não a queria deixar.
- Que? - disse ela sorrindo. - Qual é tua cor favorita?
- O azul turquesa - contestou Tiago vendo claro o que levava tanto tempo negando a si mesmo. Era como se o tivesse enfeitiçado desde a primeira noite, mas não podia meter em sua vida à mulher que Ingrid acreditava culpada da morte de Connor. Devia respeitar a memória de seu irmão. «É só sexo», recordou-se. Ademais, era uma mentirosa e se o tinha que dizer.
Lílian foi ao armário preocupada. Tremiam-lhe as mãos. Estava claro que Tiago não se encontrava de bom humor. Agarrou um vestido turquesa e foi mudar-se.
Tiago esperou como um leão engaiolado a que terminasse e, por fim, foram-se.
- Te agrada as crianças? - lhe perguntou Lílian de repente uma vez já no carro.
Tiago se pôs em alerta. Sorriu satisfeito vendo que suas piores suspeitas se faziam realidade. Depois de alguma poucas semanas, aquela mulher já queria se casar. A satisfação desapareceu quando se deu conta de que lhe tinha a pensar que aquilo era sério.
Não se tinha posto como um basilisco quando a viu abraçada a seu pai? E todas as vezes que a tinha chamado desde o estrangeiro? Por que não tinha podido evitar chamá-la todos os dias? E em alguns dias mais de uma vez! Podia crer perfeitamente que estava apaixonado por ela.
- Me agradam... de longe - contestou com extrema frialdade.
Lílian empalideceu. Deveria ter-se calado, mas não pôde.
- Que tipo de contestação é essa?
- São muito graciosos em foto, mas ruidosos, caprichosos e uma grande responsabilidade. Sou demasiado egoísta para querer semelhante retardo em minha vida.
- Espero que a mulher com a que te cases opine igual - murmurou Lílian calando-se.
- Também não me interessa casar-me - disse Tiago em tom agressivo. - Meu pai não pôde dar com uma boa mulher e se casou quatro vezes, assim, que possibilidades ia ter eu?
- Nenhuma, se vê assim as coisas, claro - contestou Lílian - Suponho que muitas se casariam contigo porque tem muito dinheiro.
- Não me digas - contestou Tiago com ironia.
- Pessoalmente, a mim, todo o dinheiro do mundo não me compensaria se isso supusesse não ter filhos, - apontou Lílian com raiva. . Parece-me suspeito que um homem diga que não lhe agradam as crianças...
- Suspeito? Por que diz isso?
- Claro que, como bem disseste, é um egoísta e um imaturo; porque um homem para valer veria que, ainda que seja um sacrifício, casar-se e ter filhos é o mais importante do mundo.
Tiago se enfureceu tanto, que esteve a ponto de xingá-la em grego. O tinha chamado de imaturo?
Ele não tinha dito que não lhe agradassem as crianças. Que era isso de um homem para valer?
Apertou o volante com força para conter a ira que lhe tinha produzido que Lílian questionasse a essência da vida para um grego.
- Não vê além de teu nariz - disse pisando o acelerador.
- Tennho direito a opinar o que queira - contestou Lizzie sem o menor arrependimento por ter sido tão dura com ele, - mas tenha cuidado com a velocidade.
Tiago diminuiu a velocidade.
- Quando a meu pai lhe começaram a ir mal as coisas nos negócios, minha mãe pediu o divórcio.
Deu-lhe minha custódia a troca de muito dinheiro - lhe disse com raiva. - Ainda que tinha direito a ver-me, nunca o fez. Eu só tinha seis anos.
- Não a viste nunca? - lhe pergunte Lílian , emocionada.
- Não. Morreu uns anos depois. Uma mulher bem maternal, eh? Minha primeira madrasta dormia com o garoto que vinha limpar a piscina. Agradava-lhe os jovenzinhos.
- Oh...
- Meu pai se divorciou. Sua seguinte mulher passou quase todo o casamento em clínicas de desintoxicação, mas acabou morrendo de overdoses. Sua quarta mulher era bem mais jovem e lhe encantava o sexo, mas não com ele. A noite que meu pai presenciou como ela queria dormir comigo, deu-lhe o primeiro enfarte.
- Pobrezinho de teu pai - disse Lílian sentindo-o realmente. - O que está claro é que não tinha muito bom critério escolhendo mulheres.
Tiago nunca tinha visto as coisas por esse ângulo, mas tinha razão. Ao longo de todos aqueles anos, Ingrid, que teria sido uma mãe excelente, tinha aguardado na sombra. Ao princípio tinha albergado esperanças, mas as foi perdendo ao ver que o homem com o que levava, entre umas coisas e outras, toda sua vida não a considerava o suficientemente boa como para fazê-la sua mulher. Por que?
Porque procedia de uma família modesta, tinha tido que trabalhar para ganhar a vida e tinha cometido o terrível erro de compartilhar a cama com seu pai entre mulher e mulher.
Como diabos se tinha posto a falar de algo tão íntimo com Lílian? Que tinha aquela mulher? Tinha lhe contado detalhes tão vergonhosos de sua vida a outra mulher. Enojou-se consigo mesmo.
Lílian olhou para o horizonte, à beira das lágrimas ao pensar no muito que devia de ter sofrido Tiago em sua infância. Agora entendia por que não queria casar-se nem ter filhos. Envergonhou-se de ter-lhe dito o que lhe tinha dito. Tentou seguir falando, mas ele se limitou a contestar com monossílabos e cedo se fez o silêncio até que chegaram a Pomeroy Place, uma jóia de estilo georgiano cujos preciosos arredores a convertiam num lugar perfeito.
A governanta acompanhou a Lílian a um quarto de hospede. Enquanto se mudava, pensou que Tiago parecia um desconhecido que a assustava. Estava claro que o tinha feito recordar coisas desagradáveis, mas não deveria tê-la feito calar assim. Não se dava conta de que ela também tinha sentimentos?
Tiago estava embaixo recebendo aos primeiros convidados e descobriu que o dia podia ficar ainda pior do que estava naquele momento, quando viu chegar Patsy Hewitt, conhecida jornalista de imprensa rosa, de braço com um de seus amigos. Era a última pessoa que queria naquela casa junto a Lílian. Os tablóides a tinham destroçado por não ir ao enterro de Connor. Não queria que sua relação saltasse aos; jornais quando estava a ponto de dá-la por finalizada. Na realidade, não queria que Lílian tivesse que passar pela vergonha de ver-se atacada por aquela mulher.
Por sorte, quando Lílian apareceu e se apresentou a todos sem pitada de entusiasmo comprovou que Patsy não sabia quem era.
- Você trabalha pára o Tiago? – Perguntou para Lílian uma mulher de trinta e tantos anos alguns minutos depois, como se fosse impossível que os unisse outro tipo de relação.
- Sim - contestou ela, aborrecida.
Chegaram outras quatro pessoas e passaram a sala de jantar. Durante o jantar, o orgulho fez que Lílian só olhasse Tiago quando foi estritamente necessário. Mal comeu. Ela estava muito aborrecida.
Acreditava que ia exercer de anfitriã? Não, mas também esperava aquela reação dele. Ele fazia como se ela não existisse.
- Com quem está saindo agora? - lhe perguntou outra amiga de Tiago.
Lílian ficou imóvel e o olhou aos olhos.
- Sigo procurando.
Lílian agarrou o copo de água com mãos trêmulas, levantou-se da mesa, percorreu-a, chegou a Tiago e lhe atirou o conteúdo à cara.
Ele se levantou no instante e passou as mãos pelo cabelo.
- Quando encontre a um homem para valer, te direi! - lhe disse como fúria nos olhos.
Fez-se um silêncio sepulcral e incômodo.
- Bravo, Lílian! - exclamou a colunista rindo. - Nunca tinha ido a um jantar tão divertido.
- Me alegro de que alguém tenha motivos para rir- contestou ela afastando-se para a escada com lágrimas de raiva e fúria nos olhos.
Aquele era o homem que tinha pensado estar apaixonada? O pai de seu filho? Ele fazia como se não existisse? Envergonhava-se dela. Estava claro que lhe dava vergonha dizer que estava com a ex noiva e Connor Morgan. Para que a tinha convidado, então? Como ia dizer-lhe que estava grávida?
Já se arrumaria, mas agora o importante era ir-se dali. Infelizmente já tinha desfeito as malas.
Não entendia nada. Por que tinha mudado Tiago tão rapidamente? Aquele não era o homem que ela conhecia.
De repente, recordou a fria despedida que lhe tinha dispensado aquela manhã na empresa e começou a entender. Desde então, tudo tinha ido de mal a pior. Tinha ido procurar-la de mau humor e, depois da conversa do carro, estava de um humor ainda pior. Queria deixá-la. Como não tinha se dado conta antes?
Pôs a mala sobre a cama e começou a colocou suas coisas recordando como tinham feito amor naquela mesma manhã. Sentia que morria.
Quando ele entrou no quarto, estava recolhendo descuidadamente as coisas que tinha na mesinha.
- O que quer agora? - lhe perguntou sem olhá-lo.
- Será que não me agrada que me atirem água à cara diante de meus amigos? - lhe disse, ainda que aquilo não era o que tinha planejado dizer-lhe. - A eles também não lhes agradou. Não são nem as doze e já se foram todos.
- Se tivesse tido algo maior e pesado a mão, o dano teria muito maior! - exclamou Lílian, furiosa.
- Sabe quem é a mulher que disse isso?
- Nem o sei nem me importa. Como me trataste hoje não tem desculpa! - contestou ela tentando não perder o controle e deixá-lo com dignidade, sem choros nem cenas.
- Patsy Hewitt é a colunista de fofoca do Sunday Globe. Já sabes sobre que ela vai falar amanhã! Não te dei muita atenção hoje a noite a fim de te proteger, não queria te por como alvo dessa língua viperina - contestou Tiago aborrecido.
Apesar daquela explicação, Lílian estava imensamente magoada e acreditava que seu comportamento de Judas daquela noite era imperdoável.
- E a você é um problema sair nos jornais ao meu lado sendo quem é? - lhe disse olhando-o aos olhos. . Importa-me nem um pouco, a verdade - adicionou querendo adianta o que sabia q ia acontecer-Terminamos e me vou para casa. Peça-me um táxi!
- Fica pelo menos para dormir. É uma loucura que te vás tão tarde - contestou Tiago, irritado. Deveria sentir-se aliviado por tirá-la de cima, mas não era assim.
- O último que quero é dormir sob o mesmo teto que você. É um porco e espero que Patsy, ou como se chame, te coloque na primeira página!
- Se me tivesses contado a verdade sobre Connor, isto não teria ocorrido - disse Tiago apertando as mandíbulas. - Mas não paraste de mentir-me!
- Perdoa...? - disse Lílian olhando-o com os olhos como pratos. Que tinha que ver Connor em tudo aquilo?
- A mãe de Connor, Ingrid, é amiga íntima de minha família.
Lílian o olhou com os olhos ainda mais abertos, ficou pálida e sentiu um arrepio pelas costas.
- Não me tinhas dito nada... disseste-me que mal o conhecias...
- O conheci apenas na época que éramos criança - contestou furioso de ante a expressão perplexa dela.-você também disseste que mal o conhecias.
- E não menti - contestou incrédula.- Contei-te a verdade. Só a sabíamos Connor, a mulher com que estava e eu!
- Theos mou... a verdade? - disse Tiago em tom irônico. - A história de que Connor estava com uma mulher casada era boa, mas, no momento no que te negaste a dar-me o nome dela, perdeu toda consistência. - Te permitiste o luxo de manchar a memória de Con-nor!
- Não acreditou em mim - disse Lílian sem poder dar crédito ao que acabava de ouvir. - E nunca me disseste, nunca mencionaste que era amigo de Ingrid Morgan. Por que? Se acreditavas que estava mentindo, por que não me disse?
- Porque já era hora de que alguém te desse uma lição - contestou arrependendo-se ao instante de ter pronunciado aquelas palavras. - - Isso foi antes de dar-me conta de que o que eu estava fazendo a ti era tão reprovável como o que tu fizeste a Connor.
Lílian só ouviu a primeira parte. «Porque já ia sendo hora de que alguém te desse uma lição».
Aquilo a afundou. Tinha saído com ela para castigá-la pelo que pretensamente tinha feito a Connor?
- Que classe de homens você é? - lhe perguntou atônita.
Tiago ficou pálido e sentiu desejos de abraçá-la.
- A noite que te conheci, não sabia quem eras. Descobri-o no dia seguinte, quando vi tua carteira de motorista.
- Não acredito nesse tipo de coincidências... foste procurar-me - contestou ela.
- Se tivesse sabido que eras tu, nunca teria dormido contigo.
Lílian tomou o celular e chamou a um táxi.
- Eu te levo!
Lílian fez como que não o tinha ouvido e tomou ar porque sentiu que se afogava. O homem que tinha se apaixonado estava com ela única e exclusivamente para humilhá-la e fazer-lhe dano. Não podia crer que ele fosse tão cruel. Por que? E tudo por Connor, que já lhe tinha feito passar um inferno.
Foi ao armário e recolheu toda sua roupa. Quanta tinha levado. Claro, quando tinha feito a mala, era uma mulher apaixonada e, como não sabia o que levar exatamente, querendo acertar e pôr o que mais pudesse agradar ao Tiago, tinha levado de tudo. Aquilo a fez rir amargamente.
Sentiu um terrível nó na garganta, mas, ainda que aquele estivesse sendo o pior momento de sua vida, não chorou.
- Não deveria ter dormido contigo nunca - disse Tiago com fúria. - Se pudesse voltar atrás...
- Não baixe o nível dessa maneira - lhe espetou ela. - Não há desculpa para o que me fizeste. É imperdoável que teu propósito só fosse fazer-me sofrer.
- Sim - contestou Tiago. - Está claro que o fim não justifica os meios, mas, quando vi Ingrid tão desesperada, me nublou a mente. Na manhã que vi quem eras, foi horrível e o de hoje não tem nome, mas gosto de você de verdade.
Lílian colocou a roupa na mala e o olhou com ódio.
- Diz isso para que eu me sinta melhor? Te conheci quando minha vida era um desastre. Estava arrasada, suponho que te darias conta disso... mas pra você deu na mesma, estavas decidido a piorá-la. Como podes ser tão canalha?
- Porque me escapuliu das mãos, não te dá conta? - contestou Tiago recolhendo um par de prendas que se lhe tinham caído de Lílian - Agradas-me mais do que acreditava e estou pagando por isso
Lílian pensou no filho que levava dentro de si e sentiu uma apunhalada de dor.
- Connor me enganou sem reparos, deram-lhe igual meus sentimentos. Fiquei sem amigos e perdi o respeito de meu pai. Paguei com juros por toda essa história mas me dá igual... Queria-te... - disse Lílian surpreendendo a si mesma. Fechou a mala e a desceu da cama.
- Não quero que te vás assim...
- Te odeio. Isto não te vou perdoar jamais, por isso deixe de dizer estupidez! Que acreditavas que eu ia dar-te a mão e ia agradecer-te que acabe com minha vida outra vez?
Tiago não pôde contestar.
- Se queres voltar a Londres, eu te levo.
- Isso é o que você pensa - contestou ela agarrando a mala.
Tiago lhe roçou a mão ao tirar-lhe a mala para baixar-se e ela a retirou.
Desceu as escadas a toda velocidade seguida de perto por ele.
- Dá-me minha mala! - lhe gritou enquanto esperava o táxi.
Tiago a deixou a seu lado.
- Lílian... Connor era meu irmão...
Lílian se virou e o olhou alucinada. Pareceu-lhe realmente com Connor. Os mesmos olhos escuros, os mesmos traços quadrados, a mesma altura e compleição. Estava claro que não mentia. Agora começava a entender tudo.
- São iguais... - murmurou com asco vendo com alívio que chegava o táxi. - Dois arrogantes, egoístas e mentirosos que não duvidam em utilizar e abusar das mulheres! Tal para qual!
Tiago ficou imóvel ficou sorvete. O taxista meteu a mala no carro e, num minuto, Lílian tinha ido.
Tiago olhou o sutiã branco e a blusa de seda vermelha que tinha nas mãos e soube que ia embebedar até não saber que dia era.
N/A: Ele teve o q merecia neh!!! Desculpem se teve alguns erros, eu ñ costumo usar beta, pq sempre confiei no meu português, mais são quase 4 horas da manha, to com sono!!!!
Thaty: ola, tudo bem, e ai ta gostando, espero q continue lendo e comentando bjusssss
Ñ preciso nem dizer q necessito de reviews, então vamos lá pessoal é clicar aqui em baixo
beijos
