Capítulo 7 – Adeus

Dois dias depois de ter acordado, Hermione recebe alta do hospital e se sente realmente aliviada por poder voltar para casa. De volta a seu apartamento, ela encontra Bichento à sua espera; em seu quarto, ela senta-se na cama e o gato salta para seu colo, ronronando.

- Também estou feliz em ver você... – ela diz com um sorriso, afagando-o com carinho – É bom ver que está bem... Harry cuidou de você enquanto estive fora, não foi?

À menção do nome de Harry, sua mente viaja aos bons momentos que havia passado com ele no hospital... incrível como mesmo tendo sido em um quarto de hospital, logo depois de ter saído do coma, as declarações de amor e os beijos que haviam trocado tinham sido tão românticos... Mas tudo isso ficou no passado... – ela pensa soltando Bichento e ficando de pé – Foi só um alento, um prelúdio de tudo o que poderia ter sido, mas que nunca seria... Não, porque não é possível – ela começa a caminhar pelo quarto – Ele deve ficar com Gina e assumir o bebê deles porque é a coisa certa a fazer. A coisa certa... Será que eu estou fazendo a coisa certa? Sei que aceitei o pedido de Rony, mas foi mais por medo e ressentimento do que por qualquer outra coisa e isso não está certo. Eu não sinto por ele o que deveria sentir, não o que eu sinto por Harry... Eu o amo e não posso negar. E mesmo que não possamos ficar juntos, sei que não vou deixar de amá-lo nunca... Por isso não é justo com Rony ficar com ele somente por estar; ele nunca vai ter o meu coração de verdade, por inteiro. E Infelizmente, ele precisa saber disso...


Com a decisão de Hermione, a alegria de Rony por ter conseguido reconquistá-la não dura muito.

- Sobre o que você quer conversar? Tem certeza de que é seguro sair assim? – ele a questiona parecendo preocupado quando ela o visita em casa.

- Eu estou perfeitamente bem, Rony, não se preocupe. A razão de eu ter vindo aqui é... não é fácil pra mim ter que lhe dizer isso, ainda mais pela segunda vez... – ela começa a dizer, sentando-se no sofá da sala.

- Do que você está falando? – ele pergunta ficando repentinamente nervoso, sentando-se junto a ela.

- Eu decidi ser honesta e direta com você.

- Você está me assustando...

- Rony... eu não posso...

- Não pode o quê?

- Não posso aceitar nós dois... ficarmos juntos.

- Mas por que não?

- Porque não é justo com você, nem comigo mesma. Eu lamento, Rony, lamento muito, mas eu não sinto... não é amor – Hermione conclui com pesar.

- Mas Hermione... – Rony segura a mão dela, como se assim pudesse evitar perdê-la mais uma vez – Você não está dizendo a verdade, não está pensando direito...

- Estou sim, Rony – ela responde soltando a mão dele, e embora faça isso gentilmente, o faz de forma firme – Não quero magoar você, mas como já disse antes, existe outra pessoa no meu coração.

- É o Harry, não é? – ele pergunta depois de um tempo em silêncio.

- Sim, é ele – Hermione responde após um profundo suspiro.

Tendo confirmado suas piores suspeitas, Rony não tenta mais persuadir Hermione; sequer argumenta sobre o fato de Gina estar esperando um filho de Harry, pois pela expressão decidida em seu rosto, Hermione parece ter total consciência de todos os fatos e compreende bem os próprios sentimentos. Pelo jeito, nada a fará mudar de idéia agora.

- Então... acabou mesmo? – ele pergunta com resignação.

- Acabou, Rony. Eu sinto muito por não poder corresponder...

- Você é correspondida?

- O quê?

- Ele sente o mesmo por você?

A pergunta de Rony a deixa sem resposta. Tinha acreditado veementemente que Harry a amava tanto quanto ela o amava, mas agora... chegava a duvidar disso.

- Isso não muda a minha decisão, Rony. Independente do que ele sente, está o que eu sinto – ela responde de forma conclusiva.

- Está bem. Isso parece muito confuso pra mim, não quero me meter. De qualquer jeito, eu desejo tudo de bom pra você, Hermione – Rony diz com seriedade, pondo-se de pé.

- Eu sei, Rony. Obrigada, eu desejo o mesmo pra você – Hermione também se levanta e o abraça; ele a abraça de volta, mas a solta rapidamente – Quero te pedir uma coisa... não fique magoado com o Harry, por favor... eu detestaria que isso acontecesse...

- Não se preocupe, tudo vai ficar bem... qualquer hora. Afinal, são coisas que acontecem, não é? Não há como evitar.

- É verdade, não há como evitar...


Ao entardecer, Harry está em casa, sentindo-se deprimido por não ter podido falar com Hermione desde que ela havia deixado o hospital; ela tinha se recusado a vê-lo por estar magoada com ele por causa de Gina; ele tinha achado melhor lhe dar espaço para não contrariá-la e evitar maiores desentendimentos, mas isso estava sendo difícil. Tudo o que eu quero é poder explicar, poder fazer Hermione entender que eu a amo, independente de qualquer coisa, de qualquer situação, eu a amo e é ela quem eu quero comigo...

Nesse momento, alguém chega à sua porta e ao abrir, Harry vê Gina, muito animada, carregando uma cesta.

- Oi, querido – ela o cumprimenta, fazendo menção de beijar seus lábios, mas ele se vira discretamente e o beijo toca-lhe o rosto – Já que você não foi me ver hoje, eu trouxe o seu jantar – ela completa, ignorando o gesto dele.

- Jantar? Mas ainda é tão cedo...

- É sim, mas não precisamos comer agora, nós podemos só... ficar juntos, como antes... – Gina sugere deixando a cesta sobre a mesa e sentando-se no sofá, dando a entender a Harry que quer que ele sente-se junto a ela.

- Gina, eu não acho que isso seja uma boa idéia...

- Por que não?

A explicação de Harry é adiada porque nesse instante uma coruja parda entra voando pela janela e deixa cair no chão, bem perto dele, um pequeno pedaço de pergaminho, um bilhete, ao que lhe parece; ele o apanha e lê com interesse.

- De quem é? – Gina pergunta logo que a coruja se vai.

- Eu preciso sair agora – Harry responde apenas e abre a porta na mesma hora, deixando Gina bastante intrigada.

Ele caminha a passos rápidos, sentindo-se ansioso demais para aparatar, o bilhete apertado em sua mão.

"Querido Harry,

Sei que não temos nos visto nos últimos dias e que tem sido difícil, mas preciso muito falar com você, a sós. Encontre-me no parque que fica próximo ao seu apartamento. É importante. Por favor, venha. Sinto sua falta,

Hermione"

Harry chega ao parque e rapidamente localiza Hermione, já à sua espera, sentada em um dos banquinhos. Sentindo seu coração acelerar, ele caminha até ela.

- Eu vim assim que recebi o seu bilhete...

- Obrigada por ter vindo. Você não quer sentar?

- Como você está? Está se sentindo bem? – ele pergunta sentando-se ao lado dela no banco.

- Fisicamente estou bem, mas... – ela deixa a frase no ar e Harry aguarda em silêncio que ela continue – Eu pedi pra nos encontrarmos hoje porque eu quero... me despedir de você.

- Se despedir? – Harry repete alarmado.

- Sim, eu... vou tirar uma licença do trabalho, vou viajar, sair do país pra... esfriar a cabeça e poder retomar minha vida quando voltar...

- Você não pode estar falando sério...

- Mas estou, Harry – Hermione afirma com determinação – É o melhor a fazer. É o melhor pra mim, pra você, é o melhor para todos...

- Como pode ser o melhor pra mim ver você ir embora? – Harry a encara com incredulidade – Como você pode me deixar assim?

- Deixar você? Harry... foi você quem me deixou! – Hermione responde irritada.

- Eu não...

- Apesar de tudo o que me disse... de tudo o que fez por mim, você ainda tinha... ainda tem um motivo pra ficar com Gina e não comigo.

- Mas eu não quero ficar com ela, quero você! – Harry surpreende a si mesmo ao dizer isso; é a primeira vez que faz essa confissão em voz alta – Eu amo você, Hermione...

- Eu também te amo, Harry. Mas infelizmente, o nosso plano se desfez...

O silêncio volta a prevalecer durante vários incômodos minutos, em que Harry tenta atrair o olhar de Hermione, mas ela parece fugir dele.

- Eu não queria que fosse assim... – ela volta a falar por fim – Eu tinha imaginado tudo diferente pra nós, sabe? Mas então... as minhas esperanças simplesmente, se foram...

- Herms... você não pode ir embora – Harry agora sai de onde está e abaixa-se, ficando junto aos pés de Hermione – Por favor, fique...

- Harry, você precisa entender... – ela continua a dizer lentamente enquanto ele segura suas mãos com firmeza – Precisamos fazer a coisa certa...

- Mas e quanto a nós? – ele questiona soltando as mãos dela e ficando de pé de repente – E quanto à nossa vida juntos, Herms?

- E quanto a mim, Harry? Você acha que eu vou conseguir ficar vendo você com a Gina, depois de tudo? – ela também fica de pé e o encara nervosa.

- O que eu posso fazer? Me diga!

Ela não responde e ele baixa o tom de voz.

- Você sabe que eu nunca quis te machucar...

- Eu sei...

Ele se afasta e caminha alguns passos; ela o segue e segura sua mão.

- Você vai ficar bem... nós vamos ficar bem, você vai ver...

Ele se volta para ela e a abraça, conformando-se de que não vai conseguir dissuadi-la de sua decisão.

- Eu vou sentir muito a sua falta... na verdade, acho que já estou sentindo desde agora... – Harry confessa quando Hermione se deixa envolver em seus braços e também o abraça forte.

Os dois permanecem um longo momento assim, abraçados, sem perceber que estão sendo observados.


- Também vou sentir sua falta... – Hermione diz em voz baixa quando Harry desfaz o abraço. Ele acaricia seu rosto e ela sorri, ainda que seu olhar conserve a tristeza de estar se despedindo.

- Eu amo você – ele não consegue mais de conter e a beija, unindo-os em um momento de amor, talvez pela última vez. Ela o abraça novamente, entregando-se ao beijo suave, carinhoso e demorado, sentindo todo o desejo contido nesse gesto, memorizando o sabor e a textura dos lábios de Harry, sabendo que guardará essa sensação para sempre. Então, muito lentamente, do mesmo modo que ele havia começado, ela termina o beijo, temendo que se continuar por mais um segundo que seja, não conseguirá manter sua decisão.

- Harry... sabe aquele momento entre o sono e o despertar, em que ainda se lembra do sonho? – ele escuta as palavras dela com um aperto no coração ao senti-la soltar suas mãos e se afastar – É lá que sempre vou amar você...

Harry a vê desaparatar, enquanto a sensação de ter cometido um grande erro se apossa dele por completo.

Continua...