Sasuke era muito mais rápido em lidar com um corpo do que eu tinha sido. Ele tinha Hidan embrulhado em um plástico e escondido dentro do porta-malas em alguns minutos, assobiando para si mesmo o tempo todo. Enquanto isso, eu sentei com as minhas costas contra o carro aplicando pressão no meu pulso. Ele agachou-se perto de mim depois de fechar a mala com um estrondo.

― Deixa eu ver, ― ele disse, estendendo a mão para mim.

― Está tudo bem. ― Tensão e dor fez minha voz ficar aguda.

Sasuke ignorou isso e tirou os meus dedos de cima da ferida, desfazendo o meu curativo improvisado.

― Mordida feia, arrancou a carne em torno da veia. Você vai precisar de sangue para isso.

Ele puxou um canivete do bolso e começou a pressionar a ponta contra a palma da sua mão.

― Não. Eu disse que está tudo bem.

Ele só me deu um olhar irritado e traçou a lâmina ao longo da palma. O sangue jorrou de uma só vez e ele pressionou contra o meu resistente antebraço.

― Não seja irracional. Quanto ele tomou?

Meu pulso realmente vibrou assim que o seu sangue misturou com o meu. A magia da cura, em tempo real. De alguma forma isso parecia quase tão íntimo como quando eu tinha que lamber o sangue dos seus dedos.

― Cerca de quatro bons goles, eu acho. Esfaqueei-o no pescoço o mais rápido que pude para conseguir distraí-lo. Onde você estava, afinal? Eu não vi nenhum carro atrás de nós.

― Essa era a ideia. Eu dirigi a minha moto, mas mantive longe o suficiente para que Hidan não soubesse que estava sendo seguido. A moto está a mais ou menos um quilômetro daqui à estrada. ― Sasuke acenou em direção às árvores mais próximas. ― Eu corri essa última parte através do bosque assim haveria menos barulho.

Nossas cabeças estavam a apenas alguns centímetros distante e os seus joelhos estavam pressionados contra os meus.

Me sentindo desconfortável, eu tentei me afastar, mas a porta do carro me deixou sem nenhum lugar para ir. ― Acho que o carro está arruinado. A porta traseira está em pedaços.

De fato, estava. Hidan a havia massacrado inacreditavelmente. Uma bola de demolição teria feito danos semelhantes.

― Por que ele foi para o seu pulso, se vocês dois estavam no banco de trás? Não conseguiu chegar no seu pescoço?

― Não. ― Interiormente, eu xinguei com a memória. ― Ele começou a ficar animado no banco da frente e tentou passar a mão em mim, graças a você e a ideia de sem calcinhas. Eu não ia deixar isso acontecer, então eu pulei para o banco de trás e coloquei meus braços ao redor dele por trás para que ele não suspeitasse de nada. Fui estúpida, eu sei agora, mas eu nem mesmo pensei nos meus pulsos. Todos os outros vampiros tinham ido sempre para o meu pescoço.

― Sim, inclusive eu, certo? O carro saiu da estrada tão rápido, eu pensei que vocês dois já estavam se espalhando aqui dentro. O que o fez estacionar tão de repente, então?

― Eu disse a ele para vir e me pegar. ― Minha voz era petulante, mas as palavras machucavam. Ele veio e me pegou, tudo bem. Uma pergunta, de repente, saltou à mente. ― Ele está bem lá no porta-malas?

Sasuke riu. ― Você quer fazer companhia a ele?

Um perverso olhar acompanhou a minha réplica. ― Não, mas ele realmente se foi? Eu sempre corto as suas cabeças para ter certeza.

― Criticando meu trabalho? Sim, ele realmente se foi. Agora precisamos sair daqui antes que algum motorista curioso apareça e pergunte se precisamos de ajuda. ― Liberando meu pulso, ele examinou a ferida. A carne já estava se fechando, como se por pontos invisíveis. Sua mão já nem sequer tinha uma marca. ― Isso vai te manter. Temos que mover este veículo.

Me levantei e olhei novamente para o carro destruído. Não só a porta estava pendurada por um pedaço de metal, mas havia uma boa quantidade de sangue do meu pulso e do pescoço de Hidan.

― Como eu deveria conseguir dirigir esse troço? Qualquer tira que ver este carro vai me parar!

Ele sorriu aquele sorriso arrogante dele. ― Não se preocupe. Tenho tudo planejado. ― De dentro do seu casaco, ele tirou um celular. ― Sou eu, nós terminamos. Parece que eu vou precisar de uma carona afinal, parceiro. Você vai gostar do passeio, é um Benz. Precisa de um pequeno trabalho na porta, no entanto. Estamos na Planter's Road*, ao sul do clube. Se apresse, ok? ― Sem dizer adeus, ele desligou e voltou sua atenção para mim.

― Fique firme, Kitten. Nossa carona estará aqui em um minuto. Não se preocupe, ele está por perto. Eu disse a ele que talvez poderia ter um uso para ele essa noite. Claro, ele estava, provavelmente, imaginando que seria um pouco mais tarde da noite. ― Ele parou, dando-me um olhar sábio. ― Você saiu com ele bem rápido, não é? Ele deve ter ficado muito satisfeito com você.

― Sim, muito feliz. Me encheu de elogios. Sério, Sasuke, mesmo se você rebocar este carro ainda há muito sangue nele. E você não me ouviu quando disse para trazer materiais de limpeza. Essa coisa poderia ter sido, pelo menos, varrida.

Ele se aproximou para puxar o meu braço para uma outra inspeção. Havia apenas uma minúscula linha vermelha na pele curada agora, mas depois de satisfazer-se com o estado do meu pulso, ele ainda não me deixou ir. Evitar o seu olhar não me impediu de sentir o seu peso.

― Confie em mim, amor. Eu sei que você não confia, mas deveria. Você fez um excelente trabalho esta noite, a propósito. Essa estaca nas costas dele estava praticamente encostando no seu coração. Isto o retardou, como a do pescoço também. Você teria conseguido mesmo se eu não estivesse aqui. Você é forte, Kitten. Fique contente por isso.

― Contente? Essa não é bem a palavra que eu usaria. Aliviada? Você poderia dizer isso. Aliviada por estar viva e por haver menos um assassino rondando meninas ingênuas. Mas contente? Contente eu estaria se eu nunca tivesse essa linhagem. Contente eu estaria se eu tivesse dois pais normais e um grupo de amigos, e a única coisa que eu já tivesse matado fosse o tempo. Ou se ao menos uma vez eu tivesse ido a um clube apenas para dançar e me divertir ao invés de acabar estaqueando alguma coisa que tentou me matar. Isso é contente. Isto é apenas... existindo. Até a próxima vez.

Eu puxei a minha mão e me afastei alguns metros para colocar alguma distância entre nós. Uma onda de melancolia percorria através de mim com as coisas que eu tinha acabado de me referir que nunca seriam minhas. Às vezes era assustador me sentir velha aos vinte e dois.

― Arre! ― A única palavra quebrou o silêncio.

― Desculpe? ― Como gostar de um vampiro que não tem nenhuma simpatia?

― Arre, eu disse. Você joga do lado em que você é tratada como qualquer outra pessoa neste maldito mundo. Você tem dons pelos quais as pessoas matariam, não importa quanto você despreze eles. Você tem uma mãe que te ama e uma boa casa para morar. Vizinhos idiotas caipiras que olham por cima dos seus ignorantes narizes para você pela sua falta de um pai. Este mundo é um grande lugar e você tem um papel importante a desempenhar. Acha que todo mundo sai por aí assobiando sobre a vida que levam? Acha que a todo mundo é dado o poder de escolher a direção que o destino irá tomar? Desculpe, amor, isso não funciona assim. Você mantém os que você ama perto e trava as batalhas que você pode ganhar, e isso, Kitten, é como é.

― O que você saberia sobre isso? ― Amargura me fez valente, e arremessou as palavras para fora da minha boca.

Surpreendentemente, ele jogou a cabeça para trás e riu antes de agarrar os meus ombros, aproximando-se, até a sua boca quase tocar a minha.

― Você… não tem… a... menor… noção do que eu passei, por isso… não… me… diga... o que eu sei.

Houve uma ameaça velada na forma como ele falou deliberadamente cada sílaba. Meu coração começou a bater, e eu sabia que ele podia ouvi-lo. Ele afrouxou seu aperto até os seus dedos não estarem cravados na minha pele, mas as suas mãos permaneceram. Deus, ele estava perto... tão perto.

Inconscientemente, eu lambi os meus lábios, e um choque atravessou-me quando eu vi os seus olhos seguindo o movimento. O ar crepitava suavemente entre nós, ou por causa da sua energia natural vampírica... ou algo mais.

Lentamente sua língua serpenteou para fora e acariciou seu lábio inferior. Foi fascinante assistir.

Uma buzina estridente quase me fez saltar para fora da minha pele. Meu coração estava preso na minha garganta quando um Eighteen-wheeler* diminuiu a velocidade e estacionou logo à nossa frente. O barulho dos eixos liberando o ar e freios sendo apertados parecia de repente ensurdecedor na silenciosa noite.

― Sasuke...! ― Assustada com a descoberta, eu estava prestes a dizer mais, quando ele caminhou até o veículo e gritou uma saudação.

― Sasori, seu bastardo estragador de momento, bom você chegar tão depressa!

Pode ter sido eu, mas eu pensei ter detectado uma nota de insinceridade na sua voz. Eu? Eu queria jogar meus braços ao redor deste Sasori e agradecer-lhe por interromper o que poderia ter sido um momento muito perigoso.

Um homem magro e alto desceu do reboque e deu uma resposta sorrindo. ― Eu estou perdendo meus shows por sua causa, amigo. Espero que não tenha interrompido nada entre você e a moça. Vocês dois pareciam terrivelmente aconchegados.

― Não! ― Escapou de mim com toda a negação de uma alma condenada. ― Nada aconteceu aqui!

Sasori riu e caminhou para o lado danificado do carro, colocando sua cabeça dentro e franzindo o nariz com a visão do sangue.

― Claro... Eu posso ver isso.

Sasuke arqueou as sobrancelhas para mim em um silencioso desafio, me fazendo desviar o olhar. Então ele bateu seu amigo nos ombros.

― Sasori, meu velho amigo, o carro é seu. Só preciso tirar um troço do porta-malas e então nós estaremos ótimos. Nos leve para casa, nós estaremos terminados até lá.

― Claro, camarada. Você vai gostar de ir lá atrás. Tem ar-condicionado. Algumas caixas para sentar, ou você poderia ir de carona no carro. Vamos, agora. Vamos colocar esse bebê na cama.

Sasori abriu a traseira do reboque. Ela era equipada com ganchos de estabilização para prender um carro. Eu balancei a cabeça em admiração. Sasuke realmente tinha pensado em tudo.

Quando Sasori abaixou a rampa de aço na parte de trás, Sasuke entrou no Mercedes e dirigiu-a diretamente para os ganchos. Depois que alguns ajustes foram feitos, o carro estava seguro. Então Sasuke saiu para pegar sua moto, retornando em poucos minutos para colocá-la no reboque ao lado do carro. Quando ele terminou, sorriu para mim.

― Vamos lá, Kitten. O seu táxi está esperando.

― Nós vamos atrás? ― Francamente, o pensamento de estar sozinha em um espaço confinado com ele me assustou, e não pela preocupação com as minhas artérias.

― Sim, aqui. O Sasori não quer correr o risco de ser visto comigo. Valoriza sua saúde, isso ele valoriza. Mantém a nossa amizade em segredo. Sujeito esperto.

― Esperto, ― eu murmurei enquanto subia para o interior do reboque. Sasori fechou a porta com um estalido decisivo e som de uma fechadura girando. ― Eu invejo isso.

Recusei-me a sentar no carro onde o meu sangue manchava os bancos e um corpo jazia no porta-malas. Em vez disso, eu estava tão longe de Sasuke quanto o minúsculo interior do reboque do caminhão permitia. Havia engradados na frente, cheios com Deus sabe o quê, e eu me enrolei em uma bola em uma delas. Sasuke se empoleirou satisfeito em uma caixa semelhante, como se não tivesse uma preocupação no mundo.

― Eu sei que isso não é uma preocupação para você, mas há oxigênio suficiente aqui dentro?

― Tem muito ar. Pelo menos enquanto não houver nenhuma respiração pesada. ― Sua sobrancelha se arqueou quando ele falou, enquanto seus olhos me diziam alto e claro que ele não tinha esquecido um instante do nosso momento mais cedo.

― Bem, então eu estou segura. Absolutamente segura. ― Amaldiçoei-lhe pelo sorriso de conhecimento que ele me deu em resposta. O que eu teria feito se ele tivesse se aproximado mais antes? Se ele tivesse acabado com aquele último centímetro entre as nossas bocas? Eu o teria esbofeteado? Ou...

― Merda. ― Oops, disse em voz alta.

― Algo errado?

Aquele meio sorriso ainda curvado em seus lábios, mas sua expressão era séria. Meu coração começou a bater mais rápido novamente. O ar parecia se fechar em torno de nós, e desesperadamente eu procurei algo para quebrar a tensão.

― Então, quem é este Orochimaru sobre o qual você estava perguntando?

Sua expressão tornou-se cautelosa. ― Alguém perigoso.

― Sim, eu conclui isso. Hidan parecia ter muito medo dele, então eu não achei que ele fosse um escoteiro. Eu imagino que ele seja o nosso próximo alvo?

Sasuke parou antes de responder, parecendo escolher suas palavras.

― Ele é alguém que eu tenho estado rastreando, sim, mas eu vou atrás dele sozinho.

Minha coragem subiu de uma vez. ― Por quê? Você não acha que eu posso lidar com isso? Ou você ainda não confia em mim para manter esse segredo? Eu pensei que já tínhamos passado por isso!

― Acho que há certas coisas que seria melhor se você ficasse de fora ― respondeu ele, evasivo.

Eu troquei de tática. Pelo menos esse assunto cortou o clima estranho de mais cedo. ― Você disse algo sobre Hidan ser o melhor cliente de Orochimaru. O que você quis dizer com isso? O que Orochimaru fez para quem quer que seja que te contratou? Você sabe, ou você simplesmente pegou o contrato sobre ele sem perguntar?

Sasuke deixou escapar um ruído baixo. ― Perguntas como essa são o porque de eu não te dizer mais sobre isso. Basta dizer que há uma razão para Konoha ter sido um lugar tão perigoso para as meninas ultimamente. É por isso que eu não quero você correndo atrás de vampiros sem mim. Orochimaru é mais do que apenas um idiota que sangra alguém quando ele pode fugir disso. Além disso, não pergunte.

― Você pode pelo menos me dizer quanto tempo você esteve atrás dele? Isso não pode ser o top secret.

Ele pegou o meu tom arrogante e franziu a testa. Eu não me importei. Melhor estar discutindo um com o outro do que, bem, qualquer outra coisa.

― Cerca de onze anos.

Eu quase caí da caixa. ― Bom Deus! Ele deve ter um prêmio verdadeiramente extravagante pela sua cabeça! Vamos lá, o que ele fez? Ele chateou alguém rico, obviamente.

Sasuke me deu um olhar que eu não consegui decifrar. ― Nem tudo é sobre dinheiro.

Pelo seu tom, eu não iria conseguir nada mais dele. Tudo bem. Se ele queria jogar desse jeito, tudo bem. Eu apenas tentaria mais tarde.

― Como você se tornou um vampiro? ― Eu perguntei depois, surpreendendo até a mim mesma com a pergunta.

Uma sobrancelha se arqueou.

― Quer uma entrevista com o vampiro, amor? Ela não acaba bem para o repórter no filme.

Então eu murmurei, ― Eu nunca vi o filme. Minha mãe achava que era violento demais, ― a comicidade disso me fez rir. Sasuke sorriu também, e lançou um olhar significativo em direção ao carro.

― Eu posso ver isso. Ainda bem que você não viu, então. Deus sabe o que poderia ter acontecido.

Com a risada diminuindo ocorreu-me que eu realmente queria saber, então eu olhei para ele incisivamente até que ele soltou um ruído concordando.

― Tudo bem, eu vou te dizer, mas então você vai ter que responder a uma das minhas perguntas. Tem uma hora para gravar de qualquer maneira.

― Isto é quid pro quo*, Dr. Lecter?" Eu zombei. ― Tudo bem, mas eu dificilmente vejo o ponto. Você já sabe tudo sobre mim.

Um olhar de puro calor foi lançado na minha direção e sua voz diminuiu para um sussurro. ― Não tudo.

Whoa. A volta do constrangimento veio em um flash. Limpando a garganta subitamente seca, eu me remexi até quase não fazer mais barulho.

― Quando isso aconteceu? Quando você foi mudado? ― Por favor, só fale. Por favor, pare de me olhar desse jeito.

― Vamos ver, era 1790 e eu estava na Austrália. Eu fiz um favor a esse sujeito e ele pensou que estava me pagando fazendo de mim um vampiro.

― O quê? ― Eu estava chocada. ― Você é australiano? Eu pensei que você era Inglês!

Ele sorriu, mas com pouca diversão.

― Eu sou um pouco dos dois, por assim dizer. Eu nasci na Inglaterra. Foi onde eu passei a minha juventude, mas foi na Austrália que fui mudado. Isso me faz parte dela também.

Agora eu estava fascinada, a minha consternação de mais cedo esquecida. ― Você tem que entrar em mais detalhes do que isso.

Ele recostou-se contra a lateral do reboque, pernas casualmente deslocadas na frente dele. ― Eu tinha vinte e quatro. Aconteceu apenas um mês depois do meu aniversário.

― Meu Deus, temos quase a mesma idade! ― Assim que elas saíram, eu percebi o absurdo das palavras.

Ele bufou. ― Claro. Duzentos e dezessete anos a mais ou a menos.

― Er, você sabe o que eu quero dizer. Você parece mais velho do que vinte e quatro.

― Obrigado mesmo assim. ― Ele riu do meu óbvio pesar, mas me tirou da minha própria miséria. ― Os tempos eram diferentes. As pessoas amadureciam muito mais rapidamente. Seu maldito pessoal não sabem o quão bom é terem isso.

― Me conte mais. ― Ele hesitou, e eu deixei escapar, ― Por favor.

Sasuke inclinou-se para frente, todo sério agora. ― Não é bonito, Kitten. Não é romântico como nos filmes ou livros. Você se lembra quando você me disse que caçou aqueles rapazes quando era jovem, porque chamaram a sua mãe de puta? Bem, minha mãe era uma prostituta. Seu nome era Mikoto e ela tinha quinze anos quando ela me teve. Foi uma sorte que ela e a Madame do lugar eram amigas, ou eu nunca teria sido autorizado a viver lá. Só garotas eram mantidas no bordel, por razões óbvias. Quando eu era pequeno, eu não sabia que havia algo estranho com o lugar onde eu morava. Todas as mulheres gostavam de mim, e eu gostava de fazer as tarefas da casa e tal, até que eu fiquei mais velho. A Madame, seu nome era Aya, depois perguntou se eu queria ou não seguir os negócios da família. Muitos dos clientes do sexo masculino que eram propensos tinham me notado, pois eu era um rapaz bonito. Mas, no momento em que a madame se aproximou de mim com a oferta, eu conhecia o suficiente para saber que eu não gostaria de exercer essas atividades. Mendicância era uma ocupação comum em Londres então. Roubar era também, então para ganhar o meu sustento, eu comecei a roubar. Então, quando eu tinha dezessete anos, minha mãe morreu de sífilis. Ela tinha trinta e três.

Meu rosto empalideceu consideravelmente enquanto eu o ouvia falar, mas eu queria ouvir o resto. ― Continue.

— Aya me informou duas semanas depois que eu tinha que partir. Não estava trazendo dinheiro suficiente para justificar o espaço. Não é que ela fosse cruel, ela era simplesmente um ser prático. Outra menina poderia tomar o meu quarto e trazer três vezes mais dinheiro. Novamente ela me ofereceu uma escolha — sair e enfrentar as ruas, ou ficar a serviço dos clientes. No entanto, ela acrescentou uma gentileza. Havia algumas mulheres nobres que ela conhecia a quem ela me descreveu, e elas estavam interessadas. Eu poderia escolher me vender mais para mulheres do que para homens. E foi isso o que eu fiz. As meninas na casa me treinaram primeiro, naturalmente, e descobriu-se que eu tinha um dom para o trabalho. Aya me manteve em alta demanda e logo eu tinha um pequeno número de boas freguesas entre os sangues azuis. Uma delas acabou salvando a minha vida. Eu ainda estava furtando bolsas, você vê. Num dia de azar, eu peguei a bolsa de uma pessoa respeitável bem na frente de um policial. A próxima coisa que eu sabia era que eu estava na cadeia e diante de um dos piores juízes de enforcamento de Londres. Uma de minhas clientes ouviu falar da minha situação e teve pena de mim. Ela convenceu o juiz através de meios carnais a me mandar para as novas colônias penais. Seria apenas um negócio. Três semanas depois, eles me mandaram e sessenta e dois outros sujeitos azarados para Gales do Sul.

Seus olhos estavam turvos, e ele passou a mão pelo seu cabelo pensativamente.

― Eu não vou te falar sobre a viagem, exceto para dizer que foi além de qualquer miséria que um homem deveria ter que suportar. Uma vez que nós estávamos na colônia, eles nos fizeram trabalhar literalmente até a morte. Havia três homens dos quais eu me tornei companheiro— Suigetsu, Naruto, e Neji. Depois de alguns meses, Neji conseguiu escapar. Então, quase um ano depois, ele voltou.

― Por que ele iria voltar? ― Eu quis saber. ― Ele não teria sido punido por fugir?

Sasuke resmungou. ― De fato, ele teria sido, mas Neji não tinha medo de mais nada. Estávamos nos campos de abate de gado para conseguir carne e couro quando fomos atacados pelos nativos. Eles mataram os guardas e o resto dos prisioneiros, exceto Suigetsu, Naruto e eu. Isso foi quando Neji apareceu entre eles, mas ele estava diferente. Você pode adivinhar como. Ele era um vampiro, e ele me mudou naquela noite. Naruto e Suigetsu foram mudados também por outros dois vampiros. Embora nós três estávamos mudados, apenas um de nós pediu por isso. Suigetsui queria o que Neji ofereceu. Naruto e eu não. Neij nos transformou de qualquer maneira porque pensou que iríamos agradecer-lhe mais tarde. Nós ficamos com os nativos por alguns anos e prometemos voltar para a Inglaterra. Demorou quase vinte anos para finalmente chegar lá.

Ele parou e fechou seus olhos. Em algum momento da sua história eu desenrolei-me da minha bola e fiquei olhando para ele com espanto. Ele estava absolutamente certo, não foi uma história bonita, e eu não tinha nenhuma ideia do que ele tinha passado.

― Sua vez. ― Seus olhos se abriram e olharam direto nos meus. ― Diga-me o que aconteceu com aquele idiota que te machucou.

― Deus, Sasuke, eu não quero falar sobre isso. ― Curvei-me defensivamente com a memória. ― É humilhante.

Seu sombrio olhar não vacilou. ― Eu acabei de te dizer que eu costumava ser um ladrão, um mendigo e um prostituto. É realmente justo você reclamar sobre a minha pergunta?

Colocado assim, ele tinha um ponto. Com um dar de ombros para esconder a minha contínua dor, eu resumi ela rapidamente.

― É uma história comum. Garoto encontra garota, a garota é ingênua e estúpida, o garoto usa a garota e então cai na estrada.

Ele apenas arqueou uma sobrancelha e esperou.

Eu joguei minhas mãos para o alto. ― Ótimo! Você quer detalhes? Eu pensei que ele realmente se importava comigo. Ele me disse que se importava, e eu caí completamente nas suas mentiras. Saímos duas vezes e então, na terceira vez, ele me disse que tinha que parar no seu apartamento para pegar alguma coisa antes que nós fossemos para o clube. Quando chegamos lá, ele começou a me beijar, me dizendo toda aquela merda do quão especial eu era para ele... ― Meus dedos estavam cerrados. ― Eu lhe disse que era cedo demais. Que devíamos esperar para nos conhecer, que era minha primeira vez. Ele discordou. Eu-Eu deveria ter batido nele, ou jogado ele para longe de mim. Eu poderia ter feito, eu era mais forte do que ele. Mas... ― Eu baixei meus olhos. ― Eu queria fazê-lo feliz. Eu realmente gostava dele. Então, quando ele não parou, eu apenas fiquei parada e tentei não me mexer. Não doeria tanto se eu não me mexesse...

Deus, eu ia chorar. Eu pisquei rapidamente e dei uma respirada irregular, afastando a lembrança. ― É isso. Uma vez miserável e então ele não me ligou mais. Eu estava preocupada no início - Eu pensei que algo ruim poderia ter acontecido com ele. ― Ri amargamente. ― No fim de semana seguinte, eu o encontrei saindo com outra garota no mesmo clube onde nós deveríamos ir. Ele me disse então que ele realmente nunca gostou de mim e que era para eu correr porque tinha passado da minha hora de dormir. Naquela mesma noite, eu matei meu primeiro vampiro. De certa forma eu devo isso a ter sido usada. Eu estava tão chateada que eu queria morrer ou assassinar alguém. Pelo menos ter alguma criatura tentando rasgar a minha garganta me garantiria um ou outro.

Sasuke não fez nenhum dos seus habituais gracejos zombeteiros. Quando me atrevi a encontrar seus olhos novamente, ele estava simplesmente me olhando, nenhum desprezo ou julgamento em seu rosto. O silêncio prolongou, segundos em minutos. Ele foi preenchido com algo inexplicável enquanto nos mantínhamos olhando um nos olhos do outro.

O repentino solavanco do reboque quebrou o transe quando o veículo rangeu para parar. Com uma ligeira estremecida, Sasuke pulou do seu assento e foi em direção a parte traseira do carro.

― Estamos quase em casa, e ainda há trabalho a ser feito. Mantenha aberto aquele saco para mim, Kitten.

Seu normal tom animado estava de volta. Perplexa com o momento anterior, eu me juntei a ele na traseira do reboque.

Sasuke desembrulhou Hidan da sua capa de plástico tão alegremente quanto uma criança rasgaria um papel de presente no Natal. Eu estava segurando um saco de lixo de cozinha e imaginando o que ele pretendia fazer.

Não demorou muito tempo para descobrir. Com as mãos, ele torceu a cabeça de Hidan tão habilmente como se fosse a tampa de uma garrafa de refrigerante. Houve um ruído repugnante, e então, o definhado crânio foi despejado sem cerimônia no saco.

― Eca. ― Eu empurrei o saco de volta para suas mãos. ― Você leva isso.

― Enjoada? Esse pedaço de crânio apodrecendo vale cinquenta mil dólares. Tem certeza que você não quer cuidar dele um pouco? ― Ele sorriu seu familiar sorriso zombeteiro, o velho Sasuke novamente.

― Não, obrigada. ― Algumas coisas o dinheiro simplesmente não podia comprar, e eu gastar mais tempo com aquela cabeça era uma dessas coisas.

A parte traseira do reboque foi aberta com um rangido e Sasori apareceu na luz artificial.

― Chegamos, camarada. Espero que vocês tenham tido um bom passeio. ― Seus olhos brilharam assim que ele olhou para nós dois.

Instantaneamente eu estava na defensiva. ― Nós estávamos conversando.

Sasori sorriu, e eu vi Sasuke esconder um sorriso assim que ele se virou para o seu amigo.

― Vamos lá, parceiro. Fomos transportados, por o que... cinquenta minutos? Não é nem de longe tempo o suficiente.― Ambos riram. Eu não, não vendo nada divertido nisso tudo.

― Terminaram?

Calmamente, Sasuke balançou sua cabeça. ― Fique aqui por um minuto. Eu tenho que cuidar de uma coisa.

― O quê? ― Curiosidade matou o gato; Eu esperava por melhores resultados.

― Negócios. Tenho uma cabeça para entregar, e eu quero que você fique fora disso. Quanto menos as pessoas souberem sobre você, melhor.

Fazia sentido. Sentei-me na borda do reboque com meus pés pendurados e, em seguida, tirei o pano para inspecionar meu pulso novamente. A ferida estava completamente curada, a pele ao redor fechada e sem cicatrizes. Havia uma diferença tão grande entre vampiros e humanos, até meias-raças como eu. Nós não éramos nem mesmo a mesma espécie. Então por que eu disse coisas a Sasuke que eu nunca disse a ninguém mais? Minha mãe não sabia o que aconteceu com Kimimaro, por exemplo. Ela não teria entendido. Ela não teria entendido muita coisa sobre mim, de fato. Eu escondia mais dela do que dizia a ela, se eu for ser honesta, e ainda por alguma razão, eu disse coisas a Sasuke que eu deveria esconder.

Após cerca de trinta minutos contemplando isso e tirando o esmalte das minhas unhas, Sasuke reapareceu. Ele saltou no reboque, desprendeu sua moto, e levou-a com uma mão para o chão.

― Venha, pet. Nós terminamos.

― E o carro? Ou o corpo?

Eu subi atrás dele, passando os meus braços em volta da sua cintura para partir. Era desconcertante estar pressionada tão perto dele depois de quase nos perder mais cedo, mas eu não queria me esfolar no asfalto se eu caísse. Pelo menos ele me deu um capacete, embora ele não usasse um nele. Uma das vantagens de se já estar morto.

― Sasori vai levar o carro. Tem uma casa de compra que ele mantém. É assim que ele ganha a vida, eu não te falei?

Não, ele não falou, não que isso importasse. ― E o corpo?

Ele saiu em disparada, fazendo-me agarrá-lo repentinamente enquanto a motocicleta costurava na estrada.

― Parte do acordo. Ele o enterra para mim. Menos trabalho para nós. Sasori é um companheiro esperto, mantém a boca fechada e se importa com os seus negócios. Não se preocupe com ele.

― Eu não estou preocupada, ― eu gritei mais para o vento. Na verdade, eu estava cansada. Esta já tinha sido uma longa noite.

Foi uma viagem de duas horas de volta à caverna, e chegamos um pouco depois das três da manhã. Minha caminhonete estava estacionada a cerca de meio quilômetro de distância da entrada, como de costume, já que o veículo não podia navegar o resto do caminho. Sasuke começou a diminuir a velocidade para parar perto da caminhonete, e eu pulei da moto assim que ela estava quase parada. Motocicletas me deixam nervosa. Elas parecem uma maneira muito insegura para viajar. Vampiros, é claro, não compartilham o meu receio de um pescoço quebrado, membros, ou a pele esfolada pelo asfalto. A outra razão para a minha pressa era simples - estar longe de Sasuke o mais rápido possível. Antes que qualquer novo ataque de estupidez me dominasse.

― Indo tão cedo, pet? A noite é uma criança.

Ele me olhou com um brilho nos olhos e um curva diabólica nos lábios. Eu peguei as minhas chaves do seu esconderijo debaixo de uma pedra e me joguei exausta no caminhão.

― Talvez para você, mas eu estou indo para casa. Vá se encontrar com um bom pescoço para chupar.

Imperturbável, ele desmontou da moto.

― Vai para casa vestindo esse vestido com sangue sobre todo ele? Sua mãe talvez se preocupe se vê-la desse jeito. Você pode entrar e se trocar. Prometo que não vou espiar. ― A última parte foi acompanhada por uma piscada exagerada que me fez sorrir, apesar da minha cautela.

― Não, eu vou me trocar em um posto de gasolina ou algo assim. A propósito, já que esse trabalhou acabou, quando eu vou ter que voltar aqui? Eu ganho uma folga?

Eu estava esperando por uma folga não só do treinamento, mas também do tempo gasto em sua companhia. Talvez minha cabeça precisasse ser examinada, e algum tempo afastada ajudaria a conseguir isso.

― Desculpe Kitten. Amanhã à noite você está em outra. Então, depois disso eu voo para Oto para ver meu velho amigo Orochimaru. Com sorte, eu estarei de volta na quinta-feira, porque sexta-feira eu tenho outro trabalho para nós...

― Ok, já entendi, ― eu disse desgostosamente. ― Bem, só se lembre que estou começando a faculdade na próxima semana, então você vai ter que me dar alguma folga. Podemos fazer um acordo, mas eu já esperei tempo demais para pegar o meu diploma.

― Absolutamente, pet. Encha a sua cabeça com volumes de informação que nunca serão aplicados na vida real. Só se lembre - garotas mortas não passam em exames, então não pense que você vai negligenciar o seu treinamento. Não se preocupe, no entanto. Nós vamos planejar isso. Por falar nisso, isso é seu.

Sasuke tirou um grande saco opaco de dentro do seu casaco, que parecia consideravelmente mais cheio do que o normal, como percebi. Vasculhando-o por um momento, ele tirou um maço de algo verde e estendeu para mim.

― Sua parte.

Hein? Eu olhei para as várias centenas em sua mão com descrença que se tornou suspeita.

― O que é isso?

Ele balançou a cabeça. ― Caramba, mas você é uma garota difícil! Um colega não pode nem mesmo te dar dinheiro sem você discutir. Isto, amor, é vinte por cento da recompensa que havia pela cabeça de Hidan. É pela sua parte em fazê-lo perder a cabeça. Veja, eu calculo que já que eu não pago nada para o IR*, eu posso também dar a parte deles para você. Morte e impostos. Eles andam de mãos dadas.

Estupefata, eu olhei para o dinheiro. Isso era mais do que eu poderia ganhar em seis meses como garçonete ou trabalhando nos pomares. E pensar que eu estava preocupada em acabar com a minha poupança na gasolina! Antes que ele mudasse de ideia, eu enfiei o dinheiro no meu porta-luvas.

― Umm, obrigada. ― O que eu deveria dizer? As palavras me faltaram no momento.

Ele sorriu. ― Você mereceu isto, pet.

― Você conseguiu uma boa quantidade de dinheiro. Você está finalmente saindo da caverna?

Sasuke riu. ― É por isso que você acha que eu fico lá? Por falta de fundos?

Sua diversão claramente me fez defensiva. ― Por que mais? Não é um Hilton. Você tem que piratear eletricidade e você toma banho em um rio gelado. Eu não acho que você faz isso apenas porque você gosta de observar suas partes se encolherem!

Isso realmente fez ele rir. ― Preocupada com as minhas partes, não é? Deixe-me assegurá-la, elas estão bem. É claro, se você não acredita em mim, você pode sempre—

― Nem pense nisso!

Ele parou de rir, mas ainda havia um brilho em seus olhos. ― Tarde demais para isso, mas voltando a sua pergunta. Eu fico lá porque é mais seguro, principalmente. Eu posso ouvir você ou qualquer outra pessoa chegando a um quilômetro e meio de distância, e eu conheço a caverna como a palma da minha mão. É difícil para alguém me emboscar sem eu usar a caverna contra eles. Também é silencioso. Tenho certeza de que por muitas vezes o ruído de fora da sua casa manteve você acordada. E, além disso, ela me foi dada por um amigo, assim eu a verifico quando estou em Konoha e me certifico se está tudo bem, como eu prometi a ele.

― Um amigo te deu a caverna? Como é que você dá a alguém uma caverna?

― O povo dele a encontrou a centenas de anos atrás, então isso a faz deles já que ninguém pode reivindicar nada que eles nem mesmo andam por perto. Costumava ser uma residência de inverno dos Ainu. Tanacharisson era um parceiro meu, e ele se escondeu na caverna após o último da sua tribo ser removido à força. O tempo passou e ele decidiu que tinha tido o suficiente. Ele pintou o corpo para a batalha e saiu em uma missão suicida contra os colonizadores japoneses. Antes dele ir, no entanto, ele me pediu para tomar conta da sua casa. Me certificasse de que ninguém a perturbaria. Há ossos de alguns de seus antepassados na parte de trás dela. Ele não queria os japoneses profanando-os.

― Que terrível, ― eu disse baixinho, pensando no que faria na posição de último índio solitário depois de ver tudo o que amava desaparecer.

Ele estudou o meu rosto. ― Foi a sua escolha. Ele não tinha controle sobre nada a não ser como ele morreria, e os Ainu eram muito orgulhosos. Para ele, foi uma boa morte. Uma condizente com o legado de seu povo.

― Talvez. Mas quando a morte é tudo o que resta, é triste. Não importa como você passe por ela. É tarde, Sasuke. Eu estou indo.

Ele tocou no meu braço em seguida, e suas feições estavam muitos sérias.

― Sobre o que você me disse mais cedo, eu quero que você saiba que não foi culpa sua. Um cara como esse teria feito a mesma coisa com qualquer outra garota, e sem dúvida fez antes e depois de você.

― Você está falando por experiência?

Voou para fora antes que eu pudesse me parar. Sasuke deixou cair o braço e recuou, dando-me outro olhar insondável.

― Não, eu não estou. Eu nunca tratei uma mulher de tal maneira, e sobretudo não uma virgem. Como eu disse antes - você não tem que ser humano para ter algum comportamento indigno de você.

Eu não sabia o que dizer sobre isso, então eu só acelerei e fui embora.


Notas finais
*Planter's Road = Estrada do Agricultor.
*Eighteen-wheeler = Um caminhão semi-reboque, também conhecido como trator-reboque ou (no Reino Unido e Irlanda), caminhão articulado.
*Quid pro quo = A expressão "quid pro quo" vem do latim e significa "uma coisa por outra coisa".
*IR = imposto de renda.