MASQUERADE
ShiryuMitsuko
Gênero: AU/Yaoi/Romance/Angst/Guerra
Em Capítulos
Personagens: Radamanthys de Wyvern e Valentine de Harpia como protagonistas e quantos mais der vontade de a gente colocar. Casais? Ah, não querem que eu estrague as surpresas não é mesmo?
Direitos Autorais: Saint Seiya não me pertence, mas nem por isso podem ficar pegando nossos argumentos sem citar não é mesmo? Se gostou de alguma cena especial ou de algum personagem novo, use à vontade, apenas cite de onde veio a inspiração ok?
Fanfiction de conteúdo adulto, contendo relações homoafetivas masculinas. Se você tem menos de 18 anos, ou não suporta yaoi e relacionamentos entre homens, procure algo mais adequado à sua faixa etária e gosto. Aviso dado, nos poupem de flammers mal educados que temos mais o que fazer. Quanto aos casais que costumamos retratar, são do gosto pessoal das ficwriters. Se não gostar de algum, por gentileza não desmereça todo o nosso trabalho por isso. Todos têm direito a seus gostos e preferências. Boa leitura.
Capítulo SETE
Cenas do Capítulo Anterior:
- "A cada um seu fardo e sua vida e, no que depender de mim, a sua deve e vai mudar."
- "Não sei o que dizer." E era verdade. De repente, tinha que opinar sobre coisas que não estava acostumado a pensar, tinha que voltar a ter planos e a ter sonhos? Era difícil demais.
O duque percebeu que o estava deixando sem jeito e mudou de assunto. Por aquela hora, bastava.
Fim do Flashback
– "Onde quer dormir? Pensei em ficar aqui, está anoitecendo. Tem medo de escuro?"
- "Não" Valentine agradeceu mentalmente a mudança de assunto e o fato de que estavam num belo local - "Seria bom dormir aqui." Fazia algum tempo que não se sentia à vontade como estava. O outro, além de tudo, o deixava expressar suas opiniões, o que não lhe era permitido há algum tempo e adorava aquele ambiente, com as árvores e os animais por perto.
- "Sua alma é doce, tenho certeza. Podemos ser meio frios, mas animais não se enganam. Vou arrumar as coisas." Levantou com determinação e organizou algumas mantas e cobertas, delimitou um espaço com pedras para uma pequena fogueira, separou água de um lado, limpou um trecho de algumas pedras, olhou para ver se havia cobras, enfim, deixou tudo o mais aprazível que conseguiu. Estendeu mantas enormes lado a lado e pegou alguns travesseiros de macela e alguns mantimentos.
Enquanto isso, Valentine observava-o se mover. Pensou em perguntar se ele gostaria de ajuda, mas resolveu nada dizer. Deu-se conta que estava meio desconfortável por causa do que dissera. Não havia contado para ninguém sobre sua vida, nem o que acontecera antes. E tinha dito tudo para ele, embora ainda não tivesse se acostumado com o jeito dele.
- "Hum, quer comer algo? Tem vinho, suco, sei que talvez esteja com fome, ou não?"
- "Não estou com muita fome."
- "Frutas então. Sabe como é perigoso ficar desnutrido nos nossos tempos. Se bem que você é forte."
- "Está bem. Tentarei comer algo.
O duque suspirou medindo as palavras. - "O que faz quando não está com... Bem... Com Hades?"
- "Caminho por perto da casa, leio. Apesar de tudo aprendi a ler e. tenho alguns livros." Não conseguia mentir para ele, por mais estranho que fosse.
- "Gosta de história? Romance? Eu leio muito também. E pratico esgrima. Lutas corpo a corpo, equitação, mas acho que já lhe disse, ou não?" Pegou algumas frutas e colocou num tecido bonito e fino, branco. - "Espere um momento." Andou por ali até achar algo e voltou com um flor branca, pequena e bonita. - "Não é muito, mas só hoje, saiba que merece uma flor, pelo menos hoje."
- "Não sou mulher para você me dar flores." Pegou a flor, observando-a.
- "Não se ofenda." Respirou bem fundo. - "É que eu creio que ficar recebendo presentes e dinheiro e afagos insinceros não teriam o valor de uma mera e simples flor que qualquer um pode lhe dar, mas que fui eu quem dei. Isso tem valor pra você?"
Valentine ficou totalmente sem graça. Aquele homem era tremendamente honrado, pelo visto. E agora sentia-se um imbecil. Suspirou mordendo os lábios de leve. Tinha dito a coisa errada em resposta a um gesto delicado. Volveu o olhar para o imponente homem ali tão perto. - "Não me ofendi e, hum, tem valor sim, obrigado." Talvez um valor muito maior que qualquer jóia ou roupa que recebesse de Hades.
- "Olhe, desculpe se sou um tanto dado a rompantes, fui criado para mandar e ser obedecido e, sinceramente, eu não quero que me obedeça. Quero que seja você mesmo. Quando não gostar de algo, diga. Vou acender a fogueira, ficaremos aquecidos e manteremos os animais um tanto longe."
- "Quer ajuda?" Valentine sorriu levemente com a flor nas mãos. Descobriu-se feliz com o mimo tão insignificante para muitos.
- "Sim. Que tal pegar aqueles gravetos por ali enquanto faço fogo?" Procurou algo com que acender o fogo e logo achou o que usavam os nobres para acender seus cachimbos. Pedras de faíscas.
O cortesão andou por ali e por aqui, coletando gravetos e pedaços maiores, para manter o fogo aceso.
- "Perfeito. Eu poderia até mesmo dizer que é bem romântico." Logo um baixo crepitar e cheiro de madeira e folhas se espalhou no ar.
- "Hum. Eu acho bonito." Olhou o duque e sentou-se perto da fogueira vendo as chamas dançarem.
- "Eu, o fogo ou tudo por aqui?" Radamanthys encarou-o com ar curioso.
- "Tudo por aqui, ora." Ergueu uma sobrancelha, mantendo o olhar firme, quase divertido.
- "Ótimo! Já não se sentiu obrigado a dizer que era eu não foi mesmo? Não é tão difícil dizer o que pensa, é?" Sorriu.
Valentine assentiu suspirando. Não fora fácil, ainda tinha um tanto de receio de punição por aquilo: dizer o que pensava e sentia. Uma coisa que reaprenderia, se conseguisse.
- "Agora que já não mente para mim, diga-me se eu o fiz feliz hoje, com essa mera escapadela."
- "Hum, posso dizer que eu gostei. É bom sair daquele lugar por algum tempo, mas ainda quero saber por que realmente está fazendo isso." Observava o lord, notou que ele ficava com uma aparência por vezes sombria com o jogo de luzes e escuros provocado pelas chamas.
- "Digamos que sou egoísta e interesseiro e que gosto da idéia de ter você só pra mim. E que também posso ser eu mesmo com você, pois não vai vir me pedir dinheiro emprestado, favores políticos, talvez uma noite de sexo e vagabundagem inconseqüente ou... Hum, desculpe... O palavreado por vezes exterioriza o quanto desprezo certas coisas."
Valentine ouvia-o, nem um pouco convencido, mas desistiu de ainda insistir naquilo, acabando por erguer uma sobrancelha ao ouví-lo e, sim, claro que não ia fazer aquelas coisas. Começava a realmente respeitar o duque e... Suspirou, falando baixo. - "É bom que você também pare de se conter na frente das pessoas."
Radamanthys começou a rir um riso triste. - "E ser condenado à morte por insubordinação? Não, Val, este é nosso pequeno segredo. Sou eu para você e você é você para mim. Para os outros, não podemos... Ainda não podemos... Quem sabe um dia? Se bem que eu já deixo de fazer várias coisas por ser um duque. Val... Gostaria de... Ser comprado por mim? Não pense besteiras, é pra livrar você de Hades."
- "Eu.. Eu não.. Eu não sei.. É repentino demais e..." Murmurou e foi absorvendo as palavras dele devagar. Ele estava certo, não podiam. Pensou nos termos. Comprá-lo? Não havia muitos motivos para ele fazer aquilo. Abaixou um tanto a cabeça, sem graça.
- "Repentino? Algo em sua vida foi planejado e medido? Não, Val, não se engane, não foi."
- "Eu sei que não, mas é que..." Não era por isso. Ele pedira sua opinião, mas simplesmente não a tinha. E se pudesse ter escolhido, teria planejado sim, seu primeiro amor, sua primeira vez.
- "Diga. Olhe, não vou fazer de você um brinquedo sexual. Talvez eu esteja indo rápido demais. Vamos dormir."
- "Certo." Outro murmúrio. Ficou olhando o fogo à sua frente.
- "Esquerda ou direita?"
- "O que?"
Radamanthys apontou as mantas. - "Esquerda, mais perto do fogo, direita, mais longe."
- "Hum, tanto faz." Nem sequer o olhou.
- "Não. Tanto faz, não. Mais quente ou mais frio?" Ia insistir, ele tinha que escolher o que queria.
- "Esquerda, pronto." Uma ponta de irritação na voz e não se moveu.
- "Ótimo. E agora deite." Ficou um pouco desconcertado, não sabia mais se aquilo tudo era loucura ou não.
O rapaz ruivo levantou-se e foi até a tal manta, deitando-se e suspirando, os olhos fechados, mas estava bastante pensativo.
- "E quer me dizer por que diabos obedeceu?"
- "Por que você falou." Murmurou. Era quase automático. Que podia fazer?
- "Mas que droga, Valentine! Não sou seu dono, não precisa obedecer! Quer dormir ou não? Quer conversar? Ou quer saber o que eu gostaria de fazer, para variar um pouco e eu parar de pressionar você?"
- "O que quer fazer?" O que mais poderia dizer? Não sabia o que fazer, não tinha a mínima idéia.
- "Quero ver você me dar um sorriso sincero por estar comigo aqui."
Valentine virou-se para ele depois daquilo, observando-o sem tentar, dessa vez, sorrir.
- "Ora, muito bem. Não sorriu porque não quis, embora estivesse condicionado a fazê-lo não é mesmo? Ah, Valentine, você é uma pessoa incrível. Reaprenderá a ter vontades." Dessa vez foi Radamanthys quem sorriu.
O ruivo olhou-o ainda contrariado, pensando que o outro fizera aquilo de propósito e suspirou, observando-o sem dizer mais nada. Ele era muito irritante!
- "Sim, sou manipulador. Só que é para seu bem. Não quer mais um tanto de aprendizado por hoje não?"
- "Do que fala?" Meio sentado na manta ouviu-o falar e ergueu uma sobrancelha.
- "Não sei ainda. Pensarei em algo. Que tal dormir agarrado para esquentar sem ter que fazer sexo antes?" Sabia que estava mexendo em território perigoso. Ergueu uma sobrancelha também e sorriu, tentando desarmar o clima pesado.
- "Tanto faz, também não tenho por que recusar. Eu acho." Bem, as mantas eram uma do lado da outra mesmo.
- "Não faz idéia de como pode ser, creio... Vem cá, está tarde." Deitou-se e suspirou, fechando os olhos. - "Não tenha medo, não vou te forçar, nem passa por minha cabeça, não quebro minha palavra."
Valentine escutou cada palavra e o viu deitar-se. Ficou observando-o por algum tempo antes de se aproximar dele, parando ao seu lado.
- "Vamos, venha. Sou um bom caçador, também, e posso ouvir sua respiração. Deite sua cabeça no meu ombro e relaxe."
Era incrível como Valentine sentia compulsão por confiar nele. Talvez a impressão por vezes negativa que tinha de toda a elite do reino não se aplicasse a ele. Sem dizer nada fez o que ele dissera, ainda que meio desconfiado.
Radamanthys finalmente abriu os olhos dourados e sorriu de leve, abraçando-o com carinho e puxou-o para mais perto, dando-lhe um beijo na testa e afastando mechas de cabelo. - "Respire devagar, feche seus olhos e tenha uma boa noite de sono, só isso." Distribuiu carinhos nas faces e ombros dele, cuidadosamente.
Val notou quando ele abriu os olhos e sorriu e estranhou o abraço, os leves toques, mas não conseguiu resistir àquilo. Ele estava agindo de modo muito diferente do que quando conversara com ele pela primeira vez. Que fosse. Estava um pouco cansado sim, para falar a verdade, e acabou por se deixar levar pelo sono, mesmo pensando que não deveria relaxar tanto.
Um brilho mortal nos olhos dourados. Radamanthys não era tão bonzinho assim. Teria Valentine, pois o queria sinceramente. Entendera melhor o jeito do rapaz e tivera que ficar um tanto mais doce que seria o seu normal. No entanto, não ia agüentar aquele papel muito tempo. De qualquer maneira, dormiu abraçado a ele, com o cuidado de não deixá-lo desconfortável.
Nota: Agradeço, de coração a todos os que leem e deixam review para nós. Obrigada porque esta história é muito querida para nós duas. E bem bonita, e longa... E complicada. XD Se não respondermos a todos os reviews, nos perdoem, não é descaso, é que o tempo anda curto e preferimos usar o pouco que conseguimos para prosseguir com a fanfic. Radamanthys não é tão santo... Novidade... O que será que os espera? No próximo capítulo, mais complicações. Grande abraço a todos e obrigada por lerem.
