Uma moto em alta velocidade cortava as ruas de New York. O motoqueiro reduziu a velocidade e estacionou na frente de uma loja.
Um sininho anunciou a entrada de um freguês na loja de armas. Contente, um adolescente de mais ou menos 22 anos correu para atender o balcão. Estava ansioso pois era seu primeiro dia de trabalho.
- Bem vindo a Harm and Be Harmed. Em que posso ajudá-la?
Depois de tirar o capacete e olhar cuidadosamente as mercadorias, disse:
- Quero uma Glock, uma Uzi e uma Grenade Launcher.
Colocando as armas no balcão, o rapaz cheio de espinhas no rosto calculou o preço da compra.
- É a senhora que vai usar isso?
Ela estava muito ocupada contando as notas e não respondeu. Entregando o dinheiro ao moço, ele insistiu em puxar conversa:
- Vai caçar?
- É - respondeu ela, secamente.
- E que animal a senhora vai descarregar esse arsenal?
- Num que mereça sofrer até os últimos segundos de vida.
O jovem vendedor achou que a frase era carregada de ódio e que a moça bonita não ia caçar veados ou javalis.
Pegando o que adquiriu, ela colocou numa caixa e em seguida na mochila que carregava nas costas. Saiu da loja e seguiu em disparada na sua moto.
Do outro lado da cidade, Leon chegou no hotel. No elevador, ficou remoendo a frustração que sentia. Ele perdeu tempo precioso na delegacia. Um ladrãozinho de meia-tigela disse que era o autor dos disparos. Depois de tomar uns socos, revelou que não tinha sido ele, mas ele conhecia quem era. Prometeu que revelaria tudo se lhe dessem proteção e imunidade. Mas tarde, ao puxar a enorme ficha do meliante, foi concluído que ele nada mais queria do que ser poupado de seus outros crimes mentindo que sabia do tiroteio na universidade.
Leon chegou ao quarto. Tinha passado a noite em claro e estava exausto. Jogou-se na cama, olhou para o lado e não viu ninguém.
- Claire? - chamou ele, deixando seus olhos pesados se fecharem. Mas nem havia passado 5 minutos o celular dele tocou.
- Alô?
- Senhor Kennedy, meu nome é Carmem Roswell e eu sou do departamento de segurança do banco onde o senhor possui uma conta corrente e poupança. Verificamos que hoje o foi realizado um saque de US$300.500,00 de sua conta. Estou ligando apenas para confirmar se o senhor tinha conhecimento desse saque.
- Como é que é? - disse ele, sonolento.
- Sr. Kennedy, foi o senhor que sacou US$300.500,00 de sua conta poupança?
Leon agora estava totalmente despertado. Mil pensamentos surgiram em sua mente. Ele só conseguiu responder:
- Ligo depois.
Discou os números de Claire, mas caiu na caixa postal.
- O que ela pensa que está fazendo? - disse ele, bravo.
Tentou mais duas vezes e na última, a ligação foi completada.
- Claire, onde você está?
- Por que quer saber?
- Você sacou o dinheiro da nossa poupança. O que vai fazer com essa grana?
- Vou achar nossos filhos - respondeu ela, secamente.
- Claire... eu também estou procurando eles. Tem gente minha procurando eles. Estamos fazendo o possível e eu estou fazendo o impossível para achá-los. Por favor, volte para cá e vamos procurar nossas crianças juntos.
Nem um pouco comovida com as palavras do marido, ela apenas disse, antes de desligar na cara dele.
- Não. Eu vou sozinha!
