Capítulo VII
Um filho, dois pais.
Leohnora foi levada para o St.Mungus com urgência. Snape, Lucius e Scrimgeour aguardavam a saída do medibruxo de dentro do box onde ela estava. Os minutos que o bruxo permaneceu lá dentro pareceram horas para todos os três, e quando ele saiu os três o cercaram quase que imediatamente. Ele olhou de um para outro, todos os três pares de olhos eram inquisidores e então o medibruxo começou a falar em tom baixo e calmo.
- A srta. SaintClair está bem – ressaltou analisando a reação dos três homens que agora, pareciam sob controle, e continuou: - Seu estado inspira cuidados, mas nada que a coloque em risco ou o bebê - ele pode detectar leve sinal de surpresa no par de olhos amarelados - Eu lhe sugeri repouso e nada de emoções fortes - e como ninguém se pronunciou a respeito, decidiu perguntar diretamente: - Qual de vocês é o pai?
No entanto nenhum dos três pareceu disposto a responder e ele teve que insistir:
- Acho que o pai gostaria de vê-la, não?
Lucius olhou para Snape, que não parecia respirar, e depois percebeu que Scrimgeour corria os olhos de um para outro. Malfoy se adiantou e sorriu para o medibruxo, fez uma reverência e entrou no box dizendo solenemente:
- Sou eu... - e encarou o medibruxo - Desculpe-me o atordoamento, mas é que a notícia de ser pai é sempre tão emocionante, levando-se em conta é claro, que fui pego completamente de surpresa.
Assim que entrou ele pode ver Leohnora deitada na cama. Os cabelos acobreados caíam-lhe como cortinas pelo rosto.. Ela se virou e sorriu-lhe, ainda tinha o aspecto abatido e cansado. Lucius puxou a cadeira para perto dela e se sentou. Ainda estava procurando as palavras que iria usar para contar o que havia feito, quando Leoh lhe perguntou:
- Severus? - Seus olhos castanhos brilharam ao pronunciar as palavras - Onde ele está?
- Acalme-se, Leoh - Segurou-lhe as mãos - Ele está lá fora, não pode entrar...
Ela o encarou surpresa.
- Como não pode entrar ?
- Acho que deve saber que acabei de assumir a paternidade de seu filho - Deu-lhe um sorriso indulgente.
- Você fez o quê? - Ela não acreditou no que ouviu .
- Disse que o filho era meu. - Ele a fitou encabulado. Leohnora era única pessoa que tinha a capacidade de minar suas defesas. Para ela, ele sempre seria um homem apaixonado. Suspirou, e colocando de lado esses pensamentos, continuou: - Scrimgeour está lá fora também. Então, eu pensei que depois do que Severus disse no tribunal, seria um prato cheio para ele se soubesse a verdade. Você não poderia defendê-lo, e o que fez a favor de Draco foi esplêndido. Você é a única pessoa que pode inocentá-lo.
- Eu sei. Você está certo, desculpe. – ergueu-se dos travesseiros e deu-lhe um beijo no rosto - Obrigada, Lucius, mas por favor precisa dar um jeito de Severus entrar aqui. Tenho que vê-lo
- Eu a compreendo...- Os olhos azuis brilharam ao encontrar os castanhos e o tempo parou naquele momento. Um segundo depois ele se refez e balbuciou: - Vou providenciar - Levantou e antes de sair, sorriu, dizendo: - Quase me esqueço de contar que achei a professora Trelawney. Assim que melhorar eu a levo lá.
Ela sorriu assentindo para ele e Malfoy deixou o box em direção ao corredor. Snape e Scimgeour continuavam em silêncio. Quando viu Malfoy sair, Snape lançou-lhe um de seus piores olhares. Este por sua vez o ignorou e passou entre os dois, parando em frente a Severus.
- Entre, .rus - disse sério - Leohnora pediu para falar-lhe. Deve ser algo relativo a escola. - e deu de ombros enquanto o professor se precipitava para entrada do box
Scrimgeour encarou Lucius.
- Finalmente conseguiu, Malfoy - Rufus continuava com o olhar fixo nele.
- È parece que sim, não é mesmo? - deu-lhe um sorriso irônico - Me pergunto quantos não dariam sua fortuna para estar no meu lugar.
- Olhe, aqui...seu... - o ódio percorreu-lhe as veias - Ela merecia coisa melhor!.
- Mesmo? - Lucius lançou-lhe um olhar frio – E o que seria melhor? Você? - e olhou a ponta de sua bengala aonde estava a varinha.
- Vou anular o julgamento de seu filho! - rosnou, e perdeu a cor ao ver Malfoy retirar a varinha da bengala e encostar em seu rosto.
- Alegando que não tem provas de nosso envolvimento amoroso até eu saber hoje de uma gravidez? - ele fitou o seu infortúnio - Ridículo. Você é patético, Scrimgeour. Draco foi inocentado baseado em provas incontestáveis por...- e riu - Você mesmo.- comprimiu mais a varinha no rosto de Rufo e disse - Estou avisando se causar qualquer problema á Leohnora ou ao meu filho, eu o mato. Você me entendeu, Ministro? Não vai me custar nada. Agora saia daqui. Suma!
Scrimgeour deixou o hospital bufando e Lucius o acompanhou com os olhos sorrindo. Colocou a varinha de volta no cabo da bengala e sentou-se no banco do corredor vazio.
Snape tinha entrado no box e estava sentado na cadeira ao lado de Leohnora.
- O que achou da atitude de Lucius ,Severus? - ela perguntou evitando olhá-lo.
- Tocante - desdenhou - A partir do momento que o filho é meu! Realmente foi uma atitude louvável da parte dele.
- Nos tirou de um problema - ela interveio.
- Tenho consciência disso, mas não me peça que goste da idéia - ele retorquiu.
- Vou seguir com essa farsa. - disse com cuidado, encarando-o - Pelo menos até seu julgamento.
- E espera que eu permita isso ? - ele a fitou arqueando a sombrancelha
- Não. Apenas quero que compreenda que é para o nosso bem - Seus olhos encontraram os dele.
- Sabe o que está me pedindo, Leoh ? - rebateu irritado - Ele ainda gosta de você. Eu sei disso e você também.
- Apenas lhe peço um pouco de paciência, Severus. - Ela se sentou na cama - Falta um mês para sua audiência...
- Está bem eu concordo em manter a farsa. Não quero que se aborreça - deu-lhe um sorriso amarelo.
Leohnora chegara par frente estava bem perto de Severus. Ela o fitou demoradamente, sabia que o que lhe pedia era algo penoso, mas não tinham muita escolha. Leoh segurou o rosto dele entre seus dedos e o puxou para perto dando-lhe um beijo nos lábios. Imediatamente seus corpos reagiram a proximidade deles. Snape a deitou nos lençóis e debruçou-se sobre ela. As mãos dele percorriam-lhe os cabelos, a nuca, enquanto os beijos se tornavam mais intensos. Ela o puxou pelas vestes, retirando-as com fúria e segundos depois estavam entregues aos seus desejos.
Leohnora estava deitada sob seu peito, quando o ouviu dizer baixinho: - Eu a amo, srta. SaintClair - beijou-lhe os cabelos. Ela sorriu apoiando os braços no tórax dele e encarou-o.
- O que acha de William?
- Vou pensar no assunto - e colocando-a de lado ,saiu da cama - È melhor eu me vestir, se nos pegam assim... Como iremos explicar a paternidade de Lucius?- pela primeira vez ali dentro ele sorriu.
- Afinal isso aqui é um hospital de respeito.- ela completou rindo e recolocou a camisola.
Snape já tinha se vestido quando sentou na cama ao lado dela, e pegando suas mãos entre as dele, perguntou-lhe seriamente:
- Quer se casar comigo, Leohnora? - Lançou-lhe um olhar penetrante.
- Está falando sério, Sevie? - Ela sorriu infantil
- Nunca falei tão sério, minha querida. – afirmou e beijou-lhe as mãos - Demorei dezoito anos para lhe fazer esse pedido e não aceito um não como resposta.
- Demorou demais... Tanto... - acariciou a barriga que começava a aparecer - que quase seu filho chega primeiro.
- Devo entender que isso é um sim? - disse fitando-ª
- Alguma dúvida? - deu-lhe um sorriso maroto.
Beijou-lhe a testa e levantou para sair
- Vou ter uma conversa com Lucius - disse sorrindo – A propósito, ele lhe contou que achou Sibylla?
Leohnora assentiu com a cabeça, mas estava tão cansada, que encostou-se no travesseiro e dormiu assim que Snape deixou o box. Lá fora Lucius o esperava e quando o viu sair, colocou-se de pé.
- Lucius - Snape crispou os lábios num sorriso de escárnio.- Concordei com Leohnora em deixar as coisas como estão... - e frisou o final da frase - por enquanto.
- Fico feliz - Ele retribuiu com um sorriso amarelo.
- Eu não - disse seco - Vamos, quero ver Sibylla ainda hoje.
Sem alternativa, Malfoy o seguiu.
A entrevista com a professora Trelawney foi produtiva. Snape conseguira o frasco que Dumbledore havia lhe confiado e agora estava ao lado de Minerva depositando os pensamentos do diretor numa urna de pedra. Por várias vezes ambos o viram depositar na Penseira aqueles fios prateados que retirava da testa. Snape ainda a havia usado nas aulas de Oclumência que tentara dar á Harry, é claro que sem sucesso. A superfície prateada da Penseira se agitou e eles puderam ver os pensamentos se delinearem bem ali. Naquele frasco estavam a cena do Voto Perpétuo que ele fizera com Dumbledore na presença da própria Trelawney , o pedido do professor para que protegesse Draco e, posteriormente, a cena em que ele, Severus, prometia matá-lo caso fosse necessário.
Ambos se entreolharam aliviados e Snape começou a recolocar os fios prateados no fraco. Aquela era prova definitiva de que fora obrigado a fazer o que fez, junto com o depoimento de Sibylla. Ele se virou para Minerva e disse.
- Guarde isso com cuidado - e estendeu-lhe o frasco - Vou falar com Leohnora imediatamente, talvez até a traga para cá.
- Está bem, Severus - disse a diretora - Se acalme antes, sei que foi um dia cansativo.
Ele foi em direção a porta, mas antes que saísse a voz de um quadro falou:
- Não adianta ir ao St. Mungus, professor - era um bruxo de pele amarelada que rosnava da parede - A srta. SaintClair está na Mansão Malfoy.
Severus estacou junto a porta e voltou-se em direção ao quadro, enquanto Minerva se colocava ao seu lado.
- O que foi que disse, Fineus?
- Que Leohnora está com Lucius. - O bruxo deu de ombros, mal humorado. - Qual é o problema? Não sabem da novidade? Leohnora e Lucius vão ter um bebê, não se fala em outra coisa nos quadros.
- Ora, cale-se, Fineus - ordenou a diretora e o bruxo desapareceu da moldura.
Ela virou-se para Snape que acabara de recobrar seu controle e partia para a porta.
- Aonde você vai? - Minerva o interpelou
- Eu mato o Malfoy ! - disse ele - Ah... se o pego!
Minerva agilmente se colocou entre ele a porta e ordenou firme:
- Sente-se, professor - indicou-lhe a cadeira em frente a mesa - Não vai matar ninguém hoje. – e continuou num tom de reprovação: - Já não está bastante enrolado? Tente manter o bom senso, Leohnora sabe o que faz. Está se portando como um dos seus alunos cabeça oca.
Snape a olhou indignado, nunca vira a professora McGonagall dirigir-se á ele dessa forma. Ela ainda completou:
- Tome uma poção do sono e tente descansar - fitou-o por trás dos óculos quadrados - Amanhã veremos o que vamos fazer, está bem?
Ainda sem ação, ele assentiu e levantou-se para sair. Quando chegou ao corredor se perguntou como Minerva aprendera tão bem a ser comportar como Dumbledore.
