Yellow.
By: Jubs.
Only someone who's...
Com ela o mundo se dividia em amarelo e azul, mas com suaves toques de todas as outras cores. Então, por mais que não transparecesse, ele estava feliz. Ele estava completo. Até por isso que tentava não se importar com o namoro dela, porém lutaria para tê-la ao seu lado, mesmo isso parecendo absurdamente ridículo. Não havia voltado por ela (mal a conhecia), mas não ia embora por ela. De fato, só se passaram poucos meses e não era preciso de mais para sentir os efeitos que ela tinha sobre ele.
Então poderia tentar se sentir confortável ali, na grama, junto a ela e a Bankotsu, pois a presença dele não era nem um pouco importante. Rin abriu os braços, como se estivesse se espreguiçando, os lábios entreabertos em um divertido sorriso, mas os olhos brilhantes escondendo visível preocupação de ter Sesshoumaru e Bankotsu ali. Fora difícil convencer o namorado a ir naquele passeio em um belíssimo dia de outono, mas conseguira e, agora, só precisava ajeitar a situação. No entanto, parecia muito mais difícil respirar... desde quando precisava desesperadamente de ar?
Estirou o lençol xadrez, branco e vermelho, e colocou sua cesta de piquenique sobre o longo pano. Sentou-se calmamente e novamente era uma daquelas magníficas cenas de filmes... Rin com seus longos cabelos negros soltos e sua pele parecia brilhar em contraste com a blusinha branca e com o shorts claro. Sesshoumaru e Bankotsu pareciam ter combinado a roupa extremamente casual. Rin se colocou a rir de uma forma muito mais divertida ao ver o restante dos atores daquele filme B, de romances no verão, pois todos os seus amigos: Miroku, Sangô, Kagome, Kouga e, até mesmo, Inuyasha se aproximando entre brincadeiras. O irmão mais novo trazia consigo uma bola de vôlei.
Rin se levantou rapidamente e correu até o grupo. Mesmo Inuyasha sendo maior e mais forte, nada a impediria de pegar a bola dele. Correu do irmão pelo gramado e logo foi seguida pelo grupo, apenas deixando para trás dois tensos homens. Sesshoumaru e Bankotsu se entreolharam. O intuito de tudo aquilo era aproximá-los, ver que não existiam problemas, mas apenas fazia piorar a situação. Os dois ali sozinhos? O namorado gentil e o irmão misterioso? Ainda existiam duvidas de quem ela iria escolher?
- Eu não vou desistir dela. – A voz de Bankotsu era suave e seu olhar se mantinha preso na bela figura de Rin rindo.
- Ninguém esta pedindo para você desistir. – Sua voz tinha o mesmo timbre do moreno ao seu lado, mas com um toque de impessoalidade.
- Então o que eu vejo nos seus olhos não é nada?
- Não existe nada em meus olhos. – Nunca admitiria a ele o que sentia pela doce menina rindo.
- Não se preocupe, ninguém mais percebeu. – Bankotsu não conseguiria manter o tom calmo se o fitasse, então era melhor ficar de olho no jogo.
- Pois bem, seremos dois então.
- No que? – Finalmente o encarou.
- Em não desistir. – Sesshoumaru sorriu presunçosamente e se levantou.
Rin apenas abriu mais o seu sorriso ao ver Sesshoumaru caminhando calmamente para o grupo. Jogou a bola para ele, que a pegou rapidamente. Um curto sorriso se formou novamente nos lábios dele, apenas para ela, o que abriu ainda mais os lábios dela, mostrando fracamente os perfeitos dentes brancos.
- Agora que o Sesshoumaru esta aqui, podemos jogar em times iguais! – Rin falou alegre e todos a olharam de forma confusa. – Kagome me disse que quer ser a juíza... eu sei contar, galera.
- Preciso de dois líderes de time! – Kagome falou alegre após os risos da maioria das pessoas ali. – Okay, Inuyasha e Kouga.
Era totalmente obvio os motivos dos dois líderes, uma batalha "justa" por Kagome: o rapaz perfeito que a adorava e o rebelde que ela adorava. Rin e Sesshoumaru foram para o time de Inuyasha, enquanto Sangô e Miroku foram para o time de Kouga. A escolha foi simples, primeiro as meninas e, como Kouga ganhou no "par ou ímpar", escolheu a melhor jogadora: Sangô, mas na escolha dos homens, Inuyasha ganhou e pegou o mais ágil e rápido: Sesshoumaru.
Bankotsu ficou sentado, observando a namorada corada pelos movimentos rápidos, tentando jogar com os irmãos que era muito melhores do que ela. Ainda assim ela não se sentia inferior perante a eles, mas igual, e era isso uma das coisas que mais admirava nela. Não se julgava fraca ou inferior, ela era bem maior do que tudo aquilo e isso o fazia sorrir, mesmo quando via Sesshoumaru a segura-la quando ia cair. Os olhos de Bankotsu o seguiram, não soava, não sorria, apenas estava ali por ela... não seria nada fácil.
Ainda assim, ele achou melhor juntar-se ao jogo. Ciúmes? Com total certeza, e ele nem mesmo tentava esconder. Então, o jogo foi parado calmamente e novos lideres seriam escolhidos... outra obvia desculpa para uma batalha? Agora entre Sesshoumaru e Bankotsu, o que obrigou Kagome a deixar de ser juíza e jogar. Mas, na mente dele, era apenas ele e Sesshoumaru. Agora...
Par ou Ímpar?
As pessoas geralmente escolhem o "par ou ímpar" por que é impossível dar empates. Alguém sempre sai ganhando e outro sempre sai perdendo... era um retrato divertido e simplista da vida, mas ainda assim muito real. Naquela tarde Sesshoumaru ganhou e escolheu Rin em primeiro lugar, mas não apenas no jogo, sim, existia o prazer de jogar ao lado dela, porém firmou, para quem precisava firmar, o que mais queria. Isso e o prazer de segurá-la todas às vezes em que parecia cair e encontrar o olhar inflamado de Bankotsu.
Mas agora o sol se punha e o grupo conversava animadamente, sentados sobre o extenso lençol xadrez, vermelho e branco, degustando os maravilhosos lanches que Rin fizera. Taishou se juntou a eles a pedido de quase todos, afinal, não tinha nenhuma intimidade com Kouga ou Bankotsu e Sesshoumaru nunca se expressaria de tal forma.
Não atraindo muitos olhares, Sesshoumaru e Taishou se levantaram e caminharam até um pequeno lago, muito afastado do animado piquenique. Andavam em silencio e, ao chegar, pararam lado a lado. Observaram o céu com todas aquelas cores, com a suave brisa passando. Por que diabos tudo se assemelhava a um filme?
- Ela estava tranqüila? – Finalmente a voz calma de Taishou chamou a atenção do mais novo.
- Muito. – Sesshoumaru voltou seus olhos para o lago. Era a primeira vez que falavam na morte de sua mãe.
- Gostaria de ter conseguido me despedir dela. – Taishou não desviou seu olhar do céu. – Não nos falávamos, mas ainda assim ela foi uma pessoa muito importante.
- Ela provavelmente iria gostar. Falava muito sobre você... – Franziu a testa ao se lembrar de tantas tardes em que ela sonhava com Taishou. – Mas ela só ficou lúcida no final, não falou sobre você, mas provavelmente o queria lá.
- E o enterro dela, como foi?
- Intimo. Florido.
- Fui visitá-la esta manhã. – Taishou olhou para o filho pelo canto dos olhos. – Você mantêm tudo belíssimo.
- O que quer, Taishou? – Se virou para o pai. Sua voz suave tinha toques de irritação.
- Vai partir novamente? – Também se virou e a conversa de amena passou para tensa.
- Não.
- Não tem mais nada aqui para você. – Taishou sabia que tinha, mas ele já havia ido embora antes.
- É lógico que tem.
- Rin?
- A família, a empresa. – Novamente seu olhar foi para o lago. – Rin é parte da família, minha irmã. Não entendo essa fixação em me jogar ao lado dela.
- Porque as pessoas notam o que vocês não notam.
- Taishou... – Seu tom era como um aviso para parar.
- Sua mãe, eu, Izayoi sabíamos que vocês estavam fadados a ficar juntos. Não é a toa que você foi embora. Você e sua mãe tinham horror a uma raça tão inferior, mas você voltou e não consegue se afastar dela.
- Você não pode saber do destino de cada um. E, se estamos fadados a ficar juntos, será como irmãos.
- Não acredito nisso. – Ele sorriu para o filho e saiu antes de obter uma resposta.
Já não tinha mais a mentalidade de 20 anos atrás, mas também não conseguia aceitar as palavras de Taishou, mesmo sentindo que as mesmas eram verdadeiras. Aquilo o sufocava... ela amava ele, Bankotsu! Então ele poderia partir, pois ela não o amava daquela forma... diabos, ele não a amava daquela forma! Não a amava de forma alguma, mal a conhecia! E também, sua mãe havia falecido, Sesshoumaru poderia muito bem cuidar da empresa em uma outra cidade e finalmente ficaria longe daqueles que mal o aceitavam e longe daquela que o torturava com um sorriso nos lábios.
Taishou já sabia que ele, provavelmente, fugiria e avisou ao animado grupo que surgiu um problema e Sesshoumaru teria que partir, mas Rin não o ouvia mais. Havia se levantado e agora corria na direção de Sesshoumaru, apenas parou quando conseguiu segura-lo pelo pulso.
- Sesshoumaru... –Arfava tanto que não conseguia completar sua frase.
- Eu preciso ir embora Rin. – Ele se soltou dos pequeninos dedos dela.
- Não, não precisa. Deixe pra resolver os problemas da empresa na segunda. – Ele se virou surpreso, o que ela nada percebeu. E novamente aquele sorriso torturador voltou aos lábios dela. – Bankotsu me disse que conversaram e que agora esta tudo bem... então fique.
- Eu não tenho mais nada a fazer aqui Rin. – Levemente os dedos dele tocaram a face dela, mas fora extremamente rápido. – Se divirta.
Até ela entender que ele não voltaria mais demorou o tempo necessário para que ele conseguisse sumir entre as pessoas no parte. Nunca mais... E seus olhos se encheram de lágrimas. Tentou chamá-lo de volta, mas ele não olhou pra trás.
Ele nunca olhou.
Deitou em sua cama. Não conseguiu fugir, não conseguia pensar, apenas queria que seu corpo parasse de tremer e que o ar voltasse aos seus pulmões. Ela era a única pessoa que... diabos! Não queria pensar naquilo, nunca quis! Sim, as conversas que tinha com ela eram agradabilíssimas, conseguiu sorrir por duas ou três vezes, mas ainda assim era extremamente patético! Nunca deixou ninguém, digamos, se "aproximar de seu coração" e não seria agora que permitiria uma menina fazer isso.
Talvez as semanas que passou ali forma muitas e longas, precisava voltar a sua fria rotina, sem apegos e sem ligações. Aquilo magoaria Taishou e todos da família, mas o pai já esperava aquilo, não é mesmo? Então qual era o maldito problema? Fechou os olhos e tentou pensar em tudo aquilo... O problema era ela, sempre foi. E aquele maldito jeito contagiante, aquele doce sorriso, tudo nela o obrigava a permanecer ali, e tudo o impelia a fugir. Se Rin tivesse se mudado ou até mesmo casado nesses longos anos, mas não. Continuava a viver naquela casa, prendendo todas aquelas pessoas de uma forma tão sutil. Tudo voltava pra ela, até mesmo ele.
Escutou a porta da frente abrir, mas ouviu poucos passos. Duas pessoas? Pelo menos o grupo não decidiu passar o resto da noite ali, então teria paz o suficiente. Ou não... já que ouviu aquela voz gritando por Kaede ou qualquer outro empregado que pudesse tê-lo visto, mas nenhuma voz ou som a respondeu, até ouvir a voz de Taishou, propondo averiguar o quarto do mesmo. Novamente passos, agora apressados, subindo as escadas. Por mais que ele fosse rápido, ágil, ou qualquer outra coisa, sua única resposta ao vê-la abrindo a porta de forma desesperada foi abrir os olhos.
- Você não foi embora! – Ouviu o sussurro dela mais próximo e logo sentiu o corpo dela contra o seu.
Então estavam os dois ali, na cama, deitados, o que poderia dar margem a qualquer ilusão de Sesshoumaru, porém, por mais que estivesse mais aberto a interações, ele não havia deixado de ser o homem imparcial que havia se tornado. Então não conseguia se mover, nem mesmo colocar uma de suas mãos nos cabelos dela e a acalmar. Apenas conseguia sentir os pequeninos dedos dela apertando sua camisa, a face dela contra o seu peitoral e a respiração dela, em perfeita sintonia com a sua.
Era por causa daquilo que Bankotsu não importava, pois, independente de tudo, ele sentia o calor dela naquele delicioso abraço. Finalmente moveu os braços e acariciou o cabelo dela e aquilo bastava! Tê-la ali, sentindo-se aflita por ele, tanto que precisava conte-lo em seus curtos braços. Pela primeira vez naquele dia Sesshoumaru se sentiu realmente bem.
- Eu não ia a lugar algum. – Ele sussurrou calmo, consciente que quebrava o inebriante clima.
- Prometa. – Levantou a cabeça, sem quebrar o contato físico.
- Rin...
- Você já foi embora antes, não se despediu e nem tentou manter contato. Eu só te peço uma coisa: não suma novamente.
- Eu prometo, mas com uma condição.
- Diga. – Ela ergueu uma sobrancelha, como ele sempre fazia quando algo parecia ser interessante.
- Eu posso te pedir alguma coisa também.
- Então vai, pede.
- Não. – Ele deu um meio sorriso imperceptível. – Eu poderei pedir a qualquer momento. De acordo?
- De acordo, contanto que não seja nada absurdo.
- Então eu prometo que não vou sumir novamente.
Não era a toa que se prendia a aquele lugar por ela. Rin tinha o sorriso mais envolvente que ele havia visto, ela era a única pessoa que conseguia fazê-lo querer ser mais expressivo,mesmo que ele não deixasse transparecer. Afinal, era tão mais fácil continuar sendo o que era, pois Sesshoumaru não seria mais Sesshoumaru sem a habitual frieza e tranqüilidade, seria irreal vê-lo sorrir e brincar como se fosse algo natural. Tudo bem, ele foi uma criança normal, mas não era por uma mulher que mudaria toda a sua forma de vida, principalmente se ela era considerada sua irmã, mas (pois sempre existe o mas) não conseguia mais raciocinar normalmente em frente ao sorriso dela, não depois de tantos meses...
Enquanto Rin não conseguia segurar sua inocente felicidade. Passou o dia na calma insegurança pelo conflito entre Sesshoumaru e Bankotsu, quase perdeu seu irmão novamente... Naquele momento sentiu aquele imenso vazio ao vê-lo se afastar, pois voltaria pra casa e não encontraria aquele tranqüilo homem folheando um livro enquanto o caos acontecia, não teria mais aquelas maravilhosas conversas intelectuais. Perderia seu irmão novamente. Enterrou sua cabeça novamente no peitoral dele, era tão tola por pensar aquelas coisas?
Pra ele não.
Demorei, eu sei. Mas eu queria um capitulo com uma visão mais do Sesshy, mesmo o penúltimo parágrafo sendo da Rin. Enfim, se a escrita está diferente (o que eu sempre acho) eu peço desculpas, mas só se ela estiver ruim xD E também sei que o capituloficou pequeno, mas é que eu precisava da ligação para os proximos capitulos xD
Alias, eu tenho recebido reclamações pelos erros de português e talz, sinceramente? Não me importo com os erros e acho que é uma característica minha... e também, reclamem com o Word xD Porém, como eu adoro os meus leitores, vou abrir inscrições para revisores de texto. Bom, agora vai realmente demorar mais pra os posts, por que to em semana de prova, estresse pra não pegar dp de novo, mas acho que já viram que eu postei BKTT algumas semanas atrás, né?
Beijooos!
