Foi como uma tapa.
Ecoou na minha cabeça por alguns segundos.
"Eu não quero mais."
A frase ficou repetindo tortamente.
Ino: O que?
Eu questionei abismada.
Parecia irreal.
Eu sentia como se eu estivesse em alguma pegadinha.
Por que até alguns segundos atrás, eu tinha certeza do que eu fazia ali. Do que ia acontecer.
E até a alguns segundos atrás eu não podia me conter de tanta felicidade...
E agora, eu tinha levado uma pancada.
Shikamaru: É isso.
Ele se levantou, e saiu.
Eu continuei sem entender.
Aquilo era completamente absurdo.
Eu fui atrás.
Eu ignorei o garçom espantado com o fato de agente não pagar a conta.
Eu ignorei a chuva que caia quando eu sai.
Eu ignorei o bolo intragável que se formava na minha garganta.
Eu o segui pelo estacionamento, o chamando incessantemente.
Eu tinha raiva.
Aquilo de certo era uma brincadeira estúpida.
Eu tive que correr e alcançá-lo, puxá-lo pelo braço e forçá-lo a olhar pra mim.
Por que ele não parecia estar disposto a fazer isso.
Ino: O que diabos você esta fazendo?
Eu perguntei indignada.
Shikamaru: Indo embora.
A voz dele saiu fria, falou pausado e claramente.
O olhar dele estava perdido. Lerdo. Morto.
Ino: Olha pra mim. Olha pra mim!!
Eu exigi.
Ele o fez.
E eu mentiria se dissesse que aquilo não me machucou. Por que eu vi, eu vi que focar os olhos em mim doía nele.
Matava ele.
Ele se afastou.
Alguns passos pra trás, enquanto focava o chão, e procurava algo.
Foco.
Isso era o que ele queria.
A respiração dele veio tão pesada, como se ele tivesse pulmões de chumbo.
Eu puxei o rosto dele e o forcei a olhar pra mim.
Analisei os olhos dele, até que ele os fechou fortemente.
Aquilo seriam lagrimas ou era a chuva?
Ele me jogou pra longe.
Eu cai.
Shikamaru: Acabou.
Foi como outro tapa.
Eu olhei pra ele.
E o vi olhar pra mim pela ultima vez.
Eu li tantas coisas ali.
Mas a principal era dor.
Dor em olhos mortos.
E ele virou as costas pra mim.
E ele não olhou pra trás.
Entrou em seu carro, e se foi.
Eu esperei.
Eu esperei no chão que ele voltasse, e que me tirasse dali. Que me dissesse que era uma brincadeira de mal gosto. Que me abraçasse e me tirasse do frio cortante da chuva.
Mas isso não aconteceu.
E eu me perdi.
Meu coração passou a pulsar de forma estranha. As batidas pareciam erradas. Pareciam quebradas.
Em seguida, o frio tomou conta de tudo. Se alastrou pro dentro de mim, me congelando. Como se o meu coração quebrado e irregular bombeasse nitrogênio pelas minhas veias.
E eu não senti mais nada.
Eu não ouvi mais nada.
Eu não vi mais nada.
Como se eu estivesse anestesiada.
Morta.
Butterfly Always Be Back.
N/a: Shikamaru é um emrda –fikdik. xDD
Ps: Cap não bettado. (T.T)
Fala: - ação –# pensamento # (¨ Tradução ¨)
- Lugar e hora –
-¹ Barulho ¹-
- Fhash Back –
(N/a: Meus comentários)
Old Pain.
"Every day of your life you'll gonna cry,
Suffer tears that won't add one tenth part of what I suffered.
Em cada dia da sua vida você vai chorar,
Lagrimas sofridas que não vão somar um décimo do que eu sofri."
"Ino"
Foi imediato.
Ela reconheceu imediatamente a voz.
Depois de muito, muito tempo, a voz dele se fez viva de novo.
E ela sentiu tantas feridas ardentes e pulsantes dentro dela.
Aquilo lhe corroeu por alguns infindáveis segundos.
Ino: Q... Quem fala?
Ela balbuciou sem pensar, sendo mais um instinto, uma pergunta retórica.
O silencio a cortou.
Ela cogitou desligar, e esquecer aquela loucura.
Shikamaru não ligaria pra ela, não mesmo.
Não depois de lhe virar as costas há anos, muitos anos atrás.
"Shikamaru..."
A resposta veio queimando como acido nela.
Ele não tinha um tom realmente, sua voz era vazia.
O que a fez pensar coisas ruins.
Ino: A-ah... Aconteceu algum coisa? Alguém morreu?
"Não! Não..."
Resposta imediata primeiramente, automática. Vazia em seguida, resposta pensada.
Ela ficou confusa, Shikamaru? Agora?
"Surpresa com a ligação?"
A voz vazia de novo.
Ino: Muito.
Sincera. Se fosse imaginar alguém dono daquele numero desconhecido, a ultima pessoa seria Shikamaru.
Na realidade, ele nem estaria na lista.
Ela podia dizer com convicção que o tinha esquecido.
Que o tinha enterrado muito, muito fundo. Em um lugar bem esquecido dentro dela, o qual ela não ia nunca.
Ele caiu no esquecimento.
Ela viveu.
Ela sobreviveu a ele.
A falta dele.
E agora, a voz dele estava de volta, cortando-a.
Era como ter fechado uma caixa, e tê-la posto no sótão. E uma vida depois, em uma faxina aleatória, tê-la encontrado, e descoberto que as coisas dentro da caixa, ainda têm o mesmo efeito que tinham naquela época sobre você.
Era nostálgico.
Amargo.
"Hm... Eu... Precisava falar com você."
Ele marcou bem a palavra 'precisava'.
Aquilo doeu, doeu como se ele a tivesse abandonado ontem.
Ino: Não precisava não, eu estou ocupada Shikamaru, sem tempo pra--
"Não está."
Ele a cortou.
"Eu sei quando você mente, eu te conheço."
Aquilo a encheu de ódio.
Ele não conhecia, não sabia da missa a metade.
Ino: Não conhece.
A resposta foi seca.
"Não desligue... Por favor... Eu realmente... Preciso da sua ajuda."
Ele marcou a palavra novamente.
Silencio.
Ela não tinha a intenção de responder, ainda estava tentada a desligar.
"Ino... Por favor. Eu não ia ligar se não fosse realmente necessário."
Ela sorriu, sorriu por que doeu.
Ino: Eu sei.
Ela sabia que ele não ligaria.
Ela sabia que a ultima lembrança que teria dele era ele lhe virando as costas, e já tinha se conformado.
Ela havia levado tanto tempo... Pra conseguir superar aquilo...
E agora ele se achava no direito de ligar... E pedir ajuda?
Se achava no direito de voltar e provar por "A+B" que ela não o havia superado, que o havia suprimido apenas.
Que ele seria sempre aquela ferida aberta.
E seus olhos anormalmente molhados eram a prova disso.
"Por favor."
Ela desligou.
Atirou o celular na mesa.
Gritou.
Ódio e dor.
Enxugou as lagrimas furiosa com ele e principalmente consigo mesma.
Levantou, e andou de um lado pro outro respirando compassado e forçadamente.
O celular tocou novamente.
Ela tentou ignorar.
O toque a torturava.
Pegou o maldito aparelho. Cogitou jogá-lo na parede.
Por fim, atendeu-o.
Ino: O que?
Falou a pequena frase bem pontuada, cheia de ódio.
"Desculpe."
# Agora desculpas? # Ironizou mentalmente.
"Acho que a ligação caiu. Erro meu."
Ambos sabiam bem que ela tinha desligado.
"Ino..."
Ino: Eu não posso ajudar.
"Pode sim."
Ele a interrompeu antes de ela desligar.
Ino: Não posso.
"Eu preciso de uma medica."
Ino: Há milhares de outras medicas por ai.
"Tem que ser você."
Ele pontuou a palavra 'você'. Soava como um ultimato.
Ino: Eu não quero.
Ela pontuou muito bem a frase, tentando ser perfeitamente clara.
Silencio.
Tentou desligar, a voz dele a cortou.
"Faça um esforço."
Ino: Não.
Obvia.
"Por favor, Ino... É importante..."
Ino: Não.
Obvia de novo.
"Eu sei, nada seria tão importante a ponto de me aturar novamente. Eu sei."
Ino: Quem você pensa que é? Na boa, você acha que depois de tudo pode vir supor alguma coisa sobre mim?? Você não me conhece.
"Claro, claro. Eu notei isso na época caso você não saiba."
Ino: Me faça um favor Shikamaru, vá à merda!
"NÃO DESLIGA A PORRA DO TELEFONE!"
Ino: NÃO GRITE!!
Vozes abafadas ao telefone, censuraram Shikamaru.
Ela ouviu mais atentamente, pareciam conhecidas.
"Olá, Ino gatinha."
A voz agora era conhecida e zombeira.
Ino: Hã... Quem ta falando? o_õ
"Suigetsu, Baby"
A lembrança de cabelos brancos e dentes afiados vieram junto de um monte de lembranças sobre Sasuke, e seu time. Também trouxeram a lembrança da ruiva-morango a qual ela não era muito fã, Karin.
Ino: Suigetsu?
"Ah, como o nada educado do Shikamaru deveria ter dado ênfase, o favor que ele queria não era pra ele."
Ino: Era pra você? o.õ
"Não, era para o Itachi. Lembra dele? Uchiha Itachi, irmão do Sasuke."
Ino: Claro. o.õ
Um barulho de botões do celular sendo apertados.
Viva-voz.
"Nós achamos que seria mais fácil pra você lidar com o Shikamaru... Claro que nenhum de nós esperava que ele fosse ser um completo imbecil. Entenda, não é do feitio dele."
A voz de Itachi se fez presente.
"Pois eu acho que ser imbecil é da natureza dele."
A voz de Suigetsu se sobressaltou. Logo depois uma pequena confusão.
Ino ficou confusa.
Ino: Hã...
"Mal's, Mal's Ino gatinha, eu tive que bater no Shikamaru um pouquinho."
Ino: Vocês o seqüestraram? o.õ
"Hahá, longe disso Ino gatinha."
Ino: Então.
"Primeiro agente gostariam de saber se você topa nos ajudar. Por favor Ino, eu imploro."
A voz de Itachi se destacou novamente.
Itachi implorando coisas era incomum.
Ino: Claro.
"Obrigado. Então, você fica mais confortável tratando com um de nós?"
Ino: Com certeza.
Resposta automática.
"Não quer tratar com o Shika-imbecil?"
A voz de Suigetsu veio com um falso espanto, feito somente pra provocar.
Sem confusões dessa vez.
"Então Ino, as coisas realmente vão ficar bem estranhas daqui em diante... É primordial que você faça o que agente diz, responderemos todas as suas perguntas um pouco depois. Você se importa?"
Itachi falou, educado e cordial como sempre.
Ino: Vocês vão me mandar sacar dinheiro? o.õ
"Não Ino, eu posso bancar o que vier."
A voz parecia vir acompanhada de um sorriso.
Ino: O.k. então. Fala aê.
x X x X x X x X x X x
Eu me sentia estúpida e estranha ali.
Ao lado do meu melhor amigo em um táxi, indo pra casa.
Indo pra casa depois da coisa mais estranha que podia acontecer, ter acontecido.
Meu melhor amigo tinha me agarrado me meio a uma sessão de fotos.
E a pior parte de tudo... Aquilo tinha sido... Algo mais.
Era diferente de ter um sentimento pelo Sasuke.
Era... Quente.
Reconfortante.
Era... Errado.
Ino: Para o carro.
Eu pedi pro taxista. Ele o fez.
Eu sai.
Caminhei até o outro lado da rua, desviando de carros em movimento. Aquele maldito vestido brando e cheio de bordados me fazia sentir como uma fugitiva da loja de bonecas antigas.
Eu parei do outro lado da rua. Me debrucei sobre o corrimão. Eu podia ver o mar dali.
Eu lembrei daquele beijo. E como foi fácil.
Fácil e simples.
Como respirar.
Assim como tudo era com ele, o super-gênio.
Simples como respirar.
Shikamaru: Você vai se jogar?
Ele perguntou despreocupado.
Ino: E se eu for?
Eu tentei fazer as coisas complicadas.
Shikamaru: Eu teria que pular atrás, por que você não nada tão bem assim.
E no fim ele fazia de tudo muito simples.
Ino: Não seria menos "problemático" me deixar afogar.
Shikamaru: Só se você considerar "menos problemático" comunicar a família, comprar caixões, organizar um velório e um enterro...
Como eu ia argumentar com ele?
Não ia.
Era totalmente impossível.
Por que, ele estaria certo, e meus argumentos cairiam por terra.
Mas principalmente, por que ele não ia discutir comigo.
Ele ia me deixar estar certa.
Mesmo que eu estivesse errada.
Ino: Por quê?
Shikamaru: O que?
Ino: Por que você me beijou?
Shikamaru: Sinceramente? ... Eu tive uma vontade incontrolável de fazer, e fiz.
Ele falava como se fosse simples.
Ino: Você percebe como estragou tudo?
Shikamaru: Estraguei?
Eu ri.
Ino: Que droga Shikamaru! Que droga!! Você é uma das únicas pessoas em quem eu posso confiar... Isso vai estragar tudo. Vai ser como sempre é, uma hora nos vamos nos magoar mutuamente e vamos nos separar. E ai então, eu vou ficar sem nada.
Shikamaru: Errado.
Ino: Errado??
Eu não estava acostumada a tê-lo me questionando.
Shikamaru: Eu não vou deixar você Ino. Eu não vou conseguir fazer isso mesmo que eu queira. Não percebeu? Eu não consigo ficar longe de você. Eu nunca iria conseguir deixar você ir sem me matar antes Ino... Eu amo você.
As palavras me deixaram em choque.
Eu não consegui pensar em nada por algum tempo.
Eu analisei todos os possíveis significados da ultima frase... E não eram poucos.
Shikamaru: Mas...
A voz dele pareceu rouca.
Shikamaru: Se você quiser, eu posso esquecer isso. Eu posso assassinar isso. Se for te machucar, eu juro que não toco mais no assunto. Morre aqui. E... Eu... Posso fazer o impossível pra me afastar... E te deixar em paz.
Aquilo soou absurdo.
Shikamaru: E se você... Ainda me quiser como amigo... Eu... Ficaria muito grato.
Ele falava como se precisasse de mim.
E eu sabia muito bem que era o contrario.
Então os olhos deles focaram o mar. Como se olhar pra mim fosse doer. Como se olhar pra mim fosse acabar totalmente com o que ele tinha dito antes.
Como se... Ele não fosse conseguir fazer aquilo se ele me olhasse por alguns segundos.
Eu nunca tinha sentido algo como aquilo.
Era diferente de ter os olhares de garotos que me achavam bonita.
Shikamaru parecia me achar... Preciosa.
Preciosa demais pra ele possuir.
Aquilo soou ridículo pra mim.
Por que eu sabia, que a única preciosidade ali era ele. Que era eu que necessitava dele e não o contrario.
E pela primeira vez, eu tentei fazer as coisas serem simples.
Ino: Haha' você fala como se eu fosse capaz de viver sem você.
Shikamaru: Você é. E isso realmente me preocupa.
Ino: Eu não sou não, Shikamaru. E eu também não quero ser.
Simples.
Simples como respirar.
x X x X x X x X x X x
-¹ Toc toc. ¹-
Ela bateu a porta, estava aberta, bateu pra se fazer perceber.
O rapaz a olhou meio espantado.
Ino: Eu... Gostaria de ver algumas fitas de hoje.
Rapaz: Hã? Que interesse uma medica poderia ter em fitas da segurança?
Ino: Hã... É bem particular... Você se importaria de me deixar ver?
Rapaz: Eu não posso dona. Na boa, mas a senhora precisaria de um mandato. E eu garanto que nada estranho aconteceu.
Ino: Por favor.
A voz da loira saiu manhosa. Foi só o que ela precisou pra amolecer o cara.
Rapaz: Já que a senhora insiste tanto... Mas, não aconteceu nada mesmo...
Ino: Deixe-me ver assim mesmo.
Ela mordeu os lábios. O rapaz quase babou.
Rapaz: Ceertoo, a senhoraa... Prefere ficar sozinha?
Ino: Seria bom.
Sorriu cheia de segundas intenções.
O rapaz saiu sorridente e feliz.
Ino: Babaca.
"Aê Ino gatinha! Conseguiu seduzir o cara!"
A voz saiu do aparelho em seu bolso.
Ino: É bem fácil quando se trata de babacas sem cérebro Suigetsu.
Ela pôs o aparelho sobre a bancada.
"Aah, pra você deve ser mesmo... Que eu me lembre, você é a maior gata Ino."
Ino: Viu Suigetsu? Provavelmente também seria fácil com você.
Silêncio.
Sorriu vitoriosa, Suigetsu não era alguém fácil de calar.
Ino: Então Itachi, fitas de hoje. Sabe mais ou menos o horário?
"De manhã, não sei ao certo o horário, desculpe."
A voz de Itachi veio até ela, vaga.
Ino: Pode me falar o que eu estou procurando?
"Um lugar em comum em que Haruno Sakura e Karin freqüentem."
Ino: As duas? o.õ
"Eu respondo as perguntas depois Ino."
Ino: Ok. Mas, não sei se você sabe... Elas são amigas. Elas sempre andam juntas.
"Provavelmente vai ser um lugar bem improvável, algo que elas freqüentem sem dar bandeira."
A voz de Shikamaru a queimou.
Ela não respondeu.
"Desculpe por isso Ino, mas... Shikamaru é detetive criminal, ele é muito bom nesse negocio de seguir pistas e fatos estranhos... É o trabalho dele... Então... Eu garanto que ele será estritamente profissional com você. Você poderia, ser a profissional excelente que você é com ele também?"
Itachi falou cordial e cuidadoso.
Ino: Posso me esforçar.
"Tudo bem então, Ino, eu vou precisar que você seja... Os meus olhos. Me conte tudo o que vê o.k.?"
Ela se esforçou a engolir tudo o que a voz de Shikamaru a fazia sentir.
E foi profissional.
Ino: Certo, seria bom olhar as fitas das salas de ambas? Simultaneamente?
"Seria. Esse seria o ponto de partida de qualquer coisa."
Ino assistiu as fitas, cansou de tanto assistir.
Até que finalmente algo aconteceu.
Ino: Karin saiu da sala da Sakura, com dois cartões na mão. Não pareciam os crachás.
"Ótimo Ino, Siga-a pelas câmeras, veja onde ela vai."
Ela andou até os outros monitores, seguindo Karin que passava rapidamente pelas câmeras.
Ino: Ela pegou o elevador... Desceu no primeiro andar. E... Foi pras escadas. Eu perdi ela.
"Como??"
Ino: Não tem câmeras nas escadas.
"Ela vai ter que sair de lá uma hora. Ou então agente já sabe que tem que procurar nas escadas... Ino, atente nas câmeras pertos das escadas, ela passará por ai uma hora."
Ino: Ela saiu... No térreo.
"Sim, e...?"
Ino: Ela ta no corredor da limpeza! Quer dizer, onde o povo da limpeza trabalha.
"Hmm... E?"
Ino: Ela entrou em uma sala... Quando ninguém estava olhando.
"Qual sala?"
O 0 o 0 o 0 o 0 o 0 o 0 o 0 o 0 o 0 o 0 o 0 o 0 o 0 o 0 o 0 o 0 o 0 o 0 o 0 o 0
- Corredor da limpeza –
Ino: A sala parece trancada.
Ela falou examinando a porta.
"Droga, alguém tem que ter a chave Ino."
Ino: ¬¬ Talvez elas gênio.
"Ou o zelador."
Itachi sugeriu ao fundo.
"Isso Ino, encontre o zelador."
Shikamaru falou, fazendo-a revirar os olhos.
Pensou um pouco.
Abordou a mulher gorda que passava uniformizada.
Ino: Com licença senhora, a senhora tem a chave desta sala?
Mulher: o.õ Pra que? Ninguém freqüenta essa sala, é um deposito inutilizado.
Ino: Ah, eu deixei meu crachá cair por baixo da porta.
Mulher: o.õ Hãã... Eu tenho uma chave mestra.
A mulher prestativa abriu a porta.
Mulher: Não to vendo o seu crachá...
Ino: Ah, eu vou dar uma olhada por aqui, muito obrigada.
Mulher: O.k.
A mulher se foi.
Ino fechou a porta atrás de si, procurando o interruptor no escuro. Acendeu as luzes, e analisou o local. Cheio de entulho, e empoeirado.
"Foi uma bela mentira, Ino gatinha."
Ino: Obrigada Suigetsu.
"Ino, me diga o que vê."
Shikamaru, Sr. Profissionalismo.
Ino: Nada incomum. Teias de aranhas, poeira... Típico de um deposito de entulhos inutilizados.
"Ótimo."
Ino: Qual é, você roia as barras do berço? ¬¬ Tinta com chumbo?
"Da-lhe Ino gatinha!"
Suigetsu exclamou animado.
"Não Ino. Eu faço bem o meu trabalho. E em cenas assim, poeira é sempre o que entrega tudo. Por que, podem até achar que elas disfarçam bem as coisas, e disfarçam... Mas, a parte sem poeira, entrega tudo."
Ino procurou aleatoriamente uma parte sem poeira.
Achou uma vassoura, dentro de um balde, enquanto o resto estava empoeirado, o cabo da vassoura estava bem limpo.
Ino: Achei.
Ela puxou a vassoura. A vassoura não veio.
Mas, um pedaço de parece se abriu.
Ino: Wow, era uma alavanca. =OO Tipo aqueles castelos mal assombrados.
"Que trash! Bem, diga-me... O que tem atrás da parede?"
Ino: Uma porta bem grossa de aço.
"Que merda."
Suigetsu falou aleatoriamente ao fundo.
"E como se abre essa porta?"
A voz de Shikamaru se sobressaiu.
Ino: E eu lá sei? Tem duas trancas aqui. Uma de cada lado. Ambas tem leitor de cartão... E de digitais.
"Obviamente, os cartões estão com elas..."
Ino: ¬¬ Shikamaru e sua incrível descoberta.
"Eu adoro essa garota!"
Suigetsu exclamou feliz ao fundo.
"Droga, cala a boca Suigetsu. Itachi? E agora? Não tem como agente...? Agente tem que saber o que tem dentro daquela sala vei... Agente tem que..."
Ino girou os olhos, Shikamaru era bem imbecil na visão dela.
Ignorou o blábláblá aleatório dele.
Ela abriu sua bolsa, que levava a tira-colo. Pegou o pó compacto. Passou cuidadosamente o pó sobre o leitor, com o pincel de blush. As duas digitais se fizeram visíveis.
Riu um pouco.
Ino: Haha' São diferentes... Precisa das duas pra abrir a porta, veja só. xDD
"O que?"
Alguém aleatório perguntou pelo telefone.
Ino ignorou.
Analisou o que tinha dentro da bolsa.
Pegou duas luvas plásticas e descartáveis e as pôs nas mãos.
Guardou o celular no jaleco novamente, e se esticou pra alcançar as duas trancas ao mesmo tempo.
Pressionou os polegares sobre o leitor. Roubando a ultima digital que havia sido posta ali.
A porta fez seu som, e começou a abrir.
Ino: Conseguii-i.
Cantarolou.
x X x X x X x X x X x
Sakura era – É; um assunto complicado.
Pra começar, tinha o mundo estúpido no qual eu vivia.
Onde garotas com rostos bonitos conseguiam tudo apenas pelos rostos bonitos. Onde ninguém era realmente alguém se não tivesse status, alta-classe social, e o mínimo de popularidade.
E em todo o lugar que eu olhava, lá estavam garotas falsas sorrindo pra mim. Só por que eu fazia propaganda com os gatos do momento.
Todas prontas pra serem as minhas melhores amigas, em troca de alguns números de telefone.
Um mundo no qual a marca da roupa que você vestia valia mais do que o seu cérebro. E o sapato e bolsa valiam mais que o seu coração. Onde, estar nas festas badaladas era mais importante que qualquer coisa.
Um mundo bem fútil.
Se modelar não fosse tudo o que eu queria, a profissão dos sonhos, e algo que eu não largaria nem que me pagassem, eu com certeza optaria por estar fora desse mundo.
No meu colégio, não era lá diferente.
Um colégio com uma mensalidade exorbitante, onde só gente podre de rica estudava.
Tirem pelo Sasuke... Uchiha. Só o nome já te humilha só de ouvir. A família Uchiha é simplesmente uma das mais ricas do mundo. A maior parte da riqueza era concentrada na família principal. Mas ainda assim, todos os ramos mais afastados eram alguma coisa importante. Nunca ouvi falar de um Uchiha que não fosse ao menos muito bem de vida.
Suigetsu tinha um tutor rico, Juugo uma fonte de dinheiro suspeita, mas grande, visto que antes de andar com o Sasuke, ele estava em todas as malditas festas e muito bem acompanhado. Karin tinha aquele escroto do Orochimaru como tutor, o melhor cientista do país. Podre de rico.
Naruto, uma herança fodona deixada pelo pai da alta classe. Hinata e Neji, de uma das famílias mais ricas e tradicionais do país – Assim como 'Uchiha' o nome Hyuuga humilhava qualquer um, em menor escala talvez, mas ainda assim ele pesava bastante; Tinham também os Sabaku, eles tinham vindo de outro país, mas tinham o mesmo nível que os Hyuuga.
Ainda tinham outras famílias tradicionais menos ricas. Eu era de uma dessas, com a diferença de que eu era uma modelo famosa, e a fama me fazia do mesmo nível que os Hyuugas e os Sabaku. Dentre essas famílias tradicionais e não tão podres de ricas, estavam alem dos Yamanaka, os Nara, os Aburame, os Akimichi...
E ai vinham os bolsistas.
Lee era bolsista.
Sakura era bolsista.
E havia algo diferente neles dois, eles não eram muito ligados em popularidade, quem ocupava que classe social, quem andava com o Uchiha ou quem deixava de andar...
E isso me fez "me encantar" pela Sakura. A possibilidade de ter uma amiga que não estivesse interessada em status. Por que nem tudo dava pra se conversar com o Shikamaru, afinal ele é homem. ¬¬
E então, desde pequena eu cultivei com todo o cuidado e carinho a amizade com ela. Ainda que as pessoas falassem, eu sempre procurava defendê-la de alguma forma.
Ela – Como a grande maioria das garotas; Era louca pelo Uchiha.
Pra variar, eu também.
Sabe aquela sensação de... "Não vale a pena"?
Era o que eu sentia todas as vezes que eu tive alguma chance de chegar nele – E não foram poucas; Mas, eu sentia que não valeria a pena. Perder uma boa amizade por uma chance remota com o Uchiha – Por que com aquele Iceberg eram só chances remotas que se tinham.
Então eu deixei pra lá.
Não é que não tivesse doído, ter chances e chances de falar com ele e ainda assim as tê-las negado. Era só que, pesando entre um amor e uma amizade, eu com certeza preferia a amizade.
Eu ajudei a Sakura com ele por muito tempo. Eu lhe arranjava momentos perto dele – E ela sempre estragava tudo; Eu lhe arranjava convites e roupas pras festas que ele talvez pudesse estar – No fim, eu só acabava adicionando roupas caras ao guarda-roupa dela, ele quase nunca ia.
Eu realmente dava o meu melhor pra Sakura.
Com um tempo as coisas começaram a ficar tensas e muito doloridas pra mim. Sakura era completamente viciada no Uchiha, e só aquilo importava.
Eu tentei fazê-la desencanar, mas ela parecia doente por ele.
Mas, alguns anos ruins não iam prejudicar a minha amizade.
Analisando hoje, comparando com a amizade com a Hinata, Sakura nunca foi minha amiga realmente. Ela foi mais como uma adotada. Eu gostava dela e gostava de cuidar dela. Mas, nunca ouve nenhuma parceria entre nós. Não que eu não quisesse, ela não parecia disposta. Na época eu achava isso valido, visto que eu nunca tinha tido uma amizade descente com uma garota... Hoje em dia não essa amizade não me parece muito diferente das por interesses, supracitadas.
E então, ele morreu.
Uchiha Sasuke foi atropelado sob circunstancias suspeitas.
Eu não tive nem tempo de pensar nele quando recebi a noticia. A minha primeira preocupação foi Sakura.
Eu fui até a ela. E eu tentei consolá-la.
E ela não me suportou mais. – Suportou é a palavra exata, por que era exatamente isso que ela fazia.
E então ela pôs tudo pra fora. Me contou como ela, assim como todas as outras, era minha amiga apenas por... Status. Que andar comigo a aproximaria do Uchiha. E que o Uchiha valia qualquer sacrifício, por mais insuportável que ele fosse. E como agora ele estava morto, que eu me mantivesse longe dela.
Eu queria poder dizer que eu me matei de chorar por que ela era uma perfeita vaca e me descartou como uma carta de baralho com números apagados.
Mas seria mentira.
Eu pouco me importei em como eu estava.
Eu queria só que ela ficasse bem. Não do jeito morto e destroçado que ela estava. Eu queria o bem dela mais que o meu.
E eu me lembro de perguntar, se eu podia fazer algo por ela. Ainda que ela não fosse mais ser minha amiga, ainda assim eu queria fazê-la se sentir bem.
Ela foi bem curta: "Só suma e me poupe de você, já é um grande peso a menos."
Eu queria poder lembrar quanto tempo eu fiquei achando que tinha algo de muito defeituoso em mim. Por que, tudo o que eu quis foi, o bem dela.
Depois, eu entendi que o problema era com ela. Ela é que era uma obsessiva, e eu tinha que bater palmas pra Karin. Não sei como ela conseguiu.
Bem mais adiante, depois da minha vida ter se tornado infernal e eu ter voltado a mim.
Eu arranjei um bom emprego. Em um hospital ótimo e de nome de peso.
Sakura era a minha chefe.
Eu me lembro como se tivesse ocorrido há alguns minutos atrás.
A palestra tinha acabado, e as medicas e médicos estavam saindo e eu estava sentada arrumando as minhas coisas. Eu não estava realmente me importando com a Sakura.
E então ela me chamou, e olhou pra de cima a baixo com um desdém indescritível.
E falou: "Eu não sei por que, eu invejava tanto você... Só por que eu queria ser igual a você?" Ela riu, riu uma risada desdenhosa visivelmente forçada. "Veja só agora Ino, você não é mais capa de revista e eu sou muito melhor que você. E nem foi difícil como eu achei, afinal, você nem era tanta coisa assim...".
E eu nunca quis tanto uma revanche.
x X x X x X x X x X x
"Diga-me o que vê."
Ela analisou por um segundo e mediu as palavras.
Ino: O laboratório do Dr. Estranho depois da fuga do Franskeitein.
"Sem brincadeiras Ino."
Ino: Eu não estou brincando. Algumas teias de aranhas e esse lugar seria igual ao que eu descrevi.
"Isso é ridículo."
Ino: Imagino que você queira vir aqui pra confirmar Shikamaru.
"Eu pedi pra descrever o que você vê, não pra me dizer o que você acha."
Alguém chamou a atenção dele ao fundo.
"O que? Eu estou sendo profissional, ela é que não está!"
Ino: O.k. Itachi. Deixe-o. Não tem como ensinar alguém que passou a vida sem, a ter bons modos agora.
"Imagino que você esteja tendo muito bons modos não é Ino?? Ah, claro! Eu tenho que aturar você! Cheia de indiretas, e tudo mais... Eu tenho que ignora-las e uma coisinha que eu falo vira uma tempestade em copo d'agua."
Ino: Quem está fazendo tempestade em copo d'agua é você. E que culpa tenho eu se a carapuça serve em você de toda coisa ruim que eu falo.
"Sinceramente, com tanta gente ai... Por que agente tinha que escolher a mais ESTÚPIDA pra trabalhar??"
A voz dele era cheia de raiva agora. Cuspiu a palavra "estúpida" ao telefone.
Ouve uma pequena confusão ao telefone. Baques e reclamações, e uma voz que se sobressaía e botava ordem em tudo.
Enquanto Ino apagou o xingamento da memória e entrou na sala, analisando de outros ângulos.
Ino: Dá pra calarem a boca? Shikamaru, ouça e ponha essa sua maldita cabeça pra funcinar.
Ino lhe falou o que viu, e Shikamaru lhe falou o que entendeu.
(N/a: As constatações a seguir são de ambos os personagens, Ino e Shikamaru, sem distinção de quem concluiu o que. Por que seria muito trabalhoso por diálogos pra tudo isso, e também desnecessário. Mas, como a historia ficaria um pouco "defectiva" sem... Eu pus.)
Viu a cápsula quebrada e as pegadas de sangue. Algo tinha saído de lá de dentro.
Viu que o vidro de uma pequena janela quebrado e ensangüentado, como se algo tivesse passado por ali.
Viu o computador e que ele devia ter sido abandonado ligado em algum ponto. E viu como aquilo era convidativo. Mas não o fez no momento.
Viu que havia uma única câmera no aposento, e ela filmava a cápsula quebrada.
Notou que havia muitos equipamentos médicos na sala. E muitos remédios, e substancias químicas.
Notou as pegadas que levavam até o banheiro.
Olhou as pegadas anteriores, e notou que o sangue delas havia secado mas as que levavam ao banheiro ainda não.
O que só podia significar que o que quer que estivesse naquela cápsula, transitou mais do banheiro até a janela do que da cápsula até algum lugar.
Mas, não haviam tantos trânsitos de pegadas diferentes. Então, ele tinha andado de costas em algum momento, seguindo exatamente as pegadas anteriores pra não deixar pista de que tinha ido lá mais de uma vez.
O que por sua vez, fazia a janela como uma pista falsa. E também tinha o fato de que ninguém passaria por ali.
No banheiro, as coisas pareciam bem. Normais como se o ser fugitivo tivesse apenas ido e olhado no espelho.
Mas, foi notado ainda que faltavam alguns parafusos no duto de ar. Então, o que quer que fosse tinha saído por ali, e tinha apagado os rastros.
O que o fazia no mínimo, muito inteligente.
(N/a: Acho que as coisas voltam ao normal agora. Os pensamentos da Ino e do Shikamaru deixam de ser um só. G_G)
Ino: O computador foi esquecido ligado. Aqui deve ter os vídeos daquela câmera.
"Dê uma olhada nisso pra mim."
Ela acessou o computador, e procurou os vídeos da câmera.
Ino: Parece que a câmera grava em cima dos arquivos anteriores. Guarda somente o que aconteceu no dia, e no dia seguinte, grava em cima.
"Previsível. É como toda e qualquer câmera de segurança de um local que ninguém penetra. Se é inútil gravar já que nada acontece... Então eles gravam em cima."
Ino: O que nos deixa sem saber muita coisa também.
"É. Dá uma assistida nisso."
Ino assistiu desde o começo do dia. Passando as partes sem movimento e assistindo as que acontecia algo.
Ino: Meu Deus... É o Sasuke! Ah... Dentro daquela cápsula... Tinha o Sasuke!! Não o Sasuke... Quer dizer... "Um" Sasuke... Eu sei lá, eu...
"Tudo bem Ino, mais adiante, por favor."
Ino: Tudo bem!?!? Você é louco é!?!? Aquilo era o Sasu-- Ah... É disso que se trata não é? Sasuke!! Por isso o Itachi implorou alguma coisa!!
"Adiante Ino. Perguntas depois."
Ino tentou engolir a curiosidade e o fato de tudo aquilo soar absurdo demais. Passou o vídeo até o ponto em que aconteceu algo.
Ino: Hã... Sakura... Sakura!!
"Perguntas--"
Ino: Depois, eu sei.
Ela já estava começando a se sentir tonta com tudo aquilo.
Ino: Bem... Ela pôs algo na cápsula e... Se foi... Hã... Eletrocutaram-no!! Faltou luz... A câmera parou por um tempo e voltou rápido... Hã... Ele se mexeu!!! Meu Deus ele se mexeu!! Hã... Ele parece sem ar... Sakura foi lá novamente. E a Karin também!! ... Ah-ah... Ele desmaiou... Parece estar bem.
"Adiante Ino."
A cabeça dela já começava a doer verdadeiramente, era informação demais.
Ino: Bem... Hã... Ele acordou. Não tinha mais ninguém aqui. Ele pareceu desesperado o.õ... Ele quebrou o vidro com um soco!! ... E-ele... Saiu andando sobre os cacos, e deixando as pegadas de sangue... Ele não voltou mais pra lá.
"Bem, agente já sabe a historia."
Ino: Sabe!?
"Ele saiu daí. Fez uma pista falsa de fuga. E fugiu pelo duto de ventilação."
Ino: Há... Há...
Ino se sentia meio louca agora.
"Ino... Olhe o computador... Deve ter alguma informação crucial sobre isso."
Ino: Shikamaru!! Você é louco!?! Tem um Sasuke andando machucado por ai!! Ele não pode estar muito longe!! Agente tem que achá-lo... Antes das duas cientistas loucas aqui, ou...
Algo estalou dentro da sua cabeça.
Ino: Ele está com vocês... Claro! Vocês não iam me mandar procurar um laboratório secreto se não soubessem que tem um!
"Isso Einstein. E ele está machucado, por isso precisávamos de uma medica... Itachi achou boa a chance de você estar no hospital... E pensou que você poderia conseguir umas respostas... Por que agente realmente estava precisando."
Ino: E como vocês sabiam que estaria aqui?
"Ele estava pelado na gravação? Ele não chegou até agente sem roupa. Ele deve ter roubado o jaleco das duas, elas devem ter esquecido ai... Sei lá, foi a pista inicial."
Ino: Isso é muita loucura.
"Mais que isso. Dá pra olhar no computador...? Tem que ter alguma coisa... Qualquer coisa."
Ino procurou se focar nisso.
Procurou algo no computador...
Achou algo parecido com "O diário do experimento."
Ino: Isso é muito bizarro!! A Karin escrevia um diário de avanço de todos os dias da experiência... Ela--
"Perfeito Gente! Mas, não sei se vocês sabem... Mas, a duas devem estar loucas atrás do Sasuke! E uma hora elas vão voltar ai!"
A voz de Suigetsu se fez presente, e continuou.
"Querem pela'mor de Deus fazer backup disso daí e deixar essa menina sair daí?? Se uma das duas encontrar ela ai, acho que todos nós nos fudemos legal!"
Ino: Ah... Eu... Eu tenho um pen drive aqui. Eu posso copiar o diário da Karin. E... Ir pra ai... Seja lá onde vocês estiverem.
Itachi foi quem lhe respondeu.
"Eu agradeceria Ino. Estamos na minha casa. Eu mando o endereço por mensagem de texto pra você não esquecer. Traga seu equipamento medico, Sasuke está, bem machucado."
Ino: O.k.
"Aah, Ino."
Shikamaru a chamou.
"Apague o vídeo da câmera. Você provavelmente aparece nele. Boa sorte. Te esperamos aqui. Tchau"
E desligou.
x X x X x X x X x X x
Não é algo que se esqueça fácil.
Talvez algo que você possa se abster de pensar, mas não esquecer.
Pode não vir a sua mente com tanta freqüência, mas com certeza no momento em que vier serão memórias frescas.
- Flash Back On –
Estava lotado, e cheio de flash's.
Eu sorria a toda hora.
Esbanjava felicidade.
Outra exposição de sucesso do Sai.
Todos tinham que admitir, ele tinha um talento sem igual.
P-i-n-t-a-v-a M-u-i-t-o!!
Eu me sentia, muito, muito lisonjeada em ser a "musa" dele. Quer dizer, o cara era rodeado de garotas, e escolher justo a mim?
Claro, que fazia sentido pra quem olhava de fora.
A super-modelo e o super-pintor.
Mas, nos dois sabíamos que não era assim. Não pra nos pelo menos. Pra nos éramos só Ino e Sai.
Duas pessoas sem nada especial no fundo.
Eu era tosca e sem graça na realidade. Ele discordava dessa parte... Mas ele era suspeito de falar. -.-'
Ele era um tanto confuso em relação a sentimentos humanos e expressões. Sempre fazendo a expressão errada na hora errada. Um fofo.
Eu tinha certeza absoluta que podia confiar nele.
Ele era diferente da Sakura. Era... Confortável. Era bom estar com ele. Sem sacrifícios ou bolos intragáveis na garganta. Era leve.
Leve como era com a Hinata.
Eu o vi vindo. Eu sorri pra ele.
E ele pareceu hesitar, como se não quisesse fazer algo por um segundo. E então, ele pos o sorriso de sempre no rosto.
Veio até mim e me abraçou, posando pra algumas fotos. Sussurrou ao meu ouvido entre elas.
Sai: - sussurrando – Shikamaru quer falar com você.
O nome "Shikamaru" quase sempre injetava uma dose bem grande de felicidade em mim.
Mas, dessa vez, tinha um motivo em especifico. Um bem especial.
Ino: Ele veio?!
Eu senti que devia controlar meu tom. Eu ficava feliz demais quando se tratava do Shika. E aquilo machucava o Sai. Por que o Sai gostava muito de mim. Mais do que deveria até...
Eu senti ele ficar tenso por um curto espaço de tempo. E então voltou a sussurrar ao meu ouvido.
Sai: - sussurrando – Ele está te esperando no meu ateliê.
Ino: Hm, particular?
Meu tom soou sugestivo.
Sai me afastou olhou pra mim algum tempo e sorriu. Aquele sorriso sincero e dolorido dele.
Sai: Você vai gostar.
-//-
Eu entrei no Ateliê. Chamando pelo Shikamaru.
Eu estava ansiosa pra falar com ele desde ontem.
Não, ansiosa era pouco. Eu precisava muito falar com ele desde ontem.
Estranhamente eu não tive resposta.
Procurei-o pela sala.
Ela estava vazia.
Pensei como o Sai parecia idiota por ter me enganado.
Eu pretendia sair e dize-lo isso pessoalmente, ai então eu vi a tela.
Eu deveria ter passado alheia a ela no frenesi de ver o Shika.
Era eu.
Nua. o.õ
Quer dizer... Estava de costas... Estava incompleta. Pintada só até o pescoço. O que denunciava que era eu eram somente os olhos azuis ao fundo.
Seria mais uma tela normal se não fosse o fato de que eu nunca tinha posado sem roupa pro Sai.
Ainda que fosse nu artístico.
O máximo que ele poderia conhecer do meu corpo era o que as propagandas de lingerie revelavam.
Ele sabia tanto quanto qualquer um.
Então aquela tela soou bem imaginativa pra mim.
E a idéia de Sai me imaginando sem roupa não foi agradável.
Na realidade, me deixou bem irritada.
Escrevi uma mensagem de texto bem mal-criada, e enviei a ele pelo celular.
Não demorou muito pra ele entrar pela porta.
Ele me olhou cauteloso.
Sai: O que foi?
Ino: Explique.
Eu apontei a tela.
Sai: O que? A tela?
Ino: Por que eu estou sem roupa em uma das suas pinturas?
A cara dele se contorceu em incompreensão.
Ino: Olha, você pode ter uma mente bem imaginativa. Eu não posso impedir isso. Mas, pintar telas? Por favor, se isso for pra uma exposição, o que o Shikamaru vai pensar?--
Sai: Ino...
Ino: Que eu andei posando nua pra você?? Ele já é ciumento o suficiente como eu já te expliquei muitas vezes Sai, então por favor--
Sai: Ino.
A voz soou forte. Quase como um "Cala a boca!"
Eu não gostei.
Ino: O. Que. ? o.ó
Sai: Não é você.
Ino: Hã?
Sai: Não é você.
Ino: Como?
Sai: É a minha irmã.
O meu cérebro se desordenou por algum tempo.
Ino: Sua irmã? Hã... Nua?
Sai: Nu artístico, Ino. Eu nunca conseguiria olhar pra minha irmã com olhos que não fossem o de um irmão.
Ele pareceu meio irritado ao responder.
Ino: Ah-ah... Mas... Os olhos... Meus olhos no fundo da tela.
Sai: Não são seus olhos.
Ino: Como não?? Eles estão em quase todas as telas.
Sai: Sim, estão. Mas, não são seus olhos em nenhuma delas.
Mais confusão.
Ino: Como assim não são os meus olhos?? São azuis!!
Sai: Bela justificativa. Ino, você não é única a ter olhos azuis na terra.
Ino: Mas eu sou a única que você pinta.
Sai: Tecnicamente...
Ino: Como assim??
Ele pareceu desconfortável.
Sai: Ta... Pra todos os efeitos, eu pinto somente você. Mas, a tela ai é da minha irmã.
Ino: Isso não faz--
A imagem da irmã dele me passou pela mente. Eu podia lembrar perfeitamente do rosto sorridente, e a franja preta caindo sobre a testa e as vezes tapando um par de olhos azuis.
Ino: Você pinta... Os olhos da sua irmã??
Sai: Exato.
Ele se moveu pela sala e me puxou, repentinamente animado, enquanto eu digeria a informação.
Sai: Os olhos dela são simplesmente... Magníficos!
Ele começou a me mostrar consecutivas telas de olhos azuis.
Sai: Consegue-se ler todo e qualquer sentimento. São livros abertos. Magníficos!
Eu me desvencilhei dele e o olhei abismada.
Aquilo soava muito insano.
Soava como incesto.
Ele me encarou, e toda a animação repentina dele morreu.
Sai: Está vendo? Por que eu nunca falei de quem eram os olhos nas telas? Todos iam pensar exatamente o que você está pensando. "Incesto!!"
Ele parecia se ofender com aquilo bem mais do que conseguia demonstrar.
Eu tentei processar a informação de outra maneira, mas, "incesto" era tudo o que me vinha na cabeça.
Ele pareceu se estressar bastante comigo.
Sai: Você melhor do que ninguém deveria entender... Que eu não conseguiria olhar pra ela de uma forma pecaminosa...
Ele pensou se deveria ou não continuar.
Sai: Você sabe muito bem quem está presente nos meus pensamentos pecaminosos...
Ele começou a frase bem confiante, mas ela foi morrendo.
Ainda assim aquilo foi incomodo.
Eu sabia que era eu.
Ele não me encarou mais.
Eu senti a tensão crescer, e a acusação "incesto!" morrer na minha mente.
Ino: Hã... Desculpe-me, Sai... É que... Você nunca me disse que não eram os meus olhos nas telas.
Eu arrisquei tentando amenizar a situação.
Sai: Eu nunca disse que eram.
Ele continuou sem me encarar.
Eu andei até ele e ergui o rosto dele, fazendo-o olhar pra mim enquanto admitia uma coisa contra a vontade.
Ino: Isso... Você nunca falou nada, então eu achei que fossem meus e... A idéia de não ser a única pessoa que te inspira... Meio que... Feriu meu ego.
Não foi uma mentira. Mas era uma verdade sem importância... Que provavelmente não ia melhorar nada.
Mas Sai de certo ia deixar passar.
Ele desviou da minha mão, encerrando o assunto em silêncio.
Eu o segui de volta do corredor de telas de olhares da irmã dele até o centro do ateliê, onde ele pegou a outra tela e foi a por no lugar. Me encostei na grande mesa que estava no centro.
Ino: Então... Pra que me chamou aqui?
Sai: Você me chamou.
Ele respondeu com a voz sem emoção.
Ino: Não... Você me falou que o Shikamaru estava esperando por mim aqui.
Ele voltou estranhando.
Sai: Ele estava.
Ino: Não tinha ninguém quando eu cheguei.
Sai: Estranho. Não acho que ele vá desistir de fazer o que ele me disse que ele ia fazer.
E sem querer, ele se entregou.
Ino: O que você está sabendo Sai?
Sai: Aah, nem tente! Segredo de estado. Eu posso ser assassinado na esquina se falar.
Eu fiz uma cara de falsa ofensa.
Ino: Aah, agora os dois estão mancomunados contra mim??
Sai: Haha' duvido que algum dos dois queira te fazer algum mal.
Ino: Nem tente Sai. Pode ir abrindo a boca. Conte-me!
Sai: Não posso já disse. Vai estragar a surpresa.
Aquilo aguçou mais a minha curiosidade.
Eu insisti muito, muito. Mas, ele não abriu a boca.
Então o jeito foi barganhar.
Ino: Você me conta o seu segredo de estado, e eu conto um outro pra você. Algo, muito, muito, muuuuiiitooo importante! A Hinata já sabe... E você pode ser o próximo a saber.
Sai: Aah, agora você está dando preferência aos amigos? Antes a Hinata que eu?
Ino: Aaahhh, falou a pessoa que está guardando o segredo do Shikamaru de mim!!
Sai: Tudo bem. Eu falo. Se você prometer fingir muito bem que não sabe de nada.
Ino: Certo, certo!
Sai: E que vai falar primeiro.
Ino: Nem rola! O que me garante que você não está mentindo pra mim?
Sai: E o que me garante que você não está mentindo pra mim?
Ino: Eu sou confiável. =]
Sai: E eu não sou??
Falsa ofensa.
Ino: Corta essa, Sai. Fala logo.
Sai: O.k... Ele vai te pedir em casamento.
Eu senti meu coração pular uma batida.
Um infindável mundo de sentimentos felizes e fortes passou por mim como uma onda.
Eu senti meu estomago dando loops.
Ino: Perfeito.
Eu murmurei.
Ino: Isso é perfeito!!
Eu comecei a pular empolgada.
Sai não pareceu acompanhar minha empolgação, mas não a impediu de correr.
Me deixou curtir a minha empolgação cheia de gritos histéricos de como tudo estava perfeito.
E depois a limitou.
Sai: Então, acho que você me deve um segredo de estado.
Eu parei.
O olhei mordendo os lábios, ansiosa. E pousei a mão no ventre.
Ele demorou um pouco pra entender. Mas quando entendeu, a cara de espanto foi genuína.
Sai: Não.
Ino: Uhum.
Eu sacudi a cabeça frenética e positivamente, ansiosa demais pra responder de alguma forma menos estúpida.
Sai: Você não está--
Ino: Grávida!!
Eu pulei mais um pouco, feliz demais pra conter aquilo tudo.
Grávida, e agora, Shika ia me pedir em casamento.
Eu podia ver a cara dele quando eu contasse pra ele. Ele não ia caber em si.
Sai estava em choque. Eu passei a dançar em volta dele e pular pela sala com os meus gritos histéricos.
Então, como um estalo, eu vi que eu estava completa. Cheia até a borda de felicidade.
Shikamaru e um filho.
Essa era a minha vida agora.
E em outro estalo, eu me lembrei da minha carreira. Como com o casamento e um filho, eu não ia ter tempo pra ela. E principalmente, como o Shika detestava ela.
Ino: Eu vou parar.
Sai saiu de transe alguns segundos depois.
Sai: O que?
Ino: A carreira de modelo. Eu vou abandonar.
Sai: Hã?! Como assim!?
Mais expressões genuínas.
Ino: Isso! Eu vou abandonar a carreira!! O Shika a detesta mesmo!! E com o casamento e o filho, eu nem vou ter tempo pra isso! Eu vou deixar pra lá! Quem precisa disso afinal??
Sai: Você está bem, Ino? Serio. Abandonar a carreira de modelo??
Ino: É!! Vou fazer isso agora!! A imprensa toda ta ai fora não é? Vou anunciar em primeira mão.
Eu sai correndo pra porta, sem poder me contar de tanta felicidade.
Sai me segurou pelo pulso.
Sai: Pense um pouco nisso. Não tome decisões que você possa se arrepender depois.
Ino: O que há pra se arrepender?? Eu vou passar a vida inteira com o Shika!! E tem um pedaço dele dentro de mim!!
Sai: Pense mesmo assim--
Ino: Não se preocupe Sai! Eu vou ficar bem... Tudo vai ficar bem agora!!
Eu o olhei nos olhos, e pude ver que ele achava que eu ia fazer tudo errado.
Eu o ignorei.
- Flash Back Off -
E fiz a maior burrada da minha vida.
Eu acreditei no Shikamaru.
x X x X x X x X x X x
Era um condomínio chique e seleto. Caríssimo. Muitas belas casas, com muros, ou não, separando-as dos outros moradores. Uma vizinhança discreta, que se importavam somente com seus quintais enormes, e se desligavam das outras casas.
Perfeita pra trazer uma experiência secreta.
Ela olhou pra casa.
Era majestosa e intimidadora, e se destacava entre as outras.
Os muros, que já estavam pra trás, estavam cobertos por trepadeiras verdes perfeitamente cuidadas e podadas. Não havia uma falha sequer.
Era branca, com madeira escura nas janelas e portas.
Dois andares e um terceiro pra sótão.
O jardim da frente era muito bonito e grande. Uma grama verde e convidativa, sem arvores, puramente grama. Havia um pequeno lago artificial também, com sua água translúcida e uma iluminação que o deixava surreal. Havia um caminho de pedras de granito mal lapidadas propositalmente e cimento leve que levava até a entrada da casa. Esse caminho era adornado por flores brancas e a iluminação branca centrada nas flores quase as fazia brilhar.
A entrada da casa era constituída por uma pequena escada de dois degraus, e passeio com varanda. Ambos em madeira escura. A porta era grande e imponente, intimidadora.
Ino piscou algumas vezes, tentando assimilar toda a beleza e magestosidade da casa.
Ainda estava dentro do carro, em frente à casa. Depois de alguns segundos admirando, foi até o estacionamento da casa.
Notou que Itachi tinha alguns bons carros ali. Muitos bons carros ali.
Estacionou, mas permaneceu dentro do carro.
Pensou sobre o que ia fazer por um segundo.
Pensou em como agir, sendo que depois de anos, ia ver o homem a qual ela amou mais que a si mesma, o mesmo que a abandonou. Grávida, sem trabalho e sem explicação nenhuma.
Eram duas sensações: Ódio, e dor.
A dor superava o ódio.
Mas a dor impelia o ódio. Dava lenha pra ele queimar, queimar ela inteira por dentro.
Ela se sentia pronta. Pronta pra encará-lo. Tinha uma confiança inabalável no seu ódio e orgulho.
Ia fazer isso.
Saiu do carro, profundamente focada. Atravessou o espaço surreal do jardim sentindo que tudo ficava distante, agora ela sentia seu foco muito maior. Ia vê-lo, e mais do que isso, queria vê-lo. Encará-lo e mostrar pra ele. Mostrar tudo o que ela havia se tornado SEM ele.
Tocou a campainha sem hesitar.
Esperou os segundos distantes e longos ate Suigetsu abrir a porta. Viu Suigetsu erguer uma sobrancelha e sorrir. Um daqueles sorrisos que homens costumam dar quando vêem uma mulher muito bonita.
Suigetsu lhe deu um abraço, não um abraço de quem vê um velho amigo, não. Um daqueles abraços que é dado apenas pra sentir o corpo de outra pessoa esmagado ao seu, por pura excitação. Depois lhe guiou até a sala.
Ela sentia-se atraída pelo caminho. Seu ódio vibrando cada parte do corpo dela de tão ansioso pra encontrar a fonte dele.
Só mais alguns passos...
O som do salto batendo confiantemente no chão de cerâmica polida da casa estava se aproximando.
Mas parecia cada vez mais distante pra ele.
Cada segundo e cada passada do salto pareciam eternos, e uma parte dele desejava que fossem eternos e distantes. E que nunca chegassem.
Ele sentia que não era forte o bastante.
Ele sentia que aquilo tudo, todos aqueles sentimentos deviam ter ficado enterrados.
E ele também sentia que estaria perdido. No momento em que a visse, aqueles sentimentos que ele suprimiu iam tomar conta dele.
E ai então, seria sua perdição.
Ele tentou se focar no que Itachi tinha dito sobre profissionalismo.
E então descobriu a pior parte de tudo aquilo, a parte mais forte dele.
Mesmo que ele pudesse, ele não iria sair dali.
Ele sentia como se tivesse tendo a chance pela qual esperou uma vida inteira. Ele tinha a chance de vê-la. E ele queria tanto isso que chegava a sufocá-lo. Ainda que ele soubesse que doeria. Ainda que ele soubesse que aquilo o mataria. Não importava.
Sentia-se como um alcoólatra, que passara uma vida inteira sem poder beber e agora, finalmente estaria em um bar. Ainda que ele soubesse que não poderia beber, tal era o vicio, que só o cheiro da bebida bastaria.
Seria o suficiente pra ele, o suficiente pra sua vontade e abstinência se voltar contra ele e matá-lo aos poucos.
Ainda assim, algum tempo com o cheiro era melhor do que a vida sem.
Suigetsu entrou na sala.
E ele sentiu seu coração saltar uma ou duas batidas.
Ele parou de ouvi-lo no segundo em que Ino entrou na sala.
O silencio, a sala, e as pessoas... Tudo ficou distante.
E aos poucos o mundo foi se centrando em uma única coisa.
Yamanaka Ino.
E seu mundo ficou lento. E seu corpo vibrou como um tambor no carnaval, enquanto seus olhos captavam quadro a quadro os movimentos de Ino.
E seus cabelos loiros, grandes e bem tratados, presos em um rabo de cavalo, e em como esses cabelos subiam e decaíam em movimentos leves enquanto ela dava um passo.
Em como os seios faziam o mesmo movimento bem mais leve e contido, quase inexistente. E como o decote da camiseta preta se assentava bem nela, ainda que a blusa de botão branca – Fechada três botões de baixo pra cima; obstruísse a visão dele.
Reparou em como o cinto preto e grosso marcava a cintura e contrastava com a blusa branca.
E em como a calça jeans – preta; de cós alto se moldava bem às nádegas e as coxas dela.
E em como o sapato social de salto batia seguramente na cerâmica.
E ele se sentiu inibido. Ela parecia demais.
Bem mais do que ele se lembrava.
E aquilo o cortou secretamente.
Os olhos azuis se focaram nele.
E a sensação foi diferente do que ela havia esperado.
Vê-lo ali, simples como o Shikamaru de sempre, lhe trouxe lembranças que ela julgou esquecidas.
Mais que isso, superadas.
Ela achou alguns segundos antes, que seu ódio seria capaz de suprir aquilo. Mas, ela estava mortalmente errada.
Ela não conseguiu dar mais de dois passos com a confiança que estava e então ser paralisada pela dor.
Um abraço quente e gostoso lhe distraiu, lhe salvou. Era diferente do abraço sexy de Suigetsu, esse abraço tinha um quê casto, e agradecido.
Ela sentiu Itachi lhe sussurrar ao ouvido.
Itachi: Muito, muito obrigado por ter vindo Ino.
A voz rouca lhe causava arrepios, lhe deixava tonta.
Itachi: Eu realmente não sei como agradecer.
Ela piscou algumas consecutivas vezes, tentando não se deixar levar pela aura "Uchiha" e o jeito extremamente estonteante com o qual Itachi fazia as coisas.
Ele se afastou dela, e ele tinha um olhar agradecido verdadeiramente. E em seguida ele pediu algo.
Itachi: Você poderia tratar do meu irmão?
Seu rosto não se contorceu, continuou na mesma perfeição de sempre, mas, seus olhos com certeza imploravam a ela.
Ela respirou profunda e lentamente tentando manter sua respiração correta. Talvez ela estivesse esquecendo o que homens daquele nível causavam nas mulheres.
Processou ainda um pedaço de frase.
Ino: Seu irmão? o.õ
Itachi: Discussões daqui a pouco. Por favor, trate dele.
Que mulher em sã consciência negaria algo a Uchiha Itachi? Ainda mais se ele estivesse realmente pedindo?
E assim, Itachi distraiu Ino a ponto de ela ignorar – Da forma que lhe foi possível; Shikamaru.
Ainda que ela tivesse notado que Shikamaru olhava pra ela com algo que lhe lembrava elação.
x X x X x X x X x X x
Eu não sei como aconteceu.
Eu sei que em algum momento, um par de mãos me puxou. E o calor de um corpo me aqueceu.
A voz era distante eu não entendia ou reconhecia.
Eu senti roupas postas sobre mim me cobrindo da chuva constante, enquanto o rosto familiar e desconhecido estava na minha frente me chamando com a voz distante que eu não entendia.
Ele me levantou em algum momento, e nos caminhamos na chuva. E eu não me lembro de controlar os meus passos, eles pareciam de outra pessoa.
Eu me lembro que estava frio, muito frio. Mas o frio que eu tinha por dentro era tão pior que o frio da chuva, era cortante.
Eu queria poder lembrar com clareza o motivo de estar tão absurdamente frio por dentro.
Mas meu cérebro parecia tão lento. Parecia congelado.
Eu me lembro de olhar a minha mão, e ver as gotas de chuva passarem por ela enquanto o meu salvador falava com alguém.
Eu me lembro de ela não parecer a minha mão. E principalmente por que faltava um anel nela. O anel de noivado que eu ia ganhar aquela noite.
E então eu lembrei.
E então o frio foi substituído, por uma dor aterradora. E eu não conseguir fazer nada, somente ser tragada pra dentro dela.
E a próxima lembrança é um som ensurdecedor e faróis de carro.
-//-
Eu lembro da luz branca, e do barulho irritante do aparelho que media os meus batimentos cardíacos.
Eu estava ciente de um buraco bem no centro do meu peito. Algo como vácuo. Vazio como se algo crucial tivesse sido roubado.
Eu sabia o que faltava. Faltava ele.
Mas, não doía. Eu ainda me sentia fria e imóvel. Em ponto de me partir em pedaços, como algo firme que fica muito frágil quando congelado.
Eu sentia que podia entrar em colapso a qualquer momento.
Mas ainda tinha algo pra mim.
Me lembro de levantar assim que abri os olhos. Automático.
E então, eu senti que tinha algo errado.
Eu olhei em volta do quarto de hospital e ai então eu o vi vindo pra mim.
Sai: Deite-se Ino.
Eu o encarei apática, sem forças pra me exaltar.
Ino: O que aconteceu?
Ele me forçou, bem educadamente, a deitar.
Sai: Você foi atropelada.
Ino: Como?
Eu não me impressionei com isso. Eu me sentia imutável. Como se nada fosse me atingir na minha fortaleza gelada.
Sai: Você saiu correndo no meio da rua sem motivo aparente.
Eu não lembrava disso.
Mas, ainda tinha algo que eu lembrava. Algo que estava me impedindo de partir em pedaços.
Ino: E como ele está?
Ele hesitou por um segundo.
Sai: S-Shikamaru?
Ele perguntou muito, muito cauteloso.
E eu senti o vácuo. Como se alguém tivesse sugado todo o ar existente naquele buraco de ausência em mim. Não doía. E nem incomodava. Mas era ruim.
Mas, ainda assim eu sentia que tinha algo errado.
Ino: Não... Não o Shi-- Shikamaru... O... Meu bebê.
Sai não respirou por um tempo. Ele abaixou a cabeça e ai então ele tentou falar, sua voz estava com uma emoção que eu desconhecia.
Sai: O acidente... Ele não... Resistiu, ele... Eu sinto muito.
Era o ponto que faltava.
Era o meu filho, aquilo que estava impedindo-me de me partir em pedaços.
Eu sabia dele a menos de uma semana, mas era incrível o quanto eu estava esperando por ele. Eu realmente estava contando com ele, pra me manter inteira.
E ele não...
Agora eu me sentia uma casca. O vácuo era total agora.
Minhas lagrimas rolavam como se fossem de gelo.
E eu me senti como se estivesse morta.
Eu podia sentir que eu estava rachando, e quebrando. Aos poucos, pequenos pedaços de mim iam caindo no chão e se espedaçando como gelo quando bate em uma parede.
Eu podia sentir que eu estava perdendo, me perdendo.
Eu olhava pra frente, e estava lá. Se estendendo a minha frente, convidativo.
O oceano de dor. Apenas esperando por mim.
Eu podia sentir a barreira de gelo em volta de mim rachar, e então a água desse oceano começar a invadir aos poucos e encher a minha barreira como uma tigela.
Eu senti-me toda dentro dela. Como se estivesse em uma banheira esperando que o ar acabasse pra que eu morresse. Mas ele não acabou.
E durantes os segundos eternos, o água do oceano se infiltrou pelas minhas rachaduras, aumentando-as. E se juntando a mim, como se todo o meu ser fosse apenas aquilo, frio e dolorido.
Eu não queria fugir dali. Eu não via pra onde ir. E ainda que visse, eu não tinha forças pra fazê-lo.
Não tinha salvação pra mim.
Senti como algo distante, como uma furada em um pé semi-dormente, Sai me abraçar.
E me acalentar.
Ele dizia: "Nós vamos dar um jeito, Ino."
Mas não tinha nós.
Não tinha eu o Shika.
Não tinha eu e meu filho.
Tinha apenas eu, um frio cortante e um oceano de dor.
Nada podia dar jeito naquilo.
x X x X x X x X x X x
"Eu não sabia onde ela queria chegar, aquilo era um absurdo. Mas, decididamente não era impossível. Vamos trabalhar nisso com certeza.
K. 10/02/94."
"A cada dia eu fico mais impressionada com ela. Ela é só uma criança. E ainda assim, o mundo de dificuldades que nos encontramos ela contorna-as sem muito esforço. Poderia alguém ser tão gênio?
K. 07/01/95."
"A experiência com ratos começou hoje. M. está bem confiante. Eu me sinto mais pessimista com apenas 39 por cento de chance. Mas, acho que pelo nível de intelecto dela, devo-lhe esse voto de confiança.
K. 02/04/95."
"Deu certo!! M. é mesmo um gênio! Fazer dar certo com tão poucas chances. Os ratos atravessaram o labirinto desconhecido como se sempre o conhecessem. Sendo que nunca nem foram apresentados, e sim os seus verdadeiros eu. Então a teoria sobre ser possível um clone recuperar memórias do original, é verdadeira.
K. 10/04/95."
"Hoje todos os ratos morreram. Hemorragia cerebral. M. está trabalhando em teorias. Mas pra nos duas ficou claro que 39 por cento de chance é pouco. Precisamos de bem mais.
K. 11/04/95."
"M. disse-me que talvez as condições em que nos aceleramos o crescimento dos ratos, de feto pra a idade atual do original pode implicar nas chances em porcentagens. Vou trabalhar nisso enquanto ela estuda melhor outras possibilidades.
K. 13/04/95."
"Consegui aumentar as chances pra 45 por cento, alterando algumas das condições básicas pra se acelerar o crescimento do clone. M. disse-me que pode melhorar isso ainda mais com algumas teorias em que ela trabalha. Mas que isso pode demorar.
K. 04/06/95."
"Droga! O colégio nos descobriu no laboratório. Considerou nossas experiências uma afronta. E nos fomos expulsas.
Fiz backup de tudo, assim como a M. antes de eles simplesmente queimarem os nossos computadores e amostras. Como na inquisição.
Parece-me que M. vai pra um internato na Alemanha, cidade na qual morou um bom tempo. E eu serei transferida pra um colégio por aqui mesmo.
Ambas prometemos procurar melhoras no projeto, mesmo distantes.
Eu não tenho idéia de como fazer as coisas sem ela. Não que eu pretenda desistir, mas... Acho que posso dar um tempo.
K. 26/06/95."
"Sasuke está morto.
E isso está errado.
Eu vou trazê-lo de volta com certeza. Eu tenho algumas coisas pra ajeitar.
Tenho que melhorar as chances desse projeto em 51 por cento no mínimo. Isso quer dizer, andar pra frente 6 por cento. Não vai ser fácil.
A ultima pista que a M. me deu foi melhorar as condições nas quais aceleramos o crescimento do feto.
Vou trabalhar nisso com a minha alma.
K. 07/06/96."
"Hoje eu a S. conseguimos clonar outros ratos. Agora com 49 por cento de chance, menos da metade morreu.
É um resultado muito positivo.
Estamos pensando em acelerar o crescimento de órgãos, apenas órgãos humanos. Pra ver como nós nos sairíamos com o DNA humano.
Essa possibilidade ainda está em palta.
K. 25/08/05."
"Hoje começamos a acelerar o crescimento de órgãos humanos. Achamos muito mais seguro testar a aceleração de crescimento apenas com o DNA antes.
Pensamos me lidar com os problemas dos danos cerebrais mais tarde. Quando conseguirmos aumentar a porcentagem.
K. 19/04/07."
"DNA humano leva muito mais tempo pra ser acelerado o seu crescimento. Tivemos bastante paciência, e ainda assim os órgãos não pareciam aptos a uso humano.
Espero que possamos melhorar isso e com isso acrescentar no mínimo mais 2 por cento pra nossa pesquisa.
K. 03/01/08."
"Conseguimos os 2 por cento!!
Agora com 51 por cento, vamos tentar o primeiro protótipo serio.
O Sasuke finalmente.
K. 04/09/08"
"Depois de 2 anos, Sasuke atingiu finalmente os 16 anos de crescimento.
Pretendemos tentar traze-lo a vida assim que eu conseguir uma fonte de DNA o mais recente possível dele.
Pensei em tentar ver se o Itachi me deixava visitar o quarto dele. Talvez dê certo.
K. 12/01/2010."
"S. está muito ansiosa.
Faremos amanhã.
K. 21/01/2010."
Itachi: Isso é absurdo!!
Ele se levantou abandonando sue notebook após ler a ultima postagem do Diário da Experiência de Karin.
Shikamaru continuou sentado e pensativo, assim como Suigetsu.
Itachi: Ela clonou o meu irmão!!
Shikamaru: Esse é só um protótipo? O que ela pretendia? Matá-lo caso conseguisse um porcentagem maior? Ele é humano!!
Itachi: Isso é muito desumano mesmo!! Não me admira elas terem sido expulsas.
Suigetsu: Não me admira vocês não terem notado. Karin não inventou isso. Ela seguiu alguém. A pessoa de nome "M." era o verdadeiro cérebro por trás disso.
Itachi: Isso, Karin seguiu os passos dessa tal "M." e testou algum tipo estranho de clonagem. Algo que pudesse recuperar as memórias do original? Isso é ridículo e impossível.
Shikamaru: Mas, aquele Sasuke na outra sala tem memórias do verdadeiro.
Itachi: Isso é muita piração!
Suigetsu: Concordo. Na boa, parece que venderam drogas adulteradas pra essas 3. Ao invés de botarem maisena pra render, botaram naftalina!!
Itachi pensou alguns segundos no que Suigetsu disse e como isso soava absurdo também.
A porta abriu, Ino entrou com uma aparência meio cansada.
Ela caminhou pro sofá da biblioteca sendo seguida pelo olhar dos homens, sentou-se e suspirou.
Ino: Ele dormiu. Foi bem trabalhoso sabe... Sasuke levou pontos e pontos. Mas, eu fiz tudo. Tem que cuidar direitinho pros pontos não abrirem e em alguns dias eu acho que posso tirá-los.
Itachi: Obrigado.
A voz dele soava solene e agradecida.
Ela fez uma mesura com a cabeça, cansada.
Ino: E então, o que descobriram?
Itachi suspirou.
Itachi: Karin trabalha nesse projeto desde os 13 anos. Primeiramente o projeto era de uma tal "M." e depois elas foram separadas. Karin retomou o projeto quando Sasuke morreu. Depois alguém que ela chama de "S.", que provavelmente é a Sakura, passou a ajudá-la.
Ino piscou algumas vezes. Assimilando a informação. Estava tarde, cerca de 3h da manhã. Ela estava com sono.
Ino: Hã... E o que descobriram sobre o Sasuke, o próprio projeto?
Itachi: Não tinha anotações sobre isso. Ele é o primeiro, as anotações seriam feitas de acordo com ele. E o projeto e cálculos estão protegidos por uma senha que nenhum de noz conseguiu adivinhar.
Suigetsu: Nós continuamos no escuro.
E o silencio tomou conta da sala. O clima ficou pesado. O ar denso.
Itachi moveu-se metodicamente até a mesa onde havia uma bandeja prateada com tipos diversos de bebida. E se serviu de um Wiskey.
Itachi: Está servida Ino?
Ino pensou alguns segundos e então se lembrou do gosto de champanhe.
Ino: Tem champanhe?
Itachi analisou a bandeja, pegou uma garrafa e analisou.
Itachi: Champanhe de pêssego. Serve?
Ino assentiu com a cabeça. E em pouco tempo Itachi lhe entregava uma taça de champanhe.
Ela analisou a taça. Parecia cristal, bem lapidada e com a borda em um banco leve, longa e bela. O champanhe claro e translúcido borbulhava e o cheiro leve dele lhe agraciava o nariz.
Ela levou a taça à boca em um gole pequeno, e sentiu a textura leve do liquido, o pouco álcool não a incomodou, mas o que mais lhe chamou a atenção foi o leve gosto adocicado que lembrava pêssegos.
Ino: É muito bom. Pêssego não é?
Itachi: O meu preferido.
Itachi respondeu aleatoriamente.
Ino bebeu mais um pouco, era realmente muito bom.
E então houve um estalo na sua cabeça.
Ino: Eu sei de alguém que poderia ajudar.
Itachi: Como?
Ino: Ela é muito inteligente... Muito! Eu nunca vi ninguém igual. E esse ramo... Sabe cientista louco? É a cara dela.
Sorriu involuntariamente.
Itachi: Confiável?
Ino: Se for em nome da ciência ela faz qualquer coisa.
Itachi: Certeza?
Ino: Absoluta.
Itachi considerou um pouco. Depois indagou a Shikamaru.
Shikamaru: Não temos nenhuma outra opção. Ou é isso, ou é nada.
Indagou a Suigetsu.
Suigetsu: Noossa! Feliz em ser uma parte que merece ter a opinião ouvida... Bem, eu concordo com o Shika. Qualquer coisa agente paga pra ela ficar calada.
Então Itachi finalmente tomou sua decisão.
Itachi: Ligaremos pra ela de manhã.
Tsuzuku...
N/a: Sem tempo... =// Sorry.
Obrigada epals reviews, mas meu tempo ta no fim mesmo.
Amo vc's!
Bye o/
=**
