Oi gente! Obrigada pelo retorno no capítulo passado. Quando escrevo eu sempre levo em consideração o que vocês me pedem então sempre que tiverem alguma sugestão fiquem a vontade :D

LarissaBA, fique tranquila que as linhas do destino aparecerão. Farei algumas modificações, estou pensando ainda, mas elas definitivamente estarão lá ;)

Agora vamos ao capítulo!

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A Lenda da Lua

Paola B. B.

Capítulo VI. Inimigos naturais

PDV Daniel

Sorri observando o perfil de minha companheira. Olhá-la nunca parecia o bastante, eu sempre encontrava um detalhe desconhecido por mim. Como agora, havia esse pequeno movimento de seu nariz para um lado e para o outro que era simplesmente adorável. Sua bochecha direita tornou-se saliente com o sorriso que crescia em sua boca.

- Você está me distraindo. – reclamou não conseguindo controlar o riso.

- Você não precisa ficar completamente concentrada, você sabe.

- Preciso quando você fica me olhando desse jeito.

Meu riso foi interrompido por um bocejo. Natalie virou seu rosto para mim, agora havia essa ruga entre suas sobrancelhas.

- Você precisa descansar, são quase três dias sem dormir.

- Eu descansei ontem antes...

- Você não dormiu nem 30 minutos! – cortou-me, agora ela estava irritada. Adoravelmente irritada. – Não me olhe desse jeito! – grunhiu voltando seu olhar para a estrada, os cabeços lisos e negros como a noite balançavam de um lado para o outro em seu rabo de cavalo.

- Esse é o único jeito que posso te olhar. Eu amo você.

- Você fica tão piegas quando está cansado. – resmungou, mas suas bochechas estavam coradas.

Ri me aconchegando melhor do banco do passageiro. Olhei rapidamente para trás para encontrar nossa filha, uma pequena cópia de sua mãe, completamente desmaiada com seu gato de pelúcia fortemente abraçado. Fiz uma careta para o brinquedo, ele costumava ser fofo há alguns anos, quando ele ainda tinha os dois olhos e miava quando apertava sua barriga, agora ele só soltava um barulho estranho e perturbador parecido com "Dumau". Mas Bruna o adorava e se recusava a se livrar dele. O que eu podia fazer? Crianças tinham gostos peculiares, às vezes.

Natalie ligou o som em uma música tranquila. Escondi meu riso, pois eu sabia que o silêncio começava a perturbá-la, porém ela nunca admitiria isso. Digamos que Bruninha gostava de falar, gostava de falar muito. Nossas orelhas chegavam a zunir no final do dia quando ela finalmente caía cansada em sua cama. Ela é uma menina inteligente e arteira, então estava sempre planejando alguma coisa ou pensando sobre tudo o que já viu em seus longos e bem vividos cinco anos de idade. E ela simplesmente tinha que compartilhar suas perspectivas com papai e mamãe. Ao mesmo tempo em que era amável era irritante. Mas como diz o velho ditado, não basta ser pai, tem que participar!

Fechei meus olhos buscando o sono. Eu finalmente tinha algumas horas de descanso, pelo menos o tempo da viagem. Nat estava certa, eu precisava disso, pois minha "pieguice" nada mais era que minhas desculpas pela irritação conforme os problemas e as frustrações foram me atingindo durante esses três dias não dormidos. Não que eu tenha gritado com ela... Mas ela estava por perto enquanto eu gritava com os outros. Eu precisava clarear minha mente para buscar melhores soluções. Não adiantava nada eu me irritar. Não era falta de competência. As coisas estavam apenas fora do alcance deles. Eles não tinham culpa. Ninguém tinha.

Gemi ao escutar o toque do meu celular. Eu estava quase dormindo!

- Você quer que eu atenda?

- Não, tudo bem, é Charlie. – murmurei levando o telefone à orelha. – Hey pai!

- Como vão as coisas, filho?

- Não vão. – resmunguei frustrado. – Ainda estamos na mesma. Estamos a caminho de New Orleans agora. Ângelo me ligou pedindo ajuda com alguns recém-despertos.

- Alguma notícia sobre Dr. Ulisses?

A preocupação fez-me desperto. Sentei-me corretamente no banco e fixei meu olhar na estrada.

- Ainda não. Como ela está?

- As oscilações estão mais frequentes. Ouve um incidente ontem... – meus pelos foram se erguendo conforme ele me contava sobre a queda de minha irmãzinha. – Eu preciso de ajuda Daniel.

Sua voz estava estrangulada. Era difícil Charlie ser levado pela emoção, ele sempre foi durão, sua vasta experiência de vida deixava muito pouco para ele se assustar ou surpreender.

- Eu... Eu estou a tratando as cegas. Eu não posso continuar com isso. Não posso continuar parado a vendo sofrer e apenas rezar para que ela melhore de repente. Preciso de um médico lunar. Se não Ulisses, alguém que entenda um pouco da sua espécie. Preciso de uma luz no fim do túnel.

Engoli seco após o desabafo dele. O vampiro estava assustado e merda, eu estava também. O problema é que eu não tinha como adivinhar quando ou onde os curandeiros lunares despertariam.

- Darei um jeito nisso, apenas aguente mais um pouco.

- Tem mais uma coisa... Os Cullen estão na cidade. Na verdade Carlisle e Esme me ajudaram quando Bella se machucou.

Olhei rapidamente para Nat e ela refletia a minha própria expressão com suas sobrancelhas erguidas.

- Eles...

- Não. Não parecem saber.

- Você acha que Bella vai despertar?

- Eu realmente não sei. Mas sua irmã contou que tem memórias de Edward, parece que ela o acompanhou em espírito na vida humana dele.

- Isso não me surpreende. – murmurou minha companheira.

- Ela já se encontrou com ele? – perguntei incomodado.

- Não ainda, mas não acho que vá demorar.

- Cuidaremos das coisas em New Orleans e então iremos para casa. – olhei para Nat e ela assentiu sorrindo em aprovação.

- Bella ficará feliz em vê-los. Ela sente falta de vocês.

- Nós também Charlie, nós também. Nos falamos em breve.

- Que o criador os proteja.

Desliguei a chamada e fitei Nat.

- Você precisa pelo menos tentar dormir. Você não pode fazer nada pela sua irmã agora.

Bufei jogando minha cabeça contra o banco. Eu estava exausto.

PDV Bella

- [...] Quer dizer, eca! Qual é! Não acredito que está puxando o saco desses sugadores de sangue, Seth! – os talheres pularam da mesa quando Paul deixou seus braços caírem nela, então olhou apavorado para mim. – Sem ofensas Bella. Charlie é... Tolerável.

Gargalhei enquanto servia mais um pedaço de lasanha para mim. Os garotos estavam contando da conversa que tiveram com os três vampiros e Seth parecia empolgado por ter feito novas amizades.

- Ah qual é! Eles bebem sangue animal! – argumentou o jovem lobo antes de colocar mais uma garfada na boca.

Seth tinha passado pela transição de humano para transmorfo fazia apenas três meses, então, apesar dele ter crescido bastante para os seus 14 anos ele ainda tinha esse rosto infantil em comparação aos outros. Era engraçado como os lobos eram todos parecidos com suas lindas peles bronzeadas e músculos sobressalentes. O cabelo negro e olhos escuros também parecia algo comum à genética deles. Eles pareciam irmãos, e de certa forma eram exatamente isso. Graças à ligação mental entre eles o vínculo parecia ainda mais forte que o familiar.

As cinco travessas de lasanha estavam quase acabando e ninguém parecia estar perto de se sentir satisfeito. Acho que foi uma boa ideia pedir que eles trouxessem alguns cupcakes para a sobremesa.

- Ainda é repugnante Seth. – resmungou Jake e arrotou como se eu não estivesse presente. Pelo amor de Deus! Grunhi lhe dando um soco no braço.

- Isso é repugnante! – briguei, mas ele apenas revirou seus olhos. Homens! Tão nojentos!

- Eu só acho que não há nada que nos impeça de fazer amizade com eles. Esse negócio de inimigos naturais é tão Hollywood! – insistiu Seth, eu sorri para ele. Era um bom garoto. – Eles não machucam os humanos, eles viveram a história e ainda têm poderes!

- Você é tão nerd Seth! Eles não são os super-heróis das suas HQs. Eles são bebedores de sangue! – argumentou Paul.

- Bem, o Dr. Cullen usa seus "poderes" para salvar vidas. É a definição de super-herói para mim. - contra-ataquei.

Jacob e Paul fizeram caretas, pois eles sabiam que eu tinha lá a minha razão. O sorriso convencido de Seth quase rasgou seus lábios. Ri e levantei-me para buscar a sobremesa. Quando voltei Jacob me olhava com culpa.

- Desculpe por ontem. A gente realmente não sabia que eram os Cullen.

- Eu já disse para esquecer isso Jake. Charlie exagera às vezes.

- Qual foram os danos? – perguntou Paul pegando seu primeiro cupcake.

- Braço e costelas quebradas.

- Outh! – estremeceram.

Nossa conversa deu lugar a gemidos de satisfação ao experimentar os doces. Tyler, um dos jogadores de futebol da escola, era um babaca, mas a mãe dele sabia fazer cupcakes como ninguém.

- Então Bella, você quer ir ao penhasco com a gente? Você não precisa pular, é claro. Mas é divertido assistir aos novatos medrosos. – provocou Paul olhando para Seth que lhe mandou o dedo do meio. Ri conforme lambia meus dedos de chocolate.

- Quando será isso?

- Amanhã. Iremos após o almoço e quando anoitecer provavelmente terá uma fogueira e histórias com os anciões.

- Parece divertido. Mas amanhã vou sair.

- Aonde vamos? – a pergunta de Jacob parecia despreocupada, mas eu podia ver em seus olhos que ele queria se divertir com a matilha. Ele foi o primeiro amigo que fiz aqui em Forks e tornou-se meu protetor assim que comecei a ter problemas na escola. Eu odiava que ele se sentisse na obrigação de estar sempre a minha volta.

- E quem te convidou? – brinquei. – Programa de meninas.

- Charlie concordou com isso?

- Oh sim! Ele não teve muito que reclamar quando duas vampiras se juntaram para as compras.

- Você vai com as Cullen?! Bella você nem as conhece! Como pode confiar cegamente?

- Não seja idiota Jacob. – resmunguei. – Acho que Charlie já conhecia os Cullen, ele confia neles. Não tem por que eu desconfiar.

- A vampira loira parecia meio, hã, ríspida.

- Isso não quer dizer nada, Seth.

- Eu não sei por que ainda tendo te convencer de alguma coisa, você é mais teimosa que uma mula. – ergui minhas sobrancelhas para as palavras de Jacob. – Então, quais os planos? Compras de mulherzinha?

- Você é um idiota. – xinguei e então sorri. – Alice me mandou uma mensagem dizendo que passaria me pegar. Ela quer combinar a história que contaremos para Ângela sobre como nos conhecemos. – franzi o cenho ao me lembrar da mensagem da vampira. – Acho que ela está preocupada que eu não vá consegui esconder que já conhecia Edward.

- Você já conhecia o leitor de mentes?! – perguntou Paul.

- Bem, ele não lia mentes quando era humano. Pelo menos não que eu saiba. – dei de ombros. – Então esperaremos Ângela no shopping. Provavelmente faremos algumas compras, quem sabe pegar um cinema e um lanche para terminar.

- Espero que você não esteja no cardápio. – resmungou Jake e eu imediatamente joguei um cupcake em sua cara.

Um momento de silêncio passou antes que a cozinha virasse cenário de guerra com chocolate voando para todos os lados. Oh merda, Charlie sugará meu sangue!

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Este capítulo foi algo que eu senti falta na primeira versão da fic, principalmente na primeira temporada. Acho que é interessante mostrar o relacionamento da Bella com os lobos e a amizade dela com Jacob. Também não explorei o suficiente o que Daniel estava fazendo no período afastado da Bella, o porquê dele estar longe, o que outros lunares estavam fazendo... É algo que posso acrescentar e penso que vocês vão gostar. Além é claro de inserir na fic novos mistérios e algumas palavras que usarei em minha estória original (aquela fora no universo Twilight), como os parceiros amorosos do povo da lua serem chamados de companheiros (as) e o tal despertar que será explicado no decorrer da fic.

Ah! Antes que me esqueça, alguém aí notou um easter egg? Ok, ele não foi tão sutil, mas não pude evitar colocá-lo xD

Próxima postagem: 13/02/2017