How do you explain the way the stars just
(Como você explica a forma com que as estrelas)
Hang way up in the sky
(Estão presas no céu)
How do you explain the way rain goes away
(Como você explica a forma como a chuva vai embora)
Whenever you walk by
(Por onde quer que você passe)
O sacerdote Jeffrey Dean Morgan havia terminado a missa da manhã e, novamente, Jared saiu ás pressas até o hospital para ficar com o tal amigo Jensen. Padre Morgan sabia o quanto seu pupilo havia se apegado ao filho de Donna, mas realmente aquela semana estava sendo um pouco estranha. Jared praticamente não falava de outra coisa.
Jeffrey respirou fundo, tinha experiência suficiente pra saber o que Jared provavelmente não estava percebendo: que estava se envolvendo um pouco demais com o pianista. Notou as mudanças no jovem padre, mudanças de rotina inclusive e o quanto havia deixado algumas de suas tarefas da igreja de lado.
A sacristia estava vazia e o sacerdote olhou a batina de Jared pendurada de qualquer jeito no cabide, indicando que ele realmente saiu com pressa.
Quando o conheceu, Jeffrey viu nele algo raro entre os padres da sua idade: vocação. Era verdadeira sua vontade de servir à religião, a Deus e dedicar sua vida a levar a Palavra às pessoas. Jared era disciplinado e, apesar de ser muito bonito, nunca houve incidentes que dessem algum tipo de trabalho ao sacerdote. Quando havia sido informado que um padre tão jovem estava sendo encaminhado para sua paróquia, Jeffrey sentiu certa preocupação quanto àquilo. Padres jovens sempre dão trabalho. Ainda não sabem direito o que querem.
Mas Jared sabia e Jeffrey na época ficou seguro com ele. Os fiéis o apreciavam e, contrariando o que sempre acontecia, as mulheres mais velhas também o aprovavam. O que não deixava de ser raro também, as beatas não gostavam de padres muito jovens, não confiavam na pouca idade para estar em meio aquela área de tantas restrições. Na época, lembrou-se que Jared havia discursado na missa sobre os julgadores sociais.
Certo, naquele momento Jeffrey achou que Jared seria um rebelde. Riu pra si mesmo quando se lembrou da situação. O padre sempre tinha uma pergunta, um questionamento filosófico e, ainda, gostava de ressaltar tudo que lia na Bíblia e achava que não fazia sentido.
Por sorte, ele parou com isso com o tempo.
O sacerdote olhou pela janela e uma chuva fina começava a cair. O resto da tarde logo iria embora junto com o sol e, dessa vez, ele estava começando a se preocupar com Jared e sua pouca experiência de vida para lidar com as pessoas.
x.x.x
It's a mystery just how life can lead
(É um mistério como a vida pode te levar)
To a place you've never been
(Para um lugar onde você nunca esteve)
- Eu já ouvi falar dessa garota! – Jensen riu enquanto continuava uma conversa com Jared. Animados, ambos, falando sem parar. Nem parecia que o loiro tinha acabado de ter um ataque cardíaco e quase morrido no dia anterior.
- Me senti extremamente tentado a responder as perguntas dela naquele dia. – Jared sorria, sentado aos pés da cama de Jensen, que tinha acabado de comer um lanche leve com um chá e alguns biscoitos que Jared experimentou e gostou, mas Jensen apenas ficava repetindo que tinha 'gosto de hospital'.
- E você respondeu? – Jensen perguntou enquanto conversavam sobre um diário virtual na internet com vídeos de uma romena chamada Cristina Rad que, em um de seus vídeos, fez perguntas sobre as contradições das religiões.
- Não. – Jared respondeu ainda sorrindo dando de ombros. – Pra que eu iria? A garota me pareceu ter uma opinião formada e, mais, pareceu estar convicta e ser uma pessoa feliz não sendo religiosa.
- Você é estranho, sabia? – Jensen controlou o riso para não gargalhar. – Todo mundo parece saber que você é um padre, menos você, Jared.
- Não, Jen, não é isso. – Jared sorriu mostrando as covinhas. – Acho que as pessoas estão rotulando demais a igreja, também não é bem assim.
- E como é então? – Jensen ajeitou-se na cama, arrumando o travesseiro nas costas, sentando-se de maneira mais confortável. – Responda pra mim as perguntas dela.
- Ok. – Jared foi quem se ajeitou aos pés de Jensen agora, pensou e respirou fundo por um segundo. – Eu não lembro agora muito bem como eram as perguntas que a garota faz no vídeo, mas acho que dá pra ter uma noção, tenho uma boa memória. – Ele riu e Jensen realmente estava pronto para ouvir. – Primeiro, se não me engano, ela perguntou sobre ser feliz no Paraíso.
- É, é o que acontece comigo. – Jensen comentou. – Minha mãe é devota, mas eu não sou, então eu irei pro inferno e ela não. Presumimos que ela sinta minha falta "lá em cima". – Jensen riu fazendo o padre sorrir também.
- Exato, mas se partirmos disso, a garota estava afirmando que almas tem uma percepção sensorial igual ao corpo, e já por aí podemos ver que isso não é verdade. – Jared começou a responder calmo. – Quer dizer, presumir que almas reconheçam quem está no céu e quem não está é um pouco... humano demais, não acha?
- Pode ser. – Jensen respondeu um pouco incerto. – Manter laços de amizade e família também são características humanas corpóreas. – O loiro acrescentou e Jared assentiu com a cabeça.
- E isso não tem a ver com Deus, Jensen. Tem haver com humanidade. A Bíblia é a palavra de Deus, mas ainda assim foi escrita por homens e traduzida por eles também. – Jared disse calmo, mas num tom filosófico.
- Está admitindo que a Bíblia é falha? – Jensen desafiou.
- Estou admitindo que o homem é falho. – O padre sorriu só de olhar a expressão desafiadora de Jensen. – As interpretações da Palavra do Senhor ao longo dos séculos foram distorcidas.
- Devo estar sob efeito de remédios e estou alucinando! – O loiro passou as mãos pelos olhos e Jared riu. – Você não deveria estar falando essas coisas!
- E por que não? – Jared ainda ria.
- Porque você é padre, tem que "vestir a camisa" da empresa! Defender sua religião, dizer às pessoas que é uma coisa boa, que elas devem fazer parte... Desde que o conheci, você faz o oposto comigo.
- Não fui eu que fiz o oposto. – Jared respondeu mais sério. – Olhe pra você, Jensen. Está rindo, com consequências severas, mas saiu pra correr... Saiu de casa... – Conforme Jared falava, o loiro baixava os olhos ligeiramente sem graça. – Acho que o que eu fiz foi exatamente o propósito da religião: melhorar as pessoas.
Jensen voltou a encarar um Jared sorridente. Aquele homem se tornava mais incrível para ele a cada dia que passava. Até aquela roupa de padre ficava bem nele! Jensen respirou fundo e achou que se tinha alguma chance dele não ir para o inferno, acabou com ela no momento em que pensou que Jared ficava sexy vestido com aquela roupa preta. Eu vou pro inferno tb...
You've knocked on that door
(Você bateu na porta)
A hundred times before,
(Uma centena de vezes antes)
When it suddenly let you in
(Quando eu, de repente, te deixei entrar)
- Jensen? – O moreno alto o chamou uma vez que ele tinha simplesmente ficado em silêncio apenas o encarando, ainda que seus olhos revelassem um tom de insegurança.
- Toquei piano também. – Ackles disse com um sorriso tímido.
- O que? – Jared arregalou os olhos e parecia abrir um sorriso ainda maior. – Não acredito! Quando?
- Na noite anterior que saí pra correr. – Jensen respirou fundo. – Não sabia o quanto tinha sentido falta.
- Quando vai tocar pra mim? Quero ouvir! – O padre agora parecia uma criança empolgada porque descobriu que iria conhecer a Disney.
- Você quer? – Jensen sentiu uma alegria interior ao perceber que a notícia havia provocado tanta animação no padre.
- É lógico! Assim que você sair daqui. Combinado? – Jared levantou-se de onde estava e sentou-se ao lado de Jensen dessa vez, mais perto.
- Claro. – Jensen respondeu quase num sussurro e sentiu sua respiração acelerar um pouco.
Ele não sabia mais o que dizer, queria apenas ficar ali, olhando Jared sorrindo pra ele, dizendo apenas com o olhar que tudo ia ficar bem, que o resto do mundo não precisava nem existir e...
- Com licença. – Doutor Misha Collins tirou Jensen de seus devaneios quando abriu a porta.
- Pode entrar. – O loiro respondeu após um breve suspiro ao ver o homem parado com a porta entreaberta.
- Como está, padre? – Misha cumprimentou Jared que se levantou educadamente lhe estendendo a mão. Jensen olhou a cena e achou que talvez merecesse uma foto, com a devida legenda "ciência e religião fizeram as pazes". Sorriu para si mesmo logo depois que percebeu que ainda parecia precisar de séculos para se ver uma coisa como aquela.
- Tudo ótimo, doutor. – Jared respondeu simpático e logo voltou para perto de Jensen.
- Jensen, como se sente hoje? – Misha voltou-se para o paciente. – Dores? Dificuldades para respirar?
- Não, me sinto bem. – Jensen respondeu sincero. – Só quero ir pra casa.
- Você irá, não se preocupe. – Misha sorriu e fingiu que falava com uma criança. – Sente fome? Cansaço? – Misha sentou-se ao lado oposto da cama de Jensen de onde Jared estava.
- Estou bem. – Jensen respondeu novamente sincero, mas olhando Jared dessa vez. Misha olhou de canto a cena e segurou a vontade de rir.
- Senhor Ackles, quero saber se vai fazer o tratamento. – Misha foi direto ao ponto. – Não vai curá-lo, mas vai lhe dar mais tempo. Sei que o doutor Pellegrino já lhe deixou a par disso da primeira vez que foi ao consultório dele e que o senhor não quis. Mas acho que as coisas mudaram, não é mesmo? – O médico terminou a frase olhando Jared.
- Claro que sim. – Jared respondeu antes que o loiro pudesse se manifestar. – Vai fazer o que estiver ao alcance, não é mesmo Jen? – Ele olhou o loiro com expectativa, mas Jensen não sabia bem o que dizer.
- Quanto tempo? – Jensen respondeu olhando o médico.
- Não temos como prever, senhor Ackles. – Misha foi sincero. – Temos que levar em conta seu ataque cardíaco de ontem e o tempo em que ficou sem se tratar. Precisaremos de novas tomografias e raios x pra ver como está seu coração.
Jensen deitou a cabeça no travesseiro e tudo era um pesadelo novamente. Lembrou-se de como se sentiu quando doutor Mark lhe disse que seus dias estavam contados e não tinha nada que a medicina pudesse fazer a respeito.
- Certo. – Ackles respondeu mais desanimado do que o normal, mas Jared simplesmente sorriu de novo.
- Preciso que fique com a coluna reta e o peito nu. – Misha tirou o estetoscópio que tinha no pescoço e passou a examinar o loiro. Jensen ajeitou-se na cama e tirou as vestes que cobriam seu peito e ombros. – Respire fundo. – Misha pediu e Jensen o fez. – De novo. – Jensen obedeceu novamente enquanto o médico ouvia o coração de Jensen trabalhar normalmente com seus pulmões.
Jensen olhou para Jared um pouco preocupado. O moreno alto instintivamente segurou na mão de Jensen e, Misha automaticamente ouviu o coração de Jensen bater mais rápido, ele encarou Jensen que permanecia com a mesma cara de paisagem só que agora segurava na mão do padre.
Doutor Collins segurou o riso e apenas confirmou o que já sabia.
I don't know why I've been so blessed
(Eu não sei porque sou tão abençoado)
To love someone like you
(Por amar alguém como você)
I don't know why I must confess,
(Eu não sei, devo confessor)
I only know i do
(Só sei que amo)
- Seu coração está normal, senhor Ackles. – Ele sorria ao dar a notícia a Jensen. – Na realidade, melhor do que a gente pensa. – Ele concluiu e passou a olhar o padre. Pensou que claramente o moreno não tinha entendido do que ele estava falando.
- Então posso ir pra casa? – Jensen voltava a vestir-se e se encostar no travesseiro às suas costas.
- Amanhã, tudo bem? Não vamos arriscar. – Misha preparava-se para se retirar do quarto. – Mais tarde a enfermeira virá tirar sua pressão e trazer alguns remédios, estamos entendidos?
- Claro. – Jensen respondeu e suspirou.
Misha deixou o quarto e Jared percebeu que Jensen havia ficado ligeiramente triste.
- Ei... – O padre começou e Jensen olhou pra ele. – São boas notícias, certo?
- Eu acho. – O loiro respondeu incerto. – Quer dizer, eu sei o que você vai falar... Que poderia ser pior e tal, que eu poderia já estar morto, que é realmente uma sorte...
- Eu acho que você deveria tirar algo de positivo nisso. Pense... Quem sabe fazer coisas que sempre quis e antes tinha todas as desculpas pra não fazer... – Jared dizia tentando reanimar o loiro. – Uma viagem? Um show de algum músico que você goste? Conhecer alguém...?
- Claro. – Jensen riu irônico. – Ótimo momento pra 'conhecer alguém' e depois contar a ele que vou morrer logo.
- Jensen! – O padre chamou a atenção do outro.
- Mas é verdade. – Jensen respirou fundo e fez uma pausa. Olhou nos olhos de Jared e percebeu que ele não queria conhecer ninguém, ele já havia conhecido. E parecia que o maior problema dele não era mais o fato de Jared ser padre. Ele não tinha mais tempo. – E pensar que você tem a vida toda e vai passar sozinho.
- Não estou sozinho. – Jared franziu o cenho. – E não vamos ter essa conversa sobre você não gostar de eu ser padre de novo, certo?
- Certo. – Jensen respondeu rápido demais.
Jared o observou com o canto dos olhos, não era típico que Jensen acatasse as coisas assim tão facilmente.
- Quer dizer... – Jared recomeçou e Ackles engoliu a seco. – Por que exatamente você se incomoda?
- Não me incomodo. – Jensen tentou um ar de indiferença. – É a sua vida, suas escolhas. Certo?
- É. – Jared não tirava os olhos do loiro que não correspondia. O padre fingiu engolir a resposta de Ackles.
- Com licença. – Duas batidas na porta e uma enfermeira apareceu, um pouco tímida. – Seu remédio, senhor Ackles.
Ele assentiu com a cabeça e a moça entrou. Jared se afastou da cama para dar espaço para a enfermeira, que checou a pressão de Jensen, lhe entregou alguns remédios e retirou um dos soros que o loiro tinha em um dos braços.
- Sua mãe ligou, senhor Ackles, e pediu pra avisar que assim que terminar a aula, ela vem pro hospital pra passar a noite. – A enfermeira disse formalmente.
- Certo. – Jensen respondeu enquanto mexia o braço agora sem o soro, estava um pouco dormente.
- Doutor Pellegrino também virá daqui a pouco. – A moça complementou. – O senhor estará liberado amanhã após algumas radiografias.
Ackles assentiu com a cabeça e a enfermeira se retirou. Ele olhou ao redor da cama e percebeu que Jared não estava mais ali. O moreno estava na janela do quarto, olhando para fora, percebendo que estava chovendo. Jensen não podia ver o rosto do outro, mas apostaria o que lhe restava de vida que o padre estava triste.
Era a primeira vez desde que o conhecera que o vira daquele jeito.
And how do you explain the way
(E como você explica a forma)
My world has changed right before my eyes
(Como meu mundo mudou bem diante dos meus olhos)
- Ei. – Jensen chamou por ele e, Jared voltou-se na direção do loiro. – O que foi?
- Nada. – Jared forçou um sorriso e voltou a aproximar-se da cama do loiro. – O que a enfermeira disse? Você está bem?
- Por que está assim? – Jensen parecia 'estudar' o padre, sequer prestou atenção no que ele disse. – Falei alguma coisa errada?
- Mas é claro que não, de onde tirou isso? – Jared respondeu um pouco sem graça.
- Você é um péssimo mentiroso. – Jensen achou até graça do jeito um pouco amador do padre. Provavelmente não estava acostumado a fazer aquilo.
Jared riu sem graça e voltou pra perto do loiro. Ackles apenas observou o jeito um pouco acanhado que Jared de repente tinha ficado. Logo ele, que era até um pouco invasivo no olhar, agora pareceu com receio de chegar perto.
- Posso te fazer uma pergunta um tanto quanto pessoal e perturbadora? – Jensen falou quase num sussurro. O tom ligeiramente mais grave e rouco.
- Claro. – Jared sentiu um frio lhe correr pela espinha só pela forma com que Jensen perguntou. Parecia quase um verdadeiro confessionário pra ele agora.
- Já se apaixonou?
Jared ficou calado por alguns instantes. Na realidade, nunca tinham perguntado isso a ele, nem ele, como homem, havia parado pra pensar no assunto. Não é como se ele soubesse como era sentir-se amando outra pessoa com outras intenções que não fossem de amor fraternal, mas ele já ouvira e lera muitas histórias a respeito e tinha alguma noção de como era. As tais 'borboletas no estômago', as mãos suando frio, coração disparado... Mas ele realmente nunca tinha se sentido daquela forma com ninguém.
- Não. – Ele respondeu sincero, como se admitisse pra sua mãe que quebrou o vaso da sala.
- Nunca? – Jensen parecia um pouco incrédulo. – Esse lance de celibato é... sério?
- Muito sério. – Jared respondeu mais sem graça ainda.
- Então quer dizer que você nunca... – Jensen viu o padre corar. – Nenhuma vezinha?
- Não. – rlr respondeu sincero com um sorriso sem graça.
- Nenhum beijo na boca? – Quem visse poderia até jurar que Jensen estava até se divertindo.
Jared fez que não com a cabeça.
- Isso não pode ser sério! – Jensen riu agora. – Como assim, cara? Nunca sentiu vontade?
- Eu fiz uma escolha, Jensen, e mantive minha palavra. – Jared parecia agora defender-se apesar de estar sorrindo tímido.
- Isso não responde minha pergunta. – Ackles segurou o riso. – Sentiu ou não?
- Não, estou bem. – Jared respondeu mais pra si mesmo do que para o amigo.
- Não sabe o que está perdendo. – Jensen respondeu mais sério depois de um longo suspiro, até que Jared teve coragem de encará-lo. – Ou melhor, provavelmente sabe...
- Eu beijei a minha prima Bethany no meu aniversário de cinco anos. – Jared disse e Jensen gargalhou dessa vez. – Mas provavelmente não conta... – Ele sorriu, ao menos Jensen parecia melhor.
- Você é inacreditável. – O loiro respondeu e o bom humor da conversa havia se restaurado.
And how do you explain the way you
(E como você explica a maneira como você)
Gave me wings when i swore i could never fly
(Me deu asas quando eu jurei que nunca poderia voar)
