Capítulo 7 – Mais Uma Aventura
Todo o horror da noite passada tinha passado no momento em que Harry e eu acordamos no dia seguinte. Por algum motivo que eu não conseguia explicar, a idéia de que monstros estavam escondidos por trás de portas secretas tinha aumentado nossa animação.
"Você acha que eles podem ter algum outro tipo de monstro escondido por aí?", perguntei, enquanto descíamos para tomar café.
"Não sei", Harry franziu o cenho, "Mas se tiverem, acho que eles estão próximos do cachorro de três cabeças, não é? Ele está guardando algo", então, Harry assumiu aquela expressão pensativa, "Rony, eu acho que eu sei o que o cachorro está guardando", disse, por fim.
"Sabe?", pisquei os olhos, perplexo, enquanto nos acomodávamos na mesa da Grifinória e começávamos a nos servir, "E o que é?"
Então, Harry me contou sobre Gringotes e a parada deles no cofre setecentos e treze. Ouvi tudo muito atentamente, mas me parecia, de algum forma, impossível que algo que coubesse num saquinho encardido e pequeno valesse tanto a ponto de ter um cachorro gigantesco (e de três cabeças) de guarda por ele.
"Ou é uma coisa realmente valiosa ou realmente perigosa", comentei, enquanto me servia com um pouco de leite.
"Ou as duas", Harry acrescentou, animado, enquanto dava uma mordida no seu pão com manteiga. Foi então que seus olhos recaíram sobre a mesa da Sonserina, "Rony, eu estava pensando que ainda temos que agradecer ao Malfoy por quase ter nos expulsado do colégio", voltou os olhos para mim, as sobrancelhas erguidas.
"Nha", fiz um gesto dom a mão, "A gente tem que agradecê-lo por ter quase feito com que nós fôssemos decapitados por um cachorro demoníaco de três cabeças", dei um sorriso largo.
Passamos algumas semanas planejando os tipos mais cruéis de vinganças – algumas até mesmo envolviam prender Draco Malfoy na casa com o cachorro gigantesco atados a bifes crus -, mas a oportunidade perfeita veio uma semana depois que caímos na cilada dele.
Seis corujas robustas jogaram na frente de Harry um pacote gigantesco e um bilhete. Harry leu-o e um imenso sorriso tomou conta de seu rosto, enquanto o passava para mim. Li-o duas vezes antes de voltar-me para ele.
"Uma Nimbus 2000!", guinchei, embora aquela pontada de inveja tivesse voltado, mas consegui ignorá-la, "Eu nunca nem pus a mão em uma"
"Vai poder pôr agora", Harry sorriu e esse é um dos motivos pelo qual era impossível ter inveja do Harry o tempo inteiro. Ele nunca era possessivo e, mesmo quando era algo de extrema importância, ele não ligava de emprestar qualquer coisa que fosse para os seus amigos.
Saímos depressa do Salão Principal, mas antes que pudéssemos chegar ao fim do saguão de entrada, demos de cara com Draco Malfoy e seus cães de guarda. Draco, num movimento brusco, arrancou o pacote das mãos de Harry.
"É uma vassoura", falou, com forçado desdém, embora seus olhos brilhassem de inveja, enquanto jogava o pacote de volta para Harry, "Você vai se ferrar dessa vez, Potter, alunos do primeiro ano não podem ter vassouras"
Eu sei que eu não podia, mas não consegui me controlar.
"Não é uma vassoura velha qualquer, é uma Nimbus 2000. Que foi que você disse que tem em casa, Draco, uma Comet 260?", acrescentei, maldoso e ri, voltando-me para Harry, "A Comet enche os olhos, mas não tem a mesma classe da Nimbus"
Harry aquiesceu, embora estivesse claro que não tinha idéia a que eu me referia – mas seu orgulho estava óbvio. O que quer que fosse que eu tinha falado, significava que a vassoura dele era melhor que a de Draco e isso era o suficiente.
"Que é que você entende disso, Weasley? Você não poderia comprar nem a metade do cabo", cuspiu o outro, cruzando os braços, "Vai ver você e seus irmãos tem que economizar para comprar palha por palha"
Fechei minhas mãos em punhos e estava pronto para retrucar quando o professor Flitwick apareceu ao lado de Draco. Me contive, a contragosto, enquanto ele perguntava o que estava acontecendo, ao que a enguia loira e insuportável achou que sairia vitorioso ao informar que Harry tinha acabado de ganhar uma vassoura, ao que o professor respondeu com um sorriso, falando que Minerva tinha lhe informado sobre as 'condições especiais' sob as quais Harry se encontrava. E ainda perguntou qual era o modelo.
Ha-ha. Aposto como ele não esperava por essa. Harry disse que era uma Nimbus 2000 e mencionou que, se não fosse pela pequena enguia mimada, não a teria conseguido – a cara de fúria do garoto foi impagável.
Enquanto subíamos as escadas correndo, ansiosos por desembrulhar o pacote, mas quando chegamos ao topo da escadaria de mármore uma voz familiar demais fez com que eu rangesse meus dentes.
"Então suponho que você ache que ganhou um prêmio por desobedecer ao regulamento?", Hermione perguntou, cruzando os braços, olhando para o pacote que Harry segurava como se ele fosse um animal nocivo.
"Pensei que você não estava falando com a gente", resmungou Harry, segurando com mais firmeza o pacote, como se tivesse medo que a garota o arrancasse de suas mãos e desse um fim na vassoura – o que, considerando o estado mental da pessoa em questão, não chegaria a me surpreender.
"É, continue a não falar", acrescentei, por entre os dentes cerrados, "Está fazendo tão bem à gente", crescer com os gêmeos tinha, sim, as suas vantagens. Ela soltou um grunhido indignado antes de empinar o nariz e passar por nós.
No geral, não foi um dia ruim.
Harry até deixou que eu desse uma voadinha na Nimbus 2000!
XxXxX
Na manhã do Dia das Bruxas, uma de nossas primeiras aulas era aula de Feitiços e, para o extremo prazer de todos os alunos, o professor Flitwick resolveu sortear os grupos ele mesmo.
Harry ficou com Simas e, apesar de todas as minhas preces e promessas, fiquei na agradável companhia de Hermione Granger. Ela sentou-se ao meu lado parecendo tão satisfeita quanto eu.
"É um time de quadriboll", ela murmurou, sem olhar na minha direção, enquanto ajeitava sua bolsa entre nossas cadeiras.
"Quê?", perguntei, erguendo as sobrancelhas.
"O Chudley Cannon. É um time de quadriboll", ela respondeu, cruzando os braços, "Procurei por eles na biblioteca"
Fitei-a por alguns segundos. O que é que ela queria? Que eu batesse palmas e chorasse de emoção? Uma estrelinha dourada, talvez?
Era óbvio que era um time.
"É. Que bom para você", revirei os olhos e voltei a olhar para frente, enquanto o professor dava as instruções.
Assim que as instruções foram dadas, todos os alunos começaram a sacudir os braços e dizer "Vingardium Leviosa", mas nenhuma pena parecia sequer se mover. Lancei um olhar de esguelha para Hermione Granger e percebi que ela me observava, como se esperasse que eu tentasse para poder me apedrejar – mais ou menos como fizera no trem.
Saquei minha varinha e pigarreei, mas bem nesse instante, algo ao meu lado esquerdo explodiu. Voltei-me para ver a pena de Simas pegando fogo e Harry tentando apagá-lo com o chapéu.
Pigarreei novamente, e voltei minha atenção para a minha pena. Hermione sentou-se na ponta da cadeira, ávida para ver minha tentativa.
"Vingardium Leviosa!", ordenei, enquanto fazia alguns movimentos bruscos com o meu braço que eu tinha quase certeza que não tinha nada a ver com os que Flitwick tinha instruído.
"Você está dizendo o feitiço errado", Hermione disse, aborrecida, embora estivesse claro que ela estava feliz que eu tivesse errado, "É Ving-gar-dium Levi-o-sa, o 'gar' é bem pronunciado", explicou.
Estalei a língua e cruzei os braços.
"Diz você então, que é tão sabichona", desafiei.
Ela me lançou um olhar presunçoso, arregaçou as mangas e bateu com a varinha no tampo da mesa antes de dizer, com clareza.
"Vingardium Leviosa!", e, para minha perplexidade e desespero, a pena começou a flutuar, subindo, até parar há quase um metro acima da minha cabeça.
Soltei o ar lentamente e esfreguei meu rosto com as duas mãos, agoniado, enquanto o professor congratulava-a por ter sucedido a tarefa.
Por que comigo, Merlim, por quê?
Quando finalmente chegamos ao fim daquela aula, eu já tinha pensando em suicídio onze vezes (e contando), imaginado que beleza seria se Hermione Granger fosse muda e não tivesse a irritante capacidade de erguer a mão antes mesmo que a pergunta fosse feita e, também, me perguntado se ter não caído na Grifinória teria sido uma coisa tão ruim assim...
"Não admira que ninguém suporte ela", soltei, agoniado, andando entre Harry e Dino, "Francamente, ela é um pesadelo", usando uma das palavras mais doces do meu vocabulário.
Foi então que Harry foi empurrado contra mim. Quando voltei-me para ele, o moreno fez um gesto com a cabeça indicando uma garota que passava por nós, andando rapidamente. Para o meu horror, acho que ouvi um soluço.
"Acho que ela ouviu o que você disse", Harry arriscou, enquanto voltávamos a andar.
"E daí!", encolhi os ombros, embora sentisse uma pontada de remorso, eu não tinha a intenção de informá-la sobre o quanto eu a achava detestável – se chama 'falar pelas costas' por um motivo, "Ela já deve ter reparado que não tem amigos", resmunguei.
Foi só quando ela não apareceu na aula seguinte que comecei a me sentir terrível. Quero dizer, ela era a Hermione Granger – Esquila Sabe-Tudo e etc -, sempre presumi que ela só faltaria a uma aula se estivesse... bem... morta.
Tentei me concentrar na História da Magia, mas se já não é fácil quando você está normal, beira o impossível quando você fica olhando o tempo inteiro, de relance, para a primeira carteira, quase que esperando que alguém apareça lá do nada. E sentindo-se extremamente culpado, para acrescentar diversão à história.
Quando descíamos para o Salão Principal, ouvi Parvati e Lilá passando por mim.
"No banheiro?", perguntou Lilá, surpresa.
"Foi", Parvati aquiesceu, "E quando perguntei por que ela estava chorando, ela disse que não era nada e que queria ficar em paz", encolheu os ombros, "Nunca vi ninguém chorar daquele jeito"
Harry e eu trocamos olhares, mas antes que eu sequer tivesse tempo para me sentir culpado, entramos no Salão Principal e fiquei tão admirado com a decoração bem feita – as abóboras que falavam, entre outras coisas -, que esqueci completamente da garota.
Estávamos nos servindo, quando o Professor Quirrell entrou no Salão Principal, ofegante, anunciando que tinha um trasgo nas masmorras, antes de desmaiar.
Então, todos começaram a berrar, tudo era tão barulhento que fiquei desorientado até que Dumbledore conseguiu re-estabelecer o silêncio. Ele ordenou que os alunos acompanhassem os monitores – Percy prontamente se colocou de pé e gesticulou para que os alunos fizessem filas, enquanto dava instruções para os alunos.
"Como é que um trasgo pode entrar?", Harry perguntou, enquanto acompanhávamos a multidão de grifinórios em direção à nossa torre.
"Não me pergunte, dizem que eles são bem burros", respondi, dando de ombros, "Vai ver o Pirraça deixou ele entrar para pregar uma peça no Dia das Bruxas", sugeri, porque era a única coisa que soava viável.
Estávamos tentando passar por um grupo de alunos da Lufa-lufa quando, repentinamente, Harry segurou meu braço, os olhos arregalados por trás dos óculos.
"Acabei de lembrar da Hermione", disse, como se isso explicasse muita coisa.
"Ahn?", fiz, franzindo o cenho, "Que tem ela?"
"Ela não sabe que tem um trasgo aqui", esclareceu, com urgência na voz.
Eu salvo a vida dela e ela me perdoa por ter falado o que falei – embora fosse a mais pura verdade. Mordi meu lábio inferior, hesitante.
"Ah, está bem", resmunguei. Maldita culpa! "Mas é melhor Percy não ver a gente", avisei, enquanto puxava Harry para que nos misturássemos com os alunos da Lufa-lufa.
Estávamos correndo por um dos corredores que dava acesso ao banheiro feminino, quando ouvimos passos.
"Percy!", sussurrei, puxando Harry para trás de uma enorme estátua de um grifo de pedra. Ficamos os dois em silêncio, espiando para ver quem quase tinha nos flagrado.
Para a nossa surpresa, quem passou não foi Percy com seu discurso 'me obedeça/olhe minhas notas/mandarei uma carta para mamãe', mas sim Snape, parecendo desconfiado, enquanto olhava para os lados.
"Que é que ele está fazendo?", Harry perguntou num sussurro, surpreso, "Por que não está lá embaixo com os outros professores?"
"Não me pergunte", murmurei, lançando outro olhar relutante para o corredor.
Não queria ser pego pela Minerva McGonagall e ter que voltar para casa e explicar para mamãe que eu não tinha obedecido Percy; me entregar para o trasgo seria mais seguro. E tenho quase certeza que ele teria mais compaixão que mamãe.
Cautelosos, começamos a andar, deixando uma distância segura entre nós e Snape. Paramos na virada do corredor e inclinamos nossa cabeça, para observá-lo começar a subir as escadas.
"Ele está indo para o terceiro andar", Harry murmurou, mas eu tinha estremecido.
Um cheiro horrível tinha alcançado meus sentidos e, por reflexo, ergui uma das mãos e tapei meu nariz.
"Você está sentindo esse cheiro?", perguntei. Harry fungou e fez uma careta enojada.
E foi então que ouvimos.
Passos firmes.
Nos voltamos, lentamente, e apontei, minha boca aberta de terror, para a silhueta gigantesca no outro canto do corredor. Empurrei Harry para um canto escuro do corredor e, prendendo a respiração, nós o observamos.
OK, talvez minha mãe não fosse tão ruim assim.
Ele começou a abanar as orelhas e, lentamente, entrou em uma das salas. Harry e eu saímos das sombras a passos lentos.
"A chave está na porta", Harry observou, trêmulo, "Podíamos trancá-lo lá dentro"
"Boa idéia", murmurei.
O trasgo poderia, sim, derrubar a porta com um soco, mas ele provavelmente demoraria horas para descobrir isso. Na verdade, a julgar pela inteligência daquele, poderia demorar anos.
Grudados à parede, começamos a nos mover silenciosa e rapidamente, até que ficamos próximos da porta. Com um pulo, Harry conseguiu agarrar a chave, puxar a porta com força, fechando-a e girou a chave, trancando-a.
"Pronto!", ofegou, vitorioso.
Mal tínhamos dado dois passos, quando um berro alto e aterrorizado veio do quarto que tínhamos acabado de trancar.
E foi então que entendi.
Por que comigo, Merlim? Por quê?
"Ah, não...", murmurei, voltando-me lentamente na direção da porta que havíamos acabado de trancar.
"Vem do banheiro das meninas", Harry estava com os olhos arregalados, engolindo em seco.
"Hermione!", berramos juntos, correndo na direção da porta.
Rapidamente, girei a porta e Harry abriu-a com força, entramos no banheiro juntos. Encontrei Hermione imediatamente, encolhida contra uma das paredes, parecendo tão aterrorizada que poderia desmaiar naquele mesmo instante.
O trasgo avançava em sua direção, quebrando as pias com seu gigantesco bastão de madeira. Engoli em seco.
"Distrai ele!", Harry berrou, abaixando-se para pegar uma torneira e jogando-a contra o trasgo. Acho que ele estava mirando para a cabeça da coisa, mas a mira dele nunca foi muito boa, e ele acabou fazendo com que o objeto se chocasse contra a parede.
Por sorte, o objeto fez um barulho alto ao se chocar contra os azulejos do banheiro e, confuso, o trasgo olhou em volta, buscando pelos culpado – e nos encontrou. Engoli em seco, levando instintivamente a minha mão para dentro do bolso, segurando minha varinha. O trasgo veio correndo na direção de Harry, o bastão pronto para acertá-lo.
Sai correndo para o outro lado do banheiro, tentei parar, escorregando no chão molhado graças à água, agarrei a primeira coisa que encontrei e joguei na criatura, berrando "Oi, cabeça de ervilha!". O dano causado pelo cano de metal foi quase nulo, mas ele ouviu minha voz e voltou-se na minha direção.
"Droga", pensei, enquanto engolia em seco e olhava a minha volta, buscando por uma saída.
Ouvi Harry berrando para que Hermione corresse, arrisquei um olhar na direção dela, mas a garota continuava parada na mesma posição que estava cinco minutos atrás. Estava tão exasperado que teria saído de lá puxando-a pelos cabelos, não fosse o fato de que um monstro de quatro metros de altura e mais burro que uma porta estava prestes a me matar.
Todos os berros pareciam enfurecer o bicho ainda mais, que avançou na minha direção. Tentei recuar, mas percebi que estava acuado entre a gigante fera fedida e a parede.
Ah, cara... Eu não tinha planejado morrer assim.
Foi então que Harry pulou nas costas do monstro e, no ato mais corajoso, idiota e incrivelmente nojento que eu tinha presenciado até então, enfiou sua varinha pela narina nojenta e esverdeada do monstro.
Meus olhos se desviaram de Harry para Hermione, que parecia muito menor do que já era, olhando aterrorizada para o que acontecia. Sem saber muito bem o que fazer, puxei minha varinha e apontei para o trasgo, respirando rápido, tentando pensar em uma solução.
Então, lembrei de Hermione me corrigindo na aula de Feitiços.
Respirei fundo, tentando manter minha mão firme.
"Vingardium Leviosa!", berrei. Imediatamente, o bastão flutuou da mão do trasgo, engoli em seco, enquanto o conduzia cada vez mais para o alto, até que o segurei uns quarenta centímetros acima da cabeça do monstro e, com um movimento de pulso, encerrei o feitiço, fazendo com que o bastão caísse com um baque horroroso sobre a cabeça pequena da criatura.
O trasgo, desnorteado, os olhos tortos, começou a andar, trôpego, de um lado para o outro e caiu no chão. Eu continuei com a minha varinha esticada, respirando tão rápido que tinha a impressão que meus pulmões iam explodir, enquanto Harry se levantava, enojado.
Houve um silêncio, enquanto eu continuava apontando a varinha para a parede, com os braços trêmulos, Hermione continuava olhando para o nada e Harry observava o monstro caído no chão, piscando os olhos, perplexo.
"Ele está... morto?", a voz de Hermione estava trêmula, mas pelo menos, ela estava viva.
E, por mais estranho que pareça, eu estava feliz por isso. De verdade.
"Acho que não", Harry espiou o bicho, "Acho que só perdeu os sentidos"
Harry se abaixou para reaver sua varinha do nariz fedorento do trasgo. O que é ainda mais corajoso do que enfiá-la lá, se você quer minha opinião. Ela estava suja com algo que parecia muito com uma gororoba que Fred e Jorge tentaram fazer com que eu engolisse à força, alguns anos atrás.
É, eles eram cruéis assim.
"Eca... meleca de trasgo", Harry fez uma careta, enquanto limpava a varinha na calça do trasgo.
Foi então que a porta se abriu com força e a professa Minerva McGonagall, o Filch e o professor Quirrell entraram. O último observou o trago, soltou um gemidinho, e sentou-se em uma das privadas que ainda estavam intactas.
Ah, certo. Nós quase morremos, e quem choraminga é ele?
Minerva fixou os olhos em nós dois, e só então percebi que ainda estava segurando a minha varinha como se fosse atacar a parede, mas não consegui abaixá-la. A prova que não existe justiça no mundo: nós nocauteamos um trasgo, e qual é a nossa recompensa? Uma expulsão. E, no meu caso, um orfanato logo em seguida, porque minha mãe dificilmente será muito compreensiva. Mesmo eu tendo quase morrido.
"O que é que vocês estavam pensando?", ela perguntou, numa voz baixa, beirando a fúria, "Vocês tiveram sorte de não serem mortos. Por que é que não estão no dormitório?"
Eu até pensei em responder, mas não tinha idéia quais eram as perguntas reais e quais eram as retóricas.
"Por favor, professora Minerva, eles vieram me procurar", a voz de Hermione veio do cantinho do banheiro, onde ela continuava sentada.
"Senhorita Granger!", a mulher estava realmente surpresa, provavelmente não tinha notado Hermione encolhida no canto. Fechei os olhos, imaginando o que ela falaria para piorar a situação – se é que era possível.
Com alguma dificuldade, Hermione se levantou.
"Saí para procurar o trasgo porque achei que podia enfrentá-lo sozinha. Sabe, já li tudo sobre trasgos", disse, mordendo levemente o lábio inferior. Fiquei tão chocado pela mentira que deixei minha varinha cair, enquanto minha boca se escancarava, "Se eles não tivessem me encontrado, eu estaria morta agora. Harry enfiou a varinha no nariz do trasgo e Rony derrubou ele com o próprio bastão. Não tiveram tempo de chamar ninguém. O trasgo ia acabar comigo quando eles chegaram"
Harry e eu tentamos agir com naturalidade – consegui fechar a boca, mas meus olhos ainda estavam do tamanho de duas bolas de tênis. A professora, desconcertada, deu um pequeno sermão em Hermione que se encolheu, envergonhada.
E ela fizera isso para nos tirar de uma enrascada.
Mesmo depois do que eu disse.
Depois de ter cinco pontos da Grifinória descontados em seu nome, Hermione saiu do banheiro. Então, ela se voltou para nós, dizendo que, apesar de ainda achar que havíamos sidos sortudos, nos concederia cinco pontos para cada pelas nossas ações.
"Devíamos ter ganhado mais de dez pontos", reclamei, enquanto rumávamos em direção à torre da Grifinória.
"Cinco, você quer dizer, depois de descontarmos os pontos que Hermione perdeu", Harry lembrou.
"Foi legal ela ter nos tirado do aperto", concedi, encolhendo os ombros, enquanto subíamos as escadas que davam acesso ao quadro da Mulher-Gorda, "Mas não se esqueça que salvamos a vida dela", acrescentei, embora soubesse que se não fosse por mim, ela nem precisaria ser salva.
"Talvez ela não precisasse ser salva se não tivéssemos trancado a coisa com ela", Harry lembrou.
Bem, sim, também tinha esse detalhe.
Entramos no Salão Comunal que estava muito mais barulhenta, já que o jantar estava sendo servido lá. Meus olhos, imediatamente, encontraram Hermione sentada, sozinha numa poltrona. Puxei a manga de Harry e gesticulei, com a cabeça, para o local.
Nos aproximamos, apreensivos, e paramos na frente dela. Ficamos alguns segundos em silêncio, nos encarando e, então, falamos praticamente ao mesmo tempo "Obrigado".
E fomos jantar.
Enquanto eu a observava se servir, de alguma maneira, senti que ela não era tão ruim assim.
Continua...
N/A: PERGUNTA: VOCÊ ACHAM UMA BOA IDÉIA QUE A FIC CUBRA UM POUCO DA VIDA DELES PÓS-RdM?? Por favor, respondam pelas reviews. :D
1º AVISO: A CAPA DA FANFIC ESTÁ DISPONÍVEL NO MEU PERFIL!
2º AVISO: SOU COLUNISTA DE UM SITE, QUEM ESTIVER INTERESSADO EM DAR UMA LIDA NA MINHA COLUNA, O LINK TAMBÉM ESTÁ NO MEU PERFIL!
Agora, a N/A... xD
Aqui está o novo capítulo!!
Espero que tenham gostado!
Um aviso: o capítulo da semana que vem será postado na quarta-feira, pois estarei viajando no fim-de-semana! Portanto, espero que gostem!
Sobre esse capítulo, não teve nenhuma cena extra, à exceção da mini-conversa do Rony e da Hermione durante a aula de Feitiços! ;D
Sempre lembrando que vocês são meus críticos, então, qualquer erro, favor avisar! :)
Prometo novo capítulo de Sete Minutos para semana que vem... ou a próxima!
Estou com ele aberto aqui... acho que está ficando legal. XD
Respondendo às reviews...
Bibiska Radcliffe: O Rony é um personagem fantástico para analisar! O que achou desse capítulo??
ChunLi Weasley Malfoy: hauiahiuaha. Obrigada, Va! Estou cuidando das duas fics, prometo capítulos novos em breve!!
Rk-chan: Estou tentando fazer o Rony o mais cômico possível. :D Gostou desse capítulo?
Mina: Oi, Mina! Aqui está o novo capítulo! Gostou?? As cenas Rony/Hermione vão demorar um pouco, mas tentarei ser competente ao escrevê-las. ;) Respondendo à sua pergunta, a fanfic vai cobrir todos os anos, ou seja, vai ser longa... Você vai acompanhá-la todinha??
Mayabi Yoruno: ahuiahuiaha. Aqui está o novo capítulo! Por que não gosta dessa parte do livro??
Naty Weasley: Ele e a Hermione vão ficar mais 'tratáveis' a partir desse capítulo! Gostou dele??
Anaisa: Sócia perfeita! Eu te ajudo com A Espiã quando você entrar, prometo! ;D
Thais Weasley Malfoy: É, o Rony passou mesmo por um dia do cão no capítulo anterior! Tô escrevendo uma action agora em Sete Minutos. XD Gostou do novo capítulo??
(x Carol x): Obrigada pelo elogio! Fico muito contente que você esteja gostando da fanfic! A partir do próximo capítulo, váááárias cenas extras!! Aguardo sua review!
Lauh Malfoy: Você acha mesmo que Draco é um nome bonito? Cara, que medo do que você vai fazer com os seus filhos. XD Fico contente que você esteja se divertindo com o Rony e a Hermione e a relação contrubada dos dois!
Guilherme McKinnon: A partir do próximo capítulo, teremos muitas cenas inéditas! Gostou desse capítulo?? Espero que sim!!
Obrigada a todos pelas reviews!
Aguardo pela opinião de vocês sobre esse capítulo,
Gii.
