7. I don't wanna leave her now

- Está um pouco tarde para treinar, não acha?

Gaara reprimiu um sorriso ao ver a reação da garota à sua frente. Ino levantou-se rapidamente, os olhos azuis arregalados. Sentiu-se um tanto quanto orgulhoso por tê-la surpreendido; porém, ao mesmo tempo, queria repreendê-la por ter sido pega com a guarda baixa. E se fosse um inimigo, e não ele, que a tivesse abordado naquela noite?

Fechou as mãos em punhos só de pensar na possibilidade.

- Um pouco tarde para um passeio pela rua, não acha?

A voz da Yamanaka o trouxe de volta à realidade; ela havia se recuperado do susto e apoiava as mãos nos quadris, uma das sobrancelhas erguidas. Gaara cruzou os braços. O que havia feito para deixá-la na defensiva?

- Estava entediado. Resolvi sair para tomar um ar.

- Por que não foi dormir, ao invés?

- Eu não durmo – respondeu simplesmente, a voz sem emoção – Por conta da Bijuu.

- ... Oh.

É, oh resumia bem aquela situação. Fora sem dúvida uma das conversas mais estranhas que tivera na vida. O que diabos estava acontecendo? Durante o almoço ela estivera tão receptiva, falante. A Ino que se encontrava em sua frente naquele momento parecia uma criança emburrada.

Confusão à parte, ele achou que ela estava adorável.

- Suponho que seja uma tremenda surpresa. Pelo que ouvi falar, Naruto dorme bastante – comentou, tentando aliviar o clima. Tudo o que conseguiu, entretanto, foi um trêmulo sorriso em resposta.

Bem, Gaara supôs que aquele tópico já se tornara cansativo, mesmo. Parecia que só falavam sobre Naruto. Lógico, Ino contou algumas histórias sobre a vila durante o almoço, ele contara algumas sobre Suna, mas somente assuntos amenos, nada tão importante. Aquilo o deixava frustrado. Queria ter mais sobre o quê conversar com ela. Queria saber mais sobre ela.

Soltou um suspiro e sentou-se na grama, os pés apoiados no chão e os joelhos levantados, com os cotovelos apoiados nestes.

- Aquele rapaz... Nara. Ele é do seu time, não é?

- Ahn, sim – pausa. – Ele, ah... disse alguma coisa?

O ruivo ergueu o olhar para a garota. Ela mantinha o cenho franzido, uma expressão preocupada no rosto.

- Não. Por quê? Há algo que você não quer que ele me conte?

Não queria ter soado tão desconfiado, mas não pôde evitar.

- N-não! – Ino mais uma vez arregalou os olhos. Hesitou por um momento e soltou o ar, parecendo se dar por vencida; sentou ao lado dele na grama. – É que você parecia... ahn... – ela pareceu lutar para encontrar a palavra certa - ... distante... durante a visita ao hospital.

O que?

Pego de surpresa, o Kazekage não pôde evitar encará-la durante alguns segundos, fazendo com que as bochechas da loira – já avermelhadas por conta do exercício – se escurecessem mais um pouco.

- Eu não estava distante. Eu estava trabalhando.

Ino pareceu ficar sem jeito.

- É... é. Estava.

Gaara desviou o olhar para as estrelas. Costumava observá-las todas as noites; era um hábito que tinha desde criança. As estrelas eram sua única companhia durante as longas noites de sua vida.

Naquela noite em especial, porém, ele as olhou sem realmente vê-las.

Podia ser inexperiente em relações amorosas, coisa que Kankurou gostava de lembrá-lo a qualquer oportunidade com um ar de superioridade irritante, mas depois de se livrar daquela névoa de ódio e sede de sangue que o cercara durante tanto tempo, ele se tornou observador. Observava as pessoas que o rodeavam no dia a dia e começou a identificar algumas de suas reações e os motivos por trás delas.

Somando isso ao fato de ter uma irmã, ele pôde compreender o que se passava na cabeça da kunoichi.

Ele não havia lhe dado a atenção que queria e aquilo a magoou; acabou chegando à conclusão de que havia acontecido alguma coisa que o fizera mudar de opinião a seu respeito.

Realmente... mulheres.

- Eu costumo dar grande importância e atenção ao meu trabalho de Kage. Não somente por ser o que esperam de mim, mas por amor à minha vila. Eu morreria por Suna se fosse necessário. – voltou a olhar para a garota e notou que ela apresentava uma expressão mais sóbria. – O meu foco muda nessas horas. Não significa que eu tenha me distanciado.

Os olhos dos dois se encontraram. Gaara sentiu um arrepio percorrer-lhe o corpo e pôde dizer que Ino sentiu o mesmo pelo modo como ela comprimiu os lábios.

Sorriu-lhe. Recebeu um sorriso de volta.

- Está tarde. Eu a acompanho até sua casa.

- Está bem.

A caminhada até a residência dos Yamanaka foi feita em silêncio – não do tipo constrangedor, mas um silêncio confortável. Logo chegaram à casa de Ino. Ela caminhou até a porta e, antes de abri-la, olhou-o por cima do ombro.

- Obrigada.

- Nada vem de graça – ele sorriu quando a loira ergueu uma das sobrancelhas em questionamento. – Você me deve um almoço.

Ela riu de leve. – Amanhã, mesmo horário, mesmo lugar?

- Feito.

- Feito – ela repetiu, sorrindo. – Boa noite.

Gaara observou-a entrar na casa e fechar a porta atrás de si. Começou a afastar-se, mas pensou melhor...

Oh, bem. O que ele tinha a perder (além de um pouco de orgulho próprio)?

Deu meia-volta e usou suas habilidades de shinobi para esconder sua presença e, movendo-se pelas sombras, contornou a casa em que Ino havia entrado até encontrar o único aposento com a luz acesa no andar de cima. Subiu numa árvore que estava convenientemente posicionada próxima à janela do que ele presumiu ser o quarto da jovem Yamanaka e, com a presença escondida tanto para olhos curiosos quanto para ninjas bem treinados, observou o interior da casa.

Estava certo: era o quarto de Ino. Ela se encontrava sentada em sua cama, desamarrando cuidadosamente o cabelo. A visão fez Gaara corar. Quando as mãos da kunoichi moveram-se para os botões do top que usava ele virou-se de costas para a janela, o rosto em chamas.

Por Deus, sentia-se um voyeur.

Ficou daquele jeito até que a luz do quarto foi apagada, então voltou à posição inicial. Quando seus olhos se ajustaram à escuridão, ele pôde discernir a silhueta da jovem sobre a cama. As longas mechas loiras brilhavam com a luz do luar.

- Boa noite, doce Yamanaka – ele sussurrou ao vento.

Então, enquanto os grilos cantavam e a lua reinava no céu, ele velou seu sono.

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N/A: Deixei a notinha pro final do capítulo para vocês já estarem mais felizes e com o coração mais disposto ao perdão (L) HAHAHA

Gente, mil desculpas, mas eu só tenho uma coisa a dizer: vestibular. Acaba com a vida da gente, em vários aspectos. O negócio ficou tenso nesse segundo semestre. Escrevi esse capítulo aos pouquinhos, quando dava, num caderninho que levava comigo pra tudo quanto é canto, mas também faltava inspiração (preocupação me consumia) e por isso demorou tanto. Por favor entendam ):

Tenho uma novidade em relação à fic: vou dividi-la em partes. Quem for dar uma olhada no primeiro capítulo poderá ver que eu adicionei "PARTE UM" embaixo do título (e se não estiver aparecendo me avisem para que eu resolva isso plz). Se tudo for como o planejado, próximo capítulo já é o último da primeira parte, aeaeae!

OBRIGADA, mesmo, a todos que continuam acompanhando a minha história, favoritando e deixando reviews. Vocês me estimulam a continuar. Beijos!