A sensação que o simples roçar de seus lábios nos meus provocavam em todo o meu corpo, me assustava.
Parecia que uma parte de mim que há muito estava adormecida ou até mesmo morta, começava a despertar lentamente. Durante muito tempo, sentimentos foram tão esquecidos por mim que senti medo.
- Edward... pare, por favor. – sussurrei contra seus lábios e virei meu rosto.
- Ah Bella! Senti tanto a sua falta... Se ao menos não tivesse te magoado tanto, quem sabe tudo fosse diferente.
- Mas não é e nem eu sou a mesma. – disse amarrando meu robe de seda vermelho ao redor do meu corpo.
Ele não disse nada por uns instantes, ficou apenas me olhando. Provavelmente tentando ler meus olhos e as emoções que eles demonstravam.
- Bella, você quer que eu vá embora? – perguntou com os olhos cheios de tristeza.
- Edward você pagou pelo meu tempo, então sugiro que o aproveite. Só não quero falar sobre o passado. – só de pensar que ele poderia ir embora novamente o buraco no meu peito começou a reaparecer.
Minhas mãos começaram a tremer e minha testa a suar frio. Eu precisava de mais um pouco de cocaína.
Fui em direção à bolsa pegar um papelote quando duas mãos frias seguraram o meu pulso, delicadamente.
- Entendo você não me querer por perto ou falar sobre o passado, mas não mais permitirei que se mate dessa forma! – me pegou no colo e me encarou sério.
- Eu já estou morta... Ou você ainda não percebeu? – perguntei em um tom sarcástico.
- Não, você não está morta Isabella. Está apenas se sentindo vazia e isso é diferente.
- Edward, me coloca no chão. Agora! – quem ele pensa que é?
- Não! Você tem que me prometer que não usará drogas mais!
- Eu não tenho que te prometer nada Edward. Você mesmo quebrou suas promessas, por que eu haveria de lhe prometer algo? – me colocou no chão sem desviar seus olhos tristes dos meus. Colocou suas mãos, uma de cada lado, no meu rosto.
- Bella... Faça isso, não por mim, mas por Charlie. – aquelas palavras, apesar de simples, me ferroaram.
Ele estava certo, eu devia isso ao meu pai. Sem querer me demonstrar ainda mais fraca com sua presença, vesti minha "máscara" de indiferença.
- Sr. Cullen, o que posso fazer pelo Sr. essa noite? – ele suspirou e olhou para o chão durante alguns segundos.
- Muito bem Srta. Swan, você venceu. Deite-se na cama. – disse ao levantar a cabeça e me encarar. Meu coração disparou e tenho certeza de que ele pôde ouvir.
Deitei-me na cama, com a cabeça apoiada no travesseiro e o encarei. Edward olhava diretamente em meus olhos e por um minuto pensei ter visto nos seus um olhar de amor, porém logo tornaram-se de tristeza e decepção.
- Não quer você diga ou faça qualquer coisa, Isabella. Apenas sinta. – caminhou em direção a cama e deitou-se ao meu lado.
- Edward... – falei em um tom de reprovação.
- Shhh... Fechos os olhos Bella. – sussurrou docemente em meu ouvido. Um frio começou a percorrer pela minha barriga. Ansiedade era o nome disso.
Enquanto permaneci deitada de barriga para cima, ele se deitou de lado, virado para mim.
Seus lábios percorriam, quase sem encostar, meu pescoço, meu maxilar, minha garganta e meu ombro esquerdo.
A cada parte pela qual seus lábios e respiração passava, eu arrepiava. Pegou meu pulso esquerdo o inalou o cheiro do meu sangue, depositando um cálido beijo logo em seguida.
- Como senti falta do seu cheiro Bella. Parece ainda mais doce para mim.
Prosseguiu com seus beijos por toda a extensão do meu braço, tanto na parte externa quanto na interna, até chegar em meu pescoço novamente, onde depositou mais um beijo.
Suas mãos agora afagavam meus cabelos com todo o carinho e cuidado do mundo. Lembrei de como fazia tempo que não sentia alguém demonstrar tamanho zelo para com outra pessoa. Seus lábios traçaram caminhos pelo meu rosto, começando pela testa e passando pelo pelos meus olhos, nariz, bochechas, queixo e estacionaram em meus lábios.
- Eu te amo Isabella!
Foi a última coisa que escutei antes de adormecer completamente.
