Capítulo 7- Tudo a seu tempo.

Ana-Lucia ficou surpresa com sua própria reação quando Sawyer chegou ao seu apartamento, todo molhado segurando o casaco nas mãos. Ela atirou-se nos braços dele mesmo assim, estava estranhamente feliz em vê-lo. Era como se fosse uma adolescente esperando pelo namorado. Sawyer por sua vez, gostou da recepção calorosa dela, e quando sentiu o corpo dela junto de si, não perdeu a oportunidade de beijá-la, também estava feliz em vê-la.

- Hey baby, também senti a sua falta.- murmurou enquanto se beijavam.

Ela se afastou dele por um momento, apenas para fechar a porta. Sawyer ficou lá parado no meio da sala. Ana-Lucia sorriu:

- Sabe cowboy, eu ia gostar de ter você como meu móvel de sala.

Eles se aproximaram novamente, e Ana-Lucia começou a tirar a camisa molhada de Sawyer, que levantou os braços para facilitar com que ela o despisse. Ficou observando cada detalhe do corpo dele, extasiada. Não fazia nem duas horas que Jack tinha saído de lá, e ela já se derretia por outro homem? Sentiu-se um tanto promíscua, mas Sawyer não era qualquer homem, e Ana-Lucia definitivamente não sentia apenas desejo por ele, tinha algo mais.

- Eu vou buscar uma toalha pra você.- ela disse indo em direção ao seu quarto, logo voltou com uma toalha azul felpuda e um cobertor.

Sawyer estava sentado no sofá, tirando os sapatos. Ana o envolveu na toalha carinhosamente, enxugando seu corpo.

- A última vez que alguém cuidou assim de mim, foi quando eu tinha sete anos.- ele comentou de olhos fechados, sentindo o tecido macio da toalha acariciando sua pele.

Ana-Lucia não conseguiu não sorrir ao comentário e acariciou o rosto dele ternamente.

- Vem aqui, baby, vem!- Sawyer chamou carinhoso, puxando-a para o seu colo, embalou-a em seus joelhos como se ela fosse uma garotinha e a abraçou.

Beijaram-se novamente, um beijo lento e muito doce. As mãos de Sawyer começaram a acariciar suas coxas por cima da calça de moleton, Ana-Lucia sentiu espasmos deliciosos pelo corpo com o toque dele, mas o parou antes que ele tirasse sua blusa.

- Não, vamos com calma.- ela pediu.

- Não sei se eu vou conseguir Lulu, estou louco por você desde o primeiro dia em que nos vimos. Eu te quero muito!- ele murmurou beijando o pescoço dela, Ana-Lucia gemeu, mas não se deixou levar e levantou do colo dele.

- Meu amor, do que tem medo? Não vai me dizer que é virgem?- Sawyer gracejou.

- Eu tenho uma filha, Sawyer, de quatro anos, e ela está dormindo agora mesmo na minha cama.- ela falou com seriedade, ignorando a brincadeira dele.

Sawyer arregalou os olhos, surpreso:

- Isso é sério?

Ana-Lucia fez um gesto para que ele a seguisse, entreabriu a porta de seu quarto e mostrou-lhe Inês, dormindo como um anjinho, abraçada ao coelhinho de pelúcia. No pé da cama, Sabe-Tudo olhou desconfiado para Sawyer, mas não se moveu do lugar.

Ela fechou novamente a porta, e os dois retornaram à sala. Saywer sentou-se outra vez no sofá, e indagou:

- Foi por causa dela que não me deu o seu endereço de verdade? Você é casada ou algo assim?

- Não, eu não sou casada.- ela respondeu sentando-se ao lado dele. – Eu mostrei ela pra você, para que entendesse porque não me envolvo tão facilmente. Eu tenho que pensar nela em primeiro lugar, meus desejos vem em segundo.- embora ela estivesse dizendo isso para ele como uma forma de ganhar ainda mais sua confiança para tentar constatar se ele era um criminoso ou não, suas palavras tinham um fundo de verdade.

Sawyer tomou sua mão e a beijou delicadamente, antes de dizer:

- Então nós vamos devagar, eu quero que você me considere um homem digno de ser apresentado à sua filha.

Ana-Lucia ficou surpresa com o comentário de Sawyer, e inevitavelmente seu coração bateu mais forte. Ele notou a mudança de expressão no rosto dela, e sorriu:

- Você sentiu também, não sentiu?

- O quê?

- Que existe uma conexão entre nós, não sei bem o que é, mas existe. Senti isso quando passeamos na minha moto aquela noite.

Ela sorriu, sim, também havia sentido. Isso era assustador e maravilhoso ao mesmo tempo, pensou. Estava com medo porque conquistar Sawyer era apenas seu trabalho, se envolver de verdade com ele não estava nos seus planos. Então tinha sido por isso que se envolvera com Jack, talvez quisesse esquecer seus sentimentos por Sawyer.

Ele contemplou com ternura os olhos escuros dela, e a puxou para si outra vez, segurando sua nuca. Beijou seus lábios, movendo a língua em sua boca de uma forma muito ousada e íntima, Ana-Lucia estava delirando.

- Eu quero te pedir uma coisa.- ele disse quando parou de beijá-la.

- E o que é?- ela indagou, erguendo a sobrancelha, maliciosa.

- Dorme comigo! Eu sei que o sofá é apertado, mas podemos dar um jeito de nos acomodarmos aqui. E eu prometo que vou me comportar, só quero ficar com você a noite inteira. Se sua filha acordar, você vai dormir com ela.

- Sawyer!- ela exclamou, divertida. – Impossível cabermos nesse sofá, você é muito grande!

- Sou?- ele disse, debochado, fazendo Ana-Lucia corar. – Isso é um problema pra você?

- Ora, seu patife! Não estou falando disso!

- Lu, vem cá!- ele pediu, se deitando no sofá.

Ela se aproximou dele, que a puxou deitando-a sobre ele, e acomodando seu corpo pequeno entre suas pernas. Era uma posição confortável, ela concluiu, mas muito perigosa também. Sawyer puxou o cobertor que ela tinha trazido antes por cima dos dois, e deu um beijo em sua cabeça, passando os braços pela cintura dela.

- È só você não se mexer muito, daí fica tudo bem!- ele sussurrou no ouvido dela, fechando os olhos.

Ana-Lucia riu: - Vou tentar!

Ela fechou os olhos também, e suspirou aspirando o perfume masculino dele. Estranhamente, o sono veio rápido e fácil para os dois, a insônia que os assolara antes, os abandonara completamente. Sentiam-se seguros nos braços um do outro.

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- Acorda, irmão! Já dormiu demais!

Jack assustou-se com a voz de Desmond tão próxima a ele e se levantou de um salto da cama.

- Desmond, o que está fazendo aqui?

- Bom dia pra você também. Sabe que horas são?

- E eu sei lá.- disse Jack cobrindo-se com uma toalha, estava só de cueca.

Desmond abriu as cortinas do quarto.

- São mais de onze horas, irmão. Liguei pro seu apartamento, e ninguém atendeu. Daí resolvi ligar pra cá e a Claire me disse que você estava aqui.

- E daí se são mais de onze horas?- ele questionou irritado. – Hoje é domingo, posso dormir até a hora que eu quiser.

- Ih, isso tá me cheirando a ressaca, irmão. Bebeu de novo ontem foi? Cuidado que isso já está se tornando freqüente.

- Não enche, Des!- disse Jack sentando-se na cama, e passando as mãos pela cabeça. – Não vai me dizer por que veio?

- A Sarah esteve lá em casa ontem, na verdade dormiu lá. Foi se queixar a Penny que você tinha uma amante, fiquei encucado, daí lembrei da dançarina misteriosa.

- Mas a Sarah é muito cara-de-pau mesmo!- Jack exclamou, com raiva. – Você contou a Penny o que ela me fez?

- Não, não contei.- respondeu Desmond.

- Ótimo, então ela também deve estar achando que eu sou um canalha. Não faz mal, tenho me comportado como um mesmo.

- Jack, do que você está falando? Seja mais específico!- pediu Desmond.

- Bem, sabe a garota do bar que eu te falei?

Desmond assentiu.

- Pois é, ela telefonou pra mim, pra reaver a bolsa, daí nos encontramos e acabamos ficando juntos.

- Juntos no sentido que eu estou pensando?

- Sim Des, exatamente isso. Eu estou louco por essa garota, ficamos juntos por tão pouco tempo mas eu realmente senti que tínhamos muito em comum.

- Nossa, não ouço você falar assim desde o colegial.

- A Kate é maravilhosa, eu não consigo parar de pensar nela.

- Mas por que está se lamentando? Você não está mais com ele?- questionou Desmond sem entender.

- Não, eu não estou mais com ela.- respondeu Jack, triste. – E isso é tudo culpa da Sarah, e minha também. Mas mais dela, do que minha.

- Como assim?

- Nos encontramos por acaso em uma festinha de aniversário ontem, e ela me viu com a Kate e contou a ela que somos casados.

- A Kate não sabia que você era casado e estava se separando?

- Não Des, não sabia.

- Ora Jack, então a culpa é mais sua do que da Sarah, não sabe fazer as coisas direito. E você já tentou se desculpar com a moça?

- Já!- respondeu Jack. – Mas ela não quer saber de mim!

- Imagino!- disse Desmond, apontando para o curativo no rosto dele.

- Não, isso não foi ela!- Jack apressou-se em responder. – Aliás, deixa pra lá, porque a situação se complicou ainda mais agora.

- E por que?

- Porque tem outra garota na história.- Jack disse, embaraçado.

- O quê?- surpreendeu-se Desmond. – Jack, você está me saindo um garanhão, hein? Não era assim nem no tempo do colégio. Como ela é, essa outra garota e onde a conheceu?

- Eu a conheci no mesmo bar onde conheci a Kate, ela é linda, e muito sexy. Mas...

- O que você sente por ela? Não vai me dizer que está confuso entre as duas?

- Não Desmond, a Ana é uma mulher especial, realmente gostei de conhecê-la, mas é a Kate quem eu quero.

- E o que aconteceu entre você e essa outra garota, Ana?

- Ontem, depois que briguei com a Kate, eu acabei indo parar no apartamento dela e...

- Você transou com ela?- Desmond indagou quase gritando.

- Não, não transei, e fala baixo!

- Ok!- assentiu Desmond baixando o tom de voz.

- Nos beijamos, trocamos uns carinhos, mas não aconteceu porque a filha dela acordou.

- Ela tem uma filha? Não vai me dizer que ela é casada?

- Não, não é. Mas agora, o fato que me preocupa é, agi assim por raiva, impulso de querer me vingar, estava muito bêbado, sabe lá como são essas coisas, de repente acho que Ana está atraída por mim e eu não quero magoá-la. No entanto, não posso ficar com ela, se gosto da Kate. Entende a minha situação?

- Irmão, só tenho uma coisa pra te dizer, você tá ferrado!

Jack jogou um travesseiro nele, que se defendeu com os braços.

- Tô falando sério, Des. Você é o meu melhor amigo, tem que me dar conselhos.

- Então tá. Eu no seu lugar convidaria essa moça, Ana para almoçar hoje, me desculparia com ela e esclarecia as coisas. Se Lea ficar magoada, paciência! Pelo menos você estará sendo sincero.

- Você tem razão, Des. Eu vou tomar um banho, e ligar pra ela. Vou convidá-la para almoçar na escotilha, um restaurante muito bom que tem próximo ao apartamento dela.

- Ótimo, muito bom.- concordou Desmond. – Depois disso, você espera a poeira sentar e vai atrás da Kate. Mas sério, não faça isso antes de se resolver com a Sarah, ou ela poderá arruinar tudo de vez.

- Você está certo, obrigado Des.

- Tô aqui pra isso, irmão!

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- Kate.- chamou Juliet, a porta do quarto de Sawyer, Kate havia dormido lá. – Você não quer comer alguma coisa? Estou preparando o almoço.

Kate sentou-se na cama, esfregando os olhos. Havia dormido muito mal.

- Não Julie, obrigada. Eu acho que vou almoçar na Escotilha. Preciso falar com o Sawyer, e algo me diz que ele não passará em casa antes de ir trabalhar.

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Inês acordou com muita fome, e sentou-se, um tanto irritada na cama, se descobrindo do lençol. Esfregou os olhinhos e procurou pela mãe ao seu lado, mas não a encontrou.

- Mamã?- chamou com voz de choro, procurando-a com os olhos pelo quarto.

Levantou-se e correu até o banheiro do quarto, abrindo a porta. Mas sua mãe também não estava lá. Inevitavelmente as lágrimas começaram a escorrer por seu rostinho, e ela saiu do quarto, disposta a procurar sua mãe pelo apartamento. Sabe-Tudo a seguiu.

No relógio de parede da sala, passava das onze da manhã, porém Ana-Lucia dormia tranqüila enroscada em Sawyer, no sofá. A cabeça pousada em seu peito, enquanto os braços fortes dele envolviam seu corpo embaixo do cobertor. Inezita chegou até a sala e viu a mãe dormindo abraçada com um homem, não entendeu nada, mas ficou feliz em vê-la. Por isso começou a pular no tapete, chamando-a:

- Mamã! Mamã!

Ana-Lucia despertou assustada com a voz da filha, e acabou rolando do sofá, por pouco Sawyer não caiu junto.

- Mamã, tome cuidado!- pediu a menina, preocupada, sentando-se no tapete junto à mãe.

Embaraçada, Ana-Lucia sentou-se e ficou imaginando o que dizer para sua filha sobre o que tinha acabado de presenciar. Tudo bem que eles não estavam fazendo nada de mais, mesmo assim ela devia uma boa explicação à sua filha sobre a presença de Sawyer no apartamento.

- Inês...- Ana-Lucia começou, sem saber realmente o que ia dizer quando a menina piscou os olhos verdes fitando Sawyer com curiosidade.

- Mamã? Quem é esse moço?

Antes que ela pudesse responder, Sawyer sorriu para a garotinha e ofereceu sua mão para ela, dizendo:

- Eu sou o Sawyer, amigo da sua mamãe.

Inês sorriu para ele e entregou-lhe sua mãozinha.

- Muito prazer, Sr. Sawyer, eu sou Inezita. Por que o senhor estava dormindo com a mamãe?- a menina perguntou, curiosa.

- È, bem...- Sawyer ficou sem resposta.

- Ele...- tentou Ana-Lucia, mas Inês abriu um lindo sorriso, respondendo em seguida à sua própria pergunta.

- Eu já sei! Você teve um pesadelo como eu, não foi?

- Pesadelo?- indagou Sawyer sem entender.

- Sim.- disse a menina. – Eu tive um pesadelo ontem à noite, e a mamã me deixou dormir com ela. Ela é boa em acalmar as pessoas, quando elas tem pesadelos.- disse a menina, em sua inocência de criança.

- Ahhhhhhhhhhh!- exclamaram Sawyer e Ana-Lucia ao mesmo tempo, finalmente entendendo a explicação da menina, e aliviados por ela ter feito essa constatação.

- Sim, foi isso.- disse Sawyer. – Eu tive um pesadelo horrível, e a sua mamãe estava me acalmando.

Inês assentiu com a cabeça: - Tudo bem, eu entendo. Só que você tem que aprender que pesadelos não acontecem de verdade, porque você já está muito grande pra ficar com medo e a mamã tem que cuidar de mim, não pode acalmar nós dois ao mesmo tempo quando tivermos pesadelos.

Sawyer riu, encantado com a garotinha: - Você é uma garota muito inteligente, Inezita!

- Obrigada.- ela respondeu. – Mas eu estou cansada de conversar, estou com muita fome, mamã!

Ana-Lucia olhou para o relógio, eram onze e trinta e cinco.

- Dios, como é tarde!- exclamou. – Eu vou preparar alguma coisa pra você comer.

- Eu quero panquecas!- disse Inês.

- Cariño, você sabe que a mamãe não sabe fazer panquecas.- respondeu Ana-Lucia indo em direção à cozinha.

- Mas eu sei.- disse Sawyer. – As melhores panquecas do mundo.

- È sério?- questionou Inês, arregalando os olhos verdes. – Então faz pra mim, oba, oba!

Ela puxou a mão de Sawyer e saiu levando-o para a cozinha, Ana-Lucia ficou sorrindo consigo ao perceber que ele já conseguira conquistar sua filha.

O telefone tocou, e ela atendeu.

- Alô?

- Ana-Lucia, aqui é o Jack!

- Jack!- ela exclamou surpresa.

Ele estava embaraçado ao telefone, mas não ia desistir de convidá-la para almoçar e esclarecer as coisas:

- Eu gostaria muito de conversar com você hoje.

- Sim, eu também quero falar com você.- ela concordou prontamente, pensando consigo que essa era uma boa oportunidade de dizer para ele que não seguiria adiante com aquela loucura.

- Então ótimo. Poderíamos almoçar hoje?

Ana-Lucia pensou por alguns instantes, e decidiu aceitar.

- Podemos sim. Onde?

- Na Escotilha, que é perto do seu apartamento.

- Está bem, a que horas?

- 1 hora está bom pra você?

- Perfeito!- ela disse. – Te encontro lá a uma, então.

- Certo, até mais!- disse Jack, finalizando a ligação.

Assim que a chamada com Jack foi finalizada, Ana-Lucia discou outro número no aparelho:

- Alô, Libby? Pode tomar conta da Inês pra mim esta tarde?

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O movimento na Escotilha estava bom para um domingo, várias famílias almoçando calmamente ao som de antigas canções de Frank Sinatra, interpretadas ao vivo por um cantor profissional. Hurley passeava entre as mesas, atencioso com os clientes, indagando se estava tudo bem e se precisavam de mais alguma coisa. Porém, sua atenção para com os clientes foi interrompida quando sua cliente preferida chegou e ele foi até a porta recebê-la pessoalmente.

- Boa tarde, Prof. Elizabeth.

- Boa tarde, Sr. Reys.

- A Srta. deseja uma mesa?

- Na verdade não, vou ficar no balcão e tomar um suco apenas. Não vou me demorar. Passarei a tarde com minha afilhada, vou levá-la para almoçar na casa dos meus pais.

- Está bem, então fique à vontade.- disse Hurley gaguejando.

Libby sorriu e puxou um banquinho, de frente para o balcão, enquanto pedia um suco de manga para Letty. Kate entrou no restaurante e deu um tchauzinho para Letty no balcão. Perguntou à Hurley:

- Hey, Hurley! Sawyer está na cozinha?

- Cara, ele ainda não chegou, quando vi você, ia justamente te perguntar por onde ele andava.

- Acho que ele já deve estar chegando, é que ele não dormiu em casa...

- Novidade! Mas saiba que se ele não chegar em vinte minutos, estará despedido. Se quiser, pode ficar esperando por ele na cozinha.

- Obrigada, Hurley.- disse Kate, dando a volta no balcão e entrando na cozinha.

Mal ela foi para a cozinha, Jack adentrou o restaurante, e pegou uma mesa. Olhou em seu relógio, Ana-Lucia deveria estar chegando. Ele pediu um refrigerante e ficou aguardando a chegada dela.

Sawyer estava mais atrasado do que em todos os outros dias, vinha pensando:

"È hoje que eu vou ser demitido". E pra completar, a moto estava quase sem combustível. No entanto, ele conseguiu chegar ao restaurante. Estacionou a moto e entrou pelos fundos. A primeira pessoa que viu foi Kate.

- Hey, primo!- ela saudou, receosa.

- Boa tarde, sardenta!- disse Sawyer, agindo naturalmente. – Você viu o Hurley? Ele parecia muito zangado?

- Bastante!- ela respondeu.

- Que ótimo!- ele exclamou.

- Por onde você andou ontem à noite?- questionou Kate.

Sawyer balançou a cabeça, negativamente: - Ao invés de ficar me questionando, veste um avental e me ajuda, tem quinhentos pedidos aí nessa lista para serem entregues. Onde está o Henrique pra me ajudar?

- Chegou finalmente né Sawyer?- disse Hurley com olhar de reprovação. – Saca só, o Henrique não vem hoje não, é só você e a Letty. E anda logo que os pedidos estão atrasando.

Kate vestiu um avental e começou a ajudar Sawyer. Lá fora, Ana-Lucia chegou ao restaurante com Inês. Ao ver Jack, sorriu educadamente. Inezita correu até ele, empolgada:

- Superman!

- Hey, boneca!- ele disse, abraçando a menina. – Ganhou muitos presentes ontem?

- Ganhei sim!- ela afirmou.

- Inês, olha só quem está ali? È a tia Libby.- disse Ana-Lucia.

A menina largou Jack e correu para abraçar a tia. Ana-Lucia voltou seus olhos para Jack, e disse:

- Hey, Jack!

- Olá!- ele disse, sério.

John Locke almoçava calmamente com sua esposa Hellen, no restaurante quando sentiu algo muito estranho ao observar uma garotinha rindo e conversando no colo de uma mulher loira, próxima ao balcão. A menina voltou seus olhos na direção da mesa dele momentaneamente, e ele deixou um copo cair ao chão, fazendo estrondo.

- Você está bem, John?- indagou Hellen ao vê-lo petrificado olhando para Inês no colo de Libby, enquanto os cacos do copo que quebrara tinham se espalhado pelo chão. – John!- ela chamou com mais força, seguindo o olhar dele até Inês.

Libby notou que ele não parava de olhar a menina, achou estranho e instintivamente se afastou para a mesa onde estavam Ana-Lucia e Jack. Hurley se aproximou da mesa de Locke para ver se estava tudo bem.

- Sr. Locke? Está tudo bem?

Locke finalmente saiu de seu transe.

- Sim, está. Obrigado.

- Letty, chame a Colleen pra vir limpar aqui, por favor.- pediu Hurley.

- Sim, senhor.- assentiu Letty, do balcão.

- Eu trarei outro copo, Sr. Locke.

- Na verdade não será preciso, Hurley.- disse Locke tirando a carteira do bolso e depositando dinheiro sobre a mesa.- Eu e a Hellen já terminamos.

Mas Hellen ainda não tinha acabado de comer, e ficou encarando o marido, assustada.

- Mas John, eu ainda...

- Vamos, querida!- disse Locke, mas como uma ordem do que um pedido. – Até outro dia Hurley, a comida estava deliciosa.

E dizendo isso, ele segurou não mão de Hellen que pôs a bolsa no ombro e os dois saíram. Na porta, Locke ainda deu uma última olhada para Inês, que sorriu para ele.

- È impressão minha ou esse senhor estava encarando a minha filha?- indagou Ana-Lucia, desconfiada.

- Não é impressão não.- comentou Libby.- Eu também percebi!

- Que estranho!- exclamou Jack. – Ele é o professor de Filosofia da minha irmã.

- O nome dele é John.- disse Inês surpreendendo-os.

- Isso mesmo!- concordou Jack. – John Locke.

- Como sabe o nome dele, cariño?- questionou Ana-Lucia. – Já falou com ele alguma vez?

- Não. Mas eu sei que o nome dele é John.- a menina insistiu.

Libby percebeu que Ana-Lucia estava começando a ficar preocupada, ela então resolveu mudar de assunto, porque sabia que a amiga tinha muito que conversar com Jack. Ana-Lucia lhe contara o que acontecera na noite passada em seu apartamento.

- Bem, acho melhor nós irmos, fofinha!- disse Libby colocando Inês no colo outra vez.

- Sim!- disse a menina empolgada.

- Mas vai sair assim sem dar um beijo na mamãe?- falou Ana-Lucia abrindo os braços, Inês se jogou nos braços dela, a beijou e depois voltou pro colo de Libby. – Divirta-se niña, mas obedeça a tia Libby, tá?

- Si, mamã!- Inês respondeu. – Hasta la vista, Superman!

- Hasta la vista.- disse Jack, jogando um beijo para ela.

- Vou indo.- avisou Libby. – Bom almoço pra vocês!

Assim que Libby saiu, Ana-Lucia encarou Jack, e foi direto ao assunto como era de seu feitio, não gostava de enrolações:

- Tá legal, por onde começamos?

Jack sorriu, sem graça, e respondeu:

- Talvez devêssemos começar pedindo o almoço. O que vai querer?

Ana-Lucia pegou o cardápio:

- Hum, eles tem macarrão com chili, eu adoro. E você?

- Macarrão com chili? Um tanto apimentado para o meu paladar, prefiro filé com fritas.

Ela ergueu uma sobrancelha, mas nada disse. Jack fez sinal para que Hurley se aproximasse.

- Boa tarde, gostaríamos de fazer os pedidos.

- Sim, claro. Só um momento.- pediu Hurley se afastando. – Letty, diga ao Sawyer que fique aqui no balcão enquanto você anota os pedidos daquela mesa. Liguei pra Thelma vir trabalhar extra hoje, já que estamos sem o Henrique. Quando ela chegar, vai ficar anotando os pedidos e servindo as mesas enquanto você fica no balcão. Eu vou até a adega, volto logo.

- Ok.- ela concordou pegando um caderninho. – Sawyer!- chamou por uma janelinha que dava para a cozinha.

- O que foi?- ele respondeu lá de dentro.

- Eu vou anotar o pedido de uma mesa, vem ficar aqui no balcão.

Sawyer voltou-se para Kate e disse, enquanto tirava o avental:

- Mexe essa panela pra mim, mas não para de mexer senão vai grudar tudo no fundo.

- Sim, Sr.. Especialista.- ela gracejou.

Ele beijou o rosto dela, que sorriu contente. As coisas haviam voltado ao normal, o beijo que trocaram na noite passada tinha sido apagado de suas mentes.

- Anda logo, Sawyer!- gritou Letty.

- Ei, já estou aqui!- ele disse sorrindo, mas de repente seu sorriso se desvaneceu, e seu olhar travou na mesa onde Jack e Ana-Lucia conversavam amistosamente. Não podia entender o que estavam dizendo, mesmo assim ficou doente de ciúmes, nunca imaginou que se conhecessem.

- Qual é a mesa que você vai atender?- perguntou a Letty antes que ela se afastasse.

- A daquele casal ali.- ela respondeu calmamente.

- Pode deixar que eu anoto o pedido do "casal", fica no balcão.- Sawyer disse tomando o bloquinho de anotações dela.

- Mas o chefe disse que...

- Não interessa o que o chefe disse, pode deixar que eu vou lá!

Letty voltou para o balcão sem entender porque Sawyer fazia tanta questão de anotar o pedido daquela mesa.

- Boa tarde!- ele saudou com um sorriso cínico no rosto, encarando Sawyer e Ana-Lucia.

- Boa tarde.- disse Jack, sem olhar para ele, consultando o cardápio. – Eu vou querer filé com fritas, e uma porção de salada...

Ana-Lucia arregalou os olhos ao ver Sawyer, quando marcou o almoço com Jack tinha se esquecido completamente de que ele trabalhava lá.

- Surpresa em me ver, baby?- indagou Sawyer, irritado.

Foi quando Jack prestou atenção nele, e o reconheceu:

- Hey, eu conheço você, do Bar do Coyote aquela noite.

- Pois é, parece que a gente tem se esbarrado muito ultimamente.- disse Sawyer, debochado. – Então o Don Juan vai querer filé com fritas e?

- Don Juan?- questionou Jack, sem entender.

- Sawyer!- exclamou Ana-Lucia percebendo o quanto ele estava irritado.

- Vocês se conhecem?

- Sim, nós...- começou Ana-Lucia.

- Ela é a minha garota!- exclamou Sawyer . – Por que está almoçando com ela?

- Peraí, sua garota? Eu não estou entendendo nada aqui!- falou Jack, começando a se irritar.

- Rapazes, vamos nos acalmar.- pediu Ana-Lucia. – As pessoas estão olhando!

- Não Ana, eu estou tentando entender o que está acontecendo aqui.- disse Jack.

- Ah você quer entender?- debochou Sawyer. – Eu te explico então. Qual é a sua, cara? Você é casado, tirou uma com a minha prima e agora já tá querendo tirar uma casquinha da minha garota também?

- Sua prima? Não sei do que está falando, eu não conheço a sua prima, e não sabia que a Ana era sua namorada.

- Ele não é meu namorado.- corrigiu Ana-Lucia.

Letty ficou olhando do balcão a aparente confusão que se formava ali, eles não falavam muito alto, mas pelas expressões de seus rostos, a conversa não estava sendo nada boa.

- Ah, então vai negar agora que não conhece a Kate?- provocou Sawyer.

- Você é primo da Kate?- Jack e Ana-Lucia indagaram em uníssono.

- Porque estão tão surpresos?- perguntou Sawyer.

Na cozinha, Kate já tinha terminado de mexer o molho, e como Sawyer estava demorando muito, ela tomou a liberdade de fazer outras coisas. Mas ficou em dúvida sobre a quantidade de manjericão que tinha de pôr num prato e foi até lá fora perguntar a Sawyer quando o viu com Jack e Ana-Lucia.

- O Jack aqui?

- Você o conhece?- indagou Letty. – O Sawyer foi pra lá anotar o pedido deles e ficou lá discutindo não sei o quê. Estou vendo a hora do Hurley voltar da adega e ver que os pedidos estão todos atrasados, as pessoas estão começando a ficar impacientes.

Kate ficou observando a cena, e notou que Jack estava almoçando no restaurante com Ana-Lucia. Cheia de ciúmes, ela tirou o avental e o jogou sobre o balcão indo até eles.

- Jack!- ela chamou em voz alta.

As pessoas pararam de comer para ver o que estava acontecendo. Letty deixou o balcão e foi até lá.

- Gente, o que está acontecendo? Sawyer, as panelas estão no fogo!

- Cuide delas pra mim, preciso resolver algo importante. Kate, que bom que chegou, olha só o seu doutorzinho almoçando com a minha garota.

Ana-Lucia já estava irritada de tanto ouvir Sawyer chamá-la de "sua garota".

- Eu não sou sua garota, Sawyer!

- Não, ela é a garota do Jack!- bradou Kate.

- Eu não sabia que você era a dona dele?- debochou Ana-Lucia, que pagava pra entrar em uma briga.

Letty estava agoniada, sem saber o que fazer para apartar aquela discussão. Jack resolveu que tinha de fazer alguma coisa, e saiu puxando Kate pelo braço.

- Me solta! Eu não tenho nada pra falar com você!

- Ah é? Então por que veio falar comigo?- ele falou firme, mas em tom baixo, disfarçando a situação para as outras pessoas.

Quando Jack levantou, Sawyer sentou no lugar dele imediatamente e encarou Ana-Lucia.

- Que história é essa de garota do Jack?

- Dios!- ela exclamou nervosa. – Que quieres que te diga, hombre!- e murmurou mais um monte de palavras em espanhol, que Saywer não entendia, mas pelo tom que ela falava, sabia que o estava xingando.

Letty desistiu de se meter, estava com muita raiva porque percebeu que Sawyer estava envolvido de alguma forma com aquela mulher. Uma lágrima discreta rolou de seu olho direito, e ela a enxugou discretamente. Voltou para o balcão e resolveu servir as mesas ela mesma, enquanto Colleen ficava na cozinha. Quando Hurley voltasse, ele que despedisse Sawyer porque ela já não estava mais nem aí.

Enquanto isso, Jack arrastou Kate para o banheiro masculino e trancou a porta assim que eles entraram lá. O olhar dela era de mágoa, mas de saudade também.

- Eu odeio você!- ela gritou.

- Eu também te odeio!- ele gritou de volta e avançou nela, suspendendo-a do chão e a beijando intensamente enquanto a imprensava na parede fria de azulejos.

- Jack, Jack...- murmurou Kate tentando falar enquanto os lábios dele não lhe davam nenhuma trégua. A língua dele buscando a sua, agressiva, tomando-a para si sem pedir licença.

- Kate, eu sou louco por você, não fica longe de mim não!- disse finalmente, deixando-a respirar, mas sem colocá-la no chão.

Quando ele afastou seus lábios dos dela para falar, dando-lhe um pouco de fôlego, Kate instintivamente se viu procurando pelos lábios dele outra vez, puxando-o desesperadamente contra seu corpo. Jack percebeu a ânsia dela em continuar beijando-o e brincou com isso, roçando os lábios no rosto dela impedindo que suas bocas se tocassem fazendo Kate suspirar.

- Me perdoe Kate, me perdoe por ter mentido, por ter te magoado, nunca mais farei isso, meu amor...

Kate queria acreditar nele, mas seu coração ainda doía ao se lembrar de Sarah chamando-a de amante dele, e definitivamente, Kate não queria ser a outra em sua vida.

- Não Jack, eu não posso...não posso!

Jack a sentou no balcão da pia e acariciou as coxas dela por debaixo da saia que usava, beijou seu decote e apertou-a junto de si.

- Confia em mim princesa!

- Eu confiei e você brincou comigo.

Ele envolveu as pernas dela ao redor do seu corpo e acariciou seu rosto ternamente.

- Kate, eu não brinquei com você. Não sou nenhum canalha. A minha vida só está um pouco bagunçada, mas eu prometo que vou resolver tudo, e vamos poder ficar juntos, porque é só nisso que eu penso. Antes de te conhecer minha vida se resumia ao hospital, mas agora tudo é diferente pra mim, porque existe você.

Kate mordeu os lábios, receosa:

- Se você não está brincando comigo, então me conte a verdade.

- O que você quiser, bebê.- ele respondeu com sinceridade.

- Seu casamento realmente acabou? Não sente mais nada pela sua esposa?

- Com toda a certeza.- disse Jack, emaranhando os dedos nos cachos dos cabelos dela. - Eu amei muita a Sarah, tivemos um casamento maravilhoso durante um bom tempo. Mas depois, por causa do meu trabalho no hospital e outras divergências acabamos nos distanciando e descobrir que ela estava me traindo, foi à gota d'água, Kate.

- Acha que ela não sente mais nada por você?

- Eu não sei, mas não entendo como uma pessoa que diz amar alguém, pode se envolver com outra assim, sem mais nem menos. E eu fui fiel à Sarah, mesmo com toda a crise no nosso casamento, e quando me envolvi com você, já tinha até saído de casa.

- E esse machucado no seu rosto?- ela indagou, divertida. – Dói muito?

Jack sorriu: - Não foi nada.

E fez menção de beijá-la, achando que já estava tudo resolvido quando ela o parou com o dedo indicador em seus lábios:

- Só mais uma coisa, por que estava almoçando com a Ana-Lucia?

Jack pensou, "Deus, ela tinha que perguntar"?

- Eu e ela somos amigos, eu te disse.

- Sem mentiras, Jack Shephard!- ela pediu com firmeza.

Ele respirou fundo, e disse:

- Ontem à noite, depois que eu saí do Bar, eu fui ao apartamento da Ana.

- Por que foi pra lá?- Kate estava temerosa pela resposta.

- Foi um impulso.- ele respondeu, embaraçado.

Kate sentiu a garganta apertar: - Você dormiu com ela?

- Não, eu não dormi com ela, e estou falando a verdade.

- Mas você quis dormir com ela!- Kate quase gritou essa frase. – Oh Jack, por que isso?

- Não importa agora se eu quis dormir com ela, eu não dormi, e a convidei para almoçar para esclarecer as coisas. Eu gosto dela, mas amo você. Ana-Lucia não me interessa, além disso, ela está com o seu primo, você viu!

Kate ficou estática, ponderando a situação. Jack abraçou-a, buscando os lábios dela em seguida, beijaram-se, até que ela o empurrou.

- Por favor, Kate, eu já te disse tudo...

- Eu sei...- ela disse. – Mas é coisa demais pra minha cabeça, eu preciso ir!

Ela se levantou do balcão e foi em direção à porta. Jack irritou-se:

- Você quer desvendar a minha vida, mas não me diz nada sobre você. Trabalha em um bar, acha que eu gosto disso? Que não me importo que outros homens fiquem desejando o que é meu?

Kate revirou os olhos:

- Isso é um problema só seu! Eu preciso do emprego, tenho que pagar meus estudos.

- Você poderia fazer uma coisa mais decente!- ele provocou.

- Ah é mesmo? Acha que o que eu faço não é digno? Ótimo! Então você também não é digno, porque foi assim que você me quis, quando me viu em cima do palco rebolando. Porque é só nisso que você pensa quando me vê! Você não me enxerga Jack, só vê o que está óbvio, como todos os bêbados do bar, e eu que achava que você fosse diferente.

- Já é a segunda vez que você me diz isso!- Jack gritou. – E quer saber? Eu não sou diferente, sou um homem, não um príncipe encantado e se você não me aceita como eu sou, dane-se!

Ela arregalou os olhos:

- Dane-se você então, Jack!

Faíscas disparavam de seus olhos, uma mistura de raiva, amor e desejo. Ambos queriam desesperadamente cair um nos braços do outro para dissipar toda aquela tensão. Jack deu um passo na direção dela, porém Kate não recuou. Estava muito zangada, mas se Jack a agarrasse e a tomasse ali mesmo ela não iria se queixar, porque queria isso tão desesperadamente quanto ele. Mas eis que um homem começou a bater na porta, dissipando os pensamentos libidinosos de ambos.

- Hey, tem alguém aí?

- Adeus, Jack.- Kate disse ao ouvir a voz do lado de fora . – Se ficar juntos for o nosso destino, nos encontraremos de novo.

- Eu não acredito em destino. – disse Jack, com pesar.

Kate deu um sorriso triste: - Acho que devia acreditar, porque talvez o destino acredite em nós.

Ela abriu a porta e saiu passando pelo homem que estava batendo, junto com seu filho, um garoto na faixa dos dez anos. Ao ver uma mulher sair do banheiro masculino, o garoto franziu as sobrancelhas e indagou:

- Pai, o que aquela mulher fazia no banheiro dos homens?

- Eu não sei Walt, mas isso não é da nossa conta. Agora vai ao banheiro, e faz o que você tem que fazer.

Eles entraram no banheiro e cruzaram com Jack:

- Hey, Jack!- saudou o homem. – Você por aqui?

- Hey, Michael.- Jack respondeu. Michael era seu vizinho do lado no apartamento.

Michael estranhou ver uma garota saindo do banheiro masculino, e Jack saindo logo atrás, mas não disse nada guardou seus pensamentos para si. Depois da intensa conversa com Jack, tudo o que Kate queria era ir pra casa e dormir pelos próximos mil anos. Mas mal ela ia saindo do restaurante, foi abordada por Hurley, que estava com uma expressão muito irritada no rosto:

- Ô Kate, onde é que está o seu primo? Letty me disse que não sabe dele.

- Me desculpe, Hurley, eu não sei. Mas ele deve aparecer logo, preciso ir. Tchau.

Jack ficou observando Kate ir embora, se sentindo arrasado, no entanto sabia, que naquele momento nada mais poderia ser feito a não ser terminar sua conversa com Ana-Lucia. Sentou-se no seu lugar a mesa e ficou se indagando onde ela estava.

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- Já chega, Sawyer! Chega!- pediu Ana-Lucia enquanto Sawyer a agarrava com força no depósito apertado do restaurante.

- Não, muchacha, me dá um beijo, só mais um beijo!

Ana-Lucia o beijou outra vez, ficando na ponta dos pés para alcançá-lo, já que a diferença de tamanho entre eles era notável, e ela não estava usando salto.

- Você me deixa louco! E essa história de irmos devagar está acabando comigo! Anda, diz que é a minha garota, diz...

- Eu sou a sua garota, baby!- ela disse sensualmente, empolgando Sawyer.

- Sawyer!- chamou Hurley, próximo à porta do depósito.

- Hurley?- Sawyer respondeu. – Eu já estou voltando pra cozinha, só vou pegar uns pacotes de molho porque os do armário já acabaram.

- E precisa de todo esse tempo pra pegar alguns pacotes de molho?

- Pôxa, jabba, desculpa, é que isso aqui está uma bagunça, por isso que eu fechei a porta, não quero que você se aborreça ! Eu e a Letty vamos arrumar tudo antes de fecharmos hoje!

- Está bem, dude, vê se não demora, que a Colleen tá enrolada lá na cozinha. A Thelma já chegou ,então a Letty vai poder ficar te dando uma mão, porque a sua prima já foi.

- Ela foi embora sozinha?- Sawyer questionou.

- Sim, foi. E anda logo, dude, o movimento tá intenso no restaurante!

Assim que ele se afastou, Ana-Lucia disse:

- Preciso voltar, tenho que terminar minha conversa com o Jack.

- Ah não, Lulu, fica mais um pouco, gostosa!

E dizendo isso ele apertou o traseiro dela com as duas mãos, trazendo-a novamente para si:

- Sawyer!- ela exclamou, rindo, e o beijou novamente, estava se sentindo uma adolescente outra vez, fazendo travessuras. – Agora chega, preciso mesmo ir, nos vemos depois!

- Você vai dizer ao Jack que é minha, só minha?

- Você é pretensioso pra um caipira.- ela disse, debochada.

Sawyer fez cara de irritação, ela riu.

- Vai ficar brabo comigo agora?

- Se você quer ir almoçar com o doutor, então vá!

Ele ia destrancando a porta da despensa para que saíssem quando ela o impediu colocando sua mão sobre a dele. Sawyer olhou para ela intrigado. Ana-Lucia deu-lhe um olhar insinuante e desceu o fecho da sua blusa, exibindo parte do sutiã de renda, preto, que usava. Sawyer sorriu cínico diante do gesto dela.

- Você quer ver mais?

- Oh yeah, baby!- ele respondeu, safado.

Ana-Lucia então fechou o zíper da blusa novamente.

- Então vai ter que ter muita paciência, cowboy! Agora, vamos!

- Lu, eu não acredito!

Ela mesma abriu a porta dessa vez e deu a volta pelos fundos do restaurante, para não ser vista por ninguém. Ao retornar à sua mesa, Jack indagou:

- Onde esteve?

- Fui tomar um ar, você demorou muito.- respondeu puxando uma cadeira.

- Às duas e meia da tarde, com todo esse sol?

- Nossa, já são tudo isso! Por isso que estou com tanta fome!- ela comentou.

- Eu tomei a liberdade de finalmente fazer nossos pedidos.

- Ok.- ela assentiu. – E você se entendeu com a Kate? Explicou tudo pra ela?

- De certa forma.- ele respondeu sem emoção.

Ana-Lucia tocou a mão dele amigavelmente:

- Não fique chateado, dê um tempo a ela que tudo irá se resolver. Vá por mim, eu sou mulher, entendo dessas coisas.

Jack sorriu:

- Ao contrário de mim e da Kate, parece que você se entendeu com o Sawyer.

Ela ergueu uma sobrancelha: - Como é que é?

Ele apontou para uma marca vermelha bem definida no pescoço dela, instintivamente Ana-Lucia tocou a marca, e tentou cobrir com a gola da blusa, embaraçada. Letty chegou com os pedidos, seu olhar era ríspido.

- Aqui está, Filé com fritas, e macarrão com chili.

Ambos agradeceram, porém, quando ela foi depositar a vasilha de molho extra para Ana-Lucia, derramou propositadamente nela. Ana-Lucia reclamou, o molho estava um pouco quente.

- Me desculpe, senhorita, vou pegar um pano para limpar.

Sawyer assistiu a cena do balcão e balançou a cabeça negativamente, antes de comentar:

- Mais essa agora!

Continua...