Cap 7 - A primeira reunião

Acordar naquela manhã fora penoso para ambos, apesar de nenhum saber o porque ainda...

Ela despertou primeiro, não se lembrava onde estava, e aos poucos foi percebendo seus arredores, um corpo forte no qual estava apoiada, algo macio que a cobria, um leve gosto de álcool em sua boca... Abriu os olhos, estava nas masmorras, no sofá dos aposentos do Mestre, com a cabeça em seu peito. Ele ainda dormia, calmo, respirando tranquilamente. Se lembrou de tudo que conversaram ontem, e ficou em dúvida de como agir agora, as perguntas de insegurança começaram a surgir... "Será que foi a bebida que o transformou? Será que ele ainda me odeia? Será que ele se arrepende? Quem nos cobriu então? Ele? Será que foi só uma média, porque eu salvei a vida dele?"
Enquanto isso, Snape acordava, perguntas similares surgiam na mente dele, mas com menos insegurança e uma postura bem mais pragmática.
Ela sentiu ele se mexer, e olhou para ele, ele não desviou o olhar, se estudaram, depois de um tempo, ela por um segundo de antecedência, desviou o olhar primeiro.
Levantaram, olharam em volta, a procura de sabe-se lá o que, até que ele disse:
- Acho que está na hora do café da manhã. Ainda é cedo, mas podem ter alunos nos corredores, tente não ser vista.
Ela assentiu com a cabeça e se encaminhou para a porta, fez um feitiço bobo para ver através da parede, não tinha ninguém no corredor, então olhou para Snape confirmando com um sorrio tímido, saiu da sala.
Deixando Snape com um grande lote de emoções novas e inusitadas.

Quando Cathy chegou a porta da sala comunal da grifinória caiu a ficha: Hermione e Ronald não sabiam onde ela tinha passado a noite, e deviam estar mortos de preocupação. Sem falar no quanto deviam estar xingando Snape pela detenção mais longa da história de Hogwarts.
Não deu outra, do outro lado da porta a sala comunal estava vazia, exceto por um jovem de cabelos ruivos andando furiosamente de um lado para o outro da sala, e uma garota com cabelos armados e castanhos sentada de frente para a porta, Hermione se levantou e disse:
- Oh pelo amor de Deus, RONALD ELA ESTÁ AQUI! Onde eu que você se meteu? Saiu para ver a sala nova com o Snape as 21! Como diabos você só chegou agora?!
- Eu vou matar o Snape! Ele te deixou trabalhando a noite toda para compensar a noite de detenção, nao foi? Aposto como ficou puto que você ganhou uma sala! -Ron estava fora de si
- Ronald, eu te disse, não é culpa do professor, ele pode ser um bastardo, mas não desrespeitaria as regras! Está no livro de regras da escola! Nenhum professor pode manter os alunos em castigo passado as 3 a.m.
- Mione fala serio! Aquele cara não respeita regra nenhuma! Você por acaso conhece o seboso? Acredita mesmo que ele já leu algum livro de ética? Ou regras?
- Podem se acalmar, a culpa não foi dele.. Cathy tentou dizer, mas eles estavam mais absortos em sua própria discussão, Cathy então falou mais alto, mas mesmo assim bem humorada: Me pergunto quando vocês vão me deixar falar...
Ainda que lançando olhares irritados um para o outro, se calaram para deixa-la falar.
- ele me liberou da detenção por volta da meia noite, eu me tranquei na minha nova sala desde então! Vocês sabem como eu sou com poções...
A isso Hermione riu e olhou para Ron,
- Te disse que nada tinha acontecido, realmente Ronald, você poderia ser um pouco mais realista...

Ron ia responder que algo poderia muito bem ter acontecido, mas o retrato da sala comunal se abriu naquele momento, revelando a figura de Minerva McGonnagol
- srta. Potter, o diretor pediu para vê-la
Enquanto Ron e Mione se entreolhavam, Cathy se despediu brevemente e saiu com a professora a caminho da sala de Dumbledore... Ela não sabia muito o que esperar dessa vez, seria algo relacionado a Severus?

- Picolé de limão - Minerva disse a gárgula. Mas quando chegaram a porta, a professora a abriu e deixou Cathy passar, sem contudo acompanha-la,
- professora? Não vai entrar?
- Dumbledore deu ordens para te trazer aqui, e esperar na porta caso minha presença se faça necessária...
Não é preciso dizer que McGonnagol não estava nem um pouco feliz com a ideia. E para falar bem a verdade, Cathy também não gostou muito de como as coisas soavam.
Quando entrou, Dumbledore estava em sua escrivaninha, e a acolheu com um sorriso. Como Cathy continuava mortalmente séria, Dumbledore disse:
- Acalme-se minha criança, não é nada de ruim
Como isso não pareceu ajudar muito, ele seguiu explicando:
- Você sabe que você e Severus tem de se casar logo, isso é, fazer o feitiço o quanto antes...
-aaaaah, sim claro, é isso? Vamos marcar a data?
- Sim. Hoje, de madrugada.
-Hoje?!
- Precisamente, então agora mesmo vamos começar a nos preparar para a cerimônia... Deve estar se perguntando o porque pedi que a professora McGonnagol ficasse esperando
- Sim senhor, e também gostaria de saber se agora que as coisas estão para realmente se efetivar, o senhor pretende contar para o resto da Ordem?
-Bom, chamei a professora Minerva porque você vai precisar de alguém te ajudando hoje, e sei que vocês tem uma boa relação. Sobre o resto da Ordem, eles terão de saber mais cedo ou mais tarde, até porque eles se preocupam com essa guerra e com você tanto quanto eu, mas vou deixar isso para mais tarde, semana que vem ou na próxima, quero que você e Severo comecem sem ninguém dando palpite.
Cathy estava meio estática, um pouco pálida, mas concordou com a cabeça.
- Bom, podemos discutir tudo isso mais tarde, agora vamos ver o planejamento para hoje. Posso então chamar a professora Minerva?
Mais uma vez Cathy concordou com a cabeça, "eu vou me casar dentro de algumas horas" era só o que se passava por sua cabeça...

A professora entrou e Dumbledore lhe explicou toda a situação, a conexão das mentes, o feitiço do casamento, e por fim, quem era o noivo.
Minerva obviamente não gostou da ideia, mas como sua personalidade não a permitia tomar decisões e fazer julgamentos a partir de emoções, ela apesar de lamentar muito, concordou que essa era a melhor solução e que iria sim ajudar no que fosse preciso.

Alguns poucos minutos depois Cathy e Minerva saíram juntas deixando Dumbledore para preparar Snape.

A tarde com Minerva estava sendo agradável, Cathy esperava ficar nervosa a tarde toda, mas tinham tanto a fazer que sobrara muito pouco tempo para pensar em sua noite de núpcias, até que Minerva disse:
- Bom, estamos quase prontas, já temos seu vestido, eu serei a madrinha, já temos a flor de lis, e já estou providenciando uma poção contraceptiva. Agora eu preciso falar com você sobre a ... consumação do casamento. Ela é essencial para o feitiço funcionar, você e o profes... E o Severus, estarão sozinhos e farão isso depois da cerimônia. Querida, eu sei que não é um assunto confortável, mas é fundamental que você me diga se tem alguma pergunta...

Cathy respondeu que não, afinal cinco anos de convivência com Lilá não permitiria que ela tivesse perguntas sobre a parte física do processo... E 'tem como pular essa parte?' não parecia uma pergunta válida, portanto, só restava dizer que não tinha perguntas e dar o assunto por encerrado... Estava terrivelmente ansiosa, e falar no assunto não ajudava em nada seus nervos.

Severus e Dumbledore tiveram uma tarde bem similar, comprar o terno, arrumar o local, preparar o feitiço. E a conversa deles sobre a noite de núpcias foi tão breve quanto a de Cathy e Minerva:

- Quanto a consumação do casamento... -começou Dumbledore suavemente
Snape o fuzilou com o mesmo olhar que desmaiava de medo os primeiranistas. A isso Dumbledore torceu os lábios e suspirou dizendo:
- Não adianta, teríamos que mencionar o assunto mais cedo ou mais tarde.
- Não vejo porque, eu obviamente sei o que tem que ser feito.
- Mas Severus, ela não é como as outras.. Ela pre... - Snape não deixou-o terminar a frase
- Dumbledore francamente!
Eu sei que ela não é uma puta! Agora me deixe em paz, infernos! Já não basta que eu concordei com esse deu plano maluco?! Não quero mais ouvir nada disso. Basta.
E com mais um suspiro de Dumbledore a conversa terminou ai.

A cerimonia seria realizada na Sala Precisa, e as 2 a.m. da noite de sábado para domingo todo o ritual estava pronto para começar.
O noivo, vestido em um elegante terno bruxo preto, esperava por sua noiva no meio de um circulo de ervas afrodisíacas com várias velas de diferentes tamanhos espalhadas em sua volta. Dumbledore também se encontrava dentro do círculo, usando vestes que não poderiam pertencer a mais ninguém que não Albus Dumbledore, a frente dele estava um grande livro antigo aberto em cima de um bonito púlpito de madeira escura entalhada com antigos símbolos.
Abriu-se a porta, e a noiva estava deslumbrante em um vestido bege claro, justo como um espartilho na parte de cima de renda encravado com lindas pedras pretas, e então várias camadas do mais leve véu formado uma volumosa saia que acariciava o chão quase sem toca-lo.
Toda a luz da sala vinha do círculo, e ela foi levada por Minerva diretamente para lá. A professora também estava muito bonita, em um comportado vestido bruxo preto com alguns detalhes de renda dourada.
Quando os noivos estavam mais perto, ambos em seus devidos lugares, ela teve o prazer de notar que ele estava mais belo que nunca, e ele pensava o mesmo dela. Claro, nenhum dos dois teve a coragem de demonstrar, ou sequer admitir para si próprios, mas mesmo assim vale mencionar o breve pensamento, pois fora a primeira vez que notaram-se verdadeiramente como homem e mulher.

O ritual era de todo muito simples, Dumbledore entoou algumas palavras em latim, Snape e Cathy derramaram algumas gotas de sangue em um caldeirão com uma poção antiga, da qual beberam em taças de prata encantadas com um feitiço proferido por Dumbledore. Alianças de ouro forjadas pelo poder conjunto de Minerva e Dumbledore foram colocadas ainda quentes nos dedos de Cathy e Severus. E pronto, estavam casados, por lei, por feitiço, agora só faltava a consumação para validar tudo.
Mas vamos com calma agora, apressar a narrativa seria um erro.

Minerva e Albus foram cada um para seu lado, Cathy e Snape foram juntos para os aposentos do mestre.