VII - Let's go all the way tonight
No regrets, just love
A primeira coisa da qual me dei conta quando abri os olhos foi que os lençóis da minha cama estavam embolados em minhas pernas e eu quase caí no chão quando tentei levantar.
Essa é, realmente, uma ótima maneira de começar o dia.
A segunda coisa foi que estava com uma dor de cabeça dos infernos e a única pessoa que tinha a poção contra ressaca era o Blaise e, consecutivamente, a terceira foi que Blaise não estava no quarto e sua cama estava impecavelmente arrumada, como na noite anterior.
1) Minha cabeça está dolorida e com os movimentos bruscos que fiz ao acordar e quase batê-la no chão causaram uma dor ainda mais intensa.
2) Precisava de uma poção que apenas Blaise transei a noite toda Zabini tinha.
3) Minhas memórias estão voltando e...
4) Eu chupei mesmo Harry?
Oh, meu deus. Estou tão irrevogavelmente ferrado. Quando ele, finalmente, reparar o que fez – ou me deixou fazer, no caso – vai ficar uma fera. Nós nem ao menos estamos namorando! Quer dizer, não estamos porque ele não me pediu ou insinuou que queria algo sério. E para piorar esse pensamento me fez parecer a mulher da relação. Não que houvesse uma, mas... Ah, droga. Eu nem ao menos serei o passivo.
Odeio sentir dor e o Harry deve gostar, se a maneira como ele rebola em frente ao perigo significa alguma coisa. Porque o sonho que tive noite retrasada não significa absolutamente nada.
Muito contra a vontade levantei da cama e andei em direção ao banheiro, após revirar as coisas de Blaise atrás da maldita poção, e revirar as coisas dele era algo que eu não deveria ter feito. Além de encontrar vários tubos de lubrificante – e eu peguei um apenas por precaução, que fique claro –, encontrei vários vibradores, camisinhas e alguns objetos bizarros que eu não gostava nem de imaginar para o que, exatamente, deveriam servir. O bom é que pelo menos Blaise se previne e não deve ter nenhuma doença. Sorte do Weasley, que à uma hora dessas não deve estar conseguindo nem sentar direito.
Suspirando fundo, tentando não pensar no quão bom havia sido a noite de ontem e o quão doloroso seria minha morte, entrei no chuveiro quase arrependido, pois o cheiro de Harry ainda estava impregnado em cada parte do meu próprio e era tão gostoso.
Quando, alguns minutos depois, entrei sorrateiramente no salão principal para o café da manhã, meus olhos vagaram para a mesa da Grifinória. Nem Potter ou Weasley estavam lá.
Mas Hermione Granger estava sentada ao lado de Ginevra Weasley, com uma das mãos nas costas da ruiva, como se a consolasse. Senti-me subitamente mal. Não pela Weasley, pela Granger. Imagine descobrir que seus dois melhores amigos são gays e, imagine, se namorasse com um deles.
Eu já admiti que a acho legal, e ela é inteligente. Talvez soubesse desde sempre a opção sexual do Harry, mas será que sabia a do Weasley? A única coisa que eu esperava disso tudo é que o idiota ruivo não desse em cima do Harry, ou seria obrigado a matá-lo lenta e dolorosamente.
Harry é meu, mesmo que não tenhamos nada oficial por enquanto. E depois da noite passada tenho ainda mais certeza disso. Não que eu esteja apaixonado ou algo assim. Argh, me apaixonar por Potter, até parece. É apenas tensão sexual e, sabe, ele beija bem e, Deus, estou ficando excitado apenas por lembrar ontem.
Mau caminho, se levar em conta que estou sentado em meio a sonserinos e que Pansy está ao meu lado enchendo meus ouvidos com assuntos nada interessantes, parecendo não perceber meu olhar mortal em sua direção que diz claramente que eu não quero escutá-la.
Comi em silêncio, ignorando todos que falavam comigo. Não estava com fome, mas era melhor comer alguma coisa depois de beber tanto noite passada. E Harry, Blaise ou Weasley não apareceram.
Comecei a pensar se havia acontecido alguma coisa. Quer dizer, é impossível que Blaise e Ronald ainda estejam fazendo sexo. É fisiologicamente inviável.
E o Harry... Bem, qual são as opções?
a) Ele ainda está dormindo.
b) Está morrendo de dor de cabeça pela bebedeira de ontem e está de cama, pois não tem a poção do Blaise e duvido que algum de seus amigos certinhos a tenham.
c) Está com vergonha de descer e me encarar depois do que aconteceu ontem.
d) Foi atrás do Blaise e do Weasley depois que eu o deixei em frente à Grifinória e os três transaram loucamente a noite inteira.
e) Se ele tiver feito mesmo isso...
f) Está planejando a forma mais sensata de me matar sem que descubram que ele foi o culpado.
A opção D é assustadora. Talvez eu deva procurar por ele, por via das dúvidas. Mas como eu vou entrar na torre da grifinória? É óbvio que a Granger deve me odiar, se levar em conta que desviei o Potter pro mau caminho e ela jamais me daria a senha para entrar.
Acho que vou lhe enviar uma coruja. Sim, essa é a melhor opção.
Harry...
Como você está? Fiquei preocupado quando não te encontrei no salão principal para o café.
Se estiver se sentindo bem, estarei lhe esperando no lugar de sempre.
D.M
Quando cheguei à Torre de Astronomia ela estava vazia e agradeci aos céus por isso. Na minha imaginação mórbida imaginei que abriria a porta e encontraria Blaise e Weaseys nus e... Bom, melhor não concretizar esse pensamento ou corro o risco de ficar irrecuperavelmente traumatizado.
Soltando um suspiro longo, me encostei à parede e olhei para o céu nublado que cercava o castelo. Iria chover. Talvez isso fosse um mau sinal. Sempre achei que Potter fosse poderoso, e se o humor dele fosse o responsável por aquele clima?
Bufando com minha idéia ridícula, balancei a cabeça e ajeitei melhor minha gravata no pescoço e, franzindo o cenho, resolvi tirá-la e guardar no bolso da capa. Não daria idéias para Harry. Ser enforcado com minha própria gravata não estava nos meus planos para hoje, de qualquer maneira. Minha intenção era ver se Harry estava bem, com sorte sair vivo e, quem sabe, dar alguns amassos antes do almoço.
Talvez Harry retribuísse o favor, nunca se sabe.
Quando a porta da Torre de Astronomia se abriu e Harry entrou com passos hesitantes, prendi a respiração. Ele fechou a porta atrás de si e seu olhar se encontrou imediatamente com o meu.
Às vezes eu me esqueço o quão Harry é bonito. Ele estava sem uniforme, usando uma calça jeans que era quase indecente, levando em conta que apertava em todos os lugares certos. Vestia uma blusa de algodão simples e seus cabelos estavam anormalmente bagunçados e seus olhos ligeiramente vermelhos, como se acabasse de sair da cama.
Abrindo um sorriso incerto, se aproximou de mim e apoiou uma das mãos na minha cintura antes de colar seus lábios na minha bochecha.
"Bom dia..." Ele disse e suas maças do rosto ficaram vermelhas enquanto me encarava.
Talvez ele não se lembrasse...
"Dia, Harry" Respondi e o puxei para mim pela cintura, colando nossos corpos e o abraçando com força, aspirando seu cheiro. "Por que não apareceu para o café?"
Harry colocou as mãos nas minhas costas e afundou o rosto na curva do meu pescoço.
"Estava morrendo de dor de cabeça" confessou em voz baixa "Hermione acabou de preparar uma poção contra ressaca pra mim, não sem antes falar um tempão sobre o quão irresponsável eu sou por ter bebido em Hogwarts e que poderia ter sido expulso caso me pegassem... E ela perguntou por Ron" erguendo a cabeça, Harry me olhou "Onde ele está?"
"Eu não sei" disse e tinha a esperança que Harry soubesse. "Talvez eles estejam na Sala Precisa" conclui, olhando-o "Eu costumava levar garotas pra lá quando queria..."
"Não quero saber detalhes, Malfoy" Harry disse, se desvencilhando dos meus braços e virando de costas.
"Harry" pausei e andei até ele, abraçando-o por trás. Ele tentou se soltar, não deixei "você está com ciúme?"
Ele soltou uma risada pelo nariz, desdenhando.
"É claro que não"
Sorri. Apertei-o mais contra meus braços e passei meus lábios pela sua nuca. Harry disfarçou um arrepio e se encolheu mais.
"Está sim" pressionei, deslizando minha boca até sua orelha e mordendo com força calculada. Ele se remexeu e soltou um gemido baixo, cerrando os olhos.
"Não estou..." Talvez Harry soubesse que sua voz não havia saído firme, pois soltou um suspiro e virou de frente, e antes que pudesse tomar alguma atitude fui empurrado contra a parede com quase rudeza. "Não tenho porque estar" completou e passou a língua sobre os lábios de uma maneira que me deixou excitado. Olhou para meu corpo dos pés a cabeça e senti-me corar "tudo isso é meu" e colou nossos lábios.
O corpo de Harry me pressionou com força contra a parede de pedra e eu gemi contra sua boca, sentindo meu sangue ferver e minha calça apertar de maneira considerável. Sua língua buscou a minha com fome e me deixei levar, como sempre acontecia.
Não pude deixar de me sentir mais ousado por Harry não ter brigado ou ficado com raiva da noite passada. Isso significa que ele não se arrependeu, certo?
Certo, pensei enquanto puxava a camisa dele de dentro da calça e deslizava as mãos por suas costas de forma lenta, fazendo-o se arrepiar. Ele sorriu entre o beijo e mordeu meu lábio inferior, sugando-o de maneira sensual em seguida. Senti minhas pernas amolecerem.
"Draco..." ele disse, assim que deixou meus lábios e aproximou sua boca da minha orelha "eu li algumas coisas a respeito do relacionamento entre dois homens e..."
"Harry, não acabe com o clima" repreendi-o e ele corou de leve enquanto me olhava. Abri um sorriso de lado e aproximei nossos lábios novamente "apenas faça o que quiser..."
Se entregar assim nas mãos de uma pessoa não é algo que se deva fazer, eu sei. Mas ele é Harry Potter. Jamais faria alguma coisa pra se aproveitar de mim ou me machucar - propositalmente. E ele estava sóbrio agora, não perderia a oportunidade de amassos mais quentes por nada no mundo.
Minhas palavras lhe deram a segurança que precisava, pois sorriu e deslizou uma das mãos pela minha barriga de maneira lenta e pousou-a sobre meu cinto. Eu sorri, o encorajando a continuar e ele mordeu o lábio inferior, deixando-o vermelho e úmido, enquanto abria minha calça apressadamente.
Engoli em seco quando minha calça deslizou para o chão. Harry olhou para o volume dentro da minha cueca e molhou os lábios, agora secos, com a língua. Pegou a varinha dentro do bolso das vestes e percebi que suas mãos tremiam enquanto lançava alguns feitiços na porta.
Quando ele voltou a me olhar vi desejo brilhando em suas orbes e me senti trêmulo, mas confiante. Abri os primeiros botões da minha camisa e passei a ponta do dedo sobre meu mamilo, sentindo-o enrijecer e os olhos de Harry grudados em mim. Soltei um gemido baixo e arqueei as costas.
Isso pareceu ser demais para ele, que soltou um gemido e afastou minha mão, substituindo-a pela sua boca quente e úmida. Fechei os olhos e me senti latejar dentro da cueca e segurei a mão dele, a levando até onde eu precisava de atenção imediata.
Harry riu baixinho e me olhou enquanto passava a língua sobre meu mamilo. Segurei seu cabelo com força quando ele apertou minha ereção. Soltei o ar pela boca e joguei a cabeça pra trás, erguendo meu quadril a procura de mais contato. Quando ele começou a descer minha cueca e minha ereção saltou em liberdade senti seu olhar me queimando.
"Posso retribuir o favor de ontem?" Ele perguntou contra minha orelha. Estremeci completamente e, não confiando na minha própria voz, assenti. Ele sorriu e mordeu a função entre meu ombro e pescoço antes de ajoelhar no chão e retirar completamente minha cueca, jogando-a no chão. Harry separou um pouco minhas pernas e ergueu a direita, colocando-a sobre seu ombro. Senti-me muito exposto e comecei a ficar receoso. Quer dizer, por Deus, eu estava completamente à mercê de Harry, isso era assustador.
Ele deslizou as mãos de maneira lenta sobre minhas coxas e comecei, pouco a pouco, a relaxar. Mordi meu lábio inferior quando ele encheu as mãos em meu traseiro e apertou com força que deixaria seus dedos marcados em minha pele.
Pensei que fosse desmaiar quando sua mão encontrou minha ereção e a levou até a altura de seus lábios. A língua rosada circulou a glande e eu joguei a cabeça novamente para trás com um gemido. Seus dedos encontraram meus lábios e ele, sutilmente, penetrou-os na minha boca. Entendi o que ele queria e comecei a chupá-los. Em meus devaneios me lembrei que tinha lubrificante do Blaise no bolso da calça, mas não consegui articular palavras necessárias.
Harry começou, pouco a pouco, a penetrar meu pênis em sua boca enquanto segurava a base. Após alguns segundos seus movimentos começaram a ficar mais rápidos e eu fechei os olhos, seus dedos abafando meus gemidos de puro prazer.
Quando minha boca voltou a ficar livre, engoli em seco, esperando sua próxima atitude. Harry deslizou a mão sobre minhas costas e, gentilmente, separou minhas nádegas, roçando o dedo umedecido de saliva na área nunca habitada antes. Engoli um soluço quando seu dedo me penetrou, mas Harry aumentou ainda mais a intensidade dos movimentos com a boca e eu rapidamente esqueci-me do incomodo, empurrando meu quadril de encontro a sua boca.
Antes que eu conseguisse me dar conta, seu dedo começou a se mexer dentro de mim em movimentos de vai e vem e era mais estranho do que doloroso. Mais um dedo de juntou ao primeiro e apesar da dor no início, aos poucos fui relaxando e era bom. Principalmente quando ele encontrou minha próstata. Acho que gemi muito alto, mas a língua, juntamente com os dedos de Harry estava me deixando louco.
"Harry, se você não parar vou gozar..." Falei em voz baixa, entrecortada. Harry ergueu os olhos e fixou-os em mim e eu mordi meus lábios com força quando ele, ao invés de parar, aumentou a velocidade dos movimentos.
A próxima coisa que tive consciência foi de Harry beijando meu pescoço e me segurando de encontro a parede após o melhor orgasmo da minha. Notei que Harry havia cuidado de si mesmo e abri um sorriso cansado.
"Isso foi incrível" comentei e ele riu contra minha pele. Levei minhas mãos até seus cabelos bagunçados e suspirei.
"Precisamos procurar o Blaise e o Ron" Harry disse, algum tempo depois, quando nossas respirações voltaram a se normalizar.
Sim, nós realmente precisávamos procurar por eles. Já estava começando a ficar preocupado. E se o Weasley, após perceber o que havia feito, resolveu matar o Blai?
Isso é uma hipótese válida, mas preferi não dividi-la com Harry. Apenas segurei sua mão e o puxei para fora da Torre de Astronomia.
"Eu não agüento mais. Desde ontem fizemos mais de 8 vezes... Não consigo nem mais ficar duro"
"Não pensei que você fosse assim tão fraco..."
"Fraco? Onde você consegue tanta energia?"
"São anos de prática..."
Olhei para Harry e mordi o lábio inferior, impedindo-me de rir. Ele havia pegado um objeto curioso de seu dormitório: um mapa de Hogwarts onde achou Blaise e o Weasley em uma sala no sétimo andar.
Estávamos do lado de fora da sala e quando percebemos que estava tudo bem, Harry me puxou pela mão antes que eles nos pegassem.
"Você falou pro Blaise sobre nós?" Harry me perguntou assim que chegamos a um corredor abandonado. Ergui uma sobrancelha.
"Ainda não. Mas ele sabe que eu quero algo com você..." dando de ombros, perguntei: "E o Weasley, sabe sobre nós?"
"Oh, claro. A Hermione também, e a Ginny... É uma sorte que Ron e ela tenham terminado antes que acontecesse àquilo com o Blaise"
"Eles terminaram?" Perguntei ligeiramente surpreso. Harry assentiu.
"Não faz muito tempo, na verdade. Hermione percebeu que não gostava do Ron como julgava gostar, há algum tempo atrás. Foi uma decisão conjunta, sabe? Sem rancores... Voltamos a ser os mesmos de antes, agora."
Assenti lentamente, absorvendo as novidades.
Parece que tudo está se ajeitando, afinal.
Blaise tinha uma chance com Weasley e Harry... bem, Harry está comigo e me olhando de uma maneira intensa, como se estivesse prestes a aprontar alguma coisa tipicamente grifinória.
Sorri de lado.
"O que foi?"
"Estava pensando... Eu terminei com Ginny há algum tempo e, sabe, quero pedir outra pessoa em namoro..."
Meu sorriso se abriu ainda mais e eu passei as mãos em volta de sua cintura, puxando-o pra mim.
"É?" Ele assentiu e seu nariz roçou o meu no movimento "Acho que você deveria se arriscar e pedir..."
"Será que ele vai aceitar?" Harry encostou os lábios nos meus bem de leve "acho que eu não agüentaria uma rejeição. Eu realmente gosto dessa pessoa, mesmo ela sendo um babaca às vezes..."
Eu ri baixinho e fechei os olhos.
"Se você realmente gosta dessa pessoa, acho que você deve mesmo se arriscar..."
"Quer namorar comigo, Draco?" Perguntou, sua respiração aqueceu meus lábios e o apertei ainda mais contra mim.
"Eu quero namorar você, Harry" Eu respondi e ele abriu um sorriso de todos os dentes.
"Vamos fazer dar certo..."
Foi a última coisa que ele disse antes de colar os lábios aos meus.
Nota da Autora: Bom, chegamos ao fim. Sei que demorei muito pra postar, uma vez que já tinha os capítulos no meu computador, porém espero que me desculpem por isso. Postei esses três últimos capítulos de uma vez, pra compensar. Eu fiquei com vergonha de reler a lemon e por isso não revisei, assim como a do capítulo passado, por isso relevem os erros e obrigada mesmo por todo o carinho que vocês tem comigo, desde o começo. Um beijo!
