Pov Tiago
Já se fazia pouco mais de dez minutos que Harry havia entrado na mansão e eu fiquei de prontidão o esperando no carro, foi uma sorte e tanto estar aqui depois de tantos anos. Harry e eu estávamos treinando algumas táticas quando recebeu um telefonema, no início da ligação estivera um sorriso, mas em questão de segundos seu semblante mudara completamente.
- Estou indo pra aí - ele disse desligando, a princípio ele resistiu quando eu o ofereci carona, mas logo cedeu e viemos em disparada eu não sabia ao certo o que tinha acontecido, mas pelo o que eu pude entender tinha haver com Lily e isso me deixou logo em alerta, mas esperar dez minutos para mim estava sendo uma década, peguei meu celular e fiz uma ligação.
- Sou eu - falei passando as mãos nervosamente pelos cabelos - Chegou a hora.
- Tiago é rápido demais - disse a voz no outro lado da linha.
- Você já tem as provas e as testemunhas - falei - ´E o suficiente...- desliguei o telefone rapidamente quando vi Harry saindo da casa aparando Lily com um dos braços, logo sai do carro apressadamente e o ajudei a trazê-la, mas percebi algo que fez uma besta fera rugir dentro de mim Lily estava com o canto da boca sangrando, ajudei Harry a colocá-la no carro.
- Desgraçado - falei com muita raiva - O que ele fez com a sua mãe?
- Professor - Harry suspirou - Primeiro vamos levá-la daqui - eu assenti e logo entramos no carro e dei a partida Harry me deu um endereço que eu já conhecia muito bem, durante a viagem eu não conseguia parar de olhar Lily pelo retrovisor, vê-la frágil daquele jeito estava me partindo o coração a minha vontade agora era voltar e meter a porrada na cara daquele canalha. Dessa vez ele havia passado do limite, bater em uma mulher? Quanta covardia.
- Chegamos - disse Harry.
- Filho avise todos na casa eu ajudo a sua...mãe - droga eu não me segurei - Harry eu a ajudo pode deixar - ele surpreso foi em direção a casa e eu fui amparar Lily e comecei a conduzi-la para a casa.
- Você...não precisa - ela disse se apoiando em mim.
- Precisa sim - quando entramos vi a cara de espanto de Arthur para mim que logo veio me ajudar, sem dizer nada acomodamos Lily em um quarto e sai juntamente com ele, somente pelo gesto entendi que viria bronca eu o acompanhei até um escritório improvisado, com certeza os filhos ainda não sabiam.
- Você ficou maluco? - ele disse trancando a porta com a chave.
- Arthur, por favor - falei me jogando na cadeira - Tudo foi por acaso e agora mais do que nunca chegou à hora de colocar aquele monstro atrás das grades, olha o que ele fez com ela do que mais ele é capaz de fazer?
- Eu sei do que ele é capaz - respondeu repensando.
- Ele machucou a minha mulher - suspirei - Você sabe que agora ele pode machucar o meu filho simplesmente por vingança.
- A minha família vai ficar vulnerável - ele disse - Quando Tom descobrir que eu peguei as provas...
- Esse é o único jeito de você ter as suas empresas de volta - me levantei e encarei a rua pela janela - Sua família precisa saber da verdade para ficarem em alerta.
- Me dá um tempo - ele pediu - Preciso prepará-los e me preparar também.
- Eu te entendo - concordei - Só acho que não devemos esperar muito.
- Você vai contar a verdade para a Lily?
- Sim, mas no tempo certo - me sentei novamente - Primeiro quero me reaproximar do meu filho.
- Tiago...- eu o interrompi.
- Eu sei Arthur - suspirei - Não vai demorar para ele saber.
PoV Harry
Meu Deus ver a minha mãe frágil desse jeito estava me deixando completamente sem chão, ela é o meu refúgio, força era ela em pessoa e agora parece tão desolada.
- Mãe - falei me sentando ao lado dela na cama, quando ela virou o rosto para mim vi que o local onde já havia sangue seco estava ganhando uma coloração roxa, eu não consegui segurar e deixei as lágrimas caírem dos meus olhos - Sinto muito... - ela fez com que eu colocasse a minha cabeça deitada no colo dela como fazia antes quando eu tinha medo de uma tempestade, medo do escuro.
- Shiii - ela começou a acariciar a minha cabeça em um leve cafuné - Está tudo bem meu amor.
- Eu poderia conseguir perdoar qualquer coisa vindo dele - eu me levantei para encará-la - Menos isso, eu nunca vou perdoa-lo por ter encostado a mão em você, precisamos denunciá-lo - ela acariciou o meu rosto.
- Ele tem poder e dinheiro - ela suspirou - Podemos até denunciá-lo, mas na manhã seguinte ele já estará livre.
- Eu nunca pensei que o meu pai fosse chegar a esse nível - falei me levantando - Eu...
- Filho - ela me chamou - Teremos tempo, mas precisamos conversar.
- Sobre? - perguntei curioso.
- Harry eu preciso que me prometa uma coisa - sentei novamente ao lado dela - Verdades estarão sendo reveladas, mas eu preciso que você tente entender e jamais esqueça que te amo e que faria tudo de novo se fosse necessário.
- O que quer dizer mãe? - questionei.
- Eu...- fomos interrompidos por batidas na porta - Entre - disse minha mãe.
- Lily com licença - Sra. Weasley entrou no quanto com uma bacia e alguns utensílios que provavelmente seria para cuidar do machucado que já estava bem visível – Harry querido preciso que saia para eu cuidar da sua mãe.
- Certo – falei me levantando.
- Obrigada Molly – me espantei quando minha mãe pronunciou o nome da matriarca.
- Você...a conhece? – perguntei espantado.
- Sim filho – minha mãe sorriu – Eu e Molly estudamos juntas no colegial, justamente em Hogwarts.
- Então...- a Sra Weasley sorriu para mim.
- Sim querido – ela me abraçou – Eu sabia o tempo todo de quem você era filho, lógico que Lily nem imaginava quem eu era, eu entendo que você não queria dizer que era rico não se preocupe, todos nós sabíamos assim que você entrou em nossas vidas.
- Harry falava tanto de você – se pronunciou minha mãe – Mas nunca imaginei que você havia se casado com o Arthur.
- Foram tempos duvidosos Lily...- eu pigarreei.
- Eu vou deixar vocês sozinhas – falei e fui em direção a minha mãe e dei um beijo na cabeça dela – Mas tarde volto para ver a senhora.
- Tudo bem querido – ela sorriu para mim e sai em direção ao andar de baixo, quando cheguei na sala vi que o Sr Weasley estava conversando com o meu professor no qual eu esqueci literalmente – Professor peço desculpas.
- Tudo bem Harry – disse Stephan se levantando – E como está a sua mãe?
- A Sra Weasley está cuidando dela – suspirei – Mas graças a Deus ela está bem.
- Bem hoje é sexta feira e você vai ficar por aqui – eu fiz que sim com a cabeça – Bom então eu já vou indo.
- Eu acompanho o senhor – me propus e ele logo se despediu do Sr Weasley e fui com ele até o carro – Professor eu gostaria de agradecer ao senhor pela ajuda, se não fosse o senhor eu não teria chegado a tempo e...
- Tudo bem Harry – ele disse sorrindo para mim – O importante é que sua mãe está em ótimas mãos e tudo vai se resolver, mas eu queria te pedir uma coisa.
- Pode pedir – falei.
- Pode me chamar de Ti...de Sthephan - ele disse meio incerto – Nos tornamos amigos não é?
- Ok então, Sthephan – ri meio sem graça – Mais uma vez obrigada.
- De nada – ele olhou para o chão – Posso te pedir mais uma coisa? – afirmei com a cabeça – Posso te dar um abraço? – agora eu havia sido pego de surpresa, por mais que fosse estranho eu o abracei e não sei por que, mas uma sensação tão boa se fixou em mim, é como se fosse o primeiro abraço de um pai que eu estava recebendo – Sua mãe tem muita sorte de ter você como filho.
- O...obrigado – falei meio sem jeito.
- Qualquer coisa pode me ligar – ele disse já dentro do carro.
PoV Lily
Assim que Harry saiu do quarto Molly começou a preparar algumas coisas para me acomodar.
- Ainda não acredito como há tanta coincidência – falei andando até a janela.
- Harry é um garoto maravilhoso – disse Molly indo até a porta e verificou se havia alguém no corredor – Lily ainda estou impressionada em como ele se parece com o Tiago.
- Eu sei...- sussurrei para ela - As lembranças do Tiago vivem forte através do nosso filho, se passou tanto tempo, mas não há um dia em que eu não acorde lembrando dele.
- O que você pensa em fazer agora? – perguntou.
- Primeiro quero conseguir um apartamento o mais rápido possível para mim e para o Harry não quero te dar trabalho – falei sem graça.
- Que isso Lily – disse Molly fazendo gestos de indignação – Você e ele podem ficar o tempo que quiserem, afinal de contas somos amigas desde sempre.
- Eu sei – me sentei na cadeira que havia ao meu lado – Eu, você e Marlene fazíamos um grande trio.
- E como Lily – ela disse rindo provavelmente se lembrando do colegial.
- E Marlene, você teve alguma noticia dela? – Molly me olhou com cara de espanto.
- Ué você não soube? – eu fiz que não com a cabeça – A Marlene está casada com o Sirius.
- Como é? – perguntei incrédula – Aquele...ele não me contou isso.
- Lily, tem muita coisa que durante esse tempo você perdeu – ela disse me olhando.
- Eu sei – falei me levantando e fui em direção a janela novamente e quando olhei para a rua vi Harry abraçando...Sthephan ou Tiago, que droga ainda tinha essa confusão na minha cabeça a semelhança era tão grande, mas graças a Deus meus pensamentos foram interrompidos por uma jovem ruiva também.
- Mãe desculpa entrar assim – disse ela entrando – Mas vim ver se precisam de alguma coisa?
- Oh querida ainda bem que você está aqui – disse Molly se colocando ao lado dela – Quero lhe apresentar Lily Evans.
- Muito prazer senhora – ela estendeu a mão para mim – Gina Weasley.
- Prazer Gina, mas acho que podemos deixar as formalidades de lado, pode me chamar de Lily – falei, para um primeiro instante posso afirmar que gostei muito da filha de Molly me parecia ser uma garota bem simpática.
PoV Harry
Duas Semanas Depois
- Pronto mãe essa foi a última caixa – falei colocando o resto dos adornos na mesinha de centro, quando minha mãe me trouxe pela primeira vez aqui nesse apartamento me senti realmente em casa.
- Obrigada querido – disse minha mãe me trazendo um copo de suco de laranja – Você merece pega.
- Valeu mãe – em seguido tomei o suco que com certeza na hora refrescou a minha garganta, quando terminei de tomar o suco vi que no canto da parede havia uma caixa e aquilo atraiu a minha atenção – Mãe o que tem naquela caixa, achei que a que eu abri fosse a última.
- E foi – ela se levantou e pegou a caixa e trouxe para mim – Harry lembra quando eu disse que muitas verdades seriam reveladas futuramente? – eu fiz que sim com a cabeça – Então meu amor, chegou a hora da mamãe te contar um pouco sobre o meu...sobre o nosso passado – quando ela fez menção de abrir a caixa ouvimos a campanhia e fui atender, quando abri vi uma deslumbrante visão de Gina parada na porta do apartamento com uma mochila na costa, ainda não consegui descobri como em tão pouco tempo ela se tornou tão especial para mim, uma amiga que com certeza em sites de vendas não encontramos.
- Gi...- falei a abraçando.
- Oi Harry – ela disse retribuindo ao abraço.
- Entra – fechei a porta.
- Boa noite Sra. Ev...quer dizer Lily – ela ficou sem graça e pude novamente perceber o quanto ela ficava linda com vergonha (pára com isso, ela é sua amiga, mas não faz mal elogiar indiretamente ela) balancei a cabeça tentando colocar longe de mim esses pensamentos – Bom mamãe achou algumas coisas do Harry lá em casa e pediu para eu trazer.
- Valeu Gina – falei pegando a mochila.
- Chegou em uma hora boa querida – olhei para minha mãe – Aceita jantar conosco?
- Ah...- minha mãe a interrompeu.
- Eu insisto – sem nenhuma alternativa Gina concordou, jantamos alegremente, pude perceber o quanto elas se davam bem, já tinham uma cumplicidade muito grande para quem se conheceu em menos de duas semanas, mas novamente a campanhia tocou – Gina você pode atender querida?
PoV Gina
Vim até a sala acompanhada pelo Harry que havia se sentado no sofá, quando abri a porta vi um homem de personalidade fina assim como as roupas que estava usando, tinha um ar de superioridade que na hora me amedrontou um pouco.
- O que você está fazendo aqui? – disse Harry agora um pouco exaltado assim que viu o recém chegado.
- Não vai me convidar para entrar? – ele disse com desdém.
- Você não é bem vindo aqui – revidou Harry – Pode se retirar.
- Meu filho – ele foi interrompido.
- Não me chame assim, você é muito cara de pau.
- Escuta aqui moleque...- por impulso falei.
- Senhor, acho melhor o senhor ir – ele me olhou com repulsa, como se eu fosse contagiosa.
- E quem é você garota estúpida? – ele disse me olhando dos pés a cabeça.
- Olha o respeito pai – disse Harry agora visivelmente irritado.
- Pela cor do cabelo, e da roupa de pobre você só pode ser filha do inútil do Arthur Weasley, Harry eu já não disse que não queria você misturado com esse tipo de gente? – agora ele me deixou nervosa.
- Escuta aqui senhor – falei ajeitando minha postura – O senhor não é ninguém para falar assim comigo.
- Tanta garota para você namorar e você foi escolher logo essa zinha? – Harry tentou ir para cima dele, mas eu o segurei.
- Se ela é minha namorada ou não – fiquei corada – Não é da sua conta você... – fui interrompido de continuar assim que minha mãe apareceu na sala.
- Tom se você não sair daqui agora eu vou chamar a policia – disse Lily com o telefone na mão.
- Eu só quero conversar – ele rebateu.
- Sai – ela mandou mais uma vez, ele olhou para mim.
- Diga para o seu papaizinho ter cuidado – ele foi embora me deixando angustiada com o que tinha dito, acho eu que por impulso Harry me abraçou fortemente, essa era a primeira vez que ele me abraçava e isso com certeza me deixou com a cor dos meus cabelos.
- Me desculpa pela cena Gi – disse Harry se separando de mim.
- Tudo bem – falei o acalmando – Não tínhamos como saber não é? – olhei no relógio que estava no meu pulso – Lily obrigada pelo jantar estava maravilhoso, mas eu tenho que ir já está ficando tarde.
- Claro querida – ela me abraçou – Peço desculpas também – ela olhou para o Harry.
- Filho leve Gina em casa – ele assentiu e foi buscar a chave que provavelmente estava no quarto dele.
- Vamos? – eu fiz que sim e descemos em direção a garagem, ele me deu o capacete e montou na moto, quando montei também o segurei pela cintura na mesma noite eu estava corada com um tomate.
